Pedi à Geórgia, titular absoluta em todas as posições do meu coração, que preparasse um texto sobre algum livro que pudesse ser publicado para lembrar o Dia Internacional da Mulher. Ela escolheu o livro A Ciranda das Mulheres Sábias para homenagear, segundo ela, as mulheres que continuam a luta das operárias norte-americanas assassinadas pela repressão numa fábrica de Nova York, em 1857.
Aproveito para revelar um segredo de alcova: o primeiro texto que minha esposa (namorada, amante, amiga, companheira… etc etc etc) escreveu aqui para o Caótico, sobre o livro A Função do Orgasmo, de Reich, está entre os 10 textos mais lidos ou acessados deste blog.
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por Geórgia Araújo
A ciranda das mulheres sábias é um livro pequeno de 123 páginas, escrito por Clarissa Pinkola Estés, a mesma autora de Mulheres que correm com os lobos (1992). Trata da temática do feminino, da força crescente da mulher madura e do poder curativo que isso tudo pode ter em sua vida. É importante ressaltar que o termo curativo aqui não se resume ao que o senso comum considera como ficar curado de alguma doença. Curar, aqui, se relaciona com a sabedoria diante das dificuldades da vida, seja nas relações familiares, de amizade ou de trabalho etc.
Além disso, o livro nos lembra da capacidade que uma mulher sábia pode ter de, através do seu exemplo de vida, fazer com que outras pessoas possam viver de verdade, aproximando-se cada vez mais de sua essência e da concretização dos seus projetos de vida.
“Quando uma pessoa vive de verdade, todos os outros também vivem.” (pág. 109)
Quando criança, fui apresentada ao universo feminino como repleto de limitações, frustrações e dificuldades. À medida que fui me tornando uma mulher, aprendi a enfrentar as barreiras machistas da nossa sociedade, lutar pela igualdade de gênero no trabalho e na família e, principalmente, descobri (e continuo descobrindo) o prazer imenso de ser mulher e mãe, o valor de ser filha, irmã, tia e amiga.
Dentre as metáforas citadas pela autora, há uma que me chama particularmente a atenção: a mulher como uma árvore. Aquela que dá sombra, flores, frutos, sobrevive às variações climáticas e, ao ser podada, ainda assim, pode renascer. Isso sugere um movimento de enfrentamento, de sabedoria, de libertação.
Outro aspecto interessante diz respeito à idéia de que, para Clarissa, qualidades que a mulher possuía aos 20 anos, tais como: “inteligência, ternura, franqueza, sensualidade, profundidade”, se forem bem desenvolvidas, podem duplicar ou triplicar quando ela se torna uma “grande avó”, aquela que ensina amor, compaixão e perseverança às gerações mais novas, para que isso se perpetue, se desenvolva e se espalhe pelo mundo.
Esse livro é apaixonante, lembra-nos que a sabedoria pode chegar com a idade, dependendo da forma como escolhemos viver. Na parte final do livro, a autora nos presenteia com sua biografia secreta e com nove preces de gratidão pelas mulheres sábias.
Por isso, quero concluir esse texto com um trecho de uma dessas preces, que diz assim:
“Por todas as tias perspicazes e todas que se postam como avós guardiãs para qualquer alma necessitada… por aquelas que acolhem filhas e filhos, de sangue ou não, com a mesma facilidade e compatibilidade com que as flores acolhem as abelhas (…)” (pág. 95)
Para Tia Dulce, minha admiração pelos seus 86 anos bem vividos,
meu respeito e meu imenso amor.
Sobre a escritora
Clarissa Pinkola Estés é americana, porém com origens mexicano e húngaro. Ela e poeta e psicanalista junguiana.

11 Comentários
Muito bom, dona Geórgia, muito bom o texto e as reflexões. Gosto muito dessa autora. Tem um livrinho fininho dela, uma fábula maravilhosa, que esqueci o nome, cheia de ensinamento e beleza.
A idéia da mulher como árvore é sublime.
Gostei também da abertura do Caótico para a voz feminina da esposa, companheira, namorada, amiga, etc do senhor Inácio.
Volte sempre.
Sama
Oi, Geórgia. Adorei o texto. Fiquei muito curiosa e vou ler esse livro.
Desde de 1998, quando ganhei o livro Mulheres que correm como os lobos, eu leio e me impressiono com as reflexões de Clarissa. Posso dizer que foi uma leitura que mudou minha vida. Um abraço!
Geórgia
Delicioso o texto.
Lembrei de duas coisas, quando eu era menina pequena, eu queria ser menino, achava mais prático, confortável e emocionante, cresci e comecei a gostar de ser menina moça, hoje adoro ser mulher, embora eu não saiba com exatidão o motivo. Só sei que é assim.
Também lembrei de um costume, acho que da Indonésia, de que quando uma criança nasce, é plantado um pé de frutapão para esse novo ser, essa árvore (será uma mãe?) lhe dará sombra, alimento, e não sei mais quê. Muito bonito.
Então nesse nosso dia que se aproxima, eu ofereço meu primeiro pedaço às mulheres que ainda são oprimidas, que vivem no nosso mesmo planeta e mesmo assim não podem se exprimir e muitas vezes nem mesmo escolher um vestido para usar.
Beijo, Lea
Geórgia,
Excelente texto! Gostoso de ler…que tal ir mais além?
Outra coisa: não conhecia o Caótico, muiiiito legallllllllllllll. Parabéns Inácio!
Vou indicar++++++++++++++++
Que bom “reencontrar” gente querida por aqui! Beijos…
Geórgia,
Que bacana! Adorei o seu texto. Muito pertinente para o Dia da Mulher.
Fiquei curiosa em conhecer o livro. Um abraço da Eliane Duarte
Professora, o texto é muito bom! Sei que muitos outros podem ser escritos. Que tal um sobre o Hospital Ulysses Pernambucano? Um abraço. Estou divulgando o “Caótico” para todas as mulheres de SUAPE.
Adorei tudo, principalmente, comprovar que você tem uma sábia companheira.
Parabéns, pros dois.
Beijo
Geórgia, vou comprar o livro imediatamente. Parabéns pelo texto.
Naire, obrigada por sugerir a leitura do blog que eu já conhecia por indicação do Estuário.
Somos nós, boas mulheres e bons homens, os responsáveis pela ternura nesta difícil jornada.
Fernanda
Geórgia, como é bom ter a certeza, que uma LOBA de verdade está sempre pronta para contribuir com o universo fascinante que é o ser mulher. Parabéns! Beijos.
ADOREI………
Querida Georgia,
Que você é uma mulher iluminada, inteligente, sensível, “ arretada” e tricolor (todos os adjetivos juntos), eu já sabia……
Então, esse seu lindo e pertinente texto, que flui de forma precisa, leve, gostosa, simples, sensível, também não me causa surpresa, considerando a sua base intelectual e engajamento social, como “mulher/ ser”.
Obrigada, também, por me apresentar à Clarissa Pinkola…
Um Trackback
[...] Mais uma contribuição da minha digníssima senhora, autora de outras duas resenhas campeãs de audiência aqui no Caótico, uma sobre A Função do Orgasmo e A Ciranda das Mulheres Sábias. [...]