O caso eu conto como o caso foi

por Arsênio Meira Júnior

Passando os olhos nas minhas queridas estantes, deparei-me com dois exemplares antigos: O caso eu conto como o caso foi – memórias políticas, 1o. volume de memórias, e O caso eu conto como o caso foi, 2o. volume de memórias, do escritor, advogado e jornalista Paulo Cavalcanti, que falecei em maio de 1995, pouco depois de completar 80 anos.

Paulo também foi firme intelectual. Justo e generoso. É de sua lavra Eça de Queiroz: agitador no Brasil. O livro, publicado em 1959, ganhou fama nacional ao ser premiado pela Academia Pernambucana de Letras.

Imagino Paulo, comunista até o último fio de cabelo, incapaz de se calar diante de uma injustiça, no meio dos fraques e das cartolas da Academia. Não combinava com ele. Ele, ao contrário de muitos, acreditava na militância, no ideário do socialismo. Em Marx e na repartição igualitária da riqueza.

Mas o livro que imortalizou Paulo foi O caso eu conto como o caso foi, que fez a cabeça de muita gente, de todas as gerações. Li de uma tacada só,  lembro-me bem.

E lembro que por um momento cheguei a acreditar no ser humano, não obstante as atrocidades que Paulo denuncia em suas memórias.

O livro é uma saga pessoal, é um painel do Brasil e, obviamente de Pernambuco. Quem quiser conhecer nossa história recente, torturadores, lutadores, camponeses, o panorama político, os personagens cruciais e as conseqüências e as raízes do golpe militar em Pernambuco, é só adquirir a obra.

Com uma riqueza de detalhes que impressiona e um dinamismo que imprime à narrativa o sabor de um romance dramático, é um Clássico da literatura memorialística.

No livro conhecemos o Paulo austero em suas convicções como membro do Partido Comunista Brasileiro, o Paulo irônico, mordaz e ferino; o Paulo incapaz de fugir ao embate, a testemunha honesta, o relato de um Homem capaz de lutar contra o mito em prol da sua própria opinião.

Refiro-me ao capítulo final, onde Paulo quase salta da página, em seu drama de consciência a respeito da sua discordância com o mítico Luis Carlos Prestes a respeito das divergências havidas entre o Cavaleiro da Esperança e a cúpula Comunista.

Mas ainda é pouco. Mesmo vigiado pelo ignominioso Departamento de Ordem Pública e Social (DOPS), Paulo não titubeava e atuava como advogado da chamada “cúpula comunista” – a direção estadual do PCB, os líderes da liga camponesa e a direção dos sindicatos de trabalhadores.

Desse amontoado de personagens, o leitor pode incluir os presos políticos Gregório Bezerra, Miguel Arraes, e Pelópidas da Silveira, todos acusados de subversão e especificamente Gregório, que foi seviciado por covardes que hoje devem arder no inferno.

Convém lembrar que naqueles idos, não havia garantia para nada e para ninguém. Nesse período, nada adiantaria a Paulo consultar códigos e leis, pois a violência era chancelada exatamente pela “lei”, que promulgada às pressas, “nasceu” para justificar todos os atos de arbítrio da autoridade.

Convém não esquecer: várias pessoas, que foram postas em condições desumanas, submetidos na prisão a torturas até ficarem loucos; convém lembrar a defesa produzida por Paulo com destemor em favor deles, um defensor capaz de enfrentar um pelotão, lutando sozinho, para livrá-los das sevícias  impostas pela odiosa figura dos Ditadores e do AI-5.

A narrativa histórica do livro de memórias de Paulo Cavalcanti, aliada aos fragmentos de sua memória cotidiana, encaminha o leitor para uma forte carga emotiva, da qual Pedro Nava foi mestre, sem com isso torná-la tendenciosa ou inverossímil.

O autor memorialista, um ser humano que nasceu para defender os Perseguidos. Parece-me que era essa foi uma das suas maiores vocações.

Muitos podem tomar para si o epíteto de “forte” (que constituía  uma das qualidades do seu caráter); poucos, porém, fazem jus ao epíteto de “fiel”, que representava a justeza, ou o senso de justiça que ele imprimia diariamente em cada ato seu, e tecia, assim, uma lição para continuarmos firmes na crença de que o ser humano não serve apenas para teses de mestrado ou qualificações pouco ortodoxas em tratados sobre a criminologia.

Havia nele esse conjunto: coragem cega, atitude, olhar sincero, a mão pronta para o fraterno cumprimento, a palavra posta a serviço de uma mensagem cujo conteúdo dignifica raça humana.

Paulo expõe em suas memórias o conturbado cenário nacional do período pós Estado Novo e pós Guerra,  mas é na parte em que narra sua luta para impetrar habeas corpus e outros instrumentos jurídicos vedados pelos milicos e pelo AI-5, que sua figura se agiganta e, ao menos para mim, penso nele como um heroi.

A narrativa autobiográfica nasce e renasce desde a sua infância, na década de 20, mas é na vida adulta que encontramos o dinamismo dos grandes fatos.

A partir dessa fase, percebemos sua resistência a qualquer ruptura da legalidade, e daí em diante se elucida todo um painel histórico de forma simples e até coloquial, sem maiores malabarismo, porém com feições de pesquisa acadêmica.

Lida e relida, a obra de Cavalcanti será imediatamente inteligível; nela não se permeia nenhum ranço intelectual que sirva de obstáculo ao fácil entendimento. A simples, sincera e pura arte de contar-se e contar a história conforme suas convicções e interpretações.

O cotidiano dele, que mais se assemelhava a um enfrentamento eterno de querelas judiciais com os latifundiários locais lembra-me os poemas aguerridos de Maiakoviski, ou da vida Severina, denunciada em poesia pelo seu conterrâneo João Cabral de Melo Neto. Ele narra com pormenores as primeiras eleições federais, estaduais e municipais do período pós Estado Novo.

Relata sua convivência com Gregório Bezerra. Conta como se deu a famosa campanha do “Petróleo é nosso”, a instalação da Sudene e o surgimento de Pelópidas da Silveira, como líder popular, e sua caminhada ao poder.

Paulo traça com a precisão dos cirurgiões a caminhada política de Arraes: do poder a sua deposição. Denuncia com rigor os caminhos do golpe de 64, as prisões e as torturas. Compõe um arcabouço historiográfico sem meias palavras. Passagens e momentos de sua experiência de vida ganham cores vivas e dramáticas.

Paulo escreveu:

“No curso desses 50 anos, da passagem da Coluna Prestes pelos sertões nordestinos, em 1926, eu, menino, extasiado diante de tantos exemplos de bravura, até o ano de 1976, data da minha undécima prisão por motivos políticos – derradeira? -, intercalo as agitações de cada época, as “revoluções tenentistas”, dos anos 20 e 30, a campanha da Aliança Liberal, a morte de João Pessoa, os movimentos grevistas e operários, a chamada “intentona” de 1935, o “Estado Novo”, a queda da ditadura Vargas, o assassinato de Demócrito de Souza Filho, a ascensão da esquerda em Pernambuco, a “Frente do Recife” e suas origens, a vida de Gregório Bezerra, as jornadas do “Petróleo é nosso”, os tempos de Pelópidas Silveira e Miguel Arraes, o Movimento de Cultura popular, as Ligas Camponesas de Francisco Julião, o golpe militar de 64, a tortura e morte de presos políticos, em Pernambuco (…)”.

Todos sabem as incumbências do Acusador. Deve servir à sociedade, e embora seja raro, se o Promotor estiver convencido da improcedência da ação penal, pode até pedir a absolvição do réu.

Paulo Cavalcanti foi, a um só tempo, tudo isso: promotor e defensor, literato, político e chefe de família. Parece que ele veio à Terra talhado para redimir um monte de pobres-diabos.

Pois era de uma rara organização mental, de inteligência altiva, insubmissa e ao mesmo tempo, generosa e sábia. Era capaz de despir-se da mais tola das vaidades e de pedir desculpas. Não se arvorava como Rei do Sertão. Observava, opinava, mas não conseguia calar-se diante do que lhe parece ser injusto.

E ah, sim, falei que Paulo era justo e generoso.

Certo dia, meu pai contou-me que um mendigo vivia perambulando pelo Centro do Recife. De tanto perambular e chatear os passantes, acabou ficando popular. Irritado, esse mendigo ensaiava em cada esquina uma briga com o mundo, dava adeus aos transeuntes sem motivo aparente.

Esse personagem existiu. Vivia no centro do Recife.

Um, mais um, dentre os milhares de miseráveis que nos soterram a consciência.

No entanto, mesmo diante das suas diatribes, meu pai viu certo dia Paulo Cavalcanti aproximar-se dele. Temeroso e curioso, meu pai deixou-se ficar a observar a cena.

Afinal, Paulo já tinha idade e sabe-se lá o que poderia ocorrer nesse mundo virulento e sem prumo.

Mas eis que o mendigo acalmou-se.  Parece que, subitamente, deixara de enxergar em cada transeunte um inimigo, em casa passante um soldado nazista, após as rápidas palavras que Paulo lhe disse.

Meu pai voltou ao local e viu esse personagem menos macambúzio, com cabelos um pouco mais brancos, cigarro aceso, ele que sempre vivia naquelas cercanias. Estava mais sorridente.

Imagino que o autor de  O caso eu conto… deve ter-lhe dito palavras fraternas, mas também que tratasse de compreender, tomasse prumo, desse o devido trato à bola. Que deixasse de lado aquela cantilena de despedida, e que tomasse logo tento de abrir os olhos. Enfim, que resistisse.

O mendigo, cego que ficara, empurrou seu carrinho de frustrações ribanceira abaixo. Ali, ao que parece, começava um novo capítulo da sua vida.

Ainda um pouco cego e tonto, o velho sem posses circulou por algum tempo com desenvoltura entre as ruas do Recife, munido das necessárias ferramentas para entender toda aquela História. Deve ter compreendido. Tenho certeza que sim.

Apesar disso, o mendigo aposentou-se das ruas e depois sumiu.

Dizem que foi ser vendedor de algodão doce.

Outros garantem que ele transformou-se no espectro de um menestrel, e hoje passa a vida num longínquo deserto, vestindo a túnica branca dos que vivem em paz.

Apesar da sua intransigência e do carinho de todos os transeuntes, a verdade é que naquele certo dia só Paulo Figueiredo Cavalcanti enxergou nele um irmão.

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25 Comentários

  1. Luis Carlos Monteiro
    Publicado 28 de agosto de 2010 em 13:27 | Permalink

    Me emocionei demais ao ler o texto. Por ora, parabéns Arsenio. Abraços.

  2. Arsenio Meira Junior
    Publicado 28 de agosto de 2010 em 15:46 | Permalink

    Coloquem na minha conta, os erros de digitação.

    Eu, que reenviei para Inácio umas três vezes o texto, não tive o cuidado de verificá-los. Mas dá pra entender.

  3. lea
    Publicado 28 de agosto de 2010 em 17:12 | Permalink

    É Arsênio,

    Paulo Cavalcanti era tudo isso, e muito mais, para cada pessoa que convivia com ele.

    São constantes os depoimentos generosos de pessoas de diversos tipos sobre ele, cito três bem heterogêneos e sinceros: o velho Armando Monteiro adorava as visitas rotineiras de Paulo ao seu escritório para conversar sobre tudo; Don Helder, amigo de toda a vida, dizia que ele negava mas, era de um genuíno cristão, facilmente reconhecido pelos seus atos; Tolentino, um amigo fiel, que almoçava muito com a família aos sábados, sempre tímido e feliz, quebrou o tornozelo numa das últimas visitas a Paulo no hospital (que logo depois faleceu) e perdeu o brilho depois da morte do amigo. Etc etc etc

    Eu, não esqueço o relato em tom didático da vida de Lampião, a consulta eterna na biblioteca (principamente quando eu perguntava o que era ‘não sei quê? e recebia um exemplar de ‘o que é …’ da Primeiros Passos), o orgulho (amostrado) com que ele apresentava a neta que sabia desenhar e pintar aos amigos, os beijos na chegada e na saída (obrigatórios) todos os sábados e o apelido de Leona que ganhei do meu avô.

    Muito bonito o texto Arsênio, parcial, como devem ser todos os textos, direto e bom de ler, como os escritos de Paulo Cavalcanti.

    Ah! Para mim, os livros são apenas um detalhe…

    Lea

  4. Publicado 28 de agosto de 2010 em 17:53 | Permalink

    Muito bom, Arsênio, nos dá vontade de sair correndo pra comprar o livro. Porém, mais do que do livro, trouxeste o personagem, o que, particularmente, me atrai mais num texto. A emoção me tomou no final. A história sobre o mendigo está simplesmente linda. Dessas que nos enchem de alegria e uma emoção que ainda não sei o nome. Tuas palavras desenharam imagens, fazendo-me até enxergar rostos que, de fato, nunca vi. Isto é para poucos na escrita.
    Terminada a leitura, vamos aos comentários e outra emoção com Lea que também nem conheço. E concluo: muito provavelmente, Dom Hélder estava certo…o mendigo que o diga.
    Abraço.
    Magna

  5. Arsenio Meira Junior
    Publicado 28 de agosto de 2010 em 18:29 | Permalink

    Lea,

    O seu avô foi um personagem raro.
    Já não temos um Paulo Cavalcani, um Dom Helder, um Drummond.

    Mas temos a nós mesmos, e nossa ternura e a vontade de viver.

    Tenho pra mim: ele negava a crença no cristianismo (coisas de quem passou uma vida inteira debruçado sobre os livros de Marx, ou nas reuniões do Partidão, mas também creio que ele no fundo acreditava.)

    Não sabia da amizade dele com Tolentino. Seria o Poeta Bruno Tolentino?
    Meu pai conhece muito Carlos (Luis Carlos), não sei se se trata de pai ou de seu tio; sei que eu conversava muito por telefone em tempos idos sobre futebol com ele.

    Lea ou Leona que lembram-me Leoa e o Leão (Sport).

    bjos pra você.

    Magna, obrigado pela ternura de olhar o texto com os olhos da generosidade, e a referência à parte final, que realmente existiu.
    É mais uma prova do caráter e da humanidade que fizerem dele o personagem que ele foi.

    Abraços.

  6. João Roberto Gomes
    Publicado 28 de agosto de 2010 em 20:30 | Permalink

    Arsenio, o final do artigo é antológico.
    O Caso eu Conto foi e será um dos livros da minha vida. Muito bom.
    Paulo Cavalcanti foi um dos meus herois. Eu era de esquerda e o tinha como exemplo.
    Inácio, parabéns.
    Sou um leitor viciado em seu blog.
    Abraços

  7. lea
    Publicado 28 de agosto de 2010 em 23:22 | Permalink

    Tava tudo muito lindo até que Arsênio sugeriu algo sobre mim e o Sport.

    (Dedico o parágrafo seguinte a Inácio)

    Me respeite seu cabra, EU SOU DO SANTA, eu, vovô Paulo, vovó Ofélia e meu primo Raul. Ora bolas!

    (Inácio, acho que você terá que me defender pela segunda vez nesse blog)

    Sobre Tolentino, meu pai Carlos (que odeia futebol) e eu: somos todos ilustres desconhecidos.
    Sobre cristianismo, acho que ele não acreditava nem um pouquinho, nem lá no fundo, mas entendia perfeitamente as crenças e as respeitava infinitamente. (Inclusive foi bastante católico an infancia e adolescencia).

    Tchau que esse negócio de time morgou-me.

  8. Andreia Lacerda
    Publicado 28 de agosto de 2010 em 23:29 | Permalink

    Arseninho, um primor o texto e a parte final, de arrancar lágrimas até depedra. Tenho orgulho de ser sua companheira diária nas batalhas jurídicas, e mais ainda de ser amiga de uma pessoa tão bacana.

    Quem sabe, sabe.
    E, ah, não li o livro, mas sei que na Saraiva os exemplares estão disponíveis.
    Vou tratar de ler. E com urgência. Urgentíssima. Nem só de liminares vivemos nós, advogados.
    bjos

  9. Arsenio Meira Junior
    Publicado 28 de agosto de 2010 em 23:37 | Permalink

    Mas Lea, desculpe-me.
    Não precisa de defesa.
    Retrato-me aqui.

    Não precisa dessa agressividade toda.

  10. Arsenio Meira Junior
    Publicado 28 de agosto de 2010 em 23:40 | Permalink

    Andreia, terminei sem ler seu comentário. Obrigado. Bem sabes o quanto lhe sou grato, por tudo. Afinal, são mais de dez anos na labuta. Diariamente.
    Um beijão pra você e pra Carolzinha.

  11. Luis Carlos Monteiro
    Publicado 29 de agosto de 2010 em 1:48 | Permalink

    Liga não, Arsenio. Bola pra frente. Deselegância se combate com educação.

    Militei como advogado em São Paulo na mesma época em que Paulo Cavalcanti advogava em Recife, nos anos de chumbo.

    Frequentei muito – sofrendo na pele a agonia imensurável de ter que informar às mães dos meus constituintes sobre o paradeiro desconhecido dos seus filhos.

    Vivia à procura dos meus clientes, inclusive na famigerada rua Tutóia, onde ficava o ignominioso DOPS, local de torturas, onde foram assassinados o operário Manuel Fiel Filho e o jornalista Vladimir Herzog.

    Fui humilhado, mas não recuei. Tive medo, é claro.
    Não será uma deselegância sobre times de futebol que vai apagar o que é tão lindo, e bem mais importante, porquanto o que se está a comentar aqui é a luta de um grande homem (Paulo Cavalcanti), sua bela história e sua educação.

    Luis Carlos Monteiro

  12. Publicado 29 de agosto de 2010 em 12:21 | Permalink

    Taí um problema que pode ocasionar uma das características da palavra escrita:a inexistência de entonação. Recorre-se muitas vezes a aspas, reticências e tudo o mais, porém a falta de entonação não tem como resgatar da linguagem falada.
    Eu nem conheço Lea, mas imagino que a intenção não foi gerar revide. Não sei se por eu ser sertaneja, acostumei-me a identificar a aparente aspereza ou aquele humor com cara séria, com jeito de brabeza, capaz de pedir respeito sorrindo e chamar o sujeito de ‘seu cabra’.
    Bem, é isto. Perdoem-me pela intromissão, amigos.

    Inácio, certamente o objetivo deste blog é trazer literatura na veia (e faz isto muito bem) e os comentários devem ser neste sentido, mas julguei importante trazer um pouquinho desta reflexão. Desculpe se julguei errado.

    Abração em todos!
    E um domingo de muita paz, porque o dia está bonito que só o quê.
    Magna
    Obs.: Arsênio, cadê suas palavras sobre Quintana?

  13. lea
    Publicado 29 de agosto de 2010 em 12:25 | Permalink

    Oxente!?!?

    Foi agressividade não, foi brincadeira.

    Lea

  14. Publicado 29 de agosto de 2010 em 12:31 | Permalink

    Luís Carlos,

    Magna e Lea chegaram antes de mim.

    Desarme-se, homem.
    Não houve deselegância alguma no comentário de Lea. Aliás, agora que eu tô sabendo que ela é tricolor, qualidade que ela esconde muito bem…

    *****

    Arsênio,

    depois vou dar uma corrida nos eventuais erros de digitação. Quando coloquei o material no ar, ontem pela manhã, tava mais preocupado na normatização (substituir maiúsculas por minúscula, itálico apenas nos títulos de livros, aspas na fala, exclusão dos negritos… essas besteiras que todo editor leva a sério). Só não corrijo agora porque tem uma moranga com charque no forno sob minha supervisão.

  15. lea
    Publicado 29 de agosto de 2010 em 12:36 | Permalink

    Valeu Magna, foi isso mesmo.

    Acho que as palavras tem bastante poder, por isso que gostamos todos desse blog.
    E as inúmeras interpretações das pessoas é que tornam as manifestações artísticas tão sedutoras, acho eu.

    Abraços para todos.

    Lea

  16. Arsenio Meira Junior
    Publicado 29 de agosto de 2010 em 12:54 | Permalink

    Magna, sertaneja é sinônimo de resistência, poesia, beleza e sabedoria.
    Então, como boa sertaneja, você vai entender esse repente, de Jó Patriota, amigo de Louro do Pajeú:

    “Passa dia por mês e mês por ano
    Passa ano por era, era por fase
    Nessa base tão triste eu vejo a base
    Do destino passar de plano em plano
    Com a mão da saudade, o desengano
    Passa dando um adeus fazendo um S
    Vem a mágoa, o prazer desaparece
    Quando chega a velhice, foge a graça,
    Passa tudo na vida, tudo passa,
    Mas nem tudo que passa a gente esquece.”

    O artigo sobre Quintana, deve sair já já.
    Um beijão pra tu.

    Luis Carlos, eu sei o quanto você deve ter relutado em ter escrito essa parte dolorosa de sua vida, pois sei que não gostas que as pessoas pensem que fazes proselitismo em cima dos fatos. Então, obrigado e um abraço pra você.

    Inácio, grande abraço pra tu, bom domingo a todos.

  17. Arsenio Meira Junior
    Publicado 29 de agosto de 2010 em 13:15 | Permalink

    Magna, bom mesmo é conhecer pessoas como você e este blog.

    Mas não retiro uma palavra do que escrevi, embora respeite a opinião dos demais até o fim do mundo. Pelo que li – exceto a entonação “seu cabra”, que sei bem característica e brincalhona – foi agressividade sim.

    Realmente, eu não tenho senso de humor suficiente para entender aquilo que é brincadeira ou que é agressivo. Reconheço essa falha.

    E já não quero e nem posso mais mudar.

    Vamos a outro capítulo, pois este já passou.
    Abraços.

  18. Publicado 29 de agosto de 2010 em 13:43 | Permalink

    Arsênio, vamos então a outro capítulo.
    Enquanto não falas de Quintana e seus quintanares, aquele que se fazia passarinho pela vida, tu deixas esta pérola de repente. Muito obrigada. Fez-me lembrar de outro grande poeta, pouco divulgado, falado pelos intelectuais, ao menos, os brasileiros, porque ele já foi tese de doutorado no “estrangeiro”.
    Também Patativa do Assaré não precisa de nada disso. Era desprovido de vaidade e essas querelices que só enchem egos carentes. Um ano antes dele morrer (2001) saí do meu pé de serra e subi a Assaré para conhecê-lo. Foi uma das melhores coisas que fiz na vida. Na sua simplicidade ele me disse: “minha filha, eu sou rico de amigos. É a maior riqueza que uma pessoa pode ter”. E emendei, agarrando aquela mão benfazeja e prometendo visitá-lo quando fosse pro meu torrão no ano seguinte. Infelizmente não tive mais esta oportunidade.
    Deixo aqui um pooema dele(creio que não está completo), musicado por Fagner e também o link para o trailler do documentário “Patativa – Ave poesia do Assaré”, o qual assisti em março do ano passado e pude compartilhar meus sentimentos lá no Sementeiras. A propósito, quem por acaso souber como consigo o documentário, agradeceria muito mesmo saber.
    Beijão, Arsênio!
    Fique com Deus!
    Magna

    SINA

    Eu venho desde menino
    Desde muito pequenino
    Cumprindo o belo destino
    Que me deu Nosso Senhor

    Não nasci pra ser guerreiro
    Nem infeliz estrangeiro
    Eu num me entrego ao dinheiro
    Só ao olhar do meu amor

    Carrego nesse meus ombros
    O sinal do Redentor
    E tenho nessa parada
    Quanto mais feliz eu sou

    Eu nasci pra ser vaqueiro
    Sou mais feliz brasileiro
    Eu num invejo dinheiro
    Nem diploma de doutor.

    Patativa do Assaré

    link do documentário: http://www.youtube.com/watch?v=3320mCajd-I

  19. Arsenio Meira Junior
    Publicado 29 de agosto de 2010 em 17:05 | Permalink

    Ah, Magna, Patativa foi maior que muito poeta que tem por aí.
    Aliás, Louro do Pajeú, Oliveira de Panelas aprendera, a versejar no livro da natureza..

    Seus poemas não só reporduzem o sábio linguajar sertanejo. mas representam uma fonte inspiradora de lições e até mesmo estudos do idioma.

    Não foi à toa que Bandeira lia Camões e conhecia os versos dos poetas repentistas,

    Já no final da vida, quando indagado sobre as perspectivas para a poasia do século XXI, Patativa respondeu:

    Para dizer a verdade
    Eu posso afirmar e juro:
    quem está na minha idade
    não vai julgar o futuro”.

    Salve, Salve.

    Bjão pra você.

  20. Arsenio Meira Junior
    Publicado 29 de agosto de 2010 em 17:31 | Permalink

    Na pressa, reproduzo o comentário acima destinado para Magna, sem os erros.

    “Ah, Magna, Patativa foi maior que muito poeta que tem por aí.
    Aliás, Louro do Pajeú, Oliveira de Panelas aprenderam a versejar no livro da natureza.

    Seus poemas não só reproduzem o sábio linguajar sertanejo. mas representam uma fonte inspiradora de lições e até mesmo servem para estudos do idioma.

    Não foi à toa que Bandeira lia Camões e os versos dos poetas repentistas,

    Já no final da vida, quando indagado sobre as perspectivas para a poesia do século XXI, Patativa respondeu:

    “Para dizer a verdade
    Eu posso afirmar e juro:
    quem está na minha idade
    não vai julgar o futuro”.

    Salve, Salve.

    Bjão pra você.”

  21. João Roberto Gomes
    Publicado 29 de agosto de 2010 em 20:33 | Permalink

    Uma indicação de livro para o blog resenhar, de um grande poeta tão bem lembrado por Magna e Arsenio: A Antologia Poética de Patativa do Assaré (esqueci a editora). Vou procurar entre meus livros e verei.
    Vamos em frentre.

  22. Luis Carlos Monteiro
    Publicado 29 de agosto de 2010 em 22:24 | Permalink

    Inácio, tranquilo. Sem armas.
    Apenas tomei partido – com educação – do que achava e acho certo.
    Abraços pra você
    Ps – Li e reli aqui em São Paulo “O Caso eu Conto…”, e lembro-me que na época consegui o endereço do Paulo e enviei-lhe uma carta.
    Ele me escreveu uma bela resposta. Numa das minha mudanças, perdi a carta e até hoje estou pu…. por ter perdido esse precisoso documento.

  23. ducaldo
    Publicado 30 de agosto de 2010 em 8:46 | Permalink

    Ótimo texto.
    Esses dois volumes, durante muito tempo, fizeram parte da minha lista dos livros de cabeceira.

    Tornei-me, também, admirador do autor, embora não o tenha conhecido pessoalmente.

    Vou procurar uma edição mais recente e comprar, pois amigos “emprestantes” e imprestáveis levaram e nunca devolveram.

  24. Arsenio Meira Junior
    Publicado 30 de agosto de 2010 em 10:42 | Permalink

    Ducaldo, vi recentemente recentemente na Livrarai Cultura os exemplares à disposição.
    Obrigado pela leitura do artigo e o elogio .

  25. Pedro Peixoto
    Publicado 30 de agosto de 2010 em 23:53 | Permalink

    Um marco em minha vida, vou reler o O CASO EU CONTO em virtude do excelente artigo do Arsenio .

    Deu-me uma saudade danada dos tempos de outrora. Dos ideais e etc.

    Paulo Cavalcanti foi e continua sendo um emblema.
    De Bravura, honestidade e crença política.

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