Eliane Brum era repórter do Zero Hora quando nos conhecemos, há não sei quantos anos. Ela começou como repórter da editoria de Polícia do diário gaúcho, eu como na mesma função no Diário Popular, de São Paulo. Minhas lembranças não são lá muito nítidas, mas acredito que isso nos aproximou a ponto de descobrir mais [...]
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Rossellini amou a pensão de dona Bombom
As técnicas e as manhas do jornalismo podem ser valiosos recursos para um macaco-velho das redações que se arrisca no ofício da literatura. Entretanto, como diz a senhora minha mãe, “remédio demais é veneno”, também podem significar sua perdição. Foi assim com Cícero Belmar em Rossellini amou a pensão de dona Bombom, vencedor de dois [...]
A alma encantadora das ruas
Antes de Gay Talese ou Truman Capote, longe de Nova York ou do Kansas, um gordinho cheio de mungangas chamado Paulo Barreto misturou jornalismo e criação literária em textos publicados por jornais e revistas do Rio de Janeiro nas duas primeiras décadas do século XX. Ele assinava seus escritos como João do Rio e, com [...]
O reino e o poder
Escrever uma puta reportagem sobre os bastidores de um grande jornal, as intrigas internas da redação e sua relação com o poder político e econômico parece ser uma excelente proposta numa época em que boa parte da sociedade começa a colocar a mídia na berlinda. É verdade: a ideia é tão boa, e óbvia, que [...]
Operação Massacre (agora, a opinião do editor)
A partir de hoje, voltamos à nossa programação normal. Foi o Caótico que me levou a Rodolfo Walsh e a Operação Massacre. Até o dia em que editei o texto enviado por Samarone Lima para registrar e comemorar o lançamento da primeiríssima edição brasileira do livro de Rodolfo Walsh, nunca tinha ouvido falar desse argentino [...]
O segredo de Joe Gould
Como já contei algumas vezes em textos anteriores, do mesmo modo que os pernambucanos costumam deixar os guaiamuns cevando durante semanas, até que ele fique bem gordinho para ser comido com pirão e uma cervejinha, eu costumo cevar os livros da minha estante. Descobri que essa técnica multiplica o prazer, pois além do tesão da [...]
Hiroshima
Chorei várias vezes enquanto lia Hiroshima. E olha, que naqueles primeiros anos do século XXI, eu ainda tentava posar de “racional” e nem era tão chorão quanto sou hoje. A soma de todos os Globo Repórter, das reportagens especiais nas datas redondas da explosão atômica e dos documentários da TV a cabo não dá nem [...]