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	<title>Caótico &#187; literatura policial</title>
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	<description>Espaço de leituras,  histórias &#38; especulações &#124; Por Inácio França</description>
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		<title>Maldição e glória</title>
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		<pubDate>Tue, 03 Aug 2010 13:21:57 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Inácio França</dc:creator>
				<category><![CDATA[Leituras Caóticas]]></category>
		<category><![CDATA[Bienal do Livro]]></category>
		<category><![CDATA[coleção vaga-lume]]></category>
		<category><![CDATA[editora Ática]]></category>
		<category><![CDATA[Edmundo Donato]]></category>
		<category><![CDATA[literatura juvenil]]></category>
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		<category><![CDATA[Livraria Brasiliense]]></category>
		<category><![CDATA[Marcos Rey]]></category>
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		<description><![CDATA[Dei por encerrada a entrevista com Marcos Rey e, antes que ele me largasse sozinho na mesa, pedi permissão para falar algo que não tinha nada a ver com a pequena matéria que iria escrever para o Diário de Pernambuco. - Queria lhe dizer que o senhor e Júlio Verne são os dois principais responsáveis [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.caotico.com.br/wp-content/uploads/2010/08/maldiçãoeglória1.jpg"><img class="alignright size-full wp-image-835" title="maldiçãoeglória" src="http://www.caotico.com.br/wp-content/uploads/2010/08/maldiçãoeglória1.jpg" alt="" width="122" height="194" /></a>Dei por encerrada a entrevista com Marcos Rey e, antes que ele me largasse sozinho na mesa, pedi permissão para falar algo que não tinha nada a ver com a pequena matéria que iria escrever para o Diário de Pernambuco.</p>
<p>- Queria lhe dizer que o senhor e Júlio Verne são os dois principais responsáveis pelo meu amor por livros. Fiz questão de entrevistá-lo para poder agradecer pelos livros que escreveu.</p>
<p>Ele riu, todo sem jeito. Vai ver não esperava uma tietagem tão escancarada por parte de um adulto. Então perguntou qual o livro que tinha me atraído tanto.</p>
<p>- O primeiro de todos foi <em>O mistério do cinco estrelas</em>. Depois, eu ficava esperando aparecer mais um livro seu na Coleção Vaga-Lume.</p>
<p>Fiquei com a impressão que minha resposta não o surpreendeu. Acabou assim minha conversa com um dos escritores que cresci admirando, num final de tarde de maio de 1998, no barulhento stand da editora Ática na Bienal de São Paulo. O gordinho e baixinho Marcos Rey levantou-se e saiu caminhando com dificuldade, amparado pela esposa, que havia ficado por perto durante a entrevista.</p>
<p>Ao vê-lo ir embora, logo me arrependi não ter comprado um exemplar do livro<em> </em>e pedido um autógrafo. Depois de ter concluído a leitura de <em>Maldição e glória, </em>biografia de Rey escrita pelo jornalista Carlos Maranhão, lamentei ainda mais não ter aproveitado a oportunidade.</p>
<p>Nunca li a obra “adulta”, ou a “literatura séria” de Marcos Rey, mas foi principalmente por conta de romances como <em>Memórias de um gigolô </em>que ele foi eleito o “Intelectual do Ano” em 1996. Só isso já é o bastante para avaliar a importância.</p>
<p>A leitura da biografia também revela outro aspecto fundamental do seu trabalho: ele escreveu para o rádio, foi redator publicitário, de TV, e até no cinema de pornochanchada e teve competência suficiente para levar elementos de linguagem de um veículo para os outros. Com isso, também já daria para considerá-lo um grande escritor.</p>
<p>Marcos Rey foi além e fez algo que, acredito, inédito na literatura brasileira: ele usou a linguagem das ruas, do mundo da prostituição, da noite e das bebedeiras para fazer literatura para adolescentes. Isso é difícil que só a gota-serena, principalmente porque nunca perdeu tempo dando lições de moral ou exemplos edificantes. Seu grande achado foi apenas contar histórias tão bem contadas que ajudou a milhares de meninas e meninos como eu a se transformarem em adultos tarados por livros.</p>
<p>A história da vida do contador de histórias foi contada com competência por Carlos Maranhão, que foi tão despretensioso no texto quanto o biografado. Sem firulas, ele apresenta os fatos que de maneira bem concatenada, como quem monta um corrente, elo por elo.</p>
<p>Ele adotou um recurso inteligente para conduzir o leitor as dores e alegrias do escritor, oferecendo um gancho ao fim de cada capítulo, sempre deixando um janela entreaberta para despertar a curiosidade.</p>
<p>Maranhão só perdeu a mão uma vez. Isso aconteceu ao narrar o início do namoro entre Palma e Rey, ou melhor, Edmundo Donato, seu nome verdadeiro. Senti falta de uma coisa: o que se passou pelo coração e pela alma da moça que, inicialmente, sentia repulsa física por Marcos e depois passa a se interessar por ele. Como ela passou da rejeição ao amor? Coisas de quem se interessa mais pelos fatos do que por sentimentos. Defeito do jornalismo.</p>
<p>Foram as virtudes do jornalismo, porém, que possibilitaram uma narrativa tão rica. Com as ferramentas que aprendeu a dominar nas redações das revistas onde trabalhou, ele teceu uma senhora reportagem. Digo “teceu” porque o livro é resultante de uma costura muito bem feita de conversas, leituras de livros e consultas a documentos.</p>
<p>Ao meu vínculo adolescente com a obra do escritor, é preciso acrescentar o fato que Marcos Rey viveu a maior parte de suas vidas pelas ruas e praças do centro de São Paulo.</p>
<p>Na mesma praça Dom José Gaspar, onde tomava umas com a intelectualidade paulistana dos anos 50 e 60, quase todos os dias eu tomava um mate com leite no mesmíssimo prédio onde funcionava o Paribar.</p>
<p>Na Livraria Brasiliense da Barão de Itapetininga, também comprei muitos livros com a ajuda de Rubens, um velho vendedor de livros que havia trabalhado com Caio Prado Júnior e com o filho deste, Caio Graco. O baixinho Rubens telefonava para a redação do Diário Popular, ali pertinho, sempre que chegava um livro que suspeitava ser do meu agrado.</p>
<p>Na noite da rua Bento Freitas, onde jantou com a esposa pela primeira vez, cansei de ir às boates (puteiros, vá lá) My Love ou My Flower, sempre acompanhado de Celso Membribes Sávio, velho repórter do Diário Popular, que me ensinou muitas coisas do importantes do jornalismo, principalmente que só se deve pagar bebida para as putas se for Campari. Por quê? Porque, como é amargo pra cacete, elas demoram mais a esvaziar o copo, aí o dinheiro rende.</p>
<p>Os episódios que se passavam nesses locais me fez rever fachadas, escutar barulhos, sentir os cheiros de um tempo de intenso aprendizado e de felicidade fácil de carregar.</p>
<p>A biografia possui outro mérito, pois revela para o público um segredo guardado a sete chaves por Marcos Rey ao longo de toda sua vida. Logo em seus primeiros capítulos, encontrei a explicação para os dedos retorcidos e para o andar cambaleante que me tanto me intrigaram naquela tarde em que o entrevistei.</p>
<p>Como muitas pessoas, achei que ele sofria de algum tipo de artrose ou paralisia. Errei feio.</p>
<p><strong>Sobre o escritor</strong></p>
<p><strong><a href="http://www.caotico.com.br/wp-content/uploads/2010/08/maldiçãomaranhão.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-836" title="maldiçãomaranhão" src="http://www.caotico.com.br/wp-content/uploads/2010/08/maldiçãomaranhão.jpg" alt="" width="160" height="160" /></a><br />
</strong></p>
<p>Carlos Maranhão é jornalista, atualmente editor da revista <em>Veja São Paulo</em>, mas já passou por várias outras redações da editora Abril (toc toc toc).</p>
<ul>
<li><a href="http://www.marcosrey.com.br/"><strong>Clique aqui para visitar a página de Marcos Rey, criada por sua viúva Palma Bevilácqua</strong></a></li>
</ul>
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		<title>Meus Lugares Escuros, na visão de Hugo Figueiredo</title>
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		<pubDate>Fri, 26 Feb 2010 00:21:25 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Inácio França</dc:creator>
				<category><![CDATA[Loucos por livros]]></category>
		<category><![CDATA[crimes misteriosos]]></category>
		<category><![CDATA[James Ellroy]]></category>
		<category><![CDATA[literatura americana]]></category>
		<category><![CDATA[literatura policial]]></category>
		<category><![CDATA[mistério]]></category>
		<category><![CDATA[romance noir]]></category>

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		<description><![CDATA[Depois que escrevi sobre Meus Lugares Escuros, o livro autobiográfico de James Ellroy (o mesmo sujeito que escreveu Los Angeles Cidade Proibida), o jornalista Hugo Figueiredo, diretor de comunicação da prefeitura de Olinda, ficou interessado e pediu o livro emprestado. Foi a deixa para eu criar uma regra do Caótico: o livro tem de ser [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Depois que escrevi sobre <em>Meus Lugares Escuros, </em>o livro autobiográfico de James Ellroy (o mesmo sujeito que escreveu <em>Los Angeles Cidade Proibida), </em>o jornalista Hugo Figueiredo, diretor de comunicação da prefeitura de Olinda, ficou interessado e pediu o livro emprestado. Foi a deixa para eu criar uma regra do Caótico: o livro tem de ser devolvido acompanhado de um texto sobre o mesmo.</strong></p>
<p><strong>Essa semana, Hugo entregou seu texto de estreia no blog.</strong></p>
<p style="text-align: center;"><strong>*****<br />
</strong></p>
<p><strong><a href="http://www.caotico.com.br/wp-content/uploads/2010/02/lugares_escuros.jpg"><img class="alignright size-full wp-image-595" title="lugares_escuros" src="http://www.caotico.com.br/wp-content/uploads/2010/02/lugares_escuros.jpg" alt="" width="150" height="227" /></a>por Hugo Figueiredo</strong></p>
<p>Alheio a qualquer tipo de crítica profissional e sem conhecimento profundo das técnicas literárias, expresso aqui minha opinião, apenas, como mero leitor que sou.</p>
<p>Não posso deixar de confessar a frustração que senti em relação ao livro <em>Meus Lugares Escuros</em>, de James Ellroy.  A obra tinha tudo para ser um dos melhores romances policiais que já li na minha vida.  O escritor consegue, através de um relato autobiográfico de sua vida (perfeito, por sinal), voltar no tempo e investigar a morte de sua mãe.</p>
<p>Nunca tinha lido algo com tanta riqueza de detalhes como <em>Meus Lugares Escuros</em> , detalhes estes que chegavam a beirar a monotonia em alguns momentos, como nomes de bares, ruas, avenidas e pessoas, mas que terminavam se tornando imprescindíveis para dar maior veracidade a narrativa. As minúcias eram tantas que, ás vezes, me pegava dentro do livro como se estivesse vivenciado as cenas daquela história.</p>
<p>Neste livro, Ellroy conseguiu transmitir toda história de sua vida, seus medos, suas agonias, suas privações, suas necessidades, seus amores&#8230; E o mais importante de tudo: ter encontrado na escrita o verdadeiro sentido da vida.</p>
<p>Mas, voltemos ao lado do romance policial investigativo do livro. Tudo caminhava muito bem. A trama se desenrolava tudo dentro dos conformes. <em>Meus Lugares Escuros</em> conseguia fazer meus olhos arderem de tanto ler e me prendia diante das páginas, cada vez mais cheias de suspense.</p>
<p>Porém, já no final do livro, eis que chega minha frustração. Quando li a 448ª página pensei, por um momento, em virar a folha, mas vi que <em>Meus Lugares Escuros</em> tinha chegado ao final e que ele continuaria escuro, pelo menos até a próxima publicação. A sensação era de que tinham rasgado as últimas páginas. Coloquei as mãos sobre a cabeça e gritei: “Não acredito, quem matou a mãe desse porra?”.</p>
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		<title>Maigret é coisa de cinema</title>
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		<pubDate>Fri, 27 Nov 2009 00:52:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Inácio França</dc:creator>
				<category><![CDATA[Leituras Caóticas]]></category>
		<category><![CDATA[Georges Simenon]]></category>
		<category><![CDATA[Jules Maigret]]></category>
		<category><![CDATA[literatura francesa]]></category>
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		<description><![CDATA[Um potiguar chamado Tião costuma visitar o blog Estuário, de Samarone, onde ficou sabendo da existência desse Caótico aqui. Dia desses, ele deixou um comentário numa postagem que nem lembro mais qual foi. Aí, descobri e passei a visitar de vez em quando o Sopão do Tião, que vem a ser o blog dele. Numa [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignleft size-medium wp-image-519" title="maigret7" src="http://www.caotico.com.br/wp-content/uploads/2009/11/maigret7-228x350.jpg" alt="maigret7" width="123" height="189" />Um potiguar chamado Tião costuma visitar o blog Estuário, de Samarone, onde ficou sabendo da existência desse Caótico aqui. Dia desses, ele deixou um comentário numa postagem que nem lembro mais qual foi. Aí, descobri e passei a visitar de vez em quando o <a href="http://www.sopaodotiao.blogspot.com/">Sopão do Tião</a>, que vem a ser o blog dele. Numa dessas visitas, cheguei ao blog do crítico de cinema do jornal Estado de S. Paulo, o senhor Luiz Carlos Merten.</p>
<p>Pois bem, no blog mantido sob a responsa de <a href="http://blog.estadao.com.br/blog/merten/?title=a_louca_de_maigret&amp;more=1&amp;c=1&amp;tb=1&amp;pb=1">Merten no portal do Estadão</a>, encontrei o assunto dessa postagem: George Simenon e seu comissário <a href="http://www.caotico.com.br/maigret/">Maigret</a>, tema de um dos primeiros textos que publiquei, há uns quatro meses mais ou menos.</p>
<p>Mesmo correndo o risco de me repetir, agarrei a deixa do Merten e volto à Maigret, o mais humano e imperfeito dos detetives da ficção policial. Imperfeito como detetive, perfeito como personagem. O problema é que estou viciado em Maigret, só de sexta para segunda-feira, li dois livretos da série que está sendo publicada pela L&amp;PM: <em>A Fúria de Maigret</em> e <em>Maigret e seu Morto</em>.</p>
<p>Viciado como estou, fiquei satisfeitíssimo ao encontrar o elogio de Merten à obra de Simenon, que ele define como um autor capaz de criar grandes diálogos. O crítico paulista revela que, após ler um dos livrinhos, resolveu fazer uma breve pesquisa para tentar saber se as histórias do personagem já tinham ido parar no cinema, pois não acreditava que “um material tão bom nunca tivesse sido filmado”.</p>
<p>Numa página na internet, descobriu que o personagem foi parar na TV incontáveis vezes. No Japão, inclusive. Mas, para sua – e minha – surpresa, nunca no cinema. Quem já leu alguma história do comissário da Polícia Judiciária de Paris entenderá o quanto isso é surpreendente.</p>
<p>Além dos excelentes diálogos, há muitos outros elementos na ficção de Simenon capazes de fazer salivar qualquer bom diretor. A última novela que li, por exemplo, <em>Maigret e seu morto</em>, é um roteiro quase pronto, pedindo para ser filmado, com ação, violência &#8211; sem exagero nem apelação no uso desses ingredientes &#8211; e um pouco de disputa pelo poder nos bastidores da investigação. Uma beleza para Hollywood.</p>
<p>Até agora, esse <em>Maigret e seu morto </em>foi o melhor.</p>
<p>Em outras histórias, como <em>As Férias de Maigret</em>, que li há uns dois meses, o autor carregou na tensão, com direito a uma corrida contra o tempo num cenário cheio de luz, sol, cores.</p>
<p>Nesse livro, aliás, é fácil perceber o domínio que Simenon das técnicas literárias e da arte de contar histórias. Inicialmente, quando o detetive ainda tateia, duvidando até mesmo se realmente houve um crime, a trama parece não andar. Depois, a velocidade com que as coisas passam a acontecer, é ditada pela pressa do detetive, pela angústia de saber que precisa resolver logo a questão. Quem lê, é arrastado por Maigret.</p>
<p>Ação, violência, tensão, intriga, ritmo e cenários diferentes. Falta mais algum elemento cinematográfico? Faltam mulheres nuas. Não há problema, tem de sobra na <em>Fúria de Maigret. </em>Ia esquecendo, em<em> Maigret e seu morto </em>tem sexo e um tantinho assim de putaria.</p>
<p>Ah, o Maigret da foto lá em cima, é o ator francês Jean Gabin.</p>
<ul>
<li><a href="http://www.trussel.com/maig/gauteure.htm"><strong>Clique para saber mais sobre Maigret na TV (em inglês)</strong></a></li>
<li><strong><a href="http://www.lpm-editores.com.br/v3/site/default.asp">Clique aqui para conhecer a coleção completa de Maigret</a></strong></li>
</ul>
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		<title>O Maior Crime da Terra &amp; Canibais</title>
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		<pubDate>Wed, 09 Sep 2009 19:55:03 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Inácio França</dc:creator>
				<category><![CDATA[Leituras Caóticas]]></category>
		<category><![CDATA[antropófagos]]></category>
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		<description><![CDATA[É preciso dar um desconto para o título, coisa de gaúcho, que é um povo bem parecido com o pernambucano no ufanismo e na mania de grandeza, mas O Maior Crime da Terra é um livro sobre um crime tão grotesco que é difícil crer que tenha ocorrido mesmo. Só dá para acreditar porque o [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignright size-full wp-image-341" title="20002449" src="http://www.caotico.com.br/wp-content/uploads/2009/09/20002449.gif" alt="20002449" width="121" height="178" />É preciso dar um desconto para o título, coisa de gaúcho, que é um povo bem parecido com o pernambucano no ufanismo e na mania de grandeza, mas <em>O Maior Crime da Terra </em>é um livro sobre um crime tão grotesco que é difícil crer que tenha ocorrido mesmo. Só dá para acreditar porque o autor, Décio Freitas, era um historiador respeitado tanto no Sul quanto pelas bandas de cá.</p>
<p>Peço perdão para quem entrou no site hoje pensando em ler mais um texto sobre algum clássico latino-americano, mas é que eu tenho um fraco por literatura policial e sobre histórias de crimes misteriosos. O tempo que trabalhei como repórter de polícia do extinto Diário Popular, em São Paulo, reforçou meu gosto por esse tema, que nos coloca diante dos extremos do ser humano.</p>
<p>Voltemos ao que interessa.</p>
<p>Até o ano de 1996, a história das lingüiças de carne de gente, quitute preferido de nove entre dez moradores da Porto Alegre do século XIX, era considerada pelos gaúchos como uma lenda urbana, algo como a “perna cabeluda” aqui no Recife. Até que Freitas escacavilhou documentos da Justiça e arquivos dos jornais para comprovar que, realmente, o açougueiro José Ramos, um homem educado e culto para os padrões da época, existiu e matava os homens que sua mulher gostosa seduzia para sua casa, desossava cada um deles e fazia deliciosos embutidos de carne levemente adocicada. Os fregueses – e também candidatos a matéria-prima – faziam fila na frente do açougue.</p>
<p>É preciso considerar sempre que <em>O Maior Crime&#8230; </em>é um livro escritor por um historiador, ou seja, a linguagem e o ritmo nem sempre são muito envolventes, mas se minha memória não falha, é isso que o torna mais interessante: as notas de rodapé e as citações dos documentos históricos nos fazem lembrar, a todo instante, que aqueles absurdos não foram imaginados por algum roteirista maluco.</p>
<p>O que mais me intriga nessa trama é o seu forte ingrediente erótico. A mulher do açougueiro, Catarina, era uma loira natural, de fechar comércio. Ela era a isca. A macharia perdia a cabeça – desculpe pelo trocadilho óbvio, mas foi inevitável – e se arrastava atrás dela em sua casa na rua do Arvoredo, que mudou de nome e hoje fica no centrão da capital gaúcha.</p>
<p>Aí vem o mais instigante. Primeiro, os homens comiam metaforicamente Catarina, depois eram abatidos a machadadas para serem comidos literalmente.</p>
<p>Que vínculo unia esse casal? Qual dos dois teve a ideia de armar esses crimes? Como convenceu o outro a topar a empreitada? Será que o primeiro crime foi casual, depois que o açougueiro flagrou um chifre ou os dois planejaram o negócio? Quaisquer que sejam as respostas para essas interrogaões, decididamente, não dá para dizer que a história é fraca.</p>
<p><img class="alignright size-full wp-image-342" title="canibais" src="http://www.caotico.com.br/wp-content/uploads/2009/09/canibais.jpg" alt="canibais" width="120" height="203" />Como não sou o único tarado confesso em atividade, oito anos depois que o historiador Décio lançou seu livro, um jornalista do Zero Hora chamado David Coimbra, editor e colunista de esportes, pesquisou os costumes da sociedade da época, acrescentou um personagens ficcionais e escreveu um romance a partir dos fatos reais, misturando verdades históricas e verdades imaginadas.</p>
<p>Dias desses encontrei esse romance lançado no formato de bolso e, inicialmente, pensei se tratar do outro livro em nova edição, com um novo título, mas dei uma folheada e descobri nas páginas finais que o Coimbra mencionava muito respeitosamente o volume do Décio. Comprei na hora.</p>
<p>O título do romance de Coimbra, <em>Canibais</em>, tem tanto apelo comercial quanto o de Freitas, mas é de leitura mais atraente, afinal de contas nivelar a linguagem mais ao gosto do leitor médio é uma coisa que jornalista sabe fazer.</p>
<p>Apesar de <em>Canibais </em>ter sido escrito com mais cuidado e recursos técnicos, gostei mais de ler o livro de Décio Freitas, provavelmente por causa da atmosfera realística criada pelo texto quase acadêmico. Na verdade, confesso minha inveja, pois aposto que escrever (ou reescrever) a história dos crimes do açougueiro devem ter sido tão prazeroso para o autor quanto foi para José Ramos matar suas vítimas.</p>
<p><strong>Sobre os escritores</strong></p>
<p><img class="alignnone size-full wp-image-343" title="Décio Freitas" src="http://www.caotico.com.br/wp-content/uploads/2009/09/Décio-Freitas.jpg" alt="Décio Freitas" width="185" height="240" /></p>
<p>Décio Freitas era historiador e advogado. A militância no Partido Comunista Brasileiro o levou para o exílio no Uruguai após o golpe militar de 1964, onde começou a escrever o livro <em>Palmares, a Guerrilha Negra, </em>que o tornou respeitado pelo Movimento Negro, pois reuniu informações e documentos que comprovam a existência de Zumbi dos Palmares. Morreu em Porto Alegre, há cinco anos.</p>
<p><img class="alignnone size-medium wp-image-344" title="david_coimbra1" src="http://www.caotico.com.br/wp-content/uploads/2009/09/david_coimbra1-350x262.jpg" alt="david_coimbra1" width="215" height="161" /></p>
<p>David Coimbra (na foto acima, é o que está sem chupeta) é colunista e Diretor de Esportes do jornal gaúcho Zero Hora. Além de <em>Canibais </em>escreveu livros-reportagens como <em>Atravessando a Escuridão, </em>livros de crônicas e sobre a história do clássico Gre-Nal. No portal do ZH, mantêm <a href="http://www.clicrbs.com.br/blog/jsp/default.jsp?uf=1&amp;local=1&amp;source=DYNAMIC,blog.BlogDataServer,getBlog&amp;pg=1&amp;template=3948.dwt&amp;tp=&amp;section=Blogs&amp;blog=219&amp;tipo=1&amp;coldir=1&amp;topo=3951.dwt">um ótimo blog com histórias muito bem escritas sobre futebol</a>.</p>
<ul>
<li><a href="http://videochat.globo.com/GVC/arquivo/0,,GO7519-3362,00.html"><strong>Chat com David Coimbra o livro <em>Canibais </em>realizado pela Globo.com</strong></a></li>
<li><strong><a href="http://www.rabisco.com.br/colunas/latim/latim37.htm">Resenha sobre <em>O Maior Crime da Terra </em>no site Rabisco</a></strong></li>
<li><strong><a href="http://www.rabisco.com.br/colunas/latim/latim27.htm">Perfil de Décio Freitas no site Rabisco</a><br />
</strong></li>
</ul>
<p><strong><em><br />
</em></strong></p>
<p><em><br />
</em></p>
]]></content:encoded>
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		<title>Meus Lugares Escuros</title>
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		<pubDate>Sun, 06 Sep 2009 14:29:50 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Inácio França</dc:creator>
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		<category><![CDATA[noir americano]]></category>

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		<description><![CDATA[Imagine um garotinho de 10 anos que mora sozinho com a mãe desquitada. Pronto? Agora, imagine a dor e o vazio desse menino quando sua mãe é encontrada morta, estrangulada, numa rua esquisita, depois de sair para dançar e tentar arrumar um namorado. Se deu para imaginar o menino e seu sofrimento, tente compreender a [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignright size-medium wp-image-331" title="lugares_escuros" src="http://www.caotico.com.br/wp-content/uploads/2009/09/lugares_escuros-251x350.jpg" alt="lugares_escuros" width="119" height="167" />Imagine um garotinho de 10 anos que mora sozinho com a mãe desquitada. Pronto? Agora, imagine a dor e o vazio desse menino quando sua mãe é encontrada morta, estrangulada, numa rua esquisita, depois de sair para dançar e tentar arrumar um namorado.</p>
<p>Se deu para imaginar o menino e seu sofrimento, tente compreender a coragem desse garoto já adulto e escritor reconhecido, investigando o homicídio da mãe e escrevendo sobre tudo isso quase 40 anos depois.</p>
<p>Esse escritor raçudo &#8211; e o garotinho solitário que ainda parece existir dentro dele &#8211; é James Ellroy, um craque da atual literatura policial norte-americana. E o livro autobiográfico que resultou do esforço para virar pelo avesso o fato mais importante de sua vida é <em>Meus Lugares Escuros.</em></p>
<p>Passei uns anos paquerando esse livro, pois o título, a sinopse e o pouco que já conhecia sobre Ellroy inflacionaram minha expectativa. Até que, no final de 2006, quando estava prestes a enfrentar dias de viagem pelo sertão da Paraíba numa caravana do Unicef, botei o danado na mala.</p>
<p>Essa decisão me transformou num ser antissocial, esquisitão. No ônibus, corria o risco de enjoar e vomitar o almoço só para ficar lendo; nas paradas para dormir, meus companheiros de quarto tinham de suportar a luz ligada noite adentro. O pior é que enfrentamos vários trechos por estrada de terra, o que atrapalhava a leitura e aumentava a dor-de-cabeça, estimulando os agourentos que faziam questão de lembrar o risco iminente de um deslocamento de retina.</p>
<p>Se eu tivesse vomitado ou sofrido algum trauma na vista, a culpa seria toda de Ellroy, que é um daqueles que seguram o leitor pela garganta logo na primeira página e logo na primeira página me arrastou pelos detalhes sórdidos que envolvem o crime e a investigação da morte de sua mãe, que não viveu o bastante para ser chamada de <em>dona </em>Geneva.</p>
<p>Existem autores como <a href="http://www.caotico.com.br/a-tregua/">Mário Benedetti</a> que carregam o leitor pela mão, com suavidade, doçura. Ellroy não, Ellroy é um cavalo batizado.</p>
<p><em>Meus Lugares Escuros </em>é um prato cheio para psicólogas, psicoterapeutas e psiquiatras. O livro pode ter nascido por recomendação de um terapeuta ou então foi um jeito que ele encontrou para economizar dinheiro com essas coisas, pois foi escrevendo essa história que o escritor exorcizou, ou pelo menos tentou exorcizar, os fantasmas que atormentaram sua adolescência e juventude.</p>
<p>No final das contas, ele não conseguiu descobrir quem matou sua mãe, o motivo do crime ou sequer o que ela fazia e vivia nas noites da periferia de Los Angeles, mas bem que ele tentou. Chegou até a contratar um ex-policial para continuar a busca por alguma pista que ajudasse a esclarecer o homicídio, cujo processo mofava nas gavetas de um arquivo da Polícia, e divulgou e-mail e endereço no final do livro. Uma garrafa lançada no mar do esquecimento.</p>
<p>As investigações fracassaram, é verdade, mas acredito que, ao colocar o ponto final na última linha do último parágrafo, o adulto James teve a certeza de que sua mãe não estava mais sozinha ou esquecida. E o menino passou a viver em paz dentro dele.</p>
<p><strong>Sobre o escritor</strong></p>
<p><img class="alignnone size-medium wp-image-332" title="jamesellroy3" src="http://www.caotico.com.br/wp-content/uploads/2009/09/jamesellroy3-275x350.jpg" alt="jamesellroy3" width="162" height="207" /></p>
<p>Depois do assassinato da mãe, James Ellroy foi viver com o pai, um sujeito negligente, preguiçoso e enrolão, como ele mesmo detalha num dos capítulos de <em>Meus Lugares Escuros</em>. O maior mérito do velho foi ter jogado um livro na mão do filho, o que despertou sua vontade enlouquecida de escrever. Esse gol o pai marcou aos 45 do segundo tempo, pois ainda adolescente James já tinha bebido hectolitros de uísque e invadia casas vazias para cheirar calcinhas. Ele é é tarado mesmo, como pode ser comprovado em outros livros que se tornaram sucesso no cinema: <em>Los Angeles Cidade Proibida </em>e <em>Dália Negra.</em></p>
<ul>
<li><a href="http://epoca.globo.com/edic/19990607/cult7.htm"><strong>Resenha sobre o livro publicada pela  revista Época</strong></a></li>
<li><a href="http://www.cinereporter.com.br/noticias/james-ellroy-uma-biografia/"><strong>Um pouco mais sobre Ellroy no site Cine Repórter</strong></a></li>
<li><strong><a href="http://www.overmundo.com.br/overblog/pescando-perolas-de-james-ellroy">Texto sobre a obra de Ellroy no site Overmundo</a></strong></li>
</ul>
<p><strong><br />
</strong></p>
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		<title>Maigret</title>
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		<pubDate>Mon, 29 Jun 2009 15:00:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Inácio França</dc:creator>
				<category><![CDATA[Leituras Caóticas]]></category>
		<category><![CDATA[Agatha Christie]]></category>
		<category><![CDATA[Georges Simenon]]></category>
		<category><![CDATA[Jules Maigret]]></category>
		<category><![CDATA[literatura policial]]></category>
		<category><![CDATA[Maigret]]></category>
		<category><![CDATA[policial]]></category>

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		<description><![CDATA[A literatura policial foi fundamental para que eu tomasse gosto pela leitura. É bem verdade que, aos 13 ou 14 anos, o que eu devorava mesmo eram os livros de Júlio Verne publicados pelas Edições de Ouro, que descobri nos anúncios das Palavras Cruzadas que minha mãe, Eliana, fazia. Porém, antes da Volta ao Mundo [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignright size-full wp-image-103" title="Maigret" src="http://www.caotico.com.br/wp-content/uploads/2009/06/Maigret.jpg" alt="Maigret" width="155" height="239" /></p>
<p>A literatura policial foi fundamental para que eu tomasse gosto pela leitura. É bem verdade que, aos 13 ou 14 anos, o que eu devorava mesmo eram os livros de Júlio Verne publicados pelas Edições de Ouro, que descobri nos anúncios das Palavras Cruzadas que minha mãe, Eliana, fazia. Porém, antes da <em>Volta ao Mundo em 80 dias</em> ou das <em>20.000 Léguas Submarinas</em>, a literatura policial entrou na minha vida quanto completei 12 anos.</p>
<p>No meu aniversário, em 1980, meu tio Lauro França, que trabalhava na editora Ática me presenteou com todos os livros até então publicados da coleção Vagalume. <em>Spharion</em> e <em>O Escaravelho do Diabo</em> entre eles. Com esse último, experimentei pela primeira vez a sensação de ter sido absorvido por um livro. Meus pais viviam preocupados porque deixava de comer para ficar lendo.</p>
<p>Com 14 anos, aprendi a andar pelo centro do Recife, pois tinha que ir a pé do Salesiano até a avenida Nossa Senhora do Carmo para pegar o ônibus QG Aeronáutica. Morava na fronteira entre a Imbiribeira e Boa Viagem, só o QG me deixava perto de casa. De tanto andar pela Boa Vista, descobri a loja da Edições de Ouro na rua do Hospício, mais precisamente no Edifício Olímpia, onde hoje existe uma loja de material esportivo.</p>
<p>Abandonei o hábito de lanchar todas as tardes para economizar dinheiro. Diariamente, juntava umas moedas. Em outubro (não tenho certeza se em  1983 ou 1984), somei minhas economias a um dinheirinho dado como presente pela minha avó Dolores e comprei a coleção completa de Sherlock Holmes. Eram 14 livros de bolso, com capa preta, branca e vermelha. Belíssimos.</p>
<p>Também li um pouco de Agatha Christie, mas não submergi nela, apesar de Miss Marple e Poirot merecerem um bom mergulho. O problema é que chegou a faculdade e a necessidade de criar uma imagem de intelectual comunista, fundamental para conquistar respeito e o mulherio nos cursos de Jornalismo do final dos anos 80. Depois, já casado e com filhos, botei na cabeça que tinha quer ler os clássicos e literatura mais “séria”. Babaquice.</p>
<p>Acabei relegando ao segundo plano o prazer que me dá o romance policial. E olhe que, na época, eu era repórter de polícia em São Paulo. Pelo que lembro, vai ver eu queria parecer mais “culto”  e sofisticado do que meus colegas de redação ou os próprios policiais com quem convivia.</p>
<p>Por causa dessas preocupações ridículas, não segui o conselho de um chefe na sucursal paulista do Globo, Luiz Carlos Azedo (que atualmente apresenta um programa na TV Brasil): “Leia Simenon. Ele concilia a trama policial, política e os processos sociais. Simenon vai ajudá-lo a construir melhor seu texto”. Na época, era repórter de Polícia.</p>
<p>O tempo passou e, já aos 29, 30 anos, tracei o noir americano de Raymond Chandler, Dashiell Hammett, Ross MacDonald e os mais recentes Elmore Leonard e James Ellroy. Até hoje amargo arrependimento por não ter tirado uma foto abaixo da placa da Dashiell Hammett Street, em San Francisco.</p>
<p>Eu não sabia que faltava Simenon e seu Jules Maigret. Só fui entender isso quando li um volume de uma coleção de bolso, que comprei por R$ 8,00 num supermercado.</p>
<p>O que torna o comissário Maigret um lindo personagem é sua humanidade.</p>
<p>Maigret é um detetive sem método definido. Durante uma investigação, ele erra, se emociona, se cansa, às vezes nem consegue interpretar sua intuição, porém, o importante  mesmo, é sua capacidade de escutar e compreender o outro. O melhor de Maigret está no fato dele estar disposto a entender e até mesmo viver a vida da vítima, dos suspeitos e das testemunhas.</p>
<p>A formação humanística do belga Georges Simenon, previamente anunciada no prólogo dos livretos, transborda em seu detetive, um sujeito que precisa lidar com seus suas próprias limitações para conviver com os extremos do ser humano. Azedo estava parcialmente certo: a transformação social está presente nos romances de Simenon, como no volume <em>Morte na Alta Sociedade</em>, ou a política, ingrediente que atrapalha o detetive em <em>A Primeira Investigação de Maigret</em>. O mais interessante de sua criação é o próprio personagem.</p>
<h3>Sobre o escritor</h3>
<div id="attachment_98" class="wp-caption alignnone" style="width: 296px"><img class="size-full wp-image-98" title="Georges Simenon" src="http://www.caotico.com.br/wp-content/uploads/2009/06/simenon.jpg" alt="simenon" width="286" height="172" /><p class="wp-caption-text">Georges Simenon em foto do The Guardian</p></div>
<p>Georges Joseph Christian Simenon escreveu 84 aventuras de Maigret, além de outros  136 romances ou contos. É um dos autores mais traduzidos do planeta. Começou a escrever ainda adolescente para o jornal de sua cidade-natal, Liége, na Bélgica. Morreu em 1989, aos 86 anos de idade.</p>
<ul>
<li><a href="http://www.livrariadocrime.com.br/?secao=biografia&amp;cd_autor=111">Pequena biografia de Georges Simenon no site Livraria do Crime</a></li>
</ul>
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