Para fazer jus ao nome de batismo deste blog, escrevo hoje sobre uma festa de casamento. Para ser mais exato, sobre o casório do meu amigo Samarone Lima com a ex-senhorita Silvinha Góes. Não são os nomes nem meus vínculos com o casal que justificam tanta motivação para dar uma de colunista social.
A questão é que, mais do que a celebração do amor, algo que deveria ser comum a toda e qualquer festa de casamento, o de Sama & Sílvia foi também a celebração da amizade.
Poderia estar falando das dezenas de amigos que reencontrei, gente que até vejo de vez em quando, um lá outro cá, mas que dificilmente dá para encontrar todo mundo junto. Caso de Cesinha Rocha, de Kennedy, de Emília, de Ivanzinho, de Naná, de Ritinha e do seu Mago. Mas não falo da celebração do encontro. Na festa, ou melhor, já nas preliminares, semanas antes da primeira cerveja ser aberta, a amizade foi celebrada de um jeito ainda mais raro.
Muita gente se mobilizou com uma só intenção: promover algo inesquecível para o amigo e para a amiga que se amam.
Não sei o nome de algumas pessoas, mas sei que uma moça providenciou um arrumadinho gigante e saboroso, com direito a tudo que um arrumadinho de responsa precisa ter. Não sei quem assegurou a participação de amendoins e castanhas em quantidade para alimentar milhares de macacos no zoológico.
Não faltaram fotógrafos oficiais, como o amador Iramaraí e o profissional Rodrigo Lobo, que é um senhor repórter-fotográfico do Jornal do Commércio, mas que no sábado virou retratista de casamento e registrou tudo tudo, inclusive as duas fotos que ilustram a postagem.
A oferta de músicas também foi ampla, com o violino flamenco de Sérgio na calçada e a sanfona de Chiló dentro da venda de Vital. Mago, o de Ritinha, definiu assim: “é um casamento multicultural, com forró no palco um e duo de cordas no palco alternativo”.
Ritinha, a do Mago, que é estilista, desenhista de roupa ou algo parecido, deu o vestido branco, imaculado, com que Silvia adentrou o recinto, ou melhor, a rua. Sim, a rua, porque tudo isso aconteceu na rua, aberto a todos os vizinhos do Poço da Panela, aos bêbados de plantão e a quem mais passasse diante da igrejinha.
As sobras da decoração de um casamento chic que aconteceu na véspera, na tal igreja do Poço, foram muito bem aproveitadas para tornar o beco diante da venda do seu Vital um cantinho acolhedor para uma mulher apaixonada.

As luminárias artesanais também foram recicladas, recriadas na verdade, por um pool de amigas. Elas produziram e os confrades do Poço instalaram, com ajuda de escadas, fios, alicates e fitas isolantes arrecadados na vizinhança. Os tais “confrades” são os integrantes da Confraria do Poço, um pessoal muito bom de copo e de conversa que, entre uma farra e outra, está sempre mobilizado atuando na comunidade.
Foi a turma dessa tal confraria, com o gordinho Naná e sua Terezinha, que cuidou da logística e do serviço da festa, trabalhando como garçons ou quebrando os galhos que sempre acontecem de última hora.
A última iniciativa dos confrades foi a organização de uma biblioteca comunitária na beira do Capibaribe, perto do campo de futebol de Abdias, que será abastecida inicialmente os livros que muitos dos convidados levaram para a festa como doação, conforme constava dos convites distribuídos pelo casal. Convite, aliás, que esse escriba, mesmo credenciado na prestigiada categoria de padrinho, não recebeu por esquecimento do noivo.
A lua-de-mel no Sete Colinas, aqui pertinho de onde escrevo agora, na Cidade Alta de Olinda, foi bancada por outro grupo de amigas de Sílvia. E, na hora de escapar da festa, o noivo ainda tentou obrigar algum dos convidados a arrumar uma carona de 12 quilômetros até o hotel. Não logrou êxito e tiveram de ir de táxi.
Pensava eu que Samarone não tinha colaborado com nada, mas fui informado que algumas centenas de reais gastos com cerveja, uísque e gelo saíram do seu sempre bem vigiado bolso. Não fosse isso, eu poderia ter usado nesse texto uma frase poética, que tinha me ocorrido especialmente para a ocasião. Pretendia dizer que Samarone tem tantos e tão bons amigos que, na sua festa de casamento, ele só precisou entrar com a cara, a coragem e algo mais. Infelizmente para o texto e felizmente para nós, seus amigos, essa não é a verdade dos fatos.
O que Sama, Sílvia e todos os outros fizeram foi uma festa divertida, espontânea e imensamente rica, impossível de ser copiada por qualquer promoter ou buffet, gente que ganha dinheiro rotulando e enquadrando felicidade em categorias mercadológicas insossas. Porque a felicidade dessa gente não pode ser embalada nem tem prazo de validade.
17 Comentários
Sama virou careta depois que casou…vetou até uma palavra nesse belo relato…
Sama virou careta depois que casou…vetou até uma palavra nesse belo relato…o casamento foi bom mesmo…tem um outro texto no http://www.turbantedanaire.blogspot.com….
um beijo no coração. obrigada Inácio!
Sílvia Góes, do Barro Cru??? Que união inspiradora…
Caro Inácio,
Lindo texto, linda festa!
Cheguei até aqui por indicação de João, o Mago Valadares, meu filho.
Gostei do que vi. Vou voltar, claro.
Grande abraço
Naire
Oh, Inácio. Que lindo. Os textos sobre o casamento – o seu e o de Gerrá – me transportaram para esse encontro de sonhos. Não acreditei quando soube que Sama ainda jogou bola e tomou uma no Arruda pela manhã. Que figura! Não conheço Silvia Góes, mas deve ser uma pessoa muito especial pra arrebatar esse coração tão rodado de estradas e copos da vida. Já chorei um bocado de emoção com esses relatos. Pena que não estive lá. Acho que foi o casamento do século. Nunca soube de nada tão simples e belo, como o casal. bj pra tu e saudade.
Depois dessa, eu também tô querendo casar… se for 1/8 do que foi a linda farra/festa/forrobodó do Poço, eu já fico feliz até demais.
Inácio,
O edifício é o Kimolos, moramos 28 anos no 202. Lá criei os meninos e fui muito feliz! Descobri que Nélson nasceu no mesmo endereço no Anjo Pornográfico(dá uma olhada no capítulo que conta sobre a infância). Sou amiga de Dóris, uma sobrinha neta dele, que mora no Rio. Sou fã de carteirinha dos Rodrigues.Todos loucos. Maravilhosos! Para mim, o melhor livro é “Toda Nudez Será Castigada”. Adoro quando a personagem diz: “Herculano, quem te fala é uma morta”! Gosto de “Vestido de Noiva” e de “Álbum de Família”, também.
Se deixar… vou até amanhã falando dessa paixão.
Beijo
Naire
Inácio, você e Naire nos embalaram com os relatos do casamento de Sama. Muito bom também ver as fotos.Que maravilha!!
Felicidades aos noivos!
Abraço.
Magna
Parabéns ao casal (Sama e Silvia).
Felicidades na união, que sejam felizes para sempre!!!
Grande abraço, Bia.
E eu perdi essa!!!!!!!
“Inácio”
Parabéns pelo Blog e pelo relato do casamento do amigo “Sama” … Felicidades e saúde para o novo casal da praça !!!!
Abraços,
>>> VIVA SANTINHA !!!
Inácio,
Que lindo o seu texto. Bom saber que duas pessoas tão lindas e inteligentes se casaram.
Desejo a vocês, Silvinha e Sama, muitas e muitas felicidades.
Beijos no coração!
Nara – Via Design
Parabéns! Belo texto Inácio.
Parabéns para os noivos. Que sejam felizes sempre!
Meu deus…que lindinhos! Amei as fotos, o relato da festa…tudo…tudo….mas dia 11/11/09 temos lançamento do Viagem ao Crepúsculo aqui em Salvador, hein!
Mais uma vez……Viva a noiva!!!!! Viva o noivo!!!! beijo, Y
Que coisa boa! Nem sabia da novidade…
Agora, vai!
Samarone não se perde mais, nem em São Paulo nem em lugar algum…
Parabéns e vida eterna pro’s mais novos casados do Recife.
deve ter sido tudo lindo demais!!! mais personalizado impossivel!!! *.*
Um Trackback
[...] bandas do bairro de Monteiro ou Apipucos. Naná e a Confraria dos Amigos do Poço, já citada no texto sobre o casamento de Samarone, bancavam a gasolina e garantiam uma vida menos dura para a criançada da comunidade. A Kombi [...]