Roliúde

Esta é a primeira vez que escrevo sobre um livro que não li. Apesar de nunca sequer ter ficado frente-a-frente com a capa de Roliúde, vou rasgar elogios ao romance escrito por Homero Fonseca. Ou melhor, vou falar bem mesmo é da peça que o ator e diretor João Ricardo Oliveira montou a partir do livro do pernambucano e foi encenada no Hermilo Borba Filho dentro da programação do Festival A Letra e a Voz, muitíssimo bem organizado pela Prefeitura do Recife.

Já convivi bastante com Homero quando fui repórter do Diário de Pernambuco e ele dirigia a redação. A vida acabou nos afastando. Pra piorar, encaixo-me no perfil de “leitor desatento” que José Teles definiu no Jornal do Commércio de segunda-feira, 30 de agosto. Mas tenho uma desculpa: de tanto viajar para cima e para baixo nos meus quatro anos no Unicef, nem sabia que meu ex-chefe tinha escrito esse romance, a história de um matuto doido por cinema, que assistia aos filmes e depois contava tudinho para o povo nas feiras do interior.

Uma ótima ideia, aproveitada com por João Ricardo, carioca que vive no bairro da Ilha do Governador e se define como um professor/ator que pretende, em breve, ser ator/professor para, depois, reviver como ator mesmo, sem depender de nenhuma outra renda. Foi isso que ele contou nos dois dedos de prosa que o ator e autor tiveram com a plateia logo depois do espetáculo. Leia Mais »

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O caso eu conto como o caso foi

por Arsênio Meira Júnior

Passando os olhos nas minhas queridas estantes, deparei-me com dois exemplares antigos: O caso eu conto como o caso foi – memórias políticas, 1o. volume de memórias, e O caso eu conto como o caso foi, 2o. volume de memórias, do escritor, advogado e jornalista Paulo Cavalcanti, que falecei em maio de 1995, pouco depois de completar 80 anos.

Paulo também foi firme intelectual. Justo e generoso. É de sua lavra Eça de Queiroz: agitador no Brasil. O livro, publicado em 1959, ganhou fama nacional ao ser premiado pela Academia Pernambucana de Letras.

Imagino Paulo, comunista até o último fio de cabelo, incapaz de se calar diante de uma injustiça, no meio dos fraques e das cartolas da Academia. Não combinava com ele. Ele, ao contrário de muitos, acreditava na militância, no ideário do socialismo. Em Marx e na repartição igualitária da riqueza. Leia Mais »

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Como se fosse ontem…

Tinha acabado de chegar a São Paulo em agosto de 1991 com o ego desmantelado, exatamente um mês depois de ser reprovado no exame psicotécnico para passar de estagiário a repórter do Jornal do Comércio. Sim, fui reprovado em psicotécnico de jornal.

Durante muito tempo, jornalistas mais velhos diziam que eu não deveria alardear esse tipo de coisa por aí, porque pegava mal, mas já não me importo. Na verdade, tenho a impressão que esse é o tipo de coisa que conta pontos a favor, além de reforçar meu folclore pessoal, o que talvez compense o fato de ser meio fraco em matéria de autopromoção.

O teste exigia que o examinado concluísse uma série de desenhos incompletos ou com apenas um tracinho. Ou um quadradinho. Em um dos espaços, havia apenas uma espécie de cobrinha, ou melhor, um “s” mal-feito. Preenchi o quadro com outras dezenas de cobrinhas parecidas e descrevi como espermatozóides a caminho do óvulo. Em outro, havia um quadradinho escuro. Fiz mais 12 iguais e disse que era um cartão não premiado da loteria esportiva. A psicóloga não gostou. Eu era muito menino, não percebi que a miserável era burra e desprovida de humor. Leia Mais »

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Vida longa às Bibliotecas Comunitárias

Rede de Bibliotecas ComunitáriasO Caótico demorou, mas chegou ao bloguinaço (ou blogaço, sei lá como se chama isso) em favor da Rede de Bibliotecas Comunitárias da Região Metropolitana do Recife. A migração dos arquivos para um novo servidor atrapalhou em algumas horas a entrada do blog na campanha.

Pra começo de conversa, acho que é necessário explicar que essas bibliotecas, criadas, gerenciadas e mantidas por moradores de comunidades populares por eles mesmos, tem um blog próprio (clique aqui para saber tudo sobre essa turma) e são em número de oito.

São quatro bibliotecas em Recife (Coque, Afogados, Alto José Bonifácio e Brasília Teimosa), três em Olinda (Ouro Preto, Bairro Novo e Peixinhos) e uma em Jaboatão dos Guararapes (Piedade). O que motiva e une essa turma é o conceito de que “biblioteca” não pode ser apenas um espaço para guardar livros, mas um pólo de formação de novos leitores, onde acontecem rodas de leitura, recitais, semanas do conto, malas ou baús de leitura, exibições de vídeo, oficinas, contação de histórias e produção de textos. Leia Mais »

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Murilo Mendes

Está decidido. Desde já, o senhor Arsênio Meira Filho será o encarregado de escrever sobre poesia para o Caótico. O convite foi feito na semana passada e, depois de rápidas negociações a respeito dos seus honorários (ele irá receber vencimentos iguais ao do editor do blog), o convite foi aceito.

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por Arsênio Meira Júnior (e não Filho, como insisti o editor tabacudo)

Sobre Murilo Mendes, o editor do blog e amigo Inácio França tascou, quando batíamos um breve papo (não tomei nota, mas foi mais ou menos assim): “é um poeta esquecido, sem a mesma atenção dos poetas eleitos pelo grande público, pela crítica.”

Nada mais perfeito e a carga de injustiça detectada por Inácio é bem pontual.

João Cabral, certo dia, escreveu sobre Murilo: “Sua poesia sempre me foi mestra, pela plasticidade e novidade da imagem. Sobretudo foi ela quem me ensinou a dar precedência à imagem sobre a mensagem, ao plástico sobre o discursivo. É, em minha vida um poeta definitivo”.

O homem, portanto, é titular absoluto entre os grandes poetas brasileiros do modernismo. João Cabral e Vinicius de Moraes, por exemplo, passaram a via inteira reconhecendo a força do seu lirismo

Murilo Monteiro Mendes nasceu em Juiz de Fora, Minas Gerais, em 1901. Partiu  em 1975, em Lisboa. No dia 13 de agosto.

Um poeta fascinante, à primeira vista pode parecer um poeta “difícil”. Mas não é. É que sua liberdade criadora nunca foi capaz de domar o seu feroz lirismo, de onde que se percebe em Murilo uma poesia instigante e perturbadora. Que irrigou em vários caminhos sementes da mais pura poesia. Do poema-piada aos experimentos dos seus grafitos.

A Canção do Exílio, uma sátira sua ao clássico poema de Gonçalves Dias, por exemplo, pertence ao primeiro momento dele como poeta; o modernismo ainda em chamas, o poema piada (onde Oswald mandava tão bem) em voga, eis que o poeta não se esquivou ao movimento modernista, ainda que tenha escrito que não participaria de escola alguma, pois não seria um numeral para premiar a cabeça de bagre de um algum crítico desavisado.

Mas era uma época de resistência para eles, e não é fácil estourar uma revolução. Foi justamente isso o que ele, Drummond, Mário de Andrade, Bandeira, Mennoti Del Picchia, Cassiano Ricardo e o próprio Oswald (dentre outros) fizeram.

Lutar  contra costumes já sedimentados (o parnasianismo, a literatura beletrista e etc) é trabalho para doze Hércules.

Drummond, ao escrever o Poema da Pedra em 1928, provocou uma confusão dos diabos. Foi taxado de débil mental e outras coisas. Oswald não perdoava ninguém, e em contrapartida teve papel também decisivo, e no final das contas quase entra para o limbo, mas isso já são outros quinhentos.

Mas Mário de Andrade e Manuel Bandeira – como verdadeiros desbravadores ou pioneiros, deram rumo ao século XX em nossa vida literária.

Murilo, após esse primeiro momento de afirmação transformou-se no poeta definitivo, tão bem descrito por João Cabral, Cabral que foi um dos principais legatários do próprio Murilo e de Carlos Drummond de Andrade.

E lá pelos idos dos anos 30, virou um católico militante. A conversão não o tornou mais otimista, nem lhe suprimiu a angústia típica daqueles que sentem tão a fundo os dissabores da humanidade, que chegam a escrever, como Murilo escreveu, o sintético e doloroso poema A Tentação (infelizmente, atualíssimo):

Diante do crucifixo

Eu paro pálido tremendo:

‘Já que és o verdadeiro filho de Deus

Desprega a humanidade desta cruz’.

Murilo era um poeta religioso, um espírito metafísico, mas nunca dispensava o senso de humor. Um poeta é capaz da proeza de ser dramático sem deixar de achar graça em tudo.

Autor de uma História do Brasil, Murilo foi também um profeta. E um profeta bem-humorado, como está evidente nos versos brincalhões que escreveu a propósito dos fastos da nossa história, tratada quase sempre com excesso de retórica e escassez de documentos e de pesquisa.

Publicada em 1932, numa edição modesta, a História do Brasil tem, por exemplo, um Hino do Deputado, que começa assim: “Chora, meu filho, chora. Ai quem não chora não mama, Quem não mama fica fraco”. E vai por aí afora.

Pode haver coisa mais atual? Como o José Dias do polivalente Machado de Assis, o Murilo tinha o gosto do superlativo. Fico imaginando onde é que o poeta iria hoje buscar superlativos superlativíssimos para falar do Brasil deste ano da graça de 2010.

De lá para cá, mais do que antiquíssima, a corrupção se tornou atualíssima. Com “p” ou sem “p”, antiquíssima, a corrupção sempre existiu. Lá está no Gênesis: assim que os homens começaram a famosa, multiplicação, o Senhor logo viu que a maldade deles era grande. Ferido de íntima dor, arrependeu-se de ter criado o homem.

E veio o dilúvio.

Pois ainda assim a bandalheira continuou de tal forma que foi preciso mandar uma chuva de enxofre e de fogo para destruir Sodoma e Gomorra. Quem acompanha hoje a vida pública brasileira deve achar uma injustiça o que o Todo Poderoso fez com Sodoma e Gomorra. Nem o vocabulário do Vieira e do Ruy Barbosa, nem os superlativos do José Dias e do Murilo Mendes, nada é capaz de dar uma ideia do que se lê e se ouve por aí.

Mas eu falava sobre o poeta. Não esqueçamos que Murilo Mendes, por exemplo, foi um dos poetas mais latejantes, honestos e inventivos do nosso modernismo. Ele levava a ferro e fogo o lema de Pound: é preciso inovar sempre.

Acho até que, aqui e ali, o poeta exagerou um pouco, mas o leitor poderá ler em sua volumosa obra poética (Murilo Mendes: Poesia Completa e Prosa, da Nova Aguilar, 1ª edição 1994) que ele travou uma luta íntima para transformar-se. Inovar-se sem ferir a própria essência, não é uma tarefa tão simples como atravessar a rua para comprar um chicabon. Mas ele conseguiu.

Tenho a opinião que Murilo não caiu na esparrela do abstracionismo e da infertilidade de muitos escritores, que correm mundo afora. A destreza verbal de Murilo é acachapante. Por muitos anos, li Murilo em Pé, deitado, no táxi, nas pausas das lides forenses.

A gente ama Murilo Mendes, como ama T.S Eliot.
Primeiro pela música, até mesmo antes que se entenda o que ele quer dizer.

É uma devoção ou paixão que dura para sempre, porque Murilo, quando relido, é sempre novo, de uma fertilidade verbal e espiritual inesgotáveis.

Nos trechos arretados do Caótico, não deixem de ler os versos da mais legítima cepa muriliana.

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Se me deixam falar…

Já nem lembrava quando havia lido Se me deixam falar. Como há semanas que vinha querendo recordar essa leitura e compartilhar as lembranças da sua leitura, resgatei o volume do ostracismo da estante do corredor. Na folha de rosto, está lá o registro que costumava fazer: “Inácio França – ago 1987”. Alguns centímetros abaixo, a etiqueta da Livro 7 para casos de troca.

Há 23 anos, li de uma tacada só, praticamente sem intervalos, o depoimento da boliviana Domitila Chungara registrado pela educadora gaúcha Moema Viezzer. Ainda iria completar 19 anos, estava no segundo período de Jornalismo da Católica de Pernambuco e militando no PCB. Um ano antes, ainda gazeava as aulas no Salesiano para participar da histórica campanha eleitoral de Arraes em 1986.

Naquele ano, dei o grande golpe que mudou minha vida: meus pais foram morar em Natal e eu fiquei pelo Recife, alegando que começaria o curso para depois fazer outro vestibular na UFRN. Eles acreditaram. Sozinho, trilhei meus próprios caminhos. Leia Mais »

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Filho do Hamas

Depois do Curral da Morte, o advogado Paulo Sérgio Araújo volta para relatar mais uma experiência de leitura. Mais um que está virando habituê.

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Não estranharei se, algum dia, em um desses muitos programas religiosos que pululam na madrugada, aos quais assisto sem fé mas com extremo deleite e admiração por aqueles oradores, o livro Filho do Hamas ser indicado como testemunho de uma grande conversão ao cristianismo.

Até me espanta que o autor não tenha aparecido ainda – pelo menos não vi – em um desses mencionados programas, dizendo como sua vida mudou depois que conheceu Jesus Cristo. Na internet já existem referências a ele em sites religiosos.

Ora, mas o foco do livro – e o que é interessante e majoritário –  é o relato de Mosab Hassan Youssef, filho de um dos fundadores do grupo Hamas que passa a fornecer informações importantíssimas ao serviço secreto de Israel, condição em que se mantém por 10 anos. Leia Mais »

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Maldição e glória

Dei por encerrada a entrevista com Marcos Rey e, antes que ele me largasse sozinho na mesa, pedi permissão para falar algo que não tinha nada a ver com a pequena matéria que iria escrever para o Diário de Pernambuco.

- Queria lhe dizer que o senhor e Júlio Verne são os dois principais responsáveis pelo meu amor por livros. Fiz questão de entrevistá-lo para poder agradecer pelos livros que escreveu.

Ele riu, todo sem jeito. Vai ver não esperava uma tietagem tão escancarada por parte de um adulto. Então perguntou qual o livro que tinha me atraído tanto.

- O primeiro de todos foi O mistério do cinco estrelas. Depois, eu ficava esperando aparecer mais um livro seu na Coleção Vaga-Lume.

Fiquei com a impressão que minha resposta não o surpreendeu. Acabou assim minha conversa com um dos escritores que cresci admirando, num final de tarde de maio de 1998, no barulhento stand da editora Ática na Bienal de São Paulo. O gordinho e baixinho Marcos Rey levantou-se e saiu caminhando com dificuldade, amparado pela esposa, que havia ficado por perto durante a entrevista.

Ao vê-lo ir embora, logo me arrependi não ter comprado um exemplar do livro e pedido um autógrafo. Depois de ter concluído a leitura de Maldição e glória, biografia de Rey escrita pelo jornalista Carlos Maranhão, lamentei ainda mais não ter aproveitado a oportunidade. Leia Mais »

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Toda poesia de Ferreira Gullar

Já deu para reparar que não me sinto muito a vontade para escrever sobre poesia? De vez em quando, até que leio. Até já me arrisquei a escrevinhar uns versos, como podem testemunhar as senhoras Maria Tereza Perez de Almeida e Ana Vitória Soares (durante anos, guardiã involuntária de uma pasta com alguns poemas datilografados).

Li um pouco de Bandeira e João Cabral e li muito Drummond, Maiakovski traduzido pelos irmãos Campos e, principalmente Ferreira Gullar. Creio que não voltei a me arriscar na poesia porque o coração véio de guerra ficava escancarado demais. Na prosa, dá pro sujeito se esconder um pouco mais.

Tenho também dificuldade em escrever sobre poesia por absoluta falta de conhecimentos e referências. Ainda bem que Arsênio deu as caras para falar de Gullar e salvar a lavoura poética do blog.

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por Arsenio Meira Júnior

Gullar é para poesia o que Nílton Santos representa para o futebol.

Para quem não conhece Nilton Santos, trata-se de um lendário lateral esquerdo, que jogou no Botafogo nos anos 50 e 60 e na seleção Brasileira Campeã do mundo em 1958 e 1962.

Nilton, hoje doente, com problemas de ordem neurológica, atendia também pelo apelido de “a Enciclopédia”.

Gullar continua na aptidão das suas faculdades mentais, e hoje carrega nos ombros a responsabilidade de ser o maior poeta Brasileiro vivo, e um dos grandes de todos os tempos.

Estas notas representam uma breve resenha sobre a nona edição de Toda Poesia, e claro sobre o poeta. Leia Mais »

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O segredo de Joe Gould

Como já contei algumas vezes em textos anteriores, do mesmo modo que os pernambucanos costumam deixar os guaiamuns cevando durante semanas, até que ele fique bem gordinho para ser comido com pirão e uma cervejinha, eu costumo cevar os livros da minha estante.

Descobri que essa técnica multiplica o prazer, pois além do tesão da leitura, sempre que subo a escadinha de três degraus para escolher um volume para ler, pego um ou dois daqueles que estão sendo cevados, leio a orelha pela milésima vez, olho as capas e decido: “não, esse agora não”. Antes, eu acreditava estar aguardando um momento especial para iniciar a leitura. Com o tempo, descobri que, na verdade, estou construindo o momento especial, ou seja, o próprio instante em que começo a leitura da obra merecedora de tantos afagos.

O segredo de Joe Gould, do americano Joseph Mitchell, foi um dos livros mais cevados da década, desde que o comprei há seis ou sete anos. Valeu a pena. Leia Mais »

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