<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?> <rss version="2.0" xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/" xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/" xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/" xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom" xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/" xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/" ><channel><title>Caótico &#187; literatura americana</title> <atom:link href="http://www.caotico.com.br/tags/literatura-americana/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" /><link>http://www.caotico.com.br</link> <description>Espaço de leituras,  histórias &#38; especulações &#124; Por Inácio França</description> <lastBuildDate>Wed, 08 Feb 2012 13:36:43 +0000</lastBuildDate> <language>en</language> <sy:updatePeriod>hourly</sy:updatePeriod> <sy:updateFrequency>1</sy:updateFrequency> <xhtml:meta xmlns:xhtml="http://www.w3.org/1999/xhtml" name="robots" content="noindex" /> <item><title>Não há crime nas montanhas e outros contos de Chandler</title><link>http://www.caotico.com.br/nao-ha-crime-nas-montanhas-e-outros-contos-de-chandler/</link> <comments>http://www.caotico.com.br/nao-ha-crime-nas-montanhas-e-outros-contos-de-chandler/#comments</comments> <pubDate>Mon, 19 Jul 2010 15:42:10 +0000</pubDate> <dc:creator>Inácio França</dc:creator> <category><![CDATA[Leituras Caóticas]]></category> <category><![CDATA[Califórnia]]></category> <category><![CDATA[literatura americana]]></category> <category><![CDATA[literatura noir]]></category> <category><![CDATA[pulp fiction]]></category> <category><![CDATA[Raymond Chandler]]></category> <category><![CDATA[romance policial]]></category><guid isPermaLink="false">http://www.caotico.com.br/?p=814</guid> <description><![CDATA[Gosto de gente que gosta de gente. 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E gosto de quem considera mais importante o jeito de contar uma história do que o seu desfecho. Raymond Chandler atende aos dois critérios, porém o que faz dele um grande escritor é a sua intimidade com a fala das ruas e das violentas periferias de Los Angeles ou São Francisco.</p><p>Chandler traduziu e transformou em literatura o cotidiano das multidões de pobres e remediados que sobreviviam das migalhas do petróleo ou do que havia sobrado da corrida do ouro. O romance policial foi sua ferramenta para construir essa crônica.</p><p>Não sei se essa foi uma opção da Chandler. Creio ter sido algo inevitável, afinal, na Califórnia da primeira metade do século XX, a quantidade de armas nas mãos de adultos, mulheres e crianças faria a 5ª Etapa de Rio Doce parecer um lugar bucólico. Nos cinco contos incluídos na coletânea <em>Não há crime nas </em>montanhas, pistolas automáticas e revólveres Colt 45 eram tão comuns quando homens de chapéus e mulheres bonitas dispostas a enriquecer.</p><p>A violência está presente em todos esses contos, mas Chandler está longe de ser um cronista da porrada e do sangue. Em sua prosa, há a certeza de que a humanidade tem jeito e que, mesmo em ambientes onde a bala corre solta, o que tem de prevalecer é a esperança de que o ser humano pode ser melhor.</p><p>Uma das regras básicas desse gênero é a necessidade do final surpreendente e as histórias de Chandler também têm desfecho imprevisíveis, mas nem sempre o culpado paga  por seus crimes. Às vezes, o criminoso tem a oportunidade de reconstruir sua vida. Em outros contos, nem sempre o assassino é um monstro sem coração e, por isso, são o arrependimento e a culpa que determinam a surpresa final.</p><p>Ao contrário dos seus conterrâneos do século XXI, talvez Chandler não acreditasse na punição como instrumento útil para construir a paz social.</p><p>O problema dos contos é que, na maioria deles, tenho a sensação de que o escritor espremeu uma história maior em poucas páginas para publicá-los nas revistas <em>pulp </em>dos anos 30 e 40. Foi assim que ele ganhou a vida na maturidade, depois de fracassar como executivo na indústria de petróleo.</p><p>Muitas dessas histórias, como <em>O rei de amarelo, </em>caminham num ritmo excelente em suas primeiras páginas, mas tem um desfecho rápido demais. Pelo que já li dele, Chandler se dava melhor nos romances, nas histórias com maior fôlego. Dá para perceber seus prazer e seu talento em desenvolver as dramas, dar vida e sentimento aos personagens.  Foi assim com <em>A dama do lago </em>e <em>A simples arte de matar</em>.</p><p><strong>Sobre o escritor</strong></p><p><strong><img class="alignnone" src="http://www.lataco.com/taco/wp-content/uploads/chandlercat.jpg" alt="" width="212" height="271" /><br /> </strong></p><p>Raymond Chandler era, além de um baita escritor, um edipiano de carteirinha. Só casou depois que a mãe morreu. Mesmo assim, com uma mulher bem mais velha do que ele.  Para compensar a falta de sexo no casamento, construiu uma sólida fama de tarado nas empresas onde trabalhou como executivo<em> </em>ou nos estúdios de cinema para os quais escreveu roteiros de filmes de sucesso.</p><ul><li><a href="http://www.meiapalavra.com.br/showthread.php?tid=2616"><strong>Clique aqui para visitar o site <em>Meia Palavra </em>e conhecer  um pouco mais sobre Chandler</strong></a></li></ul><div class="addthis_toolbox addthis_default_style " addthis:url='http://www.caotico.com.br/nao-ha-crime-nas-montanhas-e-outros-contos-de-chandler/' addthis:title='Não há crime nas montanhas e outros contos de Chandler '  ><a class="addthis_button_facebook_like" fb:like:layout="button_count"></a><a class="addthis_button_tweet"></a><a class="addthis_button_google_plusone" g:plusone:size="medium"></a><a class="addthis_counter addthis_pill_style"></a></div>]]></content:encoded> <wfw:commentRss>http://www.caotico.com.br/nao-ha-crime-nas-montanhas-e-outros-contos-de-chandler/feed/</wfw:commentRss> <slash:comments>15</slash:comments> </item> <item><title>Meus Lugares Escuros, na visão de Hugo Figueiredo</title><link>http://www.caotico.com.br/meus-lugares-escuros-na-visao-de-hugo-figueiredo/</link> <comments>http://www.caotico.com.br/meus-lugares-escuros-na-visao-de-hugo-figueiredo/#comments</comments> <pubDate>Fri, 26 Feb 2010 00:21:25 +0000</pubDate> <dc:creator>Inácio França</dc:creator> <category><![CDATA[Loucos por livros]]></category> <category><![CDATA[crimes misteriosos]]></category> <category><![CDATA[James Ellroy]]></category> <category><![CDATA[literatura americana]]></category> <category><![CDATA[literatura policial]]></category> <category><![CDATA[mistério]]></category> <category><![CDATA[romance noir]]></category><guid isPermaLink="false">http://www.caotico.com.br/?p=594</guid> <description><![CDATA[Depois que escrevi sobre Meus Lugares Escuros, o livro autobiográfico de James Ellroy (o mesmo sujeito que escreveu Los Angeles Cidade Proibida), o jornalista Hugo Figueiredo, diretor de comunicação da prefeitura de Olinda, ficou interessado e pediu o livro emprestado. 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Foi a deixa para eu criar uma regra do Caótico: o livro tem de ser devolvido acompanhado de um texto sobre o mesmo.</strong></p><p><strong>Essa semana, Hugo entregou seu texto de estreia no blog.</strong></p><p style="text-align: center;"><strong>*****<br /> </strong></p><p><strong><a href="http://www.caotico.com.br/wp-content/uploads/2010/02/lugares_escuros.jpg"><img class="alignright size-full wp-image-595" title="lugares_escuros" src="http://www.caotico.com.br/wp-content/uploads/2010/02/lugares_escuros.jpg" alt="" width="150" height="227" /></a>por Hugo Figueiredo</strong></p><p>Alheio a qualquer tipo de crítica profissional e sem conhecimento profundo das técnicas literárias, expresso aqui minha opinião, apenas, como mero leitor que sou.</p><p>Não posso deixar de confessar a frustração que senti em relação ao livro <em>Meus Lugares Escuros</em>, de James Ellroy.  A obra tinha tudo para ser um dos melhores romances policiais que já li na minha vida.  O escritor consegue, através de um relato autobiográfico de sua vida (perfeito, por sinal), voltar no tempo e investigar a morte de sua mãe.</p><p>Nunca tinha lido algo com tanta riqueza de detalhes como <em>Meus Lugares Escuros</em> , detalhes estes que chegavam a beirar a monotonia em alguns momentos, como nomes de bares, ruas, avenidas e pessoas, mas que terminavam se tornando imprescindíveis para dar maior veracidade a narrativa. As minúcias eram tantas que, ás vezes, me pegava dentro do livro como se estivesse vivenciado as cenas daquela história.</p><p>Neste livro, Ellroy conseguiu transmitir toda história de sua vida, seus medos, suas agonias, suas privações, suas necessidades, seus amores&#8230; E o mais importante de tudo: ter encontrado na escrita o verdadeiro sentido da vida.</p><p>Mas, voltemos ao lado do romance policial investigativo do livro. Tudo caminhava muito bem. A trama se desenrolava tudo dentro dos conformes. <em>Meus Lugares Escuros</em> conseguia fazer meus olhos arderem de tanto ler e me prendia diante das páginas, cada vez mais cheias de suspense.</p><p>Porém, já no final do livro, eis que chega minha frustração. Quando li a 448ª página pensei, por um momento, em virar a folha, mas vi que <em>Meus Lugares Escuros</em> tinha chegado ao final e que ele continuaria escuro, pelo menos até a próxima publicação. A sensação era de que tinham rasgado as últimas páginas. Coloquei as mãos sobre a cabeça e gritei: “Não acredito, quem matou a mãe desse porra?”.</p><div class="addthis_toolbox addthis_default_style " addthis:url='http://www.caotico.com.br/meus-lugares-escuros-na-visao-de-hugo-figueiredo/' addthis:title='Meus Lugares Escuros, na visão de Hugo Figueiredo '  ><a class="addthis_button_facebook_like" fb:like:layout="button_count"></a><a class="addthis_button_tweet"></a><a class="addthis_button_google_plusone" g:plusone:size="medium"></a><a class="addthis_counter addthis_pill_style"></a></div>]]></content:encoded> <wfw:commentRss>http://www.caotico.com.br/meus-lugares-escuros-na-visao-de-hugo-figueiredo/feed/</wfw:commentRss> <slash:comments>2</slash:comments> </item> <item><title>Juliano</title><link>http://www.caotico.com.br/juliano/</link> <comments>http://www.caotico.com.br/juliano/#comments</comments> <pubDate>Thu, 14 Jan 2010 13:39:12 +0000</pubDate> <dc:creator>Inácio França</dc:creator> <category><![CDATA[Leituras Caóticas]]></category> <category><![CDATA[cristianismo]]></category> <category><![CDATA[Gore Vidal]]></category> <category><![CDATA[helenismo]]></category> <category><![CDATA[Império Romano]]></category> <category><![CDATA[intolerância religiosa]]></category> <category><![CDATA[Juliano]]></category> <category><![CDATA[literatura americana]]></category> <category><![CDATA[paganismo]]></category> <category><![CDATA[Roma]]></category> <category><![CDATA[romance histórico]]></category><guid isPermaLink="false">http://www.caotico.com.br/?p=573</guid> <description><![CDATA[Nos últimos dias de 2009, no meio daquela correria sem sentido de final de ano, considerei que eu merecia um presente. As semanas que viriam pela frente prometiam ser de muito trabalho, com a chegada dos filhos que moram com a mãe em Tocantins, a obrigação de correr contra o tempo e entregar os textos [...]<div class="addthis_toolbox addthis_default_style " addthis:url='http://www.caotico.com.br/juliano/' addthis:title='Juliano '  ><a class="addthis_button_facebook_like" fb:like:layout="button_count"></a><a class="addthis_button_tweet"></a><a class="addthis_button_google_plusone" g:plusone:size="medium"></a><a class="addthis_counter addthis_pill_style"></a></div>]]></description> <content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignright size-thumbnail wp-image-574" title="Juliano Vidal" src="http://www.caotico.com.br/wp-content/uploads/2010/01/Juliano-Vidal-100x150.jpg" alt="Juliano Vidal" width="108" height="162" />Nos últimos dias de 2009, no meio daquela correria sem sentido de final de ano, considerei que eu merecia um presente. As semanas que viriam pela frente prometiam ser de muito trabalho, com a chegada dos filhos que moram com a mãe em Tocantins, a obrigação de correr contra o tempo e entregar os textos do <em>Um Rio de Gente</em> e a perspectiva de mais demanda por conta do carnaval em Olinda.  Então, resolvi me dar de presente a leitura de <em>Juliano</em>, de Gore Vidal.</p><p>Depois de comprá-lo num sebo, deixei o livro curtindo na estante, cevando, enquanto gozava a expectativa da leitura. De vez em quando faço isso com algumas coisas que passo um tempão desejando ler, mas quando estou com ele nas mãos, resolvo esperar mais um pouquinho. Um traço masoquista, provavelmente.</p><p>Eu estava duplamente certo. Estou a ponto de enlouquecer de tanto preparar café-da-manhã, arrumar atividades para as crianças, apartar brigas, suportar arengas, além da ansiedade por causa dos prazos. A sorte é que <em>Juliano</em> é realmente show de bola. Só nas três primeiro páginas, já tinha marcado de lápis uma meia dúzia de trechos. Peguei essa mania de rabiscar o que vou lendo por causa do Caótico, antes meus livros permaneciam limpinhos.</p><p>Juliano foi o imperador romano que ensaiou uma reação contra o domínio do cristianismo e uma tentativa de revitalizar os cultos aos deuses gregos. O sujeito era filósofo, acreditava que o monoteísmo era uma ameaça ao debate de ideias, à diversidade da natureza e da humanidade. Quando assumiu o poder, tentou enquadrar a máfia dos bispos sem perseguir a liberdade de culto. Acabou vítima de uma conspiração dos galileus, como ele chamava os cristãos. A Idade Média e a intolerância religiosa que é uma das marcas registradas do monoteísmo provou que, em muitas coisas, o imperador estava coberto de razão da cabeça aos pés.</p><p>Qualquer dia pretendo publicar aqui alguma elocubração sobre monoteísmo, politeísmo e ideologia, mas hoje vou me concentrar no livro. Tem outro esperando que eu o escreva.</p><p><em>Juliano </em>é um romance histórico. Gore Vidal tomou como ponto de partida fatos históricos e costurou a história com sua imaginação. A vida desse imperador é muito bem documentada, apesar do seu governo ter durado pouco.</p><p>Vidal não poupa o cristianismo, principalmente porque levanta argumentos teológicos sem se submeter à lógica hegemônica do monoteísmo. Seu protagonista também não escapa da visão crítica e irônica do escritor norte-americano, que é mordaz, por exemplo, quando narra e descreve os rituais que o estudante de filosofia e futuro imperador considerava sagrados. Em um desses ritos, Juliano e um monte de gente entram no mar segurando um porquinho guinchando. O personagem vê beleza e santidade nessa cena ridícula.</p><p>Em matéria de ridículo, leitões tomando banho de mar são colocados no mesmo pé de, por exemplo, a convicção de que um monte de ossos de um “santo” pode curar seja lá o que for.</p><p>O imperador era um humanista, tinha horror à tirania, era um sujeito de bom coração, justo, porém meio ingênuo, quase abestalhado em sua crença nos sacerdores, oráculos, pitonisas e magos.  Esse abestalhamento, somada à pressa e falta de habilidade para tocar seus projetos, o lascou.</p><p>A história é ótima, mas a técnica literária de Vidal faz o livro ficar ainda melhor.  Parte da narrativa é em primeira pessoa: as memórias e os diários de Juliano, que foram parar nas mãos do filósofo Prisco, um sujeito bem pragmático, mas frouxo todo, que não pretende usar o material porque tem medo de se expor numa época em que os cristãos já estão tomaram conta do aparelho do Estado romano e estão por cima da carne seca.</p><p>Os comentários de Prisco, de outro velho filósofo, Libânio, e a troca de cartas entre eles completam a estrutura do romance. Tanto Prisco quanto Libânio existiram e tiveram contato com o imperador. Esse último, aliás, escreveu livros sobre Juliano no século IV.</p><p><img class="alignleft size-thumbnail wp-image-575" title="Juliano no louvre" src="http://www.caotico.com.br/wp-content/uploads/2010/01/Juliano-no-louvre-112x150.jpg" alt="Juliano no louvre" width="112" height="150" />Gore Vidal é escritor, roteirista de cinema e militante de esquerda, não um gênio da literatura. Em consequência, não experimentei aquela sensação de felicidade e completude que senti ao final de livros de Bolaños, Benedetti, Tchekhov ou Dostoievski. Mas é preciso ser justo: além de ter sido envolvido pela história muitíssimo bem contada, aprendi muito, tanto que consultei diversas vezes o Google, o oráculo moderno, para descobrir imagens do próprio Juliano (ao lado), do seu tio e antecessor, Constâncio, e de lugares como Aquiléia, Sirmium, Sarmácia, Nicomédia e Antióquia. No Aurélio, descobri que &#8220;perifrástico&#8221; é o discurso com muitos rodeios, cheio de voltas; e &#8220;virago&#8221; é o mesmo que machão.</p><p>O livro tem uma série de trechos excelentes, que vou transcrever na página <a href="http://www.caotico.com.br/trechos-arretados/">Trechos Arretados</a> nos próximos dias, a medida que tiver tempo para digitar.</p><ul><li><a href="http://www.caotico.com.br/ao-vivo-do-calvario/"><strong>Para saber mais sobre Gore Vidal, leia a postagem sobre o livro <em>Ao Vivo do Calvário</em></strong></a></li></ul><p><strong>P.S &#8211; Até o carnaval, a atualização do Caótico permanecerá meia-boca pelos motivos expostos no início desse texto. Na verdade, só aualizei hoje para Samarone não encher mais o saco!<br /> </strong></p><div class="addthis_toolbox addthis_default_style " addthis:url='http://www.caotico.com.br/juliano/' addthis:title='Juliano '  ><a class="addthis_button_facebook_like" fb:like:layout="button_count"></a><a class="addthis_button_tweet"></a><a class="addthis_button_google_plusone" g:plusone:size="medium"></a><a class="addthis_counter addthis_pill_style"></a></div>]]></content:encoded> <wfw:commentRss>http://www.caotico.com.br/juliano/feed/</wfw:commentRss> <slash:comments>4</slash:comments> </item> <item><title>Trechos de Um Sonho Americano, de Norman Mailer</title><link>http://www.caotico.com.br/trechos-de-um-sonho-americano-de-norman-mailer/</link> <comments>http://www.caotico.com.br/trechos-de-um-sonho-americano-de-norman-mailer/#comments</comments> <pubDate>Sat, 17 Oct 2009 03:42:25 +0000</pubDate> <dc:creator>Inácio França</dc:creator> <category><![CDATA[Trechos arretados]]></category> <category><![CDATA[literatura americana]]></category> <category><![CDATA[Norman Mailer]]></category> <category><![CDATA[Nova York]]></category> <category><![CDATA[way american of life]]></category><guid isPermaLink="false">http://www.caotico.com.br/?p=437</guid> <description><![CDATA[“Você ainda não pode morrer”, disse a parte formal do meu cérebro, “ainda não terminou sua tarefa”. “Verdade”, disse a Lua, “mas viveu sua vida e morreu com ela”. Steve Rojack prestes a se jogar de um edifício e batendo papo com lua (sim, o satélite). ***** Agora, conviver com Deborah era como sentar para [...]<div class="addthis_toolbox addthis_default_style " addthis:url='http://www.caotico.com.br/trechos-de-um-sonho-americano-de-norman-mailer/' addthis:title='Trechos de Um Sonho Americano, de Norman Mailer '  ><a class="addthis_button_facebook_like" fb:like:layout="button_count"></a><a class="addthis_button_tweet"></a><a class="addthis_button_google_plusone" g:plusone:size="medium"></a><a class="addthis_counter addthis_pill_style"></a></div>]]></description> <content:encoded><![CDATA[<h3><img class="alignright" title="NORMAN MAILER - UM SONHO AMERICANO - ROMANCE - BEST SELLER" src="http://www.caotico.com.br/wp-content/uploads/2009/09/NORMAN-MAILER-UM-SONHO-AMERICANO-ROMANCE-BEST-SELLER1-90x150.jpg" alt="NORMAN MAILER - UM SONHO AMERICANO - ROMANCE - BEST SELLER" width="77" height="129" /></h3><p>“Você ainda não pode morrer”, disse a parte formal do meu cérebro, “ainda não terminou sua tarefa”.</p><p>“Verdade”, disse a Lua, “mas viveu sua vida e morreu com ela”.</p><p><strong>Steve Rojack prestes a se jogar de um edifício e batendo papo com lua (sim, o satélite).<br /> </strong></p><p style="text-align: center;">*****</p><p>Agora, conviver com Deborah era como sentar para jantar em um castelo vazio tendo como anfitrião apenas um mordomo e sua maldição.</p><p><strong>O mesmo Rojack refletindo sobre o ambiente legal na fase final do seu casamento.</strong></p><div class="addthis_toolbox addthis_default_style " addthis:url='http://www.caotico.com.br/trechos-de-um-sonho-americano-de-norman-mailer/' addthis:title='Trechos de Um Sonho Americano, de Norman Mailer '  ><a class="addthis_button_facebook_like" fb:like:layout="button_count"></a><a class="addthis_button_tweet"></a><a class="addthis_button_google_plusone" g:plusone:size="medium"></a><a class="addthis_counter addthis_pill_style"></a></div>]]></content:encoded> <wfw:commentRss>http://www.caotico.com.br/trechos-de-um-sonho-americano-de-norman-mailer/feed/</wfw:commentRss> <slash:comments>1</slash:comments> </item> <item><title>Ao vivo do Calvário</title><link>http://www.caotico.com.br/ao-vivo-do-calvario/</link> <comments>http://www.caotico.com.br/ao-vivo-do-calvario/#comments</comments> <pubDate>Thu, 01 Oct 2009 02:04:23 +0000</pubDate> <dc:creator>Inácio França</dc:creator> <category><![CDATA[Leituras Caóticas]]></category> <category><![CDATA[cristianismo]]></category> <category><![CDATA[crucificação]]></category> <category><![CDATA[Gore Vidal]]></category> <category><![CDATA[literatura americana]]></category> <category><![CDATA[ressurreição]]></category> <category><![CDATA[São Paulo]]></category> <category><![CDATA[São Timóteo]]></category> <category><![CDATA[Saulo de Tarso]]></category><guid isPermaLink="false">http://www.caotico.com.br/?p=387</guid> <description><![CDATA[Você acredita que Jesus foi o filho do “ômi” , que era filho de uma virgem e no mistério da Santíssima Trindade? Ou é daquelas pessoas que, mesmo sem religião, costuma dizer que respeita todas as religiões? Em qualquer um dos casos, evite a leitura de Ao Vivo do Calvário. Aliás, ignore esse texto, procure [...]<div class="addthis_toolbox addthis_default_style " addthis:url='http://www.caotico.com.br/ao-vivo-do-calvario/' addthis:title='Ao vivo do Calvário '  ><a class="addthis_button_facebook_like" fb:like:layout="button_count"></a><a class="addthis_button_tweet"></a><a class="addthis_button_google_plusone" g:plusone:size="medium"></a><a class="addthis_counter addthis_pill_style"></a></div>]]></description> <content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignright size-full wp-image-388" title="aovivodocalvário" src="http://www.caotico.com.br/wp-content/uploads/2009/09/aovivodocalvário.jpg" alt="aovivodocalvário" width="117" height="172" />Você acredita que Jesus foi o filho do “ômi” , que era filho de uma virgem e no mistério da Santíssima Trindade? Ou é daquelas pessoas que, mesmo sem religião, costuma dizer que respeita todas as religiões? Em qualquer um dos casos, evite a leitura de <em>Ao Vivo do Calvário</em>. Aliás, ignore esse texto, procure outra coisa para ler na Internet. Blog é o que não falta por aí.</p><p>Logo na primeira página Gore Vidal dá o tom do que virá nos capítulos seguintes. O cacete (no sentido sexual do termo, sinônimo de pênis, rola, pau ou pica, e não de cajado) de São Timóteo e o tesão de São Paulo por menininhos, mencionados nos primeiros parágrafos, deixam claro que Vidal não alisou quando escreveu esse romance no início dos anos 90.</p><p>Não se trata de nenhuma obra-prima, muitas vezes, me dispersei no meio da leitura, mas é um livro engraçado. Aliás, quem deve ter se divertido mesmo foi o próprio autor. Deve ser muito legal escrever uma história sem dar a mínima para o respeito a qualquer crença, a fatos históricos ou mesmo à verossimilhança.</p><p>A ideia básica é a seguinte: a tecnologia para viajar ao passado já está sob domínio das grandes corporações como a General Eletric e das redes de TV americanas, assim um “pirata” temporal e religioso está apagando as “fitas” com as histórias dos evangelhos. São Timóteo, bispo da Macedônia e comedor/comida de São Paulo em seus tenros anos (poderia ter escrito “tenra idade”, mas a obviedade do trocadilho é boa demais), recebe a missão de escrever seu próprio evangelho para que a verdade sobre os primeiros tempos de cristianismo não se perca.</p><p>Quase ia esquecendo que uma TV conseguiu os direitos para transmitir ao vivo a crucificação de Jesus, direto do monte Calvário.</p><p>Só sofri um pouco na leitura porque fiquei com a impressão que o autor se animou demais. As idas e vindas entre passado, presente e futuro são tão intensas, com tantos personagens, que muitas vezes fiquei me perguntando “quem falou isso antes?” ou “e isso, está relacionado com qual situação mesmo?”.</p><p>Me embananei, aí resolvi relaxar e deixar pra lá, não suporto ter de voltar dezenas de páginas para checar alguma frase ou situação descrita. Se o sujeito que escreveu não estava preocupado com esse tipo de lógica porque eu é que teria de me preocupar? Tentei ler com o mesmo espírito com que, acho eu, Vidal escreveu.</p><p>O mais interessante é a visão completamente anárquica e esculhambada do novo testamento. O exercício de imaginar os intestinos dos conflitos entre os primeiros cristãos e entre judeus e cristãos vale a leitura com sobras.</p><p>A esculhambação é tão grande que poderia inspirar um roteirista de escola de samba da terceira divisão ou o decorador daquele baile de carnaval do Rio de Janeiro, o Gala Gay.</p><p>O romance tem outro mérito. Com humor, leveza, Gore Vidal leva o leitor a se inquietar com o poder da mídia em construir a memória coletiva, reconstruindo a história a partir dos interesses das corporações, da religião, dos donos do poder. A velha discussão filosófica sobre a verdade, ou melhor, sobre as verdades também está lá, presente em tudo quanto é capítulo.</p><p>Outra coisa boa é que conheci duas palavras novas para mim: “tepidário” e “solipsista”. Tepidário é a parte que fazia parte das termas romanas onde a água era a mais quente. E solipsista é o sujeito que só acredita que são reais as coisas que estão em seu próprio pensamento, todo o resto é fantasia. Miriam Leitão e Alexandre Garcia, por exemplo, são solipsistas de carteirinha.</p><p>Ah, se você é cristão e ainda vai insistir em ler <em>Ao</em><em> Vivo</em><em> do Calvário, </em>aviso que o Jesus Cristo de Gore Vidal não é nenhum santinho.</p><p><strong>Sobre o escritor</strong></p><p><img class="alignnone size-full wp-image-389" title="gore-vidal-cloudy" src="http://www.caotico.com.br/wp-content/uploads/2009/09/gore-vidal-cloudy.jpg" alt="gore-vidal-cloudy" width="218" height="174" /></p><p>Gore Vidal é neto de um senador de Oklahoma, foi criado em Washington e lutou na Segunda Guerra Mundial. Mesmo assim, é um crítico feroz e incansável do modo como seu País exerce o poder e como o poder é exercido em  seu País. É autor de frases ótimas, como “não basta ser bem-sucedido, os outros também precisam fracassar”. Escreveu 35 romances e pelo menos 20 roteiros de cinema ou teatro. Hoje, mora na Itália, com medo de ser assassinado pelos seus conterrâneos republicanos.</p><ul><li><a href="http://www.scribd.com/doc/16933806/Gore-Vidal">artigo de Gore Vidal sobre Timothy McVeigh, autor do atentado de Oklahoma</a></li><li><a href="http://www.esquerda.net/index.php?option=com_content&amp;task=view&amp;id=1001&amp;Itemid=64">Entrevista à AFP, reproduzida no site português Esquerda.net</a></li></ul><div class="addthis_toolbox addthis_default_style " addthis:url='http://www.caotico.com.br/ao-vivo-do-calvario/' addthis:title='Ao vivo do Calvário '  ><a class="addthis_button_facebook_like" fb:like:layout="button_count"></a><a class="addthis_button_tweet"></a><a class="addthis_button_google_plusone" g:plusone:size="medium"></a><a class="addthis_counter addthis_pill_style"></a></div>]]></content:encoded> <wfw:commentRss>http://www.caotico.com.br/ao-vivo-do-calvario/feed/</wfw:commentRss> <slash:comments>5</slash:comments> </item> <item><title>Meus Lugares Escuros</title><link>http://www.caotico.com.br/meus-lugares-escuros/</link> <comments>http://www.caotico.com.br/meus-lugares-escuros/#comments</comments> <pubDate>Sun, 06 Sep 2009 14:29:50 +0000</pubDate> <dc:creator>Inácio França</dc:creator> <category><![CDATA[Leituras Caóticas]]></category> <category><![CDATA[crime misterioso]]></category> <category><![CDATA[James Ellroy]]></category> <category><![CDATA[literatura americana]]></category> <category><![CDATA[literatura policial]]></category> <category><![CDATA[Los Angeles]]></category> <category><![CDATA[noir americano]]></category><guid isPermaLink="false">http://www.caotico.com.br/?p=330</guid> <description><![CDATA[Imagine um garotinho de 10 anos que mora sozinho com a mãe desquitada. Pronto? Agora, imagine a dor e o vazio desse menino quando sua mãe é encontrada morta, estrangulada, numa rua esquisita, depois de sair para dançar e tentar arrumar um namorado. Se deu para imaginar o menino e seu sofrimento, tente compreender a [...]<div class="addthis_toolbox addthis_default_style " addthis:url='http://www.caotico.com.br/meus-lugares-escuros/' addthis:title='Meus Lugares Escuros '  ><a class="addthis_button_facebook_like" fb:like:layout="button_count"></a><a class="addthis_button_tweet"></a><a class="addthis_button_google_plusone" g:plusone:size="medium"></a><a class="addthis_counter addthis_pill_style"></a></div>]]></description> <content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignright size-medium wp-image-331" title="lugares_escuros" src="http://www.caotico.com.br/wp-content/uploads/2009/09/lugares_escuros-251x350.jpg" alt="lugares_escuros" width="119" height="167" />Imagine um garotinho de 10 anos que mora sozinho com a mãe desquitada. Pronto? Agora, imagine a dor e o vazio desse menino quando sua mãe é encontrada morta, estrangulada, numa rua esquisita, depois de sair para dançar e tentar arrumar um namorado.</p><p>Se deu para imaginar o menino e seu sofrimento, tente compreender a coragem desse garoto já adulto e escritor reconhecido, investigando o homicídio da mãe e escrevendo sobre tudo isso quase 40 anos depois.</p><p>Esse escritor raçudo &#8211; e o garotinho solitário que ainda parece existir dentro dele &#8211; é James Ellroy, um craque da atual literatura policial norte-americana. E o livro autobiográfico que resultou do esforço para virar pelo avesso o fato mais importante de sua vida é <em>Meus Lugares Escuros.</em></p><p>Passei uns anos paquerando esse livro, pois o título, a sinopse e o pouco que já conhecia sobre Ellroy inflacionaram minha expectativa. Até que, no final de 2006, quando estava prestes a enfrentar dias de viagem pelo sertão da Paraíba numa caravana do Unicef, botei o danado na mala.</p><p>Essa decisão me transformou num ser antissocial, esquisitão. No ônibus, corria o risco de enjoar e vomitar o almoço só para ficar lendo; nas paradas para dormir, meus companheiros de quarto tinham de suportar a luz ligada noite adentro. O pior é que enfrentamos vários trechos por estrada de terra, o que atrapalhava a leitura e aumentava a dor-de-cabeça, estimulando os agourentos que faziam questão de lembrar o risco iminente de um deslocamento de retina.</p><p>Se eu tivesse vomitado ou sofrido algum trauma na vista, a culpa seria toda de Ellroy, que é um daqueles que seguram o leitor pela garganta logo na primeira página e logo na primeira página me arrastou pelos detalhes sórdidos que envolvem o crime e a investigação da morte de sua mãe, que não viveu o bastante para ser chamada de <em>dona </em>Geneva.</p><p>Existem autores como <a href="http://www.caotico.com.br/a-tregua/">Mário Benedetti</a> que carregam o leitor pela mão, com suavidade, doçura. Ellroy não, Ellroy é um cavalo batizado.</p><p><em>Meus Lugares Escuros </em>é um prato cheio para psicólogas, psicoterapeutas e psiquiatras. O livro pode ter nascido por recomendação de um terapeuta ou então foi um jeito que ele encontrou para economizar dinheiro com essas coisas, pois foi escrevendo essa história que o escritor exorcizou, ou pelo menos tentou exorcizar, os fantasmas que atormentaram sua adolescência e juventude.</p><p>No final das contas, ele não conseguiu descobrir quem matou sua mãe, o motivo do crime ou sequer o que ela fazia e vivia nas noites da periferia de Los Angeles, mas bem que ele tentou. Chegou até a contratar um ex-policial para continuar a busca por alguma pista que ajudasse a esclarecer o homicídio, cujo processo mofava nas gavetas de um arquivo da Polícia, e divulgou e-mail e endereço no final do livro. Uma garrafa lançada no mar do esquecimento.</p><p>As investigações fracassaram, é verdade, mas acredito que, ao colocar o ponto final na última linha do último parágrafo, o adulto James teve a certeza de que sua mãe não estava mais sozinha ou esquecida. E o menino passou a viver em paz dentro dele.</p><p><strong>Sobre o escritor</strong></p><p><img class="alignnone size-medium wp-image-332" title="jamesellroy3" src="http://www.caotico.com.br/wp-content/uploads/2009/09/jamesellroy3-275x350.jpg" alt="jamesellroy3" width="162" height="207" /></p><p>Depois do assassinato da mãe, James Ellroy foi viver com o pai, um sujeito negligente, preguiçoso e enrolão, como ele mesmo detalha num dos capítulos de <em>Meus Lugares Escuros</em>. O maior mérito do velho foi ter jogado um livro na mão do filho, o que despertou sua vontade enlouquecida de escrever. Esse gol o pai marcou aos 45 do segundo tempo, pois ainda adolescente James já tinha bebido hectolitros de uísque e invadia casas vazias para cheirar calcinhas. Ele é é tarado mesmo, como pode ser comprovado em outros livros que se tornaram sucesso no cinema: <em>Los Angeles Cidade Proibida </em>e <em>Dália Negra.</em></p><ul><li><a href="http://epoca.globo.com/edic/19990607/cult7.htm"><strong>Resenha sobre o livro publicada pela  revista Época</strong></a></li><li><a href="http://www.cinereporter.com.br/noticias/james-ellroy-uma-biografia/"><strong>Um pouco mais sobre Ellroy no site Cine Repórter</strong></a></li><li><strong><a href="http://www.overmundo.com.br/overblog/pescando-perolas-de-james-ellroy">Texto sobre a obra de Ellroy no site Overmundo</a></strong></li></ul><p><strong><br /> </strong></p><div class="addthis_toolbox addthis_default_style " addthis:url='http://www.caotico.com.br/meus-lugares-escuros/' addthis:title='Meus Lugares Escuros '  ><a class="addthis_button_facebook_like" fb:like:layout="button_count"></a><a class="addthis_button_tweet"></a><a class="addthis_button_google_plusone" g:plusone:size="medium"></a><a class="addthis_counter addthis_pill_style"></a></div>]]></content:encoded> <wfw:commentRss>http://www.caotico.com.br/meus-lugares-escuros/feed/</wfw:commentRss> <slash:comments>3</slash:comments> </item> <item><title>O prazer da escolha</title><link>http://www.caotico.com.br/o-prazer-da-escolha/</link> <comments>http://www.caotico.com.br/o-prazer-da-escolha/#comments</comments> <pubDate>Wed, 02 Sep 2009 20:10:17 +0000</pubDate> <dc:creator>Inácio França</dc:creator> <category><![CDATA[Elocubrações]]></category> <category><![CDATA[american dream]]></category> <category><![CDATA[leitura]]></category> <category><![CDATA[literatura americana]]></category> <category><![CDATA[Norman Mailer]]></category> <category><![CDATA[Samarone Lima]]></category> <category><![CDATA[way american of life]]></category><guid isPermaLink="false">http://www.caotico.com.br/?p=323</guid> <description><![CDATA[Conheço gente que cheira o livro antes de ler a primeira linha, cheira a capa, aspira a contracapa e fica folheando e cafungando. Quem faz isso, não pode ser asmático, senão morreria de falta de ar e de muito espirrar. Nunca vi estante isenta de poeira, a não ser as da Livraria Cultura, que chegam [...]<div class="addthis_toolbox addthis_default_style " addthis:url='http://www.caotico.com.br/o-prazer-da-escolha/' addthis:title='O prazer da escolha '  ><a class="addthis_button_facebook_like" fb:like:layout="button_count"></a><a class="addthis_button_tweet"></a><a class="addthis_button_google_plusone" g:plusone:size="medium"></a><a class="addthis_counter addthis_pill_style"></a></div>]]></description> <content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignleft size-medium wp-image-324" title="escolhalivros" src="http://www.caotico.com.br/wp-content/uploads/2009/09/escolhalivros-350x262.jpg" alt="escolhalivros" width="193" height="144" />Conheço gente que cheira o livro antes de ler a primeira linha, cheira a capa, aspira a contracapa e fica folheando e cafungando. Quem faz isso, não pode ser asmático, senão morreria de falta de ar e de muito espirrar. Nunca vi estante isenta de poeira, a não ser as da Livraria Cultura, que chegam brilham de tão limpinhas, mais assépticas que corredor de hospital particular.</p><p>Eu não cheiro, fico só olhando a capa e a contracapa. Leio a orelha e aqueles inevitáveis parágrafos da última capa. Dou uma passada de olho em todos os penduricalhos, incluindo a ficha catalográfica, antes de começar a ler à vera, coisa que só acontece horas depois desse ritual todo. Coisa de gente maluca.</p><p>Mas, pra mim, o gozo da leitura começa antes mesmo dessa etapa. Eu já começo a sentir prazer no momento em que vou para a prateleira em busca do próximo título a ser debulhado. Teve vez, não faz muito tempo, peguei uns três livros e fiquei um dia todo olhando pra cada um deles, lendo e  relendo as orelhas até me decidir.</p><p>Foi o que aconteceu na segunda-feira passada, último dia de agosto. No final de semana retrasado (esse que passou não, o outro), cheguei ao ponto final do livraço de Robert Fisk, já muito citado aqui e condecorado com cinco estrelas de ouro. Decidi reler o livro de Samarone, <em>Viagem ao Crespúsculo, </em>desta vez já editado, com o objetivo de ajudar meu amigo a localizar e corrigir os muitos erros de edição que deixaram passar.</p><p>Assim, a releitura da <em>Viagem </em>foi quase uma tarefa, um trabalho. Li o livro todinho com um lápis de ponta mal-feita ao lado, rabiscando os defeitos e anotando as possíveis alternativas para cada problema. Quase nada de prazer.</p><p>Mesmo cansado da viagem pela Bacia do Capibaribe e com uma otite desgraçada de chata, na segunda-feira pela manhã peguei o tamborete e fiquei remexendo nas estantes. Pensei no <em>O Segredo de Joe Gould</em>, de Robert Mitchell, e <em>Nação Crioula</em>, de Agualusa. <em>Ao vivo do Calvário </em>bateu na trave, seria meu primeiro Gore Vidal, mas fica pra depois.</p><p>No final das contas, me atraquei com <em>Um Sonho Americano</em>, de Norman Mailer, numa edição de bolso da L&amp;PM. Já tinha lido um livro de Mailer o ano passado, <em>O Evangelho Segundo o Filho, </em>que, assim como na obra de Saramago, é uma espécie de “relato autobiográfico” de Cristo, porém sem grandes novidades. Com muito favor, ficaria na categoria meia-bomba e olhe lá.</p><p>Logo no início da leitura, quando o protagonista mata quatro soldados alemães numa batalha da II Guerra, percebi que minha escolha está ligada à leitura anterior. Fisk faz uma tremenda análise da imensa responsabilidade dos Estados Unidos nas guerras e massacres do Oriente Médio. Mailer mostra a sociedade norte-americana por dentro, usando como recurso um herói de guerra que faz o caminho inverso dos super-heróis ianques: vai da glória à merda mais fedida em largas passadas.</p><p>Mesmo desconfiado por causa da leitura insossa do tal <em>Evangelho</em>, me dá o troco nesse livro. Nas primeiras páginas, ele me conquistou com construções como essas: “mas viveu sua vida e morreu com ela”. Ou então: “agora, conviver com Deborah era como sentar para jantar em um castelo vazio tendo como anfitrião apenas um mordomo e sua maldição”. Não lembro de ter visto definição tão crua e pesada para um casamento destruído.</p><p>Por enquanto, acabei apenas o primeiro capítulo. Depois, falo do resto.</p><div class="addthis_toolbox addthis_default_style " addthis:url='http://www.caotico.com.br/o-prazer-da-escolha/' addthis:title='O prazer da escolha '  ><a class="addthis_button_facebook_like" fb:like:layout="button_count"></a><a class="addthis_button_tweet"></a><a class="addthis_button_google_plusone" g:plusone:size="medium"></a><a class="addthis_counter addthis_pill_style"></a></div>]]></content:encoded> <wfw:commentRss>http://www.caotico.com.br/o-prazer-da-escolha/feed/</wfw:commentRss> <slash:comments>3</slash:comments> </item> </channel> </rss>
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