<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?> <rss version="2.0" xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/" xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/" xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/" xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom" xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/" xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/" ><channel><title>Caótico &#187; Circunavegação</title> <atom:link href="http://www.caotico.com.br/tags/circunavegacao/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" /><link>http://www.caotico.com.br</link> <description>Espaço de leituras,  histórias &#38; especulações &#124; Por Inácio França</description> <lastBuildDate>Wed, 08 Feb 2012 13:36:43 +0000</lastBuildDate> <language>en</language> <sy:updatePeriod>hourly</sy:updatePeriod> <sy:updateFrequency>1</sy:updateFrequency> <xhtml:meta xmlns:xhtml="http://www.w3.org/1999/xhtml" name="robots" content="noindex" /> <item><title>Maluco</title><link>http://www.caotico.com.br/maluco/</link> <comments>http://www.caotico.com.br/maluco/#comments</comments> <pubDate>Thu, 09 Jul 2009 10:05:04 +0000</pubDate> <dc:creator>Inácio França</dc:creator> <category><![CDATA[Leituras Caóticas]]></category> <category><![CDATA[bufão]]></category> <category><![CDATA[Circunavegação]]></category> <category><![CDATA[Fernão de Magalhães]]></category> <category><![CDATA[Maluco]]></category> <category><![CDATA[Napoléon Ponce de León]]></category> <category><![CDATA[Uruguai]]></category> <category><![CDATA[Viagem de Circunavegação]]></category><guid isPermaLink="false">http://www.caotico.com.br/?p=164</guid> <description><![CDATA[Nos livros de História da escola &#8211; pelo menos no meu tempo – a viagem de Fernão de Magalhães era citada rapidinho no finalzinho do capítulo das Grandes Descobertas. 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Cabral e Colombo eram tratados pelos autores como o Maradona e o Pelé das Navegações. Vasco da Gama e Américo Vespúcio eram o Garrincha e o Puskas.</p><p>No meio de tantas feras, sobrou pouca fama para Magalhães na posteridade. Durante séculos, ele ficou lá no cantinho da história, meio sem prestígio. Como a viagem de circunavegação aconteceu quando os europeus já tinham o mundo quase todo mapeado e só os mais velhos continuavam acreditando na besteira de que a Terra era quadrada, Magalhães acabou virando nota de pé de página.</p><p>Pra piorar as coisas pra memória do navegador português, quando fizeram o Canal do Panamá, em 1914, o caminho da Europa para o Pacífico foi encurtado e a rota pelo Estreito de Magalhães acabou abandonada. Hoje, só os aventureiros mais doidos e um ou outro barco baleeiro se arriscam a enfrentar as ondas gigantescas, os ventos gelados e o labirinto de ilhas no extremo sul da América do Sul.</p><p>Foi o livro de Zweig quem reafirmou a dimensão heróica  de Magalhães.</p><p>Depois, em 1989, o uruguaio Napoleón Baccino Ponce de Leon, publicou seu <em>Maluco – O Romance dos Descobridores</em>, prêmio Casa de Las A méricas daquele ano.</p><p>Li <em>Maluco </em>em 1992 (sei disso porque costumo anotar nas páginas iniciais de cada livro o local e a data em que terminei a leitura, mania que só agora tem alguma utilidade). Ignorante, nem imaginava que existia Stefan Zweig, quanto mais o livro dele.</p><p>Continuando, li e me diverti com a narrativa do bufão, o bobo-da-corte, Juanillo, um personagem fictício que acompanhou a frota e teria sido um dos sobreviventes da circunavegação.</p><p>A ideia do bufão, que se torna escriba, subverte a hierarquia. Na ficção do uruguaio, a história é contada por um subalterno e não por um escriba oficial, submetido à censura da corte e à linguagem formal da época.</p><p>Além do aspecto subversivo, a história é engraçada e o narrador ironiza os acontecimentos a partir da ótica de quem testemunha os acontecimentos do andar de baixo, ignorado pelos oficiais.</p><p>Lembro que eu ri muito enquanto avançava na leitura. Já não lembro do quê exatamente eu ri, mas recordo que – em linhas gerais – os espanhóis estavam interessados no lucro, Magalhães em provar que o mundo era redondo.</p><p>Quando encontrei <em>O Homem e sua Façanha</em>, encontrei também várias passagens que serviram de base para a ficção de Ponce de Leon. E pude comparar um bom livro, cheio de humor, com um livro de um escritor mais ambicioso, que utilizou mais recursos técnicos (ou intelectuais) para construir sua obra.</p><p>Se eu fosse arriscar outra metáfora, diria que <em>Maluco </em>é um vinho branco, doce. <em>Fernão de Magalhães</em>, um encorpado cabernet sauvignon.</p><p><strong>Sobre  o escritor</strong></p><div id="attachment_166" class="wp-caption alignnone" style="width: 170px"><img class="size-full wp-image-166" title="PoncedeLeon" src="http://www.caotico.com.br/wp-content/uploads/2009/07/PoncedeLeon.jpg" alt="PoncedeLeon" width="160" height="236" /><p class="wp-caption-text">Única foto que encontrei de Ponce de León no Google</p></div><p>Napoleón Baccino Ponce de León nasceu em 1947 e vive em Montevidéu também é crítico literário. Quase desconhecido no Brasil, é um intelectual respeitado no restante da América Latina. Vão se acostumando: escritores uruguaios serão arroz-de-festa aqui no Caótico.</p><ul><li><a href="http://www.millarch.org/artigo/maluco-uma-cronica-da-circunavegacao-da-terra">Crônica publicada em 1992 no jornal Estado do Paraná</a></li><li><a href="http://www.ucm.es/info/especulo/numero31/maluco.html">Trabalho acadêmico de Geysa Silva, da Universidade Vale do Rio Verde</a></li></ul><div class="addthis_toolbox addthis_default_style " addthis:url='http://www.caotico.com.br/maluco/' addthis:title='Maluco '  ><a class="addthis_button_facebook_like" fb:like:layout="button_count"></a><a class="addthis_button_tweet"></a><a class="addthis_button_google_plusone" g:plusone:size="medium"></a><a class="addthis_counter addthis_pill_style"></a></div>]]></content:encoded> <wfw:commentRss>http://www.caotico.com.br/maluco/feed/</wfw:commentRss> <slash:comments>2</slash:comments> </item> <item><title>Fernão de Magalhães, o Homem e sua Façanha</title><link>http://www.caotico.com.br/fernao-de-magalhaes-o-homem-e-sua-facanha/</link> <comments>http://www.caotico.com.br/fernao-de-magalhaes-o-homem-e-sua-facanha/#comments</comments> <pubDate>Tue, 07 Jul 2009 09:54:55 +0000</pubDate> <dc:creator>Inácio França</dc:creator> <category><![CDATA[Leituras Caóticas]]></category> <category><![CDATA[Alberto Dines]]></category> <category><![CDATA[Circunavegação]]></category> <category><![CDATA[Fernão de Magalhães]]></category> <category><![CDATA[Petrópolis]]></category> <category><![CDATA[Stefan Zweig]]></category><guid isPermaLink="false">http://www.caotico.com.br/?p=156</guid> <description><![CDATA[No final dos anos 90, o então editor do caderno de cultura do Diário de Pernambuco, Rodrigo Carrero, me mandou cobrir algumas bienais do livro no Rio (1997 e 1999) e São Paulo (1998). 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Na época, nenhum dos repórteres da caderno fez questão de ir. Para  mim, conhecer escritores e receber livros de cortesia não era trabalho, era presente. Sendo assim, aceitei a oferta de bate-pronto.</p><p>Foi quando, pela primeira vez na vida, li Stefan Zweig (a pronúncia é mais ou menos assim: Istfán Isvaig). A Editora Record estava relançando a obra do austríaco no Brasil e acabei recebendo alguns livros, entregues pelo departamento de divulgação da empresa.</p><p>Até aquele momento, o que eu sabia desse escritor é que ele tinha escrito duas novelas chamadas <em>Amok </em>e <em>Xadrez</em>, publicadas num único volume fininho que eu tinha comprado em alguma liquidação e guardado na estante.</p><p>Pra encurtar a história, um dos livros que recebi foi <em>Fernão de Magalhães – O Homem e Sua Façanha</em>. Comecei a lê-lo e não parei mais.</p><p>A inspiração para esse livro veio quando Zweig viajava de navio para a Argentina e para o Brasil, em meados dos 30. Entediado com a viagem de mais de uma semana, ele tentou imaginar como seria atravessar oceanos desconhecidos em barquinhos de madeira, sem saber nem mesmo o destino final, como foi o caso do português Fernão de Magalhães, aquele na escola aprendemos ter sido o comandante da primeira viagem de Circunavegação (talvez essa palavra difícil ajude alguns a lembrarem do que estou falando).</p><p>Comparando sua própria viagem a de Magalhães, Zweig sentiu vergonha do seu próprio aborrecimento. E resolveu pesquisar o assunto. O resultado foi esse livro, publicado em 1938.</p><p>No prefácio, o autor revela que tentou o ser mais fiel possível aos documentos que leio nos arquivos portugueses e espanhóis, mas que escreveu como se fosse uma ficção.</p><p>Pois bem, ficção ou não, o livro é apaixonante. Da minha pequena biblioteca, foi o mais emprestado para amigos ou parentes. Sempre que emprestava, a pessoa lia e acabava sentindo a necessidade de reemprestá-lo a mais alguém, algo que me desesperava, temendo perder o livro de vista. Tenho essa fraqueza: sou muito egoísta e ciumento com meus livros.</p><p><em>Fernão de Magalhães </em>é muitíssimo bem escrito, é verdade, mas acredito que não é por isso que o leitor sente o desejo quase compulsivo de dividir, compartilhar, distribuir sua leitura.</p><p>Zweig poderia ter escrito um belo livro sobre os perigos e riscos enfrentados na aventura de atravessar o mundo para provar que ele é redondo. Mas não é disso que ele trata. Sua matéria-prima foram os sentimentos daqueles homens, sentimentos tão atemporais quanto universais:  o medo, a coragem, as paixões, a ambição, a capacidade sonhar.  Por isso, cá estou,  em pleno 2009, revelando o quanto me emocionou ler o que um austríaco escreveu há 80 anos sobre um português que cruzou os oceanos há 500 anos  a serviço de um rei espanhol.</p><p><strong>Sobre o escritor</strong></p><div id="attachment_158" class="wp-caption alignnone" style="width: 277px"><img class="size-medium wp-image-158" title="zweig_stefan" src="http://www.caotico.com.br/wp-content/uploads/2009/07/zweig_stefan-350x325.jpg" alt="zweig_stefan" width="267" height="248" /><p class="wp-caption-text">Antes de se matar em Petrópolis, Zweig escreveu um livro-tributo ao Brasil</p></div><p>O jornalista Alberto Dines &#8211; aquele mesmo do Observatório de Imprensa &#8211; é um dos mais respeitados especialistas em Stefan Zweig. Certa vez, durante uma entrevista por telefone ele me explicou que, entre os anos 1920 e 1940, ninguém era tão lido quanto o autor de <em>Fernão de Magalhães</em>. Na Europa e também no Brasil, ter livros de Zweig era quase uma obrigação entre as famílias consideradas cultas. Pacifista, humanista, perseguido pelos nazistas, ele foi uma celebridade literária do início do século XX. Durante a II Grande Guerra, ele exilou-se em Petrópolis, escreveu <em>Brasil, País do Futuro</em>, título que se tornou um clichê. Depois se matou com soníferos. Morreu desiludido com o totalitarismo e a guerra.</p><ul><li><a href="http://www.dw-world.de/dw/article/0,,4210755,00.html">Conhecendo <em>Brasil, País do Futuro</em></a></li><li><a href="http://www.tvebrasil.com.br/observatorio/sobre_dines/zweig.htm">Stefan Zweig, por Alberto Dines</a></li></ul><div class="addthis_toolbox addthis_default_style " addthis:url='http://www.caotico.com.br/fernao-de-magalhaes-o-homem-e-sua-facanha/' addthis:title='Fernão de Magalhães, o Homem e sua Façanha '  ><a class="addthis_button_facebook_like" fb:like:layout="button_count"></a><a class="addthis_button_tweet"></a><a class="addthis_button_google_plusone" g:plusone:size="medium"></a><a class="addthis_counter addthis_pill_style"></a></div>]]></content:encoded> <wfw:commentRss>http://www.caotico.com.br/fernao-de-magalhaes-o-homem-e-sua-facanha/feed/</wfw:commentRss> <slash:comments>1</slash:comments> </item> </channel> </rss>
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