<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?> <rss version="2.0" xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/" xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/" xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/" xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom" xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/" xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/" ><channel><title>Caótico &#187; Josué de Castro</title> <atom:link href="http://www.caotico.com.br/tags/josue-de-castro/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" /><link>http://www.caotico.com.br</link> <description>Espaço de leituras,  histórias &#38; especulações &#124; Por Inácio França</description> <lastBuildDate>Wed, 08 Feb 2012 13:36:43 +0000</lastBuildDate> <language>en</language> <sy:updatePeriod>hourly</sy:updatePeriod> <sy:updateFrequency>1</sy:updateFrequency> <xhtml:meta xmlns:xhtml="http://www.w3.org/1999/xhtml" name="robots" content="noindex" /> <item><title>Rossellini amou a pensão de dona Bombom</title><link>http://www.caotico.com.br/rossellini-amou-a-pensao-de-dona-bombom/</link> <comments>http://www.caotico.com.br/rossellini-amou-a-pensao-de-dona-bombom/#comments</comments> <pubDate>Tue, 04 Oct 2011 20:41:46 +0000</pubDate> <dc:creator>Inácio França</dc:creator> <category><![CDATA[Leituras Caóticas]]></category> <category><![CDATA[1958]]></category> <category><![CDATA[cinema]]></category> <category><![CDATA[jornalismo]]></category> <category><![CDATA[jornalismo literário]]></category> <category><![CDATA[Josué de Castro]]></category> <category><![CDATA[literatura pernambucana]]></category> <category><![CDATA[neorealismo italiano]]></category> <category><![CDATA[Recife]]></category><guid isPermaLink="false">http://www.caotico.com.br/?p=1593</guid> <description><![CDATA[As técnicas e as manhas do jornalismo podem ser valiosos recursos para um macaco-velho das redações que se arrisca no ofício da literatura. 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Entretanto, como diz a senhora minha mãe, “remédio demais é veneno”, também podem significar sua perdição. Foi assim com Cícero Belmar em <em>Rossellini amou a pensão de dona Bombom</em>, vencedor de dois prêmios locais de literatura na categoria ficção em 2005.</p><p>Não foi por acaso que o livro do bodocoense Belmar foi tão premiado. Suas virtudes superam os defeitos com vários corpos de vantagem.</p><p>O grande mérito do autor, um ex-repórter e ex-editor do Jornal do Commércio, aqui de Recife, foi desencavar a história do interesse do cineasta italiano Roberto Rossellini em fazer um filme baseado no livro <em>Geografia da Fome, </em>do médico Josué de Castro, então deputado federal por Pernambuco, e da sua visita ao Rio de Janeiro e ao Recife para conhecer a situação de perto.</p><p>O fato estava esquecido nos empoeirados arquivos dos jornais recifenses, mas na época rendeu muitas matérias e coberturas, afinal Rossellini era um dos mais respeitados diretores de cinema do pós-guerra na Europa. Belmar arriscou uma asma nas pastas cheias de recortes amarelados para desencavar a história.</p><p>Caso tivesse decidido contar em algum periódico os detalhes dos passeios do famoso cineasta pelo Rio e Recife, o resultado seria, no máximo, uma matéria boazinha publicada sob a rubrica ‘memória’ dos diários locais ou nas páginas secundárias das revistas de cultura, ilustradas por fotos em preto-e-branco. Seu destino história seria o mesmo arquivo do qual ela tinha acabado de ser resgatada.</p><p>Recontada e transfigurada, a história ganhou novo fôlego e a atemporalidade ao narrar a trajetória da terna e enérgica figura de dona Bombom – e não Rossellini &#8211; é a protagonista. Aos cuidados de Belmar, a cafetina se distancia do estereótipo de ‘dona de puteiro’ e ganha com suas emoções, desencantos e contradições. Tão cuidadosa quanto Bombom com suas “meninas”, é o autor com sua personagem.</p><p>A narrativa do romance é entremeada por trechos com a característica linguagem jornalística, com os relatos obtidos por meio das entrevistas – reais e imaginárias – com os personagens que testemunharam a visita do italiano ou passaram seus anos de farra na zona do Recife Antigo.</p><p>Quais entrevistas são produtos da imaginação do autor ou do seu esforço de reportagem? Tenho sérias desconfianças e nenhuma certeza. Belmar trabalhou duro para que as fronteiras entre realidade memória e ficção se tornassem quase imperceptíveis.</p><p>O que esse escritor de Bodocó não conseguiu foi reprimir alguns cacoetes de jornalista, pois o principal defeito de sua prosa é o excesso de informações. Em muitos momentos, ele parece mais preocupado em fazer com que o leitor saiba que as festas do Clube Internacional eram reservadas à elite recifense ou que tal rua era próxima daquela outra do que em deixar o romance fluir. Mais de literatura e menos de jornalismo seria melhor para o leitor se sentir à vontade no Recife dos anos 50.</p><p>Boa parte dessas informações estão em demasia aparecem nos diálogos. O resultado é que, algumas vezes, os personagens falam como se estivesse lendo um texto.</p><p>Em um diálogo, na altura da página 115, carece de verossimilhança o salto de espanto que dá um personagem quando escuta o nome da mulher que está sendo procurada por todos os cantos por um conhecido com quem ele acabou de se encontrar. A questão é que, durante o encontro, o personagem havia não havia demonstrado um mínimo de interesse pela busca do colega. Há uma ou outra cena um tanto forçadas como essa que usei para ilustrar meu incômodo.</p><p>Assim, me desincumbo da árdua tarefa de comentar com sinceridade um texto de um velho amigo, que me deu até a dica de comprar seu livro por um preço mais em conta na banca de revistas da esquina da Sete de Setembro com a Conde da Boa Vista. Custa R$ 20,00, mas aposto que vai aumentar quando chegar ao cinema: Amin Stepple escreveu o roteiro e os produtores já conseguiram uma grana lá na Itália.</p><p>&nbsp;</p><p><strong>Sobre o escritor</strong></p><p><a href="http://www.caotico.com.br/wp-content/uploads/2011/10/Belmar.jpg"><img class="alignnone size-medium wp-image-1595" title="Belmar" src="http://www.caotico.com.br/wp-content/uploads/2011/10/Belmar-350x171.jpg" alt="" width="305" height="149" /></a></p><p>Cícero Belmar escreveu também o romance <em>Umbilina e sua grande rival </em>e as biografias <em>Póla </em>e <em>Fernando Figueira</em>, além de vários livros infanto-juvenis e peças de teatro para o público infantil. Em seus anos como repórter, ganhou duas vezes o prêmioo Cristina Tavares de Jornalismo, oferecido pelo Sindicato dos Jornalistas de Pernambuco. Isso é tudo fichinha perto do fato de ter nascido em Bodocó.</p><p><strong>Depois de um tempo de marasmo, retomo hoje a publicação dos <a href="http://www.caotico.com.br/trechos-arretados/">Trechos arretados</a> com a colaboração do leitor Djalma Augusto, professor de História e estudante de Filosofia da UnB. </strong></p><div class="addthis_toolbox addthis_default_style " addthis:url='http://www.caotico.com.br/rossellini-amou-a-pensao-de-dona-bombom/' addthis:title='Rossellini amou a pensão de dona Bombom '  ><a class="addthis_button_facebook_like" fb:like:layout="button_count"></a><a class="addthis_button_tweet"></a><a class="addthis_button_google_plusone" g:plusone:size="medium"></a><a class="addthis_counter addthis_pill_style"></a></div>]]></content:encoded> <wfw:commentRss>http://www.caotico.com.br/rossellini-amou-a-pensao-de-dona-bombom/feed/</wfw:commentRss> <slash:comments>1</slash:comments> </item> <item><title>Josué de Castro, o Gênio Silenciado</title><link>http://www.caotico.com.br/josue-de-castro-o-genio-silenciado/</link> <comments>http://www.caotico.com.br/josue-de-castro-o-genio-silenciado/#comments</comments> <pubDate>Thu, 17 Dec 2009 17:53:46 +0000</pubDate> <dc:creator>Inácio França</dc:creator> <category><![CDATA[Leituras Caóticas]]></category> <category><![CDATA[Geografia da Fome]]></category> <category><![CDATA[Geopolítica da Fome]]></category> <category><![CDATA[Instituto Maximiano Campos]]></category> <category><![CDATA[ISBN]]></category> <category><![CDATA[Josué de Castro]]></category> <category><![CDATA[mercado editorial]]></category> <category><![CDATA[Vandeck Santiago]]></category><guid isPermaLink="false">http://www.caotico.com.br/?p=544</guid> <description><![CDATA[Duas atitudes são fundamentais para um jornalista ser aceito entre seus iguais nas redações do século XXI: freqüentar o bar da moda e cultivar uma auto-imagem de paladino da Justiça, de corajoso fiscal da ética acima do bem e do mal. Também é recomendável manter o nariz empinado. 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Também é recomendável manter o nariz empinado. Vandeck Santiago não faz nada disso, mas é um dos melhores seres humanos dessa raquítica atividade que é o Jornalismo.</p><p>Criatividade e talento para escrever já não são assim tão importantes, mas Vandeck sabe escrever, tem ótimas ideias e, apesar de já ter trabalhado na Veja, é um homem honrado. Pausa para esclarecimento: respeito muito esse sujeito, o conheço desde que eu era estudante e ele já trabalhava na sucursal da acima citada revista, mas não dá para dizer que somos amigos. Nem sei onde ele mora.</p><p>Com todo esse blá-blá-blá, o que estou querendo dizer é que seu livro <em>Josué de Castro, o Gênio Silenciado </em>é uma ótima sacada, resultado de sua criatividade, do seu rigor na apuração e da sua intimidade com a escrita. Ao mesmo tempo, é uma evidência incontestável que não existe mercado editorial em Pernambuco. Aliás, provavelmente essa última afirmativa é válida para o Nordeste inteiro, mas a ignorância impede que eu generalize.</p><p>Vandeck utilizou as ferramentas e técnicas do Jornalismo para escrever um livro que poderíamos chamar de básico sobre um dos brasileiros mais importantes do século XX. <em>O Gênio Silenciado </em>não é uma biografia de Josué de Castro, longe disso, mas uma espécie de lanterna a alumiar o caminho das pedras para estudantes ou para quem pretende pesquisar a obra e a vida do homem que escreveu o lendário <em>A Geografia da Fome</em>.</p><p>Escrito como uma reportagem, pode ser lido com facilidade pelos não-iniciados em Sociologia ou Geografia. Em compensação, os iniciados não ficarão com cabelos em pé, pois a apuração &#8211; a verificação cuidadosa de dados, nomes e datas -, garante que não há nenhum absurdo histórico ou conceitual em suas páginas.</p><p>O texto é bom, a ideia é ótima, Josué de Castro é um personagem que vale esse e outros mil livros. Até aí tudo bem. O problema é que os problemas de edição são numerosos, como a maioria absoluta dos livros lançados por aqui.</p><p>Conversei com Vandeck e ele me contou que foi a poetisa Lucila Nogueira quem mobilizou meio mundo de gente para que o texto fosse publicado. Essa movimentação levou o Instituto Maximiano Campos a bancar os custos da publicação, que saiu sob o selo da Bagaço, que garantiu o número do ISBN – aquele código de barras na contracapa que funciona como uma espécie de número de RG de uma obra.</p><p>Se existisse uma editora em Pernambuco, um profissional de edição teria se debruçado sobre os originais e solicitado que o autor incluísse alguns nomes, aprofundasse uma ou outra passagem, recomendado que o conteúdo das numerosas entrevistas ping-pong fosse diluído ao longo das 160 e tantas páginas. A capa não seria tão sem graça, com cor de cocô de menino pequeno.</p><p>Sou capaz de apostar que nenhuma editora aqui faz esse trabalho, quando muito faz o que a Bagaço fez com <em>O Gênio Silenciado</em>.</p><p>Aliás, a própria ideia de lançar livros que funcionam como ponto de partida para iniciantes seria transformada numa coleção com volumes sobre personagens com escassa bibliografia disponível.</p><p>Enfim, livro lançado pelas bandas de cá raramente é um bom produto, daqueles que o livreiro não fica com vergonha de botar na prateleira. Há exceções, mas essas são apenas isso: exceções.</p><p>Como esse negócio de fazer blog não rende um centavo, não posso montar minha própria editora e publicar logo de cara uma coletânea com as crônicas de <a href="http://www.espalitandodente.blogspot.com/">Paulo Bono</a>. Então, por enquanto o jeito é continuar reclamando.</p><p><a href="http://www.caotico.com.br/wp-content/uploads/2009/12/vandeck.jpg"><img class="alignnone size-medium wp-image-546" title="Vandeck Santiago" src="http://www.caotico.com.br/wp-content/uploads/2009/12/vandeck-350x284.jpg" alt="vandeck" width="184" height="149" /></a></p><p><strong>Sobre o escritor</strong></p><p>Vandeck Santiago tem uns 40 e tantos anos, já trabalhou na Folha de S. Paulo e na Veja, mas nem parece. É repórter especial do Diário de Pernambuco e já fez um monte de cadernos sobre Francisco Julião, Joaquim Nabuco, Josué de Castro e outros que não lembro agora. Quando fiz parte da comissão julgadora do Prêmio Cristina Tavares, em 2004, ele ganhou o prêmio principal e eu quase que apanho do pessoal do jornal concorrente.</p><div class="addthis_toolbox addthis_default_style " addthis:url='http://www.caotico.com.br/josue-de-castro-o-genio-silenciado/' addthis:title='Josué de Castro, o Gênio Silenciado '  ><a class="addthis_button_facebook_like" fb:like:layout="button_count"></a><a class="addthis_button_tweet"></a><a class="addthis_button_google_plusone" g:plusone:size="medium"></a><a class="addthis_counter addthis_pill_style"></a></div>]]></content:encoded> <wfw:commentRss>http://www.caotico.com.br/josue-de-castro-o-genio-silenciado/feed/</wfw:commentRss> <slash:comments>9</slash:comments> </item> </channel> </rss>
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