Contos de Tchekhov

dama_do_cachorrinhoNos últimos dias, o tempo da leitura foi arrancado na marra. Duas páginas no banheiro, mais duas enquanto aguardava a milésima reunião do ano, dois parágrafos na cama antes de arriar no sono, outra página no carro da prefeitura, correndo o risco de descolar a retina. E assim foi, aos trancos e barrancos, da pior maneira possível li 12 contos de um dos melhores escritores da história.

Há tempos que eu estava me devendo ler alguma coisa de Anton Tchekhov (se ainda lembro das aulas de russo com a professora Ewa, a pronúncia é mais ou menos assim: txerróf). Antes de chegar ao último conto, estava com uma inveja danada de quem leu 22 livros dele, como o blogueiro gaúcho Milton Ribeiro.

Os contos do russo foram escritos no final do século XIX, poucos no início do século XX, mas poderiam ter sido publicados na semana passada aqui no Brasil, no Sri Lanka ou qualquer outra parte do mundo. A prosa de Tchekhov é atualíssima. Esses contos jamais vão caducar, pelo menos não enquanto os humanos se apaixonarem, sofrerem por do amor, sonharem, alimentarem esperanças de mudar a vida. Leia Mais »

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Tô na área!

Calma, não abandonei o blog. Acho que amanhã (quarta-feira) eu atualizo o bichinho novamente. A culpa do grande intervalo desde a última postagem é do ritmo de final-de-ano em Olinda, com um monte de coisas que aparecem a toda hora, além do tempo que estou dedicando à redação do livro Um Rio de Gente, financiado pelo Funcultura. O tempo anda tão curto que estou há mais de uma semana carregando pra lá e pra cá um livrinho de contos de Tchekov, sem conseguir conclui-lo.

Enquanto não publico nada novo por aqui, quem estiver interessado sobre o livro que estou escrevendo pode ler postagens Um livro em Gestação e A Parabólica do Seu Inácio.

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Eu, jurado do Jabuti

jabuti_tinga_gFoi no final de 2002 que Edmundo me telefonou, lá de sua sala numa grande editora do Rio de Janeiro.

A conversa foi mais ou menos assim:

- Quer ganhar uma porrada de livros em troca de um trabalho moleza?

- Mai tá, se não quero. Que é que tenho de fazer?

- Vou te indicar para ser jurado do Prêmio Jabuti. Vão te ligar dizendo os prazos e para combinar para onde mandar os livros.

- Rapá… será que eu tenho cacife para essa porra?

- Tem sim, é pra ser jurado da categoria Reportagem e Biografia, não é literatura, não. Moleza mesmo.

- Ah, então, tá. Leia Mais »

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Maigret é coisa de cinema

maigret7Um potiguar chamado Tião costuma visitar o blog Estuário, de Samarone, onde ficou sabendo da existência desse Caótico aqui. Dia desses, ele deixou um comentário numa postagem que nem lembro mais qual foi. Aí, descobri e passei a visitar de vez em quando o Sopão do Tião, que vem a ser o blog dele. Numa dessas visitas, cheguei ao blog do crítico de cinema do jornal Estado de S. Paulo, o senhor Luiz Carlos Merten.

Pois bem, no blog mantido sob a responsa de Merten no portal do Estadão, encontrei o assunto dessa postagem: George Simenon e seu comissário Maigret, tema de um dos primeiros textos que publiquei, há uns quatro meses mais ou menos.

Mesmo correndo o risco de me repetir, agarrei a deixa do Merten e volto à Maigret, o mais humano e imperfeito dos detetives da ficção policial. Imperfeito como detetive, perfeito como personagem. O problema é que estou viciado em Maigret, só de sexta para segunda-feira, li dois livretos da série que está sendo publicada pela L&PM: A Fúria de Maigret e Maigret e seu Morto. Leia Mais »

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Dois Irmãos

2irmãosFazer, atualizar, escrever o Caótico me dá uma satisfação enorme. Por causa do método que criei “na tora” para manter o blog, a cada postagem aprendo um pouco mais sobre algo. Sempre que escolho a livro a ser comentado – coisas que li há muito tempo ou que acabei de guardar na estante -, procuro na internet outras informações ou opiniões sobre o autor e o texto. Sem querer, ação fazendo diálogos mudos e virtuais com outros leitores.

Não bastasse isso, o compromisso de manter o blog vivo me estimula a novas leituras, a escacavilhar minha estante e redescobrir os livros que, um dia, despertaram tanto minha curiosidade a ponto de trazê-los para casa. Desta vez foi Dois Irmãos, de Milton Hatoum, um dos mais respeitados autores brasileiros neste início de século, mas cuja prosa ainda não conhecia.

As primeiras páginas de Dois Irmãos são arrasadoras, deu nó na garganta a narrativa das emoções do rapazote Yaqub, irmão gêmeo de Omar, quando ele volta de uma temporada na casa de um tio na aldeia do Líbano, para onde foi sozinho pro decisão dos pais. Parei a leitura nesse ponto e precisei de um dia para me acostumar com os sentimentos e retomá-la. Leia Mais »

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Um Genocídio em Julgamento

genocidio_armenioAté conhecer a história do estudante Salomon Teilirian nunca tinha ouvido falar a respeito do genocídio Armênio. Da Armênia, eu só conhecia uma estação de metrô com esse nome perto do estádio do Canindé. Isso foi em 1994, quando li Um Genocídio em Julgamento, que tinha acabado de ser publicado pela editora Paz e Terra, em co-edição com o Comitê Brasileiro para a Reconstrução da Armênia.

Não se trata de nenhum romance histórico ou livro-reportagem sobre a execução sistemática de um milhão e meio de armênios pelos turcos, mas sim a reprodução integral dos autos do processo do assassinato de Talaat Paxá, ex-ministro do Interior da Turquia, por Teilirian.

A linguagem é jurídica, além disso há a informações repetidas nos vários depoimentos reproduzidos. Mesmo assim, a leitura é arrebatadora. O processo foi tão emocionante, com tamanho significado político, que nem foi preciso adaptar o texto. Leia Mais »

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Uma chance para a democracia (ou Todo Cuidado com Hélio Costa é Pouco)

saybercafeEstou em casa repousando, depois de um ataque de cólicas renais, a pior dor que senti em minha vida. Corrijo: a segunda pior. A queda para a terceira divisão em 2007 me prejudicou mais.

Quando algum médico me manda repousar, costumo seguir o conselho ao pé da letra. Nem passa pela minha cabeça desobedecer, já não gosto de trabalhar, quanto mais com recomendação médica. Saí do hospital escolhendo qual DVD da minha coleção pirata iria assistir hoje, na possibilidade de avançar no livro de Milton Hatoum e de atualizar a leitura da Carta Capital. Só não fiz tudo isso porque o analgésico que me mandaram tomar dá um sono danado.

A Carta Capital é a única publicação que assino, por isso faço um esforço imenso para não desperdiçar dinheiro deixando a revista intacta em algum canto da casa, para me informar e tentar transformar informação em conhecimento, minha opção é sempre pelos blogs e sites disponíveis na web. E foi exatamente uma matéria a respeito das perspectivas do acesso à banda larga no interior do Brasil, publicada na edição da semana passada (vejam como estou atrasado), que me motivou a atualizar o Caótico com essa “elocubração”. Leia Mais »

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A Vida Sexual dos Alimentos

capa_vida_sexualUm dos meus maiores defeitos como leitor é a dificuldade que tenho para encarar ensaios, textos teóricos ou críticos, enfim, aquilo que se convencionou chamar de não-ficção. Em geral, mesmo quando o tema me interessa, me arrasto na leitura desse tipo de coisa. Penei no segundo semestre de 2007, quando tive de ler os livros exigidos pelo mestrado em Comunicação, na minha única, última e frustrada tentativa de fazer um mestrado.

Gosto mesmo é de ficção, ou seja, de mentira. Pode ser em forma de romance, crônica, conto ou reportagem.

Apesar desse defeito de fábrica, passei as últimas três semanas de outubro lendo um livro de nome curioso, A Vida Sexual dos Alimentos, de uma tal Bunny Crumpacker, presente de aniversário do novo amigo Breno Melo, cozinheiro profissional, para esse cozinheiro amador que vos escreve. Leia Mais »

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Notinhas dispersas

O Caótico agora tem mais uma página, que se chama Trechos Arretados, com transcrições de trechos curtos de obras já lidas pelo blogueiro que vos fala ou enviados pelos leitores, como é o caso do fragmento de Benedetti enviado pela baiana Yvette Teixeira, que descobriu o blog não sei como.

No início fiz uma gambiarra usando o sistema wordpress, mas o webdesigner Anízio endireitou a página, que ficou bem mais palatável, estão publicados por lá frases ou parágrafos de Dublinenses, de Joyce; Ao Vivo do Calvário, de Gore Vidal; e Um Sonho Americano, de Norman Mailer.

Essa página será atualizada muito de vez em quando, pois é preciso tempo e disposição para digitar trechos inteiros dos livros. Apesar de estar sempre razoavelmente disposto, tempo me falta.

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Anízio Silva informou que é 100% possível criar um espaço para abrigar as listas de livros mais desejados pelos leitores do Caótico. A ideia é que funcione como aquelas listas de presentes que os noivos deixam nas lojas de departamentos para facilitar (ou dificultar) a vida dos convidados.

Com as listas dos leitores no Caótico, alimento a esperança de que as pessoas que gostem de ganhar livros de presente tenham mais sorte no aniversário, Natal, Dia dos Namorados, Dia dos Pais ou das Mães. Anízio explicou que isso pode se transformar numa rede social. Se ele disse, eu acredito.

Seria bom que essa página ficasse pronta antes do Natal, mas não dou certeza. Quem sabe essa notinha não sensibilize a alma do webdesigner acima citado.

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nana-e-sua-kombi1O Caótico se junta ao esforço de ajudar o gordinho Naná a encontrar sua Kombi, furtada na madrugada de ontem na frente de sua casa, na comunidade do Poço da Panela. Para quem não conhece, Naná ganha a vida com sua Kombi, mas não isso não seria motivo suficiente para construir a rede de solidariedade que está se formando para ajudá-lo.

A Kombi era um veículo de solidariedade. Sem ela, dezenas de crianças do Poço terão que caminhar bastante para chegar à escola municipal que fica pelas bandas do bairro de Monteiro ou Apipucos. Naná e a Confraria dos Amigos do Poço, já citada no texto sobre o casamento de Samarone, bancavam a gasolina e garantiam uma vida menos dura para a criançada da comunidade. A Kombi também é a ambulância do bairro, levando e trazendo os doentes do Poço para os hospitais públicos da Zona Norte do Recife.

Por tudo isso, quem quiser ajudar, a conta bancária de Naná (nome de pia: Evaldo Gomes de Moura)  é agência 1594 do Itaú, número da conta poupança: 22907-0 / 500.

Para quem tem olho vivo ou conhecimento no meio da bandidagem, as placas do veículo são KGZ-3021.

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Pelo Centro das nossas desatenções

barluizTinha apenas 22 anos quando tive de arriscar a vida longe de casa. A opção por São Paulo foi menos por critérios econômicos ou estratégicos que afetivos, por conta dos inúmeros primos de minha mãe que viviam e ainda vivem por lá.

Fui feliz em São Paulo por quatro anos. Conheci minha primeira mulher numa festa no Butantã, meu filho Pedro nasceu perto do Ibirapuera. Morei no Cambuci. Fui a jogos no Morumbi, Pacaembu, Canindé e Parque Antártica. Trabalhei com um raro gênio do jornalismo, Jorge de Miranda Jordão, que fazia um jornal diferente de todos esses que hoje são vendidos nas bancas. Aliás, qualquer dia eu conto as histórias de Miranda que, por sinal, é carioca.

Minha felicidade era um paradoxo, pois achava insuportável viver em São Paulo. Sempre que dava, pegava o ônibus e passava fim-de-semana no Rio. Era como voltar ao Brasil. Tomei muita cerveja em Marechal Hermes, subúrbio em que meu subeditor Édson, o sujeito que me apresentou ao universo de Nélson Rodrigues, tinha um apartamento. Vivi um inesquecível reveillon de 1993 em Marechal. Também andei muito pela Vila Isabel e Santa Tereza, onde minha amiga Carlinha vivia, na mesma rua onde morou Manoel Bandeira. Leia Mais »

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