<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?> <rss version="2.0" xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/" xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/" xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/" xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom" xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/" xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/" ><channel><title>Caótico &#187; Olinda</title> <atom:link href="http://www.caotico.com.br/tags/olinda/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" /><link>http://www.caotico.com.br</link> <description>Espaço de leituras,  histórias &#38; especulações &#124; Por Inácio França</description> <lastBuildDate>Tue, 07 Feb 2012 19:41:39 +0000</lastBuildDate> <language>en</language> <sy:updatePeriod>hourly</sy:updatePeriod> <sy:updateFrequency>1</sy:updateFrequency> <xhtml:meta xmlns:xhtml="http://www.w3.org/1999/xhtml" name="robots" content="noindex" /> <item><title>Latitude 1º S, Longitude 48º O</title><link>http://www.caotico.com.br/diario-de-bordo-belem/</link> <comments>http://www.caotico.com.br/diario-de-bordo-belem/#comments</comments> <pubDate>Thu, 14 Apr 2011 02:56:11 +0000</pubDate> <dc:creator>Inácio França</dc:creator> <category><![CDATA[Leituras Caóticas]]></category> <category><![CDATA[Amazônia]]></category> <category><![CDATA[Belém]]></category> <category><![CDATA[escriba]]></category> <category><![CDATA[Olinda]]></category> <category><![CDATA[Pará]]></category> <category><![CDATA[Unicef]]></category> <category><![CDATA[viagens]]></category> <category><![CDATA[viver & escrever]]></category><guid isPermaLink="false">http://www.caotico.com.br/?p=1304</guid> <description><![CDATA[Estou em Belém. Já não sou gestor público, já não recebo comunicadores em busca de verba publicitária sem conseguir disfarçar as ameaças de quem usa o microfone ou a celulose como armas para extorquir. Já não assino empenhos nem ando às voltas com orçamentos. 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Já não assino empenhos nem ando às voltas com orçamentos. Já não carrego um celular funcional que toca sem parar, apesar de nunca ter me sentido na obrigação de deixá-lo ligado em tempo integral.</p><p>Durante 10 anos vivi uma vida que não é a minha. Ou, pelo menos, uma vida que não queria viver, cercado de assuntos, documentos e tarefas que não me interessam. E, em alguns casos, até de pessoas que aprendi a não respeitar.</p><p>Sempre me senti atraído pela política, porém não demorei a descobrir que uma coisa é a política, outra, bem diferente, é o cotidiano asfixiante da administração pública.</p><p>E demorei bastante para descobrir que preciso escrever, pois é construindo e desconstruindo um texto quantas vezes forem necessárias para que as pessoas sintam alguma emoção em ler que me realizo.</p><p>Nesses últimos 10 anos foram poucas, raras, às vezes em que fui à exaustão de tanto escrever, experimentando durante ou depois desse cansaço uma sensação de plenitude, de que estou entregando o que tenho de melhor. Algo como um gozo. Ou a glória do goleiro que agarra o pênalti.</p><p>Agora que descobri, pretendo arranjar um jeito de viver disso.</p><p>Para saber se esse jeito existe, larguei o cargo público e aceitei um contrato de trabalho temporário no Pará, uma transição para aprender a viver de outra forma. O pára-quedas para esse meu salto será a criação de roteiros e a edição de vídeos, além de algumas peças impressas para um dos três escritórios amazônicos do Unicef.</p><p>Minhas hesitações, os vacilos, foram superados graças ao companheirismo de Geórgia, testemunha do meu desgaste de todos os dias.</p><p>Uma coisa, contudo, é pagar as contas em dia e sustentar três filhos. Outra é encontrar os caminhos para transformar o ato de escrever em profissão. Parece que é tudo igual, mas não é.</p><p>Longe da família, dos amigos e do Santa Cruz, terei tempo, que será usado com disciplina. Mesmo que não renda um tostão, atualizar o blog será encarado a partir de agora como um trabalho. Escrever os quase 30 capítulos do próximo livro sobre a poesia do Pajeú, outro trabalho. Ao menos, esse é remunerado.</p><p>Ler os 16 livros* que trouxe na mochila, mais um trabalho, afinal alguns desses volumes serão usados na preparação para a oficina de Jornalismo &amp; Literatura que irei oferecer quando voltar.</p><p>Por tudo isso, estou em Belém.</p><p>&#8212;&#8212;&#8212;</p><p>*Os livros que me acompanham são:</p><p><em>Entre sem bater</em>, de Marcos Rey devidamente devorado no avião e no primeiro dia na cidade.</p><p><em>Diário de uma expedição</em>, de Euclides da Cunha, leitura ainda no início.</p><p><em>Vida escritor</em>, de Gay Talese, cujo título torna óbvio o motivo.</p><p><em>Fama &amp; Anonimato</em>, também de Talese, numa edição de 1973 publicada sob outro título.</p><p><em>A vida breve</em>, de Juan Carlos Onetti, porque chegou a hora de conhecer mais um uruguaio.</p><p><em>Washington DC</em>, de Gore Vidal, faz parte do esforço para tentar entender os Estados Unidos.</p><p><em>A dança dos desejos, Opus 13</em>, de Esdras do Nascimento, leitor do Caótico que me enviou uma edição caprichada pelo correio.</p><p><em>Balada da praia dos cães</em>, de José Cardoso Pires, acho o título ótimo e estou curioso para conhecer a literatura do português.</p><p><em>Ensaio autobiográfico</em>, de Jorge Luís Borges, quem sabe não me animo a ler mais alguma coisa dele.</p><p><em>Jornalismo Literário, </em>de Gustavo de Castro, mais um para a oficina.</p><p><em>Histórias do Brasil Profundo</em>, de Márcio Moreira Alves, por indicação de Laércio Portela, com quem compartilho uma ideia que, por enquanto, é só ideia.</p><p><em>O anticristo</em>, de Frederick Nietzche, um pouco de filosofia para tentar entender minhas próprias convicções ou preconceitos.</p><p><em>A felicidade conjugal/O diabo</em>, de Lev Tolstoi, duas novelas de mais um russo arretado.</p><p><em>Um homem extraordinário e outras histórias</em>, de Anton Tchekov, outros contos do mestre da narrativa curta. Quem sabe eu aprendo alguma coisa?</p><p><em>A arte de escrever</em>, de Arthur Schopenhauer, mais filosofia e um título auto-explicativo.</p><p><em>Sinal vermelho</em>, de Georges Simenon, para conhecer o que ele escrevia sem Maigret.</p><p><strong>(a foto da praça do relógio, perto do Ver-o-peso, foi tomada emprestada do blog de <a href="http://waldirmanaia.blogspot.com/">Waldir Manaia</a>, motorista do Unicef em Belém, profissional do volante e amador da fotografia)</strong></p><p>&nbsp;</p><div class="addthis_toolbox addthis_default_style " addthis:url='http://www.caotico.com.br/diario-de-bordo-belem/' addthis:title='Latitude 1º S, Longitude 48º O '  ><a class="addthis_button_facebook_like" fb:like:layout="button_count"></a><a class="addthis_button_tweet"></a><a class="addthis_button_google_plusone" g:plusone:size="medium"></a><a class="addthis_counter addthis_pill_style"></a></div>]]></content:encoded> <wfw:commentRss>http://www.caotico.com.br/diario-de-bordo-belem/feed/</wfw:commentRss> <slash:comments>14</slash:comments> </item> <item><title>Não contem com o fim do livro</title><link>http://www.caotico.com.br/nao-contem-com-o-fim-do-livro/</link> <comments>http://www.caotico.com.br/nao-contem-com-o-fim-do-livro/#comments</comments> <pubDate>Fri, 03 Sep 2010 15:32:09 +0000</pubDate> <dc:creator>Inácio França</dc:creator> <category><![CDATA[Leituras Caóticas]]></category> <category><![CDATA[biblioteca]]></category> <category><![CDATA[Jean-Claude Carrière]]></category> <category><![CDATA[livro]]></category> <category><![CDATA[livro digital]]></category> <category><![CDATA[monges]]></category> <category><![CDATA[mosteiros]]></category> <category><![CDATA[Olinda]]></category> <category><![CDATA[papel]]></category> <category><![CDATA[Record]]></category> <category><![CDATA[Umberto Eco]]></category><guid isPermaLink="false">http://www.caotico.com.br/?p=902</guid> <description><![CDATA[Demorou, mas chegou. A jornalista pernambucana radicada em São Paulo Mariana Lacerda enviou seu texto sobre o livro Não contem com o fim do livro, enviado pelo pessoal da editora Record. ***** por Mariana Lacerda Olinda é uma cidade estranha mesmo. Sempre pensei no que faziam os monges, monjas e frades dos mosteiros e conventos [...]<div class="addthis_toolbox addthis_default_style " addthis:url='http://www.caotico.com.br/nao-contem-com-o-fim-do-livro/' addthis:title='Não contem com o fim do livro '  ><a class="addthis_button_facebook_like" fb:like:layout="button_count"></a><a class="addthis_button_tweet"></a><a class="addthis_button_google_plusone" g:plusone:size="medium"></a><a class="addthis_counter addthis_pill_style"></a></div>]]></description> <content:encoded><![CDATA[<p><strong><a href="http://www.caotico.com.br/wp-content/uploads/2010/09/logoRecord.gif"><img class="alignleft size-thumbnail wp-image-904" title="logoRecord" src="http://www.caotico.com.br/wp-content/uploads/2010/09/logoRecord-150x150.gif" alt="" width="51" height="51" /></a>Demorou, mas chegou. A jornalista pernambucana radicada em São Paulo Mariana Lacerda enviou seu texto sobre o livro <em>Não contem com o fim do livro, </em>enviado pelo pessoal da editora Record.</strong></p><p style="text-align: center;"><strong>*****</strong></p><p><strong>por Mariana Lacerda</strong></p><p><a href="http://www.caotico.com.br/wp-content/uploads/2010/09/nãocontemcomofimdolivro.jpg"><img class="alignright size-medium wp-image-903" title="nãocontemcomofimdolivro" src="http://www.caotico.com.br/wp-content/uploads/2010/09/nãocontemcomofimdolivro-228x350.jpg" alt="" width="124" height="191" /></a>Olinda é uma cidade estranha mesmo. Sempre pensei no que faziam os monges, monjas e frades dos mosteiros e conventos durante os dias de loucura geral do carnaval. Sempre pensei nas paisagens para o mar que os mosteiros e igrejas encerram para nós, mortais &#8211; e que se abrem para eles, os santos. Sempre pensei nessa coisa doida do patrimônio histórico inacessível, misteriosos castelos onde vivem pessoas em cápsulas de tempo. E por ter sempre pensando nisso, iniciei uma pesquisa sobre os paradoxos da cidade alta envolvendo seus prédios religiosos, eles sim o começo de tudo dali, ocupando as sete colinas da cidade, olhando uns para os outros, murmurando baixinho à noite sobre suas mazelas e cansaços.</p><p>Me dei conta então das bibliotecas trancadas em armários de madeira e portas de vidro, em salas de pé-direito alto, janelas abertas ao vento e ao mar. Devem ter algumas dessas em Olinda, mas só os Franciscanos me deixaram ter acesso à paisagem e às palavras que guardam de letras de alguns séculos atrás (incluindo, além dos livros, anotações, manuscritos e etc).</p><p>Imagino ainda os livros empilhados dos monges beneditinos. Livros fechados a sete chaves e cheios de segredos (um dia, existiu o papel do Monge Cronista, responsável em narrar o cotidiano de um mosteiro). Queira encontrar uma Mariana Alcoforado dos homens, a Mariana que no século 17 escrevia loucamente em algum convento em Portugal para sua paixão, um oficial do exercito francês que tinha servido em terras lusas e esbarrado nela, no claustro. Seus textos atravessaram os séculos e agora estão numa ediçãozinha de bolso vendida até em bancas de revistas: as <em>Cartas Portuguesas</em>, um livro pequenininho e lindo. Soube então que até a restauradora de papel, gente de qualificação muito rara, e que está trabalhando no Mosteiro de São Bento  de Olinda, fez voto de segredo eterno sobre o que por ventura lhe caísse de extraordinário aos olhos.</p><p>Mas passar uma tarde na biblioteca dos Franciscanos (mais serenos em tudo em sua relação com o mundo) e imaginar a restauradora de papel trabalhando na biblioteca beneditina me fez pensar no livro que eu carregava na mochila. Trata-se do <em>Não contem com o fim do livro</em>, de Umberto Eco e Jean-Claude Carriàre, e que veio parar em minhas mãos por conta deste Caótico.</p><p>É assim: um jornalista chamado Jean-Philippe de Tonnac colocou para conversar os dois autores (geniais) que assinam o livro. Tonnac mediou a conversa e editou o livro, que parte da seguinte premissa: um futurólogo anunciou na última reunião da cúpula de Davos, em 2008, que, como a água, o livro iria se acabar (!). Será?</p><p>Que conversa antiga! Mas suficiente o bastante para que Eco e Carrière pudessem discorrer sobre o que mais amam: bibliotecas, coleções públicas, seus livros amados,  Borges, labirintos e jardins, edições raras e novas, e-books, a história da humanidade em prateleiras e acervos raros (que, digitalizados, ganham a Internet). <em>Não contem com o fim do livro</em> é como ver uma pessoa discorrer sobre seu objeto de paixão (os cientistas naturais têm isso com matas Atlânticas e Amazônicas), e é uma delícia para quem é ama os livros: cuja invenção, bem disseram Eco e Carrière, só pode ser comparada à roda. Ou seja, nada, mas absolutamente nada, substitui nem vai substituir esse objeto, essa coisa valiosa que se quer ter e guardar, segredinhos trancados nos mosteiros de Olinda.</p><p>Pensei que, e me perdoem (por favor), que eles sim, os monges e frades, talvez sumam. Apenas cinco zelosos franciscanos vivem entre as muitas paredes do Convento e Igrejas de São Francisco, de Olinda. No Mosteiro de São Bento, 13 monges dividem o claustro imenso. Nem todos têm direito a acessar à biblioteca (quem dera eu!) . No alto da Sé, há uma igrejinha recuada entre a da Misericórdia e a de São Salvador do Mundo (dita Igreja da Sé). Lá, vivem sete irmãs Dorotéias bem curvadas e encolhidinhas e que só abrem a igreja uma vez na semana, aos domingos, às 6h30. Nem pense na biblioteca.</p><p>O tempo vai passar, as pessoas se vão, têm ido. O mar de Olinda pode avançar e as montanhas tombarem (sim, isso já acontece e nenhum futurólogo premeditou). Mas os livros vão resistir, vão ser encontrados, folheados, restaurados, cuidados. Não vão morrer. Nem os livros antigos nem os novos. Marianas Alcoforados serão desvendadas, tomara, para encher bancas de revistas, e-books e Ipads e nos contar das paredes, das paisagens e dos livros que poucos, alguns, os que se deram a Deus, puderam ver.</p><div class="addthis_toolbox addthis_default_style " addthis:url='http://www.caotico.com.br/nao-contem-com-o-fim-do-livro/' addthis:title='Não contem com o fim do livro '  ><a class="addthis_button_facebook_like" fb:like:layout="button_count"></a><a class="addthis_button_tweet"></a><a class="addthis_button_google_plusone" g:plusone:size="medium"></a><a class="addthis_counter addthis_pill_style"></a></div>]]></content:encoded> <wfw:commentRss>http://www.caotico.com.br/nao-contem-com-o-fim-do-livro/feed/</wfw:commentRss> <slash:comments>9</slash:comments> </item> <item><title>A inglória peleja do demônio da telinha contra o carnaval de rua</title><link>http://www.caotico.com.br/a-ingloria-peleja-do-demonio-da-telinha-contra-o-carnaval-de-rua/</link> <comments>http://www.caotico.com.br/a-ingloria-peleja-do-demonio-da-telinha-contra-o-carnaval-de-rua/#comments</comments> <pubDate>Thu, 18 Feb 2010 11:57:26 +0000</pubDate> <dc:creator>Inácio França</dc:creator> <category><![CDATA[Elocubrações]]></category> <category><![CDATA[Band]]></category> <category><![CDATA[carnaval]]></category> <category><![CDATA[evento de massa]]></category> <category><![CDATA[folia]]></category> <category><![CDATA[Olinda]]></category> <category><![CDATA[Rede Globo]]></category> <category><![CDATA[televisão]]></category> <category><![CDATA[TV]]></category><guid isPermaLink="false">http://www.caotico.com.br/?p=586</guid> <description><![CDATA[Não tem jeito, a TV brasileira foi derrotada mais uma vez pelo carnaval de rua de Pernambuco. 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E, mais uma vez, a derrota foi feia, goleada de verdade, seis ou sete gols de diferença no Recife. Em Olinda, o resultado foi ainda mais dilatado, pior do que Hungria e El Salvador na Copa de 82, sem direito a gol de honra. Ainda bem.</p><p>Como integrante da primeira equipe de governo de Luciana Santos em Olinda, no início desta década que ora se acaba, fui testemunha dos esforços dos executivos da Rede Globo Nordeste para transformar o carnaval de Olinda em um produto midiático, televisivo. O esforço para criar outra estética e outra ética. Afinal, a imagem da multidão se arrastando pelas ladeiras é suja e repetitiva demais para o padrão asséptico, pasteurizado e sem graça da TV brasileira. O carnaval de Olinda é um fato, um acontecimento sem dúvida nenhuma, jamais um produto.</p><p>Os executivos fracassaram, esbarraram na saudável teimosia da prefeita comunista e dos carnavalescos tradicionalistas. A Globo já desistiu. Pelo menos, por enquanto.</p><p>Sua programação se refugiou numa casa refrigerada e com cenário organizadinho, réplica do próprio estúdio. Tudo sob controle dos seus bons profissionais. A multidão incontrolável, com piadinhas sacanas a toda hora e fantasias inexplicáveis varando a tela limpa da tevê, é um pouco demais para a maior emissora da América Latina aceitar.</p><p>A tal Casa do Carnaval é uma metáfora perfeita do papel das Organizações Globo na sociedade brasileira. A Casa é uma ilha da fantasia, um mundo à parte, sem os micróbios da criatividade alheia e do imprevisto. Na bolha, a equipe global tenta reconstruir o mundo à sua imagem e semelhança. O problema é o que o carnaval come solto lá fora, desmentindo a todo momento sua grade de programação. Mais ou menos como a popularidade do presidente Lula, resultado de suas políticas públicas, que contrariam as tentativas do Jornal Nacional de reconstruir o país. Fracassam ambos, o JN e a bolha carnavalesca.</p><p>Agora, é a pobre Band que tenta encontrar o caminho da vitória onde a Globo foi derrotada. A vaca da emissora paulistana também está indo para o brejo sem escalas. A motivação dos bandeirantes é outra: acertadamente, o Governo de Pernambuco está investindo na emissora uma nota para garantir a transmissão ao vivo e visibilidade para o carnaval pernambucano.</p><p>A motivação é diferente, mas o desafio é o mesmo: embalar o carnaval de rua em produto. Dá até pena.</p><p>Este ano puxei o freio de mão na folia. Pulei, mas não exagerei coisa de quem passou dos 40 e fica com os pés doendo. Daí, deu para assistir um pouco de carnaval televisivo, na Band inclusive. O resultado é uma coisa sem graça. Os shows do Marco Zero são uma concessão, algo mais próximo daquilo que as TVs estão acostumadas a colocar no ar. Mas a emissora não passa nem perto da realidade das ruas do bairro, com blocos e mais blocos diferentes desfilando a toda hora, pessoas se divertindo, crianças brincando.</p><p>A Band é salva por um repórter inteligente que, ao menos aparentemente, respeita seus entrevistados. O desempenho dos demais é constrangedor, visivelmente não conseguem compreender as diferenças de sotaque e de cultura. A atitude desse pessoal é similar a dos colonizadores britânicos, dispostos a capturar seres exóticos para mostrar a Rainha Vitória. A realeza aqui é a egoísta, alienada e provinciana classe média paulistana, uma turma que conheço dos meus anos em Sampa. Gente que lê Veja e acha uma grande coisa.</p><p>Aposto que, sem a grana do Governo do Estado, a Band já teria abandonado sua aventura olindense com o rabo entre as pernas.</p><p>Pelo andar da carruagem, os produtores de TV ainda vão passar anos repetindo o mantra de que “o carnaval de Olinda é muito diferente, muito criativo, mas não rende imagens” e “não é bom para a TV”. Significa que não será embalado para produto. O mais curioso é que há uma contradição nisso: um evento de massa indigesto para um meio de comunicação de massa.</p><p>O motivo da minha satisfação é que, quando a TV transforma alguma coisa feita pelo povo em mercadoria, transforma tudo que está ao redor. Para servir com ilustração, vou contar uma historinha que escutei na terça-feira de carnaval da boca do meu amigo Edson, carioca de Marechal Hermes e portelense. Edson e sua mulher Ivete, passista da Salgueiro na juventude. O casal não suporta mais o desfile das escolas de samba e decidiram conhecer o carnaval de Olinda.</p><p>Edson contou o que sabe e o que já ouviu falar dos bastidores da escolha de um samba-enredo no Rio. É uma coisa grotesca, que nada tem a ver com arte ou folia e sim com corrupção. Para ter o direito de colocar seu samba para concorrer, só isso, um compositor precisa gastar quase R$ 100 mil, grana para comprar dezenas de mesas na quadra da escola nos dias do concurso, para molhar a mão dos músicos e evitar que a bateria atravesse seu samba, comprar jurados.</p><p>Quem não tem o dinheiro, arruma patrocinadores que exigem a inclusão do nome de um filho, sobrinho ou do próprio diretor da empresa como parceiro na autoria do samba. Em algumas escolas, o presidente exige que o vencedor pague metade dos direitos autorais que a gravadora Som Livre repassa para a Liga das Escolas de Samba.</p><p>Na opinião de Edson, o dinheiro da TV transformou tudo e todos em mercadoria. Em  Olinda e no Recife, ainda não conseguiram.</p><p>E acho é pouco.</p><div class="addthis_toolbox addthis_default_style " addthis:url='http://www.caotico.com.br/a-ingloria-peleja-do-demonio-da-telinha-contra-o-carnaval-de-rua/' addthis:title='A inglória peleja do demônio da telinha contra o carnaval de rua '  ><a class="addthis_button_facebook_like" fb:like:layout="button_count"></a><a class="addthis_button_tweet"></a><a class="addthis_button_google_plusone" g:plusone:size="medium"></a><a class="addthis_counter addthis_pill_style"></a></div>]]></content:encoded> <wfw:commentRss>http://www.caotico.com.br/a-ingloria-peleja-do-demonio-da-telinha-contra-o-carnaval-de-rua/feed/</wfw:commentRss> <slash:comments>16</slash:comments> </item> <item><title>Tô na área!</title><link>http://www.caotico.com.br/to-na-area/</link> <comments>http://www.caotico.com.br/to-na-area/#comments</comments> <pubDate>Wed, 09 Dec 2009 01:14:36 +0000</pubDate> <dc:creator>Inácio França</dc:creator> <category><![CDATA[Elocubrações]]></category> <category><![CDATA[falta de tempo]]></category> <category><![CDATA[Funcultura]]></category> <category><![CDATA[Olinda]]></category><guid isPermaLink="false">http://www.caotico.com.br/?p=533</guid> <description><![CDATA[Calma, não abandonei o blog. Acho que amanhã (quarta-feira) eu atualizo o bichinho novamente. A culpa do grande intervalo desde a última postagem é do ritmo de final-de-ano em Olinda, com um monte de coisas que aparecem a toda hora, além do tempo que estou dedicando à redação do livro Um Rio de Gente, financiado [...]<div class="addthis_toolbox addthis_default_style " addthis:url='http://www.caotico.com.br/to-na-area/' addthis:title='Tô na área! '  ><a class="addthis_button_facebook_like" fb:like:layout="button_count"></a><a class="addthis_button_tweet"></a><a class="addthis_button_google_plusone" g:plusone:size="medium"></a><a class="addthis_counter addthis_pill_style"></a></div>]]></description> <content:encoded><![CDATA[<p>Calma, não abandonei o blog. Acho que amanhã (quarta-feira) eu atualizo o bichinho novamente. A culpa do grande intervalo desde a última postagem é do ritmo de final-de-ano em Olinda, com um monte de coisas que aparecem a toda hora, além do tempo que estou dedicando à redação do livro <em>Um Rio de Gente, </em>financiado pelo Funcultura. O tempo anda tão curto que estou há mais de uma semana carregando pra lá e pra cá um livrinho de contos de Tchekov, sem conseguir conclui-lo.</p><p>Enquanto não publico nada novo por aqui, quem estiver interessado sobre o livro que estou escrevendo pode ler postagens <a href="http://www.caotico.com.br/um-livro-em-gestacao/">Um livro em Gestação</a> e <a href="http://www.caotico.com.br/a-parabolica-do-seu-inacio/">A Parabólica do Seu Inácio</a>.</p><div class="addthis_toolbox addthis_default_style " addthis:url='http://www.caotico.com.br/to-na-area/' addthis:title='Tô na área! '  ><a class="addthis_button_facebook_like" fb:like:layout="button_count"></a><a class="addthis_button_tweet"></a><a class="addthis_button_google_plusone" g:plusone:size="medium"></a><a class="addthis_counter addthis_pill_style"></a></div>]]></content:encoded> <wfw:commentRss>http://www.caotico.com.br/to-na-area/feed/</wfw:commentRss> <slash:comments>0</slash:comments> </item> </channel> </rss>
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