<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?> <rss version="2.0" xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/" xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/" xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/" xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom" xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/" xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/" ><channel><title>Caótico &#187; czar</title> <atom:link href="http://www.caotico.com.br/tags/czar/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" /><link>http://www.caotico.com.br</link> <description>Espaço de leituras,  histórias &#38; especulações &#124; Por Inácio França</description> <lastBuildDate>Tue, 07 Feb 2012 19:41:39 +0000</lastBuildDate> <language>en</language> <sy:updatePeriod>hourly</sy:updatePeriod> <sy:updateFrequency>1</sy:updateFrequency> <xhtml:meta xmlns:xhtml="http://www.w3.org/1999/xhtml" name="robots" content="noindex" /> <item><title>A felicidade conjugal / O diabo</title><link>http://www.caotico.com.br/a-felicidade-conjugal-o-diabo/</link> <comments>http://www.caotico.com.br/a-felicidade-conjugal-o-diabo/#comments</comments> <pubDate>Fri, 06 May 2011 15:07:29 +0000</pubDate> <dc:creator>Inácio França</dc:creator> <category><![CDATA[Leituras Caóticas]]></category> <category><![CDATA[casamento]]></category> <category><![CDATA[czar]]></category> <category><![CDATA[Dostoievski]]></category> <category><![CDATA[Gandhi]]></category> <category><![CDATA[literatura russa]]></category> <category><![CDATA[pacifismo]]></category> <category><![CDATA[Rússia]]></category> <category><![CDATA[Tolstoi]]></category> <category><![CDATA[traição]]></category><guid isPermaLink="false">http://www.caotico.com.br/?p=1363</guid> <description><![CDATA[Ao iniciar a leitura de A felicidade conjugal esperava entrar vagarosa e cuidadosamente no universo de Lev Tolstoi. 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Percebi bem rápido que não havia motivos para tamanha cautela.</p><p>Tolstoi desarmou minhas defesas precárias com sua prosa leve, cheia de ritmo e luz. Sim, luz. As histórias contadas pelo russo de barbas e sonhos de profeta são luminosas. Até o inverno que cobre as janelas com montes de neve são claros. As sombras, quando surgem, não duram muito, dão logo lugar a raios de sol, jardins floridos e aldeias cheias de gente nas ruas.</p><p><em>O diabo</em>, a novela que completa o volume de bolso editado pela editora gaúcha L&amp;PM, confirmou essa primeira impressão. Seu final trágico não mudou minha opinião, afinal o que tem de acontecer, acontece às claras.</p><p>Tolstoi retratou o homem do seu tempo, usando com perfeição os modos e as técnicas de narrar já consolidadas e que existiam ao seu dispor. Ao contrário de Dostoievski, ele não inventou nada, não fez ultrapassagens perigosas, mas manejava como ninguém da sua época  as ferramentas que tinha ao alcance.</p><p>Nunca li – ou melhor, ainda não li – os grandes romances de Tolstoi, mas <em>Anna Karenina </em>já está na mira. As duas histórias curtas desse volume, porém, bastam para revelar sua genialidade como contador de histórias e observador das relações cotidianas da sua época.</p><p>As duas histórias foram escritas em fases completamente diferentes da vida do escritor. Quando escreveu <em>A felicidade conjugal</em>, Tolstoi tinha 31 anos e dava os primeiros passos na carreira, enquanto que <em>O diabo </em>foi publicado na época do 70º aniversário de Tolstoi, ou seja, quando ele já era uma espécie de lenda viva não só para os russos, mas para os europeus que tinham lido ao menos um livro na vida.</p><p>Separadas pelo tempo, mas com muita coisa em comum, as novelas tratam do casamento e da felicidade possível. Na primeira, uma mulher inquieta e insatisfeita, não sabe o que fazer quando a paixão e o deslumbramento acabam. Na segunda, um homem com tudo para estar muito satisfeito da vida não sabe o que fazer com tanto tesão.</p><p>Em <em>A felicidade&#8230; </em>fica claro que, em alguns momentos, ele não consegue manter o ritmo e a prosa fica um tantinho enjoada, mas só um pouco, nada que comprometa o interesse do leitor. A outra novela, não. Àquela altura do campeonato, Tolstoi era mais do que um gênio. Era um gênio experiente. São frases curtas e acontecimentos bem encaixados, realimentando o apetite do leitor continuamente.</p><p>O diálogo entre o marido Evgueni e seu tio, em <em>O diabo, </em>é de um bom humor impagável.</p><p>É clara a intenção de construir um fundo moral em ambas novelas, mas Tolstoi era tão bom que não conseguia fazer apenas isso.</p><p>Vale a pena anotar que a edição inclui uma apresentação da tradutora Maria Aparecida Botelho Soares, que explica tintim por tintim as regras que norteiam os nomes russos.</p><p>&nbsp;</p><p><strong>Sobre o escritor</strong></p><p><strong><a href="http://www.caotico.com.br/wp-content/uploads/2011/05/tolstoi3.jpg"><img class="alignnone size-medium wp-image-1365" title="tolstoi3" src="http://www.caotico.com.br/wp-content/uploads/2011/05/tolstoi3-350x262.jpg" alt="" width="242" height="181" /></a><br /> </strong></p><p>Lev Tolstoi  dedicou boa parte da sua vida à <a href="http://www.caotico.com.br/contos-da-nova-cartilha/">educação dos camponeses</a>, que idealizava como pessoas de alma elevada, além de ser tarado nas camponesas. Já escritor consagrado, abandonou o cristianismo oficial e passou a pregar sua própria fé religiosa, baseada no princípio da não-agressão. A Igreja Ortodoxa o excomungou, o que vem a ser algo invejável. Era um pacifista e influenciou Mahatma Gandhi, com quem se correspondia, e Martin Luther King, mas o czar o temia por inspirar os trabalhadores rurais, gente que vivia num regime de semi-escravidão.</p><ul><li><a href="http://miltonribeiro.opsblog.org/2010/03/05/dostoievski-ou-tolstoi/"><strong>Se você clicar aqui vai ler um ótimo texto de Milton Ribeiro a partir da pergunta Tolstoi ou Dostoievski?</strong></a></li><li><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/2011/04/01/os-ultimos-dias-de-liev-tolstoi/"><strong>Aqui tem outro texto muito interessante do blog Meia Palavra sobre a generosidade do escritor russo</strong></a></li></ul><p>&nbsp;</p><div class="addthis_toolbox addthis_default_style " addthis:url='http://www.caotico.com.br/a-felicidade-conjugal-o-diabo/' addthis:title='A felicidade conjugal / O diabo '  ><a class="addthis_button_facebook_like" fb:like:layout="button_count"></a><a class="addthis_button_tweet"></a><a class="addthis_button_google_plusone" g:plusone:size="medium"></a><a class="addthis_counter addthis_pill_style"></a></div>]]></content:encoded> <wfw:commentRss>http://www.caotico.com.br/a-felicidade-conjugal-o-diabo/feed/</wfw:commentRss> <slash:comments>7</slash:comments> </item> <item><title>Os demônios</title><link>http://www.caotico.com.br/os-demonios/</link> <comments>http://www.caotico.com.br/os-demonios/#comments</comments> <pubDate>Tue, 21 Sep 2010 22:16:43 +0000</pubDate> <dc:creator>Inácio França</dc:creator> <category><![CDATA[Leituras Caóticas]]></category> <category><![CDATA[czar]]></category> <category><![CDATA[czarismo]]></category> <category><![CDATA[Dostoievski]]></category> <category><![CDATA[fundamentalistas]]></category> <category><![CDATA[literatura russa]]></category> <category><![CDATA[nazismo]]></category> <category><![CDATA[niilismo]]></category> <category><![CDATA[Paulo Bezerra]]></category> <category><![CDATA[Rússia]]></category> <category><![CDATA[século XIX]]></category> <category><![CDATA[stalinismo]]></category> <category><![CDATA[totalitarismo]]></category> <category><![CDATA[tradução]]></category><guid isPermaLink="false">http://www.caotico.com.br/?p=946</guid> <description><![CDATA[Estou ficando íntimo de Dostoievski. 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O problema é que tamanha intimidade implica em mais responsabilidade: sinto o peso de conseguir expressar o quanto eu gosto do que o russo deixou escrito e, o mais importante, o porquê eu gosto tanto dos seus romances.</p><p>No caso de <em>Os demônios, </em>há mais ou menos quatro anos planejava lê-lo, mas “os acontecimentos se precipitaram” (perdão, mas estava querendo muito usar esse clichê)<em> </em>quando resolvi embarcar junto com Samarone num projeto que mistura jornalismo e literatura. Esta decisão tornou imprescindível o mergulho na leitura do livro que, durante décadas, ficou conhecido no Brasil como <em>Os possessos, </em>por causa das traduções que eram feitas a partir de edições francesas e não diretamente do original em russo.</p><p>Como sempre, a experiência de ler mais um Dostoievski foi arretada, apesar do início meio travado, pois a primeira das três partes ele apresenta o perfil de alguns personagens, dá algumas pistas sobre o contexto social da Rússia na segunda metade do século XIX e retrata o ambiente rural de um lugarzinho chamado Skvoriéchniki.</p><p>A sensação de tédio que toma conta da leitura parece ser proposital, pois não creio que exista algo casual em Dostoievski. Com o cuidado de um pintor de pinceladas lentas e cautelosas, ele vai retratando o lugar pequeno, os intelectuais da província, vidinha sem novidades, gente que vem do exterior, blá-blá-blá sem fim de saraus que não levam a lugar nenhum. Rotina.</p><p>É preciso ter paciência. Acredite: é uma beleza a arquitetura desse romance e o leitor paciente será recompensado lgo depois.</p><p>A primeira parte, aliás, me fez lembrar um texto menor que li do russo, uma novela chamada <em>A aldeia de Stiepanchikov e seus habitantes, </em>escrita 12 anos antes de <em>Os demônios </em>e cujos elementos parecem ter sido usados como matriz para compor o cenário do romance, tanto que um dos personagens principais se chama Stiepan e é um sujeito meio pateta, que posa de grande intelectual, mas que nunca produziu nada de interessante. Um tantinho assim parecido com o personagem principal da aldeia de Stiepanchikov.</p><p>Dostoievski não oferece nada de graça para o leitor. Dois parágrafos acima usei a expressão “dá algumas pistas”, um jeito bom para definir o que ele faz o tempo todo ao longo do romance. Os confusos e incompletos diálogos da primeira parte contêm indícios do papel que cada personagem irá representar no desenrolar da trama.</p><p>A prosa muda de rumo e velocidade a partir do início da segunda parte. Aos poucos, a confusão de falas, ataques histéricos e a multidão de personagens começam a fazer sentido e o leitor vai montando o quebra-cabeça. Quem já leu Nélson Rodrigues vai identificar fácil fácil o que impactou e influenciou o nosso melhor reacionário.</p><p>A história contada pelo barbudo Fiodor com seu arsenal de recursos técnicos, seu estoque de imaginação e sua genialidade expõe os grupelhos radicais e de escassa ideologia que se espalharam pela Rússia nas décadas finais da monarquia czarista. Em alguns momentos, como no diálogo que transcrevi nos <a href="http://www.caotico.com.br/trechos-arretados/">Trechos Arretados</a> ele também recorre ao humor, elemento raro em sua obra.</p><p>Mesmo sem perder o foco na história e da sociologia do seu tempo, Dostoievski desce à esfera dos indivíduos, vai direto no coração, na alma das pessoas que se mobilizavam para mudar a Rússia, o mundo, alguns por convicção, outros por idealismo, outros mais por revolta. E muitos por ambição, mesquinharia ou sede de poder.</p><p>Seus personagens revelam as extremidades do idealismo. E como um sujeito pode manipular os idealistas, os convictos, os ambiciosos e os revoltados para que se cometa um crime em nome de uma etérea “causa comum” que nada tem de causa e pouco tem de comum.</p><p>Não falta sangue em <em>Os demônios</em>. Dostoievski não economiza realismo quando o assunto é assassinato, ele não poupa personagens nem leitores do sofrimento.</p><p>Sobre <em>Os</em> <em>demônios </em>as resenhas e textos críticos – como o ótimo texto do ótimo tradutor Paulo Bezerra, no final do volume &#8211; costumam dizer que o livro antecipou as ideologias totalitárias que justificaram os crimes de Stálin, de Hitler, dos generais latino-americanos, de Bush, de Israel e dos fundamentalistas islâmicos. É verdade, mas o barbudo faz isso com enorme talento, identificando na aldeia, aquilo que é universal. Ou melhor, o que ainda viria ser universal.</p><p><strong>Sobre o tradutor</strong></p><p><a href="http://www.caotico.com.br/wp-content/uploads/2010/09/PauloBezerra2.jpg"><img class="alignnone size-medium wp-image-948" title="PauloBezerra2" src="http://www.caotico.com.br/wp-content/uploads/2010/09/PauloBezerra2-233x350.jpg" alt="" width="165" height="248" /></a></p><p>Paulo Bezerra é paraibano, mas especializou-se em tradução na Universidade Lomonossov, em Moscou. Hoje é professor de literatura da Universidade Federal Fluminense, no Rio. A tradução de <em>Os demônios</em> lhe rendeu um Prêmio Jabuti, em 2005. Antes, já havia sido responsável pela primeira tradução direta do russo para o português “brasileiro” de <a href="http://www.caotico.com.br/crime-e-castigo-do-blog-de-milton-ribeiro/"><em>Crime e Castigo</em></a>. Spaciba, Paulo.</p><div class="addthis_toolbox addthis_default_style " addthis:url='http://www.caotico.com.br/os-demonios/' addthis:title='Os demônios '  ><a class="addthis_button_facebook_like" fb:like:layout="button_count"></a><a class="addthis_button_tweet"></a><a class="addthis_button_google_plusone" g:plusone:size="medium"></a><a class="addthis_counter addthis_pill_style"></a></div>]]></content:encoded> <wfw:commentRss>http://www.caotico.com.br/os-demonios/feed/</wfw:commentRss> <slash:comments>6</slash:comments> </item> <item><title>Recordações da Casa dos Mortos</title><link>http://www.caotico.com.br/recordacoes-da-casa-dos-mortos/</link> <comments>http://www.caotico.com.br/recordacoes-da-casa-dos-mortos/#comments</comments> <pubDate>Mon, 10 Aug 2009 03:06:10 +0000</pubDate> <dc:creator>Inácio França</dc:creator> <category><![CDATA[Leituras Caóticas]]></category> <category><![CDATA[czar]]></category> <category><![CDATA[Dostoievski]]></category> <category><![CDATA[literatura russa]]></category> <category><![CDATA[presídio]]></category> <category><![CDATA[Rússia]]></category> <category><![CDATA[Sibéria]]></category><guid isPermaLink="false">http://www.caotico.com.br/?p=264</guid> <description><![CDATA[Depois de ler Crime e Castigo, tomei coragem para mergulhar em outro Dostoievski e escolhi Recordações da Casa dos Mortos, que li no final de 2007. 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Sei disso porque tenho a mania besta de, terminado um livro, anotar nas páginas iniciais o mês e o ano em que cheguei ao ponto final.</p><p>Sei que tanto o título quanto o tema podem assustar, mas foi um dos livros mais saborosos que li nos últimos anos. Resumindo em duas linhas, diria que <em>Recordações&#8230;</em><em> </em>é uma ficção construída a partir da experiência real que o barbudo Dostoievski viveu durante os anos em que cumpriu pena num presídio na Sibéria.</p><p>Nesse livro, que originalmente foi publicado em capítulos pelo jornal de Mikhail, irmão do escritor, a reflexão profunda que marca <em>Crime e Castigo</em> já está presente, porém a narrativa é bem mais solta, seus capítulos são quase crônicas do cotidiano da prisão e nem sequer estão alinhavados em ordem cronológica. É uma boa pedida para quem ainda não leu os outros livros mais complicados do russo.</p><p>O mais interessante de <em>Recordações da Casa dos Mortos</em><em> </em>é que o relato do dia-a-dia de centenas de homens num presídio gelado e distante de tudo não se resume à narração dos fatos e descrições dos ambientes como num diário, por exemplo. Dostoievski não era escritor para fazer um relatozinho qualquer e ficar por isso mesmo. Ninguém exagera quando diz que o cara era um gênio.</p><p>Na cadeia, no frio, no meio de um monte de gente barra-pesada, na precariedade e sob trabalhos pesados, o sujeito tem uma fé enorme no ser humano, na diversidade e na capacidade da homem. Dostoievski gostava de gente, ele acreditava piamente que as pessoas podem melhorar, se superar, aprender. Essa sua crença está presente na narração de cada situação e de cada presidiário com que seu personagem e alter-ego Alexander Petrovich Goriantchikov conviveu no desterro siberiano.</p><p>Por isso é que não dá para simplificar em duas linhas. Esse livro se passa num presídio, mas na verdade é um livro sobre fraternidade, solidariedade e esperança.</p><p>Não pretendo me especializar em Dostoievski, mas a literatura desse sujeito me emociona tanto que já incluí <em>Os Demônios</em> e <em>Irmãos Karamazov</em> na minha lista de prioridades a serem compradas no sebo.</p><p><strong>Sobre o escritor</strong></p><div id="attachment_268" class="wp-caption alignnone" style="width: 169px"><img class="size-full wp-image-268" title="dostoievski" src="http://www.caotico.com.br/wp-content/uploads/2009/08/dostoievski.jpg" alt="dostoievski" width="159" height="200" /><p class="wp-caption-text">Dostoievski: pensador e gênio da prosa</p></div><p>Fiódor Mikhailovitch Dostoievski nasceu em 1821, em Moscou, e sofreu muito durante a vida toda. Sua mãe morreu quando ele ainda era criança, seu pai era tão cruel que ele rezava pedindo para ficar órfão, era epiléptico, fracassou redondamente no primeiro casamento, foi preso, viveu na miséria, gastava o pouco que ganhava em jogo. Quando começou a fazer sucesso, morreu. Se fosse pernambucano, com certeza seria torcedor do meu Santa Cruz.</p><ul><li><a href="http://www.digestivocultural.com/colunistas/coluna.asp?codigo=2241">Resenha publicada no site Digestivo Cultural</a></li><li><a href="http://recantodasletras.uol.com.br/ensaios/971369">Artigo publicado no site Recanto das Letras</a></li><li><a href="http://www.sociedadedigital.com.br/artigo.php?artigo=225&amp;item=3">Pequena Biografia de Dostoievski publicada no site Sociedade Digital</a></li></ul><div class="addthis_toolbox addthis_default_style " addthis:url='http://www.caotico.com.br/recordacoes-da-casa-dos-mortos/' addthis:title='Recordações da Casa dos Mortos '  ><a class="addthis_button_facebook_like" fb:like:layout="button_count"></a><a class="addthis_button_tweet"></a><a class="addthis_button_google_plusone" g:plusone:size="medium"></a><a class="addthis_counter addthis_pill_style"></a></div>]]></content:encoded> <wfw:commentRss>http://www.caotico.com.br/recordacoes-da-casa-dos-mortos/feed/</wfw:commentRss> <slash:comments>5</slash:comments> </item> </channel> </rss>
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