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	<title>Caótico &#187; edição de bolso</title>
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	<description>Espaço de leituras,  histórias &#38; especulações &#124; Por Inácio França</description>
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		<title>Dois Irmãos</title>
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		<pubDate>Fri, 20 Nov 2009 15:48:37 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Inácio França</dc:creator>
				<category><![CDATA[Leituras Caóticas]]></category>
		<category><![CDATA[Amazônia]]></category>
		<category><![CDATA[edição de bolso]]></category>
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		<description><![CDATA[Fazer, atualizar, escrever o Caótico me dá uma satisfação enorme. Por causa do método que criei “na tora” para manter o blog, a cada postagem aprendo um pouco mais sobre algo. Sempre que escolho a livro a ser comentado – coisas que li há muito tempo ou que acabei de guardar na estante -, procuro [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignright size-full wp-image-513" title="2irmãos" src="http://www.caotico.com.br/wp-content/uploads/2009/11/2irmãos1.jpg" alt="2irmãos" width="122" height="184" />Fazer, atualizar, escrever o Caótico me dá uma satisfação enorme. Por causa do método que criei “na tora” para manter o blog, a cada postagem aprendo um pouco mais sobre algo. Sempre que escolho a livro a ser comentado – coisas que li há muito tempo ou que acabei de guardar na estante -, procuro na internet outras informações ou opiniões sobre o autor e o texto. Sem querer, ação fazendo diálogos mudos e virtuais com outros leitores.</p>
<p>Não bastasse isso, o compromisso de manter o blog vivo me estimula a novas leituras, a escacavilhar minha estante e redescobrir os livros que, um dia, despertaram tanto minha curiosidade a ponto de trazê-los para casa. Desta vez foi <em>Dois Irmãos, </em>de Milton Hatoum, um dos mais respeitados autores brasileiros neste início de século, mas cuja prosa ainda não conhecia.</p>
<p>As primeiras páginas de <em>Dois Irmãos </em>são arrasadoras, deu nó na garganta a narrativa das emoções do rapazote Yaqub, irmão gêmeo de Omar, quando ele volta de uma temporada na casa de um tio na aldeia do Líbano, para onde foi sozinho pro decisão dos pais. Parei a leitura nesse ponto e precisei de um dia para me acostumar com os sentimentos e retomá-la.</p>
<p>Ao contrário do que sugere o título, há muito mais no romance do que os ressentimentos e o ódio entre os irmãos gêmeos.</p>
<p>Há outras tensões entre integrantes da família do casal de imigrantes Halim e Zana; tem muito Édipo na mãe superprotetora e sufocante; incestos apenas insinuados; há o marido com o tesão asfixiado pela presença dos filhos; há o desenvolvimento urbano de Manaus; a integração entre imigrantes de várias partes do mundo no meio da floresta amazônica; tem também a construção de identidades particulares e coletivas dos povos da Amazônia, gente tão pouco conhecida pelos outros brasileiros.</p>
<p>Na prosa de Hatoum não há escândalo ou julgamento moral nem mesmo quando um poeta é assassinado ou naquilo que parece ser um incesto. A narrativa é serena, relato da memória distante de um personagem que se tornou fiel depositário das histórias e do passado.</p>
<p>Aliás, na minha opinião, esse personagem é um verdadeiro achado do autor. O sujeito está ali dentro da casa de Halim e Zana, foi testemunha de muita coisa. O que ele não viu, ouviu da boca da mãe ou do chefe da família. Narrador e personagem secundário, sempre nas laterais, nunca no centro, próximo dos fatos, mas capaz de construir sua própria vida, se afastar dos ódios e de um passado que, no frigir dos ovos, não era seu.</p>
<p>Outro mérito do romance é relatar o cotidiano de Manaus, contar como era a vida nos igarapés no século XX, mas fazer isso de forma universal, sem escorregar no regionalismo.</p>
<p>Nas leituras pós-leitura do livro, descobri algo que me deixou animado: muitas universidades já adotaram <em>Dois Irmãos</em> em seus vestibulares, incluindo a Universidade Federal do Rio Grande do Sul.  Pense numa coisa boa que é saber que rapazes e moças  de tudo quanto é lugar do País tomando contato com o universo dos imigrantes árabes na Amazônia, com a obra de um autor contemporâneo que vive bem longe do eixo Rio-São Paulo.</p>
<p>No texto da contracapa da edição de bolso &#8211; cuja capa tá reproduzida lá no alto &#8211; uma curiosidade, ou melhor, uma bobagem cometida pela editora Companhia das Letras. Provavelmente, quem escreveu o parágrafo não prestou atenção no que leu, pois apresenta o livro informando que é a &#8220;história conturbada dos gêmeos Yaqub e Omar, na Amazônia, durante o regime militar&#8221;. Regime militar?!?!?!?! O golpe de 1964 ocupa, se não me engano, um ou dois capítulos do livro. Além disso, uma construção dá a entender que as opções políticas ou ideológica dos irmãos dão o tom da trama. Longe, muito longe disso.</p>
<p><strong>Sobre o escritor: Hatoum tem mais Jabuti que o Horto de Dois Irmãos</strong></p>
<p><img class="alignnone size-medium wp-image-514" title="20080811mbmiltonhatoum0047" src="http://www.caotico.com.br/wp-content/uploads/2009/11/20080811mbmiltonhatoum0047-350x233.jpg" alt="20080811mbmiltonhatoum0047" width="295" height="196" /></p>
<p>Milton Hatoum tem 57 anos e antes de ganhar a vida escrevedo, foi professor de literatura nas Universidades do Amazonas e de Berkeley, na Califórnia. Conseguiu a proeza de ganhar três prêmios Jabuti e é um dos um escritores brasileiros mais traduzidos mundo afora. Pensando bem, ganhar prêmios não é um critério muito confiável, afinal até eu já fui jurado do Jabuti&#8230;</p>
<ul>
<li><a href="http://www.hottopos.com/collat6/milton1.htm"><strong>Clique aqui para ler uma uma entrevista com Milton Hatoum</strong></a></li>
<li><strong><a href="http://www.digestivocultural.com/colunistas/coluna.asp?codigo=2331">Clique aqui para ler o que o site Digestivo Cultural publicou sobre <em>Dois Irmãos</em></a></strong><strong><br />
</strong></li>
</ul>
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