O Melhor de Stanislaw Ponte Preta

Esse blog é comum-de-dois-gêneros. Vou das mulheres sábias de Geórgia para as mulheres peruas, vedetes, sonsas, traídas e traíras de Sérgio Porto. Do Dia Internacional da Mulher para o machismo de Stanislaw Ponte Preta.

A bem da verdade, foi um erro reler as crônicas de O Melhor de Stanislaw Ponte Preta. Stanislaw e Sérgio Porto são a mesma pessoa, ou melhor, Stanislaw é criatura, a um só tempo, personagem e pseudônimo. A releitura desfez a impressão que tinha preservada há mais de 20 anos e consolidada nos anos 90: passei esse tempo todo jurando que Porto era um gênio. Agora, sei que estava muito longe disso.

Porto era um extraordinário contador de histórias e sabia como poucos levar para o papel a linguagem das ruas, o ritmo e o vocabulário das conversas do povo na mesa de bar, na conversa descontraída. Isso não faz dele um craque, mas não um gênio. Explicarei o porquê da minha decepção tardia. Leia Mais »

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A Ciranda das Mulheres Sábias

Pedi à Geórgia, titular absoluta em todas as posições do meu coração, que preparasse um texto sobre algum livro que pudesse ser publicado para lembrar o Dia Internacional da Mulher. Ela escolheu o livro A Ciranda das  Mulheres Sábias para homenagear, segundo ela, as mulheres que continuam a luta das operárias norte-americanas assassinadas pela repressão numa fábrica de Nova York, em 1857.

Aproveito para revelar um segredo de alcova: o primeiro texto que  minha esposa (namorada, amante, amiga, companheira… etc etc etc) escreveu aqui para o Caótico, sobre o livro A Função do Orgasmo, de Reich, está entre os 10 textos mais lidos ou acessados deste blog.

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por Geórgia Araújo

A ciranda das mulheres sábias é um livro pequeno de 123 páginas, escrito por Clarissa Pinkola Estés, a mesma autora de Mulheres que correm com os lobos (1992). Trata da temática do feminino, da força crescente da mulher madura e do poder curativo que isso tudo pode ter em sua vida.  É importante ressaltar que o termo curativo aqui não se resume ao que o senso comum considera como ficar curado de alguma doença. Curar, aqui, se relaciona com a sabedoria diante das dificuldades da vida, seja nas relações familiares, de amizade ou de trabalho etc.

Além disso, o livro nos lembra da capacidade que uma mulher sábia pode ter de, através do seu exemplo de vida, fazer com que outras pessoas possam viver de verdade, aproximando-se cada vez mais de sua essência e da concretização dos seus projetos de vida.

“Quando uma pessoa vive de verdade, todos os outros também vivem.” (pág. 109) Leia Mais »

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Primavera num Espelho Partido

Acabo de assistir pela TV as imagens da festa da posse do ex-tupamaro Pepe Mujica no meio das ruas de Montevidéu. Simpático e bonachão, o novo presidente uruguaio me levou de volta às páginas de Primavera num Espelho Partido, de Mario Benedetti, cuja leitura acabei às vésperas do carnaval.

Benedetti me toca profundamente. Sua prosa é terna e delicada. Foi com delicadeza que tratou de um tema tão duro e complexo como as vidas separadas pelas ditaduras militares na América Latina dos anos 60 aos 80.

O livro tinha tudo para ser pesadão e angustiante, afinal o personagem principal, Santiago, está preso numa penitenciária uruguaia. Sua família, em algum outro país latino-americano – acho que é o México -, tentando levar uma vida normal no exílio. O tempo passa em ritmos diferentes dos dois lados dos muros da cadeia. Mas Benedetti surpreende com leveza e esperança nos homens. Leia Mais »

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Meus Lugares Escuros, na visão de Hugo Figueiredo

Depois que escrevi sobre Meus Lugares Escuros, o livro autobiográfico de James Ellroy (o mesmo sujeito que escreveu Los Angeles Cidade Proibida), o jornalista Hugo Figueiredo, diretor de comunicação da prefeitura de Olinda, ficou interessado e pediu o livro emprestado. Foi a deixa para eu criar uma regra do Caótico: o livro tem de ser devolvido acompanhado de um texto sobre o mesmo.

Essa semana, Hugo entregou seu texto de estreia no blog.

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por Hugo Figueiredo

Alheio a qualquer tipo de crítica profissional e sem conhecimento profundo das técnicas literárias, expresso aqui minha opinião, apenas, como mero leitor que sou.

Não posso deixar de confessar a frustração que senti em relação ao livro Meus Lugares Escuros, de James Ellroy.  A obra tinha tudo para ser um dos melhores romances policiais que já li na minha vida.  O escritor consegue, através de um relato autobiográfico de sua vida (perfeito, por sinal), voltar no tempo e investigar a morte de sua mãe.

Nunca tinha lido algo com tanta riqueza de detalhes como Meus Lugares Escuros , detalhes estes que chegavam a beirar a monotonia em alguns momentos, como nomes de bares, ruas, avenidas e pessoas, mas que terminavam se tornando imprescindíveis para dar maior veracidade a narrativa. As minúcias eram tantas que, ás vezes, me pegava dentro do livro como se estivesse vivenciado as cenas daquela história.

Neste livro, Ellroy conseguiu transmitir toda história de sua vida, seus medos, suas agonias, suas privações, suas necessidades, seus amores… E o mais importante de tudo: ter encontrado na escrita o verdadeiro sentido da vida.

Mas, voltemos ao lado do romance policial investigativo do livro. Tudo caminhava muito bem. A trama se desenrolava tudo dentro dos conformes. Meus Lugares Escuros conseguia fazer meus olhos arderem de tanto ler e me prendia diante das páginas, cada vez mais cheias de suspense.

Porém, já no final do livro, eis que chega minha frustração. Quando li a 448ª página pensei, por um momento, em virar a folha, mas vi que Meus Lugares Escuros tinha chegado ao final e que ele continuaria escuro, pelo menos até a próxima publicação. A sensação era de que tinham rasgado as últimas páginas. Coloquei as mãos sobre a cabeça e gritei: “Não acredito, quem matou a mãe desse porra?”.

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Ponto final… ufa!

arvoreDomingo, antes da uma da tarde. Setenta e nove dias desde a primeira vez que sentei a bunda na cadeira para batucar a primeira linha do Um Rio de Gente, cheguei ao fim colocando o ponto final na história de seu Zomilton, o barqueiro que faz a travessia do Capibaribe da Torre para a Jaqueira. Agora, é só esperar a revisão e fazer mais umas duas leituras, uma com o material impresso e mais outra com tudo diagramado.

Foi uma luta parir um capítulo a cada três dias. O pior é que os prazos do Funcultura estão todos estourados. Não precisava ter sido essa correria toda, mas atrasou bastante o processo da transcrição dos arquivos de áudio gerados por mais de 30 horas de entrevistas. O jeito foi arrumar tempo para escrever enquanto cuidava dos filhos nas férias ou trabalhava na preparação do carnaval de Olinda. Quase escrevo “organização” do carnaval, mas uma coisa não combina com a outra.

A reta final foi na pressa, corrida contra o relógio mesmo. Apesar disso, participar desse projeto foi uma experiência arretada de boa. Leia Mais »

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A inglória peleja do demônio da telinha contra o carnaval de rua

Folia na frente do Palácio - Carnaval 2010Não tem jeito, a TV brasileira foi derrotada mais uma vez pelo carnaval de rua de Pernambuco. E, mais uma vez, a derrota foi feia, goleada de verdade, seis ou sete gols de diferença no Recife. Em Olinda, o resultado foi ainda mais dilatado, pior do que Hungria e El Salvador na Copa de 82, sem direito a gol de honra. Ainda bem.

Como integrante da primeira equipe de governo de Luciana Santos em Olinda, no início desta década que ora se acaba, fui testemunha dos esforços dos executivos da Rede Globo Nordeste para transformar o carnaval de Olinda em um produto midiático, televisivo. O esforço para criar outra estética e outra ética. Afinal, a imagem da multidão se arrastando pelas ladeiras é suja e repetitiva demais para o padrão asséptico, pasteurizado e sem graça da TV brasileira. O carnaval de Olinda é um fato, um acontecimento sem dúvida nenhuma, jamais um produto.

Os executivos fracassaram, esbarraram na saudável teimosia da prefeita comunista e dos carnavalescos tradicionalistas. A Globo já desistiu. Pelo menos, por enquanto. Leia Mais »

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Mais perto do que longe

Paciência! Este blog não está abandonado pelo autor. O problema é que estou correndo contra o tempo para concluir as histórias do livro já citado um bocado de vezes aqui. Faltam “apenas ” 9 (nove) textos e tenho até o final da próxima semana para entregá-los ao pessoal da Via Design, que, vai ter apenas algumas horas para mandar tudo para a gráfica.

Como se não bastasse, ainda inventaram de fazer um carnaval em Olinda. Vê se pode!

Por isso, sugiro que, por enquanto, as boas almas que ainda frequentam esse espaço virtual procurem um bom livro para ler. Eu juro que volto!

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Juliano

Juliano VidalNos últimos dias de 2009, no meio daquela correria sem sentido de final de ano, considerei que eu merecia um presente. As semanas que viriam pela frente prometiam ser de muito trabalho, com a chegada dos filhos que moram com a mãe em Tocantins, a obrigação de correr contra o tempo e entregar os textos do Um Rio de Gente e a perspectiva de mais demanda por conta do carnaval em Olinda. Então, resolvi me dar de presente a leitura de Juliano, de Gore Vidal.

Depois de comprá-lo num sebo, deixei o livro curtindo na estante, cevando, enquanto gozava a expectativa da leitura. De vez em quando faço isso com algumas coisas que passo um tempão desejando ler, mas quando estou com ele nas mãos, resolvo esperar mais um pouquinho. Um traço masoquista, provavelmente.

Eu estava duplamente certo. Estou a ponto de enlouquecer de tanto preparar café-da-manhã, arrumar atividades para as crianças, apartar brigas, suportar arengas, além da ansiedade por causa dos prazos. A sorte é que Juliano é realmente show de bola. Só nas três primeiro páginas, já tinha marcado de lápis uma meia dúzia de trechos. Peguei essa mania de rabiscar o que vou lendo por causa do Caótico, antes meus livros permaneciam limpinhos. Leia Mais »

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Satisfação

a9_bb_livros_aberto_um_em_cima_do_outro_A quantidade de gente interessada por este e por tudo quanto é blog ou site deve diminuir muito nas próximas duas semanas. A audiência da internet e das mídias tradicionais tende a cair nas férias. Se tem mais gente viajando, comprando presentes,arrumando o que fazer com os filhos ou organizando festas de final de ano, tem menos gente navegando na internet, ligando a tevê ou esperando o jornal do dia.

Ou seja: tenho motivos de sobras para dar um tempo. Volto em janeiro, provavelmente lá pelo meio do mês, comentando Juliano, de Gore Vidal, que é o que estou lendo agora, ou então Na pior em Paris e Londres, de George Orwell, que li há uns dois anos.

Antes dessa parada estratégica, resolvi fazer um balanço do Caótico, desde que sua inauguração para o público, em julho. Se fosse resumir em uma palavra seria a do título lá em cima. Fiquei ainda mais satisfeito, feliz, emocionado, o escambau, nesse final de semana. Pela primeira vez, duas pessoas até então desconhecidas me procuraram para dizer que lêem o que escrevo por aqui. Mais arretado ainda: encaram meus comentários como dicas de leitura e saem pela cidade procurando os livros! Leia Mais »

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Josué de Castro, o Gênio Silenciado

livro josué de castroDuas atitudes são fundamentais para um jornalista ser aceito entre seus iguais nas redações do século XXI: freqüentar o bar da moda e cultivar uma auto-imagem de paladino da Justiça, de corajoso fiscal da ética acima do bem e do mal. Também é recomendável manter o nariz empinado. Vandeck Santiago não faz nada disso, mas é um dos melhores seres humanos dessa raquítica atividade que é o Jornalismo.

Criatividade e talento para escrever já não são assim tão importantes, mas Vandeck sabe escrever, tem ótimas ideias e, apesar de já ter trabalhado na Veja, é um homem honrado. Pausa para esclarecimento: respeito muito esse sujeito, o conheço desde que eu era estudante e ele já trabalhava na sucursal da acima citada revista, mas não dá para dizer que somos amigos. Nem sei onde ele mora.

Com todo esse blá-blá-blá, o que estou querendo dizer é que seu livro Josué de Castro, o Gênio Silenciado é uma ótima sacada, resultado de sua criatividade, do seu rigor na apuração e da sua intimidade com a escrita. Ao mesmo tempo, é uma evidência incontestável que não existe mercado editorial em Pernambuco. Aliás, provavelmente essa última afirmativa é válida para o Nordeste inteiro, mas a ignorância impede que eu generalize. Leia Mais »

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