Eis o primeiro resultado da parceria entre os leitores do Caótico e a editora Record: A mineira Lilian Alcântara já leu escreveu sua resenha sobre o livro Delacroix Escapa das Chamas, do também mineiro Edson Aran. O segundo exemplar já chegou à minha casa, mas ainda não tive como entregá-lo ao leitor Antônio Lino Júnior, pois tive que viajar para a Amazônia por causa de um trabalhinho extra e de assuntos familiares.
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por Lilian Alcântara
A história se passa em anos avançados do século XXI, o tempo todo observamos sugestões de evoluções das “febres” que se espalham atualmente. Um canal de TV só para a minoria heterossexual, arte à partir de ciência biológica e robótica, censura em entrevistas de TV e outras incontáveis críticas à atual sociedade, vomitadas num enredo surpreendente.
O humor de Edson Aran na composição de seu personagem Wagner Krupa é dotado de um sarcasmo contagiante. Concordo com Ivan Lessa que o autor é “diferente de tudo o que você já leu. Em qualquer língua.”
Prostitutas cibernéticas, cigarro desnicotinizado, cerveja com vitamina C, mutantes sem-teto, holoTV e tantos outras idéias futuristas que tornam história bastante prazerosa. Li o livro inteiro imaginando se as putas cibernéticas – se reais – poderiam conceder prazer realmente; de que serviam os cigarros desnicotinizados; e que era brilhante a idéia da cerveja com vitaminas, era uma não-compensação digna das ilusões capitalistas; holoTVs e holofonemas eu cheguei a imaginar-me velha tentando aprender a usar, com meus netos.
A história toda se passa em Shopping City 22, uma das cidades-shoppings conhecidas como cidades-cubos, um verdadeiro feudo capitalista. Morar dentro de um Shopping gigantesco, vários andares, lojas, holoTVs e o que mais for necessário para manter um micro-país dentro de São Paulo.
O livro me pareceu aquelas grandes idéias que temos no bar, depois da décima terceira cerveja, e que no dia seguinte já não lembramos. Mas, se lembradas, estas idéias valem livros, ou coleções inteiras de livros. Realmente recomendo o “romance em 4 tempos”, principalmente seus detalhes que de forma alguma podem passar despercebidos.
Não imaginei que ficaria tão extasiada com a história. No fim de tudo acabei percebendo que não é Delacroix que escapa das chamas, o tempo todo quem escapa é Edson Aran.
Sobre o escritor
Edson Aran é pseudônimo de Edson Arantes, nome de pia desse jornalista mineiro que, hoje, tem o árduo trabalho de dirigir a redação da Playboy. Se quiser saber mais sobre o cara, vá até o site dele, que é todo cheio de onda.

3 Comentários
A quem interessar, Affonso Romano de Sant’anna está lendo e comentou “Um rio de gente” em seu blog: http://www.affonsoromano.com.br/blog/
Inácio, que tal um mini-post com um resuminho do comentário do Affonso Romano, com link pro site dele…
Delacroix Escapa das Chamas aos olhos de quem viaja nele é um pretensioso convite a se pensar num mundo pautado pelo que está por vir em nível de tecnologismo com as evidências dos vícios contemporâneos voltado pra consagrar as demandas do “Eu”.
Putas cibernéticas, cidades-shoppings, fusões ideológicas(teomarxismo, geneticismo, roboticismo) em sintonia com o hedonismo,o niilismo e um hermético universo capitalista, tudo isso em quatro tempos, adequados na figura de um crítico de arte, Wagner Krupa, louco pra levar o seu em cada oportunidade que se apresenta: o resultado é uma narrativa instigante.
Edson Aran, de fato, provoca no leitor a assunção da crítica, construindo tipos e categorias analíticas de fazer inveja a Max Weber, isso tudo com com retraços de humor, distinções, onde enxergamos em cada personagem um pouco do que vivemos; e em cada espaço físico, maquetes do que está por vir.
Como não pensar num mundo onde a água vale ouro, reciclar é palavra de ordem ,andar de triciclo é a solução e a exclusão, enfim, foi institucionalizada (escolas, shoppings, trabalho, lazer, moradia, etc) ?
Nesse imaginário,é possível espoliar-se os que não podem consumir em prol de uma nova ordem capitalista, instaurando selos de consumo. Nada mais proveitoso pra capitalista segregador.
Aos olhos de quem escreve as orelhas do livro, o perigo: o livro é viciante. Pode levar a querer conhecer a obra do autor. E assim como o decorrido com Dom Quixote,muito embora tenha se tornado um cavalheiro, o ato de lê-lo, pode levar a loucura, basta tentar compreendê-lo em nossos contextos.
Confesso aos senhores, depois deste, parti em busca de conhecer Conspirações- Tudo o que não querem que você saiba.