Mais uma contribuição da minha digníssima senhora, autora de outras duas resenhas campeãs de audiência aqui no Caótico, uma sobre A Função do Orgasmo e A Ciranda das Mulheres Sábias.
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Escrever sobre esse livro me faz dialogar com duas paixões da minha vida profissional. Uma delas é o trabalho com grupos e a outra, mais recente, é a Análise Bioenergética. O Corpo nos Grupos une essas temáticas de forma simples, através de uma linguagem serena, que se apresenta na primeira pessoa do plural.
Desde a graduação em Psicologia gosto de trabalhar com grupos. Fiz capacitação em dinâmica de grupo, lecionei a disciplina de Dinâmica de Grupos e Relações Humanas e também dei formação nessa área. Gosto de trabalhar com pessoas que se unem com objetivos em comum e sempre aprendo muito nesses contextos.
Por outro lado, descobri a importância de se fazer um trabalho psicoterapêutico voltado para o corpo e vivenciei (e ainda vivencio) as mudanças benéficas em minha vida. Tal como referem os autores, citando Alexander Lowen (fundador da Psicoterapia Corporal Análise Bioenergética), esse tipo de terapia “é uma aventura de autodescoberta numa volta ao passado; e na aproximação com o corpo, em direção a abrir o coração para o amor e para a vida”. (pp. 37)
Porém, ainda não havia relacionado essas duas paixões. Por isso, meu encontro com esse livro foi interessante e prazeroso. Compreender, por exemplo, que as fases vividas pelos grupos – inclusão, controle e afeição – podem se relacionar às características da personalidade estudadas pela Bioenergética, auxilia na facilitação de grupos e na prática terapêutica.
Ou seja, em seu início, o grupo ainda se apresenta fragmentado, com vínculo superficial (esquizóide, como diria Lowen). Com o passar do tempo e da convivência, vai criando uma certa dependência (qualidade oral) em relação ao facilitador e/ou a outros membros do grupo, o que ajuda na estruturação das relações interpessoais, até que possa evoluir para uma fase psicológica mais madura, na qual o afeto é expresso de forma sincera e direta (grupo com grounding, com sustentação, segundo Lowen).
O que os autores sugerem, portanto é que, para que o grupo atravesse esses momentos com segurança e tranquilidade, o facilitador precisa ser um profissional capacitado para esse trabalho, mas também deve ser sensível às demandas que o grupo apresenta em cada momento que lhe é peculiar.
Pois, a história do corpo nos grupos é também o diálogo entre as várias histórias de vida dos seus membros, dos seus facilitadores. É acordar o corpo adormecido, seja o do indivíduo seja o do grupo, um acontecimento retroalimenta o outro. É a oportunidade de sorrir, chorar, calar, falar, ouvir. Ampliar horizontes, estabelecer novas relações, atribuir outros significados, circular novas energias, ver a vida de uma maneira diferente, experienciar, respirar…
Por isso, gostaria de agradecer a Grace e a Jayme, que direta ou indiretamente ajudam as pessoas a serem mais felizes, e a Osmar Freitas, que ilumina o caminho do meu encontro comigo mesma.
Sobre os autores
Jayme Panerai e Grace Wanderley são psicólogos e dirigem o Libertas Comunidade, em Recife, centro de pesquisas e pós-graduação, especializado em Análise Bioenergética.



3 Comentários
Oba! Mas um para minha coleção, obrigada Geórgia bjs. Kátia
Que lindo Geórgia!! E como estou feliz por te conhecer mais a cada dia. Beijo grande!
Querida Geórgia
Que você escreve bonito eu já sei, pois já fizemos essa experiência trabalhando…
Seriedade no que faz, paixão nas letras, sentimento chegando para nós…
Parabéns por tudo viu? Beijos.