Segunda opinião sobre Delacroix Escapa das Chamas

Antônio Lino Júnior foi o segundo leitor sorteado para receber um livro da Editora Record. Em troca, teve que escrever para o Caótico um textinho com sua opinião sobre o que leu.

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por Antônio Lino Júnior

Delacroix Escapa das Chamas aos olhos de quem viaja em suas páginas é um pretensioso convite a se pensar num mundo pautado pelo que está por vir, com as evidências dos vícios contemporâneos, voltado pra consagrar as demandas do “Eu”.

Putas cibernéticas, cidades-shoppings, fusões ideológicas (teomarxismo, geneticismo, roboticismo) em sintonia com o hedonismo,o niilismo e um hermético universo capitalista, tudo isso em quatro tempos, adequados na figura de um crítico de arte, Wagner Krupa, louco pra levar o seu em cada oportunidade que se apresenta: o resultado é uma narrativa instigante.

Edson Aran, de fato, provoca no leitor a assunção da crítica, construindo tipos e categorias analíticas de fazer inveja a Max Weber, isso tudo com traços de humor e distinções, onde enxergamos em cada personagem um pouco do que vivemos. E, em cada espaço físico, maquetes do que está por vir.

Como não pensar num mundo onde a água vale ouro, reciclar é palavra de ordem, andar de triciclo é a solução e a exclusão, enfim, foi institucionalizada (escolas, shoppings, trabalho, lazer, moradia, etc)?

Nesse imaginário, é possível espoliar os que não podem consumir em prol de uma nova ordem capitalista, instaurando selos de consumo. Nada mais proveitoso para um capitalista segregador.

Aos olhos de quem escreveu as orelhas do livro, Ivan Lessa, o perigo: o livro é viciante. Pode levar a querer conhecer a obra do autor. E assim como o decorrido com Dom Quixote, muito embora tenha se tornado um cavaleiro, o ato de lê-lo, pode levar a loucura, basta tentar compreendê-lo em nossos contextos.

Confesso aos senhores, depois deste, parti em busca de conhecer Conspirações- Tudo o que não querem que você saiba, outro livro de Aran.

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Um Comentário

  1. Publicado 9 de maio de 2010 em 20:20 | Permalink

    O que mais admirei na obra foi a forma humorística (e irônica) que ele usa para expressar este ‘mundo pautado pelo que está por vir”.

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