A quantidade de gente interessada por este e por tudo quanto é blog ou site deve diminuir muito nas próximas duas semanas. A audiência da internet e das mídias tradicionais tende a cair nas férias. Se tem mais gente viajando, comprando presentes,arrumando o que fazer com os filhos ou organizando festas de final de ano, tem menos gente navegando na internet, ligando a tevê ou esperando o jornal do dia.
Ou seja: tenho motivos de sobras para dar um tempo. Volto em janeiro, provavelmente lá pelo meio do mês, comentando Juliano, de Gore Vidal, que é o que estou lendo agora, ou então Na pior em Paris e Londres, de George Orwell, que li há uns dois anos.
Antes dessa parada estratégica, resolvi fazer um balanço do Caótico, desde que sua inauguração para o público, em julho. Se fosse resumir em uma palavra seria a do título lá em cima. Fiquei ainda mais satisfeito, feliz, emocionado, o escambau, nesse final de semana. Pela primeira vez, duas pessoas até então desconhecidas me procuraram para dizer que lêem o que escrevo por aqui. Mais arretado ainda: encaram meus comentários como dicas de leitura e saem pela cidade procurando os livros!
Se eu escrevesse em algum veículo da antiga mídia, seria a resenha publicada na revista x, no jornal y, impessoal, distante e na terceira pessoa do singular, como mandam os manuais de redação.
Aqui não, o blogueiro tem cara, nome, pode ser encontrado na rua e faz as coisas do seu jeito. Desse jeito, se alguém se interessa pela dica e corre atrás para encontrar o livro, é porque confia em quem escreveu. Aí, não tem como não ficar satisfeito e com o ego inflado.
No sábado, no aniversário de seis anos do tricolor Igor, foi Doralice, a Dora, quem se deu ao trabalhar de ir até a mesa onde eu estava e disse que seguia minhas sugestões e que acompanhava o Caótico. Nunca a tinha visto antes, mas para meu espanto, a filha dela, Vitória, que deve ter uns quatro anos, tava no maior conversê com meu caçula de dois anos e uns quebrados. Escutei a pirralha explicando: “Ele estuda no meu colégio”. Verdade verdadeira. E linda coincidência.
Dora é bibliotecária, o que só aumenta a moral deste caótico que vos escreve.
Depois foi Adriana, amiga de meus amigos tricolores, que encontrei domingo na confraternização do Blog do Santinha. A moça se apresentou, informando que manda os livros que eu comento para o irmão na Inglaterra, onde ele faz um mestrado ou coisa parecida. O último que seguiu viagem foi A dama do cachorrinho, que é aliás é bem apropriado para se ler debaixo de neve.
Na mesma festa, um companheiro de sociais do Arruda, o ilustre Beto Caffé Miranda, ex-Inferno Coral, me garantiu que foi até uma livraria e encomendou Dublinenses, pois depois que leu o que escrevi ficou doido para ler os contos de Joyce. Ele ainda se saiu com essa pérola: “Só dou livro de presente. Se o sujeito gosta de ler, acerto em cheio. Se não gosta, fica envergonhado de reclamar pra não admitir que é burro”. E eu nem sabia que Beto gostava de ler.
Ontem, em pleno aniversário de Luciana Santos, foi Dina Jorge Corrêa, irmã do doutor Orlando, o pediatra tricolor que cuidava da minha saúde na infância. Dina não sabia o endereço do Caótico. Hoje, me mandou um e-mail dizendo que achou lindo o blog, que lê as aventuras de Maigret desde a adolescência, que se identificou com o nome porque sobrevive melhor no caos que na ordem.
Pobre Dina. Conheci Tchekhov por causa dela, que em emprestou um livrinho de bolso com os contos do russo há uns cinco ou seis anos. Nunca devolvi. Dia desses, ela me disse que já teve um livro de Tchekhov, mas que não sabia onde estava. Achei o livro a semana passada, quando arrumava a estante e lembrei do empréstimo.
Na verdade, há uns dois meses eu desconfiava que o Caótico estava valendo a pena. Hugo Figueiredo, que trabalha comigo lá em Olinda, pediu Meus Lugares Escuros para ler. Achei ótimo o interesse do cara. Empreste, mas inaugurei uma regra nova na minha política de empréstimos de livros: só empresto se devolver com uma resenha, um comentário ou uma crônica sobre o livro. Assim, podemos ter visões e opiniões diferentes por aqui. Hoje ele me garantiu que vai honrar o compromisso.
O próximo que vai escrever um texto sobre um livro emprestado por mim é Ivanzinho, do blog Bodega. Faz mais de um ano que o miserável tá com meu A Conjura, de Agualusa.
Pretendia revelar alguns dados de sites de monitoramento de audiência, mas a emoção de escutar o que escutei de Dora, de Adriana, de Beto e de Dina, vale mais a pena do que a objetividade dos números. Isso fica pra depois.
Muita diversão e tranqüilidade para todo mundo nos dois feriados. Até 2010.
10 Comentários
Meu caro Inácio
Como inveterado leitor estou tb monitorando teu blog em busca de orientação para detonar meu cartão nas livrarias da cidade
Também estou criando regras de comportamento.
Não sento mais em barzinho com quem não lê. Não vai ao Teatro. Não vê um bom filme. Não vai ao Teatro Princesa Isabel ouvir uma sinfônica.
Conversar o quê. Acabo ficando mudo e depressivo com a conversa de merda do sujeito. Peço a conta e tchau.
Também não peço livros emprestado, nem empresto os meus. Façam a cara feia que fizerem
Coisas de leitor enrustido.
Feliz 2010
1 abç
Inácio
Continuo acompanhando seu blog. Li ‘A Trégua’. Gostei bastante. Encontrei velhos conhecidos no livro.
Outra coisa que acho bastante interessante é ler seus leitores. Dá até pra pensar numa crônica com seus comentaristas.
O amigo, teu, pois ele jamais será meu, simplesmente porque eu nunca vou a teatro pernambucano (só assisto peças de um amigo), nem paulista, nem carioca, nem de mímica francesa e jamais levarei meus filhos para assistirem Hipopocaré, como também já enjoei de ir ao Santa Isabel para assistir a sinfônicas e ao Balé Popular, pois bem, este amigo tem que se lembrar que os livros são compostos de gente, de todos os tipos e costumes e ignorâncias também. Gente é bom. Falar da vida dos outros nos bares, pelas costas claro, é ótimo.
E, falando em cultura, convido você para um grande show da autêntica música popular recifense, a Banda Glande, que não será mais na terça, parece que será no sábado. Xande informará a nova data (assim que ele souber).
Os intelectuais irão ficar de cabelo em pé!
Lea, implicante como sempre
Léa,
se o show da Banda Glande (Glande pala calalho) for no sábado, poderei ir. Amanhã não vai dar, vou com minha prole completa para uma praia e só retorno na sexta.
A quem se interessar: o show da Banda Glande é imperdível. Quando a data for confirmada, Lea Implicante avisa aqui, pois eu fico sem internet nos próximos dias..
França, bom descando, mas nada de ficar mais de 15 dias fora do ar, porque os leitores vão reclamar. Eu serei um deles.
Já anotei aqui: Última postagem dia 23/12/2009.
São 13 dias. Lembro que a última postagem foi no ano passado.
Saludos,
Samarone
Inácio, pode tirar as aspas e acrescentar um “f” no Caffé é sobrenome materno, que infelizmente não foi para a minha certidão de nascimento.
Estou sempre antenado na suas dicas.
Um forte abraço
Samarone tem razão, tá na hora de retornar.
Neste endereço tem uma matéria sobre o Nelson Rodrigues muito legal: http://www.revista.agulha.nom.br/ag26rodrigues.htm.
bj
Y
Sama:
tô cheio de menino em casa, todos dispostos a me enlouquecer. Todo tempo que arrumo vai para o livro do Capibaribe. Escrevi 10 capítulos. Faltam 15. Tô fudido. Nem tô indo em Olinda.
………
Beto:
aspas retiradas.
…………
Yvette:
Já cliquei no link para o texto sobre Nélson, mas não tive tempo de ler. Tá guardado para costumo posterior.
Sim, bonitinho, mas o Pedro já está viajando e tem hora que criança cansa e dorme.
Nessa hora o cara atualiza suas postagens.
Desde o ano passado não escreves nada.
samarone
Sama,
na hora que criança cansa e dorme, o pai já tá arrasado. E é essa hora que eu tenho para escrever o material do livro do rio. Faltam 14 capítulos
Queremos postagens!!