Gosto de gente que gosta de gente. E gosto de quem considera mais importante o jeito de contar uma história do que o seu desfecho. Raymond Chandler atende aos dois critérios, porém o que faz dele um grande escritor é a sua intimidade com a fala das ruas e das violentas periferias de Los Angeles ou São Francisco.
Chandler traduziu e transformou em literatura o cotidiano das multidões de pobres e remediados que sobreviviam das migalhas do petróleo ou do que havia sobrado da corrida do ouro. O romance policial foi sua ferramenta para construir essa crônica.
Não sei se essa foi uma opção da Chandler. Creio ter sido algo inevitável, afinal, na Califórnia da primeira metade do século XX, a quantidade de armas nas mãos de adultos, mulheres e crianças faria a 5ª Etapa de Rio Doce parecer um lugar bucólico. Nos cinco contos incluídos na coletânea Não há crime nas montanhas, pistolas automáticas e revólveres Colt 45 eram tão comuns quando homens de chapéus e mulheres bonitas dispostas a enriquecer. Leia Mais
No dia 09 de Julho de 1980 o “Poeta Camarada”, Vininha, amanheceu e sentiu-se mal. Já vinha de longas internações. Com o fígado em petição de miséria, mal conseguia locomover-se.





O Eu Profundo e os Outros Eus
por Arsênio Meira Júnior (que, pelo andar da carruagem, ainda vai virar colunista fixo do Caótico)
Em novembro do ano passado fez 74 anos que o Poeta morreu. Ele, quase uma unanimidade, considerado o maior poeta da língua portuguesa(eu até hoje prefiro Drummond. Não adianta).
Mas sobre Pessoa há tanto a dizer.
A grande razão da permanência de Pessoa e do renovado interesse que ele desperta em todos os leitores, reside na maneira como enxergou ou desbravou a difícil harmonia entre sentir e pensar.
Esse paralelo entre a sensação com o conceito tem movido milhões de átomos pensantes entre os bambas da filosofia ocidental. Leia Mais »