<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?> <rss version="2.0" xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/" xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/" xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/" xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom" xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/" xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/" ><channel><title>Caótico &#187; literatura contemporânea</title> <atom:link href="http://www.caotico.com.br/tags/literatura-contemporanea/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" /><link>http://www.caotico.com.br</link> <description>Espaço de leituras,  histórias &#38; especulações &#124; Por Inácio França</description> <lastBuildDate>Wed, 08 Feb 2012 13:36:43 +0000</lastBuildDate> <language>en</language> <sy:updatePeriod>hourly</sy:updatePeriod> <sy:updateFrequency>1</sy:updateFrequency> <xhtml:meta xmlns:xhtml="http://www.w3.org/1999/xhtml" name="robots" content="noindex" /> <item><title>Trapo</title><link>http://www.caotico.com.br/trapo/</link> <comments>http://www.caotico.com.br/trapo/#comments</comments> <pubDate>Wed, 04 Jan 2012 18:45:03 +0000</pubDate> <dc:creator>Inácio França</dc:creator> <category><![CDATA[Leituras Caóticas]]></category> <category><![CDATA[Cristovão Tezza]]></category> <category><![CDATA[Curitiba]]></category> <category><![CDATA[jovem poeta]]></category> <category><![CDATA[literatura brasileira]]></category> <category><![CDATA[literatura contemporânea]]></category> <category><![CDATA[Poesia]]></category> <category><![CDATA[suicídio]]></category><guid isPermaLink="false">http://www.caotico.com.br/?p=1715</guid> <description><![CDATA[Ler uma obra da maturidade de um autor e, logo em seguida, um dos livros do início de sua carreira pode ser uma ótima experiência de aprendizado para um autodidata como eu. Foi isso que descobri enquanto imergia nas páginas de Trapo, romance que levou a crítica literária brasileira a ficar de olho em Cristovão [...]<div class="addthis_toolbox addthis_default_style " addthis:url='http://www.caotico.com.br/trapo/' addthis:title='Trapo '  ><a class="addthis_button_facebook_like" fb:like:layout="button_count"></a><a class="addthis_button_tweet"></a><a class="addthis_button_google_plusone" g:plusone:size="medium"></a><a class="addthis_counter addthis_pill_style"></a></div>]]></description> <content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.caotico.com.br/wp-content/uploads/2011/12/Trapo.jpg"><img class="alignright  wp-image-1716" title="Trapo" src="http://www.caotico.com.br/wp-content/uploads/2011/12/Trapo.jpg" alt="" width="119" height="183" /></a>Ler uma obra da maturidade de um autor e, logo em seguida, um dos livros do início de sua carreira pode ser uma ótima experiência de aprendizado para um autodidata como eu. Foi isso que descobri enquanto imergia nas páginas de <em>Trapo</em>, romance que levou a crítica literária brasileira a ficar de olho em Cristovão Tezza na segunda metade dos anos 80.</p><p>Comecei a leitura de <em>Trapo </em>assim que publiquei o texto sobre <em><a href="http://www.caotico.com.br/o-filho-eterno/">O filho eterno</a>, </em>livro com o qual ele ganhou os prêmios literários mais relevantes e consolidou seu nome na literatura brasileira deste início de século. Com a leitura de um encangado no outro, deu para perceber claramente as virtudes aperfeiçoadas com o tempo e os defeitos, eliminados depois de parágrafos e mais parágrafos de polimento.</p><p>Reconheci nesse livro de Tezza alguns elementos de <a href="http://www.caotico.com.br/os-detetives-selvagens/"><em>Os detetives selvagens</em></a>, de Roberto Bolaño e de certa literatura argentina, principalmente textos de Ricardo Piglia lidos há duas décadas por indicação de <a href="http://www.facebook.com/PauloGoethe">Paulo Goethe</a>. A figura do jovem poeta descabelado, suicida aos vinte e poucos anos por alguma razão misteriosa, é quase uma lenda na noite curitibana. Trapo é tido e havido como gênio, mesmo que seus escritos jamais tenham sido lidos ou publicados.</p><p>Um pacote dos seus textos inéditos vai parar nas mãos do acanhado professor Manoel, aposentado que se considera culto e medíocre a um só tempo. Ao mergulhar na intensa e curta vida do suposto gênio, Manoel oxigena sua própria vida sentindo-se um personagem de romance policial ao tentar entender a razão do suicídio aparentemente sem sentido.</p><p>Tezza alternou duas primeiras pessoas. Ora o professor Manoel junta os cacos da vida do poeta por meio da leitura dos textos do pacote, ora o próprio Trapo clama, desabafa, sonha e ama em suas cartas, manifestos ou versos empacotados pouco antes do suicídio.</p><p>Apesar do risco de usar dois estilos alternadamente, em nenhum momento o autor perde a mão ao narrar, sua principal virtude literária, <a href="http://www.cristovaotezza.com.br/critica/ficcao/f_trapo/p_88_nov_wm.htm">já percebida pelo crítico Wilson Martins há 23 anos</a>.</p><p>Os problemas de <em>Trapo </em>estão nos excessos que ele usa mão para, acredito, caracterizar personagens ou situações.</p><p>Dois exemplos desses exageros de Tezza aos 30 anos: o professor, acomodado e tímido, usa inúmeras vezes a expressão “sou um homem sem iniciativa” para se definir ou se justificar. Não parei para contar, mas garanto que não foram menos de 10 vezes. Até sua mãe aparece para reclamar que o filho “não tem iniciativa”. Repetitivo e cansativo, chega a soar como um bordão.</p><p>Ainda no início, na cena em que a vida de Manoel é invadida pela dona da pensão onde Trapo morou e se matou, o autor recorre às mesmas palavras diversas vezes para construir os preconceitos do professor e sua agonia diante da intrusa e do pacote que ela carrega.</p><p>Também estão presentes em <em>Trapo</em> as dores da paternidade e das relações pai-filho, afinal esse romance foi escrito pouco depois do nascimento do seu filho com síndrome de Down, foco de <em>O filho eterno.</em></p><p>Ler o livro mais recente é compreender o antigo. A recíproca é verdadeira. Identifiquei nos principais personagens de <em>Trapo</em>, o poeta suicida e o professor hesitante, diversas características presentes também no pai de Felipe, personagem do premiado romance escrito mais de 20 anos depois.</p><p>Arrisco, inclusive, dizer que reconheci em ambos personagens, o pai/Tezza, um homem que, ao escrever esse livro, entrava na casa dos 30 anos com um filho pequeno, um homem que já havia deixado a vida de mochileiro pela Europa, sabia que pretendia viver de escrever, mas talvez por não acreditar que isso fosse possível, sofresse com a perspectiva de envelhecer como um aposentado que não realizou seu potencial.</p><ul><li><strong><a href="http://www.caotico.com.br/trechos-arretados/">Selecionei um trecho deste romance. Para ler basta clicar aqui</a></strong></li></ul><div class="addthis_toolbox addthis_default_style " addthis:url='http://www.caotico.com.br/trapo/' addthis:title='Trapo '  ><a class="addthis_button_facebook_like" fb:like:layout="button_count"></a><a class="addthis_button_tweet"></a><a class="addthis_button_google_plusone" g:plusone:size="medium"></a><a class="addthis_counter addthis_pill_style"></a></div>]]></content:encoded> <wfw:commentRss>http://www.caotico.com.br/trapo/feed/</wfw:commentRss> <slash:comments>0</slash:comments> </item> <item><title>Trecho de Trapo</title><link>http://www.caotico.com.br/trecho-de-trapo/</link> <comments>http://www.caotico.com.br/trecho-de-trapo/#comments</comments> <pubDate>Wed, 04 Jan 2012 18:44:00 +0000</pubDate> <dc:creator>Inácio França</dc:creator> <category><![CDATA[Trechos arretados]]></category> <category><![CDATA[Cristovão Tezza]]></category> <category><![CDATA[literatura brasileira]]></category> <category><![CDATA[literatura contemporânea]]></category> <category><![CDATA[romance]]></category><guid isPermaLink="false">http://www.caotico.com.br/?p=1720</guid> <description><![CDATA[Sou um papiro do século XX, antiquíssimo aos dezenove anos de idade, refinadíssimo como um códice secreto, profundíssimo como um poço artesiano, altíssimo como a sede do Banco do Brasil, inteligentíssimo como&#8230; como o quê? Lamentavelmente, falta parâmetro neste item. Mas deixa eu explicar. É que houve alguns filhos da puta do passado (não muito [...]<div class="addthis_toolbox addthis_default_style " addthis:url='http://www.caotico.com.br/trecho-de-trapo/' addthis:title='Trecho de Trapo '  ><a class="addthis_button_facebook_like" fb:like:layout="button_count"></a><a class="addthis_button_tweet"></a><a class="addthis_button_google_plusone" g:plusone:size="medium"></a><a class="addthis_counter addthis_pill_style"></a></div>]]></description> <content:encoded><![CDATA[<p>Sou um papiro do século XX, antiquíssimo aos dezenove anos de idade, refinadíssimo como um códice secreto, profundíssimo como um poço artesiano, altíssimo como a sede do Banco do Brasil, inteligentíssimo como&#8230; como o quê? Lamentavelmente, falta parâmetro neste item.</p><p>Mas deixa eu explicar.</p><p>É que houve alguns filhos da puta do passado (não muito longíquo) que por meio de artes do demônio e da magia negra, lançando mão do espiritismo e da metempsicose às avessas, houve uns desgraçados, uns desonestos, uns ladrões, uns larápios, uma súcia de escroques que, por não terem imaginação própria, por não disporem da mínima intuição criadora (e nenhum lastro de honestidade intelectual, evidente) rascunharam, escreveram, datilografaram e publicaram TODOS OS POEMAS que por direito imanente, impostergável, genético, soberano, absoluto, ME PERTENCIAM – poemas tão meus quanto a piroca que trago pendurada entre as pernas. Ou seja: não há engano possível. E, o que é pior – e insolúvel: esses canalhas viveram muito antes que eu sequer tivesse nascido, de modo que não me restou nenhum recurso, legal ou não, para reaver o que legitimamente me pertence. Sou a vítima de um crime perfeito.</p><p>Quer o nome de um deles?</p><p>Álvaro de Campos, que também atendia pelo nome de Fernando Pessoa, um maldito português cuja erudição sofisticada ocultava o roubo de vários poemas integralmente meus. Ontem, ainda reli alguns deles em voz alta, bebendo vinho verde, às quatro da madrugada – e chorei, não sei se de emoção por não ser nada ou de raiva pelo furto deslavado e incólume, até que o motorista de táxi do quarto ao lado deu um pontapé na parede: para com essa porra, caralho!</p><p>Parei. E há uma tabacaria em frente da pensão.</p><p>Diante desta teia inexorável do destino, e sabendo que jamais em tempo algum produzirei poesia tão boa quanto aquela que escrevi no tempo que eu não era nascido, resta-me o plágio, este grande injustiçado da história, conforme Borges (um velho cego, louco para ganhar o prêmio Nobel) demonstrou à exaustão.</p><p><strong>Cristovão Tezza em <em>Trapo, </em>editora Record, coleção Saraiva vira-vira, págs, 30 e 31.</strong></p><div class="addthis_toolbox addthis_default_style " addthis:url='http://www.caotico.com.br/trecho-de-trapo/' addthis:title='Trecho de Trapo '  ><a class="addthis_button_facebook_like" fb:like:layout="button_count"></a><a class="addthis_button_tweet"></a><a class="addthis_button_google_plusone" g:plusone:size="medium"></a><a class="addthis_counter addthis_pill_style"></a></div>]]></content:encoded> <wfw:commentRss>http://www.caotico.com.br/trecho-de-trapo/feed/</wfw:commentRss> <slash:comments>0</slash:comments> </item> <item><title>O filho eterno</title><link>http://www.caotico.com.br/o-filho-eterno/</link> <comments>http://www.caotico.com.br/o-filho-eterno/#comments</comments> <pubDate>Sat, 17 Dec 2011 20:31:57 +0000</pubDate> <dc:creator>Inácio França</dc:creator> <category><![CDATA[Leituras Caóticas]]></category> <category><![CDATA[Cristovão Tezza]]></category> <category><![CDATA[Curitiba]]></category> <category><![CDATA[literatura brasileira]]></category> <category><![CDATA[literatura contemporânea]]></category> <category><![CDATA[pai]]></category> <category><![CDATA[paternidade]]></category> <category><![CDATA[Síndrome de Down]]></category><guid isPermaLink="false">http://www.caotico.com.br/?p=1691</guid> <description><![CDATA[Afundei na rede sob o peso de uma bigorna imaginária. E ainda estava na página 27 do livro. Mais uma página, mais outra e outra, agora mais devagar para não me distrair, para não deixar escapar uma vírgula sequer. A respiração sempre pesada. A custo, avancei até o final do capítulo. Mais adiante não consegui [...]<div class="addthis_toolbox addthis_default_style " addthis:url='http://www.caotico.com.br/o-filho-eterno/' addthis:title='O filho eterno '  ><a class="addthis_button_facebook_like" fb:like:layout="button_count"></a><a class="addthis_button_tweet"></a><a class="addthis_button_google_plusone" g:plusone:size="medium"></a><a class="addthis_counter addthis_pill_style"></a></div>]]></description> <content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.caotico.com.br/wp-content/uploads/2011/12/O-Filho-eterno.jpg"><img class="alignright  wp-image-1693" title="O-Filho-eterno" src="http://www.caotico.com.br/wp-content/uploads/2011/12/O-Filho-eterno-228x350.jpg" alt="" width="114" height="176" /></a>Afundei na rede sob o peso de uma bigorna imaginária. E ainda estava na página 27 do livro. Mais uma página, mais outra e outra, agora mais devagar para não me distrair, para não deixar escapar uma vírgula sequer.</p><p>A respiração sempre pesada. A custo, avancei até o final do capítulo. Mais adiante não consegui ir. Pelo menos não naquela noite.</p><p>Abandonei o livro e a rede com a falta de ar de quem acaba de levar um soco no pé da barriga, na boca do estômago. Só retomei a leitura no dia seguinte e não a larguei mais.</p><p>Há tempos um livro não entra nas minhas veias e não sai dos meus pensamentos como <em>O filho eterno</em>, de Cristovão Tezza. Em poucas páginas, soube que estava lendo um romance fundamental, um clássico publicado há menos de cinco anos.</p><p>Do autor já tinha ouvido falar dos seus prêmios, do seu nome sempre presente na programação de tudo quanto é evento literário. De tanto folheá-lo em livrarias de aeroportos, acabei mergulhando de cabeça exatamente no seu livro mais premiado. Voltei à tona com a sensação de que há justiça nessas premiações.</p><p>Como é possível constatar nas dezenas de resenhas, críticas e sinopses que é possível encontrar na internet, Tezza converteu em literatura sua experiência pessoal a partir do nascimento do seu filho com síndrome de Down.</p><p>O romance é narrado em terceira pessoa, recurso técnico que permitiu ao autor manter o narrador distante de sentimentalismos. Ao longo do relato, o leitor acompanha o amadurecimento do pai autor/personagem e da sua relação com o menino. Essas informações também se repetem nos sites que encontrei. Mas, cá entre nós, tudo isso não diz muito de um livro que me deixou do jeito que deixou.</p><p>No pai ansioso, prestes a descobrir que papel deveria desempenhar como pai e como marido da mulher que acabou de parir, me vi há exatos 18 anos, quando Pedro nasceu, às 9h de um 18 de dezembro.</p><p>No sujeito que sente-se sempre deslocado, claustrofóbico num trabalho e numa vida que não é a sua, me vi nos últimos 10 anos, enclausurado em reuniões e mais reuniões que jamais me interessaram, apesar do meu fingimento.</p><p>Nos trechos em que o pai se percebe como um espelho do filho, um homem inseguro, incompleto em tudo que faz, com dificuldades em mudar de direção, de abstrair e fazer as coisas de outro modo, cheguei a anotar ao lado, de lápis: “Esse cara tá dentro da minha cabeça”.</p><p>Rabisco semelhante ao que, agora, existe em meu exemplar nos trechos em que o narrador descreve como se refugiava da própria insegurança no humor ou no discreto sentimento de superioridade de quem leu um bocado de coisas.</p><p>A opção de não escrever em primeira pessoa permitiu a Tezza que se expusesse ao extremo, com uma coragem sem igual. Sua linguagem é crua, sem qualquer resquício de autopiedade, pieguice nem culpa. Ele revirou as vísceras de sua dor e as expôs como literatura.</p><p>Antes da publicação, ele temia que seu livro fosse encarado como uma autoajuda para filhos de pais especiais (<a href="http://www.youtube.com/watch?v=Oi8O8V2hLKY">clicando aqui você assiste a um vídeo em que ele revela isso</a>). É preciso muita má-vontade para reduzi-lo a apenas isso.</p><p>Felizmente os críticos literários e as comissões julgadoras também foram atingidas na boca do estômago, como prova <a href="http://www.cristovaotezza.com.br/critica/ficcao/f_filhoeterno/p_folhasp_m_coelho_12nov08.htm">0 artigo de Marcelo Coelho, na Folha de S. Paulo</a> que encontrei em minhas chafurdações.</p><p>Ao “dar nome às coisas” com pontaria certeira, Cristovão Tezza proporciona aos seus leitores a possibilidade de se reconhecer e crescer junto com seu pai-personagem. Foi assim que saí da leitura, sentimento que, em anos recentes, lembro de ter me tomado ao ler <em>Crime e Castigo </em>na tradução de Paulo Bezerra e, depois, <em><a href="http://www.caotico.com.br/a-tregua/">A trégua</a></em>, de Benedetti.</p><p>&nbsp;</p><p><strong>Sobre o escritor</strong></p><p><a href="http://www.caotico.com.br/wp-content/uploads/2011/12/cristovao-tezza.jpg"><img class="alignnone size-medium wp-image-1692" title="cristovao-tezza" src="http://www.caotico.com.br/wp-content/uploads/2011/12/cristovao-tezza-350x254.jpg" alt="" width="254" height="184" /></a></p><p>Cristovão Tezza tem 59 anos e é catarinense, mas vive em Curitiba desde a infância. Ainda jovem, depois de tentar ser piloto da marinha mercante, ator de teatro, relojoeiro e mochilar pela Europa em meados dos anos 70, botou na cabeça que seria escritor. Demorou a vingar na literatura. Depois de receber recusas de inúmeras editoras, lançou o romance <em>Trapo </em>nos anos 80 com relativo sucesso. O reconhecimento pra valer veio com os prêmios de <em>O filho eterno</em>.</p><div class="addthis_toolbox addthis_default_style " addthis:url='http://www.caotico.com.br/o-filho-eterno/' addthis:title='O filho eterno '  ><a class="addthis_button_facebook_like" fb:like:layout="button_count"></a><a class="addthis_button_tweet"></a><a class="addthis_button_google_plusone" g:plusone:size="medium"></a><a class="addthis_counter addthis_pill_style"></a></div>]]></content:encoded> <wfw:commentRss>http://www.caotico.com.br/o-filho-eterno/feed/</wfw:commentRss> <slash:comments>4</slash:comments> </item> <item><title>Odara</title><link>http://www.caotico.com.br/odara/</link> <comments>http://www.caotico.com.br/odara/#comments</comments> <pubDate>Wed, 27 Jul 2011 01:20:30 +0000</pubDate> <dc:creator>Inácio França</dc:creator> <category><![CDATA[Leituras Caóticas]]></category> <category><![CDATA[editora Record]]></category> <category><![CDATA[gays]]></category> <category><![CDATA[literatura brasileira]]></category> <category><![CDATA[literatura contemporânea]]></category> <category><![CDATA[Márcio Paschoal]]></category> <category><![CDATA[Rio de Janeiro]]></category> <category><![CDATA[travesti]]></category><guid isPermaLink="false">http://www.caotico.com.br/?p=1518</guid> <description><![CDATA[Em plena leitura de A Dança dos desejos recebi uma mensagem da simpática assessora de imprensa da editora Record oferecendo umm exemplar do lançamento Odara para repetir a promoção de sorteá-lo entre os leitores do blog interessados em escrever uma crítica ou um comentário sobre a obra. Acho que o interesse particular pelo romance do Esdras do [...]<div class="addthis_toolbox addthis_default_style " addthis:url='http://www.caotico.com.br/odara/' addthis:title='Odara '  ><a class="addthis_button_facebook_like" fb:like:layout="button_count"></a><a class="addthis_button_tweet"></a><a class="addthis_button_google_plusone" g:plusone:size="medium"></a><a class="addthis_counter addthis_pill_style"></a></div>]]></description> <content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.caotico.com.br/wp-content/uploads/2011/07/Odara.jpg"><img class="alignright size-medium wp-image-1519" title="Odara" src="http://www.caotico.com.br/wp-content/uploads/2011/07/Odara-225x350.jpg" alt="" width="130" height="203" /></a>Em plena leitura de <em>A Dança dos desejos</em> recebi uma mensagem da simpática assessora de imprensa da editora Record oferecendo umm exemplar do lançamento <em>Odara </em>para repetir a promoção de sorteá-lo entre os leitores do blog interessados em escrever uma crítica ou um comentário sobre a obra.</p><p>Acho que o interesse particular pelo romance do Esdras do nascimento acabou se transformando em entusiasmo pela literatura brasileira contemporânea em geral. Pedi que ela mandasse o livro para eu mesmo comentar.</p><p>Recebi, li e agora, conforme o combinado, publico minha opinião: gostei mais ou menos. Ou melhor, gostei só um pouquinho assim.</p><p><em>Odara </em>tem algumas ótimas sacadas, a começar pelo ideia central, a “biografia” de um travesti ou o bom humor pulverizado na história aqui e acolá, como o trecho em que o protagonista, ainda menino, pede uma Barbie noiva de presente.</p><p>Melhor ainda é o recurso de intercalar o texto em primeira pessoa do personagem central Odara/Normando com trechos de depoimentos dos demais personagens, como seus amantes, amigos e parentes, que ora contam outra versão da história, ora ratificam aquilo que conta o/a protagonista.</p><p>Como o meia que pensa uma jogada magistral, prestes a enfiar uma bola em profundidade para o atacante que se desloca, o autor, Márcio Paschoal, teve um excelente lampejo, mas a jogada não foi assim tão bem executada. O passe saiu curto demais, o beque interceptou a bola, o artilheiro ficou a ver navios.</p><p>A promessa anunciada em releases e entrevistas de contar a história de uma pessoa como qualquer outra, tentando viver uma vida normal com suas vacilações, angústias, alegrias, sonhos e projetos, não se concretiza de todo. <em>Odara </em>acaba sendo apenas a biografia de uma caricatura.</p><p>A trama, as situações soam artificiais, tão superficiais quanto as relações que o protagonista trava com homens, mulheres, crianças, velhos, índios e filhinhos-da-mamãe. Talvez tenha sido essa a intenção do autor, construir uma alegoria em torno da vida de uma alegoria, pois apesar de um bom início, a construção do personagem vai perdendo a pegada, a “sustança”, como diria os sertanejos.</p><p>Ora ele é ela, toda gostosinha namorando com um septuagenário animado, ora ela é ele, comendo a filha do septuagenário. Depois é ele e ela, a um só tempo, sendo explorado/a sexualmente por uma organização esquisitíssima, meio exército separatista meio máfia pornográfica, tão caricata quanto. E ainda vai parar no meio dos xavantes no norte do Mato Grosso. E os xavantes também acabam no meio dela. Ou dele.</p><p>A verdade é que isso tudo não funcionou no romance, ficou tudo muito solto. Talvez fique melhor no cinema, numa dessas comédias brasileiras interpretadas por atores globais.</p><p>&nbsp;</p><p><strong>Sobre o escritor</strong></p><p><a href="http://www.caotico.com.br/wp-content/uploads/2011/07/marcio-paschoal.jpg"><img class="alignnone size-medium wp-image-1520" title="marcio-paschoal" src="http://www.caotico.com.br/wp-content/uploads/2011/07/marcio-paschoal-220x350.jpg" alt="" width="143" height="226" /></a></p><p>Márcio Paschoal é carioca, economista de formação, mas já trabalhou com redator e roteiristas.É autor, entre outras coisas, de uma biografia de João do Vale (carcará pega, mata e come) bastante respeitada e elogiada por quem já leu. Para quem quiser conhecer mais, tá aqui o endereço do blog dele: <a href="http://www.marciopaschoal.com/wordpress/">http://www.marciopaschoal.com/wordpress/</a></p><p>&nbsp;</p><p>&nbsp;</p><div class="addthis_toolbox addthis_default_style " addthis:url='http://www.caotico.com.br/odara/' addthis:title='Odara '  ><a class="addthis_button_facebook_like" fb:like:layout="button_count"></a><a class="addthis_button_tweet"></a><a class="addthis_button_google_plusone" g:plusone:size="medium"></a><a class="addthis_counter addthis_pill_style"></a></div>]]></content:encoded> <wfw:commentRss>http://www.caotico.com.br/odara/feed/</wfw:commentRss> <slash:comments>3</slash:comments> </item> <item><title>A dança dos desejos, opus 13</title><link>http://www.caotico.com.br/a-danca-dos-desejos-opus-13/</link> <comments>http://www.caotico.com.br/a-danca-dos-desejos-opus-13/#comments</comments> <pubDate>Thu, 21 Jul 2011 21:27:02 +0000</pubDate> <dc:creator>Inácio França</dc:creator> <category><![CDATA[Leituras Caóticas]]></category> <category><![CDATA[Esdras do Nascimento]]></category> <category><![CDATA[literatura brasileira]]></category> <category><![CDATA[literatura contemporânea]]></category> <category><![CDATA[oficina literária]]></category> <category><![CDATA[Rio de Janeiro]]></category><guid isPermaLink="false">http://www.caotico.com.br/?p=1512</guid> <description><![CDATA[Quando desembrulhei o pacote e li a dedicatória assinada por Esdras do Nascimento na primeira página de A dança dos desejos, opus 13 fiquei meio sem jeito, encabulado mesmo, como fica qualquer pessoa com um mínimo de vergonha na cara que ganha um presentão e tem dúvidas se fez por merecê-lo. Macaco velho nesse ramo [...]<div class="addthis_toolbox addthis_default_style " addthis:url='http://www.caotico.com.br/a-danca-dos-desejos-opus-13/' addthis:title='A dança dos desejos, opus 13 '  ><a class="addthis_button_facebook_like" fb:like:layout="button_count"></a><a class="addthis_button_tweet"></a><a class="addthis_button_google_plusone" g:plusone:size="medium"></a><a class="addthis_counter addthis_pill_style"></a></div>]]></description> <content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-size: small;"><a href="http://www.caotico.com.br/wp-content/uploads/2011/07/Danca_dos_desejos_capa.jpg"><img class="alignright size-medium wp-image-1513" title="Danca_dos_desejos_capa" src="http://www.caotico.com.br/wp-content/uploads/2011/07/Danca_dos_desejos_capa-234x350.jpg" alt="" width="167" height="222" /></a>Quando desembrulhei o pacote e li a dedicatória assinada por Esdras do Nascimento na primeira página de <em>A dança dos desejos, opus 13</em> fiquei meio sem jeito, encabulado mesmo, como fica qualquer pessoa com um mínimo de vergonha na cara que ganha um presentão e tem dúvidas se fez por merecê-lo. Macaco velho nesse ramo de escrever, de vez em quando Esdras lê as coisas que publico aqui no blog. Não sei como nem por que ele veio parar por aqui, mas tê-lo como leitor contribui para inflar minha já superfaturada auto-estima.</span></p><p><span style="font-size: small;">A intenção de retribuir a gentileza e a beleza da edição caprichada fizeram com que eu o colocasse na mala que trouxe para Belém, mesmo sabendo que estava numa saia-justa. Afinal, o que fazer se não gostasse da leitura? Escrever a verdade poderia constrangê-lo e revelar ingratidão (ou ignorância, o que é mais provável), fingir ter gostado estava fora de cogitação e, finalmente, não escrever nada poderia ser ainda pior, pois poderia ser compreendido como desatenção ou desprezo para com o presente recebido. </span></p><p><span style="font-size: small;">Resolvi ler e deixar para resolver depois, como quase tudo na minha vida.  Minhas dúvidas acabaram assim que comecei a leitura. Trancado no ônibus que me levava do norte de Tocantins à capital paraense, entendi logo que não iria entrar numa sinuca de bico: ao fim da primeira tarde, já tinha chegado à página 145 de um fôlego só. É envolvente a prosa de Esdras.</span></p><p><span style="font-size: small;">Seus personagens são bem construídos e tangíveis, como se fossem gente com quem convivemos ou, pelo menos, de quem ouvimos falar por meio de nossos amigos. Essa sensação é reforçada pela teia de relações que envolve os personagens do romance: todos se conhecem ou acabarão se conhecendo, apresentados pelos amigos ou pelos amigos dos amigos. </span></p><p><span style="font-size: small;">O Rio de Janeiro da história é uma cidade interiorana, onde todos sabem da vida de todos, com inúmeros pontos de intersecção entre a classe média intelectualizada e os endinheirados emergentes. O crime e a corrupção são algumas dessas intersecções.</span></p><p><span style="font-size: small;">Os relacionamentos entre esses personagens são marcados por uma lógica semelhante a do consumo: são descartáveis. Fulana come sicrano, mas logo um cansa e passa o outro adiante. É tudo muito superficial nesse mundo de bebedeiras e festas sem fim.</span></p><p><span style="font-size: small;">O autor traduz com acidez, mas também com delicadeza o que sabe, o que pensa e o que sente a respeito das coisas do coração, do que pode haver de belo ou de sórdido nos relacionamentos humanos. </span></p><p><span style="font-size: small;">Há nexos e sentidos que se completam em falas ou reflexões de personagens diferentes, como Leonardo quando constata que conversar com a outra pessoa não é como fazer pontaria para atirar e tentar escapar do tiro que virá e, mais adiante, quando Vivaldo afirma que, em matéria de amor, importam os sonhos e não o raciocínio. Coisas desse tipo o sujeito só ousa escrever quando se viveu, sofreu, testemunhou muitos encontros e desencontros ao longo da sua jornada.</span></p><p><span style="font-size: small;">O papel das protagonistas femininas é de comando. Quase sempre, elas estão no comando dos relacionamentos no mundo da classe média carioca do final do século XX, a não ser quando estão presas ao passado, como a chata caricata Do Carmo. Esta vive em torno do seu homem ou das recordações da prosperidade do seu pai, morto há anos.</span></p><p><span style="font-size: small;">Pelo que pouco que encontrei na internet sobre <em>A dança dos desejos</em> – o livro mais aclamado de Esdras não esse e sim <em>Lição da noite </em>-, os críticos compreenderam que as inserções de notícias jornalísticas ou referências filosóficas ou históricas serviram para contextualizar a trama no final dos anos 90. </span></p><p><span style="font-size: small;">Pode ser que seja assim, mas, para mim, essas inserções garantem à narrativa o ritmo de nossa vida cotidiana, em que nossos pensamentos e conversas passam rapidamente das nossos interesses pessoais, aos acontecimentos midiáticos ou às lembranças do que aprendemos.</span></p><p><span style="font-size: small;">Entretanto, não gostei de um dos aspectos do romace. Se as reflexões dos personagens são bem resolvidas, indo da terceira para a primeira pessoa sem traumas, os diálogos são excessivos, com trechos sobrando, que deveriam ter sido deixados de lado e que muitas vezes os torna um tanto inverossímeis. Em um simples telefonema para marcar um encontro, um dos interlocutores discorre sobre o passado no exílio do dono do restaurante. Explicações demais. </span></p><p><span style="font-size: small;">Antes, dois personagens de conhecem fazendo exercícios no Aterro do Flamengo, logo no primeiro contato ela explica as vantagens de um restaurante vegetariano, ele diz entender a razão da boa forma da moça que acaba de conhecer, então ela dá a réplica informando que gosta de tomar um chopinho. Esse e outros diálogos dão a sensação do jogo ter sido entregue muito rápido.</span></p><p><span style="font-size: small;"> </span></p><p><span style="font-size: small;"><a href="http://www.caotico.com.br/wp-content/uploads/2011/07/Esdras.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-1514" title="Esdras" src="http://www.caotico.com.br/wp-content/uploads/2011/07/Esdras.jpg" alt="" width="242" height="193" /></a>           </span></p><p><strong><span style="font-size: small;">Sobre o escritor</span></strong></p><p><span style="font-size: small;">Esdras do Nascimento é piauiense e fez de tudo um pouco antes de viver de escrever. Um dia, quando morava no Crato, Ceará, sonhou em fazer um romance para mudar a história da literatura nordestina, mas achou que ficou uma porcaria e quase desistiu de escrever. Já publicou quase duas dezenas de livros &#8211; o romance <em>Opus 14 </em>sai em setembro, é doutor em Letras pela UFRJ e coordena uma oficina de criação literária no Rio de Janeiro focada em conto e romance. Quem for do Rio e  tiver interesse pode telefonar para 21-2285-1682. </span></p><div class="addthis_toolbox addthis_default_style " addthis:url='http://www.caotico.com.br/a-danca-dos-desejos-opus-13/' addthis:title='A dança dos desejos, opus 13 '  ><a class="addthis_button_facebook_like" fb:like:layout="button_count"></a><a class="addthis_button_tweet"></a><a class="addthis_button_google_plusone" g:plusone:size="medium"></a><a class="addthis_counter addthis_pill_style"></a></div>]]></content:encoded> <wfw:commentRss>http://www.caotico.com.br/a-danca-dos-desejos-opus-13/feed/</wfw:commentRss> <slash:comments>2</slash:comments> </item> <item><title>Entre sem bater</title><link>http://www.caotico.com.br/entre-sem-bater/</link> <comments>http://www.caotico.com.br/entre-sem-bater/#comments</comments> <pubDate>Sun, 17 Apr 2011 22:39:49 +0000</pubDate> <dc:creator>Inácio França</dc:creator> <category><![CDATA[Leituras Caóticas]]></category> <category><![CDATA[editora Global]]></category> <category><![CDATA[Edmundo Donato]]></category> <category><![CDATA[literatura brasileira]]></category> <category><![CDATA[literatura contemporânea]]></category> <category><![CDATA[Marcos Rey]]></category> <category><![CDATA[São Paulo]]></category><guid isPermaLink="false">http://www.caotico.com.br/?p=1310</guid> <description><![CDATA[É difícil sentir simpatia por algum dos protagonistas de Entre sem bater, romance publicado por Marcos Rey nos início dos anos 60. Ganhar dinheiro. Conquistar carros e apartamentos. Ostentar. Nisso se resumia a razão de viver de Ricardo e Ângelo. Irene não fica muito atrás. Para eles, a origem pobre justifica qualquer absurdo. O autor [...]<div class="addthis_toolbox addthis_default_style " addthis:url='http://www.caotico.com.br/entre-sem-bater/' addthis:title='Entre sem bater '  ><a class="addthis_button_facebook_like" fb:like:layout="button_count"></a><a class="addthis_button_tweet"></a><a class="addthis_button_google_plusone" g:plusone:size="medium"></a><a class="addthis_counter addthis_pill_style"></a></div>]]></description> <content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.caotico.com.br/wp-content/uploads/2011/04/entre_sem_bater.jpg"><img class="alignright size-full wp-image-1311" title="entre_sem_bater" src="http://www.caotico.com.br/wp-content/uploads/2011/04/entre_sem_bater.jpg" alt="" width="126" height="180" /></a>É difícil sentir simpatia por algum dos protagonistas de <em>Entre sem bater</em>, romance publicado por <a href="http://www.marcosrey.com.br/marcosrey.htm">Marcos Rey</a> nos início dos anos 60. Ganhar dinheiro. Conquistar carros e apartamentos. Ostentar. Nisso se resumia a razão de viver de Ricardo e Ângelo. Irene não fica muito atrás. Para eles, a origem pobre justifica qualquer absurdo.</p><p>O autor conhecia de perto gente assim. Quando escreveu esse livro, trabalhava numa agência de publicidade, ainda pelejando para destravar a carreira de escritor, e<a href="http://www.caotico.com.br/maldicao-e-gloria/"> varava as noites na “boca” do centro de São Paulo</a> entre prostitutas, jornalistas, artistas e pés-de-barraca de todos os naipes.</p><p>Jovens ambiciosos com pose de intelectual e fé inabalável na própria superioridade não faltavam no meio publicitário ou entre seus clientes. Mocinhas bonitas, ansiosas por encontrar um príncipe encantado que a livrassem do passado de carências, viviam no limiar da prostituição, de dia nos escritórios e à noite nas boates. Homens simples, porém com tino para negócios, enchiam os cofres na impressionante prosperidade paulista do meio do século sem saber como gastar o dinheiro novo.</p><p>Marcos Rey conhecia o pensamento, o discurso e os hábitos das pessoas com quem convivia. Calado no seu canto, tímido e inseguro por conta de suas deformidades, era um observador mais do que atento. Ele observava e entendia, observava e sentia, observava e escrevia, transformando tudo em literatura.</p><p><em>Entre sem bater </em>reproduz o universo da nova elite urbana, surgida nos anos em que São Paulo se consolidava como Meca da indústria brasileira, uma elite mesquinha, fútil, mas que se achava a tal.</p><p><a href="http://www.caotico.com.br/mano-juan/">A escrita ágil e intensa</a>, imposta pela necessidade de manter vivo o interesse dos leitores do jornal que publicou a história originalmente em capítulos, exacerba o individualismo e o ritmo frenético de vida dos protagonistas. O leitor sente a vertigem da velocidade do carro de luxo comprado a prestações ou das doses de álcool descendo de uma só vez goela abaixo.</p><p>Na atmosfera noir do romance, há, a cada página, a iminência de uma tragédia, de algo a “precipitar os acontecimentos”. Marcos Rey era mestre nisso.</p><p>Outra coisa que me fascina nessa leitura foi a habilidade do autor em elaborar os aspectos psicológicos dos personagens sem recorrer a psicologismos, a teorias: o leitor não perde tempo e não se perde em labirintos, é a própria história que define ou dá pistas sobre as fragilidades do caráter de cada um.</p><p>Um tapete grosso, um simples tapete capaz de abafar os passos, está sob os pés da menina Irene no lugar mais próximo que ela teve de um lar. Outros tapetes marcam a busca por segurança material da mulher Irene, uma busca tão intensa que o amor até que aparece, mas nem é percebido.</p><p>O problema continua sendo as reedições da editora Global, que mantêm as obras de Marcos Rey sob contrato. O livro mais parece destinado a adolescentes, provavelmente por causa dos seus famosos livros de literatura juvenil publicados nos anos 80. Ao menos a editora poderia contratar revisores mais atentos, que não deixassem passar os erros de revisão como os que encontrei nas páginas 139, 140, 149, 198 e 200. Tem mais antes desses, mas só comecei a registrá-los ao perceber a palavra &#8220;louco&#8221; onde deveria estar a palavra &#8220;pouco&#8221;. Isso é fazer pouco de Marcos Rey.</p><div class="addthis_toolbox addthis_default_style " addthis:url='http://www.caotico.com.br/entre-sem-bater/' addthis:title='Entre sem bater '  ><a class="addthis_button_facebook_like" fb:like:layout="button_count"></a><a class="addthis_button_tweet"></a><a class="addthis_button_google_plusone" g:plusone:size="medium"></a><a class="addthis_counter addthis_pill_style"></a></div>]]></content:encoded> <wfw:commentRss>http://www.caotico.com.br/entre-sem-bater/feed/</wfw:commentRss> <slash:comments>4</slash:comments> </item> <item><title>O vingador</title><link>http://www.caotico.com.br/o-vingador/</link> <comments>http://www.caotico.com.br/o-vingador/#comments</comments> <pubDate>Thu, 07 Apr 2011 03:05:45 +0000</pubDate> <dc:creator>Inácio França</dc:creator> <category><![CDATA[Leituras Caóticas]]></category> <category><![CDATA[best-seller]]></category> <category><![CDATA[cinema]]></category> <category><![CDATA[clichês]]></category> <category><![CDATA[filme de ação]]></category> <category><![CDATA[Frederick Forsyth]]></category> <category><![CDATA[Guerra da Bósnia]]></category> <category><![CDATA[Iugoslávia]]></category> <category><![CDATA[literatura contemporânea]]></category> <category><![CDATA[O dia do chacal]]></category> <category><![CDATA[Sérvia]]></category><guid isPermaLink="false">http://www.caotico.com.br/?p=1288</guid> <description><![CDATA[É bem verdade que o senhor Arsênio tem o excelente hábito de ler poesia, tanto que vive escrevendo sobre seus amados poetas aqui no Caótico, tenho indícios, porém, que me levam a arriscar um palpite: ele gosta mesmo é de uma história bem contada, de um enredo envolvente, daqueles que o leitor só fecha o [...]<div class="addthis_toolbox addthis_default_style " addthis:url='http://www.caotico.com.br/o-vingador/' addthis:title='O vingador '  ><a class="addthis_button_facebook_like" fb:like:layout="button_count"></a><a class="addthis_button_tweet"></a><a class="addthis_button_google_plusone" g:plusone:size="medium"></a><a class="addthis_counter addthis_pill_style"></a></div>]]></description> <content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.caotico.com.br/wp-content/uploads/2011/04/vingador_forsyth.jpg"><img class="alignright size-full wp-image-1289" title="vingador_forsyth" src="http://www.caotico.com.br/wp-content/uploads/2011/04/vingador_forsyth.jpg" alt="" width="130" height="198" /></a>É bem verdade que o senhor Arsênio tem o excelente hábito de ler poesia, tanto que vive escrevendo sobre seus amados poetas aqui no Caótico, tenho indícios, porém, que me levam a arriscar um palpite: ele gosta mesmo é de uma história bem contada, de um enredo envolvente, daqueles que o leitor só fecha o livro se não tiver jeito mesmo.</p><p>Se não fosse por isso, por qual outra razão ele teria me presenteado, há uns três ou quatro meses, com <em>O vingador</em>, de Frederick Forsyth?</p><p>Já nem sei há quantos anos li <em>O dossiê Odessa</em>, por isso não sei dizer com absoluta certeza se esse outro livro de Forsyth é realmente muito melhor do que a história de Cal Dexter, advogado e ex-combatente da guerra do Vietnã que aceita encomendas para capturar terríveis criminosos e entregá-los à Justiça, mas foi essa a sensação após a leitura.</p><p>O livro pede para ser adaptado ao cinema. Tanto que esse parece ter sido um dos objetivos de Forsyth. A trama é bem construída a partir do assassinato de um rapazola norte-americano, rico e de bom coração que vai ajudar os perseguidos na guerra da Bósnia. A pegada da narrativa é firme, não dá folga para o leitor, e os personagens se movimentam num contexto político bem definido historicamente.</p><p>No romance, os exterminadores de muçulmanos na antiga Iugoslávia não surgiram por acaso nem desapareceram por encanto. Forsyth não é maniqueísta, muito menos ingênuo.</p><p>O problema são os clichês.</p><p>Ele abusa de situações batidíssimas, usadas e recicladas em tudo quanto é filme da série Mad Max ou Duro de Matar. Um exemplo? O protagonista precisa invadir sem ser visto e sair inteiro de uma fortaleza inexpugnável no meio do nada, repleta de bandidos armados até os dentes e com uma armadilha mortal a cada passo. Até nos gibis de Tex Willer, encontrados em qualquer banca de revista, situações como essa são recorrentes.</p><p>Os clichês são usados com muita competência, pois é exatamente isso que se espera de Frederick, mas não dá para se encantar com um escritor que lança mão de fórmulas prontas. Está claro: <em>O vingador </em>foi escrito para vender e virar filme. Não é literatura, é produto de entretenimento.</p><p>Talvez eu esteja sendo muito duro, afinal é bem verdade que, ao tirar o volume da estante, esperava encontrar  diversão da mesma natureza de um filme de ação, o que há de sobras nesse livro.</p><p><strong>Sobre o escritor</strong></p><p><strong><a href="http://www.caotico.com.br/wp-content/uploads/2011/04/british_author_frederick_forsyth.jpg"><img class="alignnone size-medium wp-image-1290" title="british_author_frederick_forsyth" src="http://www.caotico.com.br/wp-content/uploads/2011/04/british_author_frederick_forsyth-350x233.jpg" alt="" width="274" height="182" /></a><br /> </strong></p><p>Frederick Forsyth é inglês e foi piloto da RAF, a força aérea do seu país, logo após a Segunda Guerra. Depois arriscou-se no jornalismo, participando das coberturas nos movimentados anos 50 e 60 na Europa, época em que espiões esbarravam uns nos outros. De sua experiência como correspondente no Leste Europeu, tirou muitos elementos que apareceram em romances como <em>O dossiê Odessa</em> e o citado <em>O dia do Chacal</em>.</p><div class="addthis_toolbox addthis_default_style " addthis:url='http://www.caotico.com.br/o-vingador/' addthis:title='O vingador '  ><a class="addthis_button_facebook_like" fb:like:layout="button_count"></a><a class="addthis_button_tweet"></a><a class="addthis_button_google_plusone" g:plusone:size="medium"></a><a class="addthis_counter addthis_pill_style"></a></div>]]></content:encoded> <wfw:commentRss>http://www.caotico.com.br/o-vingador/feed/</wfw:commentRss> <slash:comments>8</slash:comments> </item> <item><title>Os informantes</title><link>http://www.caotico.com.br/os-informantes/</link> <comments>http://www.caotico.com.br/os-informantes/#comments</comments> <pubDate>Thu, 06 Jan 2011 22:01:13 +0000</pubDate> <dc:creator>Inácio França</dc:creator> <category><![CDATA[Loucos por livros]]></category> <category><![CDATA[América Latina]]></category> <category><![CDATA[Juan Gabriel Vásquez]]></category> <category><![CDATA[Literatura colombiana]]></category> <category><![CDATA[literatura contemporânea]]></category> <category><![CDATA[literatura latino-americana]]></category><guid isPermaLink="false">http://www.caotico.com.br/?p=1166</guid> <description><![CDATA[por Paulo Sérgio Araújo Fui procurar um autor sul-americano que eu não conhecesse &#8211; tarefa fácil, pois conheço mais de livros em si do que de literatura e de autores. Na verdade, estava simplesmente atrás de um livro escrito por alguém da região. Deparei-me, dentre vários livros na estante de “literatura estrangeira” (sem especificação geográfica [...]<div class="addthis_toolbox addthis_default_style " addthis:url='http://www.caotico.com.br/os-informantes/' addthis:title='Os informantes '  ><a class="addthis_button_facebook_like" fb:like:layout="button_count"></a><a class="addthis_button_tweet"></a><a class="addthis_button_google_plusone" g:plusone:size="medium"></a><a class="addthis_counter addthis_pill_style"></a></div>]]></description> <content:encoded><![CDATA[<p><strong><a href="http://www.caotico.com.br/wp-content/uploads/2011/01/os-informantes.jpg"><img class="alignright size-full wp-image-1167" title="os-informantes" src="http://www.caotico.com.br/wp-content/uploads/2011/01/os-informantes.jpg" alt="" width="121" height="185" /></a>por Paulo Sérgio Araújo</strong></p><p>Fui procurar um autor sul-americano que eu não conhecesse &#8211; tarefa fácil, pois conheço mais de livros em si do que de literatura e de autores. Na verdade, estava simplesmente atrás de um livro escrito por alguém da região.</p><p>Deparei-me, dentre vários livros na estante de “literatura estrangeira” (sem especificação geográfica ou sem separação por continentes), sem qualquer destaque, com <em>Os Informantes</em>. Pensei tratar-se de livro de romance policial, a capa nos leva a isso inicialmente. Ao ler a orelha da obra e os comentários da capa, já me animei e fiquei ainda mais animado ao passar os olhos no início do livro – o entusiasmo inicial não se desfez, pelo contrário, foi confirmado durante toda a leitura.</p><p><a href="http://www.caotico.com.br/wp-content/uploads/2011/01/14789_I_Foto-Juan-Gabriel-Vásquez.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-1168" title="14789_I_Foto Juan Gabriel Vásquez" src="http://www.caotico.com.br/wp-content/uploads/2011/01/14789_I_Foto-Juan-Gabriel-Vásquez.jpg" alt="" width="111" height="111" /></a>O autor Juan Gabriel Vásquez (foto ao lado) é colombiano, tem menos de quarenta anos e já tem outros livros publicados. Se os demais trabalhos mantiverem o nível desse livro, trata-se de um grande escritor.</p><p><em>Os Informantes</em>, a partir da narrativa do relacionamento entre pai e filho, traz a realidade vivida principalmente por alemães na Colômbia quando da Segunda Grande Guerra e as restrições e perseguições que sofreram, algumas apenas porque eram nacionais de países do Eixo. O livro revisa essa época já na Colômbia de 90.</p><p>Na verdade, poderia dizer mais especificamente que, a partir da referência a fatos históricos ocorridos na Colômbia durante a Segunda Grande Guerra, principalmente no tocante a alemães imigrantes, o livro nos instiga a pensar sobre a nossa vida, nossas escolhas, o nosso relacionamento com os nossos pais.</p><p>De qualquer maneira, a leitura é daquelas de não se querer parar. Grande livro, leitura recomendada mesmo. A narrativa é perfeita, realista, sem passagens exóticas ou  indagações surreais e inexistentes no nosso dia-a-dia. Eu me vi dentro do personagem várias vezes. Por exemplo, quando ele escreve sobre o comportamento do padre em uma missa de sétimo dia, encontrei a mesmíssima atitude tomada pelo padre que celebrou uma missa de sétimo dia a que eu compareci a semana passada! As dúvidas, os sentimentos ou os medos do narrador, Gabriel Santoro Filho, e dos demais integrantes da trama são os que vivenciamos todos os dias, na nossa realidade.</p><p>Mais um escritor colombiano em minha boa conta. Isso sim, é que nos faz verificar nossas semelhanças e nossa admiração para com os vizinhos do continente – nada de índios de araque tomando nossa refinaria<strong>*</strong>, ditadores militares populistas que só prometem refinaria e outras quizilas que nos querem enfiar goela abaixo como sinônimos de irmandade entre os povos da América do Sul. Mentira**. A verdade é que a América tem de querer mostrar a sua excelência e, dentro da literatura, esse é um bom exemplo.</p><p><strong>* Esta é a opinião do autor do texto, jamais do editor do blog</strong></p><p><strong>** idem</strong></p><div class="addthis_toolbox addthis_default_style " addthis:url='http://www.caotico.com.br/os-informantes/' addthis:title='Os informantes '  ><a class="addthis_button_facebook_like" fb:like:layout="button_count"></a><a class="addthis_button_tweet"></a><a class="addthis_button_google_plusone" g:plusone:size="medium"></a><a class="addthis_counter addthis_pill_style"></a></div>]]></content:encoded> <wfw:commentRss>http://www.caotico.com.br/os-informantes/feed/</wfw:commentRss> <slash:comments>7</slash:comments> </item> <item><title>Uma breve história dos tratores em ucraniano</title><link>http://www.caotico.com.br/uma-breve-historia-dos-tratores-em-ucraniano/</link> <comments>http://www.caotico.com.br/uma-breve-historia-dos-tratores-em-ucraniano/#comments</comments> <pubDate>Thu, 02 Dec 2010 11:30:21 +0000</pubDate> <dc:creator>Inácio França</dc:creator> <category><![CDATA[Loucos por livros]]></category> <category><![CDATA[imigrantes]]></category> <category><![CDATA[Inglaterra]]></category> <category><![CDATA[Leste Europeu]]></category> <category><![CDATA[literatura contemporânea]]></category> <category><![CDATA[livrarias]]></category> <category><![CDATA[Livro 7]]></category> <category><![CDATA[Marina Lewycka]]></category> <category><![CDATA[promoções]]></category> <category><![CDATA[Reino Unido]]></category> <category><![CDATA[Ucrânia]]></category><guid isPermaLink="false">http://www.caotico.com.br/?p=1122</guid> <description><![CDATA[por Paulo Sérgio Araújo Lendo o Caótico, com atraso, vi artigo e comentários sobre as saudosas Livro 7 (de Tarcísio “Chapéu”) e Síntese (da “introspectiva” irmã de Tarcísio), então me vieram à mente dois costumes que criei frequentando essas livrarias, que eram pessoais e não meros locais de vendas de livros. O primeiro foi ser [...]<div class="addthis_toolbox addthis_default_style " addthis:url='http://www.caotico.com.br/uma-breve-historia-dos-tratores-em-ucraniano/' addthis:title='Uma breve história dos tratores em ucraniano '  ><a class="addthis_button_facebook_like" fb:like:layout="button_count"></a><a class="addthis_button_tweet"></a><a class="addthis_button_google_plusone" g:plusone:size="medium"></a><a class="addthis_counter addthis_pill_style"></a></div>]]></description> <content:encoded><![CDATA[<p><strong>por Paulo Sérgio Araújo</strong></p><p><a href="http://www.caotico.com.br/wp-content/uploads/2010/12/ucraniano.jpg"><img class="alignright size-full wp-image-1123" title="ucraniano" src="http://www.caotico.com.br/wp-content/uploads/2010/12/ucraniano.jpg" alt="" width="138" height="199" /></a>Lendo o Caótico, com atraso, vi<a href="http://www.caotico.com.br/todos-os-tempos-de-tarcisio-sete/"> artigo e comentários sobre as saudosas Livro 7</a> (de Tarcísio “Chapéu”) e Síntese (da “introspectiva” irmã de Tarcísio), então me vieram à mente dois costumes que criei frequentando essas livrarias, que eram <em>pessoais</em> e não meros locais de vendas de livros.</p><p>O primeiro foi ser atraído por promoções. Sou muito arredio a anúncios de liquidações em geral, pois desconfio sempre. Enfim, problema pessoal meu, mas não sentia o mesmo em relação a livros, porque a Livro 7 &#8211; principalmente esta -, me proporcionou excelentes aquisições de exemplares na maioria das vezes vendidos ao um real da época ou um pouco mais; livros novos, às vezes abatidos apenas por um pouco de poeira ou por novas edições.</p><p>O segundo, é me apaixonar por livros com títulos diferentes, nem que essa paixão só dure até a leitura das orelhas deles.</p><p><em>Uma breve história de tratores em ucraniano</em> é título que dispensa comentários: uma aberração total, principalmente porque eu desconhecia a autora (Marina Lewycka). Somente fui ver algo sobre ela no Google antes de escrever este texto, para não parecer tão ignorante a ponto de não saber de quem se tratava e pagar o mico caso ela fosse escritora renomada.</p><p>Gamei no título, gostei da orelha e o livro me foi muitíssimo interessante.</p><p>É a estória – história? – de ucranianos vivendo no Reino Unido, onde foram parar por vários motivos. A trama central é de um ucraniano viúvo de 84 anos que quer se casar com uma ucraniana de 36 anos, “voluptuosa e interesseira”.</p><p>O não convencional pretendido casamento traz à tona diferenças familiares, leva-nos a imaginar como seria se fosse nosso pai, relembra-nos a velhice que vem para quem pode esperá-la, aponta para problemas reais e atuais de países que não conseguem manter seus talentos, enfim, um livro que se passa muito mais que no Reino Unido ou na Ucrânia.</p><p>As birras do macróbio enamorado, as dúvidas, as brigas e ciúmes das filhas, situações políticas e burocráticas, tudo isso numa leitura divertida e sem pretensões senão de apresentar um argumento através de um excelente enredo – e não pensem que se trata de uma comédia -, por meio de uma narrativa é interessantíssima.</p><p>Por que o título? Bom, não há segredo a respeito, nem é fato principal, a conclusão não se altera ou depende dele, entretanto, acho que eu tiraria uma das muitas graças da leitura dessa obra se o explicasse agora.</p><p>Esses ucranianos são demais!</p><div class="addthis_toolbox addthis_default_style " addthis:url='http://www.caotico.com.br/uma-breve-historia-dos-tratores-em-ucraniano/' addthis:title='Uma breve história dos tratores em ucraniano '  ><a class="addthis_button_facebook_like" fb:like:layout="button_count"></a><a class="addthis_button_tweet"></a><a class="addthis_button_google_plusone" g:plusone:size="medium"></a><a class="addthis_counter addthis_pill_style"></a></div>]]></content:encoded> <wfw:commentRss>http://www.caotico.com.br/uma-breve-historia-dos-tratores-em-ucraniano/feed/</wfw:commentRss> <slash:comments>7</slash:comments> </item> <item><title>Ideias para onde passar o fim do mundo</title><link>http://www.caotico.com.br/ideias-para-onde-passar-o-fim-do-mundo/</link> <comments>http://www.caotico.com.br/ideias-para-onde-passar-o-fim-do-mundo/#comments</comments> <pubDate>Wed, 24 Nov 2010 18:52:34 +0000</pubDate> <dc:creator>Inácio França</dc:creator> <category><![CDATA[Leituras Caóticas]]></category> <category><![CDATA[Distrito Federal]]></category> <category><![CDATA[literatura brasileira]]></category> <category><![CDATA[literatura contemporânea]]></category> <category><![CDATA[prêmio Jabuti]]></category><guid isPermaLink="false">http://www.caotico.com.br/?p=1103</guid> <description><![CDATA[João Almino é cientista político, diplomata e romancista, o que, convenhamos, é um currículo respeitável. Seu romance de estréia, Ideias para onde passar o fim do mundo, publicado em 1987, chegou à final do Prêmio Jabuti, ganhou o prêmio do Instituto Nacional do Livro e o Candango de Literatura. Depois, outro romance lhe rendeu uma [...]<div class="addthis_toolbox addthis_default_style " addthis:url='http://www.caotico.com.br/ideias-para-onde-passar-o-fim-do-mundo/' addthis:title='Ideias para onde passar o fim do mundo '  ><a class="addthis_button_facebook_like" fb:like:layout="button_count"></a><a class="addthis_button_tweet"></a><a class="addthis_button_google_plusone" g:plusone:size="medium"></a><a class="addthis_counter addthis_pill_style"></a></div>]]></description> <content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.caotico.com.br/wp-content/uploads/2010/11/ideiasjpg.jpg"><img class="alignright size-full wp-image-1111" title="ideias,jpg" src="http://www.caotico.com.br/wp-content/uploads/2010/11/ideiasjpg.jpg" alt="" width="139" height="217" /></a>João Almino é cientista político, diplomata e romancista, o que, convenhamos, é um currículo respeitável. Seu romance de estréia, <em>Ideias para onde passar o fim do mundo</em>, publicado em 1987, chegou à final do Prêmio Jabuti, ganhou o prêmio do Instituto Nacional do Livro e o Candango de Literatura. Depois, outro romance lhe rendeu uma viagem a Cuba para receber o prestigiadíssimo prêmio Casa de Las Américas. E isso, definitivamente, não é pouca coisa.</p><p>O autor é respeitado, o romance foi premiado, mas preciso ser sincero, mesmo sob pena de cometer uma heresia literária ou passar o recibo de burro: <em>Ideias para onde passar o fim do mundo </em>é um livro chato ao ponto de ter sido necessária uma contagem regressiva para chegar ao final da leitura. Às noites, depois de muito esforço para ler 10 ou 12 páginas, fazia as contas e, esperançoso, reclamava em silêncio: “ai ai ai, agora só faltam quarenta e tantas páginas”.</p><p>O problema é que eu gosto de uma história bem contada. E <em>Ideias</em>, apesar de muito bem escrito, não conta história alguma. São capítulos e mais capítulos da psicologia, pensamentos e angústia dos personagens de perfis representativos da população de Brasília: a moça nordestina que volta grávida para casa, a vidente nascida no norte de Goiás, a filha do político, a irmã do político, a mulher do político, o galã mau-caráter e segue por aí.</p><p>Muito psicologismo, alguma imaginação e nada de história. Pelo jeito, essa parece ter sido a atenção do autor, fazer uma história aberta, sem final pronto &#8211; proposta revelada no préfácio, na orelha e pelas confissões de um dos narradores do romance. Menos história, menos trama e muita reflexão sobre as gerações de brasilienses. Pode ser que isso seja algo genial, como dizem os críticos e resenhistas. Em minha modesta opinião, só valeu a intenção.</p><p>Outro aspecto bastante elogiado pelo pessoal que entende mais de literatura do que eu, é a estrutura do romance, com um narrador morto que ora está no corpo de um dos personagens no passado, ora está vivo e interrompe a narrativa para comentar atos ou pensamentos dos personagens. Interessante, mas não entusiasma. Pelo menos, não a mim.</p><p>A estrutura narrativa é tão valorizada que valeu até um prefácio da cientista social Walnice Nogueira Galvão, que tenta explicar e seduzir o leitor para o que irá encontrar mais adiante. Confesso que isso já me deixou desconfiado: um romance com prefácio! Para quê? Acredito que o autor já estava na defensiva e tentou se justificar.</p><p>Apesar disso, o livro tem algumas boas sacadas no meio das angústias e dúvidas, além de belas imagens, como a do imenso céu de Brasília que faz todos os caminhos trilhados na infância pela jovem nordestina parecerem estreitos e curtos. Nada que me faça seguir o conselho do meu amigo Cláudio Machado, pernambucano desterrado na capital federal e que me emprestou seu exemplar, de procurar o restante da obra de João Almino. Aliás, foi Cláudio que me emprestou seu exemplar (que eu anotei todo) quando me hospedou em seu apartamento no final de setembro.  Aposto que vou decepcioná-lo com minha sinceridade.</p><p><strong>Sobre o escritor</strong></p><p><a href="http://www.caotico.com.br/wp-content/uploads/2010/11/joao-almino.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-1105" title="joao-almino" src="http://www.caotico.com.br/wp-content/uploads/2010/11/joao-almino.jpg" alt="" width="180" height="200" /></a></p><p>João Almino nasceu em Mossoró, há 60 anos, mas está em Brasília há um tempão. Além de romances como <em>Cidade Livre </em>e<em> As Cinco Estações do Amor</em>, tem obras nas áreas de História e Filosofia Política.</p><div class="addthis_toolbox addthis_default_style " addthis:url='http://www.caotico.com.br/ideias-para-onde-passar-o-fim-do-mundo/' addthis:title='Ideias para onde passar o fim do mundo '  ><a class="addthis_button_facebook_like" fb:like:layout="button_count"></a><a class="addthis_button_tweet"></a><a class="addthis_button_google_plusone" g:plusone:size="medium"></a><a class="addthis_counter addthis_pill_style"></a></div>]]></content:encoded> <wfw:commentRss>http://www.caotico.com.br/ideias-para-onde-passar-o-fim-do-mundo/feed/</wfw:commentRss> <slash:comments>6</slash:comments> </item> </channel> </rss>
<!-- Performance optimized by W3 Total Cache. Learn more: http://www.w3-edge.com/wordpress-plugins/

Minified using disk: basic
Page Caching using disk: enhanced
Database Caching 21/30 queries in 0.394 seconds using disk: basic

Served from: www.caotico.com.br @ 2012-02-08 13:31:48 -->
