Mais uma resenha resultante da parceria com a Editora Record, que nos enviou o livro para ser resenhado. Em breve, os leitores do Caótico poderão resenhar mais um lançamento do grupo editorial carioca.
“Achava que fosse ter mais tesão para escrever sobre um livro de Lya Luft”, foi o que pensei, após concluir a leitura de Múltipla Escolha. E, aí, comecei a tentar entender o que esse sentimento queria me dizer e lembrei dos livros dela que já havia lido.
Em 2002, ganhei de presente de uma amiga Histórias do Tempo (2000), foi fascinante. Um ano depois, a leitura de O Ponto Cego me abriu alguns horizontes profissionais. Em 2004, um ano marcante na minha vida, li Perdas e Ganhos e adorei. Neste mesmo ano, não resisti ao Pensar é Transgredir, mas achei que certas idéias ali contidas já haviam sido contempladas em livros anteriores. Depois disso, por necessidades profissionais, passei a ler livros mais específicos da minha área de trabalho. Algum tempo depois, tomei conhecimento de que Lya Luft estava escrevendo artigos para a Revista Veja e, apesar das minhas reservas quanto à essa revista, ainda me arrisquei (e me arrisco) a ler alguns dos seus textos aos domingos quando vou à casa dos meus pais.
Esse ano, reencontro a autora através das suas primeiras palavras no Múltipla Escolha: “Há muitas maneiras de encarar a nossa existência: como um trajeto, um naufrágio, um poço, uma montanha” (pág. 7). Início empolgante, título intrigante. Não sei explicar, mas até agora estou me perguntando por que ela não utilizou múltiplas escolhas. Comecei sem querer parar. Tal como a autora refere, fui abrindo as cortinas do teatro da vida, através de um livro que trata de nossas decisões, do que fazemos para conquistá-las, mas também dos labirintos que nós mesmos construímos para dificultar o caminho até os nossos ideais. Aborda temas diversos como medo, preconceito, juventude, velhice, gênero, família, comunicação, educação, drogas, ou seja, se refere ao óbvio: ou mudamos a nossa forma de ver o mundo e nos relacionar com os outros seres (humanos ou não), ou estamos condenados à decadência.
Talvez aí resida o meu desânimo de escrever sobre isso: por vezes sinto-me repetitiva ao defender certas idéias que a autora se refere ao longo do livro. Ensinar a meu filho a respeitar os mais velhos, dizer as palavras mágicas: com licença, por favor e obrigado, ser solidário com os coleguinhas dividindo seus brinquedos, comprar só o que é preciso, aprender que a cor do lápis é salmão e não cor da pele (pois, existem peles negras, brancas, amarelas) etc. parece ser ainda uma tarefa muito difícil.
Mas, e daí? Em que esse livro me acrescenta algo? Seria dura demais responder “em nada”. Mas, o que me incomodou mesmo no livro foi que a autora tratou de algo que, para mim são obviedades que não vejo acontecer no cotidiano. Cada vez mais percebo um discurso muito bonito em algumas pessoas e a sua prática muito diferente. Para alguns leitores esse livro pode trazer idéias novas, mas para mim, ele está cheio de clichês.
Estou com dificuldade de escrever o que sinto diante desse livro, me sinto indignada, com a sensação de perda de tempo e, por vezes, me pergunto se também não estou sendo óbvia, previsível. Perdi a inocência, porém, também faço parte dessa massa incongruente, confusa e à procura de ser mais feliz. Quero “subir uma escada rolante pelo lado que desce”(pág 21), acredito no potencial da vida, da fé e da alegria e acredito, tal como diz Lya Luft que, “a cada dia de cada vida, realizamos um trabalho a quatro mãos: nós e o velho amigo–inimigo chamado destino, abrindo e povoando um espaço que a cada gesto e pensamento nosso se expande e se ilumina, ou se apaga na neblina dos desejos inúteis. Essa é a nossa múltipla escolha. Simples assim, complicado assim” (pág. 182).
Sobre a escritora
Lya Luft é gaúcha e começou a vida, digamos, “literária” como tradutora de alemão. É colunista da pior e mais escrota revista semanal paulistana, o que, por si só, já diz muita coisa a respeito de uma pessoa.


7 Comentários
Geórgia, eu cheguei a ter uma certa simpatia pela Lya Luft, mas ela há tempos vem com uma conversa fiada que dá pena. Acho que é o seguinte. Aquele “Perdas e Ganhos” vendeu pacas, autora e editora ganharam uma grana fabulosa, e agora tem as encomendas.
Estou achando tudo dela chato, repetitivo e batido. Só leio mesmo quando vou à dentista, e tem alguma Veja misturada com as Nova da vida.
Samarone
Pois é gente, sinto isso tudo que vocês escreveram por Lya Luft, mas no fundo, gosto é muito dessa senhora, reclamo das mesmas mesmices mas, nos acasos da vida, dou uma olhadinha nas suas histórias na Veja. Tô com Georgia, quer dizer, tô um pouco confusa, então faço assim: continuo ADORANDO o título Pensar é Transgredir e não leio mais Lya.
Mas, de vez em quando, indico ou presenteio alguém que precise de um pouquinho dela.
Lea
Lya Luft e sua sensibilidade de consumo… Pra ser sincero, tentei ler um livro (além de algumas crônicas). Parei umas páginas adiante, bocejando a mesmice das idéias. É espantoso como a literatura brasileira está cada vez mais pobre, depois de tantos experimentalismos narrativos que apenas disfarçavam a dificuldade ou incapacidade de fabular. Seja como cronista ou escritora, Luft é um vazio de idéias que se revestem de novidades velhas. Soa sempre postiça…
Roberto Numeriano
Só pra deixar claro o meu comentário.
Adoro a ‘frase’ “Pensar é transgredir”.
Achei depois que ‘título’ , no meu comentário anterior, poderia parecer o livro completo.
Naõ quero dizer também que apenas gostei da capa, mas isso é uma outra história…
Lea
Lia Luft há tempos – como uma cigarra – rumina a mesma conversa, piegas como uma novela mexicana assinada por sei lá quem. Tô fora, com o devido respeito, claro.
Recebi uma dica do livro de Lia Luft e amei ter lido. Depois acabei comprando um de poesias e achei mais ou menos. Comprei um outro ela conta a história de um pai que não conversava muito com os filhos, amei a história. E agora comprei tbm o múltiplas escolhas. Ainda não o li. Emprestei pra minha filha. Acho que vou gostar tbm quando ler. Estou acabando de ler “Ser como um rio de flui” do escritor Paulo Coelho.
Se vc tiver dicas de livros, por favor, não esqueça de me mandar, viu?
Um abraço
eu discordo desses comentários. e não acho a Lya repetitiva, só porque ela escreve coisa sque parecem óbvias, e são óbvias pra todo mundo, mas ninguém de fato consegue encarar a vida do modo que ela descreve, acredito que nem ela mesma.
Enfim, ela escreve muito bem e tem uma visão elucidadora da vida em diversos pontos desse livro. Isso tudo que ela fala que ”parecem” clicês daqui algum tempo mais serão esquecidos e encarados com repugnância e preconceito pelas gerações futuras. Excelente livro.
;D