<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?> <rss version="2.0" xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/" xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/" xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/" xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom" xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/" xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/" ><channel><title>Caótico &#187; literatura policial</title> <atom:link href="http://www.caotico.com.br/tags/literatura-policial/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" /><link>http://www.caotico.com.br</link> <description>Espaço de leituras,  histórias &#38; especulações &#124; Por Inácio França</description> <lastBuildDate>Tue, 31 Jan 2012 15:28:23 +0000</lastBuildDate> <language>en</language> <sy:updatePeriod>hourly</sy:updatePeriod> <sy:updateFrequency>1</sy:updateFrequency> <xhtml:meta xmlns:xhtml="http://www.w3.org/1999/xhtml" name="robots" content="noindex" /> <item><title>Raymond Chandler e as neblinas suspeitas</title><link>http://www.caotico.com.br/raymond-chandler-e-as-neblinas-suspeitas/</link> <comments>http://www.caotico.com.br/raymond-chandler-e-as-neblinas-suspeitas/#comments</comments> <pubDate>Wed, 17 Aug 2011 20:54:03 +0000</pubDate> <dc:creator>Inácio França</dc:creator> <category><![CDATA[Loucos por livros]]></category> <category><![CDATA[biografia de escritores]]></category> <category><![CDATA[ficção policial]]></category> <category><![CDATA[literatura norte-americana]]></category> <category><![CDATA[literatura policial]]></category> <category><![CDATA[romance noir]]></category><guid isPermaLink="false">http://www.caotico.com.br/?p=1531</guid> <description><![CDATA[por Arsênio Meira Júnior À beira do abismo noir alguns tópicos singulares merecem nossa atenção. 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Exemplos? Dashiell Hammett parou de escrever aos quarenta anos; Raymond Chandler, seu maior pupilo, começou aos 45. Hammett levou uma vida digna de um seriado; a de Chandler, durante muito tempo, foi tão emocionante quanto uma ata de reunião do condomínio. Hammett freqüentou o submundo sobre o qual escrevia; Chandler esmiuçou esse submundo sem o conhecer nem por cartão-postal.</p><p>Na verdade, Chandler não queria maiores intimidades com esse ambiente, que considerava sórdido demais até para os soldados do Exército da Salvação. Por isso, criou um personagem lendário, o detetive Philip Marlowe, com um caráter e um modus operandi igualmente impermeáveis, e o mandou em seu lugar.</p><p>Com todas essas diferenças entre si – como o gim e o vermute – Hammett e Chandler fizeram uma revolução no romance policial: Hammett, com o <em>Falcão Maltes </em>(1930); Chandler, com o <em>Sono Eterno </em>(1939) e os outros seis fabulosos romances estrelados por Philip Marlowe. Hammett fez primeiro, mas Chandler – defendo eu – fez melhor.</p><p>Tão melhor que, graças a ele, a literatura do século 20 começou a exonerar o ranço com o qual os intelectuais de polainas apontavam o romance policial como o primo inconveniente do subúrbio. Logo, começaram a convidá-lo a entrar para a sala de jantar.</p><p>No caso de Chandler, o soco-inglês nem precisou ser revestido de ouropel. Ao contrário de Hammett, que desistiu de tudo, Chandler cuidou pessoalmente para que seus livros fossem respeitados e, quando morreu, em 1959, aos 71 anos, tinha fãs nos altos escalões da inteligência.</p><p>Analogias que pegariam mal na literatura alheia, soam como música na “voz” do detetive Philip Marlowe, seu protagonista-narrador por excelência. “O álcool é como o amor”, diz ele. “O primeiro beijo é mágico, o segundo, sugestivo, o terceiro já é rotina. Depois disso, você tira a roupa da moça.” Se o estilo é assim, afiado, não há estereótipo que estrague a diversão do leitor.<em></em></p><p>O temível Edmundo Wilson, que estava se lixando para saber quem matou ou quem não matou Roger Ackroyd, escreveu que os livros de Chandler “pertenciam às prateleiras mais sérias” das <strong><em>e</em></strong>stantes; o (grande) poeta W.H Auden disse que eles deveriam ser lidos “não como literatura escapista, mas como obras de arte”; e os homens das cavernas universitárias até hoje não param de escavar o seu pensamento – sim, ele tinha um.</p><p>Os críticos não sabiam, e por ignorância e preconceito perderam (mais uma vez) o bonde da História.</p><p>Raymond Chandler foi uma das grandes personalidades da literatura americana do século XX.  Pontificou no gênero policial noir, uma vertente, digamos assim, mais intimista e realista do que aquele tipo de literatura de “crime e mistério” que surgiu com Poe, Conan Doyle e Chesterton e que teve seguidores célebres como Agatha Christie, Ruth Rendell, Rex Stout.</p><p>Chandler e seu mestre Dashiell Hammett desprezavam comparações com os seus colegas de ofício. Seus romances não tinham como elemento-chave o investigador super arguto e suas deduções geniais.</p><p>Em vez de um elegante Hercule Poirot, de um curioso Padre Brown, um impressionante Sherlock ou seu pai literário, o inspetor Dupin, de Edgar Alan Poe, o que se vê lá pela página sete são homens comuns (ou quase) tentando ganhar a vida trabalhando por “25 dólares por dia, mais despesas”.</p><p>Raymond Thornton Chandler nasceu a 23 de Julho de 1888 em Chicago, Illinois nos Estados Unidos. O pai bebia muito e sumiu de vista quando o menino tinha apenas seis anos, fazendo com que a família se mudasse para a Inglaterra. O que acabou não sendo mau negócio.</p><p>Chandler passava verões solitários na Irlanda, freqüentava a Igreja Anglicana e ia à escola. Aos doze anos, estudava matemática, latim, francês, música, teologia e história inglesa no Dulwich College. Jogava rúgbi e críquete e, algum tempo depois, dedicou-se também a aprender alemão e espanhol. Com quinze anos, passava horas lendo Virgílio, Cícero, Ovídio, Tucídides, Platão, Aristófanes e o Evangelho de São Marcos. Tudo no original. Até hoje não se sabe como Chandler conseguiu escapar do sacerdócio ou da clausura dos monges eremitas.</p><p>Adulto, passou a virar-se como podia: trabalhou como funcionário público na Marinha e depois como jornalista, escrevendo poemas e artigos aborrecidos sobre assuntos de política européia.  Voltou aos Estados Unidos para encarar o trabalho manual em um rancho de damascos, e conseguiu – sabe-se lá como &#8211; consertar raquetes de tênis.</p><p>Como bom filho, tão somente após o óbito de sua querida mãe, se envolveu dantescamente com Cissy Pascal, uma mulher mais velha – e, digamos, de vanguarda (ela posava nua e virava noites bebendo e dançando) – com quem acabaria se casando algum tempo depois.</p><p>O casamento trouxe-lhe responsabilidades. Começou a trabalhar como contador e foi logo promovido a um cargo importante de vice-presidência.</p><p>A partir daí, tudo apontava o futuro de uma vida tranqüila, mas a bebida, o assédio constante às mulheres do trabalho e as conseqüências econômicas devastadoras da Grande Depressão ( o pipoco da bolsa de valores dos EUA em 1929) fizeram com que ele acabasse sumariamente demitido.</p><p>Foi exatamente neste ponto do ano de 1933, com quarenta e cinco anos e sem um dólar furado no bolso, que Raymond Chandler decidiu escrever histórias de detetive para sobreviver. As “pulp magazines” da época pagavam razoavelmente bem, de maneira que ele passou a se dedicar febril e intensamente ao ofício de tecer a ficção.</p><p>O que não foi nada fácil, a princípio. Ninguém gosta de lidar com as próprias limitações e Chandler também teve de passar por esse processo nada prazeroso – mas essencial – de entender que a sua educação clássica e os anos cosmopolitas na Europa não o habilitavam automaticamente a produzir uma boa história.</p><p>Assim, humildemente (ou quase), mergulhou nos grandes autores ingleses e franceses, buscando também conhecer toda a parte técnica do escuso mundo dos crimes; mundo este que lhe era tão familiar quanto a peculiar biologia das moscas drosófilas. Não obstante, lia grossos tomos de medicina legal e direito criminal, pesquisava detalhes sobre armas e, em pouco tempo, familiarizou-se com os procedimentos policiais de rotina.</p><p>E o fato é que toda essa dedicação acabou lhe dando muito mais bagagem do que a média descartável dos escritores que contribuíam para as revistas pulp. Os editores da Black Mask ficaram espantados com a qualidade e o perfeccionismo do primeiro manuscrito encaminhado.</p><p>Até a sua datilografia era irretocável, sem uma rasura sequer. Foram imediatamente encomendados mais textos e o resto é história: Raymond Chandler emplacaria 10 contos na revista, tornando-se em pouco tempo o seu colaborador mais importante.</p><p>Em 1938, percebeu o óbvio ululante: urgia escrever um romance. E Chandler não fugiu da dividida, pois assinou, de prima, <em>O Sono Eterno</em>, o primeiro dos sete romances que imortalizariam o detetive Philip Marlowe. Seguiriam <em>Adeus, minha adorada</em>, publicado em 1940, J<em>anela para a morte</em>, 1942, <em>A dama do Lago</em>, 1943, <em>A irmãzinha</em>, 1949, <em>O longo adeus</em>, em 1953 e <em>Playback</em> sua obra crepuscular.</p><p>Com o sucesso dos contos publicados na Black Mask e o êxito nas vendas do seu primeiro romance, Raymond Chandler passou a ser bastante conhecido no meio dos escritores populares.</p><p><a href="http://www.caotico.com.br/wp-content/uploads/2011/08/PhilipMarlowe_S1.jpg"><img class="alignright size-medium wp-image-1533" title="PhilipMarlowe_S1" src="http://www.caotico.com.br/wp-content/uploads/2011/08/PhilipMarlowe_S1-243x350.jpg" alt="" width="184" height="264" /></a>Em 1941, vendeu para Hollywood os direitos de <em>Adeus, minha adorada</em>, e iniciou um tempestuoso relacionamento com os estúdios de cinema.</p><p>Foi contratado pela Paramount para colaborar em um roteiro com o mítico Diretor Billy Wilder e, de cara, as coisas acabaram não dando lá muito certo. Raymond era controlador e já chegou querendo dar palpites sobre tudo: da iluminação à cenografia e aos movimentos de câmera. Wilder, que era controlador e meio, o chamou de idiota, e por uns instantes os sismógrafos tremeram.</p><p>Wilder ficou furioso e a relação caminhou aos trancos a partir dali. Ele irritava-se com a fumaça do cachimbo de Chandler, que em contrapartida queria apenas partir em mil pedaços a varinha de bambu que Wilder girava entre os dedos enquanto caminhava, durante as longas reuniões de trabalho.</p><p>Mas o cinema pagava fábulas em dólares, e Chandler, com o nariz tapado, serviria ainda de consultor a Howard Hawks na adaptação de <em>O Sono Eterno</em>, que teve a atuação de Humphrey Bogart como Philip Marlowe, embora viesse a sustentar anos depois a opinião de que Cary Grant seria o ator perfeito para representar o seu detetive no cinema. (Em 1950, chegou também a ser contratado por Alfred Hitchcock, que em pouco tempo percebeu o problema em que havia se metido e, sem suspense algum, o fez substituir por alguém menos genioso.)</p><p>Habilidoso na construção de personagens plausíveis, misteriosos e enigmáticos, e em meio ao tonel de situações corrompidas que ele via escorrer mundo afora, não se curvou à vitória do mal: alguém precisava pagar pelos pecados alheios e trancafiar os pecadores nas masmorras da justiça, nem que fosse por vinte e cinco dólares ao dia, mais despesas para o café e o cigarro.</p><p>Em meio a um universo de escroques, chantagistas, pornógrafos, assassinos, cafténs, charlatões das mais variadas Escolas, ninfomaníacas, políticos e policiais cretinos, nasceu o herói que jamais se dobraria a esse profícuo cardápio humano. E foi assim que Chandler imortalizou a figura de Philip Marlowe, um cavaleiro andante moderno, tentando segurar a barra da humanidade em meio ao sangue derramado nas vielas obscuras.</p><p>Chandler era um mestre com as palavras, mas apenas isso não seria suficiente para torná-lo o grande escritor que ele efetivamente foi. Embora não desse muita importância à trama, os seus enredos eram muito bem-construídos, com suspense, ação e boas reviravoltas.</p><p>Philip Marlowe é mesmo um personagem imortal. Com os seus intocáveis 38 anos, Marlowe veste-se bem, fuma desbragadamente e bebe qualquer coisa que não seja doce (segundo Chandler, ele encararia “a oferta de crème de menthe como um insulto”).</p><p>Toma muito café – “amargo como o pecado”, e é dolorosamente íntegro, como Chandler o definiu em <em>O sono Eterno</em>; e, vale ressaltar, cobrava 25 dólares ao dia, mais despesas, mas não aceitava casos de divórcio nem sob a mira de uma escopeta. O homem acreditava piamente na instituição do casamento.</p><p>Marlowe não é um intelectual (nem teria tempo, com tanta neblina suspeita ao seu redor), mas tem cultura suficiente de uma boa formação humanista. E são deliciosas as passagens e diálogos em que cita Samuel Pepys, Proust, Shakespeare, Dante, Kafka, Scott Fitzgerald, Coleridge, Flaubert, Keats e Browning. Fala de Jung, Freud e faz pouco da psicanálise. E trata de música, de Chopin a Bach, discorrendo sobre a performance de Schnapel e Rubinstein em obras de Mozart.</p><p>Em <em>O longo adeus</em>, resume com uma facada a sua opinião da arte moderna: “Às três da manhã eu andava de um lado para o outro ouvindo Khachaturyan trabalhar em uma fábrica de tratores. Ele chamava aquilo de um concerto para violino. Eu chamava de uma correia solta e, em silêncio pensava: que o inferno acabe com ela.”</p><p>E tratava os clientes ricos a tapas e pontapés, o que levou boa parte da crítica marxista a lhe atribuir “uma certa consciência social proletária.” Chandler gargalhou em alto e bom tom, e sem maiores delongas, dizimou-os: “Agora existem pessoas me dizendo que eu tenho uma consciência social. P. Marlowe tem tanta consciência social quanto um cavalo. Ele tem consciência pessoal, o que é completamente diferente. Teve até um sujeito que me informou de que eu poderia escrever um bom romance proletário; no meu mundo limitado não existe esse animal, e se houvesse, eu seria a última pessoa no mundo a gostar dele, sendo por tradição e muito estudo um completo esnobe”.</p><p>Depois da morte da esposa Cissy, Raymond desabou definitivamente. Escrevia pouco ou quase nada e castigava seu corpo bebendo das 6 da manhã até apagar. Bebia conhaque, whisky, gim ou perfume. Vivendo entre Londres e os Estados Unidos, com a saúde em pandarecos, não resistiu a uma forte pneumonia e morreu no início da primavera de 1959.</p><p>Mas o tempo lhe foi fiel. Ao eternizar o seu grande amigo, e de certa forma, irmão gêmeo, Philip Marlowe, fez justiça ao escritor que, entre socos e pontapés, enxergou nas neblinas suspeitas o vulto de um clarão a que chamamos esperança.</p><div class="addthis_toolbox addthis_default_style " addthis:url='http://www.caotico.com.br/raymond-chandler-e-as-neblinas-suspeitas/' addthis:title='Raymond Chandler e as neblinas suspeitas '  ><a class="addthis_button_facebook_like" fb:like:layout="button_count"></a><a class="addthis_button_tweet"></a><a class="addthis_button_google_plusone" g:plusone:size="medium"></a><a class="addthis_counter addthis_pill_style"></a></div>]]></content:encoded> <wfw:commentRss>http://www.caotico.com.br/raymond-chandler-e-as-neblinas-suspeitas/feed/</wfw:commentRss> <slash:comments>6</slash:comments> </item> <item><title>Memórias de Maigret</title><link>http://www.caotico.com.br/memorias-de-maigret/</link> <comments>http://www.caotico.com.br/memorias-de-maigret/#comments</comments> <pubDate>Sun, 10 Apr 2011 15:13:43 +0000</pubDate> <dc:creator>Inácio França</dc:creator> <category><![CDATA[Leituras Caóticas]]></category> <category><![CDATA[criação literária]]></category> <category><![CDATA[ficção]]></category> <category><![CDATA[Georges Simenon]]></category> <category><![CDATA[literatura francesa]]></category> <category><![CDATA[literatura policial]]></category> <category><![CDATA[viver & escrever]]></category><guid isPermaLink="false">http://www.caotico.com.br/?p=1297</guid> <description><![CDATA[Nos últimos tempos, quando não sei exatamente o que ler ou estou com a vida aperriada demais, busco refúgio nas historinhas curtas com as investigações do comissário Maigret. 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Semana passada, aconteceu de novo.</p><p>Da pilha de livros da coleção de bolso com as novelas de Georges Simenon, o único que sobrou incólume era <em>Memórias de Maigret</em>. Mergulhei nele e caí de cabeça na surpresa. Não há crimes nem trama policial nesse volume da série e sim revelações a respeito dos métodos do próprio escritor, que dá vida ao famoso personagem para revelar um pouco – ou muito &#8211; do seu processo criativo, principalmente daquilo que ele chama de “verdade inventada”, mais fácil de ser percebida como verdadeira do que a própria verdade &#8220;real&#8221;.</p><p>Simenon é de uma transparência cristalina. Sem teorização nem pra-quê-isso, ele abre as cortinas do seu ofício, escancara seus segredos. Para isso, usa um recurso curioso e bem-humorado: ele troca de lugar com seu personagem. Ou melhor, vira personagem e Maigret, autor.</p><p>Nesse tira-teima entre criador e criatura, o escritor confessa como, na virada da década de 40 para a de 50, enxergava sua própria arrogância juvenil. Maigret descreve Simenon como um jovem cheio de certezas e de autoconfiança no tempo em que começou publicou seus primeiros romances, entre as duas guerras mundiais.</p><p><a href="http://www.caotico.com.br/wp-content/uploads/2011/04/Simenon.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-1299" title="Simenon" src="http://www.caotico.com.br/wp-content/uploads/2011/04/Simenon-350x247.jpg" alt="" width="239" height="168" /></a>Em seguida, é implacável consigo mesmo: admite que o tempo e a vida o transformaram num homem lento, pesado, que demora a dar uma opinião, que fala com hesitação. Muito parecido com o próprio personagem. Em primeira pessoa, Maigret delicia-se com isso, sente-se vingado do jovem presunçoso de outros tempos.</p><p>Em várias ocasiões em que Maigret questiona se, como ele, outras pessoas também imaginam que poderiam dar um novo rumo às suas vidas, se poderiam ter outra vida, ou seja, fazer outras coisas completamente diferentes daquelas que fazem todos os dias. É bem verdade que o personagem jamais pensou em repetir a carreira do pai e largou um curso de medicina para entrar na polícia, mas esse dúvida parecia sair da boca do escritor.</p><p>Por razões que contarei na próxima atualização do blog, esse questionamento de Maigret balançou minhas já precárias estruturas.</p><p>Para quem como eu tem a pretensão de, um dia, viver de escrever, as <em>Memórias de Maigret</em>, serviu como um livro didático, uma apostila sobre o processo criativo de um grande contador de histórias que confessa que, aos 20 e poucos anos, tinha a pretensão de escrever “semiliteratura”, mas que não tina coragem de assinar seus livros com o próprio nome enquanto não fosse capaz de fazer ao menos isso.</p><p>Como Simenon na juventude, se um dia eu conseguir escrever algo que pudesse ser classificado como semiliteratura, tava bom demais.</p><div class="addthis_toolbox addthis_default_style " addthis:url='http://www.caotico.com.br/memorias-de-maigret/' addthis:title='Memórias de Maigret '  ><a class="addthis_button_facebook_like" fb:like:layout="button_count"></a><a class="addthis_button_tweet"></a><a class="addthis_button_google_plusone" g:plusone:size="medium"></a><a class="addthis_counter addthis_pill_style"></a></div>]]></content:encoded> <wfw:commentRss>http://www.caotico.com.br/memorias-de-maigret/feed/</wfw:commentRss> <slash:comments>2</slash:comments> </item> <item><title>Maigret e o corpo sem cabeça</title><link>http://www.caotico.com.br/maigret-e-o-corpo-sem-cabeca/</link> <comments>http://www.caotico.com.br/maigret-e-o-corpo-sem-cabeca/#comments</comments> <pubDate>Sun, 26 Dec 2010 15:07:59 +0000</pubDate> <dc:creator>Inácio França</dc:creator> <category><![CDATA[Leituras Caóticas]]></category> <category><![CDATA[Canal Saint-Martin]]></category> <category><![CDATA[França]]></category> <category><![CDATA[Georges Simenon]]></category> <category><![CDATA[humanismo]]></category> <category><![CDATA[literatura policial]]></category> <category><![CDATA[Paris]]></category> <category><![CDATA[romance policial]]></category><guid isPermaLink="false">http://www.caotico.com.br/?p=1156</guid> <description><![CDATA[Antes do Caótico ir ao ar para valer, o texto sobre meu apego à literatura policial já estava pronto, só esperando o designer Anízio dar o sinal verde para publicá-lo. Na época, meados de 2009, tinha acabado de descobrir as novelas de Georges Simenon sobre as investigações da sua maior criação, o comissário Jules Maigret. [...]<div class="addthis_toolbox addthis_default_style " addthis:url='http://www.caotico.com.br/maigret-e-o-corpo-sem-cabeca/' addthis:title='Maigret e o corpo sem cabeça '  ><a class="addthis_button_facebook_like" fb:like:layout="button_count"></a><a class="addthis_button_tweet"></a><a class="addthis_button_google_plusone" g:plusone:size="medium"></a><a class="addthis_counter addthis_pill_style"></a></div>]]></description> <content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.caotico.com.br/wp-content/uploads/2010/12/maigret-corpo-sem-cabeça.jpg"><img class="alignright size-full wp-image-1157" title="maigret corpo sem cabeça" src="http://www.caotico.com.br/wp-content/uploads/2010/12/maigret-corpo-sem-cabeça.jpg" alt="" width="130" height="216" /></a>Antes do Caótico ir ao ar para valer, <a href="http://www.caotico.com.br/maigret/">o texto sobre meu apego à literatura policial</a> já estava pronto, só esperando o designer Anízio dar o sinal verde para publicá-lo. Na época, meados de 2009, tinha acabado de descobrir as novelas de Georges Simenon sobre as investigações da sua maior criação, o comissário Jules Maigret. Poucos meses depois, escrevi sobre as vastas <a href="http://www.caotico.com.br/maigret-e-coisa-de-cinema/">possibilidades cinematográficas da literatura de Simenon</a>. Então, para quê escrever o terceiro texto sobre o mesmo personagem?</p><p>Acontece que <em>Maigret e o corpo sem cabeça</em> merece essa deferência. Nunca li uma história policial como essa. E, pra quem é fissurado em literatura policial, desde os 14 anos, garanto que isso não é pouca coisa.</p><p>Pra começo de conversa, no segundo ou terceiro capítulo quase não há dúvidas sobre quem teria esquartejado um homem e jogado os pedaços do corpo no canal Saint-Martin, que acredito ser um dos muitos braços do rio Sena que cortam Paris. A cabeça do defunto sumiu, mas também há pouco o que discutir sobre a identidade do sujeito. Então, ficamos assim antes do meio do livro: sabemos quem é vítima, o perfil de quem matou, quem ajudou a matar e, finalmente, o motivo está mais ou menos delineado. E o mistério, afinal, onde fica?</p><p>Misteriosa é a natureza humana. E o comissário Maigret, tão humano que é quase impossível tratá-lo como simples personagem de ficção, faz de tudo para conhecê-la um pouco mais a cada investigação.</p><p>Os questionamentos do personagem sobre o que pode levar uma mulher comum vinda do interior e um trabalhador comum a matar, esquartejar e degolar são o fio condutor usado por Simenon para se colocar no lugar do outro ser humano. Maigret passa a investigar não a morte, mas a vida de cada um dos protagonistas do drama, revelando as dores, as angústias, as escolhas, os fracassos e as esperanças de que não vive como ele ou como que está ao seu redor no cotidiano.</p><p>Um juiz de instrução meticuloso, cumpridos das leis e das normas, é o contraponto para a alma aberta e generosa do comissário. Em outras novelas, esse juiz Coméliau é apenas um burocrata chato que implica com os métodos do famoso policial. Em <em>&#8230;o corpo sem cabeça</em>. Ele encarna o homem que possui carreira, bens, uma vida confortável e julga os outros a partir da sua ótica, da sua poltrona, da sua moral e da sua família “feliz”. Para Coméliau, não há sentimentos, dores ou desespero. Há mulheres pervertidas, homens maus e gente imoral. E ponto final.</p><p>Talvez seja exagero do meu coração mole e dos meus conhecimentos precários, mas cheguei ao final deste livreto com sensação semelhante aquela proporcionada por alguns clássicos da chamada literatura “séria”.</p><p>O título mórbido esconde uma leitura transformadora, talvez mais apropriada para estes festivos dias de Final de Ano, do que outras nomeadas com chavões piegas e melosos.</p><div class="addthis_toolbox addthis_default_style " addthis:url='http://www.caotico.com.br/maigret-e-o-corpo-sem-cabeca/' addthis:title='Maigret e o corpo sem cabeça '  ><a class="addthis_button_facebook_like" fb:like:layout="button_count"></a><a class="addthis_button_tweet"></a><a class="addthis_button_google_plusone" g:plusone:size="medium"></a><a class="addthis_counter addthis_pill_style"></a></div>]]></content:encoded> <wfw:commentRss>http://www.caotico.com.br/maigret-e-o-corpo-sem-cabeca/feed/</wfw:commentRss> <slash:comments>5</slash:comments> </item> <item><title>Maldição e glória</title><link>http://www.caotico.com.br/maldicao-e-gloria/</link> <comments>http://www.caotico.com.br/maldicao-e-gloria/#comments</comments> <pubDate>Tue, 03 Aug 2010 13:21:57 +0000</pubDate> <dc:creator>Inácio França</dc:creator> <category><![CDATA[Leituras Caóticas]]></category> <category><![CDATA[Bienal do Livro]]></category> <category><![CDATA[coleção vaga-lume]]></category> <category><![CDATA[editora Ática]]></category> <category><![CDATA[Edmundo Donato]]></category> <category><![CDATA[literatura juvenil]]></category> <category><![CDATA[literatura policial]]></category> <category><![CDATA[Livraria Brasiliense]]></category> <category><![CDATA[Marcos Rey]]></category> <category><![CDATA[São Paulo]]></category><guid isPermaLink="false">http://www.caotico.com.br/?p=833</guid> <description><![CDATA[Dei por encerrada a entrevista com Marcos Rey e, antes que ele me largasse sozinho na mesa, pedi permissão para falar algo que não tinha nada a ver com a pequena matéria que iria escrever para o Diário de Pernambuco. - Queria lhe dizer que o senhor e Júlio Verne são os dois principais responsáveis [...]<div class="addthis_toolbox addthis_default_style " addthis:url='http://www.caotico.com.br/maldicao-e-gloria/' addthis:title='Maldição e glória '  ><a class="addthis_button_facebook_like" fb:like:layout="button_count"></a><a class="addthis_button_tweet"></a><a class="addthis_button_google_plusone" g:plusone:size="medium"></a><a class="addthis_counter addthis_pill_style"></a></div>]]></description> <content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.caotico.com.br/wp-content/uploads/2010/08/maldiçãoeglória1.jpg"><img class="alignright size-full wp-image-835" title="maldiçãoeglória" src="http://www.caotico.com.br/wp-content/uploads/2010/08/maldiçãoeglória1.jpg" alt="" width="122" height="194" /></a>Dei por encerrada a entrevista com Marcos Rey e, antes que ele me largasse sozinho na mesa, pedi permissão para falar algo que não tinha nada a ver com a pequena matéria que iria escrever para o Diário de Pernambuco.</p><p>- Queria lhe dizer que o senhor e Júlio Verne são os dois principais responsáveis pelo meu amor por livros. Fiz questão de entrevistá-lo para poder agradecer pelos livros que escreveu.</p><p>Ele riu, todo sem jeito. Vai ver não esperava uma tietagem tão escancarada por parte de um adulto. Então perguntou qual o livro que tinha me atraído tanto.</p><p>- O primeiro de todos foi <em>O mistério do cinco estrelas</em>. Depois, eu ficava esperando aparecer mais um livro seu na Coleção Vaga-Lume.</p><p>Fiquei com a impressão que minha resposta não o surpreendeu. Acabou assim minha conversa com um dos escritores que cresci admirando, num final de tarde de maio de 1998, no barulhento stand da editora Ática na Bienal de São Paulo. O gordinho e baixinho Marcos Rey levantou-se e saiu caminhando com dificuldade, amparado pela esposa, que havia ficado por perto durante a entrevista.</p><p>Ao vê-lo ir embora, logo me arrependi não ter comprado um exemplar do livro<em> </em>e pedido um autógrafo. Depois de ter concluído a leitura de <em>Maldição e glória, </em>biografia de Rey escrita pelo jornalista Carlos Maranhão, lamentei ainda mais não ter aproveitado a oportunidade.</p><p>Nunca li a obra “adulta”, ou a “literatura séria” de Marcos Rey, mas foi principalmente por conta de romances como <em>Memórias de um gigolô </em>que ele foi eleito o “Intelectual do Ano” em 1996. Só isso já é o bastante para avaliar a importância.</p><p>A leitura da biografia também revela outro aspecto fundamental do seu trabalho: ele escreveu para o rádio, foi redator publicitário, de TV, e até no cinema de pornochanchada e teve competência suficiente para levar elementos de linguagem de um veículo para os outros. Com isso, também já daria para considerá-lo um grande escritor.</p><p>Marcos Rey foi além e fez algo que, acredito, inédito na literatura brasileira: ele usou a linguagem das ruas, do mundo da prostituição, da noite e das bebedeiras para fazer literatura para adolescentes. Isso é difícil que só a gota-serena, principalmente porque nunca perdeu tempo dando lições de moral ou exemplos edificantes. Seu grande achado foi apenas contar histórias tão bem contadas que ajudou a milhares de meninas e meninos como eu a se transformarem em adultos tarados por livros.</p><p>A história da vida do contador de histórias foi contada com competência por Carlos Maranhão, que foi tão despretensioso no texto quanto o biografado. Sem firulas, ele apresenta os fatos que de maneira bem concatenada, como quem monta um corrente, elo por elo.</p><p>Ele adotou um recurso inteligente para conduzir o leitor as dores e alegrias do escritor, oferecendo um gancho ao fim de cada capítulo, sempre deixando um janela entreaberta para despertar a curiosidade.</p><p>Maranhão só perdeu a mão uma vez. Isso aconteceu ao narrar o início do namoro entre Palma e Rey, ou melhor, Edmundo Donato, seu nome verdadeiro. Senti falta de uma coisa: o que se passou pelo coração e pela alma da moça que, inicialmente, sentia repulsa física por Marcos e depois passa a se interessar por ele. Como ela passou da rejeição ao amor? Coisas de quem se interessa mais pelos fatos do que por sentimentos. Defeito do jornalismo.</p><p>Foram as virtudes do jornalismo, porém, que possibilitaram uma narrativa tão rica. Com as ferramentas que aprendeu a dominar nas redações das revistas onde trabalhou, ele teceu uma senhora reportagem. Digo “teceu” porque o livro é resultante de uma costura muito bem feita de conversas, leituras de livros e consultas a documentos.</p><p>Ao meu vínculo adolescente com a obra do escritor, é preciso acrescentar o fato que Marcos Rey viveu a maior parte de suas vidas pelas ruas e praças do centro de São Paulo.</p><p>Na mesma praça Dom José Gaspar, onde tomava umas com a intelectualidade paulistana dos anos 50 e 60, quase todos os dias eu tomava um mate com leite no mesmíssimo prédio onde funcionava o Paribar.</p><p>Na Livraria Brasiliense da Barão de Itapetininga, também comprei muitos livros com a ajuda de Rubens, um velho vendedor de livros que havia trabalhado com Caio Prado Júnior e com o filho deste, Caio Graco. O baixinho Rubens telefonava para a redação do Diário Popular, ali pertinho, sempre que chegava um livro que suspeitava ser do meu agrado.</p><p>Na noite da rua Bento Freitas, onde jantou com a esposa pela primeira vez, cansei de ir às boates (puteiros, vá lá) My Love ou My Flower, sempre acompanhado de Celso Membribes Sávio, velho repórter do Diário Popular, que me ensinou muitas coisas do importantes do jornalismo, principalmente que só se deve pagar bebida para as putas se for Campari. Por quê? Porque, como é amargo pra cacete, elas demoram mais a esvaziar o copo, aí o dinheiro rende.</p><p>Os episódios que se passavam nesses locais me fez rever fachadas, escutar barulhos, sentir os cheiros de um tempo de intenso aprendizado e de felicidade fácil de carregar.</p><p>A biografia possui outro mérito, pois revela para o público um segredo guardado a sete chaves por Marcos Rey ao longo de toda sua vida. Logo em seus primeiros capítulos, encontrei a explicação para os dedos retorcidos e para o andar cambaleante que me tanto me intrigaram naquela tarde em que o entrevistei.</p><p>Como muitas pessoas, achei que ele sofria de algum tipo de artrose ou paralisia. Errei feio.</p><p><strong>Sobre o escritor</strong></p><p><strong><a href="http://www.caotico.com.br/wp-content/uploads/2010/08/maldiçãomaranhão.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-836" title="maldiçãomaranhão" src="http://www.caotico.com.br/wp-content/uploads/2010/08/maldiçãomaranhão.jpg" alt="" width="160" height="160" /></a><br /> </strong></p><p>Carlos Maranhão é jornalista, atualmente editor da revista <em>Veja São Paulo</em>, mas já passou por várias outras redações da editora Abril (toc toc toc).</p><ul><li><a href="http://www.marcosrey.com.br/"><strong>Clique aqui para visitar a página de Marcos Rey, criada por sua viúva Palma Bevilácqua</strong></a></li></ul><div class="addthis_toolbox addthis_default_style " addthis:url='http://www.caotico.com.br/maldicao-e-gloria/' addthis:title='Maldição e glória '  ><a class="addthis_button_facebook_like" fb:like:layout="button_count"></a><a class="addthis_button_tweet"></a><a class="addthis_button_google_plusone" g:plusone:size="medium"></a><a class="addthis_counter addthis_pill_style"></a></div>]]></content:encoded> <wfw:commentRss>http://www.caotico.com.br/maldicao-e-gloria/feed/</wfw:commentRss> <slash:comments>8</slash:comments> </item> <item><title>Meus Lugares Escuros, na visão de Hugo Figueiredo</title><link>http://www.caotico.com.br/meus-lugares-escuros-na-visao-de-hugo-figueiredo/</link> <comments>http://www.caotico.com.br/meus-lugares-escuros-na-visao-de-hugo-figueiredo/#comments</comments> <pubDate>Fri, 26 Feb 2010 00:21:25 +0000</pubDate> <dc:creator>Inácio França</dc:creator> <category><![CDATA[Loucos por livros]]></category> <category><![CDATA[crimes misteriosos]]></category> <category><![CDATA[James Ellroy]]></category> <category><![CDATA[literatura americana]]></category> <category><![CDATA[literatura policial]]></category> <category><![CDATA[mistério]]></category> <category><![CDATA[romance noir]]></category><guid isPermaLink="false">http://www.caotico.com.br/?p=594</guid> <description><![CDATA[Depois que escrevi sobre Meus Lugares Escuros, o livro autobiográfico de James Ellroy (o mesmo sujeito que escreveu Los Angeles Cidade Proibida), o jornalista Hugo Figueiredo, diretor de comunicação da prefeitura de Olinda, ficou interessado e pediu o livro emprestado. Foi a deixa para eu criar uma regra do Caótico: o livro tem de ser [...]<div class="addthis_toolbox addthis_default_style " addthis:url='http://www.caotico.com.br/meus-lugares-escuros-na-visao-de-hugo-figueiredo/' addthis:title='Meus Lugares Escuros, na visão de Hugo Figueiredo '  ><a class="addthis_button_facebook_like" fb:like:layout="button_count"></a><a class="addthis_button_tweet"></a><a class="addthis_button_google_plusone" g:plusone:size="medium"></a><a class="addthis_counter addthis_pill_style"></a></div>]]></description> <content:encoded><![CDATA[<p><strong>Depois que escrevi sobre <em>Meus Lugares Escuros, </em>o livro autobiográfico de James Ellroy (o mesmo sujeito que escreveu <em>Los Angeles Cidade Proibida), </em>o jornalista Hugo Figueiredo, diretor de comunicação da prefeitura de Olinda, ficou interessado e pediu o livro emprestado. Foi a deixa para eu criar uma regra do Caótico: o livro tem de ser devolvido acompanhado de um texto sobre o mesmo.</strong></p><p><strong>Essa semana, Hugo entregou seu texto de estreia no blog.</strong></p><p style="text-align: center;"><strong>*****<br /> </strong></p><p><strong><a href="http://www.caotico.com.br/wp-content/uploads/2010/02/lugares_escuros.jpg"><img class="alignright size-full wp-image-595" title="lugares_escuros" src="http://www.caotico.com.br/wp-content/uploads/2010/02/lugares_escuros.jpg" alt="" width="150" height="227" /></a>por Hugo Figueiredo</strong></p><p>Alheio a qualquer tipo de crítica profissional e sem conhecimento profundo das técnicas literárias, expresso aqui minha opinião, apenas, como mero leitor que sou.</p><p>Não posso deixar de confessar a frustração que senti em relação ao livro <em>Meus Lugares Escuros</em>, de James Ellroy.  A obra tinha tudo para ser um dos melhores romances policiais que já li na minha vida.  O escritor consegue, através de um relato autobiográfico de sua vida (perfeito, por sinal), voltar no tempo e investigar a morte de sua mãe.</p><p>Nunca tinha lido algo com tanta riqueza de detalhes como <em>Meus Lugares Escuros</em> , detalhes estes que chegavam a beirar a monotonia em alguns momentos, como nomes de bares, ruas, avenidas e pessoas, mas que terminavam se tornando imprescindíveis para dar maior veracidade a narrativa. As minúcias eram tantas que, ás vezes, me pegava dentro do livro como se estivesse vivenciado as cenas daquela história.</p><p>Neste livro, Ellroy conseguiu transmitir toda história de sua vida, seus medos, suas agonias, suas privações, suas necessidades, seus amores&#8230; E o mais importante de tudo: ter encontrado na escrita o verdadeiro sentido da vida.</p><p>Mas, voltemos ao lado do romance policial investigativo do livro. Tudo caminhava muito bem. A trama se desenrolava tudo dentro dos conformes. <em>Meus Lugares Escuros</em> conseguia fazer meus olhos arderem de tanto ler e me prendia diante das páginas, cada vez mais cheias de suspense.</p><p>Porém, já no final do livro, eis que chega minha frustração. Quando li a 448ª página pensei, por um momento, em virar a folha, mas vi que <em>Meus Lugares Escuros</em> tinha chegado ao final e que ele continuaria escuro, pelo menos até a próxima publicação. A sensação era de que tinham rasgado as últimas páginas. Coloquei as mãos sobre a cabeça e gritei: “Não acredito, quem matou a mãe desse porra?”.</p><div class="addthis_toolbox addthis_default_style " addthis:url='http://www.caotico.com.br/meus-lugares-escuros-na-visao-de-hugo-figueiredo/' addthis:title='Meus Lugares Escuros, na visão de Hugo Figueiredo '  ><a class="addthis_button_facebook_like" fb:like:layout="button_count"></a><a class="addthis_button_tweet"></a><a class="addthis_button_google_plusone" g:plusone:size="medium"></a><a class="addthis_counter addthis_pill_style"></a></div>]]></content:encoded> <wfw:commentRss>http://www.caotico.com.br/meus-lugares-escuros-na-visao-de-hugo-figueiredo/feed/</wfw:commentRss> <slash:comments>2</slash:comments> </item> <item><title>Maigret é coisa de cinema</title><link>http://www.caotico.com.br/maigret-e-coisa-de-cinema/</link> <comments>http://www.caotico.com.br/maigret-e-coisa-de-cinema/#comments</comments> <pubDate>Fri, 27 Nov 2009 00:52:51 +0000</pubDate> <dc:creator>Inácio França</dc:creator> <category><![CDATA[Leituras Caóticas]]></category> <category><![CDATA[Georges Simenon]]></category> <category><![CDATA[Jules Maigret]]></category> <category><![CDATA[literatura francesa]]></category> <category><![CDATA[literatura policial]]></category> <category><![CDATA[Maigret]]></category><guid isPermaLink="false">http://www.caotico.com.br/?p=518</guid> <description><![CDATA[Um potiguar chamado Tião costuma visitar o blog Estuário, de Samarone, onde ficou sabendo da existência desse Caótico aqui. Dia desses, ele deixou um comentário numa postagem que nem lembro mais qual foi. Aí, descobri e passei a visitar de vez em quando o Sopão do Tião, que vem a ser o blog dele. Numa [...]<div class="addthis_toolbox addthis_default_style " addthis:url='http://www.caotico.com.br/maigret-e-coisa-de-cinema/' addthis:title='Maigret é coisa de cinema '  ><a class="addthis_button_facebook_like" fb:like:layout="button_count"></a><a class="addthis_button_tweet"></a><a class="addthis_button_google_plusone" g:plusone:size="medium"></a><a class="addthis_counter addthis_pill_style"></a></div>]]></description> <content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignleft size-medium wp-image-519" title="maigret7" src="http://www.caotico.com.br/wp-content/uploads/2009/11/maigret7-228x350.jpg" alt="maigret7" width="123" height="189" />Um potiguar chamado Tião costuma visitar o blog Estuário, de Samarone, onde ficou sabendo da existência desse Caótico aqui. Dia desses, ele deixou um comentário numa postagem que nem lembro mais qual foi. Aí, descobri e passei a visitar de vez em quando o <a href="http://www.sopaodotiao.blogspot.com/">Sopão do Tião</a>, que vem a ser o blog dele. Numa dessas visitas, cheguei ao blog do crítico de cinema do jornal Estado de S. Paulo, o senhor Luiz Carlos Merten.</p><p>Pois bem, no blog mantido sob a responsa de <a href="http://blog.estadao.com.br/blog/merten/?title=a_louca_de_maigret&amp;more=1&amp;c=1&amp;tb=1&amp;pb=1">Merten no portal do Estadão</a>, encontrei o assunto dessa postagem: George Simenon e seu comissário <a href="http://www.caotico.com.br/maigret/">Maigret</a>, tema de um dos primeiros textos que publiquei, há uns quatro meses mais ou menos.</p><p>Mesmo correndo o risco de me repetir, agarrei a deixa do Merten e volto à Maigret, o mais humano e imperfeito dos detetives da ficção policial. Imperfeito como detetive, perfeito como personagem. O problema é que estou viciado em Maigret, só de sexta para segunda-feira, li dois livretos da série que está sendo publicada pela L&amp;PM: <em>A Fúria de Maigret</em> e <em>Maigret e seu Morto</em>.</p><p>Viciado como estou, fiquei satisfeitíssimo ao encontrar o elogio de Merten à obra de Simenon, que ele define como um autor capaz de criar grandes diálogos. O crítico paulista revela que, após ler um dos livrinhos, resolveu fazer uma breve pesquisa para tentar saber se as histórias do personagem já tinham ido parar no cinema, pois não acreditava que “um material tão bom nunca tivesse sido filmado”.</p><p>Numa página na internet, descobriu que o personagem foi parar na TV incontáveis vezes. No Japão, inclusive. Mas, para sua – e minha – surpresa, nunca no cinema. Quem já leu alguma história do comissário da Polícia Judiciária de Paris entenderá o quanto isso é surpreendente.</p><p>Além dos excelentes diálogos, há muitos outros elementos na ficção de Simenon capazes de fazer salivar qualquer bom diretor. A última novela que li, por exemplo, <em>Maigret e seu morto</em>, é um roteiro quase pronto, pedindo para ser filmado, com ação, violência &#8211; sem exagero nem apelação no uso desses ingredientes &#8211; e um pouco de disputa pelo poder nos bastidores da investigação. Uma beleza para Hollywood.</p><p>Até agora, esse <em>Maigret e seu morto </em>foi o melhor.</p><p>Em outras histórias, como <em>As Férias de Maigret</em>, que li há uns dois meses, o autor carregou na tensão, com direito a uma corrida contra o tempo num cenário cheio de luz, sol, cores.</p><p>Nesse livro, aliás, é fácil perceber o domínio que Simenon das técnicas literárias e da arte de contar histórias. Inicialmente, quando o detetive ainda tateia, duvidando até mesmo se realmente houve um crime, a trama parece não andar. Depois, a velocidade com que as coisas passam a acontecer, é ditada pela pressa do detetive, pela angústia de saber que precisa resolver logo a questão. Quem lê, é arrastado por Maigret.</p><p>Ação, violência, tensão, intriga, ritmo e cenários diferentes. Falta mais algum elemento cinematográfico? Faltam mulheres nuas. Não há problema, tem de sobra na <em>Fúria de Maigret. </em>Ia esquecendo, em<em> Maigret e seu morto </em>tem sexo e um tantinho assim de putaria.</p><p>Ah, o Maigret da foto lá em cima, é o ator francês Jean Gabin.</p><ul><li><a href="http://www.trussel.com/maig/gauteure.htm"><strong>Clique para saber mais sobre Maigret na TV (em inglês)</strong></a></li><li><strong><a href="http://www.lpm-editores.com.br/v3/site/default.asp">Clique aqui para conhecer a coleção completa de Maigret</a></strong></li></ul><div class="addthis_toolbox addthis_default_style " addthis:url='http://www.caotico.com.br/maigret-e-coisa-de-cinema/' addthis:title='Maigret é coisa de cinema '  ><a class="addthis_button_facebook_like" fb:like:layout="button_count"></a><a class="addthis_button_tweet"></a><a class="addthis_button_google_plusone" g:plusone:size="medium"></a><a class="addthis_counter addthis_pill_style"></a></div>]]></content:encoded> <wfw:commentRss>http://www.caotico.com.br/maigret-e-coisa-de-cinema/feed/</wfw:commentRss> <slash:comments>3</slash:comments> </item> <item><title>O Maior Crime da Terra &amp; Canibais</title><link>http://www.caotico.com.br/o-maior-crime-da-terra-canibais/</link> <comments>http://www.caotico.com.br/o-maior-crime-da-terra-canibais/#comments</comments> <pubDate>Wed, 09 Sep 2009 19:55:03 +0000</pubDate> <dc:creator>Inácio França</dc:creator> <category><![CDATA[Leituras Caóticas]]></category> <category><![CDATA[antropófagos]]></category> <category><![CDATA[canibais]]></category> <category><![CDATA[canibalismo]]></category> <category><![CDATA[David Coimbra]]></category> <category><![CDATA[Décio Freitas]]></category> <category><![CDATA[gaúchos]]></category> <category><![CDATA[literatura policial]]></category> <category><![CDATA[Porto Alegre]]></category><guid isPermaLink="false">http://www.caotico.com.br/?p=340</guid> <description><![CDATA[É preciso dar um desconto para o título, coisa de gaúcho, que é um povo bem parecido com o pernambucano no ufanismo e na mania de grandeza, mas O Maior Crime da Terra é um livro sobre um crime tão grotesco que é difícil crer que tenha ocorrido mesmo. Só dá para acreditar porque o [...]<div class="addthis_toolbox addthis_default_style " addthis:url='http://www.caotico.com.br/o-maior-crime-da-terra-canibais/' addthis:title='O Maior Crime da Terra &#38; Canibais '  ><a class="addthis_button_facebook_like" fb:like:layout="button_count"></a><a class="addthis_button_tweet"></a><a class="addthis_button_google_plusone" g:plusone:size="medium"></a><a class="addthis_counter addthis_pill_style"></a></div>]]></description> <content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignright size-full wp-image-341" title="20002449" src="http://www.caotico.com.br/wp-content/uploads/2009/09/20002449.gif" alt="20002449" width="121" height="178" />É preciso dar um desconto para o título, coisa de gaúcho, que é um povo bem parecido com o pernambucano no ufanismo e na mania de grandeza, mas <em>O Maior Crime da Terra </em>é um livro sobre um crime tão grotesco que é difícil crer que tenha ocorrido mesmo. Só dá para acreditar porque o autor, Décio Freitas, era um historiador respeitado tanto no Sul quanto pelas bandas de cá.</p><p>Peço perdão para quem entrou no site hoje pensando em ler mais um texto sobre algum clássico latino-americano, mas é que eu tenho um fraco por literatura policial e sobre histórias de crimes misteriosos. O tempo que trabalhei como repórter de polícia do extinto Diário Popular, em São Paulo, reforçou meu gosto por esse tema, que nos coloca diante dos extremos do ser humano.</p><p>Voltemos ao que interessa.</p><p>Até o ano de 1996, a história das lingüiças de carne de gente, quitute preferido de nove entre dez moradores da Porto Alegre do século XIX, era considerada pelos gaúchos como uma lenda urbana, algo como a “perna cabeluda” aqui no Recife. Até que Freitas escacavilhou documentos da Justiça e arquivos dos jornais para comprovar que, realmente, o açougueiro José Ramos, um homem educado e culto para os padrões da época, existiu e matava os homens que sua mulher gostosa seduzia para sua casa, desossava cada um deles e fazia deliciosos embutidos de carne levemente adocicada. Os fregueses – e também candidatos a matéria-prima – faziam fila na frente do açougue.</p><p>É preciso considerar sempre que <em>O Maior Crime&#8230; </em>é um livro escritor por um historiador, ou seja, a linguagem e o ritmo nem sempre são muito envolventes, mas se minha memória não falha, é isso que o torna mais interessante: as notas de rodapé e as citações dos documentos históricos nos fazem lembrar, a todo instante, que aqueles absurdos não foram imaginados por algum roteirista maluco.</p><p>O que mais me intriga nessa trama é o seu forte ingrediente erótico. A mulher do açougueiro, Catarina, era uma loira natural, de fechar comércio. Ela era a isca. A macharia perdia a cabeça – desculpe pelo trocadilho óbvio, mas foi inevitável – e se arrastava atrás dela em sua casa na rua do Arvoredo, que mudou de nome e hoje fica no centrão da capital gaúcha.</p><p>Aí vem o mais instigante. Primeiro, os homens comiam metaforicamente Catarina, depois eram abatidos a machadadas para serem comidos literalmente.</p><p>Que vínculo unia esse casal? Qual dos dois teve a ideia de armar esses crimes? Como convenceu o outro a topar a empreitada? Será que o primeiro crime foi casual, depois que o açougueiro flagrou um chifre ou os dois planejaram o negócio? Quaisquer que sejam as respostas para essas interrogaões, decididamente, não dá para dizer que a história é fraca.</p><p><img class="alignright size-full wp-image-342" title="canibais" src="http://www.caotico.com.br/wp-content/uploads/2009/09/canibais.jpg" alt="canibais" width="120" height="203" />Como não sou o único tarado confesso em atividade, oito anos depois que o historiador Décio lançou seu livro, um jornalista do Zero Hora chamado David Coimbra, editor e colunista de esportes, pesquisou os costumes da sociedade da época, acrescentou um personagens ficcionais e escreveu um romance a partir dos fatos reais, misturando verdades históricas e verdades imaginadas.</p><p>Dias desses encontrei esse romance lançado no formato de bolso e, inicialmente, pensei se tratar do outro livro em nova edição, com um novo título, mas dei uma folheada e descobri nas páginas finais que o Coimbra mencionava muito respeitosamente o volume do Décio. Comprei na hora.</p><p>O título do romance de Coimbra, <em>Canibais</em>, tem tanto apelo comercial quanto o de Freitas, mas é de leitura mais atraente, afinal de contas nivelar a linguagem mais ao gosto do leitor médio é uma coisa que jornalista sabe fazer.</p><p>Apesar de <em>Canibais </em>ter sido escrito com mais cuidado e recursos técnicos, gostei mais de ler o livro de Décio Freitas, provavelmente por causa da atmosfera realística criada pelo texto quase acadêmico. Na verdade, confesso minha inveja, pois aposto que escrever (ou reescrever) a história dos crimes do açougueiro devem ter sido tão prazeroso para o autor quanto foi para José Ramos matar suas vítimas.</p><p><strong>Sobre os escritores</strong></p><p><img class="alignnone size-full wp-image-343" title="Décio Freitas" src="http://www.caotico.com.br/wp-content/uploads/2009/09/Décio-Freitas.jpg" alt="Décio Freitas" width="185" height="240" /></p><p>Décio Freitas era historiador e advogado. A militância no Partido Comunista Brasileiro o levou para o exílio no Uruguai após o golpe militar de 1964, onde começou a escrever o livro <em>Palmares, a Guerrilha Negra, </em>que o tornou respeitado pelo Movimento Negro, pois reuniu informações e documentos que comprovam a existência de Zumbi dos Palmares. Morreu em Porto Alegre, há cinco anos.</p><p><img class="alignnone size-medium wp-image-344" title="david_coimbra1" src="http://www.caotico.com.br/wp-content/uploads/2009/09/david_coimbra1-350x262.jpg" alt="david_coimbra1" width="215" height="161" /></p><p>David Coimbra (na foto acima, é o que está sem chupeta) é colunista e Diretor de Esportes do jornal gaúcho Zero Hora. Além de <em>Canibais </em>escreveu livros-reportagens como <em>Atravessando a Escuridão, </em>livros de crônicas e sobre a história do clássico Gre-Nal. No portal do ZH, mantêm <a href="http://www.clicrbs.com.br/blog/jsp/default.jsp?uf=1&amp;local=1&amp;source=DYNAMIC,blog.BlogDataServer,getBlog&amp;pg=1&amp;template=3948.dwt&amp;tp=&amp;section=Blogs&amp;blog=219&amp;tipo=1&amp;coldir=1&amp;topo=3951.dwt">um ótimo blog com histórias muito bem escritas sobre futebol</a>.</p><ul><li><a href="http://videochat.globo.com/GVC/arquivo/0,,GO7519-3362,00.html"><strong>Chat com David Coimbra o livro <em>Canibais </em>realizado pela Globo.com</strong></a></li><li><strong><a href="http://www.rabisco.com.br/colunas/latim/latim37.htm">Resenha sobre <em>O Maior Crime da Terra </em>no site Rabisco</a></strong></li><li><strong><a href="http://www.rabisco.com.br/colunas/latim/latim27.htm">Perfil de Décio Freitas no site Rabisco</a><br /> </strong></li></ul><p><strong><em><br /> </em></strong></p><p><em><br /> </em></p><div class="addthis_toolbox addthis_default_style " addthis:url='http://www.caotico.com.br/o-maior-crime-da-terra-canibais/' addthis:title='O Maior Crime da Terra &amp; Canibais '  ><a class="addthis_button_facebook_like" fb:like:layout="button_count"></a><a class="addthis_button_tweet"></a><a class="addthis_button_google_plusone" g:plusone:size="medium"></a><a class="addthis_counter addthis_pill_style"></a></div>]]></content:encoded> <wfw:commentRss>http://www.caotico.com.br/o-maior-crime-da-terra-canibais/feed/</wfw:commentRss> <slash:comments>10</slash:comments> </item> <item><title>Meus Lugares Escuros</title><link>http://www.caotico.com.br/meus-lugares-escuros/</link> <comments>http://www.caotico.com.br/meus-lugares-escuros/#comments</comments> <pubDate>Sun, 06 Sep 2009 14:29:50 +0000</pubDate> <dc:creator>Inácio França</dc:creator> <category><![CDATA[Leituras Caóticas]]></category> <category><![CDATA[crime misterioso]]></category> <category><![CDATA[James Ellroy]]></category> <category><![CDATA[literatura americana]]></category> <category><![CDATA[literatura policial]]></category> <category><![CDATA[Los Angeles]]></category> <category><![CDATA[noir americano]]></category><guid isPermaLink="false">http://www.caotico.com.br/?p=330</guid> <description><![CDATA[Imagine um garotinho de 10 anos que mora sozinho com a mãe desquitada. Pronto? Agora, imagine a dor e o vazio desse menino quando sua mãe é encontrada morta, estrangulada, numa rua esquisita, depois de sair para dançar e tentar arrumar um namorado. Se deu para imaginar o menino e seu sofrimento, tente compreender a [...]<div class="addthis_toolbox addthis_default_style " addthis:url='http://www.caotico.com.br/meus-lugares-escuros/' addthis:title='Meus Lugares Escuros '  ><a class="addthis_button_facebook_like" fb:like:layout="button_count"></a><a class="addthis_button_tweet"></a><a class="addthis_button_google_plusone" g:plusone:size="medium"></a><a class="addthis_counter addthis_pill_style"></a></div>]]></description> <content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignright size-medium wp-image-331" title="lugares_escuros" src="http://www.caotico.com.br/wp-content/uploads/2009/09/lugares_escuros-251x350.jpg" alt="lugares_escuros" width="119" height="167" />Imagine um garotinho de 10 anos que mora sozinho com a mãe desquitada. Pronto? Agora, imagine a dor e o vazio desse menino quando sua mãe é encontrada morta, estrangulada, numa rua esquisita, depois de sair para dançar e tentar arrumar um namorado.</p><p>Se deu para imaginar o menino e seu sofrimento, tente compreender a coragem desse garoto já adulto e escritor reconhecido, investigando o homicídio da mãe e escrevendo sobre tudo isso quase 40 anos depois.</p><p>Esse escritor raçudo &#8211; e o garotinho solitário que ainda parece existir dentro dele &#8211; é James Ellroy, um craque da atual literatura policial norte-americana. E o livro autobiográfico que resultou do esforço para virar pelo avesso o fato mais importante de sua vida é <em>Meus Lugares Escuros.</em></p><p>Passei uns anos paquerando esse livro, pois o título, a sinopse e o pouco que já conhecia sobre Ellroy inflacionaram minha expectativa. Até que, no final de 2006, quando estava prestes a enfrentar dias de viagem pelo sertão da Paraíba numa caravana do Unicef, botei o danado na mala.</p><p>Essa decisão me transformou num ser antissocial, esquisitão. No ônibus, corria o risco de enjoar e vomitar o almoço só para ficar lendo; nas paradas para dormir, meus companheiros de quarto tinham de suportar a luz ligada noite adentro. O pior é que enfrentamos vários trechos por estrada de terra, o que atrapalhava a leitura e aumentava a dor-de-cabeça, estimulando os agourentos que faziam questão de lembrar o risco iminente de um deslocamento de retina.</p><p>Se eu tivesse vomitado ou sofrido algum trauma na vista, a culpa seria toda de Ellroy, que é um daqueles que seguram o leitor pela garganta logo na primeira página e logo na primeira página me arrastou pelos detalhes sórdidos que envolvem o crime e a investigação da morte de sua mãe, que não viveu o bastante para ser chamada de <em>dona </em>Geneva.</p><p>Existem autores como <a href="http://www.caotico.com.br/a-tregua/">Mário Benedetti</a> que carregam o leitor pela mão, com suavidade, doçura. Ellroy não, Ellroy é um cavalo batizado.</p><p><em>Meus Lugares Escuros </em>é um prato cheio para psicólogas, psicoterapeutas e psiquiatras. O livro pode ter nascido por recomendação de um terapeuta ou então foi um jeito que ele encontrou para economizar dinheiro com essas coisas, pois foi escrevendo essa história que o escritor exorcizou, ou pelo menos tentou exorcizar, os fantasmas que atormentaram sua adolescência e juventude.</p><p>No final das contas, ele não conseguiu descobrir quem matou sua mãe, o motivo do crime ou sequer o que ela fazia e vivia nas noites da periferia de Los Angeles, mas bem que ele tentou. Chegou até a contratar um ex-policial para continuar a busca por alguma pista que ajudasse a esclarecer o homicídio, cujo processo mofava nas gavetas de um arquivo da Polícia, e divulgou e-mail e endereço no final do livro. Uma garrafa lançada no mar do esquecimento.</p><p>As investigações fracassaram, é verdade, mas acredito que, ao colocar o ponto final na última linha do último parágrafo, o adulto James teve a certeza de que sua mãe não estava mais sozinha ou esquecida. E o menino passou a viver em paz dentro dele.</p><p><strong>Sobre o escritor</strong></p><p><img class="alignnone size-medium wp-image-332" title="jamesellroy3" src="http://www.caotico.com.br/wp-content/uploads/2009/09/jamesellroy3-275x350.jpg" alt="jamesellroy3" width="162" height="207" /></p><p>Depois do assassinato da mãe, James Ellroy foi viver com o pai, um sujeito negligente, preguiçoso e enrolão, como ele mesmo detalha num dos capítulos de <em>Meus Lugares Escuros</em>. O maior mérito do velho foi ter jogado um livro na mão do filho, o que despertou sua vontade enlouquecida de escrever. Esse gol o pai marcou aos 45 do segundo tempo, pois ainda adolescente James já tinha bebido hectolitros de uísque e invadia casas vazias para cheirar calcinhas. Ele é é tarado mesmo, como pode ser comprovado em outros livros que se tornaram sucesso no cinema: <em>Los Angeles Cidade Proibida </em>e <em>Dália Negra.</em></p><ul><li><a href="http://epoca.globo.com/edic/19990607/cult7.htm"><strong>Resenha sobre o livro publicada pela  revista Época</strong></a></li><li><a href="http://www.cinereporter.com.br/noticias/james-ellroy-uma-biografia/"><strong>Um pouco mais sobre Ellroy no site Cine Repórter</strong></a></li><li><strong><a href="http://www.overmundo.com.br/overblog/pescando-perolas-de-james-ellroy">Texto sobre a obra de Ellroy no site Overmundo</a></strong></li></ul><p><strong><br /> </strong></p><div class="addthis_toolbox addthis_default_style " addthis:url='http://www.caotico.com.br/meus-lugares-escuros/' addthis:title='Meus Lugares Escuros '  ><a class="addthis_button_facebook_like" fb:like:layout="button_count"></a><a class="addthis_button_tweet"></a><a class="addthis_button_google_plusone" g:plusone:size="medium"></a><a class="addthis_counter addthis_pill_style"></a></div>]]></content:encoded> <wfw:commentRss>http://www.caotico.com.br/meus-lugares-escuros/feed/</wfw:commentRss> <slash:comments>3</slash:comments> </item> <item><title>Maigret</title><link>http://www.caotico.com.br/maigret/</link> <comments>http://www.caotico.com.br/maigret/#comments</comments> <pubDate>Mon, 29 Jun 2009 15:00:13 +0000</pubDate> <dc:creator>Inácio França</dc:creator> <category><![CDATA[Leituras Caóticas]]></category> <category><![CDATA[Agatha Christie]]></category> <category><![CDATA[Georges Simenon]]></category> <category><![CDATA[Jules Maigret]]></category> <category><![CDATA[literatura policial]]></category> <category><![CDATA[Maigret]]></category> <category><![CDATA[policial]]></category><guid isPermaLink="false">http://www.caotico.com.br/?p=44</guid> <description><![CDATA[A literatura policial foi fundamental para que eu tomasse gosto pela leitura. É bem verdade que, aos 13 ou 14 anos, o que eu devorava mesmo eram os livros de Júlio Verne publicados pelas Edições de Ouro, que descobri nos anúncios das Palavras Cruzadas que minha mãe, Eliana, fazia. Porém, antes da Volta ao Mundo [...]<div class="addthis_toolbox addthis_default_style " addthis:url='http://www.caotico.com.br/maigret/' addthis:title='Maigret '  ><a class="addthis_button_facebook_like" fb:like:layout="button_count"></a><a class="addthis_button_tweet"></a><a class="addthis_button_google_plusone" g:plusone:size="medium"></a><a class="addthis_counter addthis_pill_style"></a></div>]]></description> <content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignright size-full wp-image-103" title="Maigret" src="http://www.caotico.com.br/wp-content/uploads/2009/06/Maigret.jpg" alt="Maigret" width="155" height="239" /></p><p>A literatura policial foi fundamental para que eu tomasse gosto pela leitura. É bem verdade que, aos 13 ou 14 anos, o que eu devorava mesmo eram os livros de Júlio Verne publicados pelas Edições de Ouro, que descobri nos anúncios das Palavras Cruzadas que minha mãe, Eliana, fazia. Porém, antes da <em>Volta ao Mundo em 80 dias</em> ou das <em>20.000 Léguas Submarinas</em>, a literatura policial entrou na minha vida quanto completei 12 anos.</p><p>No meu aniversário, em 1980, meu tio Lauro França, que trabalhava na editora Ática me presenteou com todos os livros até então publicados da coleção Vagalume. <em>Spharion</em> e <em>O Escaravelho do Diabo</em> entre eles. Com esse último, experimentei pela primeira vez a sensação de ter sido absorvido por um livro. Meus pais viviam preocupados porque deixava de comer para ficar lendo.</p><p>Com 14 anos, aprendi a andar pelo centro do Recife, pois tinha que ir a pé do Salesiano até a avenida Nossa Senhora do Carmo para pegar o ônibus QG Aeronáutica. Morava na fronteira entre a Imbiribeira e Boa Viagem, só o QG me deixava perto de casa. De tanto andar pela Boa Vista, descobri a loja da Edições de Ouro na rua do Hospício, mais precisamente no Edifício Olímpia, onde hoje existe uma loja de material esportivo.</p><p>Abandonei o hábito de lanchar todas as tardes para economizar dinheiro. Diariamente, juntava umas moedas. Em outubro (não tenho certeza se em  1983 ou 1984), somei minhas economias a um dinheirinho dado como presente pela minha avó Dolores e comprei a coleção completa de Sherlock Holmes. Eram 14 livros de bolso, com capa preta, branca e vermelha. Belíssimos.</p><p>Também li um pouco de Agatha Christie, mas não submergi nela, apesar de Miss Marple e Poirot merecerem um bom mergulho. O problema é que chegou a faculdade e a necessidade de criar uma imagem de intelectual comunista, fundamental para conquistar respeito e o mulherio nos cursos de Jornalismo do final dos anos 80. Depois, já casado e com filhos, botei na cabeça que tinha quer ler os clássicos e literatura mais “séria”. Babaquice.</p><p>Acabei relegando ao segundo plano o prazer que me dá o romance policial. E olhe que, na época, eu era repórter de polícia em São Paulo. Pelo que lembro, vai ver eu queria parecer mais “culto”  e sofisticado do que meus colegas de redação ou os próprios policiais com quem convivia.</p><p>Por causa dessas preocupações ridículas, não segui o conselho de um chefe na sucursal paulista do Globo, Luiz Carlos Azedo (que atualmente apresenta um programa na TV Brasil): “Leia Simenon. Ele concilia a trama policial, política e os processos sociais. Simenon vai ajudá-lo a construir melhor seu texto”. Na época, era repórter de Polícia.</p><p>O tempo passou e, já aos 29, 30 anos, tracei o noir americano de Raymond Chandler, Dashiell Hammett, Ross MacDonald e os mais recentes Elmore Leonard e James Ellroy. Até hoje amargo arrependimento por não ter tirado uma foto abaixo da placa da Dashiell Hammett Street, em San Francisco.</p><p>Eu não sabia que faltava Simenon e seu Jules Maigret. Só fui entender isso quando li um volume de uma coleção de bolso, que comprei por R$ 8,00 num supermercado.</p><p>O que torna o comissário Maigret um lindo personagem é sua humanidade.</p><p>Maigret é um detetive sem método definido. Durante uma investigação, ele erra, se emociona, se cansa, às vezes nem consegue interpretar sua intuição, porém, o importante  mesmo, é sua capacidade de escutar e compreender o outro. O melhor de Maigret está no fato dele estar disposto a entender e até mesmo viver a vida da vítima, dos suspeitos e das testemunhas.</p><p>A formação humanística do belga Georges Simenon, previamente anunciada no prólogo dos livretos, transborda em seu detetive, um sujeito que precisa lidar com seus suas próprias limitações para conviver com os extremos do ser humano. Azedo estava parcialmente certo: a transformação social está presente nos romances de Simenon, como no volume <em>Morte na Alta Sociedade</em>, ou a política, ingrediente que atrapalha o detetive em <em>A Primeira Investigação de Maigret</em>. O mais interessante de sua criação é o próprio personagem.</p><h3>Sobre o escritor</h3><div id="attachment_98" class="wp-caption alignnone" style="width: 296px"><img class="size-full wp-image-98" title="Georges Simenon" src="http://www.caotico.com.br/wp-content/uploads/2009/06/simenon.jpg" alt="simenon" width="286" height="172" /><p class="wp-caption-text">Georges Simenon em foto do The Guardian</p></div><p>Georges Joseph Christian Simenon escreveu 84 aventuras de Maigret, além de outros  136 romances ou contos. É um dos autores mais traduzidos do planeta. Começou a escrever ainda adolescente para o jornal de sua cidade-natal, Liége, na Bélgica. Morreu em 1989, aos 86 anos de idade.</p><ul><li><a href="http://www.livrariadocrime.com.br/?secao=biografia&amp;cd_autor=111">Pequena biografia de Georges Simenon no site Livraria do Crime</a></li></ul><div class="addthis_toolbox addthis_default_style " addthis:url='http://www.caotico.com.br/maigret/' addthis:title='Maigret '  ><a class="addthis_button_facebook_like" fb:like:layout="button_count"></a><a class="addthis_button_tweet"></a><a class="addthis_button_google_plusone" g:plusone:size="medium"></a><a class="addthis_counter addthis_pill_style"></a></div>]]></content:encoded> <wfw:commentRss>http://www.caotico.com.br/maigret/feed/</wfw:commentRss> <slash:comments>14</slash:comments> </item> </channel> </rss>
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