<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?> <rss version="2.0" xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/" xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/" xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/" xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom" xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/" xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/" ><channel><title>Caótico &#187; american dream</title> <atom:link href="http://www.caotico.com.br/tags/american-dream/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" /><link>http://www.caotico.com.br</link> <description>Espaço de leituras,  histórias &#38; especulações &#124; Por Inácio França</description> <lastBuildDate>Wed, 08 Feb 2012 13:36:43 +0000</lastBuildDate> <language>en</language> <sy:updatePeriod>hourly</sy:updatePeriod> <sy:updateFrequency>1</sy:updateFrequency> <xhtml:meta xmlns:xhtml="http://www.w3.org/1999/xhtml" name="robots" content="noindex" /> <item><title>Um Sonho Americano</title><link>http://www.caotico.com.br/um-sonho-americano/</link> <comments>http://www.caotico.com.br/um-sonho-americano/#comments</comments> <pubDate>Sat, 12 Sep 2009 22:59:10 +0000</pubDate> <dc:creator>Inácio França</dc:creator> <category><![CDATA[Leituras Caóticas]]></category> <category><![CDATA[american dream]]></category> <category><![CDATA[Crime e Castigo]]></category> <category><![CDATA[New Journalism]]></category> <category><![CDATA[Norman Mailer]]></category> <category><![CDATA[Nova York]]></category> <category><![CDATA[Pulitzer]]></category> <category><![CDATA[romance noir]]></category> <category><![CDATA[Um Sonho Americano]]></category><guid isPermaLink="false">http://www.caotico.com.br/?p=358</guid> <description><![CDATA[Ainda no meio da leitura de Um Sonho Americano, já tinha duas certezas. A primeira é que eu preciso encarar os melhores livros de Norman Mailer, talvez Os Nus e os Mortos, Canção do Carrasco, Exércitos da Noite ou A Luta. A outra é que há algo de Dostoievski nesse livro. Eu xoxe se Mailer [...]<div class="addthis_toolbox addthis_default_style " addthis:url='http://www.caotico.com.br/um-sonho-americano/' addthis:title='Um Sonho Americano '  ><a class="addthis_button_facebook_like" fb:like:layout="button_count"></a><a class="addthis_button_tweet"></a><a class="addthis_button_google_plusone" g:plusone:size="medium"></a><a class="addthis_counter addthis_pill_style"></a></div>]]></description> <content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignright size-medium wp-image-359" title="NORMAN MAILER - UM SONHO AMERICANO - ROMANCE - BEST SELLER" src="http://www.caotico.com.br/wp-content/uploads/2009/09/NORMAN-MAILER-UM-SONHO-AMERICANO-ROMANCE-BEST-SELLER-210x350.jpg" alt="NORMAN MAILER - UM SONHO AMERICANO - ROMANCE - BEST SELLER" width="120" height="200" />Ainda no meio da leitura de <em>Um Sonho Americano, </em>já tinha duas certezas. A primeira é que eu preciso encarar os melhores livros de Norman Mailer, talvez <em>Os Nus e os Mortos, Canção do Carrasco, Exércitos da Noite </em>ou <em>A Luta</em>. A outra é que há algo de Dostoievski nesse livro. Eu xoxe se Mailer também não traçou<a href="http://www.caotico.com.br/crime-e-castigo-do-blog-de-milton-ribeiro/#more-249"> Crime e Castigo</a>!</p><p>Logo no comecinho da trama, o personagem Steve Rojack, mata a mulher e deixa tantas pistas do crime que até a Polícia de Pernambuco seria capaz de metê-lo na cadeia. A primeira metade do livro é marcada pela tensão da prisão iminente, o leitor e o personagem atravessam quase uma centena de páginas achando que a casa vai cair.</p><p>O policial então resolve fazer um jogo de gato-e-rato parecido com aquele que Petrovitch faz com Raskolnikov na obra-prima do meu russo preferido. Mas se a vida recomeça para o personagem de Dostoievski a partir do castigo e do arrependimento, é a impunidade que dá uma guinada na história e na vida do protagonista de <em>Um Sonho Americano. </em> Este, aliás, é melhor momento do livro, algo que revela um pouco do talento de Mailer.</p><p>Na época em que o livro foi publicado nos Estados Unidos, uma parte do puritano público americano ficou chocada com a narrativa de Mailer, que não perdoa a sujeira e os pecados sórdidos da classe alta – aquela sacanagem sem tamanho sob a plácida superfície familiar. A julgar apenas por essa leitura, nosso Nélson Rodrigues tratou dessa hipocrisia com mais talento e coragem.</p><p>A atmosfera fumaça de cigarro, bebida aos borbotões, violência e uma mulher fatal, tão comuns nos romances “noir” e da “pulp fiction” da primeira metade do século XX, também estão presentes no livro, cuja leitura, aliás, é bem irregular. Há momentos em que não consegui largá-lo, em outros deu vontade de pular algumas páginas, para ver se alguma coisa acontecia mais adiante.</p><p>O que há de mais chato é que o autor usa inúmeras vezes um recurso muito comum na literatura americana, umas comparações estapafúrdias, com as quais já tropecei em outros autores. Não sei se essas comparações têm algum nome técnico ou se é algo genial, eu é que sou burro demais.</p><p>Separei algumas dessas associações esquisitas para dar ideia do que estou falando:</p><p>“Cherry tinha os pés curtos e largos daquele tipo de mulher muito prática que dispunha de tempo para fazer compras na mercearia e tempo para transar com o vizinho de porta&#8230;” (pág. 106)</p><p>“&#8230;tinha no rosto  a expressão de um soldado que achou um pêssego em um árvore no outono e parou para comê-lo.” (pág. 117)</p><p>“Eu tinha o olhar objetivo de um promotor público que abriu mão de uma carreira em cirurgia” (pág. 131)</p><p>Pode ser que esse seja um recurso inteligentíssimo, não sei, não sou crítico literário, mas é repetido tantas vezes que enjoa, fica meio ridículo. Além disso, coisas assim são usadas por tantos autores americanos (não lembro de nenhum específico agora), que soa como clichê. Ou como saída fácil para descrever algo difícil.</p><p>Falei mal de alguns aspectos de <em>Um Sonho Americano</em>, mas não é um livro ruim. É verdade que não é essa coca-cola toda, mas foi uma leitura interessante. E há algo de irônico em tê-lo lido na semana do 11 de setembro,  aniversário do atentado em Nova York e do golpe militar de Pinochet.</p><p><strong>Sobre o escritor</strong></p><p><img class="alignnone size-medium wp-image-360" title="12_mailer_lg" src="http://www.caotico.com.br/wp-content/uploads/2009/09/12_mailer_lg-350x234.jpg" alt="12_mailer_lg" width="271" height="180" /></p><p>Norman Mailer foi um dos pais daquilo que chamam de <em>New Journalism</em>, a narrativa jornalística que não abria mão dos recursos, e liberdade literárias. Suas biografias disponíveis na web dão conta que ele ganhou dois prêmios Pulitzer e um National Book Awards, porém algo curioso me chamou a ateção: ele foi preso por condenar os crimes de guerra dos Estados Unidos no Vietnã e, dois anos depois, teve a macheza de se candidatar a prefeito de Nova York, mesmo descendo a lenha todos os dias na elite e na classe média do seu País. Norman Mailer morreu em 2007, aos 84 anos.</p><ul><li><strong><a href="http://www.revistapiaui.com.br/edicao_26/artigo_799/Aos_tapas_e_pontapes_with_love.aspx">Coletânea da correspondência política de Mailer no site da revista Piauí (é preciso fazer o cadastro)</a></strong></li><li><strong><a href="http://www.bbc.co.uk/portuguese/reporterbbc/story/2007/11/071110_mortenormanmailer.shtml">Pequena biografia de Norman Mailer no site da BBC Brasil</a></strong></li></ul><div class="addthis_toolbox addthis_default_style " addthis:url='http://www.caotico.com.br/um-sonho-americano/' addthis:title='Um Sonho Americano '  ><a class="addthis_button_facebook_like" fb:like:layout="button_count"></a><a class="addthis_button_tweet"></a><a class="addthis_button_google_plusone" g:plusone:size="medium"></a><a class="addthis_counter addthis_pill_style"></a></div>]]></content:encoded> <wfw:commentRss>http://www.caotico.com.br/um-sonho-americano/feed/</wfw:commentRss> <slash:comments>3</slash:comments> </item> <item><title>O prazer da escolha</title><link>http://www.caotico.com.br/o-prazer-da-escolha/</link> <comments>http://www.caotico.com.br/o-prazer-da-escolha/#comments</comments> <pubDate>Wed, 02 Sep 2009 20:10:17 +0000</pubDate> <dc:creator>Inácio França</dc:creator> <category><![CDATA[Elocubrações]]></category> <category><![CDATA[american dream]]></category> <category><![CDATA[leitura]]></category> <category><![CDATA[literatura americana]]></category> <category><![CDATA[Norman Mailer]]></category> <category><![CDATA[Samarone Lima]]></category> <category><![CDATA[way american of life]]></category><guid isPermaLink="false">http://www.caotico.com.br/?p=323</guid> <description><![CDATA[Conheço gente que cheira o livro antes de ler a primeira linha, cheira a capa, aspira a contracapa e fica folheando e cafungando. Quem faz isso, não pode ser asmático, senão morreria de falta de ar e de muito espirrar. Nunca vi estante isenta de poeira, a não ser as da Livraria Cultura, que chegam [...]<div class="addthis_toolbox addthis_default_style " addthis:url='http://www.caotico.com.br/o-prazer-da-escolha/' addthis:title='O prazer da escolha '  ><a class="addthis_button_facebook_like" fb:like:layout="button_count"></a><a class="addthis_button_tweet"></a><a class="addthis_button_google_plusone" g:plusone:size="medium"></a><a class="addthis_counter addthis_pill_style"></a></div>]]></description> <content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignleft size-medium wp-image-324" title="escolhalivros" src="http://www.caotico.com.br/wp-content/uploads/2009/09/escolhalivros-350x262.jpg" alt="escolhalivros" width="193" height="144" />Conheço gente que cheira o livro antes de ler a primeira linha, cheira a capa, aspira a contracapa e fica folheando e cafungando. Quem faz isso, não pode ser asmático, senão morreria de falta de ar e de muito espirrar. Nunca vi estante isenta de poeira, a não ser as da Livraria Cultura, que chegam brilham de tão limpinhas, mais assépticas que corredor de hospital particular.</p><p>Eu não cheiro, fico só olhando a capa e a contracapa. Leio a orelha e aqueles inevitáveis parágrafos da última capa. Dou uma passada de olho em todos os penduricalhos, incluindo a ficha catalográfica, antes de começar a ler à vera, coisa que só acontece horas depois desse ritual todo. Coisa de gente maluca.</p><p>Mas, pra mim, o gozo da leitura começa antes mesmo dessa etapa. Eu já começo a sentir prazer no momento em que vou para a prateleira em busca do próximo título a ser debulhado. Teve vez, não faz muito tempo, peguei uns três livros e fiquei um dia todo olhando pra cada um deles, lendo e  relendo as orelhas até me decidir.</p><p>Foi o que aconteceu na segunda-feira passada, último dia de agosto. No final de semana retrasado (esse que passou não, o outro), cheguei ao ponto final do livraço de Robert Fisk, já muito citado aqui e condecorado com cinco estrelas de ouro. Decidi reler o livro de Samarone, <em>Viagem ao Crespúsculo, </em>desta vez já editado, com o objetivo de ajudar meu amigo a localizar e corrigir os muitos erros de edição que deixaram passar.</p><p>Assim, a releitura da <em>Viagem </em>foi quase uma tarefa, um trabalho. Li o livro todinho com um lápis de ponta mal-feita ao lado, rabiscando os defeitos e anotando as possíveis alternativas para cada problema. Quase nada de prazer.</p><p>Mesmo cansado da viagem pela Bacia do Capibaribe e com uma otite desgraçada de chata, na segunda-feira pela manhã peguei o tamborete e fiquei remexendo nas estantes. Pensei no <em>O Segredo de Joe Gould</em>, de Robert Mitchell, e <em>Nação Crioula</em>, de Agualusa. <em>Ao vivo do Calvário </em>bateu na trave, seria meu primeiro Gore Vidal, mas fica pra depois.</p><p>No final das contas, me atraquei com <em>Um Sonho Americano</em>, de Norman Mailer, numa edição de bolso da L&amp;PM. Já tinha lido um livro de Mailer o ano passado, <em>O Evangelho Segundo o Filho, </em>que, assim como na obra de Saramago, é uma espécie de “relato autobiográfico” de Cristo, porém sem grandes novidades. Com muito favor, ficaria na categoria meia-bomba e olhe lá.</p><p>Logo no início da leitura, quando o protagonista mata quatro soldados alemães numa batalha da II Guerra, percebi que minha escolha está ligada à leitura anterior. Fisk faz uma tremenda análise da imensa responsabilidade dos Estados Unidos nas guerras e massacres do Oriente Médio. Mailer mostra a sociedade norte-americana por dentro, usando como recurso um herói de guerra que faz o caminho inverso dos super-heróis ianques: vai da glória à merda mais fedida em largas passadas.</p><p>Mesmo desconfiado por causa da leitura insossa do tal <em>Evangelho</em>, me dá o troco nesse livro. Nas primeiras páginas, ele me conquistou com construções como essas: “mas viveu sua vida e morreu com ela”. Ou então: “agora, conviver com Deborah era como sentar para jantar em um castelo vazio tendo como anfitrião apenas um mordomo e sua maldição”. Não lembro de ter visto definição tão crua e pesada para um casamento destruído.</p><p>Por enquanto, acabei apenas o primeiro capítulo. Depois, falo do resto.</p><div class="addthis_toolbox addthis_default_style " addthis:url='http://www.caotico.com.br/o-prazer-da-escolha/' addthis:title='O prazer da escolha '  ><a class="addthis_button_facebook_like" fb:like:layout="button_count"></a><a class="addthis_button_tweet"></a><a class="addthis_button_google_plusone" g:plusone:size="medium"></a><a class="addthis_counter addthis_pill_style"></a></div>]]></content:encoded> <wfw:commentRss>http://www.caotico.com.br/o-prazer-da-escolha/feed/</wfw:commentRss> <slash:comments>3</slash:comments> </item> </channel> </rss>
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