<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?> <rss version="2.0" xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/" xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/" xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/" xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom" xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/" xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/" ><channel><title>Caótico &#187; Belém</title> <atom:link href="http://www.caotico.com.br/tags/belem/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" /><link>http://www.caotico.com.br</link> <description>Espaço de leituras,  histórias &#38; especulações &#124; Por Inácio França</description> <lastBuildDate>Tue, 07 Feb 2012 19:41:39 +0000</lastBuildDate> <language>en</language> <sy:updatePeriod>hourly</sy:updatePeriod> <sy:updateFrequency>1</sy:updateFrequency> <xhtml:meta xmlns:xhtml="http://www.w3.org/1999/xhtml" name="robots" content="noindex" /> <item><title>Re-Pa</title><link>http://www.caotico.com.br/re-pa/</link> <comments>http://www.caotico.com.br/re-pa/#comments</comments> <pubDate>Wed, 04 May 2011 03:58:48 +0000</pubDate> <dc:creator>Inácio França</dc:creator> <category><![CDATA[Elocubrações]]></category> <category><![CDATA[Belém]]></category> <category><![CDATA[Cerpa]]></category> <category><![CDATA[futebol paraense]]></category> <category><![CDATA[Mangueirão]]></category> <category><![CDATA[Marambaia]]></category> <category><![CDATA[Pará]]></category> <category><![CDATA[Payandu]]></category> <category><![CDATA[Remo]]></category><guid isPermaLink="false">http://www.caotico.com.br/?p=1358</guid> <description><![CDATA[Até que demorou, mas eis que o futebol entra na pauta do Caótico. 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Não vou abrir brecha para as provocações, ao clima de decisão e muito menos à troca de insultos que dos fóruns de torcedores estúpidos na internet. Apesar da camisa que visto na foto ao lado, não estou com saudades dos tempos do Blog do Santinha. Longe disso!</p><p>O que pretendo mesmo é contar e compartilhar a experiência de ter testemunhado um Re-Pa, sem qualquer pretensão literária, sem sabor de crônica. Registrar para não esquecer.</p><p>Remo x Paysandu, se tornou mítico, quase misterioso, por obra e graça da mesmice da TV brasileira, que tenta, mas não consegue nos deixar todos com a mesma cara, com o mesmo sotaque, com as mesmas paixões e a mesma cor. O Re-Pa revela como a mídia consegue ampliar as distâncias dentro do mesmo País, consegue transformar duas torcidas tão apaixonadas e parecidas com as nossas em entidades estranhas, longínquas. Como se a Amazônia fosse dois quarteirões depois de marte e Barcelona ali na esquina.</p><p>Prova também como o Clube dos 13 faz parecer pequenos aqueles que continuam grandes nos corações dos seus torcedores.</p><p>Por tudo isso, sempre alimentei o desejo de assistir o clássico da Amazônia. Não sofro da pequenofobia, termo precioso que li há poucos dias numa crônica do jornalista <a href="http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/o-valor-da-alegria-e-o-jornalismo">Flávio Gomes</a>.</p><p>Fui ao Re-Pa arrastado pelo remista Felipe Pamplona, para desespero do querido Oscar, que, lá em Setúbal, ao saber das minhas intenções por telefone, fez de tudo para evitar que uma alma se perdesse: “Não, Inácio, não faça isso! Você é Santa Cruz, não tem cabimento você ir para a torcida do leão”.</p><p>Tentei acalmá-lo, explicando que não pretendia torcer por ninguém, apenas iria acompanhar meus amigos de camisa azul-escura. Uma bandeira vermelha-e-branca nas arquibancadas do Paysandu me impediu de manter a palavra.</p><p>Antes do compromisso, parada na casa de dona Vânia e seu Bebeto Pamplona. No terraço da casa dos pais de Felipe, nada de mistérios amazônicos. O que encontrei foi uma atmosfera conhecida de muitos e muitos domingos. Uma família ansiosa pelo clássico. Para amenizar a expectativa, pupunha e cerveja, travessas de comida e uns 78 tipos de doces para aliviar a tensão.</p><p>Não tive tempo sequer para ficar encabulado na casa alheia. Dona Vânia, ao saber de onde eu vinha, f oi logo perguntando sem me poupar: “Quem foi o filho-da-puta que fez aquela Ladeira da Misericórdia lá da tua cidade?”. Seu Bebeto, com a camisa da seleção do Suriname, tratou logo de lembrar a dor que nos unia: “Esse seu time é a mesma coisa do Remo”.</p><p>Foi fácil me sentir em casa na Marambaia, principalmente porque, entre os Pamplona, encontrei a mesma hospitalidade e a mesma alegria que, há mais de 20 anos, tantas vezes experimentei no jardim do bicolor Oscar e de dona Madalena, paraenses exilados em Recife há décadas, pais de meus amigos alvirrubros.</p><p>Sobre o encosto do sofá, camisas azul-escuro esperavam o momento certo de vestir a paixão. Perdi as contas de quantas vi e vivi essa mesma cena da casa de dona Rita e seu Aurílio, aos domingos, na Tamarineira. Mantos de cores diferentes, uns tão sagrados quanto os outros.</p><p>Horas depois, no Mangueirão (pense num estádio agradável e organizado), a PM revistando ou correndo atrás do pessoal das organizadas continuou a me lembrar meus domingos de futebol. Fora do estádio, misturados entre as duas fileiras de barracas da Cerpa, homens, mulheres e crianças de azul-claro e azul-escuro conviviam sem confusões nem provocações. E a certeza de que esse é, para valer, o espírito do futebol, seja lá onde for.</p><div class="addthis_toolbox addthis_default_style " addthis:url='http://www.caotico.com.br/re-pa/' addthis:title='Re-Pa '  ><a class="addthis_button_facebook_like" fb:like:layout="button_count"></a><a class="addthis_button_tweet"></a><a class="addthis_button_google_plusone" g:plusone:size="medium"></a><a class="addthis_counter addthis_pill_style"></a></div>]]></content:encoded> <wfw:commentRss>http://www.caotico.com.br/re-pa/feed/</wfw:commentRss> <slash:comments>1</slash:comments> </item> <item><title>Latitude 1º S, Longitude 48º O</title><link>http://www.caotico.com.br/diario-de-bordo-belem/</link> <comments>http://www.caotico.com.br/diario-de-bordo-belem/#comments</comments> <pubDate>Thu, 14 Apr 2011 02:56:11 +0000</pubDate> <dc:creator>Inácio França</dc:creator> <category><![CDATA[Leituras Caóticas]]></category> <category><![CDATA[Amazônia]]></category> <category><![CDATA[Belém]]></category> <category><![CDATA[escriba]]></category> <category><![CDATA[Olinda]]></category> <category><![CDATA[Pará]]></category> <category><![CDATA[Unicef]]></category> <category><![CDATA[viagens]]></category> <category><![CDATA[viver & escrever]]></category><guid isPermaLink="false">http://www.caotico.com.br/?p=1304</guid> <description><![CDATA[Estou em Belém. Já não sou gestor público, já não recebo comunicadores em busca de verba publicitária sem conseguir disfarçar as ameaças de quem usa o microfone ou a celulose como armas para extorquir. Já não assino empenhos nem ando às voltas com orçamentos. Já não carrego um celular funcional que toca sem parar, apesar [...]<div class="addthis_toolbox addthis_default_style " addthis:url='http://www.caotico.com.br/diario-de-bordo-belem/' addthis:title='Latitude 1º S, Longitude 48º O '  ><a class="addthis_button_facebook_like" fb:like:layout="button_count"></a><a class="addthis_button_tweet"></a><a class="addthis_button_google_plusone" g:plusone:size="medium"></a><a class="addthis_counter addthis_pill_style"></a></div>]]></description> <content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.caotico.com.br/wp-content/uploads/2011/04/praçadorelógio.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-1323" title="praçadorelógio" src="http://www.caotico.com.br/wp-content/uploads/2011/04/praçadorelógio.jpg" alt="" width="207" height="178" /></a>Estou em Belém.</p><p>Já não sou gestor público, já não recebo comunicadores em busca de verba publicitária sem conseguir disfarçar as ameaças de quem usa o microfone ou a celulose como armas para extorquir. Já não assino empenhos nem ando às voltas com orçamentos. Já não carrego um celular funcional que toca sem parar, apesar de nunca ter me sentido na obrigação de deixá-lo ligado em tempo integral.</p><p>Durante 10 anos vivi uma vida que não é a minha. Ou, pelo menos, uma vida que não queria viver, cercado de assuntos, documentos e tarefas que não me interessam. E, em alguns casos, até de pessoas que aprendi a não respeitar.</p><p>Sempre me senti atraído pela política, porém não demorei a descobrir que uma coisa é a política, outra, bem diferente, é o cotidiano asfixiante da administração pública.</p><p>E demorei bastante para descobrir que preciso escrever, pois é construindo e desconstruindo um texto quantas vezes forem necessárias para que as pessoas sintam alguma emoção em ler que me realizo.</p><p>Nesses últimos 10 anos foram poucas, raras, às vezes em que fui à exaustão de tanto escrever, experimentando durante ou depois desse cansaço uma sensação de plenitude, de que estou entregando o que tenho de melhor. Algo como um gozo. Ou a glória do goleiro que agarra o pênalti.</p><p>Agora que descobri, pretendo arranjar um jeito de viver disso.</p><p>Para saber se esse jeito existe, larguei o cargo público e aceitei um contrato de trabalho temporário no Pará, uma transição para aprender a viver de outra forma. O pára-quedas para esse meu salto será a criação de roteiros e a edição de vídeos, além de algumas peças impressas para um dos três escritórios amazônicos do Unicef.</p><p>Minhas hesitações, os vacilos, foram superados graças ao companheirismo de Geórgia, testemunha do meu desgaste de todos os dias.</p><p>Uma coisa, contudo, é pagar as contas em dia e sustentar três filhos. Outra é encontrar os caminhos para transformar o ato de escrever em profissão. Parece que é tudo igual, mas não é.</p><p>Longe da família, dos amigos e do Santa Cruz, terei tempo, que será usado com disciplina. Mesmo que não renda um tostão, atualizar o blog será encarado a partir de agora como um trabalho. Escrever os quase 30 capítulos do próximo livro sobre a poesia do Pajeú, outro trabalho. Ao menos, esse é remunerado.</p><p>Ler os 16 livros* que trouxe na mochila, mais um trabalho, afinal alguns desses volumes serão usados na preparação para a oficina de Jornalismo &amp; Literatura que irei oferecer quando voltar.</p><p>Por tudo isso, estou em Belém.</p><p>&#8212;&#8212;&#8212;</p><p>*Os livros que me acompanham são:</p><p><em>Entre sem bater</em>, de Marcos Rey devidamente devorado no avião e no primeiro dia na cidade.</p><p><em>Diário de uma expedição</em>, de Euclides da Cunha, leitura ainda no início.</p><p><em>Vida escritor</em>, de Gay Talese, cujo título torna óbvio o motivo.</p><p><em>Fama &amp; Anonimato</em>, também de Talese, numa edição de 1973 publicada sob outro título.</p><p><em>A vida breve</em>, de Juan Carlos Onetti, porque chegou a hora de conhecer mais um uruguaio.</p><p><em>Washington DC</em>, de Gore Vidal, faz parte do esforço para tentar entender os Estados Unidos.</p><p><em>A dança dos desejos, Opus 13</em>, de Esdras do Nascimento, leitor do Caótico que me enviou uma edição caprichada pelo correio.</p><p><em>Balada da praia dos cães</em>, de José Cardoso Pires, acho o título ótimo e estou curioso para conhecer a literatura do português.</p><p><em>Ensaio autobiográfico</em>, de Jorge Luís Borges, quem sabe não me animo a ler mais alguma coisa dele.</p><p><em>Jornalismo Literário, </em>de Gustavo de Castro, mais um para a oficina.</p><p><em>Histórias do Brasil Profundo</em>, de Márcio Moreira Alves, por indicação de Laércio Portela, com quem compartilho uma ideia que, por enquanto, é só ideia.</p><p><em>O anticristo</em>, de Frederick Nietzche, um pouco de filosofia para tentar entender minhas próprias convicções ou preconceitos.</p><p><em>A felicidade conjugal/O diabo</em>, de Lev Tolstoi, duas novelas de mais um russo arretado.</p><p><em>Um homem extraordinário e outras histórias</em>, de Anton Tchekov, outros contos do mestre da narrativa curta. Quem sabe eu aprendo alguma coisa?</p><p><em>A arte de escrever</em>, de Arthur Schopenhauer, mais filosofia e um título auto-explicativo.</p><p><em>Sinal vermelho</em>, de Georges Simenon, para conhecer o que ele escrevia sem Maigret.</p><p><strong>(a foto da praça do relógio, perto do Ver-o-peso, foi tomada emprestada do blog de <a href="http://waldirmanaia.blogspot.com/">Waldir Manaia</a>, motorista do Unicef em Belém, profissional do volante e amador da fotografia)</strong></p><p>&nbsp;</p><div class="addthis_toolbox addthis_default_style " addthis:url='http://www.caotico.com.br/diario-de-bordo-belem/' addthis:title='Latitude 1º S, Longitude 48º O '  ><a class="addthis_button_facebook_like" fb:like:layout="button_count"></a><a class="addthis_button_tweet"></a><a class="addthis_button_google_plusone" g:plusone:size="medium"></a><a class="addthis_counter addthis_pill_style"></a></div>]]></content:encoded> <wfw:commentRss>http://www.caotico.com.br/diario-de-bordo-belem/feed/</wfw:commentRss> <slash:comments>14</slash:comments> </item> <item><title>Judiciário e Mídia: duas faces do Poder e da corrupção</title><link>http://www.caotico.com.br/judiciario-e-midia-as-duas-faces-do-poder-e-da-corrupcao/</link> <comments>http://www.caotico.com.br/judiciario-e-midia-as-duas-faces-do-poder-e-da-corrupcao/#comments</comments> <pubDate>Thu, 16 Jul 2009 03:20:39 +0000</pubDate> <dc:creator>Inácio França</dc:creator> <category><![CDATA[Leituras Caóticas]]></category> <category><![CDATA[Belém]]></category> <category><![CDATA[Idelber Avelar]]></category> <category><![CDATA[Lúcio Flávio Pinto]]></category> <category><![CDATA[Maiorana]]></category> <category><![CDATA[Mídia]]></category> <category><![CDATA[O Liberal]]></category> <category><![CDATA[Pará]]></category> <category><![CDATA[Rede Globo]]></category><guid isPermaLink="false">http://www.caotico.com.br/?p=191</guid> <description><![CDATA[O texto abaixo foi enviado por uma amiga que mora em Belém e que me pediu para repercutir por aqui. A estruturas do poder no Pará são dominadas por madeireiros, contrabandistas, traficantes de droga e pistoleiros de aluguel a serviço dos três primeiros. A mídia local e o Poder Judiciário desempenham papéis complementares para a [...]<div class="addthis_toolbox addthis_default_style " addthis:url='http://www.caotico.com.br/judiciario-e-midia-as-duas-faces-do-poder-e-da-corrupcao/' addthis:title='Judiciário e Mídia: duas faces do Poder e da corrupção '  ><a class="addthis_button_facebook_like" fb:like:layout="button_count"></a><a class="addthis_button_tweet"></a><a class="addthis_button_google_plusone" g:plusone:size="medium"></a><a class="addthis_counter addthis_pill_style"></a></div>]]></description> <content:encoded><![CDATA[<p><strong><img class="size-full wp-image-192 alignleft" title="antenanorte-para4" src="http://www.caotico.com.br/wp-content/uploads/2009/07/antenanorte-para4.JPG" alt="antenanorte-para4" width="243" height="164" />O texto abaixo foi  enviado por uma amiga que mora em Belém e que me pediu para repercutir por aqui. A estruturas do poder no Pará são dominadas por  madeireiros, contrabandistas, traficantes de droga e pistoleiros de aluguel a serviço dos três primeiros. A mídia local e o Poder Judiciário desempenham papéis complementares para a manutenção desse poder.</strong></p><p><strong>Em conversas com colegas razoavelmente bem informados, que trabalham na Imprensa pernambucana, fico surpreso quando escuto alguns deles se referindo a decisões judiciais como resultado da neutralidade e da interpretação objetiva das leis. Como podem acreditar que um Poder tão hermético, blindado e inacessível pode ser mais &#8220;limpo&#8221; que o Executivo e o Legislativo, nos quais seus representantes precisam, ao menos, ser submetidos ao voto de vez em quando?</strong></p><p><strong>Com vocês, o texto de Idelber Avelar, do blog <a href="http://www.idelberavelar.com">Biscoito Fino e a Massa</a> sobre o jornalista Lúcio Flávio Pinto, que investigou as origens da fortuna e do poder da família Maiorana, proprietária do grupo de comunicação O Liberal, parceiros da Rede Globo no Pará.</strong></p><p>Prepare-se, caro leitor, para outro mergulho no Brasil profundo. Lúcio Flávio Pinto talvez seja hoje o jornalista mais respeitado e destemido da Região Norte. Ele é o solitário redator do Jornal Pessoal, empreitada independente, que não aceita anúncios, tem tiragem quinzenal de 2 mil exemplares e mesmo assim provoca um fuzuê danado entre os poderosos, dada a coragem com que Lúcio investiga falcatruas e crimes.</p><p>Lúcio já ganhou quatro prêmios Esso. Recebeu também dois prêmios da Federação Nacional dos Jornalistas em 1988, por suas matérias dedicadas ao assassinato do ex-deputado Paulo Fonteles e à violenta manifestação de protesto dos garimpeiros de Serra Pelada. Em 1997, ele recebeu o Colombe d’Oro per la Pace, um dos mais importantes prêmios jornalísticos da Itália. Em 1987,foi o jornalista que investigou o rombo de 30 milhões de dólares no Banco</p><p>da Amazônia, por uma quadrilha chefiada pelo presidente interino do bancoe procurador jurídico do maior jornal local, O Liberal.</p><p>Há 17 anos, os representantes paraenses da corja comandada pela família Marinho perseguem-no de forma implacável. Ronaldo Maiorana, dono (junto com seu irmão, Romulo Maiorana Jr.) do Grupo Liberal, afiliado à Rede Globo de Televisão, emboscou Lúcio por trás, num restaurante, espancou-o com a ajuda de dois capangas da Polícia Militar, contratados nas suas horas vagas e depois promovidos na corporação. O espancamento,crime de covardia inominável, só rendeu a Maiorana a condenação a doar algumas cestas básicas.</p><p>Alguns meses depois da agressão, Lúcio foi convidado pelo jornalista Maurizio Chierici a escrever um artigo para um livro a ser publicado na Itália. O texto , eminentemente jornalístico, relatava as origens do grupo Liberal. Em determinado momento, dentro de um contexto bem mais amplo, ele fez referência às atividades de Maiorana pai no contrabando,prática bem comum, aliás, na Região Norte na época. Como se pode depreender da leitura do artigo, nada ali tinha cunho calunioso, posto que – uma vez processado &#8211;, Lúcio anexou aos autos toda a documentação que provava a veracidade do que afirmava.</p><p>O obra investigativa de Lúcio fala por si própria: veja a qualidade da prosa e da pesquisa que informa o trabalho de Lúcio e julgue você mesmo. O que ele oferece em seus textos,entre muitas outras coisas, é a documentação, história e raízes daquilo que é sabido até mesmo pelos mosquitos do mercado Ver-o-Peso: que n&#8217;O Liberal só se publica aquilo que é de interesse da corja dos Marinho.</p><p>Mas eis que chega do Pará a estranha notícia de que o juiz Raimundo das Chagas, titular da 4ª vara cível de Belém, condenou Lúcio a pagar a soma de 30 mil reais aos irmãos Maiorana – representantes paraenses, lembrem-se, da organização comandada pelos Marinho. Lúcio também foi</p><p>condenado a pagar as custas processuais e os honorários advocatícios. A pérola de justificativa do juiz fala do “bom lucro” de um jornal artesanal, de tiragem de 2 mil exemplares por quinzena. Ainda por cima, o juiz proíbe Lúcio de usar “qualquer expressão agressiva, injuriosa, difamatória e caluniosa contra a memória do extinto pai dos requerentes e contra a pessoa destes”, o que constitui, segundo entendo, extrapolação característica de censura prévia contrária à Constituição Federal.</p><p>O juiz fundamenta sua decisão dizendo que Lúcio havia “se envolvido em grave desentendimento” com eles. É a velha praga do eufemismo: um espancamento pelas costas se transforma em “desentendimento”. A reação de Lúcio à sentença pode ser lida nesse texto.</p><p>O Biscoito se solidariza com Lúcio, coloca o site à disposição para o que for necessário &#8211; inclusive para a publicação de qualquer material objeto de censura prévia – e suspira de cansaço ao fazer outro post que mais parece autoplágio, dada a tediosa repetição desses absurdos. Resta a pergunta: até quando os Frias, Marinho, Civita, Mesquita e seus comparsas vão manter esse poder criminoso Brasil afora?</p><div class="addthis_toolbox addthis_default_style " addthis:url='http://www.caotico.com.br/judiciario-e-midia-as-duas-faces-do-poder-e-da-corrupcao/' addthis:title='Judiciário e Mídia: duas faces do Poder e da corrupção '  ><a class="addthis_button_facebook_like" fb:like:layout="button_count"></a><a class="addthis_button_tweet"></a><a class="addthis_button_google_plusone" g:plusone:size="medium"></a><a class="addthis_counter addthis_pill_style"></a></div>]]></content:encoded> <wfw:commentRss>http://www.caotico.com.br/judiciario-e-midia-as-duas-faces-do-poder-e-da-corrupcao/feed/</wfw:commentRss> <slash:comments>2</slash:comments> </item> </channel> </rss>
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