<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?> <rss version="2.0" xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/" xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/" xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/" xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom" xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/" xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/" ><channel><title>Caótico &#187; Gore Vidal</title> <atom:link href="http://www.caotico.com.br/tags/gore-vidal/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" /><link>http://www.caotico.com.br</link> <description>Espaço de leituras,  histórias &#38; especulações &#124; Por Inácio França</description> <lastBuildDate>Wed, 08 Feb 2012 13:36:43 +0000</lastBuildDate> <language>en</language> <sy:updatePeriod>hourly</sy:updatePeriod> <sy:updateFrequency>1</sy:updateFrequency> <xhtml:meta xmlns:xhtml="http://www.w3.org/1999/xhtml" name="robots" content="noindex" /> <item><title>Trechos de Juliano</title><link>http://www.caotico.com.br/trechos-de-juliano/</link> <comments>http://www.caotico.com.br/trechos-de-juliano/#comments</comments> <pubDate>Sat, 16 Jan 2010 16:11:59 +0000</pubDate> <dc:creator>Inácio França</dc:creator> <category><![CDATA[Trechos arretados]]></category> <category><![CDATA[cristianismo]]></category> <category><![CDATA[Gore Vidal]]></category> <category><![CDATA[Jesus Cristo]]></category> <category><![CDATA[Juliano]]></category> <category><![CDATA[Mitra]]></category> <category><![CDATA[trechos de livros]]></category><guid isPermaLink="false">http://www.caotico.com.br/?p=578</guid> <description><![CDATA[&#8220;- Como podem muitos ser negados? Serão todas as emoções iguais? Ou cada uma tem característica peculiares? E se cada raça tem suas qualidades, não serão elas dadas por um deus? E se não forem dadas por um deus, essas características não seriam mais bem simbolizadas por um deus nacional específico? No caso dos judeus, [...]<div class="addthis_toolbox addthis_default_style " addthis:url='http://www.caotico.com.br/trechos-de-juliano/' addthis:title='Trechos de Juliano '  ><a class="addthis_button_facebook_like" fb:like:layout="button_count"></a><a class="addthis_button_tweet"></a><a class="addthis_button_google_plusone" g:plusone:size="medium"></a><a class="addthis_counter addthis_pill_style"></a></div>]]></description> <content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignright size-full wp-image-579" title="Juliano Vidal" src="http://www.caotico.com.br/wp-content/uploads/2010/01/Juliano-Vidal1.jpg" alt="Juliano Vidal" width="142" height="212" />&#8220;- Como podem muitos ser negados? Serão todas as emoções iguais? Ou cada uma tem característica peculiares? E se cada raça tem suas qualidades, não serão elas dadas por um deus? E se não forem dadas por um deus, essas características não seriam mais bem simbolizadas por um deus nacional específico? No caso dos judeus, um patriarca mal-humorado e ciumento. No caso dos sírios efeminados e astutos, um deus como Apolo. Ou tomemos os germanos e os celtas, que são aguerridos e ferozes. Será por acaso que adoram Ares, o deus da guerra? Ou será inevitável? Os antigos romanos foram absorvidos pela legislação e pelo governo. Seu deus? O rei dos deuses, Zeus. E cada tem muitos aspectos e muitos nomes, pois há tanta variedade nos céus quanto entre os homens. Alguns perguntam: &#8216;Nós criamos esses deuses, ou eles nos criaram?&#8217; É um debate muito antigo. Seremos nós um sonho da divindade, ou cada um de nós um sonhador separado, evocando sua própria realidade? Embora não se tenha certeza, todos os nossos sentidos nos dizem que existe uma única criação, e que estamos contidos nela para sempre. Ora, os cristãos impõem um mito final e rígido àquilo que sabemos ser variado e estranho. Não, nem mesmo um mito, pois o Nazareno existiu em carne e osso, ao passo que os deuses que adoramos jamais foram homens; são, ao invés disso, qualidades e poderes, que se transformaram em poesia para nossa instrução. Com a adoração do judeu morto, a poesia cessou. Os cristãos desejam substituir nossas belas lendas pelo relatório policial de um rabino reformista. Com esse material impossível, esperam fazer uma síntese final de todas as religiões conhecidas. Agora apropriaram-se também dos nossos dias festivos. Transformaram divindades locais em santos. Tomam emprestados nossos ritos misteriosos, especialmente os de Mitra. Os sacerdotes de Mitra são chamados de &#8216;pais&#8217;, &#8216;padres&#8217;. Então os cristãos chamam <em>seus</em> sacerdotes de padres. Imitam até a tonsura, na esperança de construir novos adeptos com os atavios familiares do culto antigo. Agora, começam a chamar o Nazareno de &#8216;salvador&#8217; e &#8216;aquele que cura&#8217;. Por quê? Porque um dos nossos mais amados deuses é Asclépio, a quem chamamos de &#8216;salvador&#8217; e &#8216;aquele que cura&#8217;.&#8221;</p><p><strong>O charlatão Máximo, em conversa com Juliano ainda jovem, estudante de filosfia em Atenas</strong></p><p style="text-align: center;"> <strong>*****</strong></p><p style="text-align: center;"><p style="text-align: left;">&#8220;<strong>- </strong>Não é assim que deve se aproximar da divina presença. &#8211; Borrifei água em Oribásio, com ótima pontaria. Ele riu. Meu tio também, pois eu fizera o mesmo com ele. Então, fiquei assustado. Era exatamente assim que nasciam os monstros. Primeiro, o tirano faz brincadeiras inofensivas: borrifa água nos senadores durante o banho, serve pedaços de madeira ao invés de comida aos seus convidados, prega peças em todos ; e não importa o que ele faça, todos riem e o lisonjeiam, acham inteligentes suas osbervações<strong> </strong>mais cretinas. Depois as brincadeiras começam a perder a graça. Certo dia ele acha divertido violentar a mulher de outro homem diante do marido, ou o marido, na frente da mulher, ou torturar os dois, ou matá-los. Quando começa a matança, o imperador não é mais um homem, mas um animal, e já tivemos muitos animais no trono do mundo. Desculpei-me veementemente por ter molhado meu tio. Desculpei-me até por ter molhado Oribásio, embora ele seja como um irmão para mim. Nenhum deles adivinhou o significado daquele súbito acesso de culpa.&#8221;</p><p style="text-align: left;"><strong>Juliano, logo depois de chegar a Constantinopla, já na condição de imperador</strong></p><p><strong><br /> </strong></p><div class="addthis_toolbox addthis_default_style " addthis:url='http://www.caotico.com.br/trechos-de-juliano/' addthis:title='Trechos de Juliano '  ><a class="addthis_button_facebook_like" fb:like:layout="button_count"></a><a class="addthis_button_tweet"></a><a class="addthis_button_google_plusone" g:plusone:size="medium"></a><a class="addthis_counter addthis_pill_style"></a></div>]]></content:encoded> <wfw:commentRss>http://www.caotico.com.br/trechos-de-juliano/feed/</wfw:commentRss> <slash:comments>0</slash:comments> </item> <item><title>Juliano</title><link>http://www.caotico.com.br/juliano/</link> <comments>http://www.caotico.com.br/juliano/#comments</comments> <pubDate>Thu, 14 Jan 2010 13:39:12 +0000</pubDate> <dc:creator>Inácio França</dc:creator> <category><![CDATA[Leituras Caóticas]]></category> <category><![CDATA[cristianismo]]></category> <category><![CDATA[Gore Vidal]]></category> <category><![CDATA[helenismo]]></category> <category><![CDATA[Império Romano]]></category> <category><![CDATA[intolerância religiosa]]></category> <category><![CDATA[Juliano]]></category> <category><![CDATA[literatura americana]]></category> <category><![CDATA[paganismo]]></category> <category><![CDATA[Roma]]></category> <category><![CDATA[romance histórico]]></category><guid isPermaLink="false">http://www.caotico.com.br/?p=573</guid> <description><![CDATA[Nos últimos dias de 2009, no meio daquela correria sem sentido de final de ano, considerei que eu merecia um presente. As semanas que viriam pela frente prometiam ser de muito trabalho, com a chegada dos filhos que moram com a mãe em Tocantins, a obrigação de correr contra o tempo e entregar os textos [...]<div class="addthis_toolbox addthis_default_style " addthis:url='http://www.caotico.com.br/juliano/' addthis:title='Juliano '  ><a class="addthis_button_facebook_like" fb:like:layout="button_count"></a><a class="addthis_button_tweet"></a><a class="addthis_button_google_plusone" g:plusone:size="medium"></a><a class="addthis_counter addthis_pill_style"></a></div>]]></description> <content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignright size-thumbnail wp-image-574" title="Juliano Vidal" src="http://www.caotico.com.br/wp-content/uploads/2010/01/Juliano-Vidal-100x150.jpg" alt="Juliano Vidal" width="108" height="162" />Nos últimos dias de 2009, no meio daquela correria sem sentido de final de ano, considerei que eu merecia um presente. As semanas que viriam pela frente prometiam ser de muito trabalho, com a chegada dos filhos que moram com a mãe em Tocantins, a obrigação de correr contra o tempo e entregar os textos do <em>Um Rio de Gente</em> e a perspectiva de mais demanda por conta do carnaval em Olinda.  Então, resolvi me dar de presente a leitura de <em>Juliano</em>, de Gore Vidal.</p><p>Depois de comprá-lo num sebo, deixei o livro curtindo na estante, cevando, enquanto gozava a expectativa da leitura. De vez em quando faço isso com algumas coisas que passo um tempão desejando ler, mas quando estou com ele nas mãos, resolvo esperar mais um pouquinho. Um traço masoquista, provavelmente.</p><p>Eu estava duplamente certo. Estou a ponto de enlouquecer de tanto preparar café-da-manhã, arrumar atividades para as crianças, apartar brigas, suportar arengas, além da ansiedade por causa dos prazos. A sorte é que <em>Juliano</em> é realmente show de bola. Só nas três primeiro páginas, já tinha marcado de lápis uma meia dúzia de trechos. Peguei essa mania de rabiscar o que vou lendo por causa do Caótico, antes meus livros permaneciam limpinhos.</p><p>Juliano foi o imperador romano que ensaiou uma reação contra o domínio do cristianismo e uma tentativa de revitalizar os cultos aos deuses gregos. O sujeito era filósofo, acreditava que o monoteísmo era uma ameaça ao debate de ideias, à diversidade da natureza e da humanidade. Quando assumiu o poder, tentou enquadrar a máfia dos bispos sem perseguir a liberdade de culto. Acabou vítima de uma conspiração dos galileus, como ele chamava os cristãos. A Idade Média e a intolerância religiosa que é uma das marcas registradas do monoteísmo provou que, em muitas coisas, o imperador estava coberto de razão da cabeça aos pés.</p><p>Qualquer dia pretendo publicar aqui alguma elocubração sobre monoteísmo, politeísmo e ideologia, mas hoje vou me concentrar no livro. Tem outro esperando que eu o escreva.</p><p><em>Juliano </em>é um romance histórico. Gore Vidal tomou como ponto de partida fatos históricos e costurou a história com sua imaginação. A vida desse imperador é muito bem documentada, apesar do seu governo ter durado pouco.</p><p>Vidal não poupa o cristianismo, principalmente porque levanta argumentos teológicos sem se submeter à lógica hegemônica do monoteísmo. Seu protagonista também não escapa da visão crítica e irônica do escritor norte-americano, que é mordaz, por exemplo, quando narra e descreve os rituais que o estudante de filosofia e futuro imperador considerava sagrados. Em um desses ritos, Juliano e um monte de gente entram no mar segurando um porquinho guinchando. O personagem vê beleza e santidade nessa cena ridícula.</p><p>Em matéria de ridículo, leitões tomando banho de mar são colocados no mesmo pé de, por exemplo, a convicção de que um monte de ossos de um “santo” pode curar seja lá o que for.</p><p>O imperador era um humanista, tinha horror à tirania, era um sujeito de bom coração, justo, porém meio ingênuo, quase abestalhado em sua crença nos sacerdores, oráculos, pitonisas e magos.  Esse abestalhamento, somada à pressa e falta de habilidade para tocar seus projetos, o lascou.</p><p>A história é ótima, mas a técnica literária de Vidal faz o livro ficar ainda melhor.  Parte da narrativa é em primeira pessoa: as memórias e os diários de Juliano, que foram parar nas mãos do filósofo Prisco, um sujeito bem pragmático, mas frouxo todo, que não pretende usar o material porque tem medo de se expor numa época em que os cristãos já estão tomaram conta do aparelho do Estado romano e estão por cima da carne seca.</p><p>Os comentários de Prisco, de outro velho filósofo, Libânio, e a troca de cartas entre eles completam a estrutura do romance. Tanto Prisco quanto Libânio existiram e tiveram contato com o imperador. Esse último, aliás, escreveu livros sobre Juliano no século IV.</p><p><img class="alignleft size-thumbnail wp-image-575" title="Juliano no louvre" src="http://www.caotico.com.br/wp-content/uploads/2010/01/Juliano-no-louvre-112x150.jpg" alt="Juliano no louvre" width="112" height="150" />Gore Vidal é escritor, roteirista de cinema e militante de esquerda, não um gênio da literatura. Em consequência, não experimentei aquela sensação de felicidade e completude que senti ao final de livros de Bolaños, Benedetti, Tchekhov ou Dostoievski. Mas é preciso ser justo: além de ter sido envolvido pela história muitíssimo bem contada, aprendi muito, tanto que consultei diversas vezes o Google, o oráculo moderno, para descobrir imagens do próprio Juliano (ao lado), do seu tio e antecessor, Constâncio, e de lugares como Aquiléia, Sirmium, Sarmácia, Nicomédia e Antióquia. No Aurélio, descobri que &#8220;perifrástico&#8221; é o discurso com muitos rodeios, cheio de voltas; e &#8220;virago&#8221; é o mesmo que machão.</p><p>O livro tem uma série de trechos excelentes, que vou transcrever na página <a href="http://www.caotico.com.br/trechos-arretados/">Trechos Arretados</a> nos próximos dias, a medida que tiver tempo para digitar.</p><ul><li><a href="http://www.caotico.com.br/ao-vivo-do-calvario/"><strong>Para saber mais sobre Gore Vidal, leia a postagem sobre o livro <em>Ao Vivo do Calvário</em></strong></a></li></ul><p><strong>P.S &#8211; Até o carnaval, a atualização do Caótico permanecerá meia-boca pelos motivos expostos no início desse texto. Na verdade, só aualizei hoje para Samarone não encher mais o saco!<br /> </strong></p><div class="addthis_toolbox addthis_default_style " addthis:url='http://www.caotico.com.br/juliano/' addthis:title='Juliano '  ><a class="addthis_button_facebook_like" fb:like:layout="button_count"></a><a class="addthis_button_tweet"></a><a class="addthis_button_google_plusone" g:plusone:size="medium"></a><a class="addthis_counter addthis_pill_style"></a></div>]]></content:encoded> <wfw:commentRss>http://www.caotico.com.br/juliano/feed/</wfw:commentRss> <slash:comments>4</slash:comments> </item> <item><title>Satisfação</title><link>http://www.caotico.com.br/satisfacao/</link> <comments>http://www.caotico.com.br/satisfacao/#comments</comments> <pubDate>Thu, 24 Dec 2009 02:50:23 +0000</pubDate> <dc:creator>Inácio França</dc:creator> <category><![CDATA[Elocubrações]]></category> <category><![CDATA[Bodega]]></category> <category><![CDATA[dicas de leitura]]></category> <category><![CDATA[George Orwell]]></category> <category><![CDATA[Gore Vidal]]></category> <category><![CDATA[Meus Lugares Escuros]]></category><guid isPermaLink="false">http://www.caotico.com.br/?p=566</guid> <description><![CDATA[A quantidade de gente interessada por este e por tudo quanto é blog ou site deve diminuir muito nas próximas duas semanas. A audiência da internet e das mídias tradicionais tende a cair nas férias. Se tem mais gente viajando, comprando presentes,arrumando o que fazer com os filhos ou organizando festas de final de ano, [...]<div class="addthis_toolbox addthis_default_style " addthis:url='http://www.caotico.com.br/satisfacao/' addthis:title='Satisfação '  ><a class="addthis_button_facebook_like" fb:like:layout="button_count"></a><a class="addthis_button_tweet"></a><a class="addthis_button_google_plusone" g:plusone:size="medium"></a><a class="addthis_counter addthis_pill_style"></a></div>]]></description> <content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignleft size-thumbnail wp-image-567" title="a9_bb_livros_aberto_um_em_cima_do_outro_" src="http://www.caotico.com.br/wp-content/uploads/2009/12/a9_bb_livros_aberto_um_em_cima_do_outro_-150x135.jpg" alt="a9_bb_livros_aberto_um_em_cima_do_outro_" width="150" height="135" />A quantidade de gente interessada por este e por tudo quanto é blog ou site deve diminuir muito nas próximas duas semanas. A audiência da internet e das mídias tradicionais tende a cair nas férias. Se tem mais gente viajando, comprando presentes,arrumando o que fazer com os filhos ou organizando festas de final de ano, tem menos gente navegando na internet, ligando a tevê ou esperando o jornal do dia.</p><p>Ou seja: tenho motivos de sobras para dar um tempo. Volto em janeiro, provavelmente lá pelo meio do mês, comentando <em>Juliano</em>, de Gore Vidal, que é o que estou lendo agora, ou então <em>Na pior em Paris e Londres</em>, de George Orwell, que li há uns dois anos.</p><p>Antes dessa parada estratégica, resolvi fazer um balanço do Caótico, desde que sua inauguração para o público, em  julho. Se fosse resumir em uma palavra seria a do título lá em cima. Fiquei ainda mais satisfeito, feliz, emocionado, o escambau, nesse final de semana. Pela primeira vez, duas pessoas até então desconhecidas me procuraram para dizer que lêem o que escrevo por aqui. Mais arretado ainda: encaram meus comentários como dicas de leitura e saem pela cidade procurando os livros!</p><p>Se eu escrevesse em algum veículo da antiga mídia, seria a resenha publicada na revista x, no jornal y, impessoal, distante e na terceira pessoa do singular, como mandam os manuais de redação.</p><p>Aqui não, o blogueiro tem cara, nome, pode ser encontrado na rua e faz as coisas do seu jeito. Desse jeito, se alguém se interessa pela dica e corre atrás para encontrar o livro, é porque confia em quem escreveu. Aí, não tem como não ficar satisfeito e com o ego inflado.</p><p>No sábado, no aniversário de seis anos do tricolor Igor, foi Doralice, a Dora, quem se deu ao trabalhar de ir até a mesa onde eu estava e disse que seguia minhas sugestões e que acompanhava o Caótico. Nunca a tinha visto antes, mas para meu espanto, a filha dela, Vitória, que deve ter uns quatro anos, tava no maior conversê com meu caçula de dois anos e uns quebrados. Escutei a pirralha explicando: “Ele estuda no meu colégio”. Verdade verdadeira. E linda coincidência.</p><p>Dora é bibliotecária, o que só aumenta a moral deste caótico que vos escreve.</p><p>Depois foi Adriana, amiga de meus amigos tricolores, que encontrei domingo na confraternização do Blog do Santinha. A moça se apresentou, informando que manda os livros que eu comento para o irmão na Inglaterra, onde ele faz um mestrado ou coisa parecida. O último que seguiu viagem foi <a href="http://www.caotico.com.br/trechos-de-contos-de-anton-tchekhov/"><em>A dama do cachorrinho</em></a>, que é aliás é bem apropriado para se ler debaixo de neve.</p><p><img class="alignright size-thumbnail wp-image-568" title="livros" src="http://www.caotico.com.br/wp-content/uploads/2009/12/livros-132x150.gif" alt="livros" width="132" height="150" />Na mesma festa, um companheiro de sociais do Arruda, o ilustre Beto Caffé Miranda, ex-Inferno Coral, me garantiu que foi até uma livraria e encomendou <em><a href="http://www.caotico.com.br/dublinenses/">Dublinenses</a>, </em>pois depois que leu o que escrevi ficou doido para ler os contos de Joyce.  Ele ainda se saiu com essa pérola: “Só dou livro de presente. Se o sujeito gosta de ler, acerto em cheio. Se não gosta, fica envergonhado de reclamar pra não admitir que é burro”. E eu nem sabia que Beto gostava de ler.</p><p>Ontem, em pleno aniversário de Luciana Santos, foi Dina Jorge Corrêa, irmã do doutor Orlando, o pediatra tricolor que cuidava da minha saúde na infância. Dina não sabia o endereço do Caótico. Hoje, me mandou um e-mail dizendo que achou lindo o blog, que lê as aventuras de <a href="http://www.caotico.com.br/maigret-e-coisa-de-cinema/">Maigret</a> desde a adolescência, que se identificou com o nome porque sobrevive melhor no caos que na ordem.</p><p>Pobre Dina. Conheci Tchekhov por causa dela, que em emprestou um livrinho de bolso com os contos do russo há uns cinco ou seis anos. Nunca devolvi. Dia desses, ela me disse que já teve um livro de Tchekhov, mas que não sabia onde estava. Achei o livro a semana passada, quando arrumava a estante e lembrei do empréstimo.</p><p>Na verdade, há uns dois meses eu desconfiava que o Caótico estava valendo a pena. Hugo Figueiredo, que trabalha comigo lá em Olinda, pediu <em><a href="http://www.caotico.com.br/meus-lugares-escuros/">Meus Lugares Escuros</a> </em>para ler. Achei ótimo o interesse do cara. Empreste, mas inaugurei uma regra nova na minha política de empréstimos de livros: só empresto se devolver com uma resenha, um comentário ou uma crônica sobre o livro. Assim, podemos ter visões e opiniões diferentes por aqui. Hoje ele me garantiu que vai honrar o compromisso.</p><p>O próximo que vai escrever um texto sobre um livro emprestado por mim é Ivanzinho, do blog Bodega. Faz mais de um ano que o miserável tá com meu <em>A Conjura</em>, de Agualusa.</p><p>Pretendia revelar alguns dados de sites de monitoramento de audiência, mas a emoção de escutar o que escutei de Dora, de Adriana, de Beto e de Dina, vale mais a pena do que a objetividade dos números. Isso fica pra depois.</p><p>Muita diversão e tranqüilidade para todo mundo nos dois feriados. Até 2010.</p><div class="addthis_toolbox addthis_default_style " addthis:url='http://www.caotico.com.br/satisfacao/' addthis:title='Satisfação '  ><a class="addthis_button_facebook_like" fb:like:layout="button_count"></a><a class="addthis_button_tweet"></a><a class="addthis_button_google_plusone" g:plusone:size="medium"></a><a class="addthis_counter addthis_pill_style"></a></div>]]></content:encoded> <wfw:commentRss>http://www.caotico.com.br/satisfacao/feed/</wfw:commentRss> <slash:comments>10</slash:comments> </item> <item><title>Notinhas dispersas</title><link>http://www.caotico.com.br/notinhas-dispersas/</link> <comments>http://www.caotico.com.br/notinhas-dispersas/#comments</comments> <pubDate>Thu, 05 Nov 2009 14:23:41 +0000</pubDate> <dc:creator>Inácio França</dc:creator> <category><![CDATA[Elocubrações]]></category> <category><![CDATA[Dublinenses]]></category> <category><![CDATA[Gore Vidal]]></category> <category><![CDATA[Poço da Panela]]></category> <category><![CDATA[presentes]]></category> <category><![CDATA[solidariedade]]></category> <category><![CDATA[Um Sonho Americano]]></category><guid isPermaLink="false">http://www.caotico.com.br/?p=481</guid> <description><![CDATA[O Caótico agora tem mais uma página, que se chama Trechos Arretados, com transcrições de trechos curtos de obras já lidas pelo blogueiro que vos fala ou enviados pelos leitores, como é o caso do fragmento de Benedetti enviado pela baiana Yvette Teixeira, que descobriu o blog não sei como. No início fiz uma gambiarra [...]<div class="addthis_toolbox addthis_default_style " addthis:url='http://www.caotico.com.br/notinhas-dispersas/' addthis:title='Notinhas dispersas '  ><a class="addthis_button_facebook_like" fb:like:layout="button_count"></a><a class="addthis_button_tweet"></a><a class="addthis_button_google_plusone" g:plusone:size="medium"></a><a class="addthis_counter addthis_pill_style"></a></div>]]></description> <content:encoded><![CDATA[<p>O Caótico agora tem mais uma página, que se chama <a href="http://www.caotico.com.br/trechos-arretados/">Trechos Arretados</a>, com transcrições de trechos curtos de obras já lidas pelo blogueiro que vos fala ou enviados pelos leitores, como é o caso do fragmento de Benedetti enviado pela baiana Yvette Teixeira, que descobriu o blog não sei como.</p><p>No início fiz uma gambiarra usando o sistema wordpress, mas o webdesigner Anízio endireitou a página, que ficou bem mais palatável, estão publicados por lá frases ou parágrafos de <em>Dublinenses</em>, de Joyce; <em>Ao Vivo do Calvário</em>, de Gore Vidal; e <em>Um Sonho Americano</em>, de Norman Mailer.</p><p>Essa página será atualizada muito de vez em quando, pois é preciso tempo e disposição para digitar trechos inteiros dos livros. Apesar de estar sempre razoavelmente disposto, tempo me falta.</p><p style="text-align: center;"><strong>*****</strong></p><p>Anízio Silva informou que é 100% possível criar um espaço para abrigar <a href="http://www.caotico.com.br/o-estratagema-da-lista-largada-ao-relento/">as listas de livros mais desejados pelos leitores</a> do Caótico. A ideia é que funcione como aquelas listas de presentes que os noivos deixam nas lojas de departamentos para facilitar (ou dificultar) a vida dos convidados.</p><p>Com as listas dos leitores no Caótico, alimento a esperança de que as pessoas que gostem de ganhar livros de presente tenham mais sorte no aniversário, Natal, Dia dos Namorados, Dia dos Pais ou das Mães. Anízio explicou que isso pode se transformar numa rede social. Se ele disse, eu acredito.</p><p>Seria bom que essa página ficasse pronta antes do Natal, mas não dou certeza. Quem sabe essa notinha não sensibilize a alma do webdesigner acima citado.</p><p style="text-align: center;"><strong>*****</strong></p><p><img class="size-thumbnail wp-image-487 alignleft" title="nana-e-sua-kombi1" src="http://www.caotico.com.br/wp-content/uploads/2009/11/nana-e-sua-kombi11-150x112.jpg" alt="nana-e-sua-kombi1" width="150" height="112" />O Caótico se junta ao esforço de ajudar o gordinho Naná a encontrar sua Kombi, furtada na madrugada de ontem na frente de sua casa, na comunidade do Poço da Panela. Para quem não conhece, Naná ganha a vida com sua Kombi, mas não isso não seria motivo suficiente para construir a rede de solidariedade que está se formando para ajudá-lo.</p><p>A Kombi era um veículo de solidariedade. Sem ela, dezenas de crianças do Poço terão que caminhar bastante para chegar à escola municipal que fica pelas bandas do bairro de Monteiro ou Apipucos. Naná e a Confraria dos Amigos do Poço, já citada no <a href="http://www.caotico.com.br/amizade-amor-e-outras-coisas-que-fazem-a-vida-valer-a-pena/">texto sobre o casamento de Samarone</a>, bancavam a gasolina e garantiam uma vida menos dura para a criançada da comunidade. A Kombi também é a ambulância do bairro, levando e trazendo os doentes do Poço para os hospitais públicos da Zona Norte do Recife.</p><p>Por tudo isso, quem quiser ajudar, a conta bancária de Naná (nome de pia: Evaldo Gomes de Moura)  é agência 1594 do Itaú, número da conta poupança: 22907-0 / 500.</p><p>Para quem tem olho vivo ou conhecimento no meio da bandidagem, as placas do veículo são KGZ-3021.</p><div class="addthis_toolbox addthis_default_style " addthis:url='http://www.caotico.com.br/notinhas-dispersas/' addthis:title='Notinhas dispersas '  ><a class="addthis_button_facebook_like" fb:like:layout="button_count"></a><a class="addthis_button_tweet"></a><a class="addthis_button_google_plusone" g:plusone:size="medium"></a><a class="addthis_counter addthis_pill_style"></a></div>]]></content:encoded> <wfw:commentRss>http://www.caotico.com.br/notinhas-dispersas/feed/</wfw:commentRss> <slash:comments>3</slash:comments> </item> <item><title>Trechos de Ao Vivo do Calvário, de Gore Vidal</title><link>http://www.caotico.com.br/trechos-de-ao-vivo-do-calvario-de-gore-vidal/</link> <comments>http://www.caotico.com.br/trechos-de-ao-vivo-do-calvario-de-gore-vidal/#comments</comments> <pubDate>Sat, 17 Oct 2009 04:41:09 +0000</pubDate> <dc:creator>Inácio França</dc:creator> <category><![CDATA[Trechos arretados]]></category> <category><![CDATA[cristianismo]]></category> <category><![CDATA[Gore Vidal]]></category> <category><![CDATA[igreja católica]]></category> <category><![CDATA[Jesus Cristo]]></category> <category><![CDATA[ressurreição]]></category><guid isPermaLink="false">http://www.caotico.com.br/?p=441</guid> <description><![CDATA[“- Por que – ganiu o Filho do Deus Único – me perseguis? – Santo sempre recorria ao vós arcaico quando citava o Nosso Salvador – mas salvador de quê? A pergunta nunca me ocorreu antes, e olha que sou bispo. Do pecado, suponho. Mas todos já desistimos disso, diga-se a bem da verdade. Certamente [...]<div class="addthis_toolbox addthis_default_style " addthis:url='http://www.caotico.com.br/trechos-de-ao-vivo-do-calvario-de-gore-vidal/' addthis:title='Trechos de Ao Vivo do Calvário, de Gore Vidal '  ><a class="addthis_button_facebook_like" fb:like:layout="button_count"></a><a class="addthis_button_tweet"></a><a class="addthis_button_google_plusone" g:plusone:size="medium"></a><a class="addthis_counter addthis_pill_style"></a></div>]]></description> <content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignright" title="aovivodocalvário" src="http://www.caotico.com.br/wp-content/uploads/2009/09/aovivodocalv%C3%A1rio1.jpg" alt="aovivodocalvário" width="75" height="109" /></p><p>“- Por que – ganiu o Filho do Deus Único – me perseguis? – Santo sempre recorria ao vós arcaico quando citava o Nosso Salvador – mas salvador de quê? A pergunta nunca me ocorreu antes, e olha que sou bispo. Do pecado, suponho. Mas todos já desistimos disso, diga-se a bem da verdade. Certamente Jesus não iria nos salvador do Dia do Juízo Final nem do Inferno já que Ele próprio é parte integrante de Todo esse Processo Judicial. Suponho que pretenda livrar a cara dos Seus amigos e angariadores de fundos. Um dia desses preciso pensar seriamente nessa faceta do cristianismo. Como, por exemplo, quem está salvando quem de quê”.</p><p><strong>São Timóteo, se referindo à forma como São Paulo (que ele chama de Santo) contava seu encontro com Jesus Cristo.</strong></p><p style="text-align: center;">*****</p><p style="text-align: left;">“…ao se lembrar de mim agora enquanto escreve, o que você pensa que são suas lembranças de Roma são na realidade algo bem diferente, pois a memória é facilmente manipulável, não só pelo Príncipe Deste Mundo e outros demônios, mas também por uma constante exposição à CNN na televisão. Você está sendo sutilmente alterado a cada instante, e à medida que muda, eu também mudo, porquanto sou uma invenção sua.”</p><p style="text-align: left;"><strong>São Paulo conversando com São Timóteo, que tenta escrever seu evangelho.</strong></p><div class="addthis_toolbox addthis_default_style " addthis:url='http://www.caotico.com.br/trechos-de-ao-vivo-do-calvario-de-gore-vidal/' addthis:title='Trechos de Ao Vivo do Calvário, de Gore Vidal '  ><a class="addthis_button_facebook_like" fb:like:layout="button_count"></a><a class="addthis_button_tweet"></a><a class="addthis_button_google_plusone" g:plusone:size="medium"></a><a class="addthis_counter addthis_pill_style"></a></div>]]></content:encoded> <wfw:commentRss>http://www.caotico.com.br/trechos-de-ao-vivo-do-calvario-de-gore-vidal/feed/</wfw:commentRss> <slash:comments>0</slash:comments> </item> <item><title>Ao vivo do Calvário</title><link>http://www.caotico.com.br/ao-vivo-do-calvario/</link> <comments>http://www.caotico.com.br/ao-vivo-do-calvario/#comments</comments> <pubDate>Thu, 01 Oct 2009 02:04:23 +0000</pubDate> <dc:creator>Inácio França</dc:creator> <category><![CDATA[Leituras Caóticas]]></category> <category><![CDATA[cristianismo]]></category> <category><![CDATA[crucificação]]></category> <category><![CDATA[Gore Vidal]]></category> <category><![CDATA[literatura americana]]></category> <category><![CDATA[ressurreição]]></category> <category><![CDATA[São Paulo]]></category> <category><![CDATA[São Timóteo]]></category> <category><![CDATA[Saulo de Tarso]]></category><guid isPermaLink="false">http://www.caotico.com.br/?p=387</guid> <description><![CDATA[Você acredita que Jesus foi o filho do “ômi” , que era filho de uma virgem e no mistério da Santíssima Trindade? Ou é daquelas pessoas que, mesmo sem religião, costuma dizer que respeita todas as religiões? Em qualquer um dos casos, evite a leitura de Ao Vivo do Calvário. Aliás, ignore esse texto, procure [...]<div class="addthis_toolbox addthis_default_style " addthis:url='http://www.caotico.com.br/ao-vivo-do-calvario/' addthis:title='Ao vivo do Calvário '  ><a class="addthis_button_facebook_like" fb:like:layout="button_count"></a><a class="addthis_button_tweet"></a><a class="addthis_button_google_plusone" g:plusone:size="medium"></a><a class="addthis_counter addthis_pill_style"></a></div>]]></description> <content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignright size-full wp-image-388" title="aovivodocalvário" src="http://www.caotico.com.br/wp-content/uploads/2009/09/aovivodocalvário.jpg" alt="aovivodocalvário" width="117" height="172" />Você acredita que Jesus foi o filho do “ômi” , que era filho de uma virgem e no mistério da Santíssima Trindade? Ou é daquelas pessoas que, mesmo sem religião, costuma dizer que respeita todas as religiões? Em qualquer um dos casos, evite a leitura de <em>Ao Vivo do Calvário</em>. Aliás, ignore esse texto, procure outra coisa para ler na Internet. Blog é o que não falta por aí.</p><p>Logo na primeira página Gore Vidal dá o tom do que virá nos capítulos seguintes. O cacete (no sentido sexual do termo, sinônimo de pênis, rola, pau ou pica, e não de cajado) de São Timóteo e o tesão de São Paulo por menininhos, mencionados nos primeiros parágrafos, deixam claro que Vidal não alisou quando escreveu esse romance no início dos anos 90.</p><p>Não se trata de nenhuma obra-prima, muitas vezes, me dispersei no meio da leitura, mas é um livro engraçado. Aliás, quem deve ter se divertido mesmo foi o próprio autor. Deve ser muito legal escrever uma história sem dar a mínima para o respeito a qualquer crença, a fatos históricos ou mesmo à verossimilhança.</p><p>A ideia básica é a seguinte: a tecnologia para viajar ao passado já está sob domínio das grandes corporações como a General Eletric e das redes de TV americanas, assim um “pirata” temporal e religioso está apagando as “fitas” com as histórias dos evangelhos. São Timóteo, bispo da Macedônia e comedor/comida de São Paulo em seus tenros anos (poderia ter escrito “tenra idade”, mas a obviedade do trocadilho é boa demais), recebe a missão de escrever seu próprio evangelho para que a verdade sobre os primeiros tempos de cristianismo não se perca.</p><p>Quase ia esquecendo que uma TV conseguiu os direitos para transmitir ao vivo a crucificação de Jesus, direto do monte Calvário.</p><p>Só sofri um pouco na leitura porque fiquei com a impressão que o autor se animou demais. As idas e vindas entre passado, presente e futuro são tão intensas, com tantos personagens, que muitas vezes fiquei me perguntando “quem falou isso antes?” ou “e isso, está relacionado com qual situação mesmo?”.</p><p>Me embananei, aí resolvi relaxar e deixar pra lá, não suporto ter de voltar dezenas de páginas para checar alguma frase ou situação descrita. Se o sujeito que escreveu não estava preocupado com esse tipo de lógica porque eu é que teria de me preocupar? Tentei ler com o mesmo espírito com que, acho eu, Vidal escreveu.</p><p>O mais interessante é a visão completamente anárquica e esculhambada do novo testamento. O exercício de imaginar os intestinos dos conflitos entre os primeiros cristãos e entre judeus e cristãos vale a leitura com sobras.</p><p>A esculhambação é tão grande que poderia inspirar um roteirista de escola de samba da terceira divisão ou o decorador daquele baile de carnaval do Rio de Janeiro, o Gala Gay.</p><p>O romance tem outro mérito. Com humor, leveza, Gore Vidal leva o leitor a se inquietar com o poder da mídia em construir a memória coletiva, reconstruindo a história a partir dos interesses das corporações, da religião, dos donos do poder. A velha discussão filosófica sobre a verdade, ou melhor, sobre as verdades também está lá, presente em tudo quanto é capítulo.</p><p>Outra coisa boa é que conheci duas palavras novas para mim: “tepidário” e “solipsista”. Tepidário é a parte que fazia parte das termas romanas onde a água era a mais quente. E solipsista é o sujeito que só acredita que são reais as coisas que estão em seu próprio pensamento, todo o resto é fantasia. Miriam Leitão e Alexandre Garcia, por exemplo, são solipsistas de carteirinha.</p><p>Ah, se você é cristão e ainda vai insistir em ler <em>Ao</em><em> Vivo</em><em> do Calvário, </em>aviso que o Jesus Cristo de Gore Vidal não é nenhum santinho.</p><p><strong>Sobre o escritor</strong></p><p><img class="alignnone size-full wp-image-389" title="gore-vidal-cloudy" src="http://www.caotico.com.br/wp-content/uploads/2009/09/gore-vidal-cloudy.jpg" alt="gore-vidal-cloudy" width="218" height="174" /></p><p>Gore Vidal é neto de um senador de Oklahoma, foi criado em Washington e lutou na Segunda Guerra Mundial. Mesmo assim, é um crítico feroz e incansável do modo como seu País exerce o poder e como o poder é exercido em  seu País. É autor de frases ótimas, como “não basta ser bem-sucedido, os outros também precisam fracassar”. Escreveu 35 romances e pelo menos 20 roteiros de cinema ou teatro. Hoje, mora na Itália, com medo de ser assassinado pelos seus conterrâneos republicanos.</p><ul><li><a href="http://www.scribd.com/doc/16933806/Gore-Vidal">artigo de Gore Vidal sobre Timothy McVeigh, autor do atentado de Oklahoma</a></li><li><a href="http://www.esquerda.net/index.php?option=com_content&amp;task=view&amp;id=1001&amp;Itemid=64">Entrevista à AFP, reproduzida no site português Esquerda.net</a></li></ul><div class="addthis_toolbox addthis_default_style " addthis:url='http://www.caotico.com.br/ao-vivo-do-calvario/' addthis:title='Ao vivo do Calvário '  ><a class="addthis_button_facebook_like" fb:like:layout="button_count"></a><a class="addthis_button_tweet"></a><a class="addthis_button_google_plusone" g:plusone:size="medium"></a><a class="addthis_counter addthis_pill_style"></a></div>]]></content:encoded> <wfw:commentRss>http://www.caotico.com.br/ao-vivo-do-calvario/feed/</wfw:commentRss> <slash:comments>5</slash:comments> </item> <item><title>Os sebos e a fraqueza de caráter do blogueiro</title><link>http://www.caotico.com.br/os-sebos-e-a-fraqueza-de-carater-do-blogueiro/</link> <comments>http://www.caotico.com.br/os-sebos-e-a-fraqueza-de-carater-do-blogueiro/#comments</comments> <pubDate>Sat, 11 Jul 2009 15:50:16 +0000</pubDate> <dc:creator>Inácio França</dc:creator> <category><![CDATA[Elocubrações]]></category> <category><![CDATA[consumismo]]></category> <category><![CDATA[Estante Virtual]]></category> <category><![CDATA[Gore Vidal]]></category> <category><![CDATA[livros]]></category> <category><![CDATA[Sebo]]></category> <category><![CDATA[Vargas Llosa]]></category><guid isPermaLink="false">http://www.caotico.com.br/?p=178</guid> <description><![CDATA[Em meados do ano passado fiz uma promessa, ou melhor, um acordo comigo mesmo. Acertei que não compraria nenhum outro livro enquanto não lesse os vários e vários títulos ainda virgens que tenho nas estantes da sala, do corredor e do quarto. Durante um rasgo de lucidez, verifiquei que continuar comprando livros sem dar vencimentos [...]<div class="addthis_toolbox addthis_default_style " addthis:url='http://www.caotico.com.br/os-sebos-e-a-fraqueza-de-carater-do-blogueiro/' addthis:title='Os sebos e a fraqueza de caráter do blogueiro '  ><a class="addthis_button_facebook_like" fb:like:layout="button_count"></a><a class="addthis_button_tweet"></a><a class="addthis_button_google_plusone" g:plusone:size="medium"></a><a class="addthis_counter addthis_pill_style"></a></div>]]></description> <content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignleft size-medium wp-image-179" title="C 039" src="http://www.caotico.com.br/wp-content/uploads/2009/07/C-039-350x262.jpg" alt="C 039" width="233" height="174" />Em meados do ano passado fiz uma promessa, ou melhor, um acordo comigo mesmo. Acertei que não compraria nenhum outro livro enquanto não lesse os vários e vários títulos ainda virgens que tenho nas estantes da sala, do corredor e do quarto.</p><p>Durante um rasgo de lucidez, verifiquei que continuar comprando livros sem dar vencimentos naqueles que já fazem parte da minha modesta biblioteca era um comportamento consumista. Um impulso de comprar, de possuir um objeto desejado, algo tão patético quanto ficar endividado por causa de sapatos, celulares com 8.534 recursos tecnológicos inúteis, ou vestidos de grife.</p><p>Durante alguns meses permaneci invulnerável em meu compromisso. Resisti a lançamentos, noites de autógrafos e resenhas sedutoras publicadas em revistas ou na web.</p><p>Até que, cortando caminho pelo mercado de Casa Amarela numa tarde de sexta-feira, passei no meio de um sebo instalado numa das barracas da feira. Tinha tempo livre, então uma paradinha para dar uma olhada nos títulos não faria mal a ninguém. No meio de um monte de auto-ajuda, livros técnicos de engenharia e romances açucarados, havia um belo exemplar de capa dura de <em>Conversa na Catedral</em>. Preço: R$ 5,00. Deve ser mais ou menos o quanto vale também minha fraca personalidade.</p><p>Ego, id, alter-ego, consciência e subconsciente  entraram num confronto tão rápido quanto violento, mas chegaram a um acordo. Cedi, mas mantive a promessa: não compraria nenhum livro novo enquanto não lesse os que já tenho. Observe a palavra &#8220;novo&#8221; na frase anterior: isso significa que poderia comprar livros usados, como era o caso do <em>Conversa na Catedral</em> em questão. Comprei o livro e me perdooei.</p><p>As coisas se complicaram há uns dois meses, quando descobri o site <a href="http://www.estantevirtual.com.br">Estante Virtual</a> enquanto fuçava na internet. Trata-se de um portal de uma rede de 1.400 sebos espalhados pelo Brasil todo, com mais de 21 milhões de volumes à venda. A concorrência entre os sebos derruba os preços. Procurei <em>Juliano</em>, de Gore Vidal, que está fora de catálogo. Havia dezenas de opções, com preços entre R$ 8,00 e R$ 25,00. Os sebos fornecem as informações sobre o estado do exemplar.</p><p>Para quem vai comprar mais de um livro, a dificuldade é fazer pagamentos diferentes para sebos diferentes, os quais, por sua vez, oferece diferentes opções de pagamento. A coisa funciona assim: você escolhe o livro, coloca na cesta e o sistema do portal avisa ao lojista que você está interessado. Recomendo que, além de escolher o livro pelo preço e pelo seu estado de conservação, escolha também um sebo que oferecer a condição de pagamento mais cômoda.</p><p>O sebista então envia para seu e-mail os dados para que o comprador faça o depósito e as informações sobre o prazo de entrega.</p><p>Fiz a experiência com <em>Juliano</em>. Chegou rapidinho. Animado, encomendei também a quatro lojas diferentes <em>1876, Washington DC, Ao Vivo do Calvário </em>e <em>Criação</em>, todos de Vidal. Deu certo e, pelos cinco livros, gastei o mesmo que teria pago num único volume novo numa livraria da moda.E, ainda por cima, não desonrei o compromisso, afinal todos eram usados.</p><p style="text-align: center;">*****</p><p style="text-align: left;"><strong>A proposta do Caótico é abrigar textos sobre a experiência da leitura de livros específicos (esses serão classificados na página <em>Leituras Caóticas</em>), resenhas ou comentários sobre livros lidos pelos leitores do blog (abrigados sob a rubrica <em>Loucos por livros</em>, como foi o caso do texto de Lea Cavalcanti publicado há uma semana). </strong></p><p style="text-align: left;"><strong>Além disso, haverá uma terceira página chamada <em>Elocubrações</em>, com textos mais genéricos, sobre vários assuntos relacionados direta ou indiretamente à leitura. A postagem acima inaugura essa categoria.</strong></p><div class="addthis_toolbox addthis_default_style " addthis:url='http://www.caotico.com.br/os-sebos-e-a-fraqueza-de-carater-do-blogueiro/' addthis:title='Os sebos e a fraqueza de caráter do blogueiro '  ><a class="addthis_button_facebook_like" fb:like:layout="button_count"></a><a class="addthis_button_tweet"></a><a class="addthis_button_google_plusone" g:plusone:size="medium"></a><a class="addthis_counter addthis_pill_style"></a></div>]]></content:encoded> <wfw:commentRss>http://www.caotico.com.br/os-sebos-e-a-fraqueza-de-carater-do-blogueiro/feed/</wfw:commentRss> <slash:comments>8</slash:comments> </item> </channel> </rss>
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