<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?> <rss version="2.0" xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/" xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/" xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/" xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom" xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/" xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/" ><channel><title>Caótico &#187; biografias</title> <atom:link href="http://www.caotico.com.br/tags/biografias/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" /><link>http://www.caotico.com.br</link> <description>Espaço de leituras,  histórias &#38; especulações &#124; Por Inácio França</description> <lastBuildDate>Wed, 08 Feb 2012 13:36:43 +0000</lastBuildDate> <language>en</language> <sy:updatePeriod>hourly</sy:updatePeriod> <sy:updateFrequency>1</sy:updateFrequency> <xhtml:meta xmlns:xhtml="http://www.w3.org/1999/xhtml" name="robots" content="noindex" /> <item><title>Mauá &#8211; Empresário do Império</title><link>http://www.caotico.com.br/maua-empresario-do-imperio/</link> <comments>http://www.caotico.com.br/maua-empresario-do-imperio/#comments</comments> <pubDate>Tue, 29 Jun 2010 13:31:05 +0000</pubDate> <dc:creator>Inácio França</dc:creator> <category><![CDATA[Loucos por livros]]></category> <category><![CDATA[Barão de Mauá]]></category> <category><![CDATA[biografias]]></category> <category><![CDATA[Brasil Império]]></category> <category><![CDATA[D. Pedro II]]></category> <category><![CDATA[ferrovia]]></category> <category><![CDATA[imperador]]></category> <category><![CDATA[Jorge Caldeira]]></category> <category><![CDATA[O Livro de Saladino]]></category> <category><![CDATA[Visconde de Mauá]]></category><guid isPermaLink="false">http://www.caotico.com.br/?p=786</guid> <description><![CDATA[O leitor Arsênio Meira Júnior entusiasmou-se com o Caótico e deu algumas sugestões para a publicação. Aproveitei o embalo do sujeito e propus a missão de escrever sobre uma de suas sugestões. Sem perceber que iria trabalhar de graça, ele topou na hora. O texto ficou grande e o autor recomendou que eu o cortasse, [...]<div class="addthis_toolbox addthis_default_style " addthis:url='http://www.caotico.com.br/maua-empresario-do-imperio/' addthis:title='Mauá &#8211; Empresário do Império '  ><a class="addthis_button_facebook_like" fb:like:layout="button_count"></a><a class="addthis_button_tweet"></a><a class="addthis_button_google_plusone" g:plusone:size="medium"></a><a class="addthis_counter addthis_pill_style"></a></div>]]></description> <content:encoded><![CDATA[<p><strong>O leitor Arsênio Meira Júnior entusiasmou-se com o Caótico e deu algumas sugestões para a publicação. Aproveitei o embalo do sujeito e propus a missão de escrever sobre uma de suas sugestões. Sem perceber que iria trabalhar de graça, ele topou na hora. O texto ficou grande e o autor recomendou que eu o cortasse, algo que não fiz por duas razões: preguiça e porque foi escrito com tanta paixão que o resultado ficou delicioso. Com vocês, a primeira contribuição de Arsênio para o Caótico.</strong></p><p>*****</p><p><strong><a href="http://www.caotico.com.br/wp-content/uploads/2010/06/mauá-o-empresário-do-império.jpg"><img class="alignright size-medium wp-image-787" title="mauá o empresário do império" src="http://www.caotico.com.br/wp-content/uploads/2010/06/mauá-o-empresário-do-império-251x350.jpg" alt="" width="147" height="204" /></a>por Arsênio Meira Júnior</strong></p><p>Não foi fácil para o garoto Irineu. Órfão aos cinco anos de idade, aos nove disse adeus involuntariamente para mãe e a única irmã na província do Rio Grande, ao embarcar num navio rumo à Capital do Império, numa época em que naufrágios eram tão comuns quanto os perdigotos que introduziam na população o bacilo de Koch, dizimando-a.</p><p>Mas é só ler a incrível história desse garoto, que você leitor, verá que ele se saiu muito bem. A biografia dele, escrita por Jorge Caldeira em 1995, é um desses livros definitivos. Únicos. Singulares. O rio de clichês se justifica, pois só assim não escrevo que o livro é duca&#8230;</p><p>Em <em>Mauá – Empresário do Império</em>, Jorge Caldeira trouxe-nos a vida do Barão e depois Visconde de Mauá, em tintas mais do que palatáveis.</p><p>O livro trata de economia, diplomacia, costumes, Colônia,  História, espionagem, estratégias, guerras, abolicionismo, revolução industrial, falência, intervenção estatal, Política, Imperadores, canalhas, agiotas, mercadores de homens, Estado, Império, Autocracia, coragem, evolução do crédito, corrupção, Adam Smith, desonra, glória, honra, eleições, ganância, inveja,  velhice e morte.</p><p>Claro que boiando nesse mar de tópicos tão variados, às vezes alguns peixes mortos podem surgir na praia, mas Caldeira não deixa o Leitor em paz.</p><p>Vejamos:</p><p>Irineu nasceu no distrito de Jaguarão, RS, em 28 de dezembro de 1813. Quando completou nove anos, sua mãe contraiu novas núpcias  e a condição imposta pelo novo manda-chuva &#8211;  comum à época &#8211; era não ter os filhos de casamento anterior morando sob o seu sacrossanto teto.</p><p>A solução foi achar um marido para a filha de 12 e mandar o menino de nove anos para o Rio de Janeiro. Quem o levou foi um tio, o mesmo que conseguiria o primeiro emprego para Irineu.</p><p>O nosso personagem passou a trabalhar e morar na casa de um comerciante português, onde rapidamente aprendeu tudo, tornando-se pessoa de confiança do patrão. Detalhe: não havia salário. Que se contentasse com a cama, a mesa e alguns caraminguás para os domingos.</p><p>Em 1829, o ano da virada: Irineu foi trabalhar com o importador e exportador inglês Richard Carruthers.</p><p>Este escocês sovina não só lhe ensinou sua língua pátria, contabilidade e a arte de comerciar, como dedicou-lhe um afeto sincero; contido, europeu, porém  afeto, ainda mais para quem foi arrancado à fórceps de casa, e sozinho, viu-se navegando mundo afora.</p><p>Carruthers era um solitário, um desses personagens míticos, que a seu modo frequentam o mundo com propósitos nítidos, e partem sem dizer Adeus.</p><p>Caldeira foi fundo, e não deixou trilha a ser desvendada. Irineu adquiriu o hábito das leituras sérias; aprendeu a arte de fazer contatos, iniciou-se ma maçonaria, penetrou nos clássicos da Economia. “A riqueza das Nações”, de Adam Smith, foi por ele devorado como hoje um adolescente devora um prato da nossa típica culinária junkie food.</p><p>No final de 1835, mal saído dos seus 22 anos, eis que o nosso herói vê o Chefe Carruthers reunir todos os funcionários para comunicar com simplicidade que ia pendurar as chuteiras. Que se cuidassem, pois pra ele bastava. Voltaria para a Inglaterra.</p><p>E quem assumiria o seu lugar? Indagaram os atônitos funcionários. Irineu Evangelista seria o novo acionista controlador. Aos 27 anos, o futuro Barão de Mauá, já bem posto, viajou até a Inglaterra.</p><p>Queira conhecer de perto e ao lado do velho Carruthers, a grande potência mundial, protagonista de uma Revolução que se iniciava e que mudaria o mundo. Visitando fábricas, fundições de ferro, conheceu a Ferrovia, a coqueluche do meio empresarial e político do momento. Foi amor à primeira vista.</p><p>Essa visão do país mais moderno do mundo abriu os olhos de Mauá para aquilo que ele gostaria que o Brasil fosse: apenas uma nação adiantada. Desde então seu sonho quase obsessivo foi criar no Brasil indústria e infra-estrutura modernas.</p><p>O garoto Irineu era um cego em terra de Reis, Senadores Vitalícios, Deputados e Vagabundos mil. Mas em 1845, o Barão tomou a dianteira do ousado empreendimento de construir os estaleiros da Companhia Ponta da Areia, com que iniciou a indústria naval brasileira.</p><p>Em plena ascensão como homem de negócios, não perdeu a chance de peitar o Imperador e toda a mentalidade vigente, que o queria subserviente, e ainda forneceu os recursos financeiros necessários à defesa de Montevidéu, quando o Governo Imperial decidiu intervir nas questões do Rio Prata, em 1850.</p><p>Da Ponta da Areia saíram os navios para as lutas contra Oribe, Rosas e Lopes.</p><p>Numa sincronia de amor e ódio, conseguiu a duras penas, junto ao venerando governo imperial, a concessão do fornecimento de tubos de ferro para a canalização do rio Maracanã, na cidade do Rio de Janeiro (1845).</p><p>Foi quando liquidou os interesses da Casa Carruthers. No  ano seguinte, com o aval do seu mentor e pai intelectual (o velho escocês), com quem continuou mantendo estreita relação – inclusive comercial &#8211; adquiriu uma pequena fundição situada na Ponta da Areia, em Niterói, na então Província do Rio de Janeiro. Imprimindo-lhe nova dinâmica empresarial, transformou-a em um estaleiro de construções navais.</p><p>Seu ideário casava-se bem com o laissez-faire<em> </em>da época e com os modismos renascidos no neoliberalismo, incluída a versão cabocla.</p><p>Como bem reitera Caldeira, sua expressão favorita &#8211; exibida por ele com orgulho e convicção &#8211; era: &#8220;Desgraçadamente entende-se que os empresários devem perder para que o negócio seja bom para o Estado, quando é justamente o contrário que consulta os interesses do país.&#8221;</p><p>Nesse período, o Estaleiro da Ponta da Areia já multiplicara por quatro o seu patrimônio inicial, tornando-se o maior empreendimento industrial do país, empregando mais de mil operários e produzindo navios, caldeiras para máquinas a vapor, engenhos de açúcar, guindastes, prensas, além de artilharia, postes para iluminação e canos de ferro para águas e gás.</p><p>Obviamente, não tardou e sua sagacidade despertou a ira dos brasileiros, ou por outra, da classe dirigente (rural e escravocrata, e portanto, vagabunda).</p><p>Mauá não tolerava essa gente. A recíproca era verdadeira. O Brasil era um reinado absolutista com regras tão imbecis quanto a que obrigava a infalibilidade do rei.</p><p>O problema é que, legalmente, o rei nunca poderia “falhar. Caso não quisesse ser julgado por lesa-majestade, o cidadão via-se obrigado a sentar no meio-fio, de pires nas mãos e chorar suas pitangas. Como dono do terreiro, D. Pedro II começou a se ver interessado pelas maravilhas do mundo moderno. Tinha fumaças de poeta, e enxergava em cada Papagaio, a redenção da fauna e da flora.</p><p>Entre outras coisas, decidiu que iria fazer uma estrada de ferro paralela à do Barão de Mauá com fretes mais baratos. Decidiu que o Banco do Brasil não iria mais conceder empréstimos para as empresas do Barão. E também decidiu que mudaria paulatinamente as regras de todo e qualquer negócio no império simplesmente porque ele podia.</p><p>E Caldeira relembra que D. Pedro II ficou conhecido por revezar seu apoio a liberais e conservadores com a mesma frequência de um bebedor nato de cerveja, acometido por incontinência urinária. Essa foi a tônica do seu reinado. Obviamente, o Barão haveria de cair em desgraça.</p><p>O detalhe peculiar é que, de acordo com os registros contábeis, a moratória do Barão se deveu a pesadas dívidas por parte de empresas estatais e estrangeiras.</p><p>Entre elas, a São Paulo Railway, que questionou uma dívida gigantesca absolutamente válida durante anos com o argumento de que<strong><em> </em></strong>“como era estrangeira, não poderia ser julgada em corte brasileira”.</p><p>O Poder Judiciário, “curiosamente”, mandou o Barão às favas, e deu ganho de causa aos ingleses. Leiam e vocês saberão ainda mais o poder letal da corrupção: capaz de aniquilar homens, mulheres e crianças numa só penada.</p><p>Ao invés de sair por aí esbravejando contra o Imperador (com razão), Irineu preferiu se retirar à sua casa em Petrópolis, pagar suas dívidas e tocar sua vida vendendo café. Mas de sua visão e perseverança saíram mais de setenta e dois navios em onze anos, entre os quais as embarcações brasileiras utilizadas nas intervenções platinas e as embarcações para o tráfego no rio Amazonas.</p><p>No final da década de 1850, o visconde funda o Banco Mauá, MacGregor &amp; Cia., com filiais em várias capitais brasileiras e em Londres, Nova York, Buenos Aires e Montevidéu.</p><p>Nessa conta, debitem um incêndio que destruiu seu estaleiro em 1857. Mas ele, mesmo caído, soube reinventar-se. Reconstruiu a fábrica sem importunar ninguém.</p><p>Porém, o Império contra-atacava.</p><p>Em 1863 entrou em vigor uma “lei” que isentava de tributos a entrada de navios construídos fora do país;  essa legislação custou a derrocada da empresa, mas não afetou os outros negócios do empresário.</p><p>A partir de então, dividiu-se entre as atividades de industrial e banqueiro. O homem não parou mais: Mauá trouxe a iluminação a gás da cidade do Rio de Janeiro (1851), a primeira estrada de ferro, da Raiz da Serra à cidade de Petrópolis RJ (1854), o assentamento do primeiro cabo submarino telegráfico entre o Brasil e a Europa (1874) e muitas outras iniciativas.</p><p>Em 1856, Irineu recebeu a concessão para construir a ferrovia Santos-Jundiaí. Seria um empreendimento grandioso que escoaria a crescente produção de café de São Paulo para o porto de Santos.</p><p>O café descia a Serra do Mar em lombo de burro. E todos os grandes cafeicultores, confiando seus bigodes, davam-se tapinhas nas costas, satisfeitos.</p><p>A nova empresa tinha sócios ingleses e lançou ações na bolsa de Londres. “Nunca antes na historia deste país”, alguém tinha tido a honra de ser notado pelo Barão Rothschild, o maior banqueiro do mundo. Foi ele o primeiro subscritor de ações. Não era pouca coisa.</p><p>O Barão de Rothschild, do alto dos seus 800 anos em finanças, entendeu o brasileiro, e deu-lhe crédito. A obra andaria devagar, dentre outros motivos, por falta de dinheiro e aos poucos, o banco de Mauá se tornou seu maior financiador. Irineu acabou vendendo suas ações, mas continuou a emprestar fundos para terminar a obra.</p><p>Em 1867, a ferrovia foi inaugurada e imediatamente começou a operar lucrativamente. Mas o visconde não conseguiu receber seus créditos e isso provavelmente foi primordial para a sua ruína.</p><p>Voltando ao princípio do fim: em 1875, viu-se obrigado a pedir moratória, a que se seguiu longa demanda judicial, derradeiro capítulo da biografia de grande empreendedor.</p><p>Após anos de ataques, a situação se complicou. O Barão de Mauá começou a liquidar todas suas empresas e bens pessoais para pagar suas dívidas. E olhem que da sua inteligência continental, não lhe faltaria engenho para escapar impune. Homem honrado, não queria deixar ninguém no prejuízo e não deixou.</p><p>Mas para quem navega um aviso: o fracasso financeiro da Mauá, a partir da decretação de sua falência,  não pertence ao rol do acaso nem a seus pretensos defeitos pessoais, tais como “imprudência”, “demasiadamente utópico”, ou ainda, “afoito nos negócios” e sim a uma sistemática asfixia movida pelo conservantismo da estrutura econômica e social em que viveu.</p><p><a href="http://www.caotico.com.br/wp-content/uploads/2010/06/caldeira.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-790" title="caldeira" src="http://www.caotico.com.br/wp-content/uploads/2010/06/caldeira.jpg" alt="" width="124" height="191" /></a>Jorge Caldeira (foto) aponta para uma sabotagem consciente, intuitivamente aplicada por uma sociedade tradicional que entendia ser a difusão das modernas relações de produção, das quais Mauá era o maior representante, uma pedra no meio do seu caminho lamacento.</p><p>Essa gente o via como desagregador e destruidor dos seus “nobres” intentos econômicos e sociais.</p><p>Balzac, retratando os costumes da sociedade francesa durante a restauração, criou um protótipo de pequeno burguês, rígido cumpridor de seus deveres. Quando vai à falência, o pobre César Birotteau não mede esforços para saldar até o último centavo do capital devedor. Não deixa de ser comovente. O boticário morre tendo às mãos a última promissória resgatada.</p><p>Essa dignidade típica da classe média vitoriana é assumida plenamente por Irineu Evangelista de Souza. Sua falência podia ser evitada com um empréstimo governamental, mas tal lhe foi negado.</p><p>Doente, minado pelo diabetes, só descansou depois de pagar todas as dívidas. Pagou tudo. Portanto, acalmem-se: não foi ele que inaugurou nossa indigência política e cultural (o famoso jeitinho brasileiro).  Foi , antes, uma vítima. Mais uma.</p><p>Ele bem que tentou, mas o Brasil perdeu o bonde da Revolução Industrial no século XIX e perdeu o jato da revolução tecnológica do século XX.</p><p>Aqui uma digressão: atribuo a degenerada supremacia do Estado à nossa formação da Contra-Reforma Católica, que fechou a Igreja e os Estados Católicos aos caminhos do mundo moderno da ciência, do liberalismo político e econômico. Mauá no século XIX fez das tripas corações, mas foi voto vencido.</p><p>O nome do título de Mauá vem do antigo nome do Porto de Estrela, que ficava ao lado do terminal da ferrovia arduamente construída por ele: a primeira fFerrovia do Brasil, inaugurada a30 de abril de 1854.</p><p>As fofocas da corte imperial interpretavam o nome do título como uma ironia do Imperador. À boca miúda dizia-se: “Barão de Mauá, porque algum mal, há.”</p><p><strong><em> </em></strong></p><p><strong><em> </em></strong>Como se vê, os asseclas, bajuladores e aspones já ditavam o ritmo parco de nossas vidas. Não mudou muito de lá pra cá.</p><p>O menino Irineu Evangelista de Souza morreu em Petrópolis, no dia 21 de outubro de 1889, sem dever um centavo a seu ninguém, neste país de malandros e proxenetas.</p><div class="addthis_toolbox addthis_default_style " addthis:url='http://www.caotico.com.br/maua-empresario-do-imperio/' addthis:title='Mauá &#8211; Empresário do Império '  ><a class="addthis_button_facebook_like" fb:like:layout="button_count"></a><a class="addthis_button_tweet"></a><a class="addthis_button_google_plusone" g:plusone:size="medium"></a><a class="addthis_counter addthis_pill_style"></a></div>]]></content:encoded> <wfw:commentRss>http://www.caotico.com.br/maua-empresario-do-imperio/feed/</wfw:commentRss> <slash:comments>8</slash:comments> </item> <item><title>Eu, jurado do Jabuti</title><link>http://www.caotico.com.br/eu-jurado-do-jabuti/</link> <comments>http://www.caotico.com.br/eu-jurado-do-jabuti/#comments</comments> <pubDate>Wed, 02 Dec 2009 01:05:54 +0000</pubDate> <dc:creator>Inácio França</dc:creator> <category><![CDATA[Elocubrações]]></category> <category><![CDATA[biografias]]></category> <category><![CDATA[Câmara Brasileira do Livro]]></category> <category><![CDATA[Força Expedicionária Brasileira]]></category> <category><![CDATA[Massaki Udihara]]></category> <category><![CDATA[prêmio Jabuti]]></category> <category><![CDATA[reportagem]]></category><guid isPermaLink="false">http://www.caotico.com.br/?p=523</guid> <description><![CDATA[Foi no final de 2002 que Edmundo me telefonou, lá de sua sala numa grande editora do Rio de Janeiro. 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Que é que tenho de fazer?</p><p>- Vou te indicar para ser jurado do Prêmio Jabuti. Vão te ligar dizendo os prazos e para combinar para onde mandar os livros.</p><p>- Rapá&#8230; será que eu tenho cacife para essa porra?</p><p>- Tem sim, é pra ser jurado da categoria Reportagem e Biografia, não é literatura, não. Moleza mesmo.</p><p>- Ah, então, tá.</p><p>Pouco tempo depois, uma moça da Câmara Brasileira do Livro realmente ligou, pegou meu endereço e disse que ia mandar a caixa de livros, além de correspondência com as regras do jogo.</p><p>Quando a transportadora chegou, minhas mãos estavam vermelhas de tanta esfregá-las de ansiedade, fiquei dias imaginando quais seriam as pérolas da pequena biblioteca entregue em domicílio.</p><p>Os livros vieram acompanhadas da relação com os títulos inscritos. Na primeira folheada que dei um por um, o tesão baixou. Tinha muita porcaria na tal caixa.</p><p>Dos 200 e poucos livros, salvavam-se uns 90, com muita tolerância. Tinha livro sobre santo padroeiro de cidade do interior, autobiografias de ex-prefeitos da caixa-prego e coletâneas de artigos publicadas em jornais sobre temas absolutamente irrelevantes.</p><p>Sem perder tempo nem dor na consciência, nos dias que se seguiram à chegada da famosa caixa, doei dezenas de livros para bibliotecas, presenteei vizinhos, porteiros, amigos secretos e outras vítimas inocentes da minha generosidade.</p><p>Mesmo assim, restavam mais de 80 livros concorrendo. Minha missão como jurado era lê-los em um mês e indicar os 10 melhores para a lista de finalistas.</p><p>É lógico que não li esses livros todos. Mesmo assim, fiz a tal lista dos top 10 no prazo determinado.</p><p>Para cumprir a missão, foi preciso estabelecer alguns critérios objetivos. A partir da premissa que o Jabuti premia o livro enquanto produto e não apenas a qualidade literária, o primeiro critério considerou as edições que eram, pelo menos, razoáveis, com informações técnicas mínimas, orelha e texto da última capa. A existência desses últimos dois itens era fundamental para que o segundo critério de seleção pudesse ser adotado, afinal, como eu iria ler as orelhas se elas não existissem?</p><p>O monte de livros caiu para uns 50. Então, me danei a ler as orelhas. E os textos da última capa também, afinal não sou tão negligente assim.</p><p>Depois dessa, digamos, leitura dinâmica, fiquei com de 15 a 18 livros em condições de chegar a lista dos 10 mais. Comecei a lê-los e decidi que, se não conseguisse chegar à página 20, o livro estaria automaticamente eliminado.</p><p>Desses todos, só lembro de quatro livros.</p><p>Desses, uma era a biografia sobre uma puta e cafetina chamada Eny, famosa pelo seu bordel numa cidade do interior de São Paulo, Bauru, se não estou redondamente enganado. Livro bem editado, jeitoso e de leitura saborosa.</p><p>Outro que estava lista uma biografia sobre Fidel Castro, um tijolo em dois volumes, muito mal escrito e com ar de biografia chapa-branca, mas com o mérito de ter informações e imagens inéditas de Fidel. Esses dois acabaram premiados na lista final do prêmio, com três vencedores.</p><p>O livro sobre Eny dei de presente para alguém, não valia a pena ocupar espaço na estante com ele. Já a biografia de Fidel, Sergio Miguel nunca me devolveu.</p><p>Os outros dois livros que ficaram na memória eram os melhores. Um deles era sobre um embaixador brasileiro na Europa que, desobedecendo a orientação do governo Vargas, distribuía vistos para livrar judeus, ciganos e comunistas da perseguição dos nazistas e fascistas, salvando a vida de muita gente que conseguiu entrar no Brasil.</p><p>Meu outro favorito se chamava <em>Um médico brasileiro no front</em>, diário de guerra escrito por um jovem médico nisei chamado Massaki Udihara durante a campanha do exército brasileiro na Itália. Depois que Udihara morreu, no final dos anos 90, sua família encontrou os diários e entregou à antiga Faculdade Paulista de Medicina, que resolveu publicá-los. Udihara desmascara a incompetência, o amadorismo e a burrice dos comandantes brasileiros da Força Expedicionária.</p><p>Minha experiência como jurado me revelou a importância relativa desses prêmios. Para começar, como é que se aceita como jurado um jornalista como eu, sem nenhum livro publicado? E os prazos, então? Quem estabelece um mês para a análise de centenas de concorrentes sabe que só as orelhas serão esmiuçadas, isso no caso de haver orelhas.</p><p>Então, se você ganhou um prêmio Jabuti, deixe de goga, que isso não é essa coca-cola toda, não. Se não ganhou, anime-se, seu livro pode ter sido vítima de gente como eu, sem tempo livre, porém com a imaginação fértil.</p><div class="addthis_toolbox addthis_default_style " addthis:url='http://www.caotico.com.br/eu-jurado-do-jabuti/' addthis:title='Eu, jurado do Jabuti '  ><a class="addthis_button_facebook_like" fb:like:layout="button_count"></a><a class="addthis_button_tweet"></a><a class="addthis_button_google_plusone" g:plusone:size="medium"></a><a class="addthis_counter addthis_pill_style"></a></div>]]></content:encoded> <wfw:commentRss>http://www.caotico.com.br/eu-jurado-do-jabuti/feed/</wfw:commentRss> <slash:comments>9</slash:comments> </item> <item><title>O Anjo Pornográfico</title><link>http://www.caotico.com.br/o-anjo-pornografico/</link> <comments>http://www.caotico.com.br/o-anjo-pornografico/#comments</comments> <pubDate>Thu, 15 Oct 2009 12:12:03 +0000</pubDate> <dc:creator>Inácio França</dc:creator> <category><![CDATA[Leituras Caóticas]]></category> <category><![CDATA[A Vida Como Ela É]]></category> <category><![CDATA[biografias]]></category> <category><![CDATA[crônicas]]></category> <category><![CDATA[Nélson Rodrigues]]></category> <category><![CDATA[O Casamento]]></category> <category><![CDATA[Rio de Janeiro]]></category> <category><![CDATA[Ruy Castro]]></category><guid isPermaLink="false">http://www.caotico.com.br/?p=422</guid> <description><![CDATA[O autor que mais li foi Nélson Rodrigues. Tenho um orgulho danado de conhecer praticamente toda a obra dele, tanto o que foi reeditado pela Companhia das Letras nos anos 90, em livros de capas coloridas, quanto o teatro completo da Nova Aguilar em papel-bíblia, coisa fina. A coleção da Cia. das Letras foi puxada [...]<div class="addthis_toolbox addthis_default_style " addthis:url='http://www.caotico.com.br/o-anjo-pornografico/' addthis:title='O Anjo Pornográfico '  ><a class="addthis_button_facebook_like" fb:like:layout="button_count"></a><a class="addthis_button_tweet"></a><a class="addthis_button_google_plusone" g:plusone:size="medium"></a><a class="addthis_counter addthis_pill_style"></a></div>]]></description> <content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignright size-medium wp-image-423" title="nelson_anjo" src="http://www.caotico.com.br/wp-content/uploads/2009/10/nelson_anjo-251x350.jpg" alt="nelson_anjo" width="117" height="164" />O autor que mais li foi Nélson Rodrigues. Tenho um orgulho danado de conhecer praticamente toda a obra dele, tanto o que foi reeditado pela Companhia das Letras nos anos 90, em livros de capas coloridas, quanto o teatro completo da Nova Aguilar em papel-bíblia, coisa fina.</p><p>A coleção da Cia. das Letras foi puxada pelo sucesso comercial de <em>O Anjo Pornográfico</em>, a biografia escrita por Ruy Castro, que ressuscitou Nélson e era uma leitura quase obrigatória para os metidos a sabichões dos idos de 1992. Quem não leu, dizia que tinha lido.</p><p>Eu só li a biografia ano passado, nos dias em que fiquei de molho depois da vasectomia que pôs fim a uma bem sucedida carreira de reprodutor. O que me impulsionou a me arremessar de cabeça na obra de Nélson foi o primeiro volume da tal coleção, o romance <em>O Casamento</em>, um livro que me deixou de queixo caído. Não imaginava ser possível tanta crueza, tanta força e tanta intensidade em páginas impressas.</p><p>Quem me apresentou a esse livro foi Édson, um dos subeditores na editoria de Polícia do finado Diário Popular. Carioca criado no subúrbio de Marechal Hermes, louco pelas coisas que Nélson escrevia desde os tempos em que o conheceu em alguma redação do Rio, ele me deu o primeiro volume da coleção de reedições. Lembro que estávamos perto do fechamento do jornal, já de noite, quando ele me empurrou o livro<em> </em>de capa verde-clara com uma frase bem meiga do tipo: “Lê essa porra! Esse filho-da-puta é do caralho”. Édson é assim, um doce.</p><p>Nessa época, era <em>O Anjo&#8230; </em>que estava nas páginas dos cadernos de “cultura” dos jornalões, era Ruy Castro que dava entrevista no Fantástico, mas depois de ler <em>O Casamento </em>decidi que só iria abrir a biografia depois de ler tudo que caísse em minhas mãos com a assinatura de Nélson Rodrigues. Não sei exatamente a razão disso, acho que foi para fazer de conta que não me deixava enganar por modismos. Frescura. Mais uma.</p><p>De todo jeito, depois de ler o primeiro livro da coleção, devorei com ansiedade tudo que foi lançado nos dois ou três anos seguintes, <em>Engraçadinha, Confissões, A Vida como ela é, À Sombra das Chuteiras Imortais&#8230;</em>. Sempre que uma das edições chegava à livraria da editora Brasiliense na rua Barão de Itapetininga, no centrão de São Paulo, um vendedor baixinho e gente fina chamado Rubens me ligava. O telefonema era um chamado para que eu fugisse da redação do Diário e voltasse rapidinho, com o livro novo na sacola.</p><p>Devo ter enchido a paciência da minha mulher, pois lia em voz alta trechos que tinham acabado de me encantar, repetia frases marcantes, essas coisas de tiete.</p><p>Se tivesse lido a biografia antes, teria sido pior.</p><p>Ruy Castro come a bola contando a história da vida de Nélson. Além de escrever de forma a não deixar o leitor parar nem para respirar, ele contextualiza todos os momentos da vida do biografado, detalhando o ambiente familiar e urbano no qual ele cresceu, reconstruindo a força das relações entre os irmãos, entre pai e filhos, sem deixar escapar nadada conjuntura da primeira metade do século XX e de como os Rodrigues circulavam na sociedade ou entre as forças políticas</p><p>A leitura de <em>O Anjo Pornográfico </em>me ajudou a entender um pouco melhor meu próprio interesse pela literatura de Nélson, a quem chamo pelo primeiro nome, por conta da intimidade gerada depois de tantas leituras. Mais do que o desnudamento das entranhas da classe média, o que me atrai mesmo em sua obra é a intensidade com que ele desnudou suas próprias taras e fragilidades.</p><p>Mais do que as traições e sacanagens alheias, ele transforma em linguagem as suas traições, reais ou imaginárias, as taras que poucos têm coragem de compartilhar, só gente corajosa e verdadeira como ele. E quando fala de si mesmo, consegue atingir uma sociedade inteira, consegue tirar o lençol de símbolos e discursos que colhe igrejas, famílias, clubes recreativos, teatro, televisão. Pelo menos, foi isso que fiquei pensando depois de ler o livro de Castro (com ele não tenho intimidade, aí uso o sobrenome).</p><p>O fato de Nélson ser católico, conservador e reacionário assumido o torna ainda mais interessante e complexo. Afinal, seria meio redundante o sujeito revelar suas taras (e, em conseqüência, a dos outros) o tempo todo e ser também esquerdista, libertário. Creio que o conservadorismo era seu porto seguro, seu vínculo com o mundo em que foi criado.</p><p>Além do mais, era um reacionário honesto, culto e inteligente, com um amplo arsenal de ironias e sarcasmos. Os reacionários do século XXI, moralistas, hipócritas e com escassa leitura, não aprenderam coisa nenhuma com Nélson Rodrigues.</p><p>Para mim, Nélson Rodrigues é um dos autores mais importantes da língua portuguesa, pelo menos do português falado nos grandes centros urbanos brasileiros, traduzidos por ele com paixão e sem pudor. <em>O Anjo&#8230;</em> é importante porque tenta traduzir o tradutor.</p><p><strong>Sobre o escritor: Ruy Castro e as vidas alheias</strong></p><p><img class="alignnone size-medium wp-image-424" title="ruy_castro" src="http://www.caotico.com.br/wp-content/uploads/2009/10/ruy_castro-325x350.jpg" alt="ruy_castro" width="186" height="201" /></p><p>Ruy Castro foi repórter de todos os grandes jornais cariocas. Sem medo do imprevisível e das surpresas que as ruas oferecem, dá para perceber a alma de bom repórter nas biografias que escreve (Nélson Rodrigues, Garrincha e Carmem Miranda,  gente que ajudou a definir o País). Ele se define como um sujeito que não tempo para escrever romances porque está muito ocupado para prestar atenção na vida alheia.</p><ul><li><a href="http://www.digestivocultural.com/entrevistas/entrevista.asp?codigo=4"><strong>Conheça mais sobre Ruy Castro lendo essa entrevista no site Digestivo Cultural</strong></a></li><li><a href="http://www.rabisco.com.br/60/nelson_rodrigues.htm"><strong>Clique aqui para ler uma resenha sobre <em>O Anjo Pornográfico </em>no site Rabisco</strong></a></li><li><a href="http://www.releituras.com/nelsonr_bio.asp"><strong>Para ler mais sobre Nélson Rodrigues, clique aqui e leia o site Releituras</strong></a></li></ul><div class="addthis_toolbox addthis_default_style " addthis:url='http://www.caotico.com.br/o-anjo-pornografico/' addthis:title='O Anjo Pornográfico '  ><a class="addthis_button_facebook_like" fb:like:layout="button_count"></a><a class="addthis_button_tweet"></a><a class="addthis_button_google_plusone" g:plusone:size="medium"></a><a class="addthis_counter addthis_pill_style"></a></div>]]></content:encoded> <wfw:commentRss>http://www.caotico.com.br/o-anjo-pornografico/feed/</wfw:commentRss> <slash:comments>7</slash:comments> </item> </channel> </rss>
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