#criaeduardo para democratizar (um pouco) a comunicação!

Enquanto o senhor Ivan Moraes Filho (esse elemento da foto ai embaixo) não arruma tempo e vergonha na cara para escrever suas análises sobre os livros que lhe emprestei – Cães de Guarda, sobre a atuação dos jornais paulistanos em favor da repressão durante a ditadura militar, e A Conjura, de José Eduardo Agualusa -, acato sua convocação e junto o Caótico à mobilização pela criação da Empresa Pernambuco de Comunicação.

****

Cria, Eduardo! Manifesto pela implementação da Empresa Pernambuco de Comunicação (EPC)

Em março de 2010, um Grupo de Trabalho (GT) composto por integrantes da sociedade civil pernambucana assumiu a tarefa de propor as bases para a reformulação da TV Pernambuco, para que ela pudesse tornar-se uma emissora realmente pública, com recursos e com sustentabilidade política e econômica. Num exemplo a ser seguido por emissoras públicas, várias delas vivendo momentos semelhantes de reflexão e transformação.

O Fórum Pernambucano de Comunicação (Fopecom) participou de todo esse processo, juntamente com centenas de outras representações, individuais ou coletivas. Artistas, produtores independentes, estudantes, acadêmicos, cidadãos e cidadãs interessados em fazer valer seus direitos estiveram nessa caminhada. Participamos de seminários, contribuímos com propostas que constam do documento final do GT. Uma construção coletiva que repercutiu inclusive em outros estados do País. Criou-se a expectativa da criação da primeira emissora estadual realmente pública do Brasil. Uma emissora com participação popular garantida em conselho, com autonomia política e sustentabilidade econômica, com espaço para a produção independente, popular e comunitária.

Acompanhamos o processo de proposição do Projeto de Lei que finalmente tornou-se a Lei nº 14.404, de 22 de setembro de 2011, que autoriza a criação da Empresa Pernambuco de Comunicação. Uma instância que seria gerida com plena participação da sociedade civil, representada por seis integrantes de um conselho. Leia Mais »

Deixe o seu comentário - Enviar por email - Imprimir

Como se fosse ontem (onze)

Ele era alto, bonito, culto, muito educado e gentil. Desde os anos de colégio jamais precisou paquerar, era paquerado, disputado a tapas e beijos pelas meninas da escola nas Laranjeiras, onde viveu os anos de menino, moleque e rapaz. A lei do menor esforço era seu marco legal nos assuntos de sexo e afeto.

Na faculdade de Jornalismo, as coisas ficaram ainda mais fáceis. Seu papo versátil, que poderia ir de Shakespeare a Roberto Carlos em questão de segundos, não atrapalhava.

Foi por causa de mulher que ele veio parar no ABC Paulista, enrabichado pela filha de um político local que bancou noivado, apartamento e o casório. O emprego no Diário Popular, onde nos conhecemos, ele arrumou por conta própria. Leia Mais »

2 comentários - Enviar por email - Imprimir

A chatice do politicamente incorreto

por Samarone Lima

Li recentemente que o governo do estado de São Paulo pretende proibir o consumo de bebida em lugares públicos. Em vários do Brasil, não se pode consumir sequer uma cervejinha em lata. Outro dia, foi aprovada uma lei que proíbe os pais de darem uma palmada no filho. Nunca o Brasil foi tão politicamente correto, pelo menos no discurso e nas leis.

Eis que surge o novo paradoxo. O discurso do “politicamente incorreto” foi descoberto pelo mercado editorial, e começa a dar muito dinheiro. O Guia politicamente incorreto da história do Brasil, do jornalista Leandro Narloch, publicado em 2009 pela Editora Leya, já vendeu mais de 200 mil exemplares, ganhou uma edição ampliada e até hoje segue na lista dos dez livros mais vendidos do país. Deve ter vendido fácil mais de 300 mil e não estou atualizado.

Diante do sucesso, a editora Leya encomendou uma espécie de continuação, o Guia politicamente incorreto da América Latina, do mesmo Narloch, desta vez em parceria com seu colega da revista Veja, Duda Teixeira. Se o primeiro era ruim, o segundo é de doer, mas isso é para outra postagem. Leia Mais »

3 comentários - Enviar por email - Imprimir

A corrupção não explica tudo

Sempre me incomodou bastante o discurso de que a culpa de todos os nossos problemas está obrigatoriamente, na “corrupção do governo” ou dos “políticos corruptos”. A mim, o uso desses chavões sempre me pareceu simples demais, vazio demais. Um lugar-comum usado por (quase) todos, a toda hora. Um papo sem fim, com a característica marcante de fazer sumir os corrutores.

Fico enjoado e me calo quando escuto repetição dos argumentos, da indignação furiosa. Muitas vezes percebo a ira desses interlocutores como uma necessidade de afirmação da própria honestidade, como se as virtudes necessitassem de teatralidade para existir. Ou serem notadas.

A opção pelo silêncio é explicado pela minha pouca capacidade para articular e manter a clareza de raciocínio durante uma discussão ou bate-boca. Em geral, ao tentar nadar contra a correnteza, sinto a fragilidade das minhas palavras diante dos chavões e das verdades quase “naturais” da maioria. Meu pensamento quer ir para um lugar, meu discurso me leva para outro. Fico com raiva de mim mesmo, gaguejo mais do que o meu normal. Leia Mais »

1 comentário - Enviar por email - Imprimir

Dom Quixote: primeiras impressões

Devagar e sempre, avanço na leitura de Dom Quixote. Devagar, sempre e cuidadosamente. Leio a versão traduzida editada pela editora 34 e comparo um trecho ou outro com a edição em espanhol publicada pela Real Academia Española em 2004 para comemorar os 400 anos da obra.

Não arrisco a fazer qualquer tipo de análise ou comentário crítico sobre um dos livros mais comentados, analisados e esmiuçados da história. Muita gente já debulhou o que havia de ser debulhado sobre o romance de Miguel de Cervantes, provavelmente a obra literária mais importante do planeta. A edição que escolhi – procurei bastante antes de optar por essa tradução – conta, inclusive, com uma apresentação muito esclarecedora e rica em informações da especialista Maria Augusta da Costa Vieira.

Meu desejo é apenas compartilhar minhas impressões como leitor tardio com a esperança de estimular outras pessoas a mergulharem na leitura, vencendo receios ou preconceitos. Nada mais. Leia Mais »

1 comentário - Enviar por email - Imprimir

Assentar

Ele ainda era um menino nascido e criado em Boa Viagem, galeguinho, ainda com  pinta de aluno branquelo de colégio particular, quando apareceu para fazer um estágio de jornalismo na redação.

Para um garotão assim, o primeiro dia de estágio equivale à primeira grande oportunidade para a civilização ocidental descobrir um novo gênio. A autoconfiança mistura-se ao deslumbramento com a possibilidade ficar cara a cara com políticos poderosos, artistas famosos ou jogadores de futebol.

Deslumbrado, o estagiário se torna uma presa fácil e passa a trabalhar muito, quase de graça, afinal quer mostrar serviço e ter assunto para jogar sobre as meninas da faculdade. Leia Mais »

6 comentários - Enviar por email - Imprimir

Leitura muito dinâmica (ou resenhas que eu gostaria de ter feito)

Pela primeira vez, um dos meus melhores amigos, o senhor Clóvis Moury Fernandes, vulgarmente conhecido em terras paraibanas e pernambucanas como enfermeiro Cocó, resolveu dar uma pequena contribuição para esse blog. De João Pessoa, ele enviou por e-mail breves textos sobre algumas importantes obras literárias. Tanto ele quanto eu desconhecemos a autoria do material, cujas origens podem estar irremediavelmente perdidas no labirinto da web.

Eis a íntegra da sua mensagem:

Não é só Inácio,com seu excelente caótico, que dá boas dicas de literatura. Eu com  a minha praticidade e facilidade de resumir as coisas, deixo essas dicas para os meus amigos intelectuais:

  • Guerra e Paz, de Lev Tolstoi

Resumo: Um rapaz não quer ir à guerra por estar apaixonado e por isso Napoleão invade Moscou. A mocinha casa-se com outro. Fim.

 

Leia Mais »

4 comentários - Enviar por email - Imprimir

Tesão de leitor tardio

Sinto algo parecido com a emoção de 11 peladeiros prontos para estrear o uniforme novo, com numeração e nome de cada um escrito nas costas.

Ou tal qual um adolescente bem consumista, perfeitamente tabacudo, manuseando pela primeira vez seu celular cheio de funções recém-comprado pelo papai.

Também poderia ser a animação de uma criança pequena tirando da caixa o brinquedo tão sonhado que ganhou de presente de Natal.

Ou talvez a ansiedade de um torcedor que chega ao estádio uma hora antes do clássico decisivo e encanta-se com o verde do gramado, já iluminado e ainda vazio.

Qualquer das situações acima serve para descrever meu estado de espírito prestes a iniciar a leitura de Dom Quixote. Leia Mais »

1 comentário - Enviar por email - Imprimir

Diário do hospício e O cemitério dos vivos

Uma oficina literária destas onde um escritor experiente esmiúça rascunhos dos seus textos para que os alunos compreendam o processo no qual pode resultar um romance, novela ou mesmo um conto. Essa é uma das formas de ler o caprichado volume que inclui Diário do hospício e Cemitério dos vivos, de Lima Barreto.

Publicados pela primeira vez na década de 1950, mais de 30 anos depois da morte do escritor carioca, os textos são complementares. O Diário… contêm a íntegra das anotações feitas por Barreto em pequenos pedaços de papel durante os dois meses de sua segunda internação no antigo Hospício Nacional. Esse material é o ponto de partida para O Cemitério dos vivos, romance inacabado que completa o núcleo dessa edição da CosacNaify.

A leitura dos dois textos, antecedida ou mediada pelo prefácio do crítico Alfredo Bosi, reserva lições para quem tem algum interesse pelo processo de trabalho intelectual que deságuam numa peça literária. Leia Mais »

1 comentário - Enviar por email - Imprimir

Como se fosse ontem (dez)

Os frequentadores dos bons restaurantes paulistanos estão preocupadíssimos. A bandidagem está fazendo a festa, roubando clientes e o apurado da caixa registradora numa empreitada só, interrompendo jantares aprazíveis e encontros amorosos por muito tempo aguardados. Foi isso que vi nas imagens repetidas mil vezes na internet e nos telejornais.

Daí lembrei de Pablo Abitabile. Um ladrão.

Jovem, vinte e poucos anos, pele branca daquelas que só toma sol quando passa por uma janela aberta, Pablo era (ou é, a expectativa de vida da sua profissão não é das maiores) argentino, mas resolveu fazer a vida no Brasil, onde o campo de trabalho oferecia mais possibilidades. Leia Mais »

3 comentários - Enviar por email - Imprimir