<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?> <rss version="2.0" xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/" xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/" xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/" xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom" xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/" xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/" ><channel><title>Caótico &#187; Juliano</title> <atom:link href="http://www.caotico.com.br/tags/juliano/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" /><link>http://www.caotico.com.br</link> <description>Espaço de leituras,  histórias &#38; especulações &#124; Por Inácio França</description> <lastBuildDate>Tue, 07 Feb 2012 19:41:39 +0000</lastBuildDate> <language>en</language> <sy:updatePeriod>hourly</sy:updatePeriod> <sy:updateFrequency>1</sy:updateFrequency> <xhtml:meta xmlns:xhtml="http://www.w3.org/1999/xhtml" name="robots" content="noindex" /> <item><title>Trechos de Juliano</title><link>http://www.caotico.com.br/trechos-de-juliano/</link> <comments>http://www.caotico.com.br/trechos-de-juliano/#comments</comments> <pubDate>Sat, 16 Jan 2010 16:11:59 +0000</pubDate> <dc:creator>Inácio França</dc:creator> <category><![CDATA[Trechos arretados]]></category> <category><![CDATA[cristianismo]]></category> <category><![CDATA[Gore Vidal]]></category> <category><![CDATA[Jesus Cristo]]></category> <category><![CDATA[Juliano]]></category> <category><![CDATA[Mitra]]></category> <category><![CDATA[trechos de livros]]></category><guid isPermaLink="false">http://www.caotico.com.br/?p=578</guid> <description><![CDATA[&#8220;- Como podem muitos ser negados? 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Ou cada uma tem característica peculiares? E se cada raça tem suas qualidades, não serão elas dadas por um deus? E se não forem dadas por um deus, essas características não seriam mais bem simbolizadas por um deus nacional específico? No caso dos judeus, um patriarca mal-humorado e ciumento. No caso dos sírios efeminados e astutos, um deus como Apolo. Ou tomemos os germanos e os celtas, que são aguerridos e ferozes. Será por acaso que adoram Ares, o deus da guerra? Ou será inevitável? Os antigos romanos foram absorvidos pela legislação e pelo governo. Seu deus? O rei dos deuses, Zeus. E cada tem muitos aspectos e muitos nomes, pois há tanta variedade nos céus quanto entre os homens. Alguns perguntam: &#8216;Nós criamos esses deuses, ou eles nos criaram?&#8217; É um debate muito antigo. Seremos nós um sonho da divindade, ou cada um de nós um sonhador separado, evocando sua própria realidade? Embora não se tenha certeza, todos os nossos sentidos nos dizem que existe uma única criação, e que estamos contidos nela para sempre. Ora, os cristãos impõem um mito final e rígido àquilo que sabemos ser variado e estranho. Não, nem mesmo um mito, pois o Nazareno existiu em carne e osso, ao passo que os deuses que adoramos jamais foram homens; são, ao invés disso, qualidades e poderes, que se transformaram em poesia para nossa instrução. Com a adoração do judeu morto, a poesia cessou. Os cristãos desejam substituir nossas belas lendas pelo relatório policial de um rabino reformista. Com esse material impossível, esperam fazer uma síntese final de todas as religiões conhecidas. Agora apropriaram-se também dos nossos dias festivos. Transformaram divindades locais em santos. Tomam emprestados nossos ritos misteriosos, especialmente os de Mitra. Os sacerdotes de Mitra são chamados de &#8216;pais&#8217;, &#8216;padres&#8217;. Então os cristãos chamam <em>seus</em> sacerdotes de padres. Imitam até a tonsura, na esperança de construir novos adeptos com os atavios familiares do culto antigo. Agora, começam a chamar o Nazareno de &#8216;salvador&#8217; e &#8216;aquele que cura&#8217;. Por quê? Porque um dos nossos mais amados deuses é Asclépio, a quem chamamos de &#8216;salvador&#8217; e &#8216;aquele que cura&#8217;.&#8221;</p><p><strong>O charlatão Máximo, em conversa com Juliano ainda jovem, estudante de filosfia em Atenas</strong></p><p style="text-align: center;"> <strong>*****</strong></p><p style="text-align: center;"><p style="text-align: left;">&#8220;<strong>- </strong>Não é assim que deve se aproximar da divina presença. &#8211; Borrifei água em Oribásio, com ótima pontaria. Ele riu. Meu tio também, pois eu fizera o mesmo com ele. Então, fiquei assustado. Era exatamente assim que nasciam os monstros. Primeiro, o tirano faz brincadeiras inofensivas: borrifa água nos senadores durante o banho, serve pedaços de madeira ao invés de comida aos seus convidados, prega peças em todos ; e não importa o que ele faça, todos riem e o lisonjeiam, acham inteligentes suas osbervações<strong> </strong>mais cretinas. Depois as brincadeiras começam a perder a graça. Certo dia ele acha divertido violentar a mulher de outro homem diante do marido, ou o marido, na frente da mulher, ou torturar os dois, ou matá-los. Quando começa a matança, o imperador não é mais um homem, mas um animal, e já tivemos muitos animais no trono do mundo. Desculpei-me veementemente por ter molhado meu tio. Desculpei-me até por ter molhado Oribásio, embora ele seja como um irmão para mim. Nenhum deles adivinhou o significado daquele súbito acesso de culpa.&#8221;</p><p style="text-align: left;"><strong>Juliano, logo depois de chegar a Constantinopla, já na condição de imperador</strong></p><p><strong><br /> </strong></p><div class="addthis_toolbox addthis_default_style " addthis:url='http://www.caotico.com.br/trechos-de-juliano/' addthis:title='Trechos de Juliano '  ><a class="addthis_button_facebook_like" fb:like:layout="button_count"></a><a class="addthis_button_tweet"></a><a class="addthis_button_google_plusone" g:plusone:size="medium"></a><a class="addthis_counter addthis_pill_style"></a></div>]]></content:encoded> <wfw:commentRss>http://www.caotico.com.br/trechos-de-juliano/feed/</wfw:commentRss> <slash:comments>0</slash:comments> </item> <item><title>Juliano</title><link>http://www.caotico.com.br/juliano/</link> <comments>http://www.caotico.com.br/juliano/#comments</comments> <pubDate>Thu, 14 Jan 2010 13:39:12 +0000</pubDate> <dc:creator>Inácio França</dc:creator> <category><![CDATA[Leituras Caóticas]]></category> <category><![CDATA[cristianismo]]></category> <category><![CDATA[Gore Vidal]]></category> <category><![CDATA[helenismo]]></category> <category><![CDATA[Império Romano]]></category> <category><![CDATA[intolerância religiosa]]></category> <category><![CDATA[Juliano]]></category> <category><![CDATA[literatura americana]]></category> <category><![CDATA[paganismo]]></category> <category><![CDATA[Roma]]></category> <category><![CDATA[romance histórico]]></category><guid isPermaLink="false">http://www.caotico.com.br/?p=573</guid> <description><![CDATA[Nos últimos dias de 2009, no meio daquela correria sem sentido de final de ano, considerei que eu merecia um presente. 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As semanas que viriam pela frente prometiam ser de muito trabalho, com a chegada dos filhos que moram com a mãe em Tocantins, a obrigação de correr contra o tempo e entregar os textos do <em>Um Rio de Gente</em> e a perspectiva de mais demanda por conta do carnaval em Olinda.  Então, resolvi me dar de presente a leitura de <em>Juliano</em>, de Gore Vidal.</p><p>Depois de comprá-lo num sebo, deixei o livro curtindo na estante, cevando, enquanto gozava a expectativa da leitura. De vez em quando faço isso com algumas coisas que passo um tempão desejando ler, mas quando estou com ele nas mãos, resolvo esperar mais um pouquinho. Um traço masoquista, provavelmente.</p><p>Eu estava duplamente certo. Estou a ponto de enlouquecer de tanto preparar café-da-manhã, arrumar atividades para as crianças, apartar brigas, suportar arengas, além da ansiedade por causa dos prazos. A sorte é que <em>Juliano</em> é realmente show de bola. Só nas três primeiro páginas, já tinha marcado de lápis uma meia dúzia de trechos. Peguei essa mania de rabiscar o que vou lendo por causa do Caótico, antes meus livros permaneciam limpinhos.</p><p>Juliano foi o imperador romano que ensaiou uma reação contra o domínio do cristianismo e uma tentativa de revitalizar os cultos aos deuses gregos. O sujeito era filósofo, acreditava que o monoteísmo era uma ameaça ao debate de ideias, à diversidade da natureza e da humanidade. Quando assumiu o poder, tentou enquadrar a máfia dos bispos sem perseguir a liberdade de culto. Acabou vítima de uma conspiração dos galileus, como ele chamava os cristãos. A Idade Média e a intolerância religiosa que é uma das marcas registradas do monoteísmo provou que, em muitas coisas, o imperador estava coberto de razão da cabeça aos pés.</p><p>Qualquer dia pretendo publicar aqui alguma elocubração sobre monoteísmo, politeísmo e ideologia, mas hoje vou me concentrar no livro. Tem outro esperando que eu o escreva.</p><p><em>Juliano </em>é um romance histórico. Gore Vidal tomou como ponto de partida fatos históricos e costurou a história com sua imaginação. A vida desse imperador é muito bem documentada, apesar do seu governo ter durado pouco.</p><p>Vidal não poupa o cristianismo, principalmente porque levanta argumentos teológicos sem se submeter à lógica hegemônica do monoteísmo. Seu protagonista também não escapa da visão crítica e irônica do escritor norte-americano, que é mordaz, por exemplo, quando narra e descreve os rituais que o estudante de filosofia e futuro imperador considerava sagrados. Em um desses ritos, Juliano e um monte de gente entram no mar segurando um porquinho guinchando. O personagem vê beleza e santidade nessa cena ridícula.</p><p>Em matéria de ridículo, leitões tomando banho de mar são colocados no mesmo pé de, por exemplo, a convicção de que um monte de ossos de um “santo” pode curar seja lá o que for.</p><p>O imperador era um humanista, tinha horror à tirania, era um sujeito de bom coração, justo, porém meio ingênuo, quase abestalhado em sua crença nos sacerdores, oráculos, pitonisas e magos.  Esse abestalhamento, somada à pressa e falta de habilidade para tocar seus projetos, o lascou.</p><p>A história é ótima, mas a técnica literária de Vidal faz o livro ficar ainda melhor.  Parte da narrativa é em primeira pessoa: as memórias e os diários de Juliano, que foram parar nas mãos do filósofo Prisco, um sujeito bem pragmático, mas frouxo todo, que não pretende usar o material porque tem medo de se expor numa época em que os cristãos já estão tomaram conta do aparelho do Estado romano e estão por cima da carne seca.</p><p>Os comentários de Prisco, de outro velho filósofo, Libânio, e a troca de cartas entre eles completam a estrutura do romance. Tanto Prisco quanto Libânio existiram e tiveram contato com o imperador. Esse último, aliás, escreveu livros sobre Juliano no século IV.</p><p><img class="alignleft size-thumbnail wp-image-575" title="Juliano no louvre" src="http://www.caotico.com.br/wp-content/uploads/2010/01/Juliano-no-louvre-112x150.jpg" alt="Juliano no louvre" width="112" height="150" />Gore Vidal é escritor, roteirista de cinema e militante de esquerda, não um gênio da literatura. Em consequência, não experimentei aquela sensação de felicidade e completude que senti ao final de livros de Bolaños, Benedetti, Tchekhov ou Dostoievski. Mas é preciso ser justo: além de ter sido envolvido pela história muitíssimo bem contada, aprendi muito, tanto que consultei diversas vezes o Google, o oráculo moderno, para descobrir imagens do próprio Juliano (ao lado), do seu tio e antecessor, Constâncio, e de lugares como Aquiléia, Sirmium, Sarmácia, Nicomédia e Antióquia. No Aurélio, descobri que &#8220;perifrástico&#8221; é o discurso com muitos rodeios, cheio de voltas; e &#8220;virago&#8221; é o mesmo que machão.</p><p>O livro tem uma série de trechos excelentes, que vou transcrever na página <a href="http://www.caotico.com.br/trechos-arretados/">Trechos Arretados</a> nos próximos dias, a medida que tiver tempo para digitar.</p><ul><li><a href="http://www.caotico.com.br/ao-vivo-do-calvario/"><strong>Para saber mais sobre Gore Vidal, leia a postagem sobre o livro <em>Ao Vivo do Calvário</em></strong></a></li></ul><p><strong>P.S &#8211; Até o carnaval, a atualização do Caótico permanecerá meia-boca pelos motivos expostos no início desse texto. Na verdade, só aualizei hoje para Samarone não encher mais o saco!<br /> </strong></p><div class="addthis_toolbox addthis_default_style " addthis:url='http://www.caotico.com.br/juliano/' addthis:title='Juliano '  ><a class="addthis_button_facebook_like" fb:like:layout="button_count"></a><a class="addthis_button_tweet"></a><a class="addthis_button_google_plusone" g:plusone:size="medium"></a><a class="addthis_counter addthis_pill_style"></a></div>]]></content:encoded> <wfw:commentRss>http://www.caotico.com.br/juliano/feed/</wfw:commentRss> <slash:comments>4</slash:comments> </item> </channel> </rss>
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