<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?> <rss version="2.0" xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/" xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/" xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/" xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom" xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/" xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/" ><channel><title>Caótico &#187; George Orwell</title> <atom:link href="http://www.caotico.com.br/tags/george-orwell/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" /><link>http://www.caotico.com.br</link> <description>Espaço de leituras,  histórias &#38; especulações &#124; Por Inácio França</description> <lastBuildDate>Wed, 08 Feb 2012 13:36:43 +0000</lastBuildDate> <language>en</language> <sy:updatePeriod>hourly</sy:updatePeriod> <sy:updateFrequency>1</sy:updateFrequency> <xhtml:meta xmlns:xhtml="http://www.w3.org/1999/xhtml" name="robots" content="noindex" /> <item><title>Na Pior em Paris e Londres</title><link>http://www.caotico.com.br/na-pior-em-paris-e-londres/</link> <comments>http://www.caotico.com.br/na-pior-em-paris-e-londres/#comments</comments> <pubDate>Tue, 06 Apr 2010 22:13:16 +0000</pubDate> <dc:creator>Inácio França</dc:creator> <category><![CDATA[Leituras Caóticas]]></category> <category><![CDATA[1984]]></category> <category><![CDATA[A Revolução dos Bichos]]></category> <category><![CDATA[Eric Blair]]></category> <category><![CDATA[George Orwell]]></category> <category><![CDATA[literatura inglesa]]></category> <category><![CDATA[Londres]]></category> <category><![CDATA[mendigos]]></category> <category><![CDATA[Paris]]></category> <category><![CDATA[pobreza]]></category> <category><![CDATA[socialismo]]></category><guid isPermaLink="false">http://www.caotico.com.br/?p=662</guid> <description><![CDATA[O jovem repórter se disfarça e vive alguns dias como sem-terra, operário, cortador de cana ou camelô. 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Se der sorte, ganha um dos 554 prêmios de jornalismo oferecidos por multinacionais. Para quem acompanha as edições de domingo dos jornais ou revistas semanais, não há novidade alguma nesse tipo de coisa.</p><p>Em 1932, ano em que George Orwell publicou <em>Na Pior em Paris e Londres</em>, isso era um negócio originalíssimo. Ninguém tinha feito nada parecido.</p><p>Orwell, ou melhor, Eric Blair – seu nome de batismo &#8211; não era jornalista nem criou esse artifício para vender jornal ou ganhar prêmios. Sua motivação era conhecer de perto os seres humanos, se aproximar dos miseráveis do seu tempo, saber como viviam e conhecer de perto a humanidade daquelas pessoas que o restante da sociedade fingia desconhecer a existência. Essa intenção fica evidente durante a leitura do livro, resultado de sua vida como mendigo ou desempregado nas duas metrópoles.</p><p>Seu mérito é proporcional ao esforço da elite inglesa em manter esses seres humanos na invisibilidade. Tal esforço pode ser medido pelas leis que proibiam mendigos de sentarem ou mesmo pararem para pedir esmolas em locais públicos ou de dormirem nas ruas. Pedir podia, mas o sujeito era obrigado a permanecer andando sem parar, principalmente porque também não podiam dormir duas vezes seguidas no mesmo albergue. Era um monte de gente suja e esfomeada de um lado para outro o tempo todo. Leis que fariam a elite paulistana babar de inveja.</p><p>Os textos, escritos em forma semelhante a um diário, expressam a profunda identificação de Orwell com os seres humanos com quem conviveu nesta época. Uma identificação sincera, de quem enxerga no outro não apenas um personagem adequado para ilustrar ou compor sua história. Orwell compreende as reações o pensamento de quem, por não ter um tostão no bolso, sente-se completamente livre exatamente porque não precisa ter medo de perder dinheiro.</p><p>A identidade com essas pessoas, reforçada a cada experiência nos quartos cheios de ratos de Paris ou nas hospedarias fedorentas de Londres, também reforçou o sentimento que fez Orwell abandonar o trabalho como policial nas tropas britânicas na Birmânia (atualmente Myanmar). Ele sentia nojo da política imperialista do seu país.</p><p>A partir do que viveu como policial e, depois, mendigo, Orwell definiu que tinha um lado e que seu talento de escritor estava vinculado às suas convicções. Não tenho dúvida de que isso afasta seu livro ainda mais do jornalismo, instrumento de dominação e de legitimação do discurso dos donos do poder.</p><p>O escritor viveu entre os miseráveis franceses e londrinos entre 1928 e 1930, com direito a internação num hospital horroroso de Paris por causa de uma baita pneumonia. O livro, porém, só fui publicado em 1933. As editoras – e os leitores – tinham mais interesse em textos sobre o glamour dos franceses ou o poder da nobreza da Inglaterra. Paris e Londres combinavam com croissants, teatro e as jóias da coroa, jamais com gente fedendo a mijo, percevejos ou cozinhas podres cheias de ratos.</p><p><em>Na Pior em Paris e Londres </em>revelou outras verdades.</p><p><strong> Sobre o escritor</strong></p><p><a href="http://www.caotico.com.br/wp-content/uploads/2010/04/george-orwell-1.jpg"><img class="alignnone size-medium wp-image-663" title="george-orwell (1)" src="http://www.caotico.com.br/wp-content/uploads/2010/04/george-orwell-1-254x350.jpg" alt="" width="174" height="240" /></a></p><p>George Orwell veio ao mundo com a publicação de <em>Na Pior</em>&#8230;, antes disso seu nome era Eric Arthur Blair. Ele mesmo fez questão de usar pseudônimo, um nome literário que seria usado novamente caso o livro fizesse sucesso.  Sua mãe e sua irmã não reclamaram, pois não queriam vincular seu belo sobrenome às histórias sórdidas de Eric. Treze anos depois, entrou para a história da Literatura com <em>A</em> <em>Revolução dos Bichos </em>(esse eu nunca li, acreditem se quiser) e, mais adiante, <em>1984</em>. Aí, seus outros livros ficaram em segundo plano.</p><ul><li><a href="http://www.digestivocultural.com/colunistas/coluna.asp?codigo=2218"><strong>Clique aqui para ler resenha no site Digestivo Cultural (mas vou logo avisando: o autor chupou descaradamente trechos inteiros do posfácio assinado pelo jornalista Sérgio Augusto)</strong></a></li><li><a href="http://almanaquevirtual.uol.com.br/ler.php?id=4463"><strong>Clique aqui para ler resenha do site Almanaque Virtual</strong></a></li><li><a href="http://jornalismob.wordpress.com/tag/na-pior-em-paris-e-londres/"><strong>Clique aqui para ler texto do blog JornalismoB</strong></a></li></ul><div class="addthis_toolbox addthis_default_style " addthis:url='http://www.caotico.com.br/na-pior-em-paris-e-londres/' addthis:title='Na Pior em Paris e Londres '  ><a class="addthis_button_facebook_like" fb:like:layout="button_count"></a><a class="addthis_button_tweet"></a><a class="addthis_button_google_plusone" g:plusone:size="medium"></a><a class="addthis_counter addthis_pill_style"></a></div>]]></content:encoded> <wfw:commentRss>http://www.caotico.com.br/na-pior-em-paris-e-londres/feed/</wfw:commentRss> <slash:comments>5</slash:comments> </item> <item><title>Satisfação</title><link>http://www.caotico.com.br/satisfacao/</link> <comments>http://www.caotico.com.br/satisfacao/#comments</comments> <pubDate>Thu, 24 Dec 2009 02:50:23 +0000</pubDate> <dc:creator>Inácio França</dc:creator> <category><![CDATA[Elocubrações]]></category> <category><![CDATA[Bodega]]></category> <category><![CDATA[dicas de leitura]]></category> <category><![CDATA[George Orwell]]></category> <category><![CDATA[Gore Vidal]]></category> <category><![CDATA[Meus Lugares Escuros]]></category><guid isPermaLink="false">http://www.caotico.com.br/?p=566</guid> <description><![CDATA[A quantidade de gente interessada por este e por tudo quanto é blog ou site deve diminuir muito nas próximas duas semanas. A audiência da internet e das mídias tradicionais tende a cair nas férias. Se tem mais gente viajando, comprando presentes,arrumando o que fazer com os filhos ou organizando festas de final de ano, [...]<div class="addthis_toolbox addthis_default_style " addthis:url='http://www.caotico.com.br/satisfacao/' addthis:title='Satisfação '  ><a class="addthis_button_facebook_like" fb:like:layout="button_count"></a><a class="addthis_button_tweet"></a><a class="addthis_button_google_plusone" g:plusone:size="medium"></a><a class="addthis_counter addthis_pill_style"></a></div>]]></description> <content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignleft size-thumbnail wp-image-567" title="a9_bb_livros_aberto_um_em_cima_do_outro_" src="http://www.caotico.com.br/wp-content/uploads/2009/12/a9_bb_livros_aberto_um_em_cima_do_outro_-150x135.jpg" alt="a9_bb_livros_aberto_um_em_cima_do_outro_" width="150" height="135" />A quantidade de gente interessada por este e por tudo quanto é blog ou site deve diminuir muito nas próximas duas semanas. A audiência da internet e das mídias tradicionais tende a cair nas férias. Se tem mais gente viajando, comprando presentes,arrumando o que fazer com os filhos ou organizando festas de final de ano, tem menos gente navegando na internet, ligando a tevê ou esperando o jornal do dia.</p><p>Ou seja: tenho motivos de sobras para dar um tempo. Volto em janeiro, provavelmente lá pelo meio do mês, comentando <em>Juliano</em>, de Gore Vidal, que é o que estou lendo agora, ou então <em>Na pior em Paris e Londres</em>, de George Orwell, que li há uns dois anos.</p><p>Antes dessa parada estratégica, resolvi fazer um balanço do Caótico, desde que sua inauguração para o público, em  julho. Se fosse resumir em uma palavra seria a do título lá em cima. Fiquei ainda mais satisfeito, feliz, emocionado, o escambau, nesse final de semana. Pela primeira vez, duas pessoas até então desconhecidas me procuraram para dizer que lêem o que escrevo por aqui. Mais arretado ainda: encaram meus comentários como dicas de leitura e saem pela cidade procurando os livros!</p><p>Se eu escrevesse em algum veículo da antiga mídia, seria a resenha publicada na revista x, no jornal y, impessoal, distante e na terceira pessoa do singular, como mandam os manuais de redação.</p><p>Aqui não, o blogueiro tem cara, nome, pode ser encontrado na rua e faz as coisas do seu jeito. Desse jeito, se alguém se interessa pela dica e corre atrás para encontrar o livro, é porque confia em quem escreveu. Aí, não tem como não ficar satisfeito e com o ego inflado.</p><p>No sábado, no aniversário de seis anos do tricolor Igor, foi Doralice, a Dora, quem se deu ao trabalhar de ir até a mesa onde eu estava e disse que seguia minhas sugestões e que acompanhava o Caótico. Nunca a tinha visto antes, mas para meu espanto, a filha dela, Vitória, que deve ter uns quatro anos, tava no maior conversê com meu caçula de dois anos e uns quebrados. Escutei a pirralha explicando: “Ele estuda no meu colégio”. Verdade verdadeira. E linda coincidência.</p><p>Dora é bibliotecária, o que só aumenta a moral deste caótico que vos escreve.</p><p>Depois foi Adriana, amiga de meus amigos tricolores, que encontrei domingo na confraternização do Blog do Santinha. A moça se apresentou, informando que manda os livros que eu comento para o irmão na Inglaterra, onde ele faz um mestrado ou coisa parecida. O último que seguiu viagem foi <a href="http://www.caotico.com.br/trechos-de-contos-de-anton-tchekhov/"><em>A dama do cachorrinho</em></a>, que é aliás é bem apropriado para se ler debaixo de neve.</p><p><img class="alignright size-thumbnail wp-image-568" title="livros" src="http://www.caotico.com.br/wp-content/uploads/2009/12/livros-132x150.gif" alt="livros" width="132" height="150" />Na mesma festa, um companheiro de sociais do Arruda, o ilustre Beto Caffé Miranda, ex-Inferno Coral, me garantiu que foi até uma livraria e encomendou <em><a href="http://www.caotico.com.br/dublinenses/">Dublinenses</a>, </em>pois depois que leu o que escrevi ficou doido para ler os contos de Joyce.  Ele ainda se saiu com essa pérola: “Só dou livro de presente. Se o sujeito gosta de ler, acerto em cheio. Se não gosta, fica envergonhado de reclamar pra não admitir que é burro”. E eu nem sabia que Beto gostava de ler.</p><p>Ontem, em pleno aniversário de Luciana Santos, foi Dina Jorge Corrêa, irmã do doutor Orlando, o pediatra tricolor que cuidava da minha saúde na infância. Dina não sabia o endereço do Caótico. Hoje, me mandou um e-mail dizendo que achou lindo o blog, que lê as aventuras de <a href="http://www.caotico.com.br/maigret-e-coisa-de-cinema/">Maigret</a> desde a adolescência, que se identificou com o nome porque sobrevive melhor no caos que na ordem.</p><p>Pobre Dina. Conheci Tchekhov por causa dela, que em emprestou um livrinho de bolso com os contos do russo há uns cinco ou seis anos. Nunca devolvi. Dia desses, ela me disse que já teve um livro de Tchekhov, mas que não sabia onde estava. Achei o livro a semana passada, quando arrumava a estante e lembrei do empréstimo.</p><p>Na verdade, há uns dois meses eu desconfiava que o Caótico estava valendo a pena. Hugo Figueiredo, que trabalha comigo lá em Olinda, pediu <em><a href="http://www.caotico.com.br/meus-lugares-escuros/">Meus Lugares Escuros</a> </em>para ler. Achei ótimo o interesse do cara. Empreste, mas inaugurei uma regra nova na minha política de empréstimos de livros: só empresto se devolver com uma resenha, um comentário ou uma crônica sobre o livro. Assim, podemos ter visões e opiniões diferentes por aqui. Hoje ele me garantiu que vai honrar o compromisso.</p><p>O próximo que vai escrever um texto sobre um livro emprestado por mim é Ivanzinho, do blog Bodega. Faz mais de um ano que o miserável tá com meu <em>A Conjura</em>, de Agualusa.</p><p>Pretendia revelar alguns dados de sites de monitoramento de audiência, mas a emoção de escutar o que escutei de Dora, de Adriana, de Beto e de Dina, vale mais a pena do que a objetividade dos números. Isso fica pra depois.</p><p>Muita diversão e tranqüilidade para todo mundo nos dois feriados. Até 2010.</p><div class="addthis_toolbox addthis_default_style " addthis:url='http://www.caotico.com.br/satisfacao/' addthis:title='Satisfação '  ><a class="addthis_button_facebook_like" fb:like:layout="button_count"></a><a class="addthis_button_tweet"></a><a class="addthis_button_google_plusone" g:plusone:size="medium"></a><a class="addthis_counter addthis_pill_style"></a></div>]]></content:encoded> <wfw:commentRss>http://www.caotico.com.br/satisfacao/feed/</wfw:commentRss> <slash:comments>10</slash:comments> </item> </channel> </rss>
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