Mais perto do que longe

Paciência! Este blog não está abandonado pelo autor. O problema é que estou correndo contra o tempo para concluir as histórias do livro já citado um bocado de vezes aqui. Faltam “apenas ” 9 (nove) textos e tenho até o final da próxima semana para entregá-los ao pessoal da Via Design, que, vai ter apenas algumas horas para mandar tudo para a gráfica.

Como se não bastasse, ainda inventaram de fazer um carnaval em Olinda. Vê se pode!

Por isso, sugiro que, por enquanto, as boas almas que ainda frequentam esse espaço virtual procurem um bom livro para ler. Eu juro que volto!

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Juliano

Juliano VidalNos últimos dias de 2009, no meio daquela correria sem sentido de final de ano, considerei que eu merecia um presente. As semanas que viriam pela frente prometiam ser de muito trabalho, com a chegada dos filhos que moram com a mãe em Tocantins, a obrigação de correr contra o tempo e entregar os textos do Um Rio de Gente e a perspectiva de mais demanda por conta do carnaval em Olinda. Então, resolvi me dar de presente a leitura de Juliano, de Gore Vidal.

Depois de comprá-lo num sebo, deixei o livro curtindo na estante, cevando, enquanto gozava a expectativa da leitura. De vez em quando faço isso com algumas coisas que passo um tempão desejando ler, mas quando estou com ele nas mãos, resolvo esperar mais um pouquinho. Um traço masoquista, provavelmente.

Eu estava duplamente certo. Estou a ponto de enlouquecer de tanto preparar café-da-manhã, arrumar atividades para as crianças, apartar brigas, suportar arengas, além da ansiedade por causa dos prazos. A sorte é que Juliano é realmente show de bola. Só nas três primeiro páginas, já tinha marcado de lápis uma meia dúzia de trechos. Peguei essa mania de rabiscar o que vou lendo por causa do Caótico, antes meus livros permaneciam limpinhos. Leia Mais »

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Satisfação

a9_bb_livros_aberto_um_em_cima_do_outro_A quantidade de gente interessada por este e por tudo quanto é blog ou site deve diminuir muito nas próximas duas semanas. A audiência da internet e das mídias tradicionais tende a cair nas férias. Se tem mais gente viajando, comprando presentes,arrumando o que fazer com os filhos ou organizando festas de final de ano, tem menos gente navegando na internet, ligando a tevê ou esperando o jornal do dia.

Ou seja: tenho motivos de sobras para dar um tempo. Volto em janeiro, provavelmente lá pelo meio do mês, comentando Juliano, de Gore Vidal, que é o que estou lendo agora, ou então Na pior em Paris e Londres, de George Orwell, que li há uns dois anos.

Antes dessa parada estratégica, resolvi fazer um balanço do Caótico, desde que sua inauguração para o público, em julho. Se fosse resumir em uma palavra seria a do título lá em cima. Fiquei ainda mais satisfeito, feliz, emocionado, o escambau, nesse final de semana. Pela primeira vez, duas pessoas até então desconhecidas me procuraram para dizer que lêem o que escrevo por aqui. Mais arretado ainda: encaram meus comentários como dicas de leitura e saem pela cidade procurando os livros! Leia Mais »

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Josué de Castro, o Gênio Silenciado

livro josué de castroDuas atitudes são fundamentais para um jornalista ser aceito entre seus iguais nas redações do século XXI: freqüentar o bar da moda e cultivar uma auto-imagem de paladino da Justiça, de corajoso fiscal da ética acima do bem e do mal. Também é recomendável manter o nariz empinado. Vandeck Santiago não faz nada disso, mas é um dos melhores seres humanos dessa raquítica atividade que é o Jornalismo.

Criatividade e talento para escrever já não são assim tão importantes, mas Vandeck sabe escrever, tem ótimas ideias e, apesar de já ter trabalhado na Veja, é um homem honrado. Pausa para esclarecimento: respeito muito esse sujeito, o conheço desde que eu era estudante e ele já trabalhava na sucursal da acima citada revista, mas não dá para dizer que somos amigos. Nem sei onde ele mora.

Com todo esse blá-blá-blá, o que estou querendo dizer é que seu livro Josué de Castro, o Gênio Silenciado é uma ótima sacada, resultado de sua criatividade, do seu rigor na apuração e da sua intimidade com a escrita. Ao mesmo tempo, é uma evidência incontestável que não existe mercado editorial em Pernambuco. Aliás, provavelmente essa última afirmativa é válida para o Nordeste inteiro, mas a ignorância impede que eu generalize. Leia Mais »

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Contos de Tchekhov

dama_do_cachorrinhoNos últimos dias, o tempo da leitura foi arrancado na marra. Duas páginas no banheiro, mais duas enquanto aguardava a milésima reunião do ano, dois parágrafos na cama antes de arriar no sono, outra página no carro da prefeitura, correndo o risco de descolar a retina. E assim foi, aos trancos e barrancos, da pior maneira possível li 12 contos de um dos melhores escritores da história.

Há tempos que eu estava me devendo ler alguma coisa de Anton Tchekhov (se ainda lembro das aulas de russo com a professora Ewa, a pronúncia é mais ou menos assim: txerróf). Antes de chegar ao último conto, estava com uma inveja danada de quem leu 22 livros dele, como o blogueiro gaúcho Milton Ribeiro.

Os contos do russo foram escritos no final do século XIX, poucos no início do século XX, mas poderiam ter sido publicados na semana passada aqui no Brasil, no Sri Lanka ou qualquer outra parte do mundo. A prosa de Tchekhov é atualíssima. Esses contos jamais vão caducar, pelo menos não enquanto os humanos se apaixonarem, sofrerem por do amor, sonharem, alimentarem esperanças de mudar a vida. Leia Mais »

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Tô na área!

Calma, não abandonei o blog. Acho que amanhã (quarta-feira) eu atualizo o bichinho novamente. A culpa do grande intervalo desde a última postagem é do ritmo de final-de-ano em Olinda, com um monte de coisas que aparecem a toda hora, além do tempo que estou dedicando à redação do livro Um Rio de Gente, financiado pelo Funcultura. O tempo anda tão curto que estou há mais de uma semana carregando pra lá e pra cá um livrinho de contos de Tchekov, sem conseguir conclui-lo.

Enquanto não publico nada novo por aqui, quem estiver interessado sobre o livro que estou escrevendo pode ler postagens Um livro em Gestação e A Parabólica do Seu Inácio.

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Eu, jurado do Jabuti

jabuti_tinga_gFoi no final de 2002 que Edmundo me telefonou, lá de sua sala numa grande editora do Rio de Janeiro.

A conversa foi mais ou menos assim:

- Quer ganhar uma porrada de livros em troca de um trabalho moleza?

- Mai tá, se não quero. Que é que tenho de fazer?

- Vou te indicar para ser jurado do Prêmio Jabuti. Vão te ligar dizendo os prazos e para combinar para onde mandar os livros.

- Rapá… será que eu tenho cacife para essa porra?

- Tem sim, é pra ser jurado da categoria Reportagem e Biografia, não é literatura, não. Moleza mesmo.

- Ah, então, tá. Leia Mais »

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Maigret é coisa de cinema

maigret7Um potiguar chamado Tião costuma visitar o blog Estuário, de Samarone, onde ficou sabendo da existência desse Caótico aqui. Dia desses, ele deixou um comentário numa postagem que nem lembro mais qual foi. Aí, descobri e passei a visitar de vez em quando o Sopão do Tião, que vem a ser o blog dele. Numa dessas visitas, cheguei ao blog do crítico de cinema do jornal Estado de S. Paulo, o senhor Luiz Carlos Merten.

Pois bem, no blog mantido sob a responsa de Merten no portal do Estadão, encontrei o assunto dessa postagem: George Simenon e seu comissário Maigret, tema de um dos primeiros textos que publiquei, há uns quatro meses mais ou menos.

Mesmo correndo o risco de me repetir, agarrei a deixa do Merten e volto à Maigret, o mais humano e imperfeito dos detetives da ficção policial. Imperfeito como detetive, perfeito como personagem. O problema é que estou viciado em Maigret, só de sexta para segunda-feira, li dois livretos da série que está sendo publicada pela L&PM: A Fúria de Maigret e Maigret e seu Morto. Leia Mais »

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Dois Irmãos

2irmãosFazer, atualizar, escrever o Caótico me dá uma satisfação enorme. Por causa do método que criei “na tora” para manter o blog, a cada postagem aprendo um pouco mais sobre algo. Sempre que escolho a livro a ser comentado – coisas que li há muito tempo ou que acabei de guardar na estante -, procuro na internet outras informações ou opiniões sobre o autor e o texto. Sem querer, ação fazendo diálogos mudos e virtuais com outros leitores.

Não bastasse isso, o compromisso de manter o blog vivo me estimula a novas leituras, a escacavilhar minha estante e redescobrir os livros que, um dia, despertaram tanto minha curiosidade a ponto de trazê-los para casa. Desta vez foi Dois Irmãos, de Milton Hatoum, um dos mais respeitados autores brasileiros neste início de século, mas cuja prosa ainda não conhecia.

As primeiras páginas de Dois Irmãos são arrasadoras, deu nó na garganta a narrativa das emoções do rapazote Yaqub, irmão gêmeo de Omar, quando ele volta de uma temporada na casa de um tio na aldeia do Líbano, para onde foi sozinho pro decisão dos pais. Parei a leitura nesse ponto e precisei de um dia para me acostumar com os sentimentos e retomá-la. Leia Mais »

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Um Genocídio em Julgamento

genocidio_armenioAté conhecer a história do estudante Salomon Teilirian nunca tinha ouvido falar a respeito do genocídio Armênio. Da Armênia, eu só conhecia uma estação de metrô com esse nome perto do estádio do Canindé. Isso foi em 1994, quando li Um Genocídio em Julgamento, que tinha acabado de ser publicado pela editora Paz e Terra, em co-edição com o Comitê Brasileiro para a Reconstrução da Armênia.

Não se trata de nenhum romance histórico ou livro-reportagem sobre a execução sistemática de um milhão e meio de armênios pelos turcos, mas sim a reprodução integral dos autos do processo do assassinato de Talaat Paxá, ex-ministro do Interior da Turquia, por Teilirian.

A linguagem é jurídica, além disso há a informações repetidas nos vários depoimentos reproduzidos. Mesmo assim, a leitura é arrebatadora. O processo foi tão emocionante, com tamanho significado político, que nem foi preciso adaptar o texto. Leia Mais »

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