<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?> <rss version="2.0" xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/" xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/" xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/" xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom" xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/" xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/" ><channel><title>Caótico &#187; Funcultura</title> <atom:link href="http://www.caotico.com.br/tags/funcultura/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" /><link>http://www.caotico.com.br</link> <description>Espaço de leituras,  histórias &#38; especulações &#124; Por Inácio França</description> <lastBuildDate>Tue, 31 Jan 2012 15:28:23 +0000</lastBuildDate> <language>en</language> <sy:updatePeriod>hourly</sy:updatePeriod> <sy:updateFrequency>1</sy:updateFrequency> <xhtml:meta xmlns:xhtml="http://www.w3.org/1999/xhtml" name="robots" content="noindex" /> <item><title>Curtas do Caótico</title><link>http://www.caotico.com.br/curtas-do-caotico/</link> <comments>http://www.caotico.com.br/curtas-do-caotico/#comments</comments> <pubDate>Thu, 08 Dec 2011 15:46:13 +0000</pubDate> <dc:creator>Inácio França</dc:creator> <category><![CDATA[Elocubrações]]></category> <category><![CDATA[Cida Pedrosa]]></category> <category><![CDATA[comércio online]]></category> <category><![CDATA[Expedição Capibaribe]]></category> <category><![CDATA[Funcultura]]></category> <category><![CDATA[literatura na internet]]></category> <category><![CDATA[literatura pernambucana]]></category> <category><![CDATA[livros usados]]></category> <category><![CDATA[museu virtual]]></category> <category><![CDATA[Poesia]]></category> <category><![CDATA[rio Capibaribe]]></category> <category><![CDATA[sebos]]></category> <category><![CDATA[Sennor Ramos]]></category> <category><![CDATA[Tuca Siqueira]]></category> <category><![CDATA[Um rio de gente]]></category><guid isPermaLink="false">http://www.caotico.com.br/?p=1672</guid> <description><![CDATA[Milhão Seria possível um site de poesia e algum conteúdo de literatura, criado numa província distante do superpovoado eixo Rio-São Paulo, receber mais de 1.000.000 (isso mesmo, um milhão) e visitas anualmente? Acredite: é possível e aconteceu. Essa foi a audiência do Interpoética entre janeiro e novembro deste ano. 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Acredite: é possível e aconteceu. Essa foi a audiência do <a href="http://www.interpoetica.com/">Interpoética</a> entre janeiro e novembro deste ano.</p><p>São quase 91.000 visitas únicas por mês. Pouco quando comparado aos portais que atingem mensalmente marcas dessa magnitude, porém muito, mas muito mesmo, se levarmos em consideração que o site abriga versos, crônicas, vídeos de poetas declamando e motes de autores que vivem em Pernambuco. Criado há seis anos pelo webmaster Sennor Ramos e os poetas Cida Pedrosa e Raimundo de Moraes, o Interpoética também foi o primeiro ponto de cultura digital do estado.</p><p>*****</p><h2><strong>Capibaribe</strong></h2><p><a href="http://www.caotico.com.br/wp-content/uploads/2011/12/MuseuCapibaribe1.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-1677" title="MuseuCapibaribe" src="http://www.caotico.com.br/wp-content/uploads/2011/12/MuseuCapibaribe1-350x228.jpg" alt="" width="214" height="139" /></a>Sennor Ramos também é um dos nomes que assinam o <a href="http://www.museucapibaribe.com/">Museu Capibaribe</a>, uma exposição virtual e permanente das belezas que brotam do rio Capibaribe em fotos, vídeos, versos e textos. O museu é o prego-batido-ponta-virada de uma sequência de projetos coordenados pelo especialista em recursos hídricos Alexandre Sávio Ramos e financiados pelo Funcultura. O pontapé inicial desses projetos foi dado em 2007 com a Expedição Capibaribe, que se propôs a identificar artesãos, artistas plásticos, poetas e fazedores de cultura dos municípios banhados pelo rio.</p><p>Depois foi a vez da Exposição Capibaribe, quando os achados do primeiro projeto foram apresentados à população das cidades por onde a expedição havia passado. Finalmente, em 2010, foi lançado o livro <em>Um rio de gente</em>, com textos deste modestíssimo escriba e fotografias de Tuca Siqueira. Agora, tudo isso está disponível para o público na internet.</p><p>*****</p><h2><strong>Rede de sebos</strong></h2><p><a href="http://www.caotico.com.br/wp-content/uploads/2011/12/Livronauta.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-1678" title="Livronauta" src="http://www.caotico.com.br/wp-content/uploads/2011/12/Livronauta-350x237.jpg" alt="" width="213" height="144" /></a>Uma das primeiras postagens desse blog, lá pelos meados de 2009, foi sobre as maravilhas da rede de sebos virtual Estante Virtual, um modo simples, rápido e eficiente de procurar e comprar livros usados. Dia desses descobri a existência de uma boa alternativa à Estante. O <a href="http://www.livronauta.com.br/">Livronauta</a> é outra rede de sebos que completa um ano de existência agora em dezembro e conta com 423 sebos parceiros e mais de 2,8 milhões de livros cadastrados.</p><p>O criador do site, o paranaense Alejandro Rubio, explica que o Livronauta gera mais segurança para o comprador porque toda compra gera um contrato comercial, conforme as regras do Código de Defesa do Consumidor, além de possuir um serviço de atendimento on-line das 9h às 19h por meio de telefone, e-mail , twitter, facebook, chat ou skype.</p><div class="addthis_toolbox addthis_default_style " addthis:url='http://www.caotico.com.br/curtas-do-caotico/' addthis:title='Curtas do Caótico '  ><a class="addthis_button_facebook_like" fb:like:layout="button_count"></a><a class="addthis_button_tweet"></a><a class="addthis_button_google_plusone" g:plusone:size="medium"></a><a class="addthis_counter addthis_pill_style"></a></div>]]></content:encoded> <wfw:commentRss>http://www.caotico.com.br/curtas-do-caotico/feed/</wfw:commentRss> <slash:comments>1</slash:comments> </item> <item><title>Relato de um lançamento cheio de gente</title><link>http://www.caotico.com.br/relato-de-um-lancamento-cheio-de-gente/</link> <comments>http://www.caotico.com.br/relato-de-um-lancamento-cheio-de-gente/#comments</comments> <pubDate>Sat, 27 Mar 2010 19:47:20 +0000</pubDate> <dc:creator>Inácio França</dc:creator> <category><![CDATA[Elocubrações]]></category> <category><![CDATA[Capibaribe]]></category> <category><![CDATA[Funcultura]]></category> <category><![CDATA[Fundarpe]]></category> <category><![CDATA[História Oral]]></category> <category><![CDATA[Inácio França]]></category> <category><![CDATA[interpoética]]></category> <category><![CDATA[mamam]]></category> <category><![CDATA[rio]]></category> <category><![CDATA[Tuca Siqueira]]></category> <category><![CDATA[Um rio de gente]]></category><guid isPermaLink="false">http://www.caotico.com.br/?p=642</guid> <description><![CDATA[Eram mais de dez da noite quando o lançamento de Um Rio de Gente acabou. Meu estado era de petição de miséria. Eu e Tuquinha autografamos uns 290 livros durante três horas. Nunca pensei que ficar sentado, escrevendo duas ou três frases aparentemente inteligentes e assinando embaixo fosse algo tão cansativo. Depois do último livro, [...]<div class="addthis_toolbox addthis_default_style " addthis:url='http://www.caotico.com.br/relato-de-um-lancamento-cheio-de-gente/' addthis:title='Relato de um lançamento cheio de gente '  ><a class="addthis_button_facebook_like" fb:like:layout="button_count"></a><a class="addthis_button_tweet"></a><a class="addthis_button_google_plusone" g:plusone:size="medium"></a><a class="addthis_counter addthis_pill_style"></a></div>]]></description> <content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.caotico.com.br/wp-content/uploads/2010/03/lançariodegente.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-643" title="lançariodegente" src="http://www.caotico.com.br/wp-content/uploads/2010/03/lançariodegente-350x234.jpg" alt="" width="239" height="160" /></a>Eram mais de dez da noite quando o lançamento de <em>Um Rio de Gente </em>acabou. Meu estado era de petição de miséria. Eu e Tuquinha autografamos uns 290 livros durante três horas. Nunca pensei que ficar sentado, escrevendo duas ou três frases aparentemente inteligentes e assinando embaixo fosse algo tão cansativo. Depois do último livro, contabilizava dores no braço direito, nas costas e a vista ardendo.</p><p>As dedicatórias não variavam muito, duas ou três, de acordo com a cara do freguês. Para Júlia Kacowicz, do Diário, que entende dessas coisas de meio-ambiente, escrevi algo ecologicamente correto. O livro de Luciana Santos recebeu uma frase mais politicamente engajada. No finalzinho, não conseguia repetir a letra de jeito nenhum: tinha que mudar os movimentos da mão para driblar uma dorzinha sacana com vocação para virar uma tendinite.</p><p>Ontem, me arrastei o dia todo, estropiado. Parecia que tinha disputado uma meia-maratona na véspera. O fato de, só nos acréscimos do segundo tempo, terem descoberto que havia um ventilador de teto bem acima das nossas cabeça não nos ajudou muito.</p><p>Dizem que o lançamento foi bem organizado. Iniciei o parágrafo com “dizem” porque, autografando livros, não vi nada da festa que Alexandre Ramos e Tuca organizaram. Tinha bolo de macaxeira, tapioca e uma inédita raspa-raspa com vodca. Nada disso eu vi. Mas tomei uma dúzia de copos de suco de fruta, mas só depois que os garçons descobriram que a dupla que estava de castigo na mesa eram as estrelas da festa. Aposto que foi Geórgia, a menina-dos-meus-olhos, quem avisou.</p><p>As poetisas lideradas por Cida Pedrosa fizeram uma leitura de trechos do livro. Escutei trechos e agradeço muito às declamadoras, mas não conheci nenhuma delas. Cida, aliás, escreveu um texto em  seu <a href="http://www.interpoetica.com/um_rio_de_gente.htm">Interpoética</a> que me encheu de satisfação e inflou meu ego.</p><p>A quantidade de gente que compareceu ao Mamam surpreendeu a mim e a Alexandre. Como os livros só ficaram prontos três dias antes, o trabalho do assessor de imprensa Daniel Vilarouca foi bastante prejudicado. O temporal que caiu de tarde e o engarrafamento paulistânico na Agamenon Magalhães me deixaram ainda mais céticos.</p><p>Não acredito que a importância de qualquer coisa possa ser aquilatada pelo tamanho do público, mas estou convencido que a pequena multidão que foi ao Mamam confirmou o quanto foi acertada nossa decisão de não comercializar o livro.</p><p>Muita gente que estava lá nem passaria por perto se fizéssemos o lançamento numa livraria sofisticada e cobrássemos 3o contos por exemplar. E o livro foi produzido com recursos públicos, da pesquisa à impressão. Ou seja, não nos pertence. Por isso, a distribuição gratuita no lançamento. Por isso, a distribuição para escolas e bibliotecas. É preciso devolver ao povo às histórias contadas pelo povo simples do Capibaribe.</p><p>Agradeço a Beth e Sílvia do Mamam pela acolhida. Agradeço a todos que foram ao lançamento, mas agradeço também aos que não foram. Se tivesse ido mais gente, eu e Tuca teríamos saído de maca.</p><p>Agradeço publicamente a Alexandre, à própria Tuca Siqueira e ao povo da Via Design. É bom demais trabalhar em equipe com gente decente, instigada e generosa.</p><p>*****</p><p>A foto lá em cima de Passarinho. O pirralho é o caçula Bruno.</p><div class="addthis_toolbox addthis_default_style " addthis:url='http://www.caotico.com.br/relato-de-um-lancamento-cheio-de-gente/' addthis:title='Relato de um lançamento cheio de gente '  ><a class="addthis_button_facebook_like" fb:like:layout="button_count"></a><a class="addthis_button_tweet"></a><a class="addthis_button_google_plusone" g:plusone:size="medium"></a><a class="addthis_counter addthis_pill_style"></a></div>]]></content:encoded> <wfw:commentRss>http://www.caotico.com.br/relato-de-um-lancamento-cheio-de-gente/feed/</wfw:commentRss> <slash:comments>8</slash:comments> </item> <item><title>Tô na área!</title><link>http://www.caotico.com.br/to-na-area/</link> <comments>http://www.caotico.com.br/to-na-area/#comments</comments> <pubDate>Wed, 09 Dec 2009 01:14:36 +0000</pubDate> <dc:creator>Inácio França</dc:creator> <category><![CDATA[Elocubrações]]></category> <category><![CDATA[falta de tempo]]></category> <category><![CDATA[Funcultura]]></category> <category><![CDATA[Olinda]]></category><guid isPermaLink="false">http://www.caotico.com.br/?p=533</guid> <description><![CDATA[Calma, não abandonei o blog. Acho que amanhã (quarta-feira) eu atualizo o bichinho novamente. A culpa do grande intervalo desde a última postagem é do ritmo de final-de-ano em Olinda, com um monte de coisas que aparecem a toda hora, além do tempo que estou dedicando à redação do livro Um Rio de Gente, financiado [...]<div class="addthis_toolbox addthis_default_style " addthis:url='http://www.caotico.com.br/to-na-area/' addthis:title='Tô na área! '  ><a class="addthis_button_facebook_like" fb:like:layout="button_count"></a><a class="addthis_button_tweet"></a><a class="addthis_button_google_plusone" g:plusone:size="medium"></a><a class="addthis_counter addthis_pill_style"></a></div>]]></description> <content:encoded><![CDATA[<p>Calma, não abandonei o blog. Acho que amanhã (quarta-feira) eu atualizo o bichinho novamente. A culpa do grande intervalo desde a última postagem é do ritmo de final-de-ano em Olinda, com um monte de coisas que aparecem a toda hora, além do tempo que estou dedicando à redação do livro <em>Um Rio de Gente, </em>financiado pelo Funcultura. O tempo anda tão curto que estou há mais de uma semana carregando pra lá e pra cá um livrinho de contos de Tchekov, sem conseguir conclui-lo.</p><p>Enquanto não publico nada novo por aqui, quem estiver interessado sobre o livro que estou escrevendo pode ler postagens <a href="http://www.caotico.com.br/um-livro-em-gestacao/">Um livro em Gestação</a> e <a href="http://www.caotico.com.br/a-parabolica-do-seu-inacio/">A Parabólica do Seu Inácio</a>.</p><div class="addthis_toolbox addthis_default_style " addthis:url='http://www.caotico.com.br/to-na-area/' addthis:title='Tô na área! '  ><a class="addthis_button_facebook_like" fb:like:layout="button_count"></a><a class="addthis_button_tweet"></a><a class="addthis_button_google_plusone" g:plusone:size="medium"></a><a class="addthis_counter addthis_pill_style"></a></div>]]></content:encoded> <wfw:commentRss>http://www.caotico.com.br/to-na-area/feed/</wfw:commentRss> <slash:comments>0</slash:comments> </item> <item><title>A parabólica do seu Inácio</title><link>http://www.caotico.com.br/a-parabolica-do-seu-inacio/</link> <comments>http://www.caotico.com.br/a-parabolica-do-seu-inacio/#comments</comments> <pubDate>Sun, 27 Sep 2009 13:29:48 +0000</pubDate> <dc:creator>Inácio França</dc:creator> <category><![CDATA[Elocubrações]]></category> <category><![CDATA[Funcultura]]></category> <category><![CDATA[Imperatriz]]></category> <category><![CDATA[parabólica]]></category> <category><![CDATA[Poção]]></category> <category><![CDATA[programa da Rural]]></category> <category><![CDATA[rio Capibaribe]]></category> <category><![CDATA[Roger de Renor]]></category> <category><![CDATA[Sopa de Auditório]]></category><guid isPermaLink="false">http://www.caotico.com.br/?p=383</guid> <description><![CDATA[O que eu vejo da janela do quarto de hotel não me empolga. O casario do centro de Imperatriz é irregular, ocupado por um porrilhão de pequenas lojas com letreiros extravagantes nas fachadas, e pontilhado por pequenos edifícios cuja arquitetura tenta imitar os prédios das capitais. Lamento informar, mas a segunda maior cidade do Maranhão [...]<div class="addthis_toolbox addthis_default_style " addthis:url='http://www.caotico.com.br/a-parabolica-do-seu-inacio/' addthis:title='A parabólica do seu Inácio '  ><a class="addthis_button_facebook_like" fb:like:layout="button_count"></a><a class="addthis_button_tweet"></a><a class="addthis_button_google_plusone" g:plusone:size="medium"></a><a class="addthis_counter addthis_pill_style"></a></div>]]></description> <content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignleft size-medium wp-image-384" title="Imagem018" src="http://www.caotico.com.br/wp-content/uploads/2009/09/Imagem018-262x350.jpg" alt="Imagem018" width="143" height="193" />O que eu vejo da janela do quarto de hotel não me empolga. O casario do centro de Imperatriz é irregular, ocupado por um porrilhão de pequenas lojas com letreiros extravagantes nas fachadas, e pontilhado por pequenos edifícios cuja arquitetura tenta imitar os prédios das capitais. Lamento informar, mas a segunda maior cidade do Maranhão não é nada bonita. O hotel, porém, é uma potência, confortável, café-da-manhã com umas 76.345 opções e internet Uai-Fai em todos os quartos.</p><p>Era quase meia-noite quando cheguei ontem, morto de cansado, e não sei se vai dar tempo de perambular pela cidade. Cansado ainda estou, por isso resolvi escrever. Mas não vou torrar a paciência de ninguém fazendo um diário de viagem, o Caótico não foi criado para esse tipo de coisa. Além do mais, estou aqui esperando o carro que irá me levar a Araguaína para encontrar meus filhos, um item da minha agenda que me reserva emoções que não pretendo compartilhar com muita gente.</p><p>Fiz questão de começar pela minha localização geográfica para contar que, há exatamente uma semana, estava em Poção, na nascente do rio Capibaribe, há quase 300 quilômetros do Recife, na última viagem de pesquisa de história oral e memória das comunidades às margens do rio. A experiência de mobilidade que ora estou vivendo me lembrou a experiência de outro Inácio (foto), um agricultor e trabalhador rural que vive no sítio Lagoa do Angu, a 500  metros da cacimba que dá o pontapé-inicial no Capibaribe dos pernambucanos.</p><p>Esse outro Inácio, chama-se Inácio José Bezerra. As histórias que ele contou vão estar no livro que, por enquanto, tem o título <em>Um rio de gente. </em>Ele tem quase 70 anos e só conhece três cidades: Poção, Pesqueira e São Paulo, onde passou uns dias visitando um irmão. Foi e voltou rapidinho. Não gostou nada. Nem o Recife ele conhece e nunca viu o fio de água que passa por trás de seu roçado transformado num rio caudaloso, largo e podre.</p><p>Acontece que o xará tem uma parabólica instalada no terreiro na frente de casa. No final da nossa conversa, que durou quase duas horas e foi bastante atrapalhada pelo cunhado tão embriagado que não conseguia articular uma única sílaba, alguém perguntou – não lembro se foi o produtor Alexandre ou a historiadora Jakeline – o que ele mais gostava de ver na TV.</p><p>A resposta veio na hora, sem vacilos, e nos surpreendeu: “Toda quinta eu vejo o programa daquele cabra que tem uma Rural velha e bota os meninos pra tocar música. É muito bonito, dou valor demais. Gosto muito daquele cabra com o bigodão vermelho e o arame no ouvido”. Por “arame no ouvido”, entenda-se “brinco na orelha”.</p><p><img class="alignleft size-medium wp-image-385" title="roger" src="http://www.caotico.com.br/wp-content/uploads/2009/09/roger-271x350.jpg" alt="roger" width="150" height="194" />Graças à parabólica, tão demonizada por quem acha que entende de cultura, um agricultor quase setentão, apegado ao seu lugar, se identifica com Roger de Renor (foto), um produtor de cultura, cultuado pelo pessoal “cabeça” da capital, mas que conhece as manhas e os atalhos para promover quem faz música com personalidade e se comunicar com todo mundo.</p><p>Com o celular, gravamos um videozinho de alguns segundos no qual seu Inácio mandou um abraço para o bigodudo de arame no ouvido. De volta ao Recife, peguei o telefone de Roger (pronuncia-se Rogê) com Ivanzinho, do blog Bodega e do programa PE no Chão, e contei a história para o próprio Roger. Ele ficou emocionado, pediu a gravação para dar algum destino a tirou suas próprias conclusões: “Porra velho, isso prova que a parabólica pode destruir a identidade cultural das comunidades do interior, mas também pode fazer com que as pessoas se enxerguem e construam uma nova identidade. Basta que tenha gente interessada em produzir conteúdo capaz de se comunicar com essas pessoas”. Foi mais ou menos isso que falou e acho importante compartilhar essa ideia.</p><div class="addthis_toolbox addthis_default_style " addthis:url='http://www.caotico.com.br/a-parabolica-do-seu-inacio/' addthis:title='A parabólica do seu Inácio '  ><a class="addthis_button_facebook_like" fb:like:layout="button_count"></a><a class="addthis_button_tweet"></a><a class="addthis_button_google_plusone" g:plusone:size="medium"></a><a class="addthis_counter addthis_pill_style"></a></div>]]></content:encoded> <wfw:commentRss>http://www.caotico.com.br/a-parabolica-do-seu-inacio/feed/</wfw:commentRss> <slash:comments>4</slash:comments> </item> <item><title>Um livro em gestação</title><link>http://www.caotico.com.br/um-livro-em-gestacao/</link> <comments>http://www.caotico.com.br/um-livro-em-gestacao/#comments</comments> <pubDate>Sun, 30 Aug 2009 01:56:59 +0000</pubDate> <dc:creator>Inácio França</dc:creator> <category><![CDATA[Elocubrações]]></category> <category><![CDATA[Capibaribe]]></category> <category><![CDATA[Funcultura]]></category> <category><![CDATA[História Oral]]></category> <category><![CDATA[memória]]></category> <category><![CDATA[Passira]]></category> <category><![CDATA[Salgadinho]]></category> <category><![CDATA[Surubim]]></category><guid isPermaLink="false">http://www.caotico.com.br/?p=314</guid> <description><![CDATA[Nesse momento estou no pequeno e confortável Cristal Hotel, em João Alfredo, dividindo apartamento com o cabeludo Alexandre Sávio Ramos, arquiteto especializado em recursos hídricos e produtor cultural nas horas vagas. São nove e meia da noite de sábado, 29 de agosto. Lá embaixo, as caixas de som instaladas no porta-malas de um carro troveja [...]<div class="addthis_toolbox addthis_default_style " addthis:url='http://www.caotico.com.br/um-livro-em-gestacao/' addthis:title='Um livro em gestação '  ><a class="addthis_button_facebook_like" fb:like:layout="button_count"></a><a class="addthis_button_tweet"></a><a class="addthis_button_google_plusone" g:plusone:size="medium"></a><a class="addthis_counter addthis_pill_style"></a></div>]]></description> <content:encoded><![CDATA[<p><img class="size-medium wp-image-317 alignleft" title="bartolo" src="http://www.caotico.com.br/wp-content/uploads/2009/08/bartolo1-350x262.jpg" alt="bartolo" width="170" height="126" /></p><p>Nesse momento estou no pequeno e confortável Cristal Hotel, em João  Alfredo, dividindo apartamento com o cabeludo Alexandre Sávio Ramos, arquiteto especializado em recursos hídricos e produtor cultural nas horas vagas. São nove e meia da noite de sábado, 29 de agosto. Lá embaixo, as caixas de som instaladas no porta-malas de um carro troveja a voz de uma mulher que se esgoela rimando “não te amo agora” com “dê o fora”. Espero que a Convenção de Genebra seja ampliada e que esse tipo de coisa passe a ser considerada crime contra  humanidade.</p><p>Nesse instante, o parágrafo acima já surtiu o efeito desejado e o leitor está se perguntando que diabos estou fazendo longe de casa e da diversão, acompanhado de um sujeito com currículo tão exótico, no meio do fim-de-semana. Pois bem, estou parindo um livro.</p><p>Desde o início de abril, estamos percorrendo os municípios cortados pelo rio Capibaribe para entrevistar dezenas de velhos moradores de Poção, Jataúba, Brejo da Madre de Deus, Santa Cruz do Capibaribe, Toritama, Vertentes, Surubim, Frei Miguelinho, Salgadinho, Passira, Limoeiro, Lagoa do Carro, Paudalho, Camaragibe e, óbvio, Recife.</p><p>O verbo correto a ser usado seria, na verdade, escutar e não entrevistar. Tentamos respeitar o jeito de narrar, de contar histórias de cada uma das pessoas que se dispõem a conversar conosco e compartilhar suas lembranças, muitas vezes dolorosas ou difíceis de ser arrancadas da memória, de tão bem guardadas que estavam.</p><p>Encerramos o dia, já de noite, comendo um sanduíche de ovo com mortadela na casa de Antônio Ângelo Albuquerque, um ex-boxeador que aparenta ter 50 anos, mas já chegou aos 73. Ele nos contou que, durante mais de duas décadas, lutou em ringues do Brasil inteiro, foi campeão carioca, norte-nordeste, empatou em pontos duas vezes com um sujeito que era quarto no ranking mundial. Aposentado, possui uma empresa de formação de vigilantes no Recife, mas preferiu viver no lugar onde nasceu, no sossego da beira do rio em Surubim para tentar lembrar da mãe, morta quando ele tinha pouco mais de um ano.</p><p>Encontramos duas Alaídes, uma em Salgadinho, outra no vilarejo de Poço do Pau. Além do nome, as duas senhoras têm em comum a excelente memória e o fato de enxergarem ta beleza do Capibaribe cheio, indomável, arrastando árvores, bichos e pedaços de vilas.</p><p><img class="size-medium wp-image-318 alignright" title="capibaribe" src="http://www.caotico.com.br/wp-content/uploads/2009/08/capibaribe-350x262.jpg" alt="capibaribe" width="170" height="127" /></p><p>De manhã, numa casa humilde em Passira, foi difícil conversar com Tiago Ramos, forrozeiro e poeta popular que largou a sanfona por causa da surdez. A dificuldade em nos fazer entender foi proporcional à emoção do velho cordelista em lembrar dos tempos em que cruzava o País com seus “Cangaceiros do Baião” e arrumava namoradas em tudo quanto é lugar. Ele não deve ter exagerado seu talento de sedutor, pois quando perguntamos às Alaídes se elas lembravam de ter visto Tiago tocar na região, as respostas positivas vieram antecedidas de suspiros ou elogios rasgados à sua beleza.</p><p>Encontramos muitas outras pessoas admiráveis, ávidas para contar do seu jeito as histórias do lugar onde vivem e de suas próprias vidas.</p><p>Por enquanto, o título do livro – cujo projeto de pesquisa está sendo apoiado pelo Funcultura – deverá ser <em>Um Rio de Gente</em>, mas ainda pode mudar, e terá muitas fotos de Tuca Siqueira. Nossa intenção é que os alunos das dezenas de escolas públicas que receberão o livro sintam que o Capibaribe traz mais do que água, sedimentos e sujeira, mas carrega para o mar o sentimento de dona Margarida, que até hoje guarda com carinho o último brinquedo que ganhou do pai em 1927; ou a história de amor do sujeito que esperou 59 anos até conseguir casar com a mulher que amava; ou a percepção do homem que tem tanta intimidade com a natureza que conta os arco-íris que surgem no céu de sua cidade desde o ano de 1943.</p><p>Espero que o produto do nosso esforço fique à altura da generosidade dos homens e mulheres que nos acolheram e nos entregaram tantos tesouros do passado ou da imaginação.</p><div class="addthis_toolbox addthis_default_style " addthis:url='http://www.caotico.com.br/um-livro-em-gestacao/' addthis:title='Um livro em gestação '  ><a class="addthis_button_facebook_like" fb:like:layout="button_count"></a><a class="addthis_button_tweet"></a><a class="addthis_button_google_plusone" g:plusone:size="medium"></a><a class="addthis_counter addthis_pill_style"></a></div>]]></content:encoded> <wfw:commentRss>http://www.caotico.com.br/um-livro-em-gestacao/feed/</wfw:commentRss> <slash:comments>13</slash:comments> </item> </channel> </rss>
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