<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?> <rss version="2.0" xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/" xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/" xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/" xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom" xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/" xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/" ><channel><title>Caótico &#187; Mídia</title> <atom:link href="http://www.caotico.com.br/tags/midia/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" /><link>http://www.caotico.com.br</link> <description>Espaço de leituras,  histórias &#38; especulações &#124; Por Inácio França</description> <lastBuildDate>Tue, 07 Feb 2012 19:41:39 +0000</lastBuildDate> <language>en</language> <sy:updatePeriod>hourly</sy:updatePeriod> <sy:updateFrequency>1</sy:updateFrequency> <xhtml:meta xmlns:xhtml="http://www.w3.org/1999/xhtml" name="robots" content="noindex" /> <item><title>Quando os farsantes falam a verdade</title><link>http://www.caotico.com.br/quando-os-farsantes-falam-a-verdade-2/</link> <comments>http://www.caotico.com.br/quando-os-farsantes-falam-a-verdade-2/#comments</comments> <pubDate>Fri, 17 Jun 2011 12:28:53 +0000</pubDate> <dc:creator>Inácio França</dc:creator> <category><![CDATA[Elocubrações]]></category> <category><![CDATA[Diário do Pará]]></category> <category><![CDATA[Jáder Barbalho]]></category> <category><![CDATA[jornais]]></category> <category><![CDATA[Mídia]]></category> <category><![CDATA[O Liberal]]></category> <category><![CDATA[Pará]]></category> <category><![CDATA[política]]></category> <category><![CDATA[Rômulo Maiorana]]></category><guid isPermaLink="false">http://www.caotico.com.br/?p=1448</guid> <description><![CDATA[Jornais, internet, TV, rádio são instrumentos que fazem o mundo parecer menor, nos fazem crer que tudo que acontece de relevante mundo afora chega ao nosso conhecimento rapidamente. Ainda ontem, por exemplo, li em algum desses grandes portais na internet que uma ovelha subiu num telhado na Inglaterra. 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Ainda ontem, por exemplo, li em algum desses grandes portais na internet que uma ovelha subiu num telhado na Inglaterra. Sem falar na contínua e permanente torrente de notícias de trocas de namorados entre atrizes, jogadores do futebol e celebridades de menor prazo de validade.</span></p><p><span style="font-size: small;">Alguém decide o que é relevante. E esse alguém não é o dono da empresa de mídia, já que ele tem coisas mais importantes a fazer. Para isso, ele escala diretores ou gerentes de jornalismo, gente de sua confiança paga para adivinhar os desejos do patrão. Esses escalama editores para decidir o que eu e você iremos ler.</span></p><p><span style="font-size: small;">Há um mês, um dono de jornal, de emissora de TV que retransmite a Globo, de rádios e de um portal na web, resolveu ele mesmo fazer o serviço.</span></p><p><span style="font-size: small;">Rômulo Maiorana Júnior, herdeiro do maior grupo de comunicação do Norte do Brasil, enfrentou o teclado do computador e redigiu um artigo contra o tristemente famoso Jáder Barbalho, ex-governador, ex-senador pelo Pará e dono do grupo de comunicação concorrente.</span></p><p><span style="font-size: small;">Num texto sofrível, mas muito, muito, muito ruim, usou palavras que raramente aparecem nas páginas dos jornais para se referir a um adversário, principalmente se esse jornal for o seu e você tem um mínimo de preocupação com a credibilidade da sua publicação. O título? <em>Um safado e sua safadeza</em>. Dá para imaginar o que vem, não dá?</span></p><p><span style="font-size: small;">Logo no primeiro parágrafo “é por todos conhecido: um ‘ficha-suja’, canalha, sem-vergonha, safado, chantagista, corrupto e ladrão”. Na lata, sem cuspe e sem estilo. Maiorana ainda sapecou um “estórias” no início, provavelmente para o leitor perceber imediatamente seu escasso conhecimento do idioma.</span></p><p><span style="font-size: small;">Se as mídias realmente fossem capazes de fazer o mundo ficar menor, bastava esse início para que o assunto se transformasse em notícia nacional. Nada disso. Nem os blogs ditos progressistas, independentes ou de esquerda (Nassif, Vi o Mundo, Escrevinhador ou Paulo Henrique Amorim) registraram o ineditismo do tom das acusações.</span></p><p><span style="font-size: small;">Convenhamos, essa cegueira para tudo que não está no Rio, São Paulo ou Brasília – ou para tudo que não é parido nas redações dessas capitais – chega a ser cômica. A disputa por audiência entre Luciano Huck e um tal de Faro não-sei-o-quê mereceu amplos espaços.</span></p><p><span style="font-size: small;">Júnior, contudo, guardou o melhor para o miolo do seu, digamos, texto. Em péssimo português, ele garantiu que seu pai costumava trocar cheques sem fundo de Jáder Barbalho, cheques que até hoje estariam guardados no baú dos Maiorana.</span></p><p><span style="font-size: small;">Em seguida, um tiro no pé constrangedor, desses que dá vergonha alheia: “Dizem que meu pai era contrabandista. Ora, se ele foi contrabandista, foi para dar comida a sete pessoas, a sua família”. Esse era um assunto proibidíssimo nas Organizações Rômulo Maiorana, a ORM. Se o sujeito fosse pego falando disso no elevador com o ascensorista era demitido no ato, sem choro nem vela.</span></p><p><span style="font-size: small;">Foi por causa dessa acusação que o jornalista Lúcio Flávio Pinto levou uma surra de Ronald, irmão de Rômulo, e sua turma, além de tomar cinco processos nas costas. Há alguns anos, Lúcio ousou publicar em seu Jornal Pessoal, cuja capa da quinzena passada reproduzo acima, o que era público e notório em Belém: a origem da fortuna de Papai Maiorana era o contrabando. Apanhou e foi processado. Agora, ri por último.</span></p><p><span style="font-size: small;">Lúcio Flávio, por sinal, se pergunta: se tem os cheques sem fundo de Jáder, por que não os escaneou e publicou na primeira página do jornal?</span></p><p><span style="font-size: small;">E por que tanta ira de Júnior? Porque, na véspera, o Diário do Pará, de Jáder, publicou na primeira página que ele, Júnior, disse em depoimento à Justiça Federal que não tinha nada a ver com a fraude de R$ 4 milhões na Sudam, que era tudo culpa do irmão Ronald. Explico: os Maiorana pegaram um empréstimo na Sudam para investir numa fábrica de sucos artificiais, mas tinham que investir valor idêntico na indústria. Eles deram uma contrapartida de mentirinha, segundo o Ministério Público.</span></p><p><span style="font-size: small;">A resposta de Jáder também foi grotesca, apesar de ser assinada pelo Diário do Pará. Menos corajoso, o ex-tudo preferiu compartilhar a autoria da sua grosseria com a equipe de profissionais que trabalham no seu jornal.</span></p><p><span style="font-size: small;">O texto ditado por Jáder Barbalho é machista e absurdamente preconceituoso, culpando a TPM de Júnior pelo seu “comportamento de profunda irritação”. As insinuações sobre a sexualidade do inimigo são de um profundo mau gosto. Numa delas, afirma que trata-se de “um ser com fortes características femininas”, como se isso pudesse reduzir a personalidade e o caráter de alguém.</span></p><p><span style="font-size: small;">Em seguida, Jáder (ou o Diário, vá lá) lista delitos, crimes e deslizes éticos do clã dos Maiorana. Ao mencionar os cheques sem fundo, tem seu melhor momento usando fina ironia: “Contrabandista, sim, se sabia. Agiota, é a primeira vez que a sociedade toma conhecimento”. Essa foi boa.</span></p><p><span style="font-size: small;">O mais espantoso nessa história toda é que nada ultrapassou as fronteiras do Pará. Por desencargo de consciência, acabo de pesquisar no Google e nos mecanismos de busca dos blogs acima mencionados. As menções a esse episódio aparecem apenas em blogs e páginas locais, como o de <a href="http://thaisgentile.blogspot.com/2011/05/jader-barbalho-x-romulo-maiorana.html">Thaís Gentile, moça que teve a sensibilidade de reproduzir as duas agressões na íntegra</a>. Nas páginas nacionais, só encontrei textos antigos, a maioria relacionada à agressão sofrida por Lúcio Flávio.</span></p><p><span style="font-size: small;">No final das contas, esse capítulo do conflito autofágico envolvendo mídia e poder é excelente, pois revela as armadilhas e os mecanismos ideológicos de dominação. Já não há máscaras e disfarces que caibam nessa dupla, afinal, tenho certeza que, finalmente, os dois jornais estão publicando a verdade. </span></p><div class="addthis_toolbox addthis_default_style " addthis:url='http://www.caotico.com.br/quando-os-farsantes-falam-a-verdade-2/' addthis:title='Quando os farsantes falam a verdade '  ><a class="addthis_button_facebook_like" fb:like:layout="button_count"></a><a class="addthis_button_tweet"></a><a class="addthis_button_google_plusone" g:plusone:size="medium"></a><a class="addthis_counter addthis_pill_style"></a></div>]]></content:encoded> <wfw:commentRss>http://www.caotico.com.br/quando-os-farsantes-falam-a-verdade-2/feed/</wfw:commentRss> <slash:comments>2</slash:comments> </item> <item><title>Como se fosse ontem (quatro)</title><link>http://www.caotico.com.br/como-se-fosse-ontem-escola-base/</link> <comments>http://www.caotico.com.br/como-se-fosse-ontem-escola-base/#comments</comments> <pubDate>Wed, 11 May 2011 01:49:56 +0000</pubDate> <dc:creator>Inácio França</dc:creator> <category><![CDATA[Elocubrações]]></category> <category><![CDATA[Diário Popular]]></category> <category><![CDATA[editoria de polícia]]></category> <category><![CDATA[Jorge de Miranda Jordão]]></category> <category><![CDATA[jornalismo]]></category> <category><![CDATA[Mídia]]></category> <category><![CDATA[Miranda Jordão]]></category> <category><![CDATA[reportagem]]></category> <category><![CDATA[repórter]]></category><guid isPermaLink="false">http://www.caotico.com.br/?p=1370</guid> <description><![CDATA[Antônio Carlos chegou da rua alegre que só menino com brinquedo novo. Quando tinha um furo ou uma boa história nas mãos, exibia um sorriso pela metade e tentava aparentar uma modéstia tão falsa quanto tang de laranja. O foda é que, como poucos, ele sabia cultivar uma fonte graças a uma virtude rara em [...]<div class="addthis_toolbox addthis_default_style " addthis:url='http://www.caotico.com.br/como-se-fosse-ontem-escola-base/' addthis:title='Como se fosse ontem (quatro) '  ><a class="addthis_button_facebook_like" fb:like:layout="button_count"></a><a class="addthis_button_tweet"></a><a class="addthis_button_google_plusone" g:plusone:size="medium"></a><a class="addthis_counter addthis_pill_style"></a></div>]]></description> <content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.caotico.com.br/wp-content/uploads/2011/05/escola_base.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-1371" title="escola_base" src="http://www.caotico.com.br/wp-content/uploads/2011/05/escola_base.jpg" alt="" width="243" height="164" /></a>Antônio Carlos chegou da rua alegre que só menino com brinquedo novo. Quando tinha um furo ou uma boa história nas mãos, exibia um sorriso pela metade e tentava aparentar uma modéstia tão falsa quanto tang de laranja. O foda é que, como poucos, ele sabia cultivar uma fonte graças a uma virtude rara em repórteres: não sei como fazia, mas não deixava transparecer sua ansiedade para arrancar uma informação.</p><p>Numa equipe de companheiros acostumados a jogar juntos, era o único que não conseguia esconder a ambição sob os lençóis da cumplicidade. Creio que, por essa razão, estava longe de ser uma unanimidade na editoria de Polícia. Naquela tarde, contudo, ninguém discordou: a história era simplesmente do caralho.</p><p>Era notícia com repercussão nacional na certa: o diretor de uma escola de jardim-da-infância acusado de promover sessões de filmes pornô para criancinhas de três, quatro, cinco anos de idade, e ocultar os terríveis crimes de um tarado que abusava dos alunos que transportava de casa para a escola e da escola para casa em sua van. A quadrilha de criminosos sexuais mais hedionda da história do Brasil estava toda presa no xadrez da delegacia do Cambuci.</p><p>E o delegado passou tudo de mãos beijadas para Antônio Carlos. Com exclusividade, para aquele porra escrever sozinho.</p><p>Ele já batucava a abertura da matéria no computador quando a história foi contada para o pessoal responsável pelo fechamento no jornal, lá no aquário.</p><p>Era raro acontecer, mas Miranda Jordão fez questão de ouvir a história da boca do próprio repórter. E lá foi Antônio Carlos com todo seu entusiasmo. Contou, deu todos os detalhes, explicou como conseguiu a matéria, tudo bem explicadinho, crente que estava abafando.</p><p>- Esqueça. Não vamos dar uma linha dessa história.</p><p>E se fez o silêncio. Secretários de redação, editores, secretário-gráfico, editor de fotografia, todos acostumados a temer e acatar respeitosamente daquele homem enérgico, elegante, de cabelos brancos e grandes olhos azuis, desta vez duvidaram de sua sanidade mental.</p><p>Seu argumento foi único e cortante:</p><p>- Isso tá com cara de armação. É tudo mentira.</p><p>Era definitivo, não havia recursos.</p><p>Nos poucos minutos em que permaneceu no aquário, o dono do permaneceu na moita, não discordou nem concordou. Na redação, entrou em desespero, alternando momentos de fúria e indignação. Não publicar aquele material era algo tão estapafúrdio que acabou recebendo a solidariedade unânime.</p><p>No dia seguinte, ao não encontrar uma linha sobre seu excelente trabalho policial, o delegado arretou-se. Chamou a Rede Globo, a Folha, o Estadão, o escambau, e distribuiu a notícia para quem tivesse interesse. Dois dias depois da entrada triunfal de Antônio na redação, os jornais do Brasl estamparam  o escândalo da Escola Base em suas primeiras páginas, as TVs ultrapassaram todos os limites com a história. As rádios só falavam nisso em tempo integral.</p><p>A histeria tomou conta da população do Cambuci. Instigada por manchetes e chamadas dos telejornais, a vizinhança jogou pedras, invadiu, saqueou a escola. Lembro de uma repórter de TV, dentro da escola depredada, exibindo as provas do delito sexual: fitas VHS do Mickey. Não há licença poética aqui.</p><p>O Diário Popular não deu nada, absolutamente nada. Nem uma notinha. O jornal que melhor cobria violência e temas populares em São Paulo ignorou solenemente o assunto. Ninguém entendeu. Nós, os repórteres, respondíamos com muxoxos às gracinhas que escutávamos todos os dias dos colegas de outros veículos. Os leitores fiéis do Dipo, apelaram para os concorrentes.</p><p>Quinze dias depois, o novo escândalo:</p><p>Era tudo mentira. Armação grosseira.</p><p>Os donos da Escola Base eram inocentes. O perueiro Maurício, inocente.</p><p>A mãe que acusou os educadores e o motorista, uma mulher de origem coreana, não queria enxergar a verdade: era seu marido que exibia pornografia para os dois filhos. Por isso, os meninos sabiam tanta putaria.</p><p>Histérica, a mídia brasileira foi arrastada pela fantasia de uma covarde e pela irresponsabilidade de um policial.</p><p>Elegante, Miranda Jordão novamente não publicou uma linha sobre a desmoralização da Folha, do Estadão, da Globo, do Aqui e Agora, do Jornal da Tarde, da Folha da Tarde.</p><p>Um ano depois, eu já não estava no Diário e sim em O Globo. Meu chefe, não lembro se Luís Carlos Azedo ou Joel Santos Guimarães, me passou a pauta: lembrar o aniversário do caso Escola Base fazendo uma entrevista com Ayres Shimada, o antigo dono da escolinha.</p><p>Ele só concordou em falar comigo quando eu disse que tinha trabalhado no Diário Popular e era amigo de Antônio Carlos. Na época, ele sobrevivia dos trocados que conseguia operando uma máquina xerox na praça da Sé. Foi o que lhe restou.Isso e as lembranças do massacre moral sofrido. Do que ele me contou, recordo poucas coisas, entre elas algo que me surpreendeu: foi espancado pelo delegado Edélcio Lemos diante de W., repórter da Globo, que até hoje permanece na emissora.</p><p>Em 1998, entrevistei Miranda Jordão por telefone para o Diário de Pernambuco. Perguntei qual a razão de não ter publicado sequer a informação que a acusação contra os donos da escola era injusta. Sua resposta foi áspera, para variar:</p><p>- Porque aquilo nunca existiu para o Diário Popular.</p><p>- Como você sabia? O que fez você não publicar a notícia do escândalo antes de todo mundo?</p><p>- Instinto.</p><div class="addthis_toolbox addthis_default_style " addthis:url='http://www.caotico.com.br/como-se-fosse-ontem-escola-base/' addthis:title='Como se fosse ontem (quatro) '  ><a class="addthis_button_facebook_like" fb:like:layout="button_count"></a><a class="addthis_button_tweet"></a><a class="addthis_button_google_plusone" g:plusone:size="medium"></a><a class="addthis_counter addthis_pill_style"></a></div>]]></content:encoded> <wfw:commentRss>http://www.caotico.com.br/como-se-fosse-ontem-escola-base/feed/</wfw:commentRss> <slash:comments>7</slash:comments> </item> <item><title>Cubatão, 1995 (ou Como a Mídia sabota a verdade e é sabotada pela História)</title><link>http://www.caotico.com.br/lembrancas-de-cubatao-ou-como-a-midia-sabota-a-verdade-e-e-sabotada-pela-historia/</link> <comments>http://www.caotico.com.br/lembrancas-de-cubatao-ou-como-a-midia-sabota-a-verdade-e-e-sabotada-pela-historia/#comments</comments> <pubDate>Fri, 29 Oct 2010 12:26:43 +0000</pubDate> <dc:creator>Inácio França</dc:creator> <category><![CDATA[Elocubrações]]></category> <category><![CDATA[eleições 2010]]></category> <category><![CDATA[FHC]]></category> <category><![CDATA[greve]]></category> <category><![CDATA[jornalismo]]></category> <category><![CDATA[luta sindical]]></category> <category><![CDATA[Mídia]]></category> <category><![CDATA[petrobras]]></category> <category><![CDATA[petroleiros]]></category> <category><![CDATA[política]]></category> <category><![CDATA[privatizações]]></category> <category><![CDATA[PSDB]]></category> <category><![CDATA[refinaria]]></category> <category><![CDATA[sindicato]]></category><guid isPermaLink="false">http://www.caotico.com.br/?p=1036</guid> <description><![CDATA[Viajamos de madrugada para Cubatão. 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Tatá nem precisou interfonar, eu já esperava na portaria do prédio carregando mala e cuia. Conceição levava um pouco mais: mala, cuia, câmaras fotográficas, lentes, filtros e uma barraca de camping. Ele – sim, Conceição é do sexo masculino, sobrenome de José Luís – temia perder alguma foto fundamental caso ficasse dormindo no hotel conosco. Atravessamos a escuridão e vimos o sol nascer descendo a Serra do Mar.</p><p>Iríamos render a equipe que fazia plantão na desde a manhã da véspera. E sabíamos que não haveria rendição. Um dia antes, tínhamos topado a proposta de Joel Santos Guimarães, um dos coordenadores da equipe de reportagem “nacional” da sucursal paulista de O Globo: só voltar com o fim da greve, não importa quando. A chefia da redação queria evitar o vai-e-vem de repórter, fotógrafo e  motorista subindo e descendo a serra. Aceitamos e impusemos apenas uma condição: a redação não iria pirangar com dinheiro, receberíamos o que fosse necessário para comer e beber bem, lavar as roupas e o que mais fosse necessário.</p><p>Os petroleiros haviam entrado em greve no início de maio do primeiro ano do primeiro mandato de Fernando Henrique Cardoso. Os operários da Petrobrás paralisaram as atividades por dois motivos, um salarial e outro político. O governo se recusava a pagar o previsto no acordo salarial assinado no ano anterior. Isso fazia parte da estratégia de sucatear a empresa e quebrar o monopólio estatal do petróleo. Shell, Esso, Texaco e o diabo-a-quatro, influenciavam diretamente a política do governo de FHC nessa área. Todo mundo querendo chupar o sangue negro da Petrobrás.</p><p>O estopim foi o negócio do salário. Mas os petroleiros entraram em greve com várias outras categorias, mas depois ficaram sozinhos. Os outros voltaram a trabalhar, mas os caras de uniforme cinza insistiram na paralisação. Eles perceberam que havia algo mais em jogo: logo no terceiro dia de greve, os petroleiros de Cubatão invadiram a refinaria como se dissessem: “Esse petróleo é do Brasil, é de todos nós. Não vamos deixar vocês darem tudo de mão beijada para os gringos”.</p><p>Nas assembleias, os petroleiros tinham decidido: vamos garantir o abastecimento de gás e gasolina para a população. Essa foi a razão da ocupação em Cubatão. Em todos os outros lugares tinham um pouco de trabalhadores na ativa, mantendo o essencial.</p><p>Fernando Henrique e sua tropa tratou os grevistas como se bandidos fossem. Coisa de dar inveja a Garrastazu ou ao general Sílvio de Abreu. O exército ocupou duas refinarias em Paranaguá, Paulínia e uma terceira, salvo engano, no Rio de Janeiro. O governo alegava que era para garantir a integridade do patrimônio público. Mentira da gota. Quem teria mais condições de garantir aqueles equipamentos: os petroleiros que lidavam com eles todos os dias ou um bando de meninos de 18 anos que mal sabiam atirar?</p><p>Lembro que, a partir daí, os petroleiros se transformaram em demônios nas manchetonas dos jornais e chamadas da TV, principalmente a Rede Globo, lógico. Faltava gasolina nos postos. Culpa dos petroleiros, berravam os colunistas. Não havia gás para fritar ovo na cozinha. Culpa dos petroleiros, escandalizavam-se as capas de revistas. A economia teria prejuízos. Culpa dos petroleiros, insistiam os analistas.</p><p>Um linchamento maior, muito maior, do que sofreu Lula em 2005. Uma manipulação mais cafajeste do que a que presenciamos nessa eleição de 2010. Os petroleiros ficaram sozinhos durante semanas. E resistiram. Com salários cortados e demissões anunciadas, mas resistiram.</p><p>Nas redações, meus colegas jornalistas se engalfinhavam para emplacar a matéria que renderia a manchete mais sacana, a notícia mais desfavorável aos grevistas. O sofrimento das donas-de-casa sem butijão de gás ocupava minutos e minutos de tevê, metros de jornal. Os editores se esforçavam para parecer cada vez mais confiáveis aos olhos dos Frias, dos Civita, dos Marinho e dos Mesquita. A moçada queria justificar seus salários e, quem sabe, subir mais um pouco na vida.</p><p>Joel Guimarães não fazia parte daquela turma. Subir na vida não fazia parte das suas preocupações matinais. Seu tesão era descobrir uma boa história e narrá-la. Naquela época, o chope que tomávamos molhava seu sonho de fazer uma grande matéria resgatando a história do capitão Lamarca. Além disso, Joel batizou seu primogênito de Lênin e o despertava ao som da Internacional.</p><p>Hoje eu sei que Joel sempre soube o que estava em jogo naquela cobertura. Por isso, me pediu para descer a serra e ficar por lá, de olho nos petroleiros e no exército. Antes de partir e por telefone ele sempre me recomendava: “Não precisa mandar matéria todos os dias. Só manda, se for notícia mesmo, se não for, não manda, sossega”. Ele sabia que eu jamais pisaria no pescoço de um petroleiro para injetar combustível em minha carreira.</p><p>Tanto que só mandei dois textos. No segundo dia “morando” em Cubatão, o pessoal da prefeitura petista de Santos avisou que descobriram uma distribuidora de gás estava escondendo milhares de butijões em um depósito clandestino. Era a ponta de um iceberg: meses depois, ficou claro que eram as distribuidoras (muitas delas ligadas às acima citadas Shell, Esso e Texaco) as responsáveis pela escassez de gás e gasolina. Por que faziam isso? Para fuder os petroleiros e a Petrobrás, óbvio.</p><p>Minha matéria saiu sem destaque, mas eu a escrevi e Joel a enviou ao Rio. Outro jornalão também deu, não lembro qual. Nenhuma emissora de TV noticiou. Como, aliás, meses depois não noticiaram a verdade sobre a sabotagem dos empresários donos de distribuidoras. Normal. Afinal, sabotagem também é o negócio dos empresários de comunicação no Brasil.</p><p>Aquela cobertura me deu, porém, a oportunidade testemunhar de perto como é que a sabotagem acontece.</p><p>Foi o hoje tristemente famoso César Tralli quem me deu essa lição.</p><p>César era repórter da Globo há pouco tempo, vindo do programa sensacionalista Aqui Agora, do SBT. Como eu havia sido repórter de polícia do Diário Popular, houve um tempo que sempre nos encontrávamos nas ruas. Gostava dele. Era boa praça e simpático, sem afetações.</p><p>Naquele mês de maio, voltamos a nos encontrar na porta da Refinaria Presidente Bernardes. Ele pela Globo, eu pelo Globo.</p><p>Era comum marcarem as assembleias para o início da tarde, logo após o almoço, tanto para manter a mobilização quanto para traçar estratégias de ajuda mútua para as famílias. O clima naquela época do ano estava bem agradável, principalmente porque a refinaria fica aos pés da serra coberta de vegetação, daí não havia problemas com o sol quente no quengo.</p><p>Enquanto os petroleiros chegavam, muitos deles acompanhados de mulher e filhos, alguns repórteres assistiam tevê sob uma tenda armada junto ao portão principal ao lado de um grupo de sindicalistas e duas senhoras. Apesar da maciça campanha midiática, o ambiente não era hostil. Ainda.</p><p>Antes de começar o Jornal Hoje, César se despede, explicando que precisaria ir, pois iria apanhar um helicóptero ali perto para entrar ao vivo no telejornal da tarde sobrevoando a refinaria.</p><p>A essa altura, havia uma pequena multidão no pátio em frente ao portão da Presidente Bernardes.</p><p>Pouco depois, assistíamos às matérias sobre a greve no JH quando a apresentadora chama César Tralli “ao vivo” do helicóptero. Meu queixo caiu, era difícil acreditar: ele entrou no ar afirmando categoricamente o grupo de pessoas que se aglomerava diante da refinaria eram petroleiros que discordavam da greve e que estavam ali para voltar ao trabalho, mas os sindicalistas não permitiam e mantinham os portões fechados.</p><p>Eu estava ali embaixo, cercado de petroleiros, vendo a tevê mostrar a imagem aérea da nossa barraca colorida e de 200 ou 300 petroleiros ao meu redor. Eu sabia que todos aguardavam o início da assembleia. E eu sabia que César sabia disso. Os petroleiros sabiam que ele sabia, pois poucos minutos antes o receberam com cortesia. E o pior: eles também sabiam que eu era repórter do Globo.</p><p>Tive mais vergonha do que medo. Já conhecia muitos daqueles trabalhadores pelo nome, conhecia suas histórias de vida. Só consegui dizer duas palavras: “Que escroto&#8230;” Saí de cabeça baixa e não voltei mais à barraca.</p><p><a href="http://www.caotico.com.br/wp-content/uploads/2010/10/petroleiros.jpg"><img class="alignright size-medium wp-image-1038" title="petroleiros" src="http://www.caotico.com.br/wp-content/uploads/2010/10/petroleiros-350x132.jpg" alt="" width="350" height="132" /></a>A greve acabou no final de maio, mas os resistentes de Cubatão mantiveram a ocupação até a manhã fria do primeiro sábado de junho. Saíram sob a bandeira do Brasil e cantando o hino nacional.</p><p>No dia seguinte, as manchetes dos jornais informavam que eles tinham voltado ao trabalho sem vitória. O fato de, 15 anos depois, a Petrobras pertencer aos brasileiros e ser o principal da tema da campanha eleitoral contra outro político do PSDB, demonstra que, como sempre, a história contrariou a mídia.</p><p>Os petroleiros saíram vitoriosos da greve de 1995.</p><p>César Tralli também. Pouco depois, o conjunto de sua obra lhe garantiu o cargo de repórter de uma sucursal da Globo na Europa, em Londres se não me falha a memória.</p><p><a href="http://www.revistabrasileiros.com.br/imagens/2401/em/textos/440/">Joel Santos Guimarães</a> é um grande amigo, apesar da distância e do tempo. Me parece que, um belo dia, recusou um cargo de chefia na Globo de São Paulo. Ele nunca me explicou a razão, mas acredito que foi por motivos éticos e convicções políticas. Hoje, é editor-chefe da <a href="http://www.anba.com.br">Agência de Notícias Brasil-Árabe</a>, que ajudou a fundar há sete anos.</p><div class="addthis_toolbox addthis_default_style " addthis:url='http://www.caotico.com.br/lembrancas-de-cubatao-ou-como-a-midia-sabota-a-verdade-e-e-sabotada-pela-historia/' addthis:title='Cubatão, 1995 (ou Como a Mídia sabota a verdade e é sabotada pela História) '  ><a class="addthis_button_facebook_like" fb:like:layout="button_count"></a><a class="addthis_button_tweet"></a><a class="addthis_button_google_plusone" g:plusone:size="medium"></a><a class="addthis_counter addthis_pill_style"></a></div>]]></content:encoded> <wfw:commentRss>http://www.caotico.com.br/lembrancas-de-cubatao-ou-como-a-midia-sabota-a-verdade-e-e-sabotada-pela-historia/feed/</wfw:commentRss> <slash:comments>9</slash:comments> </item> <item><title>E não é que Ciro estava certo!</title><link>http://www.caotico.com.br/e-nao-e-que-ciro-estava-certo/</link> <comments>http://www.caotico.com.br/e-nao-e-que-ciro-estava-certo/#comments</comments> <pubDate>Sat, 16 Oct 2010 11:54:52 +0000</pubDate> <dc:creator>Inácio França</dc:creator> <category><![CDATA[Elocubrações]]></category> <category><![CDATA[Ciro Gomes]]></category> <category><![CDATA[eleições 2010]]></category> <category><![CDATA[Mídia]]></category> <category><![CDATA[política]]></category> <category><![CDATA[segundo turno]]></category><guid isPermaLink="false">http://www.caotico.com.br/?p=998</guid> <description><![CDATA[Por mais que enfático, irado ou categórico que eu possa parecer em muitas das minhas palavras, sou um sujeito de poucas certezas. A ira e a ênfase escondem muitas dúvidas e hesitações. O desfecho do primeiro turno das eleições presidenciais e o desempenho das candidaturas nas duas primeiras semanas do segundo turno extinguiram uma dessas [...]<div class="addthis_toolbox addthis_default_style " addthis:url='http://www.caotico.com.br/e-nao-e-que-ciro-estava-certo/' addthis:title='E não é que Ciro estava certo! '  ><a class="addthis_button_facebook_like" fb:like:layout="button_count"></a><a class="addthis_button_tweet"></a><a class="addthis_button_google_plusone" g:plusone:size="medium"></a><a class="addthis_counter addthis_pill_style"></a></div>]]></description> <content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.caotico.com.br/wp-content/uploads/2010/10/PatriciaPillar.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-999" title="PatriciaPillar" src="http://www.caotico.com.br/wp-content/uploads/2010/10/PatriciaPillar.jpg" alt="" width="229" height="175" /></a>Por mais que enfático, irado ou categórico que eu possa parecer em muitas das minhas palavras, sou um sujeito de poucas certezas. A ira e a ênfase escondem muitas dúvidas e hesitações. O desfecho do primeiro turno das eleições presidenciais e o desempenho das candidaturas nas duas primeiras semanas do segundo turno extinguiram uma dessas dúvidas. Agora eu sei: Ciro Gomes estava certo.</p><p>Durante mais de um ano, Ciro insistiu em manter sua candidatura à presidência da República pelo PSB. Durante mais de um ano, as pesquisas indicavam que ele ficava ali, patinando perto de Marina na casa dos 8%, um pouquinho mais para lá, um pouquinho mais para cá. Como não saía do lugar, o cearense foi sufocado por Lula, que impôs a tese de que todos os partidos aliados ao governo deveriam fechar questão em torno de Dilma. Quem ousaria contrariar o presidente mais popular da história do Brasil?</p><p>Ciro ficou puto da vida, saiu de cena botando os bofes para fora. Mas ele estava certo, tanto em insistir na sua candidatura quanto em se arretar com o PT e com o PMDB.</p><p>Recordo as declarações e as teses de Ciro para justificar tamanha perseverança. Na época, ele estava, claramente, disposto a atuar como válvula de escape para as forças governistas, construindo um discurso alternativo e ajudando a destruir a candidatura da racista e predatória elite paulista. Além disso, daria dimensão nacional e personalidade própria ao seu PSB.</p><p>A atuação das empresas de Otávio Frias, dos Mesquita, dos Marinho e dos Civita só parece ter pego de surpresa o comando da campanha de Dilma. Era óbvio que essa turma faria o jogo sujo, enquanto o candidato deles pudesse posar de bom moço. Com Ciro no jogo, o PSDB seria atacado por um sujeito muito bom de briga e aqueles eleitores simpáticos a Lula, mas assustados pela mídia, teriam em quem descarregar seus votos.</p><p>Sou capaz de apostar que, dificilmente, a laranja Marina assumiria tanto protagonismo na campanha.</p><p>Seria muito complicado para os empresários de comunicação abrirem fogo contra dois alvos simultaneamente. Além de só existir espaço nos jornais para uma manchete ou um tempo na TV para um escândalo por vez, a eficácia do ataque midiático seria bem menor.</p><p>E, num segundo turno como esse, Ciro e Dilma estariam juntos. E a outra que se virasse para se livrar da armadilha do PV.</p><p>“Se minha mãe tivesse uma fileira de peitos, não seria minha mãe, seria uma porca”. Há algumas décadas, os nordestinos costumavam repetir essa frase engraçada, para dizer que não adianta chorar o leite derramado. Pelo jeito, Ciro também conhece essa frase e já se juntou aos seus aliados, consolidando sua fama de homem leal e coerente.</p><p>Acredito que Dilma Roussef vai ganhar esta esta eleição, principalmente com Lula voltando a pedir votos em tempo integral, mas talvez tudo poderia ter sido mais fácil se, pelo menos dessa vez, o presidente tivesse menos certezas e mais dúvidas. Afinal, se Ciro Gomes pega Patrícia Pillar, alguma razão ele deveria ter.</p><p style="text-align: center;"><strong>*****</strong></p><p><strong>Não irei esperar o fim do segundo turno para voltar a tratar de livros. A partir da próxima postagem, o Caótico voltará à programação normal, salvo uma ou outra edição extraordinária.</strong></p><div class="addthis_toolbox addthis_default_style " addthis:url='http://www.caotico.com.br/e-nao-e-que-ciro-estava-certo/' addthis:title='E não é que Ciro estava certo! '  ><a class="addthis_button_facebook_like" fb:like:layout="button_count"></a><a class="addthis_button_tweet"></a><a class="addthis_button_google_plusone" g:plusone:size="medium"></a><a class="addthis_counter addthis_pill_style"></a></div>]]></content:encoded> <wfw:commentRss>http://www.caotico.com.br/e-nao-e-que-ciro-estava-certo/feed/</wfw:commentRss> <slash:comments>11</slash:comments> </item> <item><title>O futuro da mídia</title><link>http://www.caotico.com.br/o-futuro-da-midia/</link> <comments>http://www.caotico.com.br/o-futuro-da-midia/#comments</comments> <pubDate>Tue, 12 Oct 2010 15:15:20 +0000</pubDate> <dc:creator>Inácio França</dc:creator> <category><![CDATA[Elocubrações]]></category> <category><![CDATA[análise]]></category> <category><![CDATA[comunicação]]></category> <category><![CDATA[eleições 2010]]></category> <category><![CDATA[imprensa]]></category> <category><![CDATA[jornalismo]]></category> <category><![CDATA[Marcos Dantas]]></category> <category><![CDATA[Mídia]]></category><guid isPermaLink="false">http://www.caotico.com.br/?p=993</guid> <description><![CDATA[por Marcos Dantas, professor do Programa de Pós-graduação em Comunicação da UFRJ (texto publicado originalmente no site Carta Maior Nascido por volta de 1870 para dar voz ao crescente movimento republicano das oligarquias cafeeiras paulistas, o Estado (então Província) de São Paulo somente iria aderir ao movimento Abolicionista quando a Abolição já se tornara inevitável. [...]<div class="addthis_toolbox addthis_default_style " addthis:url='http://www.caotico.com.br/o-futuro-da-midia/' addthis:title='O futuro da mídia '  ><a class="addthis_button_facebook_like" fb:like:layout="button_count"></a><a class="addthis_button_tweet"></a><a class="addthis_button_google_plusone" g:plusone:size="medium"></a><a class="addthis_counter addthis_pill_style"></a></div>]]></description> <content:encoded><![CDATA[<p><strong>por <a href="http://www.marcosdantas.com.br">Marcos Dantas</a>, professor do Programa de Pós-graduação em Comunicação da UFRJ (texto publicado originalmente no site Carta Maior</strong></p><p><a href="http://www.caotico.com.br/wp-content/uploads/2010/10/apresenta_site_marcos2_04.jpg"><img class="alignleft size-thumbnail wp-image-994" title="apresenta_site_marcos2_04" src="http://www.caotico.com.br/wp-content/uploads/2010/10/apresenta_site_marcos2_04-150x112.jpg" alt="" width="150" height="112" /></a>Nascido por volta de 1870 para dar voz ao crescente movimento republicano das oligarquias cafeeiras paulistas, o Estado (então Província) de São Paulo somente iria aderir ao movimento Abolicionista quando a Abolição já se tornara inevitável. Nascida por volta de 1950, da iniciativa de um imigrante ítalo-americano ligado aos interesses de Walt Disney (e sabe-se lá a que outros interesses), a Editora Abril (irmã da Editorial Abril que o irmão daquele imigrante, na mesma época iria criar em Buenos Aires), depois de fomentar o american way of life entre nós, através de revistas como Pato Donald e Claudia, iria praticamente conquistar, com Veja, o monopólio do mercado das revistas semanais de informação, não por acaso durante o auge da ditadura militar. Nascida nos agitados anos 1920, com o jornal O Globo, as Organizações de mesmo nome, aliadas de primeiríssima hora do golpe de 1964, conquistariam, também durante a ditadura, tanto o monopólio da televisão em todo o país, quanto o da imprensa escrita na cidade do Rio de Janeiro, na medida em que os ditadores deram decisiva contribuição para a decadência e morte de muitos outros importantes órgãos de imprensa escrita que então disputavam leitores na ex-capital federal, entre eles, os Correio da Manhã, Última Hora, Diário de Notícias e, por fim, recentemente mas depois de longa agonia que teve início naqueles tempos, o Jornal do Brasil.</p><p>Se a imprensa (hoje, em dia, chamada “mídia”) chegou dividida à Revolução de 1930, apoiada por Marinho e Chateaubriand mas encarniçadamente combatida pelo Estadão, desde então tem agido como bloco único, no Brasil. Derrubou Vargas duas vezes, na segunda levando-o ao suicídio. Opôs-se, como pôde, aos governos JK e João Goulart. Apoiou e estimulou todos os golpistas de ocasião. Colocou-se contra a última ditadura – depois de ter a ela servido, inclusive fornecendo caminhões para a Oban – só quando o conjunto da burguesia achou que era chegada a hora de mudar para, lampedusamente, tudo continuar como sempre esteve…<br /> Agora, coerente com a sua história, quer derrubar o governo altamente popular do Presidente Lula.</p><p>Como explicar a atual posição da imprensa?, perguntou outro dia o professor Venicio Lima.</p><p>Certamente, muitas pesquisas precisarão ser feitas para explicar o atual comportamento dos meios de comunicação no Brasil. Se toda unanimidade é burra, como dizia Nelson Rodrigues, estamos diante de um caso que já se configura paradigmático. Somente idiossincrasias e preconceitos não explicam a posição da imprensa nesta campanha, posição que não é somente a dos “donos dos jornais”, nem apenas a de alguns e algumas importantes e hiper bem remunerados colunistas, mas a de ampla maioria dos profissionais que se dizem “jornalistas” – todos diplomados. Servem com denodo, dedicação e até alegria aos seus patrões assim com os soldados SS serviam a Hitler… É mais do que meramente “cumprir ordens”. É acreditar nelas. É se querer reconhecido e recompensado por cotidiana, diária, contumaz demonstração de absoluta fidelidade a elas. Nas palavras de Serge Halimi, são os novos “cães de guarda”.</p><p>Diante da pergunta, arrisquemos alguma hipótese. Não é possível dissociar o papel político-ideológico da “mídia”, de sua organização enquanto empreendimento capitalista e do seu lugar na reprodução do sistema do capital. E, considerando a condição periférica do capitalismo brasileiro, qualquer reflexão nos obriga a tentar entender o papel dessa “mídia” na reprodução de 500 anos de periferia.</p><p>A partir dos anos 1950, em parte devido a forças sociais endógenas mas em boa parte devido à configuração internacional do capitalismo sob liderança econômica, cultural e militar dos Estados Unidos, o Brasil, como muitos outros países, ingressou na época de sua industrialização e urbanização desenvolvimentista. Tratava-se de expandir aqui dentro uma sociedade de consumo similar à estadunidense. No entanto, como as forças econômicas que comandavam essa expansão nos eram externas, a concentração de renda era uma condição sine qua non de exportação de parte do excedente internamente gerado pelo próprio desenvolvimento, daí havendo-se que bloquear as possibilidades de sua melhor distribuição social. A sociedade do consumo a brasileira, ao contrário do que acontecia no “fordismo” estadunidense, não poderia estender-se para todos. Foi essa a natureza do debate, nos anos 1950. Para Celso Furtado e os desenvolvimentistas isebianos de esquerda, nacionalistas por obrigação e opção, a industrialização precisaria, principalmente, servir para a oferta e consumo de bens de salário. Para Roberto Campos e os desenvolvimentistas de direita, entreguistas por opção, a industrialização somente deveria servir para a oferta e consumo de bens “supérfluos”.</p><p>Para a “mídia” brasileira periférica, a segunda opção seria natural. Vendendo marcas, estilo de vida, valores consumistas, ascensão social, status, isto é, sustentada pela indústria automobilística, eletro-eletrônica, cosmética e similares estrangeiras, a imprensa se colocaria contra o projeto de desenvolvimento que, nas condições da época, exigiria reter a expansão acelerada do consumo conspícuo, de modo a favorecer, em primeiro lugar, a expansão do consumo básico, daí permitindo a inclusão social da maioria menos favorecida. Ela só podia falar para a classe média consumista, não para os pobres – ou, para estes, somente falava de crimes, através dos famosos jornais “espreme/sai sangue”. Falava para a Zona Sul do Rio de Janeiro; para o Morumbi, em São Paulo.  Precisava identificar-se com os temores, preconceitos, senso comum, arrogância, identidade elitista dessa classe média, para conquistar os números de circulação que lhe permitiria angariar anunciantes. Por isso, expressando a maneira de pensar desse seu público, colocava-se radicalmente contra qualquer proposta que pudesse cheirar a “populismo”. E para escrever seus editoriais, suas colunas, suas reportagens podia contar com bons jornalistas egressos cultural e intelectualmente do mesmo meio social. Logo, com os mesmos preconceitos e as mesmas ambições.</p><p>Para enfrentar tal fogo de barragem, Getulio Vargas pensou em usar a mesma artilharia. Capitalizou Samuel Wainer para que criasse um jornal de alta qualidade que, na forma, na linguagem, nas seções editoriais se mostrasse similar ao que melhor se poderia fazer na “mídia” de então (inclusive com coluna de “mulher boa”), mas politicamente engajado, seja pelos editoriais, seja por opções na pauta e nos lides, com o seu projeto nacionalista popular. A Última Hora de Wainer obteve um estrondoso sucesso. Em poucos meses, superou a circulação individual dos seus principais concorrentes. Em princípio, pela lógica da audiência, deveria atrair copioso faturamento publicitário. Não atraiu. Foi sempre um empreendimento deficitário apesar do sucesso de público. É que sua fachada de indústria cultural não conseguia disfarçar a sua condição de imprensa política, ao não submeter também o seu conteúdo noticioso e editorial àquilo que a “mídia” (e, no caso, a “mídia” periférica), bem como as agências de publicidade, considerariam “objetivo”, “neutro”, “independente”.</p><p>O golpe de 1964 iria consolidar, de vez, essa relação entre uma sociedade de consumo excludente para uma “mídia” exclusiva, e uma “mídia” exclusiva para uma sociedade de consumo excludente. A estreita classe média consumista, encurralada por trás dos muros de seus condomínios de elite apartada, confirmou-se como base econômica, cultural e ideológica de uma “mídia” também estreita, aglomerada em seus poucos e imponentes canais oligopolistas de veiculação. É um mercado onde só cabe uma grande revista semanal de grande circulação; um ou dois jornais importantes nas grandes capitais, quaisquer deles com circulação, convenhamos, ridícula; não mais que 400 livrarias em todo o país vendendo best-sellers e auto-ajuda (o mesmo que existe apenas em Buenos Aires, vendendo livros da melhor qualidade); principalmente, duas ou três grandes redes nacionais de televisão.</p><p>E assim deveria seguir o mundo. Pelo menos, o Brasil.</p><p>Mas o Brasil decidiu diferente. Por um conjunto grande de fatores, não apenas devido aos dois mandatos de Lula, mas também a eles, o país realmente mudou. Aquela classe média estreita e elitista viu-se superada quantitativa e qualitativamente por uma nova classe média, mais popular pelas suas origens, consumista também, mas desconectada e desinteressada da opinião publicada da grande “mídia”. Finalmente, uma grande massa da população foi incorporada à sociedade de consumo. Mas, talvez até pelos seus defeitos, sobretudo o seu baixo nível educacional e cultural, não foi incorporada à leitura semanal de Veja, nem à diária de O Globo. Ao mesmo tempo, neste preciso instante, emergem novos meios de comunicação, todos eles audiovisuais, como a TV por assinatura, a internet, o “celular”, que atraem essa audiência neoconsumidora para novas formas de produção e consumo de cultura industrial e publicidade. A realidade fabricada por aquela “mídia” parece nada dizer a esta audiência. Sobretudo quando ela insiste em denunciar supostos arrivistas da política, já que, de muitos modos, arrivistas são todos esses neoconsumidores.</p><p>A velocidade com que essas mudanças estão se dando na sociedade brasileira pode, realmente, estar ameaçando todo o modelo de negócios de oligopólios que se pretendiam eternos, logo também as relações, carreiras e ambições profissionais a eles endógenas. Parece que foram surpreendidos, tanto as empresas, quanto os seus cães de guarda, sejam os assalariados, sejam os PJs, paridos e educados, todos e todas, na mesma arrogante elite social. Daí o desespero…</p><p>Se a hipótese estiver correta, ainda testemunharemos, nos próximos anos, grandes mudanças econômicas e políticas nesta centenária “mídia” nativa. No entanto, a vitória de Dilma Rousseff ou a de José Serra será decisiva no encaminhamento de medidas legais e regulatórias, a esta altura inadiáveis, que definirão o tempo e condições de sobre-vida dos dinossauros mediáticos brasileiros. A “mídia” brasileira parece apostar que Serra será o seu Capitão Spurgeon “Fish” Tanner (Robert Duvall) de “Impacto Profundo”, jogando sua nave contra o meteoro econômico-cultural que lhe ameaça a própria sobrevivência… Só que a história é um processo real, não um roteiro hollywoodiano.</p><div class="addthis_toolbox addthis_default_style " addthis:url='http://www.caotico.com.br/o-futuro-da-midia/' addthis:title='O futuro da mídia '  ><a class="addthis_button_facebook_like" fb:like:layout="button_count"></a><a class="addthis_button_tweet"></a><a class="addthis_button_google_plusone" g:plusone:size="medium"></a><a class="addthis_counter addthis_pill_style"></a></div>]]></content:encoded> <wfw:commentRss>http://www.caotico.com.br/o-futuro-da-midia/feed/</wfw:commentRss> <slash:comments>2</slash:comments> </item> <item><title>A censura e o coronelismo da Folha de S.Paulo</title><link>http://www.caotico.com.br/a-censura-e-o-coronelismo-da-folha-de-s-paulo/</link> <comments>http://www.caotico.com.br/a-censura-e-o-coronelismo-da-folha-de-s-paulo/#comments</comments> <pubDate>Sun, 10 Oct 2010 17:04:24 +0000</pubDate> <dc:creator>Arsênio Meira Júnior</dc:creator> <category><![CDATA[Elocubrações]]></category> <category><![CDATA[censura]]></category> <category><![CDATA[eleições 2010]]></category> <category><![CDATA[imprensa]]></category> <category><![CDATA[jornalismo]]></category> <category><![CDATA[Mídia]]></category> <category><![CDATA[twitter]]></category><guid isPermaLink="false">http://www.caotico.com.br/?p=990</guid> <description><![CDATA[por Arsênio Meira Júnior No atual Estado Democrático de Direito foi extinta a figura da “censura”. Foi? Os jornalistas, no legítimo exercício de sua profissão, estão incólumes pelo que dita os art. 5º, IX e 220,§§ 1º e 2º, da Constituição Federal, desde que noticiem ou reproduzam informações fiéis aos fatos e que, nessa conjugação, [...]<div class="addthis_toolbox addthis_default_style " addthis:url='http://www.caotico.com.br/a-censura-e-o-coronelismo-da-folha-de-s-paulo/' addthis:title='A censura e o coronelismo da Folha de S.Paulo '  ><a class="addthis_button_facebook_like" fb:like:layout="button_count"></a><a class="addthis_button_tweet"></a><a class="addthis_button_google_plusone" g:plusone:size="medium"></a><a class="addthis_counter addthis_pill_style"></a></div>]]></description> <content:encoded><![CDATA[<p><strong>por Arsênio Meira Júnior</strong></p><p><strong><br /> </strong></p><p><a href="http://www.caotico.com.br/wp-content/uploads/2010/10/spam-na-folha-de-sao-paulo2.jpg"><img class="alignleft size-thumbnail wp-image-991" title="spam-na-folha-de-sao-paulo2" src="http://www.caotico.com.br/wp-content/uploads/2010/10/spam-na-folha-de-sao-paulo2-148x150.jpg" alt="" width="148" height="150" /></a>No atual Estado Democrático de Direito foi extinta a figura da “censura”.</p><p>Foi?</p><p>Os jornalistas, no legítimo exercício de sua profissão, estão incólumes pelo que dita os art. 5º, IX e 220,§§ 1º e 2º, da Constituição Federal, desde que noticiem ou reproduzam informações fiéis aos fatos e que, nessa conjugação, não denotem má-fé em sua divulgação.</p><p>No caso em tela, os fatos remontam ao insidioso proceder do Jornal Folha de S. Paulo”, que luta para amordaçar o site Falha de S.Paulo.</p><p>E São Paulo por acaso é infalível?</p><p>Os fatos foram precisamente apontados e abordados pelo jornalista e escritor Inácio França, ao transcrever no seu blog Caótico, (06/10/2010), trecho de um artigo publicado no blog Boteco Sujo.</p><p>Eis uma transcrição do texto:</p><p><strong><em><span style="font-weight: normal;">&#8220;(&#8230;) <span style="font-style: normal;">a saudade da rigidez viril dos anos de ditadura, quando a Folha era uma maria-caserna tão próxima dos generais que emprestava seus carr</span></span><span style="font-style: normal;">o</span><span style="font-weight: normal;"><span style="font-style: normal;">s para as ações de tortura e morte de “inimigos do regime” praticadas pelos paramilitares da Operação Bandeirantes.</span></span></em></strong></p><p><strong><em><span style="font-weight: normal;"><span style="font-style: normal;">Em 30 de setembro, o jornal conseguiu uma liminar que obrigava os irmãos Lino e Mario Bocchini a tirar do ar o conteúdo da </span></span><a href="http://twitter.com/#%21/falhadespaulo"><span style="font-weight: normal;"><span style="font-style: normal;">Falha de S. Paulo</span></span></a><span style="font-weight: normal;"><span style="font-style: normal;">, um site de humor que tirava um barato do indisfarçável viés pró-tucano que aterrissou com mais força do que nunca na Barão de Limeira dos últimos tempos. Os dois foram obrigados a remover do ar todo o conteúdo do site, sob pena de pagar multa diária de R$ 1.000.&#8221;</span></span></em></strong></p><p>A atitude do Jornal representa um retrocesso de 150 anos. Uma saudação ao coronelismo. O curioso é que os paulistas, no caso, costumam torcer o nariz à expressão coronelismo, porque oriunda  &#8211; com mais visibilidade &#8211; de nossas plagas.</p><p>Em suma: as notícias ou charges primitivamente divulgadas no site ameaçado pretendem apenas espalhar humor e alegria. São ou foram  direcionadas contra José Serra, mas figura pública tem que agüentar o rojão.</p><p>Não há margens para dúvidas existenciais: foi censura.</p><p>E o pior, a censura foi chancelada – ainda que provisoriamente – pelo Poder Judiciário.</p><p>Uma simples lida no conteúdo do site censurado comprova o espírito público que norteou a rapaziada amordaçada; ao abordar assuntos históricos em conjugação com a mais pura jocosidade, os censurados apenas buscam destrinchar com serenidade a trama que sucede os acontecimentos, sem desmerecer individualmente qualquer personagem, e congregando em torno do texto fatos e gestos humorísticos de Personalidades Públicas.</p><p>E mais: a publicação dos artigos e charges no site podado pela liminar obtida pelo Jornal Folha de São Paulo constitui uma espécie de corrente humana formada em prol da mais candente solidariedade. Solidariedade ao riso, à alegria.</p><p>Um grupo de cidadãos formado por médicos, bancários, advogados, contadores, protéticos, poetas, feirantes, foram privados de sorrir; ninguém &#8211; espontaneamente  &#8211; se apresenta para ajudar os agredidos.</p><p>E não há qualquer conotação política ou sensacionalista no site censurado.  O intento da Folha de São Paulo é um grito arrogante, paradoxal, mal educado e leviano.</p><p>E o mais importante: em todos os artigos ou charges escritos sobre o episódio evidencia-se – claramente – a ausência do dolo específico de caluniar e difamar.</p><p>Inexiste em todo o conteúdo posto sob o manto negro do azedume, o dolo ou a vontade de atribuir  falsamente a prática de fato definido como crime, mas, sim, e tão somente o <em>animus narrandi</em>, ou seja, a vontade de difundir notícia e de orientar a opinião pública. Era  o que o pessoal do site buscava sob a égide da Cidadania.</p><p>O humor é vital para a saúde. Quem desconhece esse lema tem que isolar-se numa ilha. Em Cuba, por exemplo. Ou mesmo na Coréia do Norte e no Afeganistão.</p><p>Em nenhum momento, o site violentado acrescentou qualquer tópico pejorativo, porque não ultrapassa os limites do humor.</p><p>Humor é assim, ainda mais quando os eleitos são figuras públicas. Quem não agüenta, a porta da rua é a serventia da casa.</p><p>Falam na Lei da Ficha Limpa, no escândalo de Erenice. Exploram cavernas inexistentes. Escreveram sobre as doses que Lula degusta. Ah, até aí, tudo bem.</p><p>E quando são chamados para a brincadeira, ficam de mal. Fazem beicinho ou então assumem a pose dos coronéis paquidermes, que soltam verdadeiras rajadas de ódio pelas ventas cabeludas. Basta compulsar as peças existentes no mundo virtual para chegar a esta conclusão.</p><p>A Folha deixou cair sua máscara. É a hipocrisia ditando as cartas. Uma empresa jornalística confiando seus bigodes, que ainda pensa nas oligarquias cafeeiras e nos escravos da Casa Grande. Que não é mais senzala.</p><p>É óbvio que a vontade dos criadores do site censurado estava desacompanhada de qualquer intenção ofensiva. Sendo assim, como justificar a presença de Millor Fernandes, Nelson Rodrigues, e tantos que fizeram da ironia a maior arma, como meio cultural ou de informação?</p><p>Merece distinto ressalto: a Constituição Federal (art. 220, par. 1º),  resguarda o jornalista que noticia ou reproduz informações fiéis aos fatos e de forma que não demonstrem má-fé.</p><p>É o denominado <em>‘animus narrandi’</em> que restou demonstrado, e que <strong><span style="font-weight: normal;">exclui o elemento subjetivo</span> </strong>do tipo exigido para informações caluniosas ou difamantes, levando à existência de conduta atípica, afasta  &#8211; ao menos na minha opinião -  qualquer hipótese relativa  à eventual censura.</p><p>Finalizando, o site Falha de S.Paulo fez tão-somente uso da liberdade de expressão e informação, contribuindo para a orientação da opinião pública na sociedade democrática, e sua conduta pode e deve ser estimada como um elemento condicionador da democracia pluralista e como premissa para exercício de outros direitos fundamentais ou bens de estatura constitucional.</p><p>Mas nossa Democracia ainda é frágil.</p><p>Frágil como “<em>O Bebê de Rosemary”.</em></p><p>E quem achar ruim que coma menos.</p><div class="addthis_toolbox addthis_default_style " addthis:url='http://www.caotico.com.br/a-censura-e-o-coronelismo-da-folha-de-s-paulo/' addthis:title='A censura e o coronelismo da Folha de S.Paulo '  ><a class="addthis_button_facebook_like" fb:like:layout="button_count"></a><a class="addthis_button_tweet"></a><a class="addthis_button_google_plusone" g:plusone:size="medium"></a><a class="addthis_counter addthis_pill_style"></a></div>]]></content:encoded> <wfw:commentRss>http://www.caotico.com.br/a-censura-e-o-coronelismo-da-folha-de-s-paulo/feed/</wfw:commentRss> <slash:comments>8</slash:comments> </item> <item><title>Judiciário e Mídia: duas faces do Poder e da corrupção</title><link>http://www.caotico.com.br/judiciario-e-midia-as-duas-faces-do-poder-e-da-corrupcao/</link> <comments>http://www.caotico.com.br/judiciario-e-midia-as-duas-faces-do-poder-e-da-corrupcao/#comments</comments> <pubDate>Thu, 16 Jul 2009 03:20:39 +0000</pubDate> <dc:creator>Inácio França</dc:creator> <category><![CDATA[Leituras Caóticas]]></category> <category><![CDATA[Belém]]></category> <category><![CDATA[Idelber Avelar]]></category> <category><![CDATA[Lúcio Flávio Pinto]]></category> <category><![CDATA[Maiorana]]></category> <category><![CDATA[Mídia]]></category> <category><![CDATA[O Liberal]]></category> <category><![CDATA[Pará]]></category> <category><![CDATA[Rede Globo]]></category><guid isPermaLink="false">http://www.caotico.com.br/?p=191</guid> <description><![CDATA[O texto abaixo foi enviado por uma amiga que mora em Belém e que me pediu para repercutir por aqui. 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A estruturas do poder no Pará são dominadas por  madeireiros, contrabandistas, traficantes de droga e pistoleiros de aluguel a serviço dos três primeiros. A mídia local e o Poder Judiciário desempenham papéis complementares para a manutenção desse poder.</strong></p><p><strong>Em conversas com colegas razoavelmente bem informados, que trabalham na Imprensa pernambucana, fico surpreso quando escuto alguns deles se referindo a decisões judiciais como resultado da neutralidade e da interpretação objetiva das leis. Como podem acreditar que um Poder tão hermético, blindado e inacessível pode ser mais &#8220;limpo&#8221; que o Executivo e o Legislativo, nos quais seus representantes precisam, ao menos, ser submetidos ao voto de vez em quando?</strong></p><p><strong>Com vocês, o texto de Idelber Avelar, do blog <a href="http://www.idelberavelar.com">Biscoito Fino e a Massa</a> sobre o jornalista Lúcio Flávio Pinto, que investigou as origens da fortuna e do poder da família Maiorana, proprietária do grupo de comunicação O Liberal, parceiros da Rede Globo no Pará.</strong></p><p>Prepare-se, caro leitor, para outro mergulho no Brasil profundo. Lúcio Flávio Pinto talvez seja hoje o jornalista mais respeitado e destemido da Região Norte. Ele é o solitário redator do Jornal Pessoal, empreitada independente, que não aceita anúncios, tem tiragem quinzenal de 2 mil exemplares e mesmo assim provoca um fuzuê danado entre os poderosos, dada a coragem com que Lúcio investiga falcatruas e crimes.</p><p>Lúcio já ganhou quatro prêmios Esso. Recebeu também dois prêmios da Federação Nacional dos Jornalistas em 1988, por suas matérias dedicadas ao assassinato do ex-deputado Paulo Fonteles e à violenta manifestação de protesto dos garimpeiros de Serra Pelada. Em 1997, ele recebeu o Colombe d’Oro per la Pace, um dos mais importantes prêmios jornalísticos da Itália. Em 1987,foi o jornalista que investigou o rombo de 30 milhões de dólares no Banco</p><p>da Amazônia, por uma quadrilha chefiada pelo presidente interino do bancoe procurador jurídico do maior jornal local, O Liberal.</p><p>Há 17 anos, os representantes paraenses da corja comandada pela família Marinho perseguem-no de forma implacável. Ronaldo Maiorana, dono (junto com seu irmão, Romulo Maiorana Jr.) do Grupo Liberal, afiliado à Rede Globo de Televisão, emboscou Lúcio por trás, num restaurante, espancou-o com a ajuda de dois capangas da Polícia Militar, contratados nas suas horas vagas e depois promovidos na corporação. O espancamento,crime de covardia inominável, só rendeu a Maiorana a condenação a doar algumas cestas básicas.</p><p>Alguns meses depois da agressão, Lúcio foi convidado pelo jornalista Maurizio Chierici a escrever um artigo para um livro a ser publicado na Itália. O texto , eminentemente jornalístico, relatava as origens do grupo Liberal. Em determinado momento, dentro de um contexto bem mais amplo, ele fez referência às atividades de Maiorana pai no contrabando,prática bem comum, aliás, na Região Norte na época. Como se pode depreender da leitura do artigo, nada ali tinha cunho calunioso, posto que – uma vez processado &#8211;, Lúcio anexou aos autos toda a documentação que provava a veracidade do que afirmava.</p><p>O obra investigativa de Lúcio fala por si própria: veja a qualidade da prosa e da pesquisa que informa o trabalho de Lúcio e julgue você mesmo. O que ele oferece em seus textos,entre muitas outras coisas, é a documentação, história e raízes daquilo que é sabido até mesmo pelos mosquitos do mercado Ver-o-Peso: que n&#8217;O Liberal só se publica aquilo que é de interesse da corja dos Marinho.</p><p>Mas eis que chega do Pará a estranha notícia de que o juiz Raimundo das Chagas, titular da 4ª vara cível de Belém, condenou Lúcio a pagar a soma de 30 mil reais aos irmãos Maiorana – representantes paraenses, lembrem-se, da organização comandada pelos Marinho. Lúcio também foi</p><p>condenado a pagar as custas processuais e os honorários advocatícios. A pérola de justificativa do juiz fala do “bom lucro” de um jornal artesanal, de tiragem de 2 mil exemplares por quinzena. Ainda por cima, o juiz proíbe Lúcio de usar “qualquer expressão agressiva, injuriosa, difamatória e caluniosa contra a memória do extinto pai dos requerentes e contra a pessoa destes”, o que constitui, segundo entendo, extrapolação característica de censura prévia contrária à Constituição Federal.</p><p>O juiz fundamenta sua decisão dizendo que Lúcio havia “se envolvido em grave desentendimento” com eles. É a velha praga do eufemismo: um espancamento pelas costas se transforma em “desentendimento”. A reação de Lúcio à sentença pode ser lida nesse texto.</p><p>O Biscoito se solidariza com Lúcio, coloca o site à disposição para o que for necessário &#8211; inclusive para a publicação de qualquer material objeto de censura prévia – e suspira de cansaço ao fazer outro post que mais parece autoplágio, dada a tediosa repetição desses absurdos. Resta a pergunta: até quando os Frias, Marinho, Civita, Mesquita e seus comparsas vão manter esse poder criminoso Brasil afora?</p><div class="addthis_toolbox addthis_default_style " addthis:url='http://www.caotico.com.br/judiciario-e-midia-as-duas-faces-do-poder-e-da-corrupcao/' addthis:title='Judiciário e Mídia: duas faces do Poder e da corrupção '  ><a class="addthis_button_facebook_like" fb:like:layout="button_count"></a><a class="addthis_button_tweet"></a><a class="addthis_button_google_plusone" g:plusone:size="medium"></a><a class="addthis_counter addthis_pill_style"></a></div>]]></content:encoded> <wfw:commentRss>http://www.caotico.com.br/judiciario-e-midia-as-duas-faces-do-poder-e-da-corrupcao/feed/</wfw:commentRss> <slash:comments>2</slash:comments> </item> </channel> </rss>
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