<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?> <rss version="2.0" xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/" xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/" xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/" xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom" xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/" xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/" ><channel><title>Caótico &#187; prêmio Jabuti</title> <atom:link href="http://www.caotico.com.br/tags/premio-jabuti/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" /><link>http://www.caotico.com.br</link> <description>Espaço de leituras,  histórias &#38; especulações &#124; Por Inácio França</description> <lastBuildDate>Wed, 08 Feb 2012 13:36:43 +0000</lastBuildDate> <language>en</language> <sy:updatePeriod>hourly</sy:updatePeriod> <sy:updateFrequency>1</sy:updateFrequency> <xhtml:meta xmlns:xhtml="http://www.w3.org/1999/xhtml" name="robots" content="noindex" /> <item><title>Se eu fechar os olhos agora</title><link>http://www.caotico.com.br/se-eu-fechar-os-olhos-agora/</link> <comments>http://www.caotico.com.br/se-eu-fechar-os-olhos-agora/#comments</comments> <pubDate>Sat, 18 Dec 2010 12:07:01 +0000</pubDate> <dc:creator>Inácio França</dc:creator> <category><![CDATA[Loucos por livros]]></category> <category><![CDATA[Câmara Brasileira do Livro]]></category> <category><![CDATA[Chico Buarque]]></category> <category><![CDATA[editora Record]]></category> <category><![CDATA[Edney Silvestre]]></category> <category><![CDATA[Leite Derramado]]></category> <category><![CDATA[prêmio Jabuti]]></category><guid isPermaLink="false">http://www.caotico.com.br/?p=1153</guid> <description><![CDATA[por Paulo Sérgio Araújo Nunca tive interesse pelo prêmio Jabuti de literatura até este ano, quando Samarone Lima concorreu com o seu espetacular Viagem ao Crepúsculo (título horrível, está na hora de mudar, para não confundir os desavisados com a “saga” Crepúsculo de vampiros et caterva). 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É que o <em>Se eu fechar os olhos agora, </em>trabalho de Edney Silvestre foi o vencedor na categoria romance, deixando <em>Leite Derramado</em> de Chico Buarque de Holanda em segundo lugar, não impedindo que o trabalho do famoso cantor ganhasse o Livro do Ano de Ficção.</p><p>A discussão era: se foi segundo lugar numa categoria, jamais poderia ganhar como melhor livro do ano. Acusações surgiram, alegando tratar-se de premiação política, a defesa argumentando que eram as regras, enfim, um bafafá que somente fez aumentar as vendas principalmente do livro de Silvestre, como foi noticiado pela imprensa.</p><p>Eu desde que li <em>Estorvo</em> de Chico decidi que não leria nada mais dele senão as capas e contracapas de seus discos, já que <em>Estorvo</em> é chato até dizer basta, um verdadeiro estorvo – não é preconceito, é trauma mesmo, pois não vi um minuto do compositor no livro – e como bem sei que essas acusações de favorecimento por conta de escolhas políticas andam bastante em moda no Brasil, desandei atrás do prêmio Jabuti de melhor romance em 2010. Engraçado é que a discussão ficou para todos como se concorressem apenas esses dois livros, o que não é verdade.</p><p>Pois bem, o livro estava em promoção de R$38,90 por R$34,50 (promoção fajuta de livraria, para enganar o cliente), mas como havia uma etiqueta na capa do livro com valor menor, ele me saiu por R$27,90 – verdadeira promoção!</p><p>Valeu a pena? Valeu, é um bom livro. O texto é bem escrito, todo fechado, os personagens são possíveis, com passagens emocionantes, principalmente no final, quando justamente ficam mais emocionantes romances policiais – e para mim <em>Se eu fechar os olhos agora</em> é um romance policial, que até discute as pessoas e os fatos que o acompanham, mas tem força no enredo do crime e suas implicações.</p><p>Confesso, no entanto, que certas referências, ainda que pudessem ser reais, pareceram-me fora do contexto e principalmente do contexto histórico. Um exemplo: uma boa quantidade de preservativos que o pai de um dos protagonistas, um açougueiro, tinha em casa; um trabalhador na década de 60 que vivia em cabarés com camisinhas? Depois, esse protagonista descobre-se tendo a primeira ereção, mas já lidava com tranquilidade com essas camisinhas por conta das inúmeras que o pai possuía. Ora, é muito menosprezo, mesmo para pré-adolescentes ou crianças com 12 anos nos anos 60, imaginar que ele não teria testado pelo menos um dos preservativos anteriormente.</p><p>Gostei do livro, tirando esses pequenos equívocos. Leitura interessante, para quem gosta do gênero inclui várias possibilidades, o final é bem traçado e o título traduz bem o conteúdo, cuja trama gira em torno do homicídio de uma mulher casada com um dentista, um religioso e respeitado cidadão, e que termina por mexer com famílias importantes e autoridades locais.</p><div class="addthis_toolbox addthis_default_style " addthis:url='http://www.caotico.com.br/se-eu-fechar-os-olhos-agora/' addthis:title='Se eu fechar os olhos agora '  ><a class="addthis_button_facebook_like" fb:like:layout="button_count"></a><a class="addthis_button_tweet"></a><a class="addthis_button_google_plusone" g:plusone:size="medium"></a><a class="addthis_counter addthis_pill_style"></a></div>]]></content:encoded> <wfw:commentRss>http://www.caotico.com.br/se-eu-fechar-os-olhos-agora/feed/</wfw:commentRss> <slash:comments>11</slash:comments> </item> <item><title>Ideias para onde passar o fim do mundo</title><link>http://www.caotico.com.br/ideias-para-onde-passar-o-fim-do-mundo/</link> <comments>http://www.caotico.com.br/ideias-para-onde-passar-o-fim-do-mundo/#comments</comments> <pubDate>Wed, 24 Nov 2010 18:52:34 +0000</pubDate> <dc:creator>Inácio França</dc:creator> <category><![CDATA[Leituras Caóticas]]></category> <category><![CDATA[Distrito Federal]]></category> <category><![CDATA[literatura brasileira]]></category> <category><![CDATA[literatura contemporânea]]></category> <category><![CDATA[prêmio Jabuti]]></category><guid isPermaLink="false">http://www.caotico.com.br/?p=1103</guid> <description><![CDATA[João Almino é cientista político, diplomata e romancista, o que, convenhamos, é um currículo respeitável. 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Seu romance de estréia, <em>Ideias para onde passar o fim do mundo</em>, publicado em 1987, chegou à final do Prêmio Jabuti, ganhou o prêmio do Instituto Nacional do Livro e o Candango de Literatura. Depois, outro romance lhe rendeu uma viagem a Cuba para receber o prestigiadíssimo prêmio Casa de Las Américas. E isso, definitivamente, não é pouca coisa.</p><p>O autor é respeitado, o romance foi premiado, mas preciso ser sincero, mesmo sob pena de cometer uma heresia literária ou passar o recibo de burro: <em>Ideias para onde passar o fim do mundo </em>é um livro chato ao ponto de ter sido necessária uma contagem regressiva para chegar ao final da leitura. Às noites, depois de muito esforço para ler 10 ou 12 páginas, fazia as contas e, esperançoso, reclamava em silêncio: “ai ai ai, agora só faltam quarenta e tantas páginas”.</p><p>O problema é que eu gosto de uma história bem contada. E <em>Ideias</em>, apesar de muito bem escrito, não conta história alguma. São capítulos e mais capítulos da psicologia, pensamentos e angústia dos personagens de perfis representativos da população de Brasília: a moça nordestina que volta grávida para casa, a vidente nascida no norte de Goiás, a filha do político, a irmã do político, a mulher do político, o galã mau-caráter e segue por aí.</p><p>Muito psicologismo, alguma imaginação e nada de história. Pelo jeito, essa parece ter sido a atenção do autor, fazer uma história aberta, sem final pronto &#8211; proposta revelada no préfácio, na orelha e pelas confissões de um dos narradores do romance. Menos história, menos trama e muita reflexão sobre as gerações de brasilienses. Pode ser que isso seja algo genial, como dizem os críticos e resenhistas. Em minha modesta opinião, só valeu a intenção.</p><p>Outro aspecto bastante elogiado pelo pessoal que entende mais de literatura do que eu, é a estrutura do romance, com um narrador morto que ora está no corpo de um dos personagens no passado, ora está vivo e interrompe a narrativa para comentar atos ou pensamentos dos personagens. Interessante, mas não entusiasma. Pelo menos, não a mim.</p><p>A estrutura narrativa é tão valorizada que valeu até um prefácio da cientista social Walnice Nogueira Galvão, que tenta explicar e seduzir o leitor para o que irá encontrar mais adiante. Confesso que isso já me deixou desconfiado: um romance com prefácio! Para quê? Acredito que o autor já estava na defensiva e tentou se justificar.</p><p>Apesar disso, o livro tem algumas boas sacadas no meio das angústias e dúvidas, além de belas imagens, como a do imenso céu de Brasília que faz todos os caminhos trilhados na infância pela jovem nordestina parecerem estreitos e curtos. Nada que me faça seguir o conselho do meu amigo Cláudio Machado, pernambucano desterrado na capital federal e que me emprestou seu exemplar, de procurar o restante da obra de João Almino. Aliás, foi Cláudio que me emprestou seu exemplar (que eu anotei todo) quando me hospedou em seu apartamento no final de setembro.  Aposto que vou decepcioná-lo com minha sinceridade.</p><p><strong>Sobre o escritor</strong></p><p><a href="http://www.caotico.com.br/wp-content/uploads/2010/11/joao-almino.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-1105" title="joao-almino" src="http://www.caotico.com.br/wp-content/uploads/2010/11/joao-almino.jpg" alt="" width="180" height="200" /></a></p><p>João Almino nasceu em Mossoró, há 60 anos, mas está em Brasília há um tempão. Além de romances como <em>Cidade Livre </em>e<em> As Cinco Estações do Amor</em>, tem obras nas áreas de História e Filosofia Política.</p><div class="addthis_toolbox addthis_default_style " addthis:url='http://www.caotico.com.br/ideias-para-onde-passar-o-fim-do-mundo/' addthis:title='Ideias para onde passar o fim do mundo '  ><a class="addthis_button_facebook_like" fb:like:layout="button_count"></a><a class="addthis_button_tweet"></a><a class="addthis_button_google_plusone" g:plusone:size="medium"></a><a class="addthis_counter addthis_pill_style"></a></div>]]></content:encoded> <wfw:commentRss>http://www.caotico.com.br/ideias-para-onde-passar-o-fim-do-mundo/feed/</wfw:commentRss> <slash:comments>6</slash:comments> </item> <item><title>Ele só pensa naquilo</title><link>http://www.caotico.com.br/raimundo-carrero-so-pensa-naquilo/</link> <comments>http://www.caotico.com.br/raimundo-carrero-so-pensa-naquilo/#comments</comments> <pubDate>Wed, 10 Nov 2010 13:43:33 +0000</pubDate> <dc:creator>Samarone Lima</dc:creator> <category><![CDATA[Loucos por livros]]></category> <category><![CDATA[Ariano Suassuna]]></category> <category><![CDATA[AVC]]></category> <category><![CDATA[Estuário]]></category> <category><![CDATA[literatura brasileira]]></category> <category><![CDATA[Pernambuco]]></category> <category><![CDATA[prêmio Jabuti]]></category> <category><![CDATA[Salgueiro]]></category> <category><![CDATA[Samarone Lima]]></category><guid isPermaLink="false">http://www.caotico.com.br/?p=1057</guid> <description><![CDATA[por Samarone Lima (o Estuário está fora do ar porque seu editor esqueceu de pagar a anuidade. Enquanto isso, sempre que precisar, o Caótico orgulhosamente irá abrigar os textos de Sama) A notícia foi uma pancada em nós todos. “Raimundo Carrero sofreu um AVC, está internado”. Nós, os amigos, admiradores da criatura, e de sua [...]<div class="addthis_toolbox addthis_default_style " addthis:url='http://www.caotico.com.br/raimundo-carrero-so-pensa-naquilo/' addthis:title='Ele só pensa naquilo '  ><a class="addthis_button_facebook_like" fb:like:layout="button_count"></a><a class="addthis_button_tweet"></a><a class="addthis_button_google_plusone" g:plusone:size="medium"></a><a class="addthis_counter addthis_pill_style"></a></div>]]></description> <content:encoded><![CDATA[<p><strong>por Samarone Lima (o Estuário está fora do ar porque seu editor esqueceu de pagar a anuidade. Enquanto isso, sempre que precisar, o Caótico orgulhosamente irá abrigar os textos de Sama)</strong></p><p><a href="http://www.caotico.com.br/wp-content/uploads/2010/11/raimundocarrero.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-1060" title="raimundocarrero" src="http://www.caotico.com.br/wp-content/uploads/2010/11/raimundocarrero-350x262.jpg" alt="" width="261" height="195" /></a>A notícia foi uma pancada em nós todos. “Raimundo Carrero sofreu um AVC, está internado”.</p><p>Nós, os amigos, admiradores da criatura, e de sua obra. Sou, por assim dizer, um amigo da safra recente. Já tínhamos batido uns papos, cercado por outras pessoas, até que levei uns originais de um romance e marcamos no Caprino´s, seu ponto de encontro com os amigos. Bebericamos, conversamos, rimos muito. Carrero, para mim, é aquilo que o espanhol Antônio Muñoz Molina denomina a literatura: Pura alegria. Ele me encheu de animação com o romance, mas o que falamos mesmo foi sobre a vida.</p><p>Senti o baque com a notícia. Lembrei do dia em que ele ganhou o Prêmio São Paulo de Literatura, uma baita grana, e liguei para dizer que eu não poderia mais pagar a conta em nossos encontros. Ele riu muito, como sempre.</p><p>Fiquei torcendo pela recuperação, mas algo me angustiava: A falta de notícias sobre a situação. Pior era não saber o tamanho do AVC, o mal que tinha causado, as sequelas. As visitas estavam proibidas, até segunda ordem.</p><p>Inácio conseguia informações com Rodrigo, o filho, mas nada era suficiente. Queria ver o amigo de perto.</p><p>O encontro começou na sexta-feira, quando encontrei meu ex-chefe, Carlos Carvalho, acompanhado de seu fiel escudeiro Paulo. Estava, no Princesa Isabel, almoçando, e o tema Carrero logo se incorporou à mesa. Os dois lembraram vários momentos divertidos com o camarada.</p><p>Liguei para o Inácio e combinamos visitar a fera no sábado. E se ele não quiser visitas, pensei. Ora, nós voltamos pra casa, mas tentamos.</p><p>No sábado à tarde, fizemos tudo bem direitinho. Secamos implacavemente seu time, que perdeu de virada: 2 X 1, depois fomos para o apartamento da fera. Passamos na calçada do Caprino´s, Inácio tirou uma dúvida sobre a localização do prédio, e o garçom queria saber como estava Carrero.</p><p>Tocamos o interfone, dissemos os nomes, o porteiro interfonou e disse o “podem subir”. Iríamos ao encontro do desconhecido. Como estaria o velho e bom Raimundo Carrero? Qual o impacto do AVC em sua vida? Senti aquele frio na barriga.</p><p>Bastou entrar no apartamento, para sentir uma bênção chamada alívio. Sentado em uma poltrona, Carrero nos recebeu com um sorriso. O derrame comprometeu o lado esquerdo do corpo, mas coisas que a fisioterapia vai retomar, progressivamente. O principal, ficou intacto – a cabeça, a fala, os olhos. Tudo funciona normalmente.</p><p>Conversamos, rimos. Ele recordou os dias no hospital, o baque dos primeiros dias, mas não estava deprimido. A emoção brotou mesmo quando falou de seu grande mestre, Ariano Suassuna. Foi às lágrimas.</p><p>Já no final do encontro, pedi à sua esposa para ver a biblioteca e o lugar de trabalho de Carrero – a biblioteca. Para não perder a viagem, peguei “Justine” de Lawrence Durrel, cheio de anotações. Levei para a sala, para dizer a Carrero que também adoro aquele livro.</p><p>“Tirasse da estante, vai misturar tudo”, disse ele.</p><p>Botei o livro de volta ao local original, sabendo que o raciocínio do homem está perfeito.</p><p>Por último, me deliciei com suas máquinas de datilografia. Ele tem quatro, mas já vou com oito. Uma é linda, dos anos 1940, norte-americana. Me deu uma inveja dos diabos, se coubesse no bolso eu levava.</p><p>Estava a caminho do trabalho, hoje, já pensando em escrever sobre o encontro, encontrei Paulo novamente, na rua da União. Falei sobre a visita, o quadro geral, disse que Carrero já estava até arengando com um chinês, que faz a acupuntura.</p><p>“Ah, então é Carrero mesmo”, completou.</p><p style="text-align: center;"><strong>*****</strong></p><p><strong>Triplo adendo de Inácio:</strong></p><p>Primeiro: Quando Samarone perguntou onde ficava a biblioteca e se poderia visitá-la, Raimundo esbugalhou os olhos lá na sua poltrona e emudeceu. Temi pelo pior, uma recaída, sei lá. Só quando o visitante anunciou que deixaria a mochila no sofá da sala, o convalescente acalmou. Mesmo assim, por via das dúvidas, a simpaticíssima dona-da-casa fez questão de monitorar a ida de Sama à biblioteca. Não pude perceber nada, mas é possível que Carrero tenha sinalizado algo para a esposa, expressando uma mensagem do tipo: &#8220;vá e fique de olho para que esse miserento não leve nenhum livro&#8221;.</p><p>Segundo: Sama também quis ver o troféu do Prêmio Jabuti que Carrero ganhou nos anos 90 com o livro de contos <em>As sombrias ruínas da alma. </em>O trófeu é pequenininho e caberia com folga no bolso da bermuda de Sama, mas é tão feio (vendido por 20 contos na feira de artesanato da pracinha de Boa Viagem sairia caro) que voltou incólume para a estante.</p><p>Terceiro: Carlos Carvalho rabiscou um bilhete num guardanapo para Sama entregar a Raimundo, mas ele esqueceu. Fica para a próxima.</p><div class="addthis_toolbox addthis_default_style " addthis:url='http://www.caotico.com.br/raimundo-carrero-so-pensa-naquilo/' addthis:title='Ele só pensa naquilo '  ><a class="addthis_button_facebook_like" fb:like:layout="button_count"></a><a class="addthis_button_tweet"></a><a class="addthis_button_google_plusone" g:plusone:size="medium"></a><a class="addthis_counter addthis_pill_style"></a></div>]]></content:encoded> <wfw:commentRss>http://www.caotico.com.br/raimundo-carrero-so-pensa-naquilo/feed/</wfw:commentRss> <slash:comments>12</slash:comments> </item> <item><title>Eu, jurado do Jabuti</title><link>http://www.caotico.com.br/eu-jurado-do-jabuti/</link> <comments>http://www.caotico.com.br/eu-jurado-do-jabuti/#comments</comments> <pubDate>Wed, 02 Dec 2009 01:05:54 +0000</pubDate> <dc:creator>Inácio França</dc:creator> <category><![CDATA[Elocubrações]]></category> <category><![CDATA[biografias]]></category> <category><![CDATA[Câmara Brasileira do Livro]]></category> <category><![CDATA[Força Expedicionária Brasileira]]></category> <category><![CDATA[Massaki Udihara]]></category> <category><![CDATA[prêmio Jabuti]]></category> <category><![CDATA[reportagem]]></category><guid isPermaLink="false">http://www.caotico.com.br/?p=523</guid> <description><![CDATA[Foi no final de 2002 que Edmundo me telefonou, lá de sua sala numa grande editora do Rio de Janeiro. 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Que é que tenho de fazer?</p><p>- Vou te indicar para ser jurado do Prêmio Jabuti. Vão te ligar dizendo os prazos e para combinar para onde mandar os livros.</p><p>- Rapá&#8230; será que eu tenho cacife para essa porra?</p><p>- Tem sim, é pra ser jurado da categoria Reportagem e Biografia, não é literatura, não. Moleza mesmo.</p><p>- Ah, então, tá.</p><p>Pouco tempo depois, uma moça da Câmara Brasileira do Livro realmente ligou, pegou meu endereço e disse que ia mandar a caixa de livros, além de correspondência com as regras do jogo.</p><p>Quando a transportadora chegou, minhas mãos estavam vermelhas de tanta esfregá-las de ansiedade, fiquei dias imaginando quais seriam as pérolas da pequena biblioteca entregue em domicílio.</p><p>Os livros vieram acompanhadas da relação com os títulos inscritos. Na primeira folheada que dei um por um, o tesão baixou. Tinha muita porcaria na tal caixa.</p><p>Dos 200 e poucos livros, salvavam-se uns 90, com muita tolerância. Tinha livro sobre santo padroeiro de cidade do interior, autobiografias de ex-prefeitos da caixa-prego e coletâneas de artigos publicadas em jornais sobre temas absolutamente irrelevantes.</p><p>Sem perder tempo nem dor na consciência, nos dias que se seguiram à chegada da famosa caixa, doei dezenas de livros para bibliotecas, presenteei vizinhos, porteiros, amigos secretos e outras vítimas inocentes da minha generosidade.</p><p>Mesmo assim, restavam mais de 80 livros concorrendo. Minha missão como jurado era lê-los em um mês e indicar os 10 melhores para a lista de finalistas.</p><p>É lógico que não li esses livros todos. Mesmo assim, fiz a tal lista dos top 10 no prazo determinado.</p><p>Para cumprir a missão, foi preciso estabelecer alguns critérios objetivos. A partir da premissa que o Jabuti premia o livro enquanto produto e não apenas a qualidade literária, o primeiro critério considerou as edições que eram, pelo menos, razoáveis, com informações técnicas mínimas, orelha e texto da última capa. A existência desses últimos dois itens era fundamental para que o segundo critério de seleção pudesse ser adotado, afinal, como eu iria ler as orelhas se elas não existissem?</p><p>O monte de livros caiu para uns 50. Então, me danei a ler as orelhas. E os textos da última capa também, afinal não sou tão negligente assim.</p><p>Depois dessa, digamos, leitura dinâmica, fiquei com de 15 a 18 livros em condições de chegar a lista dos 10 mais. Comecei a lê-los e decidi que, se não conseguisse chegar à página 20, o livro estaria automaticamente eliminado.</p><p>Desses todos, só lembro de quatro livros.</p><p>Desses, uma era a biografia sobre uma puta e cafetina chamada Eny, famosa pelo seu bordel numa cidade do interior de São Paulo, Bauru, se não estou redondamente enganado. Livro bem editado, jeitoso e de leitura saborosa.</p><p>Outro que estava lista uma biografia sobre Fidel Castro, um tijolo em dois volumes, muito mal escrito e com ar de biografia chapa-branca, mas com o mérito de ter informações e imagens inéditas de Fidel. Esses dois acabaram premiados na lista final do prêmio, com três vencedores.</p><p>O livro sobre Eny dei de presente para alguém, não valia a pena ocupar espaço na estante com ele. Já a biografia de Fidel, Sergio Miguel nunca me devolveu.</p><p>Os outros dois livros que ficaram na memória eram os melhores. Um deles era sobre um embaixador brasileiro na Europa que, desobedecendo a orientação do governo Vargas, distribuía vistos para livrar judeus, ciganos e comunistas da perseguição dos nazistas e fascistas, salvando a vida de muita gente que conseguiu entrar no Brasil.</p><p>Meu outro favorito se chamava <em>Um médico brasileiro no front</em>, diário de guerra escrito por um jovem médico nisei chamado Massaki Udihara durante a campanha do exército brasileiro na Itália. Depois que Udihara morreu, no final dos anos 90, sua família encontrou os diários e entregou à antiga Faculdade Paulista de Medicina, que resolveu publicá-los. Udihara desmascara a incompetência, o amadorismo e a burrice dos comandantes brasileiros da Força Expedicionária.</p><p>Minha experiência como jurado me revelou a importância relativa desses prêmios. Para começar, como é que se aceita como jurado um jornalista como eu, sem nenhum livro publicado? E os prazos, então? Quem estabelece um mês para a análise de centenas de concorrentes sabe que só as orelhas serão esmiuçadas, isso no caso de haver orelhas.</p><p>Então, se você ganhou um prêmio Jabuti, deixe de goga, que isso não é essa coca-cola toda, não. Se não ganhou, anime-se, seu livro pode ter sido vítima de gente como eu, sem tempo livre, porém com a imaginação fértil.</p><div class="addthis_toolbox addthis_default_style " addthis:url='http://www.caotico.com.br/eu-jurado-do-jabuti/' addthis:title='Eu, jurado do Jabuti '  ><a class="addthis_button_facebook_like" fb:like:layout="button_count"></a><a class="addthis_button_tweet"></a><a class="addthis_button_google_plusone" g:plusone:size="medium"></a><a class="addthis_counter addthis_pill_style"></a></div>]]></content:encoded> <wfw:commentRss>http://www.caotico.com.br/eu-jurado-do-jabuti/feed/</wfw:commentRss> <slash:comments>9</slash:comments> </item> <item><title>Dois Irmãos</title><link>http://www.caotico.com.br/dois-irmaos/</link> <comments>http://www.caotico.com.br/dois-irmaos/#comments</comments> <pubDate>Fri, 20 Nov 2009 15:48:37 +0000</pubDate> <dc:creator>Inácio França</dc:creator> <category><![CDATA[Leituras Caóticas]]></category> <category><![CDATA[Amazônia]]></category> <category><![CDATA[edição de bolso]]></category> <category><![CDATA[imigrantes árabes]]></category> <category><![CDATA[imigrantes libaneses]]></category> <category><![CDATA[incesto]]></category> <category><![CDATA[literatura contemporânea]]></category> <category><![CDATA[Manaus]]></category> <category><![CDATA[Milton Hatoum]]></category> <category><![CDATA[prêmio Jabuti]]></category><guid isPermaLink="false">http://www.caotico.com.br/?p=511</guid> <description><![CDATA[Fazer, atualizar, escrever o Caótico me dá uma satisfação enorme. Por causa do método que criei “na tora” para manter o blog, a cada postagem aprendo um pouco mais sobre algo. Sempre que escolho a livro a ser comentado – coisas que li há muito tempo ou que acabei de guardar na estante -, procuro [...]<div class="addthis_toolbox addthis_default_style " addthis:url='http://www.caotico.com.br/dois-irmaos/' addthis:title='Dois Irmãos '  ><a class="addthis_button_facebook_like" fb:like:layout="button_count"></a><a class="addthis_button_tweet"></a><a class="addthis_button_google_plusone" g:plusone:size="medium"></a><a class="addthis_counter addthis_pill_style"></a></div>]]></description> <content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignright size-full wp-image-513" title="2irmãos" src="http://www.caotico.com.br/wp-content/uploads/2009/11/2irmãos1.jpg" alt="2irmãos" width="122" height="184" />Fazer, atualizar, escrever o Caótico me dá uma satisfação enorme. Por causa do método que criei “na tora” para manter o blog, a cada postagem aprendo um pouco mais sobre algo. Sempre que escolho a livro a ser comentado – coisas que li há muito tempo ou que acabei de guardar na estante -, procuro na internet outras informações ou opiniões sobre o autor e o texto. Sem querer, ação fazendo diálogos mudos e virtuais com outros leitores.</p><p>Não bastasse isso, o compromisso de manter o blog vivo me estimula a novas leituras, a escacavilhar minha estante e redescobrir os livros que, um dia, despertaram tanto minha curiosidade a ponto de trazê-los para casa. Desta vez foi <em>Dois Irmãos, </em>de Milton Hatoum, um dos mais respeitados autores brasileiros neste início de século, mas cuja prosa ainda não conhecia.</p><p>As primeiras páginas de <em>Dois Irmãos </em>são arrasadoras, deu nó na garganta a narrativa das emoções do rapazote Yaqub, irmão gêmeo de Omar, quando ele volta de uma temporada na casa de um tio na aldeia do Líbano, para onde foi sozinho pro decisão dos pais. Parei a leitura nesse ponto e precisei de um dia para me acostumar com os sentimentos e retomá-la.</p><p>Ao contrário do que sugere o título, há muito mais no romance do que os ressentimentos e o ódio entre os irmãos gêmeos.</p><p>Há outras tensões entre integrantes da família do casal de imigrantes Halim e Zana; tem muito Édipo na mãe superprotetora e sufocante; incestos apenas insinuados; há o marido com o tesão asfixiado pela presença dos filhos; há o desenvolvimento urbano de Manaus; a integração entre imigrantes de várias partes do mundo no meio da floresta amazônica; tem também a construção de identidades particulares e coletivas dos povos da Amazônia, gente tão pouco conhecida pelos outros brasileiros.</p><p>Na prosa de Hatoum não há escândalo ou julgamento moral nem mesmo quando um poeta é assassinado ou naquilo que parece ser um incesto. A narrativa é serena, relato da memória distante de um personagem que se tornou fiel depositário das histórias e do passado.</p><p>Aliás, na minha opinião, esse personagem é um verdadeiro achado do autor. O sujeito está ali dentro da casa de Halim e Zana, foi testemunha de muita coisa. O que ele não viu, ouviu da boca da mãe ou do chefe da família. Narrador e personagem secundário, sempre nas laterais, nunca no centro, próximo dos fatos, mas capaz de construir sua própria vida, se afastar dos ódios e de um passado que, no frigir dos ovos, não era seu.</p><p>Outro mérito do romance é relatar o cotidiano de Manaus, contar como era a vida nos igarapés no século XX, mas fazer isso de forma universal, sem escorregar no regionalismo.</p><p>Nas leituras pós-leitura do livro, descobri algo que me deixou animado: muitas universidades já adotaram <em>Dois Irmãos</em> em seus vestibulares, incluindo a Universidade Federal do Rio Grande do Sul.  Pense numa coisa boa que é saber que rapazes e moças  de tudo quanto é lugar do País tomando contato com o universo dos imigrantes árabes na Amazônia, com a obra de um autor contemporâneo que vive bem longe do eixo Rio-São Paulo.</p><p>No texto da contracapa da edição de bolso &#8211; cuja capa tá reproduzida lá no alto &#8211; uma curiosidade, ou melhor, uma bobagem cometida pela editora Companhia das Letras. Provavelmente, quem escreveu o parágrafo não prestou atenção no que leu, pois apresenta o livro informando que é a &#8220;história conturbada dos gêmeos Yaqub e Omar, na Amazônia, durante o regime militar&#8221;. Regime militar?!?!?!?! O golpe de 1964 ocupa, se não me engano, um ou dois capítulos do livro. Além disso, uma construção dá a entender que as opções políticas ou ideológica dos irmãos dão o tom da trama. Longe, muito longe disso.</p><p><strong>Sobre o escritor: Hatoum tem mais Jabuti que o Horto de Dois Irmãos</strong></p><p><img class="alignnone size-medium wp-image-514" title="20080811mbmiltonhatoum0047" src="http://www.caotico.com.br/wp-content/uploads/2009/11/20080811mbmiltonhatoum0047-350x233.jpg" alt="20080811mbmiltonhatoum0047" width="295" height="196" /></p><p>Milton Hatoum tem 57 anos e antes de ganhar a vida escrevedo, foi professor de literatura nas Universidades do Amazonas e de Berkeley, na Califórnia. Conseguiu a proeza de ganhar três prêmios Jabuti e é um dos um escritores brasileiros mais traduzidos mundo afora. Pensando bem, ganhar prêmios não é um critério muito confiável, afinal até eu já fui jurado do Jabuti&#8230;</p><ul><li><a href="http://www.hottopos.com/collat6/milton1.htm"><strong>Clique aqui para ler uma uma entrevista com Milton Hatoum</strong></a></li><li><strong><a href="http://www.digestivocultural.com/colunistas/coluna.asp?codigo=2331">Clique aqui para ler o que o site Digestivo Cultural publicou sobre <em>Dois Irmãos</em></a></strong><strong><br /> </strong></li></ul><div class="addthis_toolbox addthis_default_style " addthis:url='http://www.caotico.com.br/dois-irmaos/' addthis:title='Dois Irmãos '  ><a class="addthis_button_facebook_like" fb:like:layout="button_count"></a><a class="addthis_button_tweet"></a><a class="addthis_button_google_plusone" g:plusone:size="medium"></a><a class="addthis_counter addthis_pill_style"></a></div>]]></content:encoded> <wfw:commentRss>http://www.caotico.com.br/dois-irmaos/feed/</wfw:commentRss> <slash:comments>3</slash:comments> </item> </channel> </rss>
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