<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?> <rss version="2.0" xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/" xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/" xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/" xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom" xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/" xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/" ><channel><title>Caótico &#187; czarismo</title> <atom:link href="http://www.caotico.com.br/tags/czarismo/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" /><link>http://www.caotico.com.br</link> <description>Espaço de leituras,  histórias &#38; especulações &#124; Por Inácio França</description> <lastBuildDate>Wed, 08 Feb 2012 13:36:43 +0000</lastBuildDate> <language>en</language> <sy:updatePeriod>hourly</sy:updatePeriod> <sy:updateFrequency>1</sy:updateFrequency> <xhtml:meta xmlns:xhtml="http://www.w3.org/1999/xhtml" name="robots" content="noindex" /> <item><title>Minha vida</title><link>http://www.caotico.com.br/minha-vida/</link> <comments>http://www.caotico.com.br/minha-vida/#comments</comments> <pubDate>Tue, 29 Nov 2011 14:36:27 +0000</pubDate> <dc:creator>Inácio França</dc:creator> <category><![CDATA[Leituras Caóticas]]></category> <category><![CDATA[czarismo]]></category> <category><![CDATA[literatura russa]]></category> <category><![CDATA[novela]]></category> <category><![CDATA[romance curto]]></category> <category><![CDATA[século XIX]]></category> <category><![CDATA[stalinismo]]></category> <category><![CDATA[Tchekhov]]></category> <category><![CDATA[tradução]]></category><guid isPermaLink="false">http://www.caotico.com.br/?p=1654</guid> <description><![CDATA[“Aqueles concidadãos sobre os quais antes eu não tinha nenhuma opinião ou que pela aparência pareciam bem honrados, agora se mostravam pessoas baixas, grosseiras, capazes de todo tipo de vileza. A nós, pessoas simples, enganavam, roubavam nas contas, obrigavam a esperar várias horas em antessalas frias ou na cozinha, ofendiam-nos e dirigiam-se a nós com [...]<div class="addthis_toolbox addthis_default_style " addthis:url='http://www.caotico.com.br/minha-vida/' addthis:title='Minha vida '  ><a class="addthis_button_facebook_like" fb:like:layout="button_count"></a><a class="addthis_button_tweet"></a><a class="addthis_button_google_plusone" g:plusone:size="medium"></a><a class="addthis_counter addthis_pill_style"></a></div>]]></description> <content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.caotico.com.br/wp-content/uploads/2011/11/MinhaVida.jpg"><img class="alignright size-full wp-image-1655" title="MinhaVida" src="http://www.caotico.com.br/wp-content/uploads/2011/11/MinhaVida.jpg" alt="" width="160" height="240" /></a>“Aqueles concidadãos sobre os quais antes eu não tinha nenhuma opinião ou que pela aparência pareciam bem honrados, agora se mostravam pessoas baixas, grosseiras, capazes de todo tipo de vileza. A nós, pessoas simples, enganavam, roubavam nas contas, obrigavam a esperar várias horas em antessalas frias ou na cozinha, ofendiam-nos e dirigiam-se a nós com extrema grosseria”.</p><p>Anton Tchekhov escreveu esse parágrafo na Rússia, em 1896. Faço as contas para que o leitor não fique quebrando a cabeça por besteira: esse trecho foi escrito há 115 anos, numa cidade gelada, em alfabeto cilírico, faz parte da novela <em>Minha vida</em>, que acaba de ser lançada no Brasil pela Editora 34<em> </em>e é um perfeito exemplo para se entender a célebre frase de outro russo, Tolstoi, sobre a possibilidade de ser universal quando se pinta a própria aldeia.</p><p>Ao ler esse fragmento de parágrafo de Tchekhov enxerguei alguns moradores dos melhores bairros recifenses, que passeiam pelos corredores de shoppings de mãos livres, enquanto a babá vem logo atrás carregando sacolas de compras, bolsa de bebê e o próprio bebê, pesado demais para os braços dos pais. Enxerguei também as empregadas domésticas, obrigadas a chegar mais cedo no trabalho para dar tempo de conduzir cachorrinhos mimados a espalhar merda pelas calçadas.</p><p>A literatura de Tchekhov é universal e longe de ser simplista, porém sua linguagem é acessível, incapaz de assustar leitores inexperientes que, à primeira vista, poderiam se intimidar diante de um “escritor-russo-clássico-do-século XIX”.</p><p>Na novela <em>Minha vida</em>, publicada originalmente com o subtítulo <em>Conto de um provinciano</em>, também está presente a opção de escrever sobre o cotidiano, a vida e as emoções das pessoas simples, como em seus contos geniais, já comentados pro mim aqui no Caótico (<a href="http://www.caotico.com.br/contos-de-tchekhov/">Contos de Tchekhov</a> e <a href="http://www.caotico.com.br/novamente-tchekhov/">Novamente Tchekhov</a>).</p><p>Permanecem tanto o universo temático quanto o ritmo veloz dos seus escritos curtos. O contista Tchekhov não deixa o leitor respirar nesse romance curto e coloca as cartas na mesa desde o primeiro capítulo. Para ser mais exato, desde a primeira página. A todo momento, tive a impressão que ele não teria assunto para prosseguir no próximo capítulo.</p><p><a href="http://www.caotico.com.br/wp-content/uploads/2011/11/tchekhov2.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-1656" title="tchekhov2" src="http://www.caotico.com.br/wp-content/uploads/2011/11/tchekhov2.jpg" alt="" width="146" height="203" /></a>A dificuldade de Tchekhov em migrar do formato curto para as narrativas mais longas é relatada pela tradutora, Denise Sales, em um posfácio repleto de boas informações sobre a rotina do escritor, que considerava “cacete” escrever histórias longas. Recomendo não desprezar esse posfácio, escrito com leveza e capaz de ajudar o leitor a compreender um pouco da rotina e do contexto intelectual da Rússia nas últimas décadas da monarquia.</p><p>É o próprio Tchekhov e não sua tradutora brasileira quem lança luzes sobre a sociedade russa e antecipa o que virá com a revolução bolchevique, que só aconteceu 13 anos após sua morte e 21 depois da publicação de <em>Minha vida. </em>Sua capacidade de compreender o dia-a-dia nas ruas, fazendas e aldeias da Rússia e retratá-lo com as ricas ferramentas da literatura é o que torna possível enxergar adiante. Ou ao menos entender os fenômenos sociais que possibilitaram, por exemplo, a violência do stalinismo.</p><p>Missail Poloznev, o protagonista da novela é filho de uma linhagem nobre empobrecida, porém com direitos ao privilégio de ocupar os cargos públicos do Estado czarista. Ele poderia fingir que trabalha para garantir o sustento e a pose pelo resto da vida, como fazem seus contemporâneos e conterrâneos. Mas ele quer algo mais da vida, sente-se eternamente deslocado entre tanta gente medíocre, preguiçosa e preconceituosa.</p><p>Ele se identifica com os pobres que pegam pesado no trabalho braçal. Para estupor geral – principalmente do seu pai, arquiteto corrupto e sem talento -, é nisso que vai trabalhar. Só então ele encontra um sentido para sua existência.</p><p>Sempre em primeira pessoa, Missail revela pelos operários e camponeses admiração proporcional ao desprezo por quem não “trabalha”, apesar de expressar respeito pelos intelectuais que são capazes de pensar e refletir com criticismo. Isso me levou direto a pensar sobre a glorificação do trabalho expressa pelo realismo socialista e sua estética avessa à criatividade e ao subjetivismo.</p><p>Durante a leitura, ora meu pensamento ia da Rússia do século XIX ao Brasil do século XXI quase sem escalas.</p><p>A crueza do narrador Missail ao retratar a corrupção em todas as instâncias da sociedade russa – do pintor que rouba tinta de quem o contrata aos engenheiros que cobram pesadas propinas para a ferrovia passar perto da cidade – poderia servir de base para interessantes reflexões sobre a pobreza e a superficialidade dos argumentos de quem marcha contra a corrupção segregando esse problema “aos políticos” ou “ao congresso”.</p><p>Espanta-me constatar que Anton Tchekhov, um homem dos anos 1900, sem internet ou televisão, percebia que os falsos moralistas de hoje não percebem: políticos corruptos são gerados por uma sociedade corrupta.</p><div class="addthis_toolbox addthis_default_style " addthis:url='http://www.caotico.com.br/minha-vida/' addthis:title='Minha vida '  ><a class="addthis_button_facebook_like" fb:like:layout="button_count"></a><a class="addthis_button_tweet"></a><a class="addthis_button_google_plusone" g:plusone:size="medium"></a><a class="addthis_counter addthis_pill_style"></a></div>]]></content:encoded> <wfw:commentRss>http://www.caotico.com.br/minha-vida/feed/</wfw:commentRss> <slash:comments>6</slash:comments> </item> <item><title>Os demônios</title><link>http://www.caotico.com.br/os-demonios/</link> <comments>http://www.caotico.com.br/os-demonios/#comments</comments> <pubDate>Tue, 21 Sep 2010 22:16:43 +0000</pubDate> <dc:creator>Inácio França</dc:creator> <category><![CDATA[Leituras Caóticas]]></category> <category><![CDATA[czar]]></category> <category><![CDATA[czarismo]]></category> <category><![CDATA[Dostoievski]]></category> <category><![CDATA[fundamentalistas]]></category> <category><![CDATA[literatura russa]]></category> <category><![CDATA[nazismo]]></category> <category><![CDATA[niilismo]]></category> <category><![CDATA[Paulo Bezerra]]></category> <category><![CDATA[Rússia]]></category> <category><![CDATA[século XIX]]></category> <category><![CDATA[stalinismo]]></category> <category><![CDATA[totalitarismo]]></category> <category><![CDATA[tradução]]></category><guid isPermaLink="false">http://www.caotico.com.br/?p=946</guid> <description><![CDATA[Estou ficando íntimo de Dostoievski. Viciado também. O problema é que tamanha intimidade implica em mais responsabilidade: sinto o peso de conseguir expressar o quanto eu gosto do que o russo deixou escrito e, o mais importante, o porquê eu gosto tanto dos seus romances. No caso de Os demônios, há mais ou menos quatro [...]<div class="addthis_toolbox addthis_default_style " addthis:url='http://www.caotico.com.br/os-demonios/' addthis:title='Os demônios '  ><a class="addthis_button_facebook_like" fb:like:layout="button_count"></a><a class="addthis_button_tweet"></a><a class="addthis_button_google_plusone" g:plusone:size="medium"></a><a class="addthis_counter addthis_pill_style"></a></div>]]></description> <content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.caotico.com.br/wp-content/uploads/2010/09/os-demonios-capa.jpg"><img class="alignright size-medium wp-image-947" title="os-demonios-capa" src="http://www.caotico.com.br/wp-content/uploads/2010/09/os-demonios-capa-262x350.jpg" alt="" width="134" height="178" /></a>Estou ficando íntimo de <a href="http://www.caotico.com.br/recordacoes-da-casa-dos-mortos/">Dostoievski</a>. Viciado também. O problema é que tamanha intimidade implica em mais responsabilidade: sinto o peso de conseguir expressar o quanto eu gosto do que o russo deixou escrito e, o mais importante, o porquê eu gosto tanto dos seus romances.</p><p>No caso de <em>Os demônios, </em>há mais ou menos quatro anos planejava lê-lo, mas “os acontecimentos se precipitaram” (perdão, mas estava querendo muito usar esse clichê)<em> </em>quando resolvi embarcar junto com Samarone num projeto que mistura jornalismo e literatura. Esta decisão tornou imprescindível o mergulho na leitura do livro que, durante décadas, ficou conhecido no Brasil como <em>Os possessos, </em>por causa das traduções que eram feitas a partir de edições francesas e não diretamente do original em russo.</p><p>Como sempre, a experiência de ler mais um Dostoievski foi arretada, apesar do início meio travado, pois a primeira das três partes ele apresenta o perfil de alguns personagens, dá algumas pistas sobre o contexto social da Rússia na segunda metade do século XIX e retrata o ambiente rural de um lugarzinho chamado Skvoriéchniki.</p><p>A sensação de tédio que toma conta da leitura parece ser proposital, pois não creio que exista algo casual em Dostoievski. Com o cuidado de um pintor de pinceladas lentas e cautelosas, ele vai retratando o lugar pequeno, os intelectuais da província, vidinha sem novidades, gente que vem do exterior, blá-blá-blá sem fim de saraus que não levam a lugar nenhum. Rotina.</p><p>É preciso ter paciência. Acredite: é uma beleza a arquitetura desse romance e o leitor paciente será recompensado lgo depois.</p><p>A primeira parte, aliás, me fez lembrar um texto menor que li do russo, uma novela chamada <em>A aldeia de Stiepanchikov e seus habitantes, </em>escrita 12 anos antes de <em>Os demônios </em>e cujos elementos parecem ter sido usados como matriz para compor o cenário do romance, tanto que um dos personagens principais se chama Stiepan e é um sujeito meio pateta, que posa de grande intelectual, mas que nunca produziu nada de interessante. Um tantinho assim parecido com o personagem principal da aldeia de Stiepanchikov.</p><p>Dostoievski não oferece nada de graça para o leitor. Dois parágrafos acima usei a expressão “dá algumas pistas”, um jeito bom para definir o que ele faz o tempo todo ao longo do romance. Os confusos e incompletos diálogos da primeira parte contêm indícios do papel que cada personagem irá representar no desenrolar da trama.</p><p>A prosa muda de rumo e velocidade a partir do início da segunda parte. Aos poucos, a confusão de falas, ataques histéricos e a multidão de personagens começam a fazer sentido e o leitor vai montando o quebra-cabeça. Quem já leu Nélson Rodrigues vai identificar fácil fácil o que impactou e influenciou o nosso melhor reacionário.</p><p>A história contada pelo barbudo Fiodor com seu arsenal de recursos técnicos, seu estoque de imaginação e sua genialidade expõe os grupelhos radicais e de escassa ideologia que se espalharam pela Rússia nas décadas finais da monarquia czarista. Em alguns momentos, como no diálogo que transcrevi nos <a href="http://www.caotico.com.br/trechos-arretados/">Trechos Arretados</a> ele também recorre ao humor, elemento raro em sua obra.</p><p>Mesmo sem perder o foco na história e da sociologia do seu tempo, Dostoievski desce à esfera dos indivíduos, vai direto no coração, na alma das pessoas que se mobilizavam para mudar a Rússia, o mundo, alguns por convicção, outros por idealismo, outros mais por revolta. E muitos por ambição, mesquinharia ou sede de poder.</p><p>Seus personagens revelam as extremidades do idealismo. E como um sujeito pode manipular os idealistas, os convictos, os ambiciosos e os revoltados para que se cometa um crime em nome de uma etérea “causa comum” que nada tem de causa e pouco tem de comum.</p><p>Não falta sangue em <em>Os demônios</em>. Dostoievski não economiza realismo quando o assunto é assassinato, ele não poupa personagens nem leitores do sofrimento.</p><p>Sobre <em>Os</em> <em>demônios </em>as resenhas e textos críticos – como o ótimo texto do ótimo tradutor Paulo Bezerra, no final do volume &#8211; costumam dizer que o livro antecipou as ideologias totalitárias que justificaram os crimes de Stálin, de Hitler, dos generais latino-americanos, de Bush, de Israel e dos fundamentalistas islâmicos. É verdade, mas o barbudo faz isso com enorme talento, identificando na aldeia, aquilo que é universal. Ou melhor, o que ainda viria ser universal.</p><p><strong>Sobre o tradutor</strong></p><p><a href="http://www.caotico.com.br/wp-content/uploads/2010/09/PauloBezerra2.jpg"><img class="alignnone size-medium wp-image-948" title="PauloBezerra2" src="http://www.caotico.com.br/wp-content/uploads/2010/09/PauloBezerra2-233x350.jpg" alt="" width="165" height="248" /></a></p><p>Paulo Bezerra é paraibano, mas especializou-se em tradução na Universidade Lomonossov, em Moscou. Hoje é professor de literatura da Universidade Federal Fluminense, no Rio. A tradução de <em>Os demônios</em> lhe rendeu um Prêmio Jabuti, em 2005. Antes, já havia sido responsável pela primeira tradução direta do russo para o português “brasileiro” de <a href="http://www.caotico.com.br/crime-e-castigo-do-blog-de-milton-ribeiro/"><em>Crime e Castigo</em></a>. Spaciba, Paulo.</p><div class="addthis_toolbox addthis_default_style " addthis:url='http://www.caotico.com.br/os-demonios/' addthis:title='Os demônios '  ><a class="addthis_button_facebook_like" fb:like:layout="button_count"></a><a class="addthis_button_tweet"></a><a class="addthis_button_google_plusone" g:plusone:size="medium"></a><a class="addthis_counter addthis_pill_style"></a></div>]]></content:encoded> <wfw:commentRss>http://www.caotico.com.br/os-demonios/feed/</wfw:commentRss> <slash:comments>6</slash:comments> </item> <item><title>Contos de Tchekhov</title><link>http://www.caotico.com.br/contos-de-tchekhov/</link> <comments>http://www.caotico.com.br/contos-de-tchekhov/#comments</comments> <pubDate>Thu, 10 Dec 2009 20:10:01 +0000</pubDate> <dc:creator>Inácio França</dc:creator> <category><![CDATA[Leituras Caóticas]]></category> <category><![CDATA[A dama do cachorrinho]]></category> <category><![CDATA[Contos]]></category> <category><![CDATA[czarismo]]></category> <category><![CDATA[literatura russa]]></category> <category><![CDATA[Rússia pré-revolucionária]]></category> <category><![CDATA[Tchekhov]]></category><guid isPermaLink="false">http://www.caotico.com.br/?p=535</guid> <description><![CDATA[Nos últimos dias, o tempo da leitura foi arrancado na marra. Duas páginas no banheiro, mais duas enquanto aguardava a milésima reunião do ano, dois parágrafos na cama antes de arriar no sono, outra página no carro da prefeitura, correndo o risco de descolar a retina. E assim foi, aos trancos e barrancos, da pior [...]<div class="addthis_toolbox addthis_default_style " addthis:url='http://www.caotico.com.br/contos-de-tchekhov/' addthis:title='Contos de Tchekhov '  ><a class="addthis_button_facebook_like" fb:like:layout="button_count"></a><a class="addthis_button_tweet"></a><a class="addthis_button_google_plusone" g:plusone:size="medium"></a><a class="addthis_counter addthis_pill_style"></a></div>]]></description> <content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignright size-full wp-image-536" title="dama_do_cachorrinho" src="http://www.caotico.com.br/wp-content/uploads/2009/12/dama_do_cachorrinho.jpg" alt="dama_do_cachorrinho" width="101" height="167" />Nos últimos dias, o tempo da leitura foi arrancado na marra. Duas páginas no banheiro, mais duas enquanto aguardava a milésima reunião do ano, dois parágrafos na cama antes de arriar no sono, outra página no carro da prefeitura, correndo o risco de descolar a retina. E assim foi, aos trancos e barrancos, da pior maneira possível li 12 contos de um dos melhores escritores da história.</p><p>Há tempos que eu estava me devendo ler alguma coisa de Anton Tchekhov (se ainda lembro das aulas de russo com a professora Ewa, a pronúncia é mais ou menos assim: txerróf). Antes de chegar ao último conto, estava com uma inveja danada de quem leu 22 livros dele, como o blogueiro gaúcho <a href="http://miltonribeiro.opsblog.org/2008/08/21/anotacoes-pessoais-sobre-anton-tchekhov-e-e-mail-recebido/">Milton Ribeiro</a>.</p><p>Os contos do russo foram escritos no final do século XIX, poucos no início do século XX, mas poderiam ter sido publicados na semana passada aqui no Brasil, no Sri Lanka ou qualquer outra parte do mundo. A prosa de Tchekhov é atualíssima. Esses contos jamais vão caducar, pelo menos não enquanto os humanos se apaixonarem, sofrerem por do amor, sonharem, alimentarem esperanças de mudar a vida.</p><p>O pessoal que estuda história e crítica literária diz que ele mudou os rumos da literatura porque tratou com técnica e poesia o cotidiano do homem comum, gente como o médico de província, o órfão explorado, a mocinha do interior que não aceita o casamento arranjado.</p><p>É verdade isso que dizem os especialistas. Enquanto avançava na leitura, senti que já havia encontrado Tchekhov em algum lugar, já o conhecia de vista. Há muito de Tchekhov nas crônicas de Rubem Braga. Também há Tchekhov no romance de <a href="http://www.caotico.com.br/a-tregua/">Mário Benedetti</a>. Encontrei Tchekhov em <a href="http://www.caotico.com.br/dublinenses/">Joyce</a>, que começou a escrever suas coisinhas quando o russo já era popular que só a gota-serena.</p><p>Há várias coletâneas de histórias espalhadas por aí, de diferentes editoras. O que li foi <em>A dama do cachorrinho e outras histórias</em>, da L&amp;PM, presente de aniversário da minha filha Júlia. Nos contos desse livros, a rígida hierarquia do czarismo, a aristocracia decadente, a miséria no campo, a neve, tudo isso é apenas pano de fundo para uma narrativa delicada, sutil, espelho do respeito e do amor do autor por quem sofre, pelos fracos, pelos explorados. O que importa são os personagens, o ser humano.</p><p>Mas há sarcasmo também. No conto “A irrequieta”, a mocinha recém-casada com o jovem e tímido médico é totalmente deslumbrada com o mundo das artes, vive em torno de pintores, atores, escultores, escritores. Não pinta um borrão de caneta, não escreve uma vírgula, mas é uma artista. Ao seu modo, com sutileza e sem julgamentos morais, o autor é implacável com a moça.</p><p>Esse conto é um bom exemplo da atualidade do olhar de Tchekhov sobre a sociedade de sua época. Se trocarmos o Volga pelo Capibaribe, a neve pelo calor, os casacos de lã pela saias indianas compradas no shopping, identificamos a “irrequieta” em dúzias de babaquinhas que vivem em torno de bandas de música, de cineastas, de produtores. Gente que gosta de arte e de cultura, desde que essa cultura seja produzida por gente branca e que o povo fique bem longe, só aplaudindo. Ah, se eu tivesse o talento de Tchekhov&#8230;</p><p>O conto que dá título ao livro faz juz à fama. É a perfeição em forma de narrativa curta, uma beleza. Os personagens Gurov e Anna se tornam mais palpáveis, mais reais a cada parágrafo. Senti a ansiedade dos amantes, a necessidade de ver o outro, a dor da paixão clandestina, a incerteza. O final sem fechamento, sem conclusão, é de lascar de tão bom.</p><p>Alguém nos comentários sobre o livro <em><a href="http://www.caotico.com.br/dois-irmaos/">Dois Irmãos</a>, </em>acho que foi Renatinha Reynaldo, disse que acabou a leitura e se sentiu feliz. Talvez se eu tivesse lido esse livro de uma tacada só, sem tantas interrupções e aperreios, meu sentimento também fosse igual. Mesmo assim, a sensação no final de vários contos (principalmente “A corista”, “A irrequieta”, “A dama do cachorrinho” e a “A noiva”) é de que alguém tinha acabado de me falar algo importante, algo capaz de explicar ou mudar muita coisa na vida.</p><p><img class="alignnone size-medium wp-image-537" title="chekhov" src="http://www.caotico.com.br/wp-content/uploads/2009/12/chekhov-282x350.jpg" alt="chekhov" width="185" height="230" /> <img class="alignnone size-medium wp-image-538" title="6259 russia taganrog the house of chekhov thumbnails" src="http://www.caotico.com.br/wp-content/uploads/2009/12/6259-russia-taganrog-the-house-of-chekhov-thumbnails-350x262.jpg" alt="6259 russia taganrog the house of chekhov thumbnails" width="307" height="230" /></p><p><strong>Sobre o escritor</strong></p><p>Anton Tchekhov viveu apenas 44 anos, mas até hoje faz barulho na alma de quem lê seus escritos. Seus contos revelam sensibilidade e que ele tinha um lado bem definido na vida: o lado dos mais fracos. Gostei tanto do que li, que procurei imagens da sua cidade. Encontrei a foto da casa dele, na cidade que nasceu,  Taganrog, no sul da Rússia, à beira do mar de Azov.</p><ul><li><a href="http://panorama-direitoliteratura.blogspot.com/2007/12/anton-tchekhov-dama-do-cachorrinho.html"><strong>Clique aqui para ler uma ótima resenha sobre a <em>A dama do cachorrinho </em>no site Panorama</strong></a></li><li><strong><a href="http://miltonribeiro.opsblog.org/2008/08/21/anotacoes-pessoais-sobre-anton-tchekhov-e-e-mail-recebido/">Clique aqui para ler uma declaração de amor arretada à obra de Tchekhov, por Milton Ribeiro</a><br /> </strong></li></ul><div class="addthis_toolbox addthis_default_style " addthis:url='http://www.caotico.com.br/contos-de-tchekhov/' addthis:title='Contos de Tchekhov '  ><a class="addthis_button_facebook_like" fb:like:layout="button_count"></a><a class="addthis_button_tweet"></a><a class="addthis_button_google_plusone" g:plusone:size="medium"></a><a class="addthis_counter addthis_pill_style"></a></div>]]></content:encoded> <wfw:commentRss>http://www.caotico.com.br/contos-de-tchekhov/feed/</wfw:commentRss> <slash:comments>7</slash:comments> </item> </channel> </rss>
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