<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?> <rss version="2.0" xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/" xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/" xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/" xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom" xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/" xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/" ><channel><title>Caótico &#187; Pará</title> <atom:link href="http://www.caotico.com.br/tags/para/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" /><link>http://www.caotico.com.br</link> <description>Espaço de leituras,  histórias &#38; especulações &#124; Por Inácio França</description> <lastBuildDate>Tue, 07 Feb 2012 19:41:39 +0000</lastBuildDate> <language>en</language> <sy:updatePeriod>hourly</sy:updatePeriod> <sy:updateFrequency>1</sy:updateFrequency> <xhtml:meta xmlns:xhtml="http://www.w3.org/1999/xhtml" name="robots" content="noindex" /> <item><title>Diário de bordo: Marajó</title><link>http://www.caotico.com.br/diario-de-bordo-marajo/</link> <comments>http://www.caotico.com.br/diario-de-bordo-marajo/#comments</comments> <pubDate>Sun, 17 Jul 2011 16:04:04 +0000</pubDate> <dc:creator>Inácio França</dc:creator> <category><![CDATA[Elocubrações]]></category> <category><![CDATA[Amazônia]]></category> <category><![CDATA[búfalos]]></category> <category><![CDATA[campos alagados]]></category> <category><![CDATA[campos amazônicos]]></category> <category><![CDATA[ilha do Marajó]]></category> <category><![CDATA[Pará]]></category> <category><![CDATA[turismo ecológico]]></category> <category><![CDATA[viagem]]></category><guid isPermaLink="false">http://www.caotico.com.br/?p=1503</guid> <description><![CDATA[Não é fácil chegar ao Marajó. 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A distância entre Belém e os municípios com um pouco mais de estrutura da ilha nem é assim tão grande, mas a estrutura do transporte é tão estapafúrdia que transforma o que poderia ser uma agradável viagem de, no máximo, três horas de barco em uma saga cansativa e irritante. Os interesses das empresas de navegação se sobrepõem aos interesses da população de municípios como Soure e Salvaterra, que juntos têm quase 44 mil habitantes e onde estão as principais praias da ilha.</p><p>As duas cidades ficam às margens da baía do Marajó, separadas pela larga e bonita foz do rio Paracauari. Facilitaria muito o dia-a-dia dos homens, mulheres e crianças que vivem ali se os barcos e ferry-boats que se dirigem ao lado oriental da ilha desembarcassem em uma delas.</p><p>Para que facilitar se é possível complicar? O porto de desembarque da Henvil Navegação situa-se 30 quilômetros ao sul, em uma área pouco povoada. Quando chegam carregando bolsas, malas, sacolas, pacotes, caixas, os moradores precisam recorrer aos ônibus  e caminhonetes caindo aos pedaços que os esperam na porta da estação e cobram R$ 4,00 pelo trajeto. Distante, o desembarque só beneficia os donos desses ferro-velhos.</p><p>Acredito que outra explicação para essa opção está exatamente na foz do Paracauari: como não há ponte entre Salvaterra e Soure, quem precisa ir de um lado para o outro é obrigado a recorrer a uma balsa da empresa de navegação Henvil. Qual a empresa que faz o trajeto de Belém ao porto distante 30 quilômetros? Henvil, lógico. Se o porto de chegada fosse em Soure, com população e infra-estrutura urbana maiores, como era há mais de uma década, é possível deduzir que o movimento dessa balsa iria cair.</p><p>Não há outra termo: é estupidez pura. Fosse mais fácil chegar e trafegar pela ilha, não tenho dúvidas que o turismo iria fazer muito mais dinheiro circular, inclusive para a empresa de navegação e os donos das sucatas circulantes.</p><p>Não é difícil perceber o potencial turístico da ilha. Soure é um lugar bucólico, de ruas largas com mangueiras centenárias no canteiro central que garantem sombra e temperaturas amenas. As praias de Barra Velha e Pesqueiro ficam perto da cidade, há algumas pousadas charmosas, artesanato de couro e de cerâmica inspirado nos grafismos marajoaras, fazendas de búfalo que vendem manteiga e queijo deliciosos e até um santuário ecológico privado aberto à visitação.</p><p>O que falta é política para estimular o turismo de modo a garantir que a população local seja a maior beneficiada.</p><p>&nbsp;</p><p><strong>O Santuário</strong></p><p>&nbsp;</p><p><a href="http://www.caotico.com.br/wp-content/uploads/2011/07/DSCF1513.jpg"><img class="alignright size-medium wp-image-1506" title="DSCF1513" src="http://www.caotico.com.br/wp-content/uploads/2011/07/DSCF1513-350x262.jpg" alt="" width="192" height="143" /></a>Eva Abufaiad era professora-titular da UFPA, ensinava nos cursos de Veterinária e Agronomia, mas resolveu aposentar-se antes da hora. Largou tudo e foi cuidar da fazenda deixada pelo pai em Soure, onde nasceu e foi criada. Sua primeira iniciativa foi procurar fechar um acordo com Ibama, PF, PM e Polícia Civil para receber, de graça, os animais da fauna amazônica apreendidos com traficantes e contrabandistas. Ela reintroduz à natureza mamacos, aves, tamanduás, jacarés e até onças.</p><p>Quando os animais chegam feridos ou doentes, ela trata, medica até que eles fiquem em condições de se virarem sozinhos no mato. Uma vez, recebeu um lote de 80 jacarés apreendidos que estavam sendo levados num barco, entre eles um enorme jacaré-açu de 2,5 metros que agora vive nas áreas alagadas da fazenda Bom Jesus.</p><p>Na fazenda, convivendo ou defendendo-se da fauna selvagem, há gado bovino, cavalos e muitos búfalos. Os turistas pagam R$ 30,00 cada um para passear nos enorme búfalo brinquedo, da raça Carabao, ou fazer fotos ao lado do pacato Rambo, da raça Mediterrâneo. Na sede, também há um pequeno museu de arte-sacra instalado na capela que ela construiu com madeira de demolição. Depois, passeiam pela estrada de terra ladeada pelo manguezal repleto de aves e pelos campos alagados, com seus jacarés. Dá para escutar os gritos dos macaco-guariba que vivem na floresta.</p><p>&nbsp;</p><p><strong>Praia do Pesqueiro</strong></p><p>&nbsp;</p><p><a href="http://www.caotico.com.br/wp-content/uploads/2011/07/DSCF1474.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-1507" title="DSCF1474" src="http://www.caotico.com.br/wp-content/uploads/2011/07/DSCF1474-350x262.jpg" alt="" width="183" height="135" /></a>Areia a perder de vista, 200 ou 300 metros de areia, areia e mais areia. Água morna, barrenta, mas nem tanto. O problema é que tem arraia que só a bubônica. Se o sujeito pisa numa delas, o estrago tá feito: para se defender ela lasca o ferrão na canela do dito cujo. O truque para tentar se livrar da ferroada e do buraco na canela é entrar na água arrastando o pé na areia, devagarzinho como quem procura algum coisa que afundou. Convenhamos, não é muito divetido, mas o visual compensa: a floresta chega até a areia, com árvores de 30 metros, confundindo-se com os manguezais enormes que acompanham o curso dos igarapés. Mata fechada no trecho nas praias nordestinas há capim e coqueiros.</p><p>&nbsp;</p><p><strong>Bichos de pena</strong></p><p>&nbsp;</p><p>O sujeito sai da praia, se tiver de bicicleta pedala uns 10 minutos &#8211; de carro não dá nem três minutinhos – e vê os manguezais dando lugar a extensos campos alagados, com tudo quanto é tipo de pássaro catando peixes (pelo menos, acho que eles comem peixes, mas não tenho certeza, sei nada sobre a dieta desses bichos de pena). Tem maguaris, garças aos borbotões, garças-azul, colhereiro, guarás, jaburus e tuiuiús. A meio caminho entre os alagados e a praia, mata fechada, fechadíssima aliás, com muitos macaco-guariba. Visitar o Marajó é melhor que assistir a um desses programas do tipo National Geographic ou Animal Planet.</p><p>&nbsp;</p><p><strong>Os campos</strong></p><p>&nbsp;</p><p><a href="http://www.caotico.com.br/wp-content/uploads/2011/07/DSCF1555.jpg"><img class="alignright size-medium wp-image-1508" title="DSCF1555" src="http://www.caotico.com.br/wp-content/uploads/2011/07/DSCF1555-350x262.jpg" alt="" width="186" height="138" /></a>Não tem fim esses campos alagados, que enchem sempre que rios como o Camará e o Paracauari transbordam. Começam a dois ou três quilômetros do litoral e se espalham pelo interior da ilha, interrompidos pela floresta que vai margeando os rios. Os maraoaras criam búfalos nesses campos, mas depois de dois  dias na ilha, o sujeito perde a graça de fotografá-los, afinal até as carroças que recolhem o lixo de Soure e Salvaterra são puxadas por esses bichos.</p><div class="addthis_toolbox addthis_default_style " addthis:url='http://www.caotico.com.br/diario-de-bordo-marajo/' addthis:title='Diário de bordo: Marajó '  ><a class="addthis_button_facebook_like" fb:like:layout="button_count"></a><a class="addthis_button_tweet"></a><a class="addthis_button_google_plusone" g:plusone:size="medium"></a><a class="addthis_counter addthis_pill_style"></a></div>]]></content:encoded> <wfw:commentRss>http://www.caotico.com.br/diario-de-bordo-marajo/feed/</wfw:commentRss> <slash:comments>7</slash:comments> </item> <item><title>Quando os farsantes falam a verdade</title><link>http://www.caotico.com.br/quando-os-farsantes-falam-a-verdade-2/</link> <comments>http://www.caotico.com.br/quando-os-farsantes-falam-a-verdade-2/#comments</comments> <pubDate>Fri, 17 Jun 2011 12:28:53 +0000</pubDate> <dc:creator>Inácio França</dc:creator> <category><![CDATA[Elocubrações]]></category> <category><![CDATA[Diário do Pará]]></category> <category><![CDATA[Jáder Barbalho]]></category> <category><![CDATA[jornais]]></category> <category><![CDATA[Mídia]]></category> <category><![CDATA[O Liberal]]></category> <category><![CDATA[Pará]]></category> <category><![CDATA[política]]></category> <category><![CDATA[Rômulo Maiorana]]></category><guid isPermaLink="false">http://www.caotico.com.br/?p=1448</guid> <description><![CDATA[Jornais, internet, TV, rádio são instrumentos que fazem o mundo parecer menor, nos fazem crer que tudo que acontece de relevante mundo afora chega ao nosso conhecimento rapidamente. Ainda ontem, por exemplo, li em algum desses grandes portais na internet que uma ovelha subiu num telhado na Inglaterra. Sem falar na contínua e permanente torrente [...]<div class="addthis_toolbox addthis_default_style " addthis:url='http://www.caotico.com.br/quando-os-farsantes-falam-a-verdade-2/' addthis:title='Quando os farsantes falam a verdade '  ><a class="addthis_button_facebook_like" fb:like:layout="button_count"></a><a class="addthis_button_tweet"></a><a class="addthis_button_google_plusone" g:plusone:size="medium"></a><a class="addthis_counter addthis_pill_style"></a></div>]]></description> <content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-size: small;"><a href="http://www.caotico.com.br/wp-content/uploads/2011/06/Jornal-Pessoal.jpg"><img class="alignright size-medium wp-image-1450" title="Jornal Pessoal" src="http://www.caotico.com.br/wp-content/uploads/2011/06/Jornal-Pessoal-246x350.jpg" alt="" width="150" height="197" /></a>Jornais, internet, TV, rádio são instrumentos que fazem o mundo parecer menor, nos fazem crer que tudo que acontece de relevante mundo afora chega ao nosso conhecimento rapidamente. Ainda ontem, por exemplo, li em algum desses grandes portais na internet que uma ovelha subiu num telhado na Inglaterra. Sem falar na contínua e permanente torrente de notícias de trocas de namorados entre atrizes, jogadores do futebol e celebridades de menor prazo de validade.</span></p><p><span style="font-size: small;">Alguém decide o que é relevante. E esse alguém não é o dono da empresa de mídia, já que ele tem coisas mais importantes a fazer. Para isso, ele escala diretores ou gerentes de jornalismo, gente de sua confiança paga para adivinhar os desejos do patrão. Esses escalama editores para decidir o que eu e você iremos ler.</span></p><p><span style="font-size: small;">Há um mês, um dono de jornal, de emissora de TV que retransmite a Globo, de rádios e de um portal na web, resolveu ele mesmo fazer o serviço.</span></p><p><span style="font-size: small;">Rômulo Maiorana Júnior, herdeiro do maior grupo de comunicação do Norte do Brasil, enfrentou o teclado do computador e redigiu um artigo contra o tristemente famoso Jáder Barbalho, ex-governador, ex-senador pelo Pará e dono do grupo de comunicação concorrente.</span></p><p><span style="font-size: small;">Num texto sofrível, mas muito, muito, muito ruim, usou palavras que raramente aparecem nas páginas dos jornais para se referir a um adversário, principalmente se esse jornal for o seu e você tem um mínimo de preocupação com a credibilidade da sua publicação. O título? <em>Um safado e sua safadeza</em>. Dá para imaginar o que vem, não dá?</span></p><p><span style="font-size: small;">Logo no primeiro parágrafo “é por todos conhecido: um ‘ficha-suja’, canalha, sem-vergonha, safado, chantagista, corrupto e ladrão”. Na lata, sem cuspe e sem estilo. Maiorana ainda sapecou um “estórias” no início, provavelmente para o leitor perceber imediatamente seu escasso conhecimento do idioma.</span></p><p><span style="font-size: small;">Se as mídias realmente fossem capazes de fazer o mundo ficar menor, bastava esse início para que o assunto se transformasse em notícia nacional. Nada disso. Nem os blogs ditos progressistas, independentes ou de esquerda (Nassif, Vi o Mundo, Escrevinhador ou Paulo Henrique Amorim) registraram o ineditismo do tom das acusações.</span></p><p><span style="font-size: small;">Convenhamos, essa cegueira para tudo que não está no Rio, São Paulo ou Brasília – ou para tudo que não é parido nas redações dessas capitais – chega a ser cômica. A disputa por audiência entre Luciano Huck e um tal de Faro não-sei-o-quê mereceu amplos espaços.</span></p><p><span style="font-size: small;">Júnior, contudo, guardou o melhor para o miolo do seu, digamos, texto. Em péssimo português, ele garantiu que seu pai costumava trocar cheques sem fundo de Jáder Barbalho, cheques que até hoje estariam guardados no baú dos Maiorana.</span></p><p><span style="font-size: small;">Em seguida, um tiro no pé constrangedor, desses que dá vergonha alheia: “Dizem que meu pai era contrabandista. Ora, se ele foi contrabandista, foi para dar comida a sete pessoas, a sua família”. Esse era um assunto proibidíssimo nas Organizações Rômulo Maiorana, a ORM. Se o sujeito fosse pego falando disso no elevador com o ascensorista era demitido no ato, sem choro nem vela.</span></p><p><span style="font-size: small;">Foi por causa dessa acusação que o jornalista Lúcio Flávio Pinto levou uma surra de Ronald, irmão de Rômulo, e sua turma, além de tomar cinco processos nas costas. Há alguns anos, Lúcio ousou publicar em seu Jornal Pessoal, cuja capa da quinzena passada reproduzo acima, o que era público e notório em Belém: a origem da fortuna de Papai Maiorana era o contrabando. Apanhou e foi processado. Agora, ri por último.</span></p><p><span style="font-size: small;">Lúcio Flávio, por sinal, se pergunta: se tem os cheques sem fundo de Jáder, por que não os escaneou e publicou na primeira página do jornal?</span></p><p><span style="font-size: small;">E por que tanta ira de Júnior? Porque, na véspera, o Diário do Pará, de Jáder, publicou na primeira página que ele, Júnior, disse em depoimento à Justiça Federal que não tinha nada a ver com a fraude de R$ 4 milhões na Sudam, que era tudo culpa do irmão Ronald. Explico: os Maiorana pegaram um empréstimo na Sudam para investir numa fábrica de sucos artificiais, mas tinham que investir valor idêntico na indústria. Eles deram uma contrapartida de mentirinha, segundo o Ministério Público.</span></p><p><span style="font-size: small;">A resposta de Jáder também foi grotesca, apesar de ser assinada pelo Diário do Pará. Menos corajoso, o ex-tudo preferiu compartilhar a autoria da sua grosseria com a equipe de profissionais que trabalham no seu jornal.</span></p><p><span style="font-size: small;">O texto ditado por Jáder Barbalho é machista e absurdamente preconceituoso, culpando a TPM de Júnior pelo seu “comportamento de profunda irritação”. As insinuações sobre a sexualidade do inimigo são de um profundo mau gosto. Numa delas, afirma que trata-se de “um ser com fortes características femininas”, como se isso pudesse reduzir a personalidade e o caráter de alguém.</span></p><p><span style="font-size: small;">Em seguida, Jáder (ou o Diário, vá lá) lista delitos, crimes e deslizes éticos do clã dos Maiorana. Ao mencionar os cheques sem fundo, tem seu melhor momento usando fina ironia: “Contrabandista, sim, se sabia. Agiota, é a primeira vez que a sociedade toma conhecimento”. Essa foi boa.</span></p><p><span style="font-size: small;">O mais espantoso nessa história toda é que nada ultrapassou as fronteiras do Pará. Por desencargo de consciência, acabo de pesquisar no Google e nos mecanismos de busca dos blogs acima mencionados. As menções a esse episódio aparecem apenas em blogs e páginas locais, como o de <a href="http://thaisgentile.blogspot.com/2011/05/jader-barbalho-x-romulo-maiorana.html">Thaís Gentile, moça que teve a sensibilidade de reproduzir as duas agressões na íntegra</a>. Nas páginas nacionais, só encontrei textos antigos, a maioria relacionada à agressão sofrida por Lúcio Flávio.</span></p><p><span style="font-size: small;">No final das contas, esse capítulo do conflito autofágico envolvendo mídia e poder é excelente, pois revela as armadilhas e os mecanismos ideológicos de dominação. Já não há máscaras e disfarces que caibam nessa dupla, afinal, tenho certeza que, finalmente, os dois jornais estão publicando a verdade. </span></p><div class="addthis_toolbox addthis_default_style " addthis:url='http://www.caotico.com.br/quando-os-farsantes-falam-a-verdade-2/' addthis:title='Quando os farsantes falam a verdade '  ><a class="addthis_button_facebook_like" fb:like:layout="button_count"></a><a class="addthis_button_tweet"></a><a class="addthis_button_google_plusone" g:plusone:size="medium"></a><a class="addthis_counter addthis_pill_style"></a></div>]]></content:encoded> <wfw:commentRss>http://www.caotico.com.br/quando-os-farsantes-falam-a-verdade-2/feed/</wfw:commentRss> <slash:comments>2</slash:comments> </item> <item><title>Minhas histórias do Brasil profundo: O leitor</title><link>http://www.caotico.com.br/minhas-historias-do-brasil-profundo-o-leitor/</link> <comments>http://www.caotico.com.br/minhas-historias-do-brasil-profundo-o-leitor/#comments</comments> <pubDate>Tue, 31 May 2011 01:15:14 +0000</pubDate> <dc:creator>Inácio França</dc:creator> <category><![CDATA[Elocubrações]]></category> <category><![CDATA[biblioteca]]></category> <category><![CDATA[educação]]></category> <category><![CDATA[leitura]]></category> <category><![CDATA[livros]]></category> <category><![CDATA[merenda escolar]]></category> <category><![CDATA[Pará]]></category> <category><![CDATA[quilombolas]]></category> <category><![CDATA[Unicef]]></category><guid isPermaLink="false">http://www.caotico.com.br/?p=1417</guid> <description><![CDATA[Já foi mais complicado chegar em Acará. Antes, para chegar lá saindo da capital paraense eram necessárias sete horas de barco pelo rio que dá nome à cidade ou fazer o caminho de carro, embarcando em balsas ou passando por estradas de terra que viravam lama sempre que chovia, ou seja, todos os dias. Agora, [...]<div class="addthis_toolbox addthis_default_style " addthis:url='http://www.caotico.com.br/minhas-historias-do-brasil-profundo-o-leitor/' addthis:title='Minhas histórias do Brasil profundo: O leitor '  ><a class="addthis_button_facebook_like" fb:like:layout="button_count"></a><a class="addthis_button_tweet"></a><a class="addthis_button_google_plusone" g:plusone:size="medium"></a><a class="addthis_counter addthis_pill_style"></a></div>]]></description> <content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.caotico.com.br/wp-content/uploads/2011/05/barco_Acará1.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-1418" title="O que faço com minha raiva?" src="http://www.caotico.com.br/wp-content/uploads/2011/05/barco_Acará1-350x233.jpg" alt="" width="239" height="159" /></a>Já foi mais complicado chegar em Acará. Antes, para chegar lá saindo da capital paraense eram necessárias sete horas de barco pelo rio que dá nome à cidade ou fazer o caminho de carro, embarcando em balsas ou passando por estradas de terra que viravam lama sempre que chovia, ou seja, todos os dias. Agora, há pontes e uma estrada que encurtaram a viagem para apenas duas horas.</p><p>O município serve como exemplo para destruir a mentira que rodovias sempre levam desenvolvimento. Na Amazônia, estradas subtraem as riquezas da região e multiplicam os problemas.</p><p>A cidade não tem saneamento nem espaços de lazer, a limpeza pública conta com a ajuda dos prestativos urubus, os pistoleiros profissionais não precisam de disfarces, a periferia está lotada de gente que vendeu pequenos pedaços de terra cobertos de floresta, hoje substituída por plantações de dendê que serão transformadas em biodiesel.</p><p>Conheci a cidade em novembro do ano passado. Escrevendo o roteiro para um vídeo institucional, recordei tudo o que testemunhei em Acará ao analisar as 11 fitas de imagens produzidas por Marcelo Rodrigues, um cinegrafista atento e sensível como poucos.</p><p>Encontrei professores, diretores de colégio e agentes de saúde que se viram como podem. Um deles é Ronildo do Rosário, diretor da escola Eduardo Angelim, numa vila que alguns chamam de São Lourenço e outros de Boa Esperança.</p><p>Ronildo é um profissional que não se contenta com a realidade. Ele busca aliados e persevera para transformá-la. O desempenho dos seus alunos era medíocre. Poucos conseguiam concentrar-se nas aulas, o desânimo era geral. Ele não demorou a descobrir que a péssima alimentação era a maior responsável pelas faltas e notas ruins. A merenda escolar não ajudava: a prefeitura mandava carne enlatada, feijoada também em lata e macarrão, fora outras coisas pouco saudáveis.</p><p>Foi preciso várias reuniões e conversas com os pais, todos descendentes de integrantes de antigos quilombos. Custou, mas as famílias acabaram entendendo que a refeição oferecida na escola não fazia bem aos seus filhos. Em seguida, o diretor da escola convenceu os pais a regularizar a condição da comunidade quilombola.</p><p>A escola pôde, enfim, receber dinheiro federal para comprar sua própria merenda, sem precisar das porcarias que a prefeitura licitava. Os pais dos alunos passaram a fornecer a merenda: frango, macaxeira, frutas, leite e peixe, fora outras coisas bem mais saudáveis e saborosas.</p><p>Esse esforço durou quase dois anos, mas deu certo: o Ideb passou de zero vírgula alguma coisa para 3,0.</p><p><a href="http://www.caotico.com.br/wp-content/uploads/2011/05/Paulo_Acará.jpg"><img class="alignright size-medium wp-image-1419" title="Paulo_Acará" src="http://www.caotico.com.br/wp-content/uploads/2011/05/Paulo_Acará-350x262.jpg" alt="" width="228" height="170" /></a>O problema é que, priorizando a merenda, não sobraram tempo e energia para cuidar da biblioteca, na verdade, uma sala até que bem arejada, com uma mesa grande, dois grandes bancos de madeira e uma estante entulhada de livros didáticos de anos anteriores. Mesmo assim, Paulo Gleidson (foto) não sai de lá.</p><p>Ele já leu praticamente todos os livros ensebados da estante. Paulo me contou que nunca leu um livro de “história”, um livro de “verdade”, como ele disse. Ele sabe que existem porque Ronildo, que é professor de português, explicou que as crônicas e pedaços de contos publicados para interpretação de textos são tirados desses livros.</p><p>Paulo sonha em estudar e se formar para ajudar seus vizinhos da comunidade, mas sabe que vai ser difícil cursar faculdade estudando numa escola tão precária. É de cortar o coração escutar um adolescente de 17 anos falar de forma tão clara a respeito dos limites dos seus sonhos e dos obstáculos para seu futuro. Pelo sertão do nordeste, me acostumei a escutar os sonhos sem freios de tudo quanto é menino ou mocinha.</p><p>O outro sonho de Paulo é botar as mãos num livro de verdade, sem exercícios, regras e lacunas esperando ser preenchidas entre um texto e outro.</p><p>Quando voltei para o barco onde a equipe ficou hospedada durante cinco dias, tirei da bolsa a coletânea de contos de Raymond Chandler que havia levado. Talvez não seja o livro mais adequado para um menino mergulhar no mundo da leitura, mas tratava-se de uma emergência. No dia seguinte, entreguei à secretária de Educação, pedindo para fazer o livro chegar às mãos do garoto. E expliquei o motivo.</p><p>Espero que ela se toque que Ronildo não pode fazer tudo sozinho para manter vivos os sonhos da moçada de São Lourenço. Ou Boa Esperança.</p><p><strong>A foto dos meninos no barco que faz o transporte escolar, lá em cima, é de autoria de Chico Atanásio Morais.</strong></p><p><strong>A foto de Paulo fui eu mesmo que fiz.</strong></p><div class="addthis_toolbox addthis_default_style " addthis:url='http://www.caotico.com.br/minhas-historias-do-brasil-profundo-o-leitor/' addthis:title='Minhas histórias do Brasil profundo: O leitor '  ><a class="addthis_button_facebook_like" fb:like:layout="button_count"></a><a class="addthis_button_tweet"></a><a class="addthis_button_google_plusone" g:plusone:size="medium"></a><a class="addthis_counter addthis_pill_style"></a></div>]]></content:encoded> <wfw:commentRss>http://www.caotico.com.br/minhas-historias-do-brasil-profundo-o-leitor/feed/</wfw:commentRss> <slash:comments>6</slash:comments> </item> <item><title>Re-Pa</title><link>http://www.caotico.com.br/re-pa/</link> <comments>http://www.caotico.com.br/re-pa/#comments</comments> <pubDate>Wed, 04 May 2011 03:58:48 +0000</pubDate> <dc:creator>Inácio França</dc:creator> <category><![CDATA[Elocubrações]]></category> <category><![CDATA[Belém]]></category> <category><![CDATA[Cerpa]]></category> <category><![CDATA[futebol paraense]]></category> <category><![CDATA[Mangueirão]]></category> <category><![CDATA[Marambaia]]></category> <category><![CDATA[Pará]]></category> <category><![CDATA[Payandu]]></category> <category><![CDATA[Remo]]></category><guid isPermaLink="false">http://www.caotico.com.br/?p=1358</guid> <description><![CDATA[Até que demorou, mas eis que o futebol entra na pauta do Caótico. 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Não vou abrir brecha para as provocações, ao clima de decisão e muito menos à troca de insultos que dos fóruns de torcedores estúpidos na internet. Apesar da camisa que visto na foto ao lado, não estou com saudades dos tempos do Blog do Santinha. Longe disso!</p><p>O que pretendo mesmo é contar e compartilhar a experiência de ter testemunhado um Re-Pa, sem qualquer pretensão literária, sem sabor de crônica. Registrar para não esquecer.</p><p>Remo x Paysandu, se tornou mítico, quase misterioso, por obra e graça da mesmice da TV brasileira, que tenta, mas não consegue nos deixar todos com a mesma cara, com o mesmo sotaque, com as mesmas paixões e a mesma cor. O Re-Pa revela como a mídia consegue ampliar as distâncias dentro do mesmo País, consegue transformar duas torcidas tão apaixonadas e parecidas com as nossas em entidades estranhas, longínquas. Como se a Amazônia fosse dois quarteirões depois de marte e Barcelona ali na esquina.</p><p>Prova também como o Clube dos 13 faz parecer pequenos aqueles que continuam grandes nos corações dos seus torcedores.</p><p>Por tudo isso, sempre alimentei o desejo de assistir o clássico da Amazônia. Não sofro da pequenofobia, termo precioso que li há poucos dias numa crônica do jornalista <a href="http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/o-valor-da-alegria-e-o-jornalismo">Flávio Gomes</a>.</p><p>Fui ao Re-Pa arrastado pelo remista Felipe Pamplona, para desespero do querido Oscar, que, lá em Setúbal, ao saber das minhas intenções por telefone, fez de tudo para evitar que uma alma se perdesse: “Não, Inácio, não faça isso! Você é Santa Cruz, não tem cabimento você ir para a torcida do leão”.</p><p>Tentei acalmá-lo, explicando que não pretendia torcer por ninguém, apenas iria acompanhar meus amigos de camisa azul-escura. Uma bandeira vermelha-e-branca nas arquibancadas do Paysandu me impediu de manter a palavra.</p><p>Antes do compromisso, parada na casa de dona Vânia e seu Bebeto Pamplona. No terraço da casa dos pais de Felipe, nada de mistérios amazônicos. O que encontrei foi uma atmosfera conhecida de muitos e muitos domingos. Uma família ansiosa pelo clássico. Para amenizar a expectativa, pupunha e cerveja, travessas de comida e uns 78 tipos de doces para aliviar a tensão.</p><p>Não tive tempo sequer para ficar encabulado na casa alheia. Dona Vânia, ao saber de onde eu vinha, f oi logo perguntando sem me poupar: “Quem foi o filho-da-puta que fez aquela Ladeira da Misericórdia lá da tua cidade?”. Seu Bebeto, com a camisa da seleção do Suriname, tratou logo de lembrar a dor que nos unia: “Esse seu time é a mesma coisa do Remo”.</p><p>Foi fácil me sentir em casa na Marambaia, principalmente porque, entre os Pamplona, encontrei a mesma hospitalidade e a mesma alegria que, há mais de 20 anos, tantas vezes experimentei no jardim do bicolor Oscar e de dona Madalena, paraenses exilados em Recife há décadas, pais de meus amigos alvirrubros.</p><p>Sobre o encosto do sofá, camisas azul-escuro esperavam o momento certo de vestir a paixão. Perdi as contas de quantas vi e vivi essa mesma cena da casa de dona Rita e seu Aurílio, aos domingos, na Tamarineira. Mantos de cores diferentes, uns tão sagrados quanto os outros.</p><p>Horas depois, no Mangueirão (pense num estádio agradável e organizado), a PM revistando ou correndo atrás do pessoal das organizadas continuou a me lembrar meus domingos de futebol. Fora do estádio, misturados entre as duas fileiras de barracas da Cerpa, homens, mulheres e crianças de azul-claro e azul-escuro conviviam sem confusões nem provocações. E a certeza de que esse é, para valer, o espírito do futebol, seja lá onde for.</p><div class="addthis_toolbox addthis_default_style " addthis:url='http://www.caotico.com.br/re-pa/' addthis:title='Re-Pa '  ><a class="addthis_button_facebook_like" fb:like:layout="button_count"></a><a class="addthis_button_tweet"></a><a class="addthis_button_google_plusone" g:plusone:size="medium"></a><a class="addthis_counter addthis_pill_style"></a></div>]]></content:encoded> <wfw:commentRss>http://www.caotico.com.br/re-pa/feed/</wfw:commentRss> <slash:comments>1</slash:comments> </item> <item><title>Latitude 1º S, Longitude 48º O</title><link>http://www.caotico.com.br/diario-de-bordo-belem/</link> <comments>http://www.caotico.com.br/diario-de-bordo-belem/#comments</comments> <pubDate>Thu, 14 Apr 2011 02:56:11 +0000</pubDate> <dc:creator>Inácio França</dc:creator> <category><![CDATA[Leituras Caóticas]]></category> <category><![CDATA[Amazônia]]></category> <category><![CDATA[Belém]]></category> <category><![CDATA[escriba]]></category> <category><![CDATA[Olinda]]></category> <category><![CDATA[Pará]]></category> <category><![CDATA[Unicef]]></category> <category><![CDATA[viagens]]></category> <category><![CDATA[viver & escrever]]></category><guid isPermaLink="false">http://www.caotico.com.br/?p=1304</guid> <description><![CDATA[Estou em Belém. Já não sou gestor público, já não recebo comunicadores em busca de verba publicitária sem conseguir disfarçar as ameaças de quem usa o microfone ou a celulose como armas para extorquir. Já não assino empenhos nem ando às voltas com orçamentos. Já não carrego um celular funcional que toca sem parar, apesar [...]<div class="addthis_toolbox addthis_default_style " addthis:url='http://www.caotico.com.br/diario-de-bordo-belem/' addthis:title='Latitude 1º S, Longitude 48º O '  ><a class="addthis_button_facebook_like" fb:like:layout="button_count"></a><a class="addthis_button_tweet"></a><a class="addthis_button_google_plusone" g:plusone:size="medium"></a><a class="addthis_counter addthis_pill_style"></a></div>]]></description> <content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.caotico.com.br/wp-content/uploads/2011/04/praçadorelógio.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-1323" title="praçadorelógio" src="http://www.caotico.com.br/wp-content/uploads/2011/04/praçadorelógio.jpg" alt="" width="207" height="178" /></a>Estou em Belém.</p><p>Já não sou gestor público, já não recebo comunicadores em busca de verba publicitária sem conseguir disfarçar as ameaças de quem usa o microfone ou a celulose como armas para extorquir. Já não assino empenhos nem ando às voltas com orçamentos. Já não carrego um celular funcional que toca sem parar, apesar de nunca ter me sentido na obrigação de deixá-lo ligado em tempo integral.</p><p>Durante 10 anos vivi uma vida que não é a minha. Ou, pelo menos, uma vida que não queria viver, cercado de assuntos, documentos e tarefas que não me interessam. E, em alguns casos, até de pessoas que aprendi a não respeitar.</p><p>Sempre me senti atraído pela política, porém não demorei a descobrir que uma coisa é a política, outra, bem diferente, é o cotidiano asfixiante da administração pública.</p><p>E demorei bastante para descobrir que preciso escrever, pois é construindo e desconstruindo um texto quantas vezes forem necessárias para que as pessoas sintam alguma emoção em ler que me realizo.</p><p>Nesses últimos 10 anos foram poucas, raras, às vezes em que fui à exaustão de tanto escrever, experimentando durante ou depois desse cansaço uma sensação de plenitude, de que estou entregando o que tenho de melhor. Algo como um gozo. Ou a glória do goleiro que agarra o pênalti.</p><p>Agora que descobri, pretendo arranjar um jeito de viver disso.</p><p>Para saber se esse jeito existe, larguei o cargo público e aceitei um contrato de trabalho temporário no Pará, uma transição para aprender a viver de outra forma. O pára-quedas para esse meu salto será a criação de roteiros e a edição de vídeos, além de algumas peças impressas para um dos três escritórios amazônicos do Unicef.</p><p>Minhas hesitações, os vacilos, foram superados graças ao companheirismo de Geórgia, testemunha do meu desgaste de todos os dias.</p><p>Uma coisa, contudo, é pagar as contas em dia e sustentar três filhos. Outra é encontrar os caminhos para transformar o ato de escrever em profissão. Parece que é tudo igual, mas não é.</p><p>Longe da família, dos amigos e do Santa Cruz, terei tempo, que será usado com disciplina. Mesmo que não renda um tostão, atualizar o blog será encarado a partir de agora como um trabalho. Escrever os quase 30 capítulos do próximo livro sobre a poesia do Pajeú, outro trabalho. Ao menos, esse é remunerado.</p><p>Ler os 16 livros* que trouxe na mochila, mais um trabalho, afinal alguns desses volumes serão usados na preparação para a oficina de Jornalismo &amp; Literatura que irei oferecer quando voltar.</p><p>Por tudo isso, estou em Belém.</p><p>&#8212;&#8212;&#8212;</p><p>*Os livros que me acompanham são:</p><p><em>Entre sem bater</em>, de Marcos Rey devidamente devorado no avião e no primeiro dia na cidade.</p><p><em>Diário de uma expedição</em>, de Euclides da Cunha, leitura ainda no início.</p><p><em>Vida escritor</em>, de Gay Talese, cujo título torna óbvio o motivo.</p><p><em>Fama &amp; Anonimato</em>, também de Talese, numa edição de 1973 publicada sob outro título.</p><p><em>A vida breve</em>, de Juan Carlos Onetti, porque chegou a hora de conhecer mais um uruguaio.</p><p><em>Washington DC</em>, de Gore Vidal, faz parte do esforço para tentar entender os Estados Unidos.</p><p><em>A dança dos desejos, Opus 13</em>, de Esdras do Nascimento, leitor do Caótico que me enviou uma edição caprichada pelo correio.</p><p><em>Balada da praia dos cães</em>, de José Cardoso Pires, acho o título ótimo e estou curioso para conhecer a literatura do português.</p><p><em>Ensaio autobiográfico</em>, de Jorge Luís Borges, quem sabe não me animo a ler mais alguma coisa dele.</p><p><em>Jornalismo Literário, </em>de Gustavo de Castro, mais um para a oficina.</p><p><em>Histórias do Brasil Profundo</em>, de Márcio Moreira Alves, por indicação de Laércio Portela, com quem compartilho uma ideia que, por enquanto, é só ideia.</p><p><em>O anticristo</em>, de Frederick Nietzche, um pouco de filosofia para tentar entender minhas próprias convicções ou preconceitos.</p><p><em>A felicidade conjugal/O diabo</em>, de Lev Tolstoi, duas novelas de mais um russo arretado.</p><p><em>Um homem extraordinário e outras histórias</em>, de Anton Tchekov, outros contos do mestre da narrativa curta. Quem sabe eu aprendo alguma coisa?</p><p><em>A arte de escrever</em>, de Arthur Schopenhauer, mais filosofia e um título auto-explicativo.</p><p><em>Sinal vermelho</em>, de Georges Simenon, para conhecer o que ele escrevia sem Maigret.</p><p><strong>(a foto da praça do relógio, perto do Ver-o-peso, foi tomada emprestada do blog de <a href="http://waldirmanaia.blogspot.com/">Waldir Manaia</a>, motorista do Unicef em Belém, profissional do volante e amador da fotografia)</strong></p><p>&nbsp;</p><div class="addthis_toolbox addthis_default_style " addthis:url='http://www.caotico.com.br/diario-de-bordo-belem/' addthis:title='Latitude 1º S, Longitude 48º O '  ><a class="addthis_button_facebook_like" fb:like:layout="button_count"></a><a class="addthis_button_tweet"></a><a class="addthis_button_google_plusone" g:plusone:size="medium"></a><a class="addthis_counter addthis_pill_style"></a></div>]]></content:encoded> <wfw:commentRss>http://www.caotico.com.br/diario-de-bordo-belem/feed/</wfw:commentRss> <slash:comments>14</slash:comments> </item> <item><title>Judiciário e Mídia: duas faces do Poder e da corrupção</title><link>http://www.caotico.com.br/judiciario-e-midia-as-duas-faces-do-poder-e-da-corrupcao/</link> <comments>http://www.caotico.com.br/judiciario-e-midia-as-duas-faces-do-poder-e-da-corrupcao/#comments</comments> <pubDate>Thu, 16 Jul 2009 03:20:39 +0000</pubDate> <dc:creator>Inácio França</dc:creator> <category><![CDATA[Leituras Caóticas]]></category> <category><![CDATA[Belém]]></category> <category><![CDATA[Idelber Avelar]]></category> <category><![CDATA[Lúcio Flávio Pinto]]></category> <category><![CDATA[Maiorana]]></category> <category><![CDATA[Mídia]]></category> <category><![CDATA[O Liberal]]></category> <category><![CDATA[Pará]]></category> <category><![CDATA[Rede Globo]]></category><guid isPermaLink="false">http://www.caotico.com.br/?p=191</guid> <description><![CDATA[O texto abaixo foi enviado por uma amiga que mora em Belém e que me pediu para repercutir por aqui. A estruturas do poder no Pará são dominadas por madeireiros, contrabandistas, traficantes de droga e pistoleiros de aluguel a serviço dos três primeiros. A mídia local e o Poder Judiciário desempenham papéis complementares para a [...]<div class="addthis_toolbox addthis_default_style " addthis:url='http://www.caotico.com.br/judiciario-e-midia-as-duas-faces-do-poder-e-da-corrupcao/' addthis:title='Judiciário e Mídia: duas faces do Poder e da corrupção '  ><a class="addthis_button_facebook_like" fb:like:layout="button_count"></a><a class="addthis_button_tweet"></a><a class="addthis_button_google_plusone" g:plusone:size="medium"></a><a class="addthis_counter addthis_pill_style"></a></div>]]></description> <content:encoded><![CDATA[<p><strong><img class="size-full wp-image-192 alignleft" title="antenanorte-para4" src="http://www.caotico.com.br/wp-content/uploads/2009/07/antenanorte-para4.JPG" alt="antenanorte-para4" width="243" height="164" />O texto abaixo foi  enviado por uma amiga que mora em Belém e que me pediu para repercutir por aqui. A estruturas do poder no Pará são dominadas por  madeireiros, contrabandistas, traficantes de droga e pistoleiros de aluguel a serviço dos três primeiros. A mídia local e o Poder Judiciário desempenham papéis complementares para a manutenção desse poder.</strong></p><p><strong>Em conversas com colegas razoavelmente bem informados, que trabalham na Imprensa pernambucana, fico surpreso quando escuto alguns deles se referindo a decisões judiciais como resultado da neutralidade e da interpretação objetiva das leis. Como podem acreditar que um Poder tão hermético, blindado e inacessível pode ser mais &#8220;limpo&#8221; que o Executivo e o Legislativo, nos quais seus representantes precisam, ao menos, ser submetidos ao voto de vez em quando?</strong></p><p><strong>Com vocês, o texto de Idelber Avelar, do blog <a href="http://www.idelberavelar.com">Biscoito Fino e a Massa</a> sobre o jornalista Lúcio Flávio Pinto, que investigou as origens da fortuna e do poder da família Maiorana, proprietária do grupo de comunicação O Liberal, parceiros da Rede Globo no Pará.</strong></p><p>Prepare-se, caro leitor, para outro mergulho no Brasil profundo. Lúcio Flávio Pinto talvez seja hoje o jornalista mais respeitado e destemido da Região Norte. Ele é o solitário redator do Jornal Pessoal, empreitada independente, que não aceita anúncios, tem tiragem quinzenal de 2 mil exemplares e mesmo assim provoca um fuzuê danado entre os poderosos, dada a coragem com que Lúcio investiga falcatruas e crimes.</p><p>Lúcio já ganhou quatro prêmios Esso. Recebeu também dois prêmios da Federação Nacional dos Jornalistas em 1988, por suas matérias dedicadas ao assassinato do ex-deputado Paulo Fonteles e à violenta manifestação de protesto dos garimpeiros de Serra Pelada. Em 1997, ele recebeu o Colombe d’Oro per la Pace, um dos mais importantes prêmios jornalísticos da Itália. Em 1987,foi o jornalista que investigou o rombo de 30 milhões de dólares no Banco</p><p>da Amazônia, por uma quadrilha chefiada pelo presidente interino do bancoe procurador jurídico do maior jornal local, O Liberal.</p><p>Há 17 anos, os representantes paraenses da corja comandada pela família Marinho perseguem-no de forma implacável. Ronaldo Maiorana, dono (junto com seu irmão, Romulo Maiorana Jr.) do Grupo Liberal, afiliado à Rede Globo de Televisão, emboscou Lúcio por trás, num restaurante, espancou-o com a ajuda de dois capangas da Polícia Militar, contratados nas suas horas vagas e depois promovidos na corporação. O espancamento,crime de covardia inominável, só rendeu a Maiorana a condenação a doar algumas cestas básicas.</p><p>Alguns meses depois da agressão, Lúcio foi convidado pelo jornalista Maurizio Chierici a escrever um artigo para um livro a ser publicado na Itália. O texto , eminentemente jornalístico, relatava as origens do grupo Liberal. Em determinado momento, dentro de um contexto bem mais amplo, ele fez referência às atividades de Maiorana pai no contrabando,prática bem comum, aliás, na Região Norte na época. Como se pode depreender da leitura do artigo, nada ali tinha cunho calunioso, posto que – uma vez processado &#8211;, Lúcio anexou aos autos toda a documentação que provava a veracidade do que afirmava.</p><p>O obra investigativa de Lúcio fala por si própria: veja a qualidade da prosa e da pesquisa que informa o trabalho de Lúcio e julgue você mesmo. O que ele oferece em seus textos,entre muitas outras coisas, é a documentação, história e raízes daquilo que é sabido até mesmo pelos mosquitos do mercado Ver-o-Peso: que n&#8217;O Liberal só se publica aquilo que é de interesse da corja dos Marinho.</p><p>Mas eis que chega do Pará a estranha notícia de que o juiz Raimundo das Chagas, titular da 4ª vara cível de Belém, condenou Lúcio a pagar a soma de 30 mil reais aos irmãos Maiorana – representantes paraenses, lembrem-se, da organização comandada pelos Marinho. Lúcio também foi</p><p>condenado a pagar as custas processuais e os honorários advocatícios. A pérola de justificativa do juiz fala do “bom lucro” de um jornal artesanal, de tiragem de 2 mil exemplares por quinzena. Ainda por cima, o juiz proíbe Lúcio de usar “qualquer expressão agressiva, injuriosa, difamatória e caluniosa contra a memória do extinto pai dos requerentes e contra a pessoa destes”, o que constitui, segundo entendo, extrapolação característica de censura prévia contrária à Constituição Federal.</p><p>O juiz fundamenta sua decisão dizendo que Lúcio havia “se envolvido em grave desentendimento” com eles. É a velha praga do eufemismo: um espancamento pelas costas se transforma em “desentendimento”. A reação de Lúcio à sentença pode ser lida nesse texto.</p><p>O Biscoito se solidariza com Lúcio, coloca o site à disposição para o que for necessário &#8211; inclusive para a publicação de qualquer material objeto de censura prévia – e suspira de cansaço ao fazer outro post que mais parece autoplágio, dada a tediosa repetição desses absurdos. Resta a pergunta: até quando os Frias, Marinho, Civita, Mesquita e seus comparsas vão manter esse poder criminoso Brasil afora?</p><div class="addthis_toolbox addthis_default_style " addthis:url='http://www.caotico.com.br/judiciario-e-midia-as-duas-faces-do-poder-e-da-corrupcao/' addthis:title='Judiciário e Mídia: duas faces do Poder e da corrupção '  ><a class="addthis_button_facebook_like" fb:like:layout="button_count"></a><a class="addthis_button_tweet"></a><a class="addthis_button_google_plusone" g:plusone:size="medium"></a><a class="addthis_counter addthis_pill_style"></a></div>]]></content:encoded> <wfw:commentRss>http://www.caotico.com.br/judiciario-e-midia-as-duas-faces-do-poder-e-da-corrupcao/feed/</wfw:commentRss> <slash:comments>2</slash:comments> </item> </channel> </rss>
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