<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?> <rss version="2.0" xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/" xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/" xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/" xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom" xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/" xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/" ><channel><title>Caótico &#187; Contos</title> <atom:link href="http://www.caotico.com.br/tags/contos/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" /><link>http://www.caotico.com.br</link> <description>Espaço de leituras,  histórias &#38; especulações &#124; Por Inácio França</description> <lastBuildDate>Tue, 07 Feb 2012 19:41:39 +0000</lastBuildDate> <language>en</language> <sy:updatePeriod>hourly</sy:updatePeriod> <sy:updateFrequency>1</sy:updateFrequency> <xhtml:meta xmlns:xhtml="http://www.w3.org/1999/xhtml" name="robots" content="noindex" /> <item><title>Novamente Tchekhov</title><link>http://www.caotico.com.br/novamente-tchekhov/</link> <comments>http://www.caotico.com.br/novamente-tchekhov/#comments</comments> <pubDate>Wed, 13 Jul 2011 12:28:14 +0000</pubDate> <dc:creator>Inácio França</dc:creator> <category><![CDATA[Leituras Caóticas]]></category> <category><![CDATA[clássicos russos]]></category> <category><![CDATA[contistas]]></category> <category><![CDATA[Contos]]></category> <category><![CDATA[histórias curtas]]></category> <category><![CDATA[literatura russa]]></category> <category><![CDATA[narrativas curtas]]></category> <category><![CDATA[russos]]></category><guid isPermaLink="false">http://www.caotico.com.br/?p=1496</guid> <description><![CDATA[Não há retiro uma só palavra do que escrevi em dezembro de 2009, quando tive o imenso prazer de ser apresentado à prosa de Anton Tchekhov. 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Foram apenas 12 contos, o bastante para terminar a leitura fascinado, emocionado mesmo.</p><p>Um ano e meio depois, reencontro Tchekhov em mais uma coletânea de suas memoráveis histórias curtas, 18 delas para ser mais exato. Ao todo, foram 30 contos, mas tem vaga para mais, para muito mais. Quem imagina ser necessário escrever um romance com centenas de páginas para ser considerado um gênio da literatura nunca leu Tchekhov.</p><p>Esse sujeito viveu apenas 44 anos, de 1860 a 1904, tempo o suficiente para deixar uma infinidade de contos com uma surpreendente coerência e harmonia entre eles, como se, juntos, formassem um imenso romance.</p><p>No texto que publiquei no final de 2009, destaquei que a maior parte da sua obra foi escrita na Rússia há mais de um século, mas poderia ter escrita em qualquer parte do mundo e em qualquer época. A leitura que concluí de uma tirada só, voando de Belém para o Recife via Brasília, renovou a sensação de sua atualidade. Tenho certeza que no a ano 2438, se ainda ainda houve gente na Terra, ler Tchekhov ainda será uma experiência tão deliciosa quanto valiosa.</p><p>Logo no primeiro conto é possível reconhecer no amoral bacharel Kovaliov  os mesmos oportunistas que ampliaram seus patrimônios comprando a preço de banana as milhares de casas vazias, abandonadas por famílias norte-americanas despejadas pelos bancos durante a crise financeira de 2008. O título é explícito e faz parte da história, realçando ainda mais a sordidez do bacharel: ‘Desgraça alheia’.</p><p>Conheci o pobre camponês Terenti e seu profundo conhecimento da natureza do lugar onde nasceu na pele de muitos sertanejos que entrevistei ao longo dos meus anos como repórter ou durante a pesquisa para os livros sobre os povos do Capibaribe e do Pajeú.</p><p>E me reconheci como o pai do menino Serioja, que precisa por limites e dar um freio de arrumação no comportamento do menino, mas não sabe exatamente como fazer nem o que dizer para a criança, apesar de toda sua experiência profissional e na vida fora de casa. Encontrar a medida certa da punição do ser amado e escolher as palavras que irão tocar coração e mente de uma criança são desafios tão complexos hoje quanto no século XIX, afinal o ser humano continua a mesma, apesar de tanto ter mudado ao nosso redor. Tchekhov sabia disso.</p><p><a href="http://www.caotico.com.br/wp-content/uploads/2011/07/tchekhov.jpg"><img class="alignleft size-thumbnail wp-image-1498" title="tchekhov" src="http://www.caotico.com.br/wp-content/uploads/2011/07/tchekhov-114x150.jpg" alt="" width="114" height="150" /></a>Ele também era um sujeito versátil: em ‘A filha de Albion’ ele esbanja humor non-sense ao retratar o encontro entre duas culturas. Já na história ‘Trapaceiros à força’, fica claro o quanto sabia utilizar e manejar recursos técnicos sofisticados ao construir uma narrativa ditada pelo ritmo do relógio e pela ansiedade de quem espera os ponteiros avançarem.</p><p>Sim, todos esses contos me emocionaram, mas jamais tinha lido algo como o despretensioso ‘Relato do jardineiro-chefe’. Como não tenho a habilidade dos russos, me faltam adjetivos e substantivos adequados, recorro então ao Dicionário do Palavrão de Mário Souto Maior para definir o que essa história me fez sentir: puta-que-o-pariu!</p><p>Com delicadeza e firmeza, Tchekhov expressa sua esperança no ser humano, seu amor à vida. Para tratar de temas complexo como justiça, pena de morte e punição, o contista abre uma leitura que os enche de luzes e cores. Mais do que uma história, é uma declaração de princípios lúcida e ousada.</p><p>Entretanto faço um alerta: se você é desses que considera a impunidade a razão de todos os males, sonha com a pena de morte e quer ver adolescentes na cadeia aos 16 anos, tente perceber o mundo pelos olhos desse sujeito e não apenas pela ótica medíocre das revistas semanais e do rancor de Alexandre Garcia.</p><div class="addthis_toolbox addthis_default_style " addthis:url='http://www.caotico.com.br/novamente-tchekhov/' addthis:title='Novamente Tchekhov '  ><a class="addthis_button_facebook_like" fb:like:layout="button_count"></a><a class="addthis_button_tweet"></a><a class="addthis_button_google_plusone" g:plusone:size="medium"></a><a class="addthis_counter addthis_pill_style"></a></div>]]></content:encoded> <wfw:commentRss>http://www.caotico.com.br/novamente-tchekhov/feed/</wfw:commentRss> <slash:comments>3</slash:comments> </item> <item><title>Borges &#8211; Ensaio autobiográfico</title><link>http://www.caotico.com.br/borges-ensaio-autobiografico/</link> <comments>http://www.caotico.com.br/borges-ensaio-autobiografico/#comments</comments> <pubDate>Wed, 29 Jun 2011 16:00:00 +0000</pubDate> <dc:creator>Inácio França</dc:creator> <category><![CDATA[Leituras Caóticas]]></category> <category><![CDATA[autobiografia]]></category> <category><![CDATA[Contos]]></category> <category><![CDATA[literatura argentina]]></category> <category><![CDATA[literatura fantástica]]></category> <category><![CDATA[literatura latino-americana]]></category> <category><![CDATA[Macedonio Fernandez]]></category> <category><![CDATA[The New Yorker]]></category><guid isPermaLink="false">http://www.caotico.com.br/?p=1464</guid> <description><![CDATA[Até hoje não sei onde arrumei cara-de-pau para editar um blog sobre livros, literatura e afins sem nunca ter lido sequer um parágrafo de Jorge Luis Borges, de quem sempre ouvi falar muito bem, mas como não li nada delem não tenho realmente ideia do que sua obra representa para a cultura argentina e, por [...]<div class="addthis_toolbox addthis_default_style " addthis:url='http://www.caotico.com.br/borges-ensaio-autobiografico/' addthis:title='Borges &#8211; Ensaio autobiográfico '  ><a class="addthis_button_facebook_like" fb:like:layout="button_count"></a><a class="addthis_button_tweet"></a><a class="addthis_button_google_plusone" g:plusone:size="medium"></a><a class="addthis_counter addthis_pill_style"></a></div>]]></description> <content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-size: small;"><a href="http://www.caotico.com.br/wp-content/uploads/2011/06/Borges1.jpg"><img class="alignright size-medium wp-image-1466" title="Borges" src="http://www.caotico.com.br/wp-content/uploads/2011/06/Borges1-233x350.jpg" alt="" width="161" height="249" /></a>Até hoje não sei onde arrumei cara-de-pau para editar um blog sobre livros, literatura e afins sem nunca ter lido sequer um parágrafo de Jorge Luis Borges, de quem sempre ouvi falar muito bem, mas como não li nada delem não tenho realmente ideia do que sua obra representa para a cultura argentina e, por tabela, a literatura latino-americana.</span></p><p><span style="font-size: small;">Dei o primeiro passo para tentar corrigir esse defeito com <em>Borges – ensaio autobiográfico</em>, lançado há pouco mais de um ano no Brasil. O livro é fino, curto e delicioso, na medida para novatos no universo do mais célebre escritor argentino.</span></p><p><span style="font-size: small;">Borges o ditou em 1970 para seu tradutor para o inglês Norman Thoman Di Giovanni, que o convenceu da necessidade de apresentá-lo ao público norte-americano, já que a primeira edição de <em>O Aleph e outras histórias</em> estava prestes a ser lançado nos Estados Unidos, então o texto serviria como introdução. O problema é que Borges se entusiasmou em mexer nas suas lembranças e o <em>Ensaio&#8230; </em>ficou extenso demais. Por essa razão, acabou sendo publicado inicialmente na The New Yorker.</span></p><p><span style="font-size: small;">Borges não dourou a pílula ao falar de si mesmo. Ao concluir a leitura, fica a convicção que ele não se levava muito a sério. O que, aliás, conta muitos pontos a seu favor.</span></p><p><span style="font-size: small;">As revelações mais saborosas, de arrancar boas risadas, são aquelas referentes às suas primeiras experiências no ofício de escritor. </span></p><p><span style="font-size: small;">Borges conta que um dos seus primeiros livros foi escrito para ser o mais argentino possível, com tantas palavras usadas apenas em determinadas partes do país que ele escrevia usando um dicionário de termos regionais. Poucas pessoas do seu círculo de amizades e da sua família entenderam o que estava escrito. O pior é que o tal dicionário sumiu e, então, ele mesmo já não era capaz de compreender o próprio livro.</span></p><p><span style="font-size: small;">O conto ‘A biblioteca de Babel’, um dos seus textos mais analisados, comentados e destrinchados, não teria os significados ocultos que os críticos fazem questão de apontar. No <em>Ensaio&#8230;, </em>ele explica que as pilhas de livros eram literalmente pilhas de livros que ficavam encostando em seus cotovelos na mesa onde escrevia, no porão da biblioteca em que trabalhava na periferia de Buenos Aires.</span></p><p><span style="font-size: small;">Além das revelações pessoais, Borges homenageou amigos e intelectuais que o influenciaram, Adolfo Bioy Casares e Macedonio Fernandez. Este, uma figura quase mitológica pelo pouco que deixou escrito e muito que inovou, merece um perfil repleto de histórias e carinho. Para ele, “a amizade é a única paixão que redime os argentinos”.</span></p><p><span style="font-size: small;">Borges era um sujeito extremamente culto, a ponto de falar com intimidade sobre temas que iam desde a poesia germânica medieval aos místicos persas, de Cervantes às sagas islandesas. Não faltaram tempo e oportunidade para que ele conhecesse e estudasse tudo isso. Seu primeiro emprego foi aos 38 anos. Antes, não era preciso trabalhar, pois ele morava com a mãe e a família o sustentava. Mesmo assim, suava: a cada dois meses, escrevia “um par de páginas sobre livros e autores estrangeiros”. </span></p><p><span style="font-size: small;">Adolescente, percorreu com os pais e os irmãos vários países da Europa, morando na Suíça e Espanha. Por conta disso, aprendeu francês, inglês e um pouco de alemão. Borges tinha a faca e o queijo na mão. Felizmente soube usá-los muito bem.</span></p><p><span style="font-size: small;"><a href="http://www.caotico.com.br/wp-content/uploads/2011/06/borges20by20diane20arbus-798844.jpg"><img class="alignleft size-thumbnail wp-image-1467" title="borges20by20diane20arbus-798844" src="http://www.caotico.com.br/wp-content/uploads/2011/06/borges20by20diane20arbus-798844-108x150.jpg" alt="" width="108" height="150" /></a>O <em>Ensaio </em>precisou ser ditado porque, naquela altura, aos 71 anos, já estava praticamente cego, maldição que herdou do avô e do pai. É evidente que ele trata do assunto, mas não valoriza muito nem faz dramas, apesar de ter o ofício de ler e escrever. A cegueira é abordada como mais um problema cotidiano, desses que podem acontecer com qualquer pessoa em qualquer lugar.  </span></p><p><span style="font-size: small;">Encerrada a leitura percebi que preciso arrumar tempo para seus contos, gênero considerado sagrado por Borges. Simpatizei com o sujeito. O mesmo deve ter acontecido com os leitores nos Estados Unidos há 40 anos. </span></p><div class="addthis_toolbox addthis_default_style " addthis:url='http://www.caotico.com.br/borges-ensaio-autobiografico/' addthis:title='Borges &#8211; Ensaio autobiográfico '  ><a class="addthis_button_facebook_like" fb:like:layout="button_count"></a><a class="addthis_button_tweet"></a><a class="addthis_button_google_plusone" g:plusone:size="medium"></a><a class="addthis_counter addthis_pill_style"></a></div>]]></content:encoded> <wfw:commentRss>http://www.caotico.com.br/borges-ensaio-autobiografico/feed/</wfw:commentRss> <slash:comments>8</slash:comments> </item> <item><title>Trechos de contos de Anton Tchekhov</title><link>http://www.caotico.com.br/trechos-de-contos-de-anton-tchekhov/</link> <comments>http://www.caotico.com.br/trechos-de-contos-de-anton-tchekhov/#comments</comments> <pubDate>Sun, 20 Dec 2009 12:59:17 +0000</pubDate> <dc:creator>Inácio França</dc:creator> <category><![CDATA[Trechos arretados]]></category> <category><![CDATA[Contos]]></category> <category><![CDATA[literatura russa]]></category> <category><![CDATA[Tchekhov]]></category> <category><![CDATA[trechos de Tchekhov]]></category><guid isPermaLink="false">http://www.caotico.com.br/?p=559</guid> <description><![CDATA[&#8220;- Não é grande vantagem ser amado: as moças foram criadas exatamente para amar pessoas como nós. Mas algum dos senhores já foi odiado, odiado com ardor, furiosamente? Algum dos senhores já observou os deleites do ódio? Hein? 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Hein?</p><p>Não houve resposta.</p><p>- Nenhum dos senhores? &#8211; perguntou a voz grave do oficial superior. &#8211; Pois eu fui odiado, fui odiado por uma moça bem bonitinha, e em mim mesmo pude estudar os sintomas do primeiro ódio. O primeiro, senhores, porque aquilo foi uma coisa exatamente oposta ao primeiro amor&#8221;.</p><p><strong>Trecho do conto <em>Zinotchka</em>, publicado em agosto de 1887</strong></p><p style="text-align: center;">*****</p><p style="text-align: center;"><p style="text-align: left;">&#8220;Por que ela o amava daquela maneira? Ele sempre parecera às mulheres ser outra pessoa, diferente do que era na realidade, e elas amavam não a ele, mas alguém que sua imaginação havia criado, alguém que elas procuravam ansiosamente em suas vidas. E, mais tarde, quando percebiam seu engano, ainda continuavam a amá-lo. E nenhuma fora feliz com ele. O tempo passava, ele conhecia outra mulher, começava uma nova relação, depois se afastava, mas não amou nem uma vez; chame aquilo como se quiser, apenas não era amor. E somente agora, quando sua cabeça já estava ficando grisalha, ele começou a amar de verdade, como deveria &#8211; e pela primeira vez em sua vida.</p><p style="text-align: left;">Anna Sergueievna e Gurov amavam-se como duas pessoas muito íntimas, como marido e mulher, como ternos amigos; parecia-lhes que o próprio destino escolhera um para o outro, e não entendiam por que ele tinha uma esposa e ela um marido; era como se eles fossem duas aves migratórias, mcaho e fêmea, que foram capturadas e obrigadas a viver em gaiolas separadas&#8221;.</p><p style="text-align: left;"><strong>Trecho do conto <em>A dama do cahorrinho</em>, publicado em dezembro de 1899</strong></p><div class="addthis_toolbox addthis_default_style " addthis:url='http://www.caotico.com.br/trechos-de-contos-de-anton-tchekhov/' addthis:title='Trechos de contos de Anton Tchekhov '  ><a class="addthis_button_facebook_like" fb:like:layout="button_count"></a><a class="addthis_button_tweet"></a><a class="addthis_button_google_plusone" g:plusone:size="medium"></a><a class="addthis_counter addthis_pill_style"></a></div>]]></content:encoded> <wfw:commentRss>http://www.caotico.com.br/trechos-de-contos-de-anton-tchekhov/feed/</wfw:commentRss> <slash:comments>1</slash:comments> </item> <item><title>Contos de Tchekhov</title><link>http://www.caotico.com.br/contos-de-tchekhov/</link> <comments>http://www.caotico.com.br/contos-de-tchekhov/#comments</comments> <pubDate>Thu, 10 Dec 2009 20:10:01 +0000</pubDate> <dc:creator>Inácio França</dc:creator> <category><![CDATA[Leituras Caóticas]]></category> <category><![CDATA[A dama do cachorrinho]]></category> <category><![CDATA[Contos]]></category> <category><![CDATA[czarismo]]></category> <category><![CDATA[literatura russa]]></category> <category><![CDATA[Rússia pré-revolucionária]]></category> <category><![CDATA[Tchekhov]]></category><guid isPermaLink="false">http://www.caotico.com.br/?p=535</guid> <description><![CDATA[Nos últimos dias, o tempo da leitura foi arrancado na marra. Duas páginas no banheiro, mais duas enquanto aguardava a milésima reunião do ano, dois parágrafos na cama antes de arriar no sono, outra página no carro da prefeitura, correndo o risco de descolar a retina. E assim foi, aos trancos e barrancos, da pior [...]<div class="addthis_toolbox addthis_default_style " addthis:url='http://www.caotico.com.br/contos-de-tchekhov/' addthis:title='Contos de Tchekhov '  ><a class="addthis_button_facebook_like" fb:like:layout="button_count"></a><a class="addthis_button_tweet"></a><a class="addthis_button_google_plusone" g:plusone:size="medium"></a><a class="addthis_counter addthis_pill_style"></a></div>]]></description> <content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignright size-full wp-image-536" title="dama_do_cachorrinho" src="http://www.caotico.com.br/wp-content/uploads/2009/12/dama_do_cachorrinho.jpg" alt="dama_do_cachorrinho" width="101" height="167" />Nos últimos dias, o tempo da leitura foi arrancado na marra. Duas páginas no banheiro, mais duas enquanto aguardava a milésima reunião do ano, dois parágrafos na cama antes de arriar no sono, outra página no carro da prefeitura, correndo o risco de descolar a retina. E assim foi, aos trancos e barrancos, da pior maneira possível li 12 contos de um dos melhores escritores da história.</p><p>Há tempos que eu estava me devendo ler alguma coisa de Anton Tchekhov (se ainda lembro das aulas de russo com a professora Ewa, a pronúncia é mais ou menos assim: txerróf). Antes de chegar ao último conto, estava com uma inveja danada de quem leu 22 livros dele, como o blogueiro gaúcho <a href="http://miltonribeiro.opsblog.org/2008/08/21/anotacoes-pessoais-sobre-anton-tchekhov-e-e-mail-recebido/">Milton Ribeiro</a>.</p><p>Os contos do russo foram escritos no final do século XIX, poucos no início do século XX, mas poderiam ter sido publicados na semana passada aqui no Brasil, no Sri Lanka ou qualquer outra parte do mundo. A prosa de Tchekhov é atualíssima. Esses contos jamais vão caducar, pelo menos não enquanto os humanos se apaixonarem, sofrerem por do amor, sonharem, alimentarem esperanças de mudar a vida.</p><p>O pessoal que estuda história e crítica literária diz que ele mudou os rumos da literatura porque tratou com técnica e poesia o cotidiano do homem comum, gente como o médico de província, o órfão explorado, a mocinha do interior que não aceita o casamento arranjado.</p><p>É verdade isso que dizem os especialistas. Enquanto avançava na leitura, senti que já havia encontrado Tchekhov em algum lugar, já o conhecia de vista. Há muito de Tchekhov nas crônicas de Rubem Braga. Também há Tchekhov no romance de <a href="http://www.caotico.com.br/a-tregua/">Mário Benedetti</a>. Encontrei Tchekhov em <a href="http://www.caotico.com.br/dublinenses/">Joyce</a>, que começou a escrever suas coisinhas quando o russo já era popular que só a gota-serena.</p><p>Há várias coletâneas de histórias espalhadas por aí, de diferentes editoras. O que li foi <em>A dama do cachorrinho e outras histórias</em>, da L&amp;PM, presente de aniversário da minha filha Júlia. Nos contos desse livros, a rígida hierarquia do czarismo, a aristocracia decadente, a miséria no campo, a neve, tudo isso é apenas pano de fundo para uma narrativa delicada, sutil, espelho do respeito e do amor do autor por quem sofre, pelos fracos, pelos explorados. O que importa são os personagens, o ser humano.</p><p>Mas há sarcasmo também. No conto “A irrequieta”, a mocinha recém-casada com o jovem e tímido médico é totalmente deslumbrada com o mundo das artes, vive em torno de pintores, atores, escultores, escritores. Não pinta um borrão de caneta, não escreve uma vírgula, mas é uma artista. Ao seu modo, com sutileza e sem julgamentos morais, o autor é implacável com a moça.</p><p>Esse conto é um bom exemplo da atualidade do olhar de Tchekhov sobre a sociedade de sua época. Se trocarmos o Volga pelo Capibaribe, a neve pelo calor, os casacos de lã pela saias indianas compradas no shopping, identificamos a “irrequieta” em dúzias de babaquinhas que vivem em torno de bandas de música, de cineastas, de produtores. Gente que gosta de arte e de cultura, desde que essa cultura seja produzida por gente branca e que o povo fique bem longe, só aplaudindo. Ah, se eu tivesse o talento de Tchekhov&#8230;</p><p>O conto que dá título ao livro faz juz à fama. É a perfeição em forma de narrativa curta, uma beleza. Os personagens Gurov e Anna se tornam mais palpáveis, mais reais a cada parágrafo. Senti a ansiedade dos amantes, a necessidade de ver o outro, a dor da paixão clandestina, a incerteza. O final sem fechamento, sem conclusão, é de lascar de tão bom.</p><p>Alguém nos comentários sobre o livro <em><a href="http://www.caotico.com.br/dois-irmaos/">Dois Irmãos</a>, </em>acho que foi Renatinha Reynaldo, disse que acabou a leitura e se sentiu feliz. Talvez se eu tivesse lido esse livro de uma tacada só, sem tantas interrupções e aperreios, meu sentimento também fosse igual. Mesmo assim, a sensação no final de vários contos (principalmente “A corista”, “A irrequieta”, “A dama do cachorrinho” e a “A noiva”) é de que alguém tinha acabado de me falar algo importante, algo capaz de explicar ou mudar muita coisa na vida.</p><p><img class="alignnone size-medium wp-image-537" title="chekhov" src="http://www.caotico.com.br/wp-content/uploads/2009/12/chekhov-282x350.jpg" alt="chekhov" width="185" height="230" /> <img class="alignnone size-medium wp-image-538" title="6259 russia taganrog the house of chekhov thumbnails" src="http://www.caotico.com.br/wp-content/uploads/2009/12/6259-russia-taganrog-the-house-of-chekhov-thumbnails-350x262.jpg" alt="6259 russia taganrog the house of chekhov thumbnails" width="307" height="230" /></p><p><strong>Sobre o escritor</strong></p><p>Anton Tchekhov viveu apenas 44 anos, mas até hoje faz barulho na alma de quem lê seus escritos. Seus contos revelam sensibilidade e que ele tinha um lado bem definido na vida: o lado dos mais fracos. Gostei tanto do que li, que procurei imagens da sua cidade. Encontrei a foto da casa dele, na cidade que nasceu,  Taganrog, no sul da Rússia, à beira do mar de Azov.</p><ul><li><a href="http://panorama-direitoliteratura.blogspot.com/2007/12/anton-tchekhov-dama-do-cachorrinho.html"><strong>Clique aqui para ler uma ótima resenha sobre a <em>A dama do cachorrinho </em>no site Panorama</strong></a></li><li><strong><a href="http://miltonribeiro.opsblog.org/2008/08/21/anotacoes-pessoais-sobre-anton-tchekhov-e-e-mail-recebido/">Clique aqui para ler uma declaração de amor arretada à obra de Tchekhov, por Milton Ribeiro</a><br /> </strong></li></ul><div class="addthis_toolbox addthis_default_style " addthis:url='http://www.caotico.com.br/contos-de-tchekhov/' addthis:title='Contos de Tchekhov '  ><a class="addthis_button_facebook_like" fb:like:layout="button_count"></a><a class="addthis_button_tweet"></a><a class="addthis_button_google_plusone" g:plusone:size="medium"></a><a class="addthis_counter addthis_pill_style"></a></div>]]></content:encoded> <wfw:commentRss>http://www.caotico.com.br/contos-de-tchekhov/feed/</wfw:commentRss> <slash:comments>7</slash:comments> </item> <item><title>Contos Povoados de Povo</title><link>http://www.caotico.com.br/contos-povoados-de-povo/</link> <comments>http://www.caotico.com.br/contos-povoados-de-povo/#comments</comments> <pubDate>Tue, 14 Jul 2009 02:58:09 +0000</pubDate> <dc:creator>Inácio França</dc:creator> <category><![CDATA[Leituras Caóticas]]></category> <category><![CDATA[Colômbia]]></category> <category><![CDATA[contadores de histórias]]></category> <category><![CDATA[Contos]]></category> <category><![CDATA[Jairo Aníbal Niño]]></category> <category><![CDATA[Literatura colombiana]]></category><guid isPermaLink="false">http://www.caotico.com.br/?p=184</guid> <description><![CDATA[Tinha 20 anos e estava cursando Jornalismo quando fui apresentado a um livrinho vermelho com os contos curtíssimos do colombiano Jairo Aníbal Niño. Foi Paulo Goethe, hoje repórter do Diário de Pernambuco, quem me emprestou o volume fininho, mas cheio de textos encantadores, poesia escrita em prosa, sem estrofes ou versos. O título do livro [...]<div class="addthis_toolbox addthis_default_style " addthis:url='http://www.caotico.com.br/contos-povoados-de-povo/' addthis:title='Contos Povoados de Povo '  ><a class="addthis_button_facebook_like" fb:like:layout="button_count"></a><a class="addthis_button_tweet"></a><a class="addthis_button_google_plusone" g:plusone:size="medium"></a><a class="addthis_counter addthis_pill_style"></a></div>]]></description> <content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignright size-full wp-image-185" title="Digitalizar" src="http://www.caotico.com.br/wp-content/uploads/2009/07/Digitalizar.jpg" alt="Digitalizar" width="115" height="179" />Tinha 20 anos e estava cursando Jornalismo quando fui apresentado a um livrinho vermelho com os contos curtíssimos do colombiano Jairo Aníbal Niño. Foi Paulo Goethe, hoje repórter do Diário de Pernambuco, quem me emprestou o volume fininho, mas cheio de textos encantadores, poesia escrita em prosa, sem estrofes ou versos.</p><p>O título do livro era lindo, prenhe de ritmo e verdade: <em>Contos Povoados de Povo.</em></p><p>Na época, a Livro 7 era a meca dos recifenses que amavam a palavra escrita. Só havia cinco exemplares disponíveis nas estantes pintadas de branco da livraria de Tarcísio Pereira. Comprei três, Goethe levou os outros dois.</p><p>O estoque foi utilizado como presente para namoradas em potencial. Distantes tempos em que poesia de autores quase desconhecidos era usada como arma para encantar as meninas. Palavras, alheias ou da própria lavra, eram os únicos instrumentos de sedução  disponíveis para os dois quase-jornalistas magricelas, tímidos e mal-diagramados.</p><p>Não lembro se os versos em prosa de Niño me foram úteis no campo do amor. Nas coisas do amor, errei mais do que acertei. Sei que meu rápido estoque acabou rapidinho.</p><p>Tenho certeza disso porque, nos primeiros meses da minha passagem de quatro anos por São Paulo, fui à distribuidora da editora Paz e Terra, na rua do Triunfo, no centrão paulistano, para comprar mais alguns exemplares dos <em>Contos</em>. Telefonei na véspera, confirmaram que tinham o livro à venda no varejo. Fui, mas voltei de mãos abanando: na madrugada, um incêndio tinha torrado tudo.</p><p>Só muito tempo depois, já em pleno século XXI, consegui comprar o livro novamente.</p><p>As razões para tanto interesse estão na singularidade de historinhas curtas, porém densas. Jairo fala de amores, dores, encontros e desencontros em cinco ou seis linhas líricas, leves, poéticas (já falei isso algumas linhas acima. A redundância é deliberada) e, além de tudo, com muita originalidade. Nos contos, as descrições estão repletas de “resplandecentes”, “rubros” e “brilhos”. Niño também é artista plástico e consegue misturar pintura e poesia com palavras.</p><p>É o seu olhar, sua forma de se expressar sua relação com o mundo, com as pessoas, com as crianças e com o povo do seu País, que tornam única a experiência de ler seu pequeno livro. A cada continho, um pequeno alumbramento daqueles de Bandeira.</p><p>Como o colombiano é quase desconhecido no Brasil, já nem sei pra quantas pessoas indiquei esse livro. Samarone e o médico-escritor Lula Arraes foram dois deles.</p><p>Abaixo, um continho de Nino:</p><p><em>Levantou-se uma sucessão continuada de ondas espessas e vermelhas, uma tormenta de fios purpúreos se abateu em espiral e a dor como uma galinha de pés de aço começou a remover a terra como uma palpitação. Era tua imagem de mulher ausente que estava fazendo estragos em meu coração.</em></p><p><strong><br /> Sobre o escritor</strong></p><div id="attachment_186" class="wp-caption alignnone" style="width: 280px"><a href="http://www.caotico.com.br/wp-content/uploads/2009/07/foto_13_jairo_anibal_nino.jpg"><img class="size-medium wp-image-186" title="Jairo Aníbal Niño" src="http://www.caotico.com.br/wp-content/uploads/2009/07/foto_13_jairo_anibal_nino-350x262.jpg" alt="foto_13_jairo_anibal_nino" width="270" height="202" /></a><p class="wp-caption-text">Niño, contador de histórias</p></div><p>Colombiano nascido em 1947, Jairo Aníbal Niño foi expulso da escola e, ainda adolescente, passou a viajar pelo interior do país trabalhando com ajudante de caminhoneiro, ator de teatro mambembe, mágico e marinheiro. É poeta, dramaturgo, pintor e contista. Foi diretor da Biblioteca Nacional da Colômbia. Um dos seus livros mais conhecidos em língua portuguesa é <em>Alegria de Gostar</em>, onde ele saiu-se com essa beleza de verso: &#8220;Seu sorriso é como um gol olímpico&#8221;. Pense numa cantada de qualidade!</p><ul><li><a href="http://mx.geocities.com/tramontanamx/tramontana1/jairoanibal.html">Fragmentos de A Alegria de Gostar &#8211; Poemasde Amor para Crianças</a></li><li><a href="http://bocaaudiolivros.blogspot.com/2007/01/ao-lado-das-crianas-dos-loucos-e-dos.html">Entrevista com Jairo Aníbal Niño para um portal português</a></li></ul><div class="addthis_toolbox addthis_default_style " addthis:url='http://www.caotico.com.br/contos-povoados-de-povo/' addthis:title='Contos Povoados de Povo '  ><a class="addthis_button_facebook_like" fb:like:layout="button_count"></a><a class="addthis_button_tweet"></a><a class="addthis_button_google_plusone" g:plusone:size="medium"></a><a class="addthis_counter addthis_pill_style"></a></div>]]></content:encoded> <wfw:commentRss>http://www.caotico.com.br/contos-povoados-de-povo/feed/</wfw:commentRss> <slash:comments>9</slash:comments> </item> </channel> </rss>
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