<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?> <rss version="2.0" xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/" xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/" xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/" xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom" xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/" xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/" ><channel><title>Caótico &#187; mercado editorial</title> <atom:link href="http://www.caotico.com.br/tags/mercado-editorial/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" /><link>http://www.caotico.com.br</link> <description>Espaço de leituras,  histórias &#38; especulações &#124; Por Inácio França</description> <lastBuildDate>Wed, 08 Feb 2012 13:36:43 +0000</lastBuildDate> <language>en</language> <sy:updatePeriod>hourly</sy:updatePeriod> <sy:updateFrequency>1</sy:updateFrequency> <xhtml:meta xmlns:xhtml="http://www.w3.org/1999/xhtml" name="robots" content="noindex" /> <item><title>Eu não vim fazer um discurso</title><link>http://www.caotico.com.br/eu-nao-vim-fazer-um-discurso/</link> <comments>http://www.caotico.com.br/eu-nao-vim-fazer-um-discurso/#comments</comments> <pubDate>Wed, 21 Sep 2011 19:40:52 +0000</pubDate> <dc:creator>Inácio França</dc:creator> <category><![CDATA[Leituras Caóticas]]></category> <category><![CDATA[América Latina]]></category> <category><![CDATA[autoironia]]></category> <category><![CDATA[Colômbia]]></category> <category><![CDATA[discurso]]></category> <category><![CDATA[editora Record]]></category> <category><![CDATA[Gabriel Garcia Márquez]]></category> <category><![CDATA[jornalismo]]></category> <category><![CDATA[Literatura colombiana]]></category> <category><![CDATA[literatura latino-americana]]></category> <category><![CDATA[mercado editorial]]></category> <category><![CDATA[prêmio Nobel]]></category> <category><![CDATA[Realismo Fantástico]]></category><guid isPermaLink="false">http://www.caotico.com.br/?p=1585</guid> <description><![CDATA[Eu não vim fazer um discurso deveria ser a única exceção dos textos sobre livros que misturam jornalismo e literatura. 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Deveria, mas Gabriel García Márquez evitou a exceção e confirmou a regra num dos capítulos finais da coletânea dos seus discursos que acaba de ser publicada pela editora Record.</p><p>O livro é uma raspa do tacho criativo do colombiano. Idoso, produzindo pouco, sem a vitalidade e a disposição para escrever uma história como antes, mas com leitores fiéis, García Márquez não pode ser ignorado pelas editoras. Sem romances ou contos novos, o jeito deve ter sido resgatar os discursos, juntá-los todos em único volume e colocá-los nas prateleiras como uma grande novidade.</p><p>Apesar de ser uma jogada do mercado editorial para extrair o que é possível de um prêmio Nobel antes que a fonte seque, o livro está longe de ser uma decepção, apesar de não ser imperdível. Se a enorme habilidade de contar histórias do Gabo já é demasiadamente conhecida, o livro revela um pouco mais da sua autoironia e da capacidade de mergulhar fundo em temas mais densos, como a prepotência europeia em relação à América Latina ou a violência na Colômbia.</p><p>Em alguns discursos, é possível identificar o ritmo e a construção de personagens semelhantes tal qual um conto. É o caso do discurso em homenagem aos 70 anos de um dos seus melhores amigos, o poeta Álvaro Mutis, proferido em 1993.</p><p>Nas palavras de García Márquez, Mutis ganha ares de um dos seus protagonsitas fantásticos: ele gostava tanto se ficar só, quieto em seu canto, que, depois de passar uma temporada numa cadeia mexicana, saiu da cadeia garantindo que tinha vivido os melhores dias da sua vida.</p><p>Com humor negro, o escritor conta as dores do seu amigo para ganhar a vida como chefe do setor de relações públicas de uma companhia aérea que fechou as portas depois da queda de todos seus aviões. Não era fácil, mas deve ter sido verdade, pois o discurso foi feito diante de Mutis e não consta que ele tenha desmentido.</p><p><a href="http://www.caotico.com.br/wp-content/uploads/2011/09/gabriel-garcia-marquez-2008-12-1-14-4-21.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-1587" title="Gabriel Garcia Marquez" src="http://www.caotico.com.br/wp-content/uploads/2011/09/gabriel-garcia-marquez-2008-12-1-14-4-21-233x350.jpg" alt="" width="137" height="206" /></a>Fazem parte do livro discursos famosos de um homem que considerava fazer discursos a pior das atividades que se via obrigado a realizar, entre eles o que leu ao receber o prêmio Nobel de Literatura de 1982. Outro discurso polêmico foi proferido no I Congresso Internacional da Língua Espanhola, em 1996, quando ele defendeu a possibilidade do fim das regras ortográficas do idioma.</p><p>‘Jornalismo: o melhor ofício do mundo’ é o título do discurso que justifica a abertura desse meu texto e que fornece subsídios bem significativos para a discussão que pretendo estimular em minhas oficinas. García Márques afirma categoricamente que o jornalismo é um gênero literário e dá boas razões para sustentar sua crença. O discurso, praticamente um pequeno ensaio, tem críticas interessantes sobre o ensino do Jornalismo na Colômbia que também podem ser aplicadas às universidades brasileiras.</p><p>Mesmo sem concordar inteiramente com algumas de suas críticas e pontos-de-vista do autor, acredito que ele toca em aspectos que renderiam horas e horas de debate sério sobre a relação entre o meio acadêmico, o ambiente nas redações e o distanciamento entre realidade e o fazer jornalístico.</p><p>Para quem lê García Márques desde pequenininho, <em>Eu não vim fazer um discurso </em>pode servir como uma espécie de reencontro com alguém muito conhecido e muito venerável que há tempos não aparece. Faço parte dessa turma de veteranos no realismo fantástico. Para quem é novato nas escrituras do colombiano, em alguns discursos ele oferece chaves e pistas para entender sua literatura.</p><p>&nbsp;</p><div class="addthis_toolbox addthis_default_style " addthis:url='http://www.caotico.com.br/eu-nao-vim-fazer-um-discurso/' addthis:title='Eu não vim fazer um discurso '  ><a class="addthis_button_facebook_like" fb:like:layout="button_count"></a><a class="addthis_button_tweet"></a><a class="addthis_button_google_plusone" g:plusone:size="medium"></a><a class="addthis_counter addthis_pill_style"></a></div>]]></content:encoded> <wfw:commentRss>http://www.caotico.com.br/eu-nao-vim-fazer-um-discurso/feed/</wfw:commentRss> <slash:comments>1</slash:comments> </item> <item><title>Cannabis Medicinal</title><link>http://www.caotico.com.br/cannabis-medicinal/</link> <comments>http://www.caotico.com.br/cannabis-medicinal/#comments</comments> <pubDate>Fri, 04 Mar 2011 16:00:11 +0000</pubDate> <dc:creator>Inácio França</dc:creator> <category><![CDATA[Elocubrações]]></category> <category><![CDATA[cannabis sativa]]></category> <category><![CDATA[censura]]></category> <category><![CDATA[hipocrisia]]></category> <category><![CDATA[maconha]]></category> <category><![CDATA[medicina]]></category> <category><![CDATA[mercado editorial]]></category> <category><![CDATA[proibição]]></category> <category><![CDATA[saúde]]></category><guid isPermaLink="false">http://www.caotico.com.br/?p=1246</guid> <description><![CDATA[Texto publicado originalmente no site do projeto “Por Que a Gente é Assim” A parte da escrita certamente não foi a mais difícil da aventura literária de Sérgio Vidal. Afinal de contas, este antropólogo baiano se debruça sobre os diferentes aspectos da cannabis há nada menos que dez anos. Ainda na faculdade, estudou aspectos sociais [...]<div class="addthis_toolbox addthis_default_style " addthis:url='http://www.caotico.com.br/cannabis-medicinal/' addthis:title='Cannabis Medicinal '  ><a class="addthis_button_facebook_like" fb:like:layout="button_count"></a><a class="addthis_button_tweet"></a><a class="addthis_button_google_plusone" g:plusone:size="medium"></a><a class="addthis_counter addthis_pill_style"></a></div>]]></description> <content:encoded><![CDATA[<p><strong><a href="http://www.porqueagenteeassim.com.br/" target="_blank">Texto publicado originalmente no site do projeto “Por Que a Gente é Assim”</a></strong></p><p><a href="http://www.caotico.com.br/wp-content/uploads/2011/03/maconha1.png"><img class="alignleft size-full wp-image-1248" title="maconha" src="http://www.caotico.com.br/wp-content/uploads/2011/03/maconha1.png" alt="" width="259" height="131" /></a>A parte da escrita certamente não foi a mais difícil da aventura literária de Sérgio Vidal. Afinal de contas, este antropólogo baiano se debruça sobre os diferentes aspectos da cannabis há nada menos que dez anos. Ainda na faculdade, estudou aspectos sociais e culturais da galera que resolveu plantar a erva para driblar o tráfico. Os anos de pesquisa viraram não só monografia de final de curso. Renderam convites para debates e seminários sobre o tema, além de fazer com que o moço mergulhasse de vez no ativismo pró-legalização da plantinha.</p><p>Um dos organizadores da Marcha da Maconha soteropolitana e consumidor voraz de textos sobre o assunto, Sérgio viu uma lacuna no mercado brasileiro de literatura. Enquanto gringos como Ed Rosenthal e Jorge Cervantes já venderam alguns milhões de cópias, quem não lê em inglês ainda sofre se quiser saber mais sobre o cânhamo, seu uso medicinal, cultivo, história e até questões ligadas à legislação. “Tem pouca coisa na internet. Mesmo em Portugal só há uma revista que fala do tema, mas nenhum livro”, percebeu.</p><p>Como quem-sabe-faz-a-hora-não-espera-acontecer, o baiano resolveu se movimentar. Releu tudo o que tinha, juntou anotações de suas pesquisas, sistematizou toda a parada. Conseguiu umas fotos com a revista argentina THC. Aí chamou um amigo diagramador, que também sabe desenhar. Pegou uma grana emprestada com a Associação Brasileira de Estudos Sociais sobre o Uso de Psicoativos e mandou tudo para a gráfica. Barabim, barabum, estavam prontos os três mil exemplares da primeira edição de Cannabis Medicinal – introdução para o cultivo indoor, que foi lançada em dezembro passado.</p><p>A bem bolada obra tem como foco principal os aspectos botânicos da ganja e recebeu sem bronca o ISBN da Biblioteca Nacional. Perrengue mesmo está passando o escriba para poder distribuir. Não bastassem os 40% ou 50% que as livrarias normalmente abocanham (e que tornam a venda proibitiva pra quem é independente), alguns serviços de venda online também andam dando uma dura no militante-escriba.</p><p>“No início contratei a empresa Pagamento Digital. Só que depois dos cinco primeiros livros vendidos eles bloquearam minha conta e ainda ficaram com a grana dos clientes. Depois me disseram que meu livro oferecia risco ao funcionamento da firma deles”. Como assim, cara pálida? “Era puro medo de que alguém resolvesse entrar com um processo me acusando de apologia e eles fossem envolvidos”, acredita o antropólogo. O Mercado Livre também anda farrapando. Por duas vezes, o anúncio da publicação foi retirado do ar. “Não vendo maconha, não vendo sementes. Vendo um livro!”, arretou-se no twitter dia desses.</p><p>Antes de você jogar o primeiro pacotinho de seda Colomy, entenda que as instruções das 160 páginas de “Cannabis Medicinal” podem, sim, ser utilizadas dentro da legalidade. A lei no Brasil permite que se cultive maconha, com a autorização da Anvisa, para fins medicinais. Só que até hoje nenhuma instituição fez esse pedido formalmente. Inocência às favas, o principal público que paga R$ 29,90 (mais R$ 6,00 de frete) é mesmo o pessoal que pretende usar o conhecimento adquirido para plantar e colher suas próprias belotas, com a consciência limpa de não dar mais nenhum real para a criminalidade.</p><p>Esquivando-se da caretice, Sérgio tem distribuído sua obra por conta própria, contando com a ajuda dos amigos. O sites <a href="http://www.growroom.net/" target="_blank">Growroom</a>e <a href="http://www.hempadao.blogspot.com/" target="_blank">Hempadão</a> estão divulgando o livro, que pode ser comprado diretamente com o autor, por email (sergiociso@gmail.com) ou na <a href="http://www.cultivomedicinal.com.br/" target="_blank">loja virtual criada especialmente para este fim.</a></p><p>Pra não atiçar o possível preconceito de algum vizinho, o livro segue pelo correio em embalagem discreta. O autor também garante que não guarda o endereço de ninguém. Nessa luta quase quixotesca, o importante mesmo é disseminar a informação.</p><p>“Hoje em dia já se sabe o suficiente pra maconha ser liberada. Mas falta popularizar esse conhecimento e cobrar de políticos que as leis sejam mudadas”, pitaca o ativista. “Precisa ter mais livros, revistas, sites falando sobre o tema de forma mais aberta”. Para Sérgio, mais importante que a legalização é o que ele chama de ‘normalização’ “Leis são regras num papel. É a cultura que diz como serão aplicadas. A lei diz que é proibido vender CDs piratas. Mas na cultura brasileira isso é normal. A lei diz que o usuário de maconha que planta sua própria erva não pode ser preso, mas na cultura brasileira isso não é normal ainda, então, muitos usuários ainda são presos por isso”.</p><p><a href="http://www.porqueagenteeassim.com.br/" target="_blank">Este texto foi publicado originalmente no site do projeto “Por Que a Gente é Assim”</a></p><div class="addthis_toolbox addthis_default_style " addthis:url='http://www.caotico.com.br/cannabis-medicinal/' addthis:title='Cannabis Medicinal '  ><a class="addthis_button_facebook_like" fb:like:layout="button_count"></a><a class="addthis_button_tweet"></a><a class="addthis_button_google_plusone" g:plusone:size="medium"></a><a class="addthis_counter addthis_pill_style"></a></div>]]></content:encoded> <wfw:commentRss>http://www.caotico.com.br/cannabis-medicinal/feed/</wfw:commentRss> <slash:comments>1</slash:comments> </item> <item><title>Josué de Castro, o Gênio Silenciado</title><link>http://www.caotico.com.br/josue-de-castro-o-genio-silenciado/</link> <comments>http://www.caotico.com.br/josue-de-castro-o-genio-silenciado/#comments</comments> <pubDate>Thu, 17 Dec 2009 17:53:46 +0000</pubDate> <dc:creator>Inácio França</dc:creator> <category><![CDATA[Leituras Caóticas]]></category> <category><![CDATA[Geografia da Fome]]></category> <category><![CDATA[Geopolítica da Fome]]></category> <category><![CDATA[Instituto Maximiano Campos]]></category> <category><![CDATA[ISBN]]></category> <category><![CDATA[Josué de Castro]]></category> <category><![CDATA[mercado editorial]]></category> <category><![CDATA[Vandeck Santiago]]></category><guid isPermaLink="false">http://www.caotico.com.br/?p=544</guid> <description><![CDATA[Duas atitudes são fundamentais para um jornalista ser aceito entre seus iguais nas redações do século XXI: freqüentar o bar da moda e cultivar uma auto-imagem de paladino da Justiça, de corajoso fiscal da ética acima do bem e do mal. Também é recomendável manter o nariz empinado. 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Também é recomendável manter o nariz empinado. Vandeck Santiago não faz nada disso, mas é um dos melhores seres humanos dessa raquítica atividade que é o Jornalismo.</p><p>Criatividade e talento para escrever já não são assim tão importantes, mas Vandeck sabe escrever, tem ótimas ideias e, apesar de já ter trabalhado na Veja, é um homem honrado. Pausa para esclarecimento: respeito muito esse sujeito, o conheço desde que eu era estudante e ele já trabalhava na sucursal da acima citada revista, mas não dá para dizer que somos amigos. Nem sei onde ele mora.</p><p>Com todo esse blá-blá-blá, o que estou querendo dizer é que seu livro <em>Josué de Castro, o Gênio Silenciado </em>é uma ótima sacada, resultado de sua criatividade, do seu rigor na apuração e da sua intimidade com a escrita. Ao mesmo tempo, é uma evidência incontestável que não existe mercado editorial em Pernambuco. Aliás, provavelmente essa última afirmativa é válida para o Nordeste inteiro, mas a ignorância impede que eu generalize.</p><p>Vandeck utilizou as ferramentas e técnicas do Jornalismo para escrever um livro que poderíamos chamar de básico sobre um dos brasileiros mais importantes do século XX. <em>O Gênio Silenciado </em>não é uma biografia de Josué de Castro, longe disso, mas uma espécie de lanterna a alumiar o caminho das pedras para estudantes ou para quem pretende pesquisar a obra e a vida do homem que escreveu o lendário <em>A Geografia da Fome</em>.</p><p>Escrito como uma reportagem, pode ser lido com facilidade pelos não-iniciados em Sociologia ou Geografia. Em compensação, os iniciados não ficarão com cabelos em pé, pois a apuração &#8211; a verificação cuidadosa de dados, nomes e datas -, garante que não há nenhum absurdo histórico ou conceitual em suas páginas.</p><p>O texto é bom, a ideia é ótima, Josué de Castro é um personagem que vale esse e outros mil livros. Até aí tudo bem. O problema é que os problemas de edição são numerosos, como a maioria absoluta dos livros lançados por aqui.</p><p>Conversei com Vandeck e ele me contou que foi a poetisa Lucila Nogueira quem mobilizou meio mundo de gente para que o texto fosse publicado. Essa movimentação levou o Instituto Maximiano Campos a bancar os custos da publicação, que saiu sob o selo da Bagaço, que garantiu o número do ISBN – aquele código de barras na contracapa que funciona como uma espécie de número de RG de uma obra.</p><p>Se existisse uma editora em Pernambuco, um profissional de edição teria se debruçado sobre os originais e solicitado que o autor incluísse alguns nomes, aprofundasse uma ou outra passagem, recomendado que o conteúdo das numerosas entrevistas ping-pong fosse diluído ao longo das 160 e tantas páginas. A capa não seria tão sem graça, com cor de cocô de menino pequeno.</p><p>Sou capaz de apostar que nenhuma editora aqui faz esse trabalho, quando muito faz o que a Bagaço fez com <em>O Gênio Silenciado</em>.</p><p>Aliás, a própria ideia de lançar livros que funcionam como ponto de partida para iniciantes seria transformada numa coleção com volumes sobre personagens com escassa bibliografia disponível.</p><p>Enfim, livro lançado pelas bandas de cá raramente é um bom produto, daqueles que o livreiro não fica com vergonha de botar na prateleira. Há exceções, mas essas são apenas isso: exceções.</p><p>Como esse negócio de fazer blog não rende um centavo, não posso montar minha própria editora e publicar logo de cara uma coletânea com as crônicas de <a href="http://www.espalitandodente.blogspot.com/">Paulo Bono</a>. Então, por enquanto o jeito é continuar reclamando.</p><p><a href="http://www.caotico.com.br/wp-content/uploads/2009/12/vandeck.jpg"><img class="alignnone size-medium wp-image-546" title="Vandeck Santiago" src="http://www.caotico.com.br/wp-content/uploads/2009/12/vandeck-350x284.jpg" alt="vandeck" width="184" height="149" /></a></p><p><strong>Sobre o escritor</strong></p><p>Vandeck Santiago tem uns 40 e tantos anos, já trabalhou na Folha de S. Paulo e na Veja, mas nem parece. É repórter especial do Diário de Pernambuco e já fez um monte de cadernos sobre Francisco Julião, Joaquim Nabuco, Josué de Castro e outros que não lembro agora. Quando fiz parte da comissão julgadora do Prêmio Cristina Tavares, em 2004, ele ganhou o prêmio principal e eu quase que apanho do pessoal do jornal concorrente.</p><div class="addthis_toolbox addthis_default_style " addthis:url='http://www.caotico.com.br/josue-de-castro-o-genio-silenciado/' addthis:title='Josué de Castro, o Gênio Silenciado '  ><a class="addthis_button_facebook_like" fb:like:layout="button_count"></a><a class="addthis_button_tweet"></a><a class="addthis_button_google_plusone" g:plusone:size="medium"></a><a class="addthis_counter addthis_pill_style"></a></div>]]></content:encoded> <wfw:commentRss>http://www.caotico.com.br/josue-de-castro-o-genio-silenciado/feed/</wfw:commentRss> <slash:comments>9</slash:comments> </item> <item><title>Para não dizer que não falei da Bienal</title><link>http://www.caotico.com.br/para-nao-dizer-que-nao-falei-da-bienal/</link> <comments>http://www.caotico.com.br/para-nao-dizer-que-nao-falei-da-bienal/#comments</comments> <pubDate>Mon, 12 Oct 2009 21:09:45 +0000</pubDate> <dc:creator>Inácio França</dc:creator> <category><![CDATA[Elocubrações]]></category> <category><![CDATA[Bienal do Livro]]></category> <category><![CDATA[Centro de Convenções de Pernambuco]]></category> <category><![CDATA[editoras]]></category> <category><![CDATA[Feira do Livro]]></category> <category><![CDATA[Homero Fonseca]]></category> <category><![CDATA[mercado editorial]]></category><guid isPermaLink="false">http://www.caotico.com.br/?p=415</guid> <description><![CDATA[Por que um blogueiro que se mete a escrever sobre livros não escreveu uma única linha sobre a Bienal do Livro que acontece em sua cidade? Pois é, a Bienal acaba hoje e o Caótico nem aí pra ela. 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Pois é, a Bienal acaba hoje e o Caótico nem aí pra ela.</p><p>No papel, até que se trata de algo interessante, afinal passaram pelo pavilhão do Centro de Convenções alguns escritores respeitáveis, um bocado de gente boa que aparece graças à credibilidade do curador, meu antigo chefe Homero Fonseca que também foi editor da revista Continente.</p><p>Homero se esforçou e deve receber os créditos pela programação de debates, confinada a um aquário de vidro bem apertado no meio do pavilhão. Em tese, os debates e diálogos são as únicas coisas que valem a pena no evento. Digo &#8220;em tese&#8221; porque o lugar é barulhento, com gente passando por todos os lados das paredes transparentes, mas lá, por exemplo, foi possível os autores pernambucanos conhecerem o trabalho do escritor <a href="http://www.sacolagraduado.blogspot.com">Sacolinha</a> na prefeitura de Suzano, com o relatou Samarone no seu <a href="http://www.estuario.com.br">Estuário</a>.</p><p>Fora isso, a Bienal Internacional do Livro de Pernambuco é uma porcaria.Passei por lá na quarta-feira, dia 7 de outubro, e encontrei amigos e conhecidos que não via há tempos. A opinião era unânime. O mais indulgente disse que aquilo era muito &#8220;trash&#8221;. Mas, como é típico em Pernambuco, a mídia local tratou a feira com a velha falta de espírito crítico de sempre.</p><p>A Bienal é barulhenta, com shows que abafam qualquer tentativa de conversa nos cantos mais escondidos do pavilhão. O alarido é insuportável, um ambiente insalubre para quem precisa de paz para folhear um livrinho qualquer.</p><p>Cheio de pena, passei por um estande muito do malamanhado onde uma menina lia uns versinhos no microfone, sendo efusivamente aplaudida por duas senhoras, sua mãe e sua avó, suponho. Mais confusão sonora, além do constrangimento por tamanha exposição desnecessária.</p><p>Infelizmente a barulheira é o menor dos problemas da Bienal que, aliás, nem merece esse nome. Deveria ser Feirão do Livros ou Saldão de Livros. Seria um nome mais justo para designar aquilo que está chegando ao final nesse momento no Centro de Convenções.</p><p>Não há estandes das grandes editoras, aliás só percebia presença das &#8220;editoras&#8221; pernambucanas, essas empresas que garantem edições com tiragens minguadas e os autores que se virem com todos os gastos, da gráfica à distribuição. Sem as editoras relevantes, a organização da Bienal é quem traz os escritores importantes, o que evidencia o defeito de fábrica desse evento. A maioria dos espaços são ocupados por livreiros, distribuidores ou mesmo prefeituras.</p><p>Na década de 90, ainda trabalhando como repórter especial do Diário de Pernambuco, cobri três bienais de verdade e posso assegurar que a presença das editoras fazem uma diferença enorme. Tanto no Rio de Janeiro em 1997 e 1999, quanto em São Paulo em 1998, os principais acontecimentos eram os lançamentos de livros nos espaços dos responsáveis pela sua publicação.</p><p>Não lembro de ter visto ou escutado shows no Riocentro ou no Center Norte, as únicas estrelas eram os livros e seus autores, que tinham oportunidade de interagir com muitos editores. O ingresso era pago, mas quem comprava qualquer obra tinha um desconto equivalente ao que pagou na bilheteria, uma ótima ideia para incentivar a aquisição de livros.</p><p>A &#8220;Bienal&#8221; de Pernambuco também assegura espaço para stands de bijuterias, artesanato, trufas e bugigangas mil. A proposta é incentivar o consumo de quê? Literatura ou das mesmas mercadorias cujos expositores são ratos de feira e montam suas lojinhas em todos, absolutamente todos, os eventos que acontecem no Centro de Convenções.</p><p>Alguém pode argumentar que as centenas de ônibus com alunos de escolas particulares e públicas que passaram pela Bienal eram a prova de que o evento estimulou a leitura. É, pode ser, mas nesse caso números dizem pouco. Gostaria de ter conversado com muitos dos adolescentes que vi sentados na rampa de acesso, esperando as professoras ou os motoristas dos ônibus. Se tivesse tido a ideia na hora, teria perguntado quais foram os livros mais interessantes que folhearam, se conversaram com algum poeta, se foram bem acolhidos.</p><p>Duvido que tenham tido paz para escutar contadores de histórias em estandes espaçosos ou a chance de conseguir um autógrafo de um escritor realmente importante.</p><p>Para ficar ruim, a Bienal do Livro de Pernambuco terá de melhorar muito.</p><div class="addthis_toolbox addthis_default_style " addthis:url='http://www.caotico.com.br/para-nao-dizer-que-nao-falei-da-bienal/' addthis:title='Para não dizer que não falei da Bienal '  ><a class="addthis_button_facebook_like" fb:like:layout="button_count"></a><a class="addthis_button_tweet"></a><a class="addthis_button_google_plusone" g:plusone:size="medium"></a><a class="addthis_counter addthis_pill_style"></a></div>]]></content:encoded> <wfw:commentRss>http://www.caotico.com.br/para-nao-dizer-que-nao-falei-da-bienal/feed/</wfw:commentRss> <slash:comments>5</slash:comments> </item> </channel> </rss>
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