por Dimas Lins
Tenho me tornado um desses leitores assíduos dos clássicos da literatura mundial. Comecei tarde, é bem verdade, mas consegui, por fim, reunir uma lista de livros de grandes escritores e me propus a lê-los com a atenção que a esta altura de minha vida me permito fazê-lo. Já não sou um jovem e debutante leitor, por isso, não tenho pressa. Percebi que é preciso saborear as páginas de um bom livro, como se saboreia um bom vinho, e observar, para satisfazer curiosidades pessoais, os aspectos que envolvem a criação, o contexto da época em que se passa a narrativa, além de capturar detalhes da vida e obra de seu autor.
Os clássicos abriram para mim novas perspectivas e contribuíram na criação de alguns escritos pessoais, pois endossaram o meu foco na alma humana. Tenho cá pra mim que os grandes romancistas tinham como matéria-prima o infortúnio e, ainda que eu tenha o hábito de também me utilizar da mesma substância em alguns de meus contos – mantidas, evidentemente, as devidas proporções – sinto uma comoção e um inexplicável desejo de um final feliz para as personagens centrais desses autores, embora compreenda que tal querer, se de algum modo fosse satisfeito, provavelmente não daria aos seus livros a condição que os elevou a categoria dos clássicos.
Ilusões Perdidas, do romancista francês Honoré de Balzac, é um desses livros que expõe a ambição desmedida, a miséria, a corrupção social, o interesse pessoal acima dos interesses coletivos e a prevalência do dinheiro sobre os valores morais. É um perfeito retrato social de sua época e um estudo de costumes da França do século XIX, cuja construção só foi possível, porque duas das principais personagens, Lucien Chardon de Rubempré e David Séchard, dividem entre si experiências vividas pelo próprio Balzac que, como o primeiro foi poeta e escritor e, como o segundo, investiu na carreira de editor e impressor de livros. Leia Mais »