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Fernando Sabino e O encontro marcado

por Arsênio Meira Júnior Fernando Sabino já era adorado como cronista quando publicou O encontro marcado (1956), o grande romance sobre as atribulações existenciais de sua geração. À medida que os anos se passavam e não havia nem sombra de um segundo romance, os críticos se convenceram de que, tendo acertado na veia com O encontro marcado, Sabino temia ser comparado consigo [...]

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A arte da reportagem

Rubem Braga e José Hamilton Ribeiro são os mais conhecidos jornalistas brasileiros a atuar como correspondentes de guerra. O primeiro foi construindo aos poucos sua imagem de grande cronista. O trabalho que realizou nos final de 1944 e início de 45 acompanhando os pracinhas brasileiros na Itália durante a II Guerra se tornou, com o [...]

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Na primeira manhã

Seus olhos estavam úmidos, mas pareciam tranquilos. Eram olhos de um homem cansado certamente, porém plácido. Olhos de um homem que espera. Firme e vagarosamente, ele me contou como foi parar no porto de Bahía Blanca. Foi há 47 anos, depois que aderiu ao levante dos marinheiros que desobedeceram às ordens dos almirantes no Rio de [...]

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Trecho de “A menina sem estrela”

“Volto aos meus quatro anos. E, de repente, os cegos apareceram. Ou por outra: — antes dos cegos, vi uma menina, de pé no chão. A menina corre, atravessa a rua e vai beijar a mão de um padre. Durante toda a minha infância, na rua Ale gre, havia sempre um padre e sempre uma [...]

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A menina sem estrela e Nélson Rodrigues

por Arsênio Meira Júnior Escrevo rápido. E tudo o que ora verto para este papel volátil, vocês já devem saber: esse texto faz parte do primeiro volume de memórias de Nelson Rodrigues: A menina sem estrela . E em matéria de memória, nua e crua, ele tinha muito o que contar. E contou. Tanto é que foram – salvo [...]

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A alma encantadora das ruas

Antes de Gay Talese ou Truman Capote, longe de Nova York ou do Kansas, um gordinho cheio de mungangas chamado Paulo Barreto misturou jornalismo e criação literária em textos publicados por jornais e revistas do Rio de Janeiro nas duas primeiras décadas do século XX. Ele assinava seus escritos como João do Rio e, com [...]

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O teatro de Nélson Rodrigues

por Arsênio Meira Júnior (que ressuscitou para o Caótico esse texto publicado originalmente na página de opinião do Jornal do Commércio) Depois que li, 20 anos, 1968: o ano que não terminou, best seller de Zuenir Ventura, o jornalista Nelson Rodrigues começou a tomar vulto em minha imaginação. Eu tinha 15 anos. Nelson foi também [...]

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Todos os tempos de Tarcísio Sete

Perdi as contas das vezes em que Homero Fonseca chamou para acompanhar o Sarau Plural, que vem a ser uma roda de conversa muito legal sobre assuntos vários, como já diz o nome. A cada convite que chegava por e-mail ou telefone, eu colocava um porém, um mas ou um todavia. Há um ano atrás, [...]

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Telê Santana e o sexo

Queria comer Valéria fazia tempo. Ela era magrinha demais, baixinha demais, bunda insignificante, mas os peitos eram de primeira. Do rosto, não tenho a mínima lembrança. Sei que os olhos eram verdes. Ou azuis, sei lá. Valéria era comestível e, entre as mulheres comestíveis que eu tinha conhecido naqueles meses, era a única que estava [...]

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Encurralado

O sujeito era carioca, mas fazia tempo que revisava ou editava reportagens nas redações de São Paulo. Gostava do salário que os patrões paulistas pagavam, mas suportava pouca coisa ao seu redor e, a cada dia, acrescentava mais um item na lista dos desagrados: palmeirenses e corintianos, avenida Paulista, garoa, céu cinzento, fila nos restaurantes, [...]

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