<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?> <rss version="2.0" xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/" xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/" xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/" xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom" xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/" xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/" ><channel><title>Caótico &#187; Centro Cultural Banco do Brasil</title> <atom:link href="http://www.caotico.com.br/tags/centro-cultural-banco-do-brasil/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" /><link>http://www.caotico.com.br</link> <description>Espaço de leituras,  histórias &#38; especulações &#124; Por Inácio França</description> <lastBuildDate>Wed, 08 Feb 2012 13:36:43 +0000</lastBuildDate> <language>en</language> <sy:updatePeriod>hourly</sy:updatePeriod> <sy:updateFrequency>1</sy:updateFrequency> <xhtml:meta xmlns:xhtml="http://www.w3.org/1999/xhtml" name="robots" content="noindex" /> <item><title>Pelo Centro das nossas desatenções</title><link>http://www.caotico.com.br/pelo-centro-das-nossas-desatencoes/</link> <comments>http://www.caotico.com.br/pelo-centro-das-nossas-desatencoes/#comments</comments> <pubDate>Sat, 31 Oct 2009 15:50:34 +0000</pubDate> <dc:creator>Inácio França</dc:creator> <category><![CDATA[Elocubrações]]></category> <category><![CDATA[Antônio Torres]]></category> <category><![CDATA[Bar Luiz]]></category> <category><![CDATA[Centro Cultural Banco do Brasil]]></category> <category><![CDATA[centro do Rio]]></category> <category><![CDATA[Lapa]]></category> <category><![CDATA[Praça XV]]></category> <category><![CDATA[Rio de Janeiro]]></category><guid isPermaLink="false">http://www.caotico.com.br/?p=464</guid> <description><![CDATA[Tinha apenas 22 anos quando tive de arriscar a vida longe de casa. 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A opção por São Paulo foi menos por critérios econômicos ou estratégicos que afetivos, por conta dos inúmeros primos de minha mãe que viviam e ainda vivem por lá.</p><p>Fui feliz em São Paulo por quatro anos. Conheci minha primeira mulher numa festa no Butantã, meu filho Pedro nasceu perto do Ibirapuera. Morei no Cambuci. Fui a jogos no Morumbi, Pacaembu, Canindé e Parque Antártica. Trabalhei com um raro gênio do jornalismo, Jorge de Miranda Jordão, que fazia um jornal diferente de todos esses que hoje são vendidos nas bancas. Aliás, qualquer dia eu conto as histórias de Miranda que, por sinal, é carioca.</p><p>Minha felicidade era um paradoxo, pois achava insuportável viver em São Paulo. Sempre que dava, pegava o ônibus e passava fim-de-semana no Rio. Era como voltar ao Brasil. Tomei muita cerveja em Marechal Hermes, subúrbio em que meu subeditor Édson, o sujeito que me apresentou ao <a href="http://www.caotico.com.br/o-anjo-pornografico/">universo de Nélson Rodrigues</a>, tinha um apartamento. Vivi um inesquecível reveillon de 1993 em Marechal. Também andei muito pela Vila Isabel e Santa Tereza, onde minha amiga Carlinha vivia, na mesma rua onde morou Manoel Bandeira.</p><p>Depois de alguns anos, fui ao Rio nessa semana que acabou de acabar. Fiz algo que sempre tive vontade de fazer na cidade que já foi capital do Império e da República: perambular pelo tempo. Porque andar pelas ruas do centro do Rio é o mesmo que dar idas e voltas por 400 anos de história.</p><p>E desta vez, de mãos dadas com Geórgia, caminhei mais do que bebi.</p><p>Nas vezes anteriores, sempre passava pelas ruas do centro, mas tinha consciência de que estava perdendo alguma coisa. Tive certeza disso quando me caiu às mãos um livrinho chamado <a href="http://www.antoniotorres.com.br/entrevista3.html"><em>Centro das Nossas Desatenções</em>, do baiano Antônio Torres,</a> que o escreveu sob encomenda da prefeitura do Rio e da editora Relume Dumará.</p><p>Para atender à encomenda, Torres andou muito pelo centro do Rio e contou o que sentiu nessas encaminhadas, encontrando capítulos inteiros da História do Brasil por todos os cantos. Torres interrompeu o processo de criação de outro livro porque curtiu muito a &#8220;viagem&#8221; de imaginar o clima dos séculos anteriores pelas ruas por onde passava.</p><p>Na verdade, há mais do que história nas ruas do Rio. Num trecho de, no máximo, 200 metros há mais poesia, vida e surpresas do que posso descrever com palavras. Seguia em marcha acelerada para almoçar salsichas e costela de porco no Bar Luiz (foto lá em cima) quando encontrei a Travessa das Belas Artes, minúscula, estreita, com palmeiras plantadas em jarros na calçada do lado direito.</p><p><img class="alignright size-medium wp-image-465" title="barImperatrizLeopoldina" src="http://www.caotico.com.br/wp-content/uploads/2009/10/barImperatrizLeopoldina-262x350.jpg" alt="barImperatrizLeopoldina" width="134" height="180" />Sem objetivo ou razão, dobrei à direita na Belas Artes, depois à esquerda na rua Imperatriz Leopoldina, onde na esquina da rua Luís de Camões, conheci Raimundo no balcão de um boteco cujo nome esqueci de anotar. Pouco importa o nome do bar, importa sim Raimundo, satisfeitíssimo em explicar a decoração do bar para o casal de turistas curiosos. Sob nossas cabeças balançavam uma carapaça de tatu-canastra, chifres de carneiro, caveira de boi, peneira de fritura enferrujada, cabeça de bode, celular tijolão da Motorola, bandeira do Brasil, chapéu de corno e outras dezenas de coisas inúteis. Raimundo é cearense e fala com o sotaque de sua terra.</p><p>No lado oposto do centro, a poesia, a beleza e a história precisam dividir espaço com um horroroso viaduto que passa bem no meio da praça XV. Até aí tudo bem, quantas outras praças nas capitais brasileiras não foram derrotadas por viadutos horrorosos?</p><p>O problema é que a praça XV não é qualquer praça. Foi ali que desembarcou dom João VI e sua corte, fugindo da guerra na Europa e instalando na América a capital do Império Português. Na praça XV está o Paço Imperial, o palácio onde morou dom Pedro II e a estação das barcas que atravessam a baía rumo a Niterói, Paquetá e Cocotá, que não sei onde é nem do que se trata.</p><p>Parece que a vitória do viaduto, ou seja, do carro, é temporária. A prefeitura está anunciando que vai derrubar o bicho e devolver a paisagem aos cariocas, ou melhor, aos brasileiros. Só acredito depois de pronto. Por questão de justiça histórica, deviam exumar os restos mortais do prefeito estúpido que construiu aquela porcaria e jogar os ossos no lixão. Seria um bom exemplo para os demais.</p><p>A poucos metros do Paço Imperial, existe uma ruela chamada Travessa do Comércio, encimada por um arco, o Arco dos Telles,  única coisa que escapou de um incêndio na casa desse pessoal. A travessa acaba em outro beco, a rua do Rosário, onde é possível comprar chapéus Panamá legítimos numa barbearia. Esse é o caminho para o Centro Cultural Banco do Brasil, onde funcionou a sede do Banco criado por dom João.</p><p>Pois bem, nesse Centro Cultural adolescentes dos colégios públicos, comerciários no horário do almoço, eu e minha mulher, assistimos a um show ao meio-dia-e-meia. Por seis reais (estudantes pagam a metade) escutamos a voz cristalina da senhorita Nina Becker e a Banda do Amor.  Tava bem acompanhada a cantora.</p><p>Ah, e a paisagem humana? Os cariocas são arrogantes, metidos a besta como reza a lenda? Deve haver muitos assim, como aqui no Recife, onde acreditamos que o Capibaribe e o Beberibe se juntam para formar o Oceano Atlântico.</p><p>Na maioria dos lugares por onde passei, nesta e nas visitas anteriores, o que encontrei foi gentileza, simpatia e a tranqüilidade de quem se acostumou a escutar idiomas e sotaques de todos os lugares do mundo. É bem verdade que na famosa Capela, na Lapa, um garçom espertalhão tentou nos empurrar um cordeiro completo, mesmo sabendo que a metade do prato seria o suficiente para o casal. Aliás, cordeiro por cordeiro, em Petrolina dá para comer coisa melhor.</p><p>Mas foi na porta da Sala Baden Powell, em Copacabana, que uma senhora nos ofereceu dois convites que estavam sobrando em sua bolsa, nos proporcionando inteiramente grátis um show do percussionista Marco Lobo e da cantora Maria Gadu.</p><p>No dia seguinte, na rua Regente Feijó, a caminho do Saara (o bairro de São José de lá, só que mais limpo e organizado), paramos para escutar uma música que vinha de dentro de uma oficina de equipamentos de som. Um senhor que ia subindo a escadinha na lateral da oficina, parou, exibiu um largo sorriso, com voz mansa disse que também gostava muito daquela música e deu a dica de que dava para comprar o CD pirata nos camelôs da rua. Ficamos ali, conversando sobre a beleza da voz.</p><p>Por essas pequenas descobertas, acredito que se, aos 22 anos, eu tivesse ido parar no Rio e não em São Paulo, provavelmente jamais teria voltado para o Recife. Mas, como diz o velho Lúcio França, meu pai, com toda sua veia poética, &#8220;se&#8221; minha mãe tivesse uma carreira de peitos seria uma porca.</p><p>Para quem não pode ou não queira bater perna pelas ruas do Rio, recomendo o livrinho de Antônio Torres, mas acho que só dá para encontrar nos sebos, e olhe lá.</p><div class="addthis_toolbox addthis_default_style " addthis:url='http://www.caotico.com.br/pelo-centro-das-nossas-desatencoes/' addthis:title='Pelo Centro das nossas desatenções '  ><a class="addthis_button_facebook_like" fb:like:layout="button_count"></a><a class="addthis_button_tweet"></a><a class="addthis_button_google_plusone" g:plusone:size="medium"></a><a class="addthis_counter addthis_pill_style"></a></div>]]></content:encoded> <wfw:commentRss>http://www.caotico.com.br/pelo-centro-das-nossas-desatencoes/feed/</wfw:commentRss> <slash:comments>11</slash:comments> </item> </channel> </rss>
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