<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?> <rss version="2.0" xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/" xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/" xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/" xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom" xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/" xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/" ><channel><title>Caótico &#187; livros</title> <atom:link href="http://www.caotico.com.br/tags/livros/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" /><link>http://www.caotico.com.br</link> <description>Espaço de leituras,  histórias &#38; especulações &#124; Por Inácio França</description> <lastBuildDate>Tue, 07 Feb 2012 19:41:39 +0000</lastBuildDate> <language>en</language> <sy:updatePeriod>hourly</sy:updatePeriod> <sy:updateFrequency>1</sy:updateFrequency> <xhtml:meta xmlns:xhtml="http://www.w3.org/1999/xhtml" name="robots" content="noindex" /> <item><title>Minhas histórias do Brasil profundo: O leitor</title><link>http://www.caotico.com.br/minhas-historias-do-brasil-profundo-o-leitor/</link> <comments>http://www.caotico.com.br/minhas-historias-do-brasil-profundo-o-leitor/#comments</comments> <pubDate>Tue, 31 May 2011 01:15:14 +0000</pubDate> <dc:creator>Inácio França</dc:creator> <category><![CDATA[Elocubrações]]></category> <category><![CDATA[biblioteca]]></category> <category><![CDATA[educação]]></category> <category><![CDATA[leitura]]></category> <category><![CDATA[livros]]></category> <category><![CDATA[merenda escolar]]></category> <category><![CDATA[Pará]]></category> <category><![CDATA[quilombolas]]></category> <category><![CDATA[Unicef]]></category><guid isPermaLink="false">http://www.caotico.com.br/?p=1417</guid> <description><![CDATA[Já foi mais complicado chegar em Acará. Antes, para chegar lá saindo da capital paraense eram necessárias sete horas de barco pelo rio que dá nome à cidade ou fazer o caminho de carro, embarcando em balsas ou passando por estradas de terra que viravam lama sempre que chovia, ou seja, todos os dias. Agora, [...]<div class="addthis_toolbox addthis_default_style " addthis:url='http://www.caotico.com.br/minhas-historias-do-brasil-profundo-o-leitor/' addthis:title='Minhas histórias do Brasil profundo: O leitor '  ><a class="addthis_button_facebook_like" fb:like:layout="button_count"></a><a class="addthis_button_tweet"></a><a class="addthis_button_google_plusone" g:plusone:size="medium"></a><a class="addthis_counter addthis_pill_style"></a></div>]]></description> <content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.caotico.com.br/wp-content/uploads/2011/05/barco_Acará1.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-1418" title="O que faço com minha raiva?" src="http://www.caotico.com.br/wp-content/uploads/2011/05/barco_Acará1-350x233.jpg" alt="" width="239" height="159" /></a>Já foi mais complicado chegar em Acará. Antes, para chegar lá saindo da capital paraense eram necessárias sete horas de barco pelo rio que dá nome à cidade ou fazer o caminho de carro, embarcando em balsas ou passando por estradas de terra que viravam lama sempre que chovia, ou seja, todos os dias. Agora, há pontes e uma estrada que encurtaram a viagem para apenas duas horas.</p><p>O município serve como exemplo para destruir a mentira que rodovias sempre levam desenvolvimento. Na Amazônia, estradas subtraem as riquezas da região e multiplicam os problemas.</p><p>A cidade não tem saneamento nem espaços de lazer, a limpeza pública conta com a ajuda dos prestativos urubus, os pistoleiros profissionais não precisam de disfarces, a periferia está lotada de gente que vendeu pequenos pedaços de terra cobertos de floresta, hoje substituída por plantações de dendê que serão transformadas em biodiesel.</p><p>Conheci a cidade em novembro do ano passado. Escrevendo o roteiro para um vídeo institucional, recordei tudo o que testemunhei em Acará ao analisar as 11 fitas de imagens produzidas por Marcelo Rodrigues, um cinegrafista atento e sensível como poucos.</p><p>Encontrei professores, diretores de colégio e agentes de saúde que se viram como podem. Um deles é Ronildo do Rosário, diretor da escola Eduardo Angelim, numa vila que alguns chamam de São Lourenço e outros de Boa Esperança.</p><p>Ronildo é um profissional que não se contenta com a realidade. Ele busca aliados e persevera para transformá-la. O desempenho dos seus alunos era medíocre. Poucos conseguiam concentrar-se nas aulas, o desânimo era geral. Ele não demorou a descobrir que a péssima alimentação era a maior responsável pelas faltas e notas ruins. A merenda escolar não ajudava: a prefeitura mandava carne enlatada, feijoada também em lata e macarrão, fora outras coisas pouco saudáveis.</p><p>Foi preciso várias reuniões e conversas com os pais, todos descendentes de integrantes de antigos quilombos. Custou, mas as famílias acabaram entendendo que a refeição oferecida na escola não fazia bem aos seus filhos. Em seguida, o diretor da escola convenceu os pais a regularizar a condição da comunidade quilombola.</p><p>A escola pôde, enfim, receber dinheiro federal para comprar sua própria merenda, sem precisar das porcarias que a prefeitura licitava. Os pais dos alunos passaram a fornecer a merenda: frango, macaxeira, frutas, leite e peixe, fora outras coisas bem mais saudáveis e saborosas.</p><p>Esse esforço durou quase dois anos, mas deu certo: o Ideb passou de zero vírgula alguma coisa para 3,0.</p><p><a href="http://www.caotico.com.br/wp-content/uploads/2011/05/Paulo_Acará.jpg"><img class="alignright size-medium wp-image-1419" title="Paulo_Acará" src="http://www.caotico.com.br/wp-content/uploads/2011/05/Paulo_Acará-350x262.jpg" alt="" width="228" height="170" /></a>O problema é que, priorizando a merenda, não sobraram tempo e energia para cuidar da biblioteca, na verdade, uma sala até que bem arejada, com uma mesa grande, dois grandes bancos de madeira e uma estante entulhada de livros didáticos de anos anteriores. Mesmo assim, Paulo Gleidson (foto) não sai de lá.</p><p>Ele já leu praticamente todos os livros ensebados da estante. Paulo me contou que nunca leu um livro de “história”, um livro de “verdade”, como ele disse. Ele sabe que existem porque Ronildo, que é professor de português, explicou que as crônicas e pedaços de contos publicados para interpretação de textos são tirados desses livros.</p><p>Paulo sonha em estudar e se formar para ajudar seus vizinhos da comunidade, mas sabe que vai ser difícil cursar faculdade estudando numa escola tão precária. É de cortar o coração escutar um adolescente de 17 anos falar de forma tão clara a respeito dos limites dos seus sonhos e dos obstáculos para seu futuro. Pelo sertão do nordeste, me acostumei a escutar os sonhos sem freios de tudo quanto é menino ou mocinha.</p><p>O outro sonho de Paulo é botar as mãos num livro de verdade, sem exercícios, regras e lacunas esperando ser preenchidas entre um texto e outro.</p><p>Quando voltei para o barco onde a equipe ficou hospedada durante cinco dias, tirei da bolsa a coletânea de contos de Raymond Chandler que havia levado. Talvez não seja o livro mais adequado para um menino mergulhar no mundo da leitura, mas tratava-se de uma emergência. No dia seguinte, entreguei à secretária de Educação, pedindo para fazer o livro chegar às mãos do garoto. E expliquei o motivo.</p><p>Espero que ela se toque que Ronildo não pode fazer tudo sozinho para manter vivos os sonhos da moçada de São Lourenço. Ou Boa Esperança.</p><p><strong>A foto dos meninos no barco que faz o transporte escolar, lá em cima, é de autoria de Chico Atanásio Morais.</strong></p><p><strong>A foto de Paulo fui eu mesmo que fiz.</strong></p><div class="addthis_toolbox addthis_default_style " addthis:url='http://www.caotico.com.br/minhas-historias-do-brasil-profundo-o-leitor/' addthis:title='Minhas histórias do Brasil profundo: O leitor '  ><a class="addthis_button_facebook_like" fb:like:layout="button_count"></a><a class="addthis_button_tweet"></a><a class="addthis_button_google_plusone" g:plusone:size="medium"></a><a class="addthis_counter addthis_pill_style"></a></div>]]></content:encoded> <wfw:commentRss>http://www.caotico.com.br/minhas-historias-do-brasil-profundo-o-leitor/feed/</wfw:commentRss> <slash:comments>6</slash:comments> </item> <item><title>Minhas histórias do Brasil profundo: A biblioteca</title><link>http://www.caotico.com.br/minhas-historias-do-brasil-profundo-a-biblioteca/</link> <comments>http://www.caotico.com.br/minhas-historias-do-brasil-profundo-a-biblioteca/#comments</comments> <pubDate>Tue, 24 May 2011 01:40:16 +0000</pubDate> <dc:creator>Inácio França</dc:creator> <category><![CDATA[Elocubrações]]></category> <category><![CDATA[Alto sertão paraibano]]></category> <category><![CDATA[educação]]></category> <category><![CDATA[ensino público]]></category> <category><![CDATA[livros]]></category> <category><![CDATA[Paraíba]]></category> <category><![CDATA[São Francisco]]></category> <category><![CDATA[sertão]]></category> <category><![CDATA[Unicef]]></category><guid isPermaLink="false">http://www.caotico.com.br/?p=1410</guid> <description><![CDATA[Se o mês for dezembro no sertão paraibano, a expressão “manhã de sol” deve ser levada a sério. De Patos a Cajazeiras, não existe vento fresco, o ar é morno. Literalmente. Naquela manhã de sol, saímos de Sousa bem cedo, em Aparecida saímos da BR-230 para pegar uma rodovia estadual bastante esburacada ainda por conta [...]<div class="addthis_toolbox addthis_default_style " addthis:url='http://www.caotico.com.br/minhas-historias-do-brasil-profundo-a-biblioteca/' addthis:title='Minhas histórias do Brasil profundo: A biblioteca '  ><a class="addthis_button_facebook_like" fb:like:layout="button_count"></a><a class="addthis_button_tweet"></a><a class="addthis_button_google_plusone" g:plusone:size="medium"></a><a class="addthis_counter addthis_pill_style"></a></div>]]></description> <content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.caotico.com.br/wp-content/uploads/2011/05/biblioteca.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-1411" title="biblioteca" src="http://www.caotico.com.br/wp-content/uploads/2011/05/biblioteca-262x350.jpg" alt="" width="167" height="224" /></a>Se o mês for dezembro no sertão paraibano, a expressão “manhã de sol” deve ser levada a sério. De Patos a Cajazeiras, não existe vento fresco, o ar é morno. Literalmente.</p><p>Naquela manhã de sol, saímos de Sousa bem cedo, em Aparecida saímos da BR-230 para pegar uma rodovia estadual bastante esburacada ainda por conta das chuvas de seis meses antes. Na van do Unicef, ninguém jamais tinha posto os pés em São Francisco, sabíamos apenas que tinha 7.ooo habitantes, pouco mais ou pouco menos, e indicadores sociais surpreendentes que levaram a instituição a premiar a gestão municipal. Levávamos o troféu na bagagem.</p><p>A primeira construção da cidade, no lado direito da estrada, não deveria estar ali. Com primeiro andar, janelas amplas, aparelhos de ar-condicionado cravados em vários pontos da parede coberta de cerâmica azul, branca e amarela. Ao lado, uma quadra coberta tinindo de nova.  Sabedores dos luxos dos prefeitos do interior, jurei de pés juntos que era a prefeitura, construída para ostentar poder. Felizmente, errei.</p><p>Era a Escola Municipal Chico Coréia, exatamente o local marcado para a festa da entrega do troféu. Estivesse a escola em qualquer bairro de classe média de uma capital, poderia passar por cursinho particular para filhos de papai, sem favor nenhum.</p><p>Durante as falas e apresentações culturais, incluindo a infalível banda marcial, conversei com várias pessoas, professoras, alunos, mães e pais. Essa era a minha tarefa: conversar com gente e contar como elas percebiam as políticas públicas na cidade.</p><p>Para uma professora, elogiei a estrutura física da Chico Coréia. O comentário da moça me desconcertou. “O prédio é o que menos interessa na educação daqui”.</p><p>Como assim?</p><p>“A melhor coisa das escolas aqui de São Francisco é a prática pedagógica, como os meninos aprendem. Ainda ontem, eu e a professora de ciência levamos minha turma para ter aula de português embaixo daquele de pé de umbu ali. Para aprender sobre reprodução e os riscos na gravidez, as turmas saíram batendo de porta em porta na casa das mulheres grávidas. A estrutura da escola é boa sim, mas os alunos passam mais tempo aprendendo aqui fora”.</p><p>A professora ainda contou que várias professoras estavam fazendo cursos de especialização e mestrado, tudo pago pela prefeitura e como as coisas eram decididas democraticamente, nos conselhos com professoras, direção e pais de alunos, que no começo não conseguiam entender como se pode aprender embaixo do umbuzeiro.</p><p>Eu, já encantado, com as salas de aula limpas, com quadros-brancos em perfeitas condições e bancas modernas, entendi como que o povo das capitais não entende nada de Brasil. Como a linguagem rasa e superficial da mídia é incapaz de entender esse país. Como as coisas acontecem diferentes das besteiras que discutimos na mesa de bar.</p><p>Mais encantado fiquei depois. O melhor ainda estava por ser visto.</p><p>O prefeito, um professor chamado José Rofrants Sobrinho, fez questão de nos levar para conhecer sua principal obra, a obra pela qual pretende entrar para a posteridade: a biblioteca.</p><p>O prédio circular exatamente no meio da praça, em frente à igreja, porém um pouco mais alta do que a torre com o sino. Não sei se foi de propósito, mas a biblioteca ser mais alta que a igreja tem uma força simbólica de arrebentar.</p><p><a href="http://www.caotico.com.br/wp-content/uploads/2011/05/biblioteca1.jpg"><img class="alignright size-medium wp-image-1413" title="biblioteca1" src="http://www.caotico.com.br/wp-content/uploads/2011/05/biblioteca1-350x262.jpg" alt="" width="234" height="175" /></a>No primeiro andar, jornais do dia para leitura de qualquer cidadão. Segundo pavimento: Dias Gomes, Manoel Bandeira, Graciliano Ramos, Ariano Suassuna, Nélida Piñon, Josué Montello, Nélson Rodrigues, Zélia Gattai, Lima Barreto. Havia outros, não anotei todos.</p><p>No terceiro andar, colchões e mesinhas. É onde funciona a sala de leitura. Ar-condicionado central para não deixar que a manhã de sol atrapalhe o prazer da moçada e uma funcionária para manter tudo em ordem e organizar a pauta, para evitar que várias turmas de várias escolas inventem de aparecer todas na mesma hora.</p><p>Quando saí de lá, percebi mais uma imagem simbólica: do outro lado da rua estava a prefeitura, acanhada, casa velha com paredes de azul desbotado, manchas de umidade na fachada. Nem entrei para ver como era dentro, mas tenho certeza que era o suficiente para a cidade.</p><p>Me dói dizer, mas não vou omitir: o José Rofrants Sobrinho é filiado ao DEM, a velha Arena, PDS, PFL. Pelo menos era em dezembro de 2008, ano de sua reeleição.</p><p>&nbsp;</p><p><strong>As fotos são de Sandokan Xavier, fotógrafo talentoso, na época tinha concluído o Ensino Médio numa escola do bairro do Coque, e nos acompanhou ao sertão a convite do Unicef. </strong></p><div class="addthis_toolbox addthis_default_style " addthis:url='http://www.caotico.com.br/minhas-historias-do-brasil-profundo-a-biblioteca/' addthis:title='Minhas histórias do Brasil profundo: A biblioteca '  ><a class="addthis_button_facebook_like" fb:like:layout="button_count"></a><a class="addthis_button_tweet"></a><a class="addthis_button_google_plusone" g:plusone:size="medium"></a><a class="addthis_counter addthis_pill_style"></a></div>]]></content:encoded> <wfw:commentRss>http://www.caotico.com.br/minhas-historias-do-brasil-profundo-a-biblioteca/feed/</wfw:commentRss> <slash:comments>3</slash:comments> </item> <item><title>Todos os tempos de Tarcísio Sete</title><link>http://www.caotico.com.br/todos-os-tempos-de-tarcisio-sete/</link> <comments>http://www.caotico.com.br/todos-os-tempos-de-tarcisio-sete/#comments</comments> <pubDate>Thu, 04 Nov 2010 01:26:26 +0000</pubDate> <dc:creator>Inácio França</dc:creator> <category><![CDATA[Elocubrações]]></category> <category><![CDATA[contação de histórias]]></category> <category><![CDATA[crônica]]></category> <category><![CDATA[livraria]]></category> <category><![CDATA[livreiro]]></category> <category><![CDATA[Livro 7]]></category> <category><![CDATA[livros]]></category> <category><![CDATA[sarau]]></category><guid isPermaLink="false">http://www.caotico.com.br/?p=1046</guid> <description><![CDATA[Perdi as contas das vezes em que Homero Fonseca chamou para acompanhar o Sarau Plural, que vem a ser uma roda de conversa muito legal sobre assuntos vários, como já diz o nome. A cada convite que chegava por e-mail ou telefone, eu colocava um porém, um mas ou um todavia. 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A cada convite que chegava por e-mail ou telefone, eu colocava um porém, um mas ou um todavia.</p><p>Há um ano atrás, logo quando ele botou o bloco na rua, lembro que eu estava no Rio de Janeiro. Outra vez, iria participar de mais uma agradabilíssima reunião de trabalho com previsão para entrar pela noite. O que mais me doeu foi o de setembro passado, com a querida Tereza Costa Rego. O dia agendado era o oitavo aniversário da minha filha, lá no Tocantins, estado que rima com confins.</p><p>Finalmente, há uma semana, não marquei nada para a noite do Sarau e fui até a rua da Moeda ver e ouvir Tarcísio Pereira lembrar dos tempos de sua Livro 7. E descobri que, da mesma forma que a Livro 7 não era apenas uma livraria, seu antigo dono já não é apenas um livreiro, mas um cronista e contador de histórias de primeira grandeza.</p><p>Tarcísio jura que começou a escrever com as histórias, causos e ambiente da livraria que se tornou, sem ninguém planejar, em um centro cultural espontâneo, ponto de encontro e de debates da geração que produzia cultura e conhecimento em Pernambuco dos anos 70 até o início dos 90. Enquanto não publica o tal livro, vai contando histórias com a mesma e indisfarçável paixão com que acalentava livros e formava leitores.</p><p>No sarau, ele falou de fatos mais ou menos conhecidos, como os lançamentos dos livros, mas revelou saborosos bastidores que dão ideia da própria coragem e ousadia. Fosse um empresário desses modernosos e metidos a besta, poderia substituir a palavra “ousadia” por “empreendedorismo”, mas Tarcísio não é só um “empreendedor”, é um realizador e um aventureiro também. Empreendedor quer ganhar dinheiro. Tarcísio sempre quis – ainda quer – muito mais.</p><p>Cronista oral, seu relato é o testemunho de quem viveu intensamente a vida da cidade. Sua memória nos leva a um tempo em que se assistia a filmes de arte no cinema Coliseu, na estrada do Arraial, hoje um prédio vazio em frente à padaria Cidade Jardim. Depois do filme, nas noites de sexta-feira, os cinéfilos atravessavam a pé a pacata Vila dos Comerciários para pegar o ônibus elétrico da linha Avenida Norte-Macaxeira.</p><p>No centro, os amigos se dispersavam para encher a cara no Mustang ou nos bares que existiam naquela praça esquisita por trás de outro cinema, o São Luiz. Por sinal, os nomes desses bares mereciam um capítulo no livro de Tarcísio: “Verde que te quero ver”, “Sócrates” ou “Ora bolas!”.</p><p>No sábado de manhã, a resenha do filme, da farra e dos namoros tinha endereço certo: a rua Sete de Setembro, mais precisamente na livraria, que oferecia um garrafão de batidinha de frutas entre as estantes.</p><p>Quando Tarcísio interrompia seu relato, surgia o violão de Geraldo Maia com a trilha sonora da época. Entre Tarcísio e Geraldo, o jornalista e músico Marco Polo também contava boas histórias. A fórmula do sarau não cansa.</p><p>Quando o papo chegou ao final, agradeci a Tarcísio pela generosidade de compartilhar suas lembranças do mesmo jeito que compartilhava seu amor pelos livros.</p><div class="addthis_toolbox addthis_default_style " addthis:url='http://www.caotico.com.br/todos-os-tempos-de-tarcisio-sete/' addthis:title='Todos os tempos de Tarcísio Sete '  ><a class="addthis_button_facebook_like" fb:like:layout="button_count"></a><a class="addthis_button_tweet"></a><a class="addthis_button_google_plusone" g:plusone:size="medium"></a><a class="addthis_counter addthis_pill_style"></a></div>]]></content:encoded> <wfw:commentRss>http://www.caotico.com.br/todos-os-tempos-de-tarcisio-sete/feed/</wfw:commentRss> <slash:comments>7</slash:comments> </item> <item><title>Vida longa às Bibliotecas Comunitárias</title><link>http://www.caotico.com.br/vida-longa-as-bibliotecas-comunitarias/</link> <comments>http://www.caotico.com.br/vida-longa-as-bibliotecas-comunitarias/#comments</comments> <pubDate>Thu, 19 Aug 2010 11:34:19 +0000</pubDate> <dc:creator>Inácio França</dc:creator> <category><![CDATA[Elocubrações]]></category> <category><![CDATA[biblioteca]]></category> <category><![CDATA[biblioteca comunitária]]></category> <category><![CDATA[blogaço]]></category> <category><![CDATA[bloguinaço]]></category> <category><![CDATA[campanha]]></category> <category><![CDATA[contação de histórias]]></category> <category><![CDATA[leitura]]></category> <category><![CDATA[livros]]></category> <category><![CDATA[políticas públicas]]></category><guid isPermaLink="false">http://www.caotico.com.br/?p=865</guid> <description><![CDATA[O Caótico demorou, mas chegou ao bloguinaço (ou blogaço, sei lá como se chama isso) em favor da Rede de Bibliotecas Comunitárias da Região Metropolitana do Recife. A migração dos arquivos para um novo servidor atrapalhou em algumas horas a entrada do blog na campanha. 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A migração dos arquivos para um novo servidor atrapalhou em algumas horas a entrada do blog na campanha.</p><p>Pra começo de conversa, acho que é necessário explicar que essas bibliotecas, criadas, gerenciadas e mantidas por moradores de comunidades populares por eles mesmos, tem um blog próprio <a href="http://rededebibliotecascomunitarias.wordpress.com/">(clique aqui para saber tudo sobre essa turma)</a> e são em número de oito.</p><p>São quatro bibliotecas em Recife (Coque, Afogados, Alto José Bonifácio e Brasília Teimosa), três em Olinda (Ouro Preto, Bairro Novo e Peixinhos) e uma em Jaboatão dos Guararapes (Piedade). O que motiva e une essa turma é o conceito de que “biblioteca” não pode ser apenas um espaço para guardar livros, mas um pólo de formação de novos leitores, onde acontecem rodas de leitura, recitais, semanas do conto, malas ou baús de leitura, exibições de vídeo, oficinas, contação de histórias e produção de textos.</p><p>O problema é que a estrutura para fazer isso funcionar é pequena e a manutenção, cara. Essa foi campanha foi a saída que o pessoal encontrou para tentar resolver problemas como infiltrações nas paredes, vazamentos (de água ou de corrente elétrico, a escolher) ou falta de móveis adequados.</p><p>Quem quiser ajudar, deve depositar o valor que puder ou quiser na seguinte conta:</p><p><strong>Caixa Econômica Federal / Conta corrente número: 544-5 / Agência: 2193 / OP: 003</strong></p><p>Com o dinheiro arrecadado, o pessoal pretende comprar aparelhos de DVD, aparelhos de TV, material de construção (principalmente tomadas, canos, fios, impermeabilizante, massa corrida, rejunte e tinta), data show, estantes, mesas, cadeiras e mesas de plástico, computadores e impressoras.</p><p>Além da minha participação nesse bloguinaço/blogaço, pretendo doar um modem, um roteador wireless, um scanner e – talvez – um aparelho de DVD.</p><p>Mas ainda não acabei.</p><p>Na verdade, pra ser bem sincero mesmo, acho que essa campanha pode resolver alguns problemas imediatos, mas outras dificuldades vão aparecer daqui a alguns meses e, para resolvê-los, não dá para ficar de campanha em campanha.</p><p>Dessas bibliotecas comunitárias, só conheço a do Coque, que visitei há uns dois anos em companhia da professora de jornalismo da UFPE Yvana Fechine. Mas, pelo que li, ouvi e vi, acredito que essa iniciativa leva o maior jeito de se tornar política pública. Ou seja, pode se tornar algo permanente, duradouro, universalizado e disseminado por tudo quanto é lugar.</p><p>Para isso, creio que o pessoal da Rede precisa abrir (ou consolidar, caso já existam) canais de interlocução com o Poder Público, principalmente prefeituras e Fundarpe, por exemplo. Para o Estado, que precisa enfrentar uma burocracia enorme, para comprar ou construir qualquer prédio novo, a existência de bibliotecas já em funcionamento pode ser uma mão-na-roda.</p><p>Imagino um convênio em que, por meio da Rede (se ela estiver formalizada com CNPJ e tudo mais), as comunidades receberiam equipamentos e poderiam contar com estagiários da secretaria de Educação. Os livros também poderiam vir, em parte, de um convênio desses, mas é talvez seja possível encontrar meios para receber livros “por atacado”. Rogério Robalinho, organizador da Bienal do Livro, já entrou no circuito e, certamente, terá boas idéias.</p><p>Da minha parte, assumo o compromisso de colocar o pessoal da Rede em contato com Leocádia da Hora e Márcia Souto, respectivamente secretárias de Educação e de Cultura de Olinda.</p><div class="addthis_toolbox addthis_default_style " addthis:url='http://www.caotico.com.br/vida-longa-as-bibliotecas-comunitarias/' addthis:title='Vida longa às Bibliotecas Comunitárias '  ><a class="addthis_button_facebook_like" fb:like:layout="button_count"></a><a class="addthis_button_tweet"></a><a class="addthis_button_google_plusone" g:plusone:size="medium"></a><a class="addthis_counter addthis_pill_style"></a></div>]]></content:encoded> <wfw:commentRss>http://www.caotico.com.br/vida-longa-as-bibliotecas-comunitarias/feed/</wfw:commentRss> <slash:comments>3</slash:comments> </item> <item><title>O presente</title><link>http://www.caotico.com.br/o-presente/</link> <comments>http://www.caotico.com.br/o-presente/#comments</comments> <pubDate>Thu, 18 Mar 2010 17:21:05 +0000</pubDate> <dc:creator>Inácio França</dc:creator> <category><![CDATA[Elocubrações]]></category> <category><![CDATA[amor por livros]]></category> <category><![CDATA[coleção vaga-lume]]></category> <category><![CDATA[leitura]]></category> <category><![CDATA[livrarias]]></category> <category><![CDATA[livros]]></category><guid isPermaLink="false">http://www.caotico.com.br/?p=629</guid> <description><![CDATA[Uma caixa com todos os livros da coleção Vaga-lume. Completa, todinha. Presentão inesquecível no meu aniversário de 12 anos. Foi meu tio Lauro quem deu, me entregou numa embalagem de papelão, sem enfeites, sem frescuras. Rasguei a caixa e fiquei horas babando sobre as capas novinhas do Caso da Borboleta Atíria, Spharion, O Escaravelho do [...]<div class="addthis_toolbox addthis_default_style " addthis:url='http://www.caotico.com.br/o-presente/' addthis:title='O presente '  ><a class="addthis_button_facebook_like" fb:like:layout="button_count"></a><a class="addthis_button_tweet"></a><a class="addthis_button_google_plusone" g:plusone:size="medium"></a><a class="addthis_counter addthis_pill_style"></a></div>]]></description> <content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.caotico.com.br/wp-content/uploads/2010/03/serie-vagalume.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-630" title="serie-vagalume" src="http://www.caotico.com.br/wp-content/uploads/2010/03/serie-vagalume-305x350.jpg" alt="" width="160" height="184" /></a>Uma caixa com todos os livros da coleção Vaga-lume. Completa, todinha. Presentão inesquecível no meu aniversário de 12 anos. Foi meu tio Lauro quem deu, me entregou numa embalagem de papelão, sem enfeites, sem frescuras. Rasguei a caixa e fiquei horas babando sobre as capas novinhas do <em>Caso da Borboleta Atíria</em>,<em> Spharion</em>,<em> O Escaravelho do Diabo</em>,<em> O Mistério do Cinco Estrelas</em>,<em> A Ilha Perdida</em>,<em> Cabra das Rocas </em>e de mais uma meia dúzia.</p><p>Naquele aniversário ganhei também um relógio bacana, dourado, coisa fina. Fiquei feliz e devo ter usado durante algum tempo, mas foi a caixa de livros que me encantou. Nunca havia ganho uma caixa inteirinha de livros antes, coisa que só foi acontecer 20 anos depois <a href="http://www.caotico.com.br/eu-jurado-do-jabuti/">quando fui jurado do Prêmio Jabuti</a>.</p><p>Tio Lauro foi um dos responsáveis pela minha intimidade com o mundo dos livros.</p><p>Cresci numa casa com poucos livros, ou melhor, até que eles existiam, mas estavam condenados a cumprir alguma pena severa no alto de prateleiras inacessíveis, juntando poeira e teias de enormes aranhas que viviam conosco na casa de Piedade, perto da praia. É preciso dar um desconto, eu era pequeno, então é possível que as prateleiras não fossem tão altas e as aranhas tão grandes.</p><p>Não sei com qual idade, calculo que antes dos 1o anos, escalei escadas e cheguei aos livros empoeirados. Lembro de uns grossos, de capa dura azul escura. Era a <em>Coleção Menina-Moça</em>, que, nem imagino quando nem porquê, minha mãe ganhou de presente. Duvido que ela tenha lido, duvido também que algum leitor do blog já tenha ouvido falar de <em>sir Jerry, o detetive</em>, personagem cujas aventuras sem graça foram publicadas nessa coleção. Li todas do sir Jerry. Resumindo: confesso que, um dia, li a <em>Coleção Menina-Moça</em>. Era o que tinha.</p><p>Acho que por causa dessa coleção de nome tão fresco, mesmo criança nunca tive receio de encarar livrões cheios de letras e nenhuma figura. Mas foi com os gibis do meu pai que aprendi a tomar gosto para valer pela leitura. Seu Lúcio nunca foi chegado a livros, mas todos os dias traçava Pato Donald, Zé Carioca, Mickey, Tex Willer e Fantasma, o espírito-que-anda. Aproveitando o embalo, acrescentava a Turma do Pererê no balaio de revistinhas que meu pai comprava numa banca enorme que ainda existe em frente ao Mercado de Boa Viagem.</p><p><a href="http://www.caotico.com.br/wp-content/uploads/2010/03/lauro.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-631" title="lauro" src="http://www.caotico.com.br/wp-content/uploads/2010/03/lauro-350x262.jpg" alt="" width="205" height="153" /></a>Os livros que faltavam lá em casa, sobravam na casa de tio Lauro (foto). Na década de 70, ele vendia livros, representava uma editora e tinha sempre dezenas de pacotes de livros didáticos na sua casa.  Havia caixas de paradidáticos também, que são aqueles livros de literatura infantil ou juvenil que os professores obrigam os alunos a lerem para fazer aqueles exercícios imbecis de interpretação de textos. Esses paradidáticos com o carimbo de “cortesia livro do professor” sempre caíam nas minhas mãos.</p><p>Depois, ele investiu na própria livraria, no centro do Recife. Adolescente, era voluntário para trabalhar vendendo livros para as madames na “época escolar”, os meses de janeiro a março, quando as livrarias e papelarias enchem de gente histérica procurando os livros exigidos pelas escolas. Vender livros foi meu primeiro trabalho. Em troca, podia levar para ler em casa os outros livros, best-sellers ou poesia, que tinham de ficar guardados no estoque para abrir espaço para as gramáticas de Cegalla ou a Matemática de Demétrio.</p><p>Dava duro de dia na livraria e lia em casa histórias como a de um romance sobre o cerco a Stalingrado, na II Guerra, escrita por um sujeito chamado Konsalik, que o Google informa ser o alemão Heinz Gunther Konsalik. Li também Fernando Sabino, Rubem Braga e uma <em>Seleta em Prosa e Verso</em>, de Drummond. Esse era difícil de vender e tio Lauro me deu.</p><p>Hoje, a livraria não existe mais. A degradação do centro arrastou para longe a clientela, mas Lauro França continua vendendo livros.</p><p>Não tenho certeza se, no meio da euforia, agradeci à altura pelo presente. Por isso, na dúvida, agradeço novamente quase 30 anos depois.</p><div class="addthis_toolbox addthis_default_style " addthis:url='http://www.caotico.com.br/o-presente/' addthis:title='O presente '  ><a class="addthis_button_facebook_like" fb:like:layout="button_count"></a><a class="addthis_button_tweet"></a><a class="addthis_button_google_plusone" g:plusone:size="medium"></a><a class="addthis_counter addthis_pill_style"></a></div>]]></content:encoded> <wfw:commentRss>http://www.caotico.com.br/o-presente/feed/</wfw:commentRss> <slash:comments>10</slash:comments> </item> <item><title>O estratagema da lista largada ao relento</title><link>http://www.caotico.com.br/o-estratagema-da-lista-largada-ao-relento/</link> <comments>http://www.caotico.com.br/o-estratagema-da-lista-largada-ao-relento/#comments</comments> <pubDate>Tue, 06 Oct 2009 01:34:08 +0000</pubDate> <dc:creator>Inácio França</dc:creator> <category><![CDATA[Elocubrações]]></category> <category><![CDATA[aniversário]]></category> <category><![CDATA[livrarias]]></category> <category><![CDATA[livros]]></category> <category><![CDATA[presentes]]></category><guid isPermaLink="false">http://www.caotico.com.br/?p=396</guid> <description><![CDATA[Quem acompanha esse blog desde o início, lembra do acordo que eu e minha consciência fizemos de não voltar a comprar livros novos enquanto não aqueles que tenho nas estantes de casa não fossem lidos (foi isso que contei no post Os sebos e a fraqueza de caráter do blogueiro). Essa decisão não significa que [...]<div class="addthis_toolbox addthis_default_style " addthis:url='http://www.caotico.com.br/o-estratagema-da-lista-largada-ao-relento/' addthis:title='O estratagema da lista largada ao relento '  ><a class="addthis_button_facebook_like" fb:like:layout="button_count"></a><a class="addthis_button_tweet"></a><a class="addthis_button_google_plusone" g:plusone:size="medium"></a><a class="addthis_counter addthis_pill_style"></a></div>]]></description> <content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignleft size-thumbnail wp-image-398" title="C 062" src="http://www.caotico.com.br/wp-content/uploads/2009/10/C-062-150x112.jpg" alt="C 062" width="150" height="112" />Quem acompanha esse blog desde o início, lembra do acordo que eu e minha consciência fizemos de não voltar a comprar livros novos enquanto não aqueles que tenho nas estantes de casa não fossem lidos (foi isso que contei no post <a href="http://www.caotico.com.br/os-sebos-e-a-fraqueza-de-carater-do-blogueiro/">Os sebos e a fraqueza de caráter do blogueiro</a>).</p><p>Essa decisão não significa que não quero novos livros. Pelo contrário, continuo a desejá-los avidamente, compulsivamente, irracionalmente. Por essa razão, me danei a encontrar subterfúgios para me driblar, ou melhor, para conseguir os livros que pretendo ter sempre perto de mim sem necessariamente desrespeitar o compromisso assumido comigo mesmo.</p><p>Deu pra entender? Se deu, continuemos. Além de encontrar uma brecha no auto-acordo que me permitiu comprar livros usados em sebos (a restrição trata apenas de livros novos), dia desses o Samarone desembolsou R$ 33,00 para comprar <em>A Divina Comédia </em>na Livraria Cultura, depois fui até o caixa eletrônico do Paço Alfândega, tirei o dinheiro e entreguei para ele. Fiquei com o livro, mas quem comprou foi meu amigo cabeludo, numa manobra absolutamente legal.</p><p>O problema é que o 4 de outubro estava se avizinhando e eu precisava dar um jeito de não ganhar perfumes de presente de aniversário, afinal não dava para perder a oportunidade de ganhar livros novos.A opção de recomendar à minha Geórgia que revelasse aos amigos e parentes que eu queria livros foi logo descartada. Aposto que ela iria considerar uma indelicadeza da minha parte &#8211; e deve ser mesmo -, além disso, corria o risco de algum desavisado comprar um livro de Paulo Coelho ou a última cafajestada daquele diretor da Globo que tem nome árabe (toc toc toc na madeira).</p><p>Como minha viagem para o Tocantins estava marcada para o último final de semana de setembro, meu prazo era ainda menor, porém o que parecia ser um problema acabou se tornando a solução. Com frieza de calculista e presença de espírito de artilheiro matador, imprimi um arquivo que mantenho sempre atualizado aqui no meu lépi-tópi, com uma lista dos livros desejados. Sim, pelo menos em matéria de livro sou um cara todo organizado.</p><p>Antes de viajar, escolhi um local do quarto para &#8220;esquecer&#8221; a lista impressa, na esperança dela ser encontrada pela pessoa certa. Deu certo. De minha mulher (que já escreveu no<a href="http://www.caotico.com.br/a-funcao-do-orgasmo/"> Caótico sobre Reich</a> um texto reproduzido no <a href="http://www.libertas.com.br/novo/index.php?central=conteudo&amp;idMenu=17&amp;id=2857&amp;perfil=1&amp;idEdicao=0">site do Libertas</a>),  ganhei um exemplar de uma edição novinha de <em>A Invenção do Nordeste, </em>do professor Durval Muniz, obra que eu julgava esgotada. Da minha sogra, a tricolor Ana Rita, ganhei uma belezura de Mário Benedetti: <em>Primavera num Espelho Partido.</em></p><p>Infelizmente, a lista não foi xerocada nem passou de mão em mão. Mesmo assim, faturei outros dois livros que prometem. Do meu cunhado, uma reportagem sobre os bastidores do escândalo Watergate, <em>A Vida do Garganta Profunda. </em>Do mestre-cuca Breno Bueno (ele não tolera o uso do termo chef, diz que é invenção para agradar a classe média), ganhei um livro de nome ao mesmo tempo curioso e sugestivo, <em>A Vida Sexual dos Alimentos</em>, minha próxima leitura.</p><p>Lá em Tocantins, ganhei da minha filha Júlia uma edição de bolso de <em>A Dama do Cachorrinho</em><em> e outras histórias, </em>de Tchecov, e uma coletânea de crônicas de João do Rio. Aliás, só ganhei esses dois porque salvei uma bola em cima da linha aos 42 do segundo tempo, pois Pedro, o primogênito, havia contado para a mãe que eu havia decidido que não queria mais livros, numa versão distorcida da minha jura.</p><p>Ela achou esquisito, deve ter se perguntado se um sujeito poderia mudar tanto com menos de cinco anos de separação e, se sentindo sem opções para comprar algo que minha menininha pudesse me presentear, perguntou se a história era verdadeira. Fiquei estarrecido coma repercussão dos fatos e neguei, é lógico. O resultado é que a ex-, discretamente, pôs uma cédula na mão de Juju, que me chamou para ir até uma livraria e pediu que eu a ajudasse a escolher meu presente de aniversário de 41 aninhos.</p><p>A lista largada ao acaso meu deu a ideia de criar uma página aqui no Caótico no qual os leitores possam deixar sua lista de livros desejados, como aquelas listas de presentes de casamento que os noivos deixam nas grandes lojas. Não sei quando vou viabilizar isso, pois dependo do meu ocupadíssimo webmaster Anízio Silva, mas em breve o Caótico oferecerá esse serviço de utilidade pública.</p><div class="addthis_toolbox addthis_default_style " addthis:url='http://www.caotico.com.br/o-estratagema-da-lista-largada-ao-relento/' addthis:title='O estratagema da lista largada ao relento '  ><a class="addthis_button_facebook_like" fb:like:layout="button_count"></a><a class="addthis_button_tweet"></a><a class="addthis_button_google_plusone" g:plusone:size="medium"></a><a class="addthis_counter addthis_pill_style"></a></div>]]></content:encoded> <wfw:commentRss>http://www.caotico.com.br/o-estratagema-da-lista-largada-ao-relento/feed/</wfw:commentRss> <slash:comments>4</slash:comments> </item> <item><title>Os porquês dos links: o baiano Paulo e o gaúcho Milton</title><link>http://www.caotico.com.br/os-porques-dos-links-o-baiano-paulo-e-o-gaucho-milton/</link> <comments>http://www.caotico.com.br/os-porques-dos-links-o-baiano-paulo-e-o-gaucho-milton/#comments</comments> <pubDate>Fri, 18 Sep 2009 19:54:18 +0000</pubDate> <dc:creator>Inácio França</dc:creator> <category><![CDATA[Elocubrações]]></category> <category><![CDATA[blogosfera]]></category> <category><![CDATA[blogs]]></category> <category><![CDATA[Literatura]]></category> <category><![CDATA[livros]]></category> <category><![CDATA[Milton Ribeiro]]></category> <category><![CDATA[Paulo Bono]]></category><guid isPermaLink="false">http://www.caotico.com.br/?p=362</guid> <description><![CDATA[Gostaria de ter mais tempo para ler meus livros, para encontrar coisas boas e besteiras na Internet, para escrever, para atualizar esse blog, para ver um filminho de categoria e, mais do que tudo no mundo, queria ter mais tempo para nada fazer, nada mesmo. Mas estou sempre tendo que fazer alguma coisa. Não sei [...]<div class="addthis_toolbox addthis_default_style " addthis:url='http://www.caotico.com.br/os-porques-dos-links-o-baiano-paulo-e-o-gaucho-milton/' addthis:title='Os porquês dos links: o baiano Paulo e o gaúcho Milton '  ><a class="addthis_button_facebook_like" fb:like:layout="button_count"></a><a class="addthis_button_tweet"></a><a class="addthis_button_google_plusone" g:plusone:size="medium"></a><a class="addthis_counter addthis_pill_style"></a></div>]]></description> <content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignleft size-full wp-image-363" title="paulo_bono" src="http://www.caotico.com.br/wp-content/uploads/2009/09/paulo_bono.jpg" alt="paulo_bono" width="129" height="143" /> Gostaria de ter mais tempo para ler meus livros, para encontrar coisas boas e besteiras na Internet, para escrever, para atualizar esse blog, para ver um filminho de categoria e, mais do que tudo no mundo, queria ter mais tempo para nada fazer, nada mesmo. Mas estou sempre tendo que fazer alguma coisa. Não sei se é porque preciso sobreviver com três filhos ou simplesmente não enxergo a saída da máquina de moer carne da vida dita &#8220;moderna&#8221;.</p><p>Uma simples listagem das coisas que andei fazendo essa semana me irrita e arreta. Na maior parte do tempo, fui secretário de Comunicação de Olinda, mas de vez em quando visto a carapuça de pai, faço um frila reescrevendo um texto para o Unicef da Amazônia ou assumo a função de escriba daquele projeto do Funcultura <a href="http://www.caotico.com.br/um-livro-em-gestacao/">do qual falei há alguns dias</a>.  E, agora, cansado, doido para chegar em casa e fazer uma salada para minha Geórgia, cá estou atualizando esse blog, coisa que não consegui fazer no meio da correria da semana (do Blog do Santinha, praticamente desisti, cansei de me repetir).</p><p>Ainda não passei da página de 70 do meu livro de estreia no mundo de Gore Vidal e não tive tempo de remexer minha memória para falar do grande Nelson Rodrigues, um dos poucos autores cuja obra li quase toda e que é o primeiro da fila para as próximas postagens. Pra não deixar meus poucos leitores (uma média de 35 por dia) desistirem do Caótico, vou explicar as razões de ter incluído alguns blogs e sites no meu de sugestões, recomendações e dicas, aí do lado direito da tela.</p><p>Um desses blogs é o <a href="http://www.espalitandodente.blogspot.com/">Espalitando Dente</a>, de um tal de Paulo Bono (no desenho acima), baiano, publicitário de uns 30 anos de idade, &#8220;gordo, careca e preguiçoso&#8221;. Ele é quem diz.</p><p>Abro um parênteses. Essa sinceridade do perfil de Bono me fez lembrar que também sou preguiçoso, muito preguiçoso, o que não combina com a quantidade tarefas, trabalhos e missões que assumo. Acho que estou me violentando com tudo isso. Agora fudeu, fiquei triste. Fecha parênteses antes que eu chore.</p><p>Até há uns 20 dias, nunca tinha ouvido falar desse cara. Foi o muitas vezes citado <a href="http://www.estuario.com.br/">Samarone</a> que me mandou um e-mail com um linkizinho para o blog de Bono. Agora, divido essa dica aqui no Caótico.</p><p>Bono é sarcástico, debochado, cruel e, o melhor de tudo, politicamente incorreto. Irreverente, diriam os antigos. No alto do seu blog, ele avisa que &#8220;isso aqui não é literatura&#8221;. Bobagem. Ele é um puta cronista, o parágrafo inicial do texto <a href="http://espalitandodente.blogspot.com/2009/09/1996.html">1996</a> não deixa dúvidas a esse respeito.</p><p>Seu texto é de um sujeito que não hesita em usar e abusar da linguagem visceral e mal educada das ruas, o idioma de gente que não aceita a polidez, a assepsia e a falta de molho com que se fala nos capítulos das novelas, nas revistas semanais e nas reuniões de gente respeitável. Ele manda tomar no cu e pronto, tá mandado.</p><p>Paulo Bono é um escroto,  no sentido pernambucano do termo.</p><p><img class="size-thumbnail wp-image-364 alignleft" title="milton-ribeiro-200" src="http://www.caotico.com.br/wp-content/uploads/2009/09/milton-ribeiro-200-112x150.jpg" alt="milton-ribeiro-200" width="112" height="150" />Outro blog excelente, que felizmente também não faz parte de grande portal nenhum, é o de <a href="http://miltonribeiro.opsblog.org/">Milton Ribeiro</a> (foto), de quem já copiei um texto sobre Crime e Castigo por aqui. Copiei com os devidos créditos, é bom que se diga.</p><p>O foco do blog de Milton é outro. Ele é um sujeito que ama os livros, ensina como roubá-los em grandes livrarias, é apaixonado por cinema. Deve ser um sujeito metódico, com certa vocação para contabilista, pois em seu perfil ele confessa que tem anotado todos os livros que leu, ano por ano, mês por mês. A mesma coisa ele faz com os filmes. Esse ano já viu 43, não sei se no cinema ou se em DVD pirata, como eu faço e recomendo.</p><p>Tenho inveja de Milton &#8211; a quem também não conheço, nem ele a mim. Tantos filmes, tanta precisão, sugerem tempo para fazer a cabeça funcionar melhor, aquela mercadoria em falta na minha vida.</p><p>Milton parece ser um cara com uma experiência de leitura mais clássica, um erudito que passou distante da pieguice. Ele também é irônico, porém mais sutil do que Bono. Ah, Milton tem em seu currículo algo digno de nota: está sendo processado por ter feito em seu blog críticas públicas a um texto publicado por uma personalidade pública, uma moça que é autora de um livro que foi adaptado pela Globo. Simpatizo muito com esse sujeito.</p><div class="addthis_toolbox addthis_default_style " addthis:url='http://www.caotico.com.br/os-porques-dos-links-o-baiano-paulo-e-o-gaucho-milton/' addthis:title='Os porquês dos links: o baiano Paulo e o gaúcho Milton '  ><a class="addthis_button_facebook_like" fb:like:layout="button_count"></a><a class="addthis_button_tweet"></a><a class="addthis_button_google_plusone" g:plusone:size="medium"></a><a class="addthis_counter addthis_pill_style"></a></div>]]></content:encoded> <wfw:commentRss>http://www.caotico.com.br/os-porques-dos-links-o-baiano-paulo-e-o-gaucho-milton/feed/</wfw:commentRss> <slash:comments>8</slash:comments> </item> <item><title>Vastas ignorâncias</title><link>http://www.caotico.com.br/vastas-ignorancias/</link> <comments>http://www.caotico.com.br/vastas-ignorancias/#comments</comments> <pubDate>Sun, 26 Jul 2009 16:37:46 +0000</pubDate> <dc:creator>Inácio França</dc:creator> <category><![CDATA[Elocubrações]]></category> <category><![CDATA[Borges]]></category> <category><![CDATA[crítica literária]]></category> <category><![CDATA[Faoro]]></category> <category><![CDATA[ignorância]]></category> <category><![CDATA[livros]]></category> <category><![CDATA[Onetti]]></category> <category><![CDATA[romances]]></category> <category><![CDATA[Samarone Lima]]></category><guid isPermaLink="false">http://www.caotico.com.br/?p=213</guid> <description><![CDATA[Não se deixe levar pelas minhas opiniões, apenas compartilho experiências de leitura. Estou longe de ser um crítico literário, sou apenas aquilo que chamam de “leitor comum e desinteressado”. Há enormes espaços vazios na minha bagagem de leitura. Jorge Luis Borges (na foto aí do lado), por exemplo, nunca li. Como um sujeito que nunca [...]<div class="addthis_toolbox addthis_default_style " addthis:url='http://www.caotico.com.br/vastas-ignorancias/' addthis:title='Vastas ignorâncias '  ><a class="addthis_button_facebook_like" fb:like:layout="button_count"></a><a class="addthis_button_tweet"></a><a class="addthis_button_google_plusone" g:plusone:size="medium"></a><a class="addthis_counter addthis_pill_style"></a></div>]]></description> <content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignleft size-medium wp-image-214" title="jorge_luis_borges_hotel" src="http://www.caotico.com.br/wp-content/uploads/2009/07/jorge_luis_borges_hotel-266x350.jpg" alt="jorge_luis_borges_hotel" width="172" height="227" />Não se deixe levar pelas minhas opiniões, apenas compartilho experiências de leitura. Estou longe de ser um crítico literário, sou apenas aquilo que chamam de “leitor comum e desinteressado”.</p><p>Há enormes espaços vazios na minha bagagem de leitura.</p><p>Jorge Luis Borges (na foto aí do lado), por exemplo, nunca li. Como um sujeito que nunca leu o maior dos argentinos pode se atrever a fazer um blog sobre literatura? Simples: o Caótico não é sobre literatura, é sobre livros. Pelo menos esse é o discurso que construí para justificar meu desejo de escrever esses textos.</p><p>Prometo ler alguma coisa de Borges nos próximos anos. O curioso é que, ao menos que me lembre, jamais um livro dele caiu nas minhas mãos, nem por acidente.</p><p>Ao norte do Rio do Prata, ainda não conheço a prosa de Juan Carlos Onetti, por mais que <a href="http://www.estuario.com.br/2009/04/25/lembrando-dos-meus-livros">Samarone insista em falar dele</a>. Já já chego nele. Só depende dos sebos.</p><p>Outra lacuna indesculpável: Gore Vidal. Pelo menos, para essa falha os reparos já estão sendo providenciados. Como já disse <a href="http://www.caotico.com.br/os-sebos-e-a-fraqueza-de-carater-do-blogueiro">aqui</a>, me abasteci de Vidal nos sebos virtuais. Daqui a pouco estarei afiadíssimo em matéria de formação do jeito ianque de ser. Para ficar nos Estados Unidos, de Norman Mailer só li um pequeno <em>O Evangelho Segundo o Filho</em>. O de Saramago é bem melhor, mas ainda há vagas para muita coisa dele.</p><p>Também nunca li Kafka. Esse também está em minha mira de curto alcance. Tenho um bocado de coisa dele ainda intocada nas minhas prateleiras. Será lido no meu esforço para dar conta dos frutos do meu impulso consumista.</p><p>Mesmo em português, sou completo ignorante em Camões, Eça de Queiroz. No português dos brasileiros, li textos curtos de Guimarães Rosa e quase nada de Lima Barreto. Além dos romances, tenho muita vontade de ler Raymundo Faoro, <em>Os Donos do Poder</em>, para ser mais exato.</p><p>O pior é que vivo me perdoando por tudo isso.</p><p>É bom os leitores ficarem sabendo dessas minhas ignorâncias para que, depois, ninguém diga que levou gato por lebre.</p><div class="addthis_toolbox addthis_default_style " addthis:url='http://www.caotico.com.br/vastas-ignorancias/' addthis:title='Vastas ignorâncias '  ><a class="addthis_button_facebook_like" fb:like:layout="button_count"></a><a class="addthis_button_tweet"></a><a class="addthis_button_google_plusone" g:plusone:size="medium"></a><a class="addthis_counter addthis_pill_style"></a></div>]]></content:encoded> <wfw:commentRss>http://www.caotico.com.br/vastas-ignorancias/feed/</wfw:commentRss> <slash:comments>2</slash:comments> </item> <item><title>Os sebos e a fraqueza de caráter do blogueiro</title><link>http://www.caotico.com.br/os-sebos-e-a-fraqueza-de-carater-do-blogueiro/</link> <comments>http://www.caotico.com.br/os-sebos-e-a-fraqueza-de-carater-do-blogueiro/#comments</comments> <pubDate>Sat, 11 Jul 2009 15:50:16 +0000</pubDate> <dc:creator>Inácio França</dc:creator> <category><![CDATA[Elocubrações]]></category> <category><![CDATA[consumismo]]></category> <category><![CDATA[Estante Virtual]]></category> <category><![CDATA[Gore Vidal]]></category> <category><![CDATA[livros]]></category> <category><![CDATA[Sebo]]></category> <category><![CDATA[Vargas Llosa]]></category><guid isPermaLink="false">http://www.caotico.com.br/?p=178</guid> <description><![CDATA[Em meados do ano passado fiz uma promessa, ou melhor, um acordo comigo mesmo. 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Acertei que não compraria nenhum outro livro enquanto não lesse os vários e vários títulos ainda virgens que tenho nas estantes da sala, do corredor e do quarto.</p><p>Durante um rasgo de lucidez, verifiquei que continuar comprando livros sem dar vencimentos naqueles que já fazem parte da minha modesta biblioteca era um comportamento consumista. Um impulso de comprar, de possuir um objeto desejado, algo tão patético quanto ficar endividado por causa de sapatos, celulares com 8.534 recursos tecnológicos inúteis, ou vestidos de grife.</p><p>Durante alguns meses permaneci invulnerável em meu compromisso. Resisti a lançamentos, noites de autógrafos e resenhas sedutoras publicadas em revistas ou na web.</p><p>Até que, cortando caminho pelo mercado de Casa Amarela numa tarde de sexta-feira, passei no meio de um sebo instalado numa das barracas da feira. Tinha tempo livre, então uma paradinha para dar uma olhada nos títulos não faria mal a ninguém. No meio de um monte de auto-ajuda, livros técnicos de engenharia e romances açucarados, havia um belo exemplar de capa dura de <em>Conversa na Catedral</em>. Preço: R$ 5,00. Deve ser mais ou menos o quanto vale também minha fraca personalidade.</p><p>Ego, id, alter-ego, consciência e subconsciente  entraram num confronto tão rápido quanto violento, mas chegaram a um acordo. Cedi, mas mantive a promessa: não compraria nenhum livro novo enquanto não lesse os que já tenho. Observe a palavra &#8220;novo&#8221; na frase anterior: isso significa que poderia comprar livros usados, como era o caso do <em>Conversa na Catedral</em> em questão. Comprei o livro e me perdooei.</p><p>As coisas se complicaram há uns dois meses, quando descobri o site <a href="http://www.estantevirtual.com.br">Estante Virtual</a> enquanto fuçava na internet. Trata-se de um portal de uma rede de 1.400 sebos espalhados pelo Brasil todo, com mais de 21 milhões de volumes à venda. A concorrência entre os sebos derruba os preços. Procurei <em>Juliano</em>, de Gore Vidal, que está fora de catálogo. Havia dezenas de opções, com preços entre R$ 8,00 e R$ 25,00. Os sebos fornecem as informações sobre o estado do exemplar.</p><p>Para quem vai comprar mais de um livro, a dificuldade é fazer pagamentos diferentes para sebos diferentes, os quais, por sua vez, oferece diferentes opções de pagamento. A coisa funciona assim: você escolhe o livro, coloca na cesta e o sistema do portal avisa ao lojista que você está interessado. Recomendo que, além de escolher o livro pelo preço e pelo seu estado de conservação, escolha também um sebo que oferecer a condição de pagamento mais cômoda.</p><p>O sebista então envia para seu e-mail os dados para que o comprador faça o depósito e as informações sobre o prazo de entrega.</p><p>Fiz a experiência com <em>Juliano</em>. Chegou rapidinho. Animado, encomendei também a quatro lojas diferentes <em>1876, Washington DC, Ao Vivo do Calvário </em>e <em>Criação</em>, todos de Vidal. Deu certo e, pelos cinco livros, gastei o mesmo que teria pago num único volume novo numa livraria da moda.E, ainda por cima, não desonrei o compromisso, afinal todos eram usados.</p><p style="text-align: center;">*****</p><p style="text-align: left;"><strong>A proposta do Caótico é abrigar textos sobre a experiência da leitura de livros específicos (esses serão classificados na página <em>Leituras Caóticas</em>), resenhas ou comentários sobre livros lidos pelos leitores do blog (abrigados sob a rubrica <em>Loucos por livros</em>, como foi o caso do texto de Lea Cavalcanti publicado há uma semana). </strong></p><p style="text-align: left;"><strong>Além disso, haverá uma terceira página chamada <em>Elocubrações</em>, com textos mais genéricos, sobre vários assuntos relacionados direta ou indiretamente à leitura. A postagem acima inaugura essa categoria.</strong></p><div class="addthis_toolbox addthis_default_style " addthis:url='http://www.caotico.com.br/os-sebos-e-a-fraqueza-de-carater-do-blogueiro/' addthis:title='Os sebos e a fraqueza de caráter do blogueiro '  ><a class="addthis_button_facebook_like" fb:like:layout="button_count"></a><a class="addthis_button_tweet"></a><a class="addthis_button_google_plusone" g:plusone:size="medium"></a><a class="addthis_counter addthis_pill_style"></a></div>]]></content:encoded> <wfw:commentRss>http://www.caotico.com.br/os-sebos-e-a-fraqueza-de-carater-do-blogueiro/feed/</wfw:commentRss> <slash:comments>8</slash:comments> </item> </channel> </rss>
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