<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?> <rss version="2.0" xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/" xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/" xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/" xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom" xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/" xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/" ><channel><title>Caótico &#187; O Liberal</title> <atom:link href="http://www.caotico.com.br/tags/o-liberal/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" /><link>http://www.caotico.com.br</link> <description>Espaço de leituras,  histórias &#38; especulações &#124; Por Inácio França</description> <lastBuildDate>Tue, 31 Jan 2012 15:28:23 +0000</lastBuildDate> <language>en</language> <sy:updatePeriod>hourly</sy:updatePeriod> <sy:updateFrequency>1</sy:updateFrequency> <xhtml:meta xmlns:xhtml="http://www.w3.org/1999/xhtml" name="robots" content="noindex" /> <item><title>Quando os farsantes falam a verdade</title><link>http://www.caotico.com.br/quando-os-farsantes-falam-a-verdade-2/</link> <comments>http://www.caotico.com.br/quando-os-farsantes-falam-a-verdade-2/#comments</comments> <pubDate>Fri, 17 Jun 2011 12:28:53 +0000</pubDate> <dc:creator>Inácio França</dc:creator> <category><![CDATA[Elocubrações]]></category> <category><![CDATA[Diário do Pará]]></category> <category><![CDATA[Jáder Barbalho]]></category> <category><![CDATA[jornais]]></category> <category><![CDATA[Mídia]]></category> <category><![CDATA[O Liberal]]></category> <category><![CDATA[Pará]]></category> <category><![CDATA[política]]></category> <category><![CDATA[Rômulo Maiorana]]></category><guid isPermaLink="false">http://www.caotico.com.br/?p=1448</guid> <description><![CDATA[Jornais, internet, TV, rádio são instrumentos que fazem o mundo parecer menor, nos fazem crer que tudo que acontece de relevante mundo afora chega ao nosso conhecimento rapidamente. 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Ainda ontem, por exemplo, li em algum desses grandes portais na internet que uma ovelha subiu num telhado na Inglaterra. Sem falar na contínua e permanente torrente de notícias de trocas de namorados entre atrizes, jogadores do futebol e celebridades de menor prazo de validade.</span></p><p><span style="font-size: small;">Alguém decide o que é relevante. E esse alguém não é o dono da empresa de mídia, já que ele tem coisas mais importantes a fazer. Para isso, ele escala diretores ou gerentes de jornalismo, gente de sua confiança paga para adivinhar os desejos do patrão. Esses escalama editores para decidir o que eu e você iremos ler.</span></p><p><span style="font-size: small;">Há um mês, um dono de jornal, de emissora de TV que retransmite a Globo, de rádios e de um portal na web, resolveu ele mesmo fazer o serviço.</span></p><p><span style="font-size: small;">Rômulo Maiorana Júnior, herdeiro do maior grupo de comunicação do Norte do Brasil, enfrentou o teclado do computador e redigiu um artigo contra o tristemente famoso Jáder Barbalho, ex-governador, ex-senador pelo Pará e dono do grupo de comunicação concorrente.</span></p><p><span style="font-size: small;">Num texto sofrível, mas muito, muito, muito ruim, usou palavras que raramente aparecem nas páginas dos jornais para se referir a um adversário, principalmente se esse jornal for o seu e você tem um mínimo de preocupação com a credibilidade da sua publicação. O título? <em>Um safado e sua safadeza</em>. Dá para imaginar o que vem, não dá?</span></p><p><span style="font-size: small;">Logo no primeiro parágrafo “é por todos conhecido: um ‘ficha-suja’, canalha, sem-vergonha, safado, chantagista, corrupto e ladrão”. Na lata, sem cuspe e sem estilo. Maiorana ainda sapecou um “estórias” no início, provavelmente para o leitor perceber imediatamente seu escasso conhecimento do idioma.</span></p><p><span style="font-size: small;">Se as mídias realmente fossem capazes de fazer o mundo ficar menor, bastava esse início para que o assunto se transformasse em notícia nacional. Nada disso. Nem os blogs ditos progressistas, independentes ou de esquerda (Nassif, Vi o Mundo, Escrevinhador ou Paulo Henrique Amorim) registraram o ineditismo do tom das acusações.</span></p><p><span style="font-size: small;">Convenhamos, essa cegueira para tudo que não está no Rio, São Paulo ou Brasília – ou para tudo que não é parido nas redações dessas capitais – chega a ser cômica. A disputa por audiência entre Luciano Huck e um tal de Faro não-sei-o-quê mereceu amplos espaços.</span></p><p><span style="font-size: small;">Júnior, contudo, guardou o melhor para o miolo do seu, digamos, texto. Em péssimo português, ele garantiu que seu pai costumava trocar cheques sem fundo de Jáder Barbalho, cheques que até hoje estariam guardados no baú dos Maiorana.</span></p><p><span style="font-size: small;">Em seguida, um tiro no pé constrangedor, desses que dá vergonha alheia: “Dizem que meu pai era contrabandista. Ora, se ele foi contrabandista, foi para dar comida a sete pessoas, a sua família”. Esse era um assunto proibidíssimo nas Organizações Rômulo Maiorana, a ORM. Se o sujeito fosse pego falando disso no elevador com o ascensorista era demitido no ato, sem choro nem vela.</span></p><p><span style="font-size: small;">Foi por causa dessa acusação que o jornalista Lúcio Flávio Pinto levou uma surra de Ronald, irmão de Rômulo, e sua turma, além de tomar cinco processos nas costas. Há alguns anos, Lúcio ousou publicar em seu Jornal Pessoal, cuja capa da quinzena passada reproduzo acima, o que era público e notório em Belém: a origem da fortuna de Papai Maiorana era o contrabando. Apanhou e foi processado. Agora, ri por último.</span></p><p><span style="font-size: small;">Lúcio Flávio, por sinal, se pergunta: se tem os cheques sem fundo de Jáder, por que não os escaneou e publicou na primeira página do jornal?</span></p><p><span style="font-size: small;">E por que tanta ira de Júnior? Porque, na véspera, o Diário do Pará, de Jáder, publicou na primeira página que ele, Júnior, disse em depoimento à Justiça Federal que não tinha nada a ver com a fraude de R$ 4 milhões na Sudam, que era tudo culpa do irmão Ronald. Explico: os Maiorana pegaram um empréstimo na Sudam para investir numa fábrica de sucos artificiais, mas tinham que investir valor idêntico na indústria. Eles deram uma contrapartida de mentirinha, segundo o Ministério Público.</span></p><p><span style="font-size: small;">A resposta de Jáder também foi grotesca, apesar de ser assinada pelo Diário do Pará. Menos corajoso, o ex-tudo preferiu compartilhar a autoria da sua grosseria com a equipe de profissionais que trabalham no seu jornal.</span></p><p><span style="font-size: small;">O texto ditado por Jáder Barbalho é machista e absurdamente preconceituoso, culpando a TPM de Júnior pelo seu “comportamento de profunda irritação”. As insinuações sobre a sexualidade do inimigo são de um profundo mau gosto. Numa delas, afirma que trata-se de “um ser com fortes características femininas”, como se isso pudesse reduzir a personalidade e o caráter de alguém.</span></p><p><span style="font-size: small;">Em seguida, Jáder (ou o Diário, vá lá) lista delitos, crimes e deslizes éticos do clã dos Maiorana. Ao mencionar os cheques sem fundo, tem seu melhor momento usando fina ironia: “Contrabandista, sim, se sabia. Agiota, é a primeira vez que a sociedade toma conhecimento”. Essa foi boa.</span></p><p><span style="font-size: small;">O mais espantoso nessa história toda é que nada ultrapassou as fronteiras do Pará. Por desencargo de consciência, acabo de pesquisar no Google e nos mecanismos de busca dos blogs acima mencionados. As menções a esse episódio aparecem apenas em blogs e páginas locais, como o de <a href="http://thaisgentile.blogspot.com/2011/05/jader-barbalho-x-romulo-maiorana.html">Thaís Gentile, moça que teve a sensibilidade de reproduzir as duas agressões na íntegra</a>. Nas páginas nacionais, só encontrei textos antigos, a maioria relacionada à agressão sofrida por Lúcio Flávio.</span></p><p><span style="font-size: small;">No final das contas, esse capítulo do conflito autofágico envolvendo mídia e poder é excelente, pois revela as armadilhas e os mecanismos ideológicos de dominação. Já não há máscaras e disfarces que caibam nessa dupla, afinal, tenho certeza que, finalmente, os dois jornais estão publicando a verdade. </span></p><div class="addthis_toolbox addthis_default_style " addthis:url='http://www.caotico.com.br/quando-os-farsantes-falam-a-verdade-2/' addthis:title='Quando os farsantes falam a verdade '  ><a class="addthis_button_facebook_like" fb:like:layout="button_count"></a><a class="addthis_button_tweet"></a><a class="addthis_button_google_plusone" g:plusone:size="medium"></a><a class="addthis_counter addthis_pill_style"></a></div>]]></content:encoded> <wfw:commentRss>http://www.caotico.com.br/quando-os-farsantes-falam-a-verdade-2/feed/</wfw:commentRss> <slash:comments>2</slash:comments> </item> <item><title>Judiciário e Mídia: duas faces do Poder e da corrupção</title><link>http://www.caotico.com.br/judiciario-e-midia-as-duas-faces-do-poder-e-da-corrupcao/</link> <comments>http://www.caotico.com.br/judiciario-e-midia-as-duas-faces-do-poder-e-da-corrupcao/#comments</comments> <pubDate>Thu, 16 Jul 2009 03:20:39 +0000</pubDate> <dc:creator>Inácio França</dc:creator> <category><![CDATA[Leituras Caóticas]]></category> <category><![CDATA[Belém]]></category> <category><![CDATA[Idelber Avelar]]></category> <category><![CDATA[Lúcio Flávio Pinto]]></category> <category><![CDATA[Maiorana]]></category> <category><![CDATA[Mídia]]></category> <category><![CDATA[O Liberal]]></category> <category><![CDATA[Pará]]></category> <category><![CDATA[Rede Globo]]></category><guid isPermaLink="false">http://www.caotico.com.br/?p=191</guid> <description><![CDATA[O texto abaixo foi enviado por uma amiga que mora em Belém e que me pediu para repercutir por aqui. A estruturas do poder no Pará são dominadas por madeireiros, contrabandistas, traficantes de droga e pistoleiros de aluguel a serviço dos três primeiros. 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A estruturas do poder no Pará são dominadas por  madeireiros, contrabandistas, traficantes de droga e pistoleiros de aluguel a serviço dos três primeiros. A mídia local e o Poder Judiciário desempenham papéis complementares para a manutenção desse poder.</strong></p><p><strong>Em conversas com colegas razoavelmente bem informados, que trabalham na Imprensa pernambucana, fico surpreso quando escuto alguns deles se referindo a decisões judiciais como resultado da neutralidade e da interpretação objetiva das leis. Como podem acreditar que um Poder tão hermético, blindado e inacessível pode ser mais &#8220;limpo&#8221; que o Executivo e o Legislativo, nos quais seus representantes precisam, ao menos, ser submetidos ao voto de vez em quando?</strong></p><p><strong>Com vocês, o texto de Idelber Avelar, do blog <a href="http://www.idelberavelar.com">Biscoito Fino e a Massa</a> sobre o jornalista Lúcio Flávio Pinto, que investigou as origens da fortuna e do poder da família Maiorana, proprietária do grupo de comunicação O Liberal, parceiros da Rede Globo no Pará.</strong></p><p>Prepare-se, caro leitor, para outro mergulho no Brasil profundo. Lúcio Flávio Pinto talvez seja hoje o jornalista mais respeitado e destemido da Região Norte. Ele é o solitário redator do Jornal Pessoal, empreitada independente, que não aceita anúncios, tem tiragem quinzenal de 2 mil exemplares e mesmo assim provoca um fuzuê danado entre os poderosos, dada a coragem com que Lúcio investiga falcatruas e crimes.</p><p>Lúcio já ganhou quatro prêmios Esso. Recebeu também dois prêmios da Federação Nacional dos Jornalistas em 1988, por suas matérias dedicadas ao assassinato do ex-deputado Paulo Fonteles e à violenta manifestação de protesto dos garimpeiros de Serra Pelada. Em 1997, ele recebeu o Colombe d’Oro per la Pace, um dos mais importantes prêmios jornalísticos da Itália. Em 1987,foi o jornalista que investigou o rombo de 30 milhões de dólares no Banco</p><p>da Amazônia, por uma quadrilha chefiada pelo presidente interino do bancoe procurador jurídico do maior jornal local, O Liberal.</p><p>Há 17 anos, os representantes paraenses da corja comandada pela família Marinho perseguem-no de forma implacável. Ronaldo Maiorana, dono (junto com seu irmão, Romulo Maiorana Jr.) do Grupo Liberal, afiliado à Rede Globo de Televisão, emboscou Lúcio por trás, num restaurante, espancou-o com a ajuda de dois capangas da Polícia Militar, contratados nas suas horas vagas e depois promovidos na corporação. O espancamento,crime de covardia inominável, só rendeu a Maiorana a condenação a doar algumas cestas básicas.</p><p>Alguns meses depois da agressão, Lúcio foi convidado pelo jornalista Maurizio Chierici a escrever um artigo para um livro a ser publicado na Itália. O texto , eminentemente jornalístico, relatava as origens do grupo Liberal. Em determinado momento, dentro de um contexto bem mais amplo, ele fez referência às atividades de Maiorana pai no contrabando,prática bem comum, aliás, na Região Norte na época. Como se pode depreender da leitura do artigo, nada ali tinha cunho calunioso, posto que – uma vez processado &#8211;, Lúcio anexou aos autos toda a documentação que provava a veracidade do que afirmava.</p><p>O obra investigativa de Lúcio fala por si própria: veja a qualidade da prosa e da pesquisa que informa o trabalho de Lúcio e julgue você mesmo. O que ele oferece em seus textos,entre muitas outras coisas, é a documentação, história e raízes daquilo que é sabido até mesmo pelos mosquitos do mercado Ver-o-Peso: que n&#8217;O Liberal só se publica aquilo que é de interesse da corja dos Marinho.</p><p>Mas eis que chega do Pará a estranha notícia de que o juiz Raimundo das Chagas, titular da 4ª vara cível de Belém, condenou Lúcio a pagar a soma de 30 mil reais aos irmãos Maiorana – representantes paraenses, lembrem-se, da organização comandada pelos Marinho. Lúcio também foi</p><p>condenado a pagar as custas processuais e os honorários advocatícios. A pérola de justificativa do juiz fala do “bom lucro” de um jornal artesanal, de tiragem de 2 mil exemplares por quinzena. Ainda por cima, o juiz proíbe Lúcio de usar “qualquer expressão agressiva, injuriosa, difamatória e caluniosa contra a memória do extinto pai dos requerentes e contra a pessoa destes”, o que constitui, segundo entendo, extrapolação característica de censura prévia contrária à Constituição Federal.</p><p>O juiz fundamenta sua decisão dizendo que Lúcio havia “se envolvido em grave desentendimento” com eles. É a velha praga do eufemismo: um espancamento pelas costas se transforma em “desentendimento”. A reação de Lúcio à sentença pode ser lida nesse texto.</p><p>O Biscoito se solidariza com Lúcio, coloca o site à disposição para o que for necessário &#8211; inclusive para a publicação de qualquer material objeto de censura prévia – e suspira de cansaço ao fazer outro post que mais parece autoplágio, dada a tediosa repetição desses absurdos. Resta a pergunta: até quando os Frias, Marinho, Civita, Mesquita e seus comparsas vão manter esse poder criminoso Brasil afora?</p><div class="addthis_toolbox addthis_default_style " addthis:url='http://www.caotico.com.br/judiciario-e-midia-as-duas-faces-do-poder-e-da-corrupcao/' addthis:title='Judiciário e Mídia: duas faces do Poder e da corrupção '  ><a class="addthis_button_facebook_like" fb:like:layout="button_count"></a><a class="addthis_button_tweet"></a><a class="addthis_button_google_plusone" g:plusone:size="medium"></a><a class="addthis_counter addthis_pill_style"></a></div>]]></content:encoded> <wfw:commentRss>http://www.caotico.com.br/judiciario-e-midia-as-duas-faces-do-poder-e-da-corrupcao/feed/</wfw:commentRss> <slash:comments>2</slash:comments> </item> </channel> </rss>
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