<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?> <rss version="2.0" xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/" xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/" xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/" xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom" xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/" xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/" ><channel><title>Caótico &#187; Rede Globo</title> <atom:link href="http://www.caotico.com.br/tags/rede-globo/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" /><link>http://www.caotico.com.br</link> <description>Espaço de leituras,  histórias &#38; especulações &#124; Por Inácio França</description> <lastBuildDate>Wed, 08 Feb 2012 13:36:43 +0000</lastBuildDate> <language>en</language> <sy:updatePeriod>hourly</sy:updatePeriod> <sy:updateFrequency>1</sy:updateFrequency> <xhtml:meta xmlns:xhtml="http://www.w3.org/1999/xhtml" name="robots" content="noindex" /> <item><title>A emissora do bispo e a Transamazônica</title><link>http://www.caotico.com.br/a-emissora-do-bispo-e-a-transamazonica/</link> <comments>http://www.caotico.com.br/a-emissora-do-bispo-e-a-transamazonica/#comments</comments> <pubDate>Tue, 15 Feb 2011 01:27:24 +0000</pubDate> <dc:creator>Inácio França</dc:creator> <category><![CDATA[Elocubrações]]></category> <category><![CDATA[André Tal]]></category> <category><![CDATA[Domingo Espetacular]]></category> <category><![CDATA[Edir Macedo]]></category> <category><![CDATA[jornalismo]]></category> <category><![CDATA[Rede Globo]]></category> <category><![CDATA[Rede Record]]></category> <category><![CDATA[reportagem]]></category> <category><![CDATA[telejornalismo]]></category> <category><![CDATA[televisão]]></category> <category><![CDATA[TV]]></category><guid isPermaLink="false">http://www.caotico.com.br/?p=1222</guid> <description><![CDATA[Mergulhado até os cabelos na leitura de um clássico daquilo que costuma ser chamado pelos norte-americanos de Jornalismo Literário, ou new journalism, não dá para mudar de foco e escrever sobre outra coisa lida no passado. 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Ando cansado, tocando ou tentando tocar várias coisas simultaneamente, o que torna impossível a tarefa de procurar algo na estante e na memória, como já fiz outras vezes para manter o blog atualizado. Isso exigiria uma energia que não tenho, não agora pelo menos.</p><p>A saída foi trocar de mídia e escrever sobre a televisão. Para ser mais preciso, escrever elogios a respeito de um programa dominical, um acontecimento raro na minha vida, pois gasto tão pouco do meu tempo em frente à TV que é comum ser surpreendido escutando conversas em que os interlocutores falam de atrações que fizeram sucesso e saíram do ar sem que eu jamais tivesse ouvido falar delas. Defeito irreparável para quem &#8211; ainda &#8211; trabalha com comunicação.</p><p>Foi <a href="http://noticias.r7.com/videos/veja-os-perigos-que-correm-os-indios-com-a-chegada-da-transamazonica-no-am/idmedia/cd9d7c494a725c86b14080bd83191d05.html">uma reportagem sobre a Transamazônica no Domingo Espetacular da Record</a>, que jogou caroços de esperança no estéril solo da minha apatia. Ao final da matéria, pelo que entendi parte integrante de uma série sobre a estrada, passei a acreditar que a TV pode ser feita com inteligência e sobriedade, com ótimos padrões éticos e estéticos.</p><p>Apesar de cara, não há novidade na pauta: uma equipe de reportagem da TV está percorrendo a Transamazônica de uma ponta a outra, registrando o que encontram pela frente. O jornalismo é cheio dessas coisas de repórter botando o pé no mundo. A diferença está no enfoque, nas informações que são levadas ao ar, no respeito à voz dos entrevistados.</p><p>Para começar, a edição do material que foi levado ao ar desafiou a lógica da TV. Não há economia de tempo. Em mais de 18 minutos de reportagem, quase um documentário em curta-metragem, o repórter André Tal pôde tratar a complexidade da vida dos índios Tenharim, um povo que teve suas terras cortadas pela estrada na década de 70 e, por isso, cobra pedágio para os carros atravessarem a reserva. O preço a ser pago pelos motoristas é alto, mas não tanto quanto o que os Tenharim ainda têm que pagar.</p><p>As falas do cacique João Bosco e de sua esposa, Margarida, foram respeitadas, bem como sua angústia por não saber onde estava um filho que se perdeu na mata. O texto que apresentava os dois líderes da tribo não era meloso nem piegas como os textos da líder de audiência. André Tal e os editores da Record não tentaram reduzir os Tenharim a folclore.</p><p>De repente, o trabalho da equipe é interrompido pelos lamentos que chegam da floresta. O filho do cacique foi encontrado, assustado é verdade, mas inteiro. O acaso possibilitou que a não-notícia, o final feliz de um episódio envolvendo uma tribo de índios no interior do Amazonas, se transformasse em material jornalístico de primeira qualidade.</p><p>A sensibilidade do repórter e dos seus editores diante da diferença era de espantar quem está acostumado a acompanhar as ditas matérias “humanas” da TV brasileira. Ninguém tentou enquadrar ou rotular o choro e o lamento de pessoas que expressavam sua alegria desta forma. Nenhum profissional tentou “produzir” o choro no formato aceitável pelos padrões estéticos da emissora.</p><p><a href="http://www.caotico.com.br/wp-content/uploads/2011/02/andretal.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-1224" title="andretal" src="http://www.caotico.com.br/wp-content/uploads/2011/02/andretal.jpg" alt="" width="194" height="145" /></a>O tal André Tal (perdão pelo trocadilho imbecil, mas não deu para segurar) prossegue seu caminho pela “estrada sem fim” – esse é o nome da série de reportagens especiais – e encontra Marlei, apelido improvável para um homem que mora sozinho numa barraca insalubre no meio da mata e vive dos enormes abacaxis que planta.</p><p>Com rosto sofrido, Marlei, ou melhor, Armando Magalhães de Souza, vive isolado, solitário, um personagem que facilmente seria rotulado como eremita ou homem das cavernas. Nem o repórter nem o programa caíram nessa tentação barata, apesar da narração às vezes desnecessária de Paulo Henrique Amorim.</p><p>É de emocionar as cenas em que o homem fala de sua solidão, das noites em que fica “imaginando os acontecimentos” em seu minúsculo abrigo. O repórter não tenta arrancar uma explicação, não força nada, apenas nos apresenta um homem sozinho.</p><p>No final, deu vontade de aplaudir.</p><div class="addthis_toolbox addthis_default_style " addthis:url='http://www.caotico.com.br/a-emissora-do-bispo-e-a-transamazonica/' addthis:title='A emissora do bispo e a Transamazônica '  ><a class="addthis_button_facebook_like" fb:like:layout="button_count"></a><a class="addthis_button_tweet"></a><a class="addthis_button_google_plusone" g:plusone:size="medium"></a><a class="addthis_counter addthis_pill_style"></a></div>]]></content:encoded> <wfw:commentRss>http://www.caotico.com.br/a-emissora-do-bispo-e-a-transamazonica/feed/</wfw:commentRss> <slash:comments>8</slash:comments> </item> <item><title>Sucupira ame-a ou deixe-a</title><link>http://www.caotico.com.br/sucupira-ame-a-ou-deixe-a/</link> <comments>http://www.caotico.com.br/sucupira-ame-a-ou-deixe-a/#comments</comments> <pubDate>Tue, 19 Oct 2010 15:00:15 +0000</pubDate> <dc:creator>Inácio França</dc:creator> <category><![CDATA[Leituras Caóticas]]></category> <category><![CDATA[adaptações]]></category> <category><![CDATA[Dias Gomes]]></category> <category><![CDATA[José Serra]]></category> <category><![CDATA[novelas]]></category> <category><![CDATA[Odorico Paraguaçu]]></category> <category><![CDATA[Rede Globo]]></category> <category><![CDATA[roteiro]]></category> <category><![CDATA[segundo turno]]></category> <category><![CDATA[seriados]]></category> <category><![CDATA[teatro]]></category> <category><![CDATA[televisão]]></category><guid isPermaLink="false">http://www.caotico.com.br/?p=1004</guid> <description><![CDATA[Poucas coisas produzidas pela tevê brasileira despertaram meu interesse ou me emocionaram. 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O<em> Bem Amado </em>foi a melhor de todas ou, pelo menos, a que mais me cativou. Não lembro absolutamente nada da novela, mas aos12 ou 13 anos eu esperava com ansiedade por cada episódio da série, que ia ao ar uma terça-feira por mês.</p><p>Naquele tempo, a televisão ainda não havia gerado seus próprios profissionais e empregava como roteiristas autores da literatura e do teatro, gente como Dias Gomes, que não entregavam apenas aquilo que o público queria ver. Gente que fazia arte ou, no mínimo, artesanato dos bons.</p><p>As saudades do Odorico Paraguaçu de Paulo Gracindo renasceram como brasas de fogueira quando saí do Plaza Casa Forte depois de assistir a <em>O Bem Amado </em>dirigido por Guel Arraes. O jeito foi recorrer a <em>Sucupira ame-a ou deixe-a</em>, coletânea de sete histórias de Dias Gomes, para conferir se meus heróis e anti-heróis de adolescência não se resumiam ao roteiro insosso e malamanhado do filme.</p><p>O livro, publicado originalmente em 1982 quando a série estava no auge do sucesso, é composto por sete episódios da série transformados por Dias Gomes em contos rápidos. Reencontrei a originalidade dos diálogos, a riqueza dos personagens e o ritmo de cada “desventura de Zeca Diabo e sua gente”, mas lamento dizer que as coisas não funcionam muito bem nesse formato.</p><p>As pequenas histórias foram escritas para ser roteiro de tevê. O resultado não me deixou muito satisfeito: senti falta de maior conexão e elaboração entre as situações, os diálogos, lacunas facilmente preenchidas pelas imagens e recursos de áudio na televisão.</p><p>A leitura valeu mais pelo reencontro com os personagens e com a linguagem que, há quase 30 anos, quase fizeram um menino acreditar que era possível existir algo parecido com arte e cultura na programação da tevê. Nesses dias de tensão pré-segundo turno, fica difícil não enxergar o quanto Odorico Paraguaçu inspirou José Serra em sua promessa de aumentar o salário-mínimo e nos seus beijos no rodário de contas diante dos fotógrafos e cinegrafistas.</p><p>Para quem, como eu, gastou dinheiro e foi ao cinema ver Marco Nanini como Odorico e José Wilker como Zeca Diabo, a leitura de <em>Sucupira ame-a ou deixe-a </em>pode ter uma utilidade educativa. Mesmo pouco acostumado com as técnicas dos redatores de cinema, foi possível compreender como usar os recursos de “corta e cola” para fazer uma ideia original se transformar num filme repleto de ótimos atores, mas com uma história besta e desconjuntada, coerente com o padrão de qualidade das Organizações Globo no século XXI.</p><p><strong>Sobre o escritor</strong></p><p><strong><a href="http://www.caotico.com.br/wp-content/uploads/2010/10/diasgomes.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-1006" title="diasgomes" src="http://www.caotico.com.br/wp-content/uploads/2010/10/diasgomes.jpg" alt="" width="256" height="180" /></a><br /> </strong></p><p>Dias Gomes era baiano de Salvador e comunista. Foi o autor de <em>O Pagador de Promessas</em>, de <em>Roque Santeiro</em>, além de uma peça chamada <em>Um pobre gênio, </em>que Procópio Ferreira se recusou a encenar porque a considerava “avançada demais” por colocar em cena um herói operário. O autor morreu três anos antes de um metalúrgico ser eleito presidente da República.</p><div class="addthis_toolbox addthis_default_style " addthis:url='http://www.caotico.com.br/sucupira-ame-a-ou-deixe-a/' addthis:title='Sucupira ame-a ou deixe-a '  ><a class="addthis_button_facebook_like" fb:like:layout="button_count"></a><a class="addthis_button_tweet"></a><a class="addthis_button_google_plusone" g:plusone:size="medium"></a><a class="addthis_counter addthis_pill_style"></a></div>]]></content:encoded> <wfw:commentRss>http://www.caotico.com.br/sucupira-ame-a-ou-deixe-a/feed/</wfw:commentRss> <slash:comments>9</slash:comments> </item> <item><title>A inglória peleja do demônio da telinha contra o carnaval de rua</title><link>http://www.caotico.com.br/a-ingloria-peleja-do-demonio-da-telinha-contra-o-carnaval-de-rua/</link> <comments>http://www.caotico.com.br/a-ingloria-peleja-do-demonio-da-telinha-contra-o-carnaval-de-rua/#comments</comments> <pubDate>Thu, 18 Feb 2010 11:57:26 +0000</pubDate> <dc:creator>Inácio França</dc:creator> <category><![CDATA[Elocubrações]]></category> <category><![CDATA[Band]]></category> <category><![CDATA[carnaval]]></category> <category><![CDATA[evento de massa]]></category> <category><![CDATA[folia]]></category> <category><![CDATA[Olinda]]></category> <category><![CDATA[Rede Globo]]></category> <category><![CDATA[televisão]]></category> <category><![CDATA[TV]]></category><guid isPermaLink="false">http://www.caotico.com.br/?p=586</guid> <description><![CDATA[Não tem jeito, a TV brasileira foi derrotada mais uma vez pelo carnaval de rua de Pernambuco. 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Em Olinda, o resultado foi ainda mais dilatado, pior do que Hungria e El Salvador na Copa de 82, [...]<div class="addthis_toolbox addthis_default_style " addthis:url='http://www.caotico.com.br/a-ingloria-peleja-do-demonio-da-telinha-contra-o-carnaval-de-rua/' addthis:title='A inglória peleja do demônio da telinha contra o carnaval de rua '  ><a class="addthis_button_facebook_like" fb:like:layout="button_count"></a><a class="addthis_button_tweet"></a><a class="addthis_button_google_plusone" g:plusone:size="medium"></a><a class="addthis_counter addthis_pill_style"></a></div>]]></description> <content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignleft size-medium wp-image-587" title="Folia na frente do Palácio - Carnaval 2010" src="http://www.caotico.com.br/wp-content/uploads/2010/02/Olinda-versus-TV-350x235.jpg" alt="Folia na frente do Palácio - Carnaval 2010" width="262" height="176" />Não tem jeito, a TV brasileira foi derrotada mais uma vez pelo carnaval de rua de Pernambuco. E, mais uma vez, a derrota foi feia, goleada de verdade, seis ou sete gols de diferença no Recife. Em Olinda, o resultado foi ainda mais dilatado, pior do que Hungria e El Salvador na Copa de 82, sem direito a gol de honra. Ainda bem.</p><p>Como integrante da primeira equipe de governo de Luciana Santos em Olinda, no início desta década que ora se acaba, fui testemunha dos esforços dos executivos da Rede Globo Nordeste para transformar o carnaval de Olinda em um produto midiático, televisivo. O esforço para criar outra estética e outra ética. Afinal, a imagem da multidão se arrastando pelas ladeiras é suja e repetitiva demais para o padrão asséptico, pasteurizado e sem graça da TV brasileira. O carnaval de Olinda é um fato, um acontecimento sem dúvida nenhuma, jamais um produto.</p><p>Os executivos fracassaram, esbarraram na saudável teimosia da prefeita comunista e dos carnavalescos tradicionalistas. A Globo já desistiu. Pelo menos, por enquanto.</p><p>Sua programação se refugiou numa casa refrigerada e com cenário organizadinho, réplica do próprio estúdio. Tudo sob controle dos seus bons profissionais. A multidão incontrolável, com piadinhas sacanas a toda hora e fantasias inexplicáveis varando a tela limpa da tevê, é um pouco demais para a maior emissora da América Latina aceitar.</p><p>A tal Casa do Carnaval é uma metáfora perfeita do papel das Organizações Globo na sociedade brasileira. A Casa é uma ilha da fantasia, um mundo à parte, sem os micróbios da criatividade alheia e do imprevisto. Na bolha, a equipe global tenta reconstruir o mundo à sua imagem e semelhança. O problema é o que o carnaval come solto lá fora, desmentindo a todo momento sua grade de programação. Mais ou menos como a popularidade do presidente Lula, resultado de suas políticas públicas, que contrariam as tentativas do Jornal Nacional de reconstruir o país. Fracassam ambos, o JN e a bolha carnavalesca.</p><p>Agora, é a pobre Band que tenta encontrar o caminho da vitória onde a Globo foi derrotada. A vaca da emissora paulistana também está indo para o brejo sem escalas. A motivação dos bandeirantes é outra: acertadamente, o Governo de Pernambuco está investindo na emissora uma nota para garantir a transmissão ao vivo e visibilidade para o carnaval pernambucano.</p><p>A motivação é diferente, mas o desafio é o mesmo: embalar o carnaval de rua em produto. Dá até pena.</p><p>Este ano puxei o freio de mão na folia. Pulei, mas não exagerei coisa de quem passou dos 40 e fica com os pés doendo. Daí, deu para assistir um pouco de carnaval televisivo, na Band inclusive. O resultado é uma coisa sem graça. Os shows do Marco Zero são uma concessão, algo mais próximo daquilo que as TVs estão acostumadas a colocar no ar. Mas a emissora não passa nem perto da realidade das ruas do bairro, com blocos e mais blocos diferentes desfilando a toda hora, pessoas se divertindo, crianças brincando.</p><p>A Band é salva por um repórter inteligente que, ao menos aparentemente, respeita seus entrevistados. O desempenho dos demais é constrangedor, visivelmente não conseguem compreender as diferenças de sotaque e de cultura. A atitude desse pessoal é similar a dos colonizadores britânicos, dispostos a capturar seres exóticos para mostrar a Rainha Vitória. A realeza aqui é a egoísta, alienada e provinciana classe média paulistana, uma turma que conheço dos meus anos em Sampa. Gente que lê Veja e acha uma grande coisa.</p><p>Aposto que, sem a grana do Governo do Estado, a Band já teria abandonado sua aventura olindense com o rabo entre as pernas.</p><p>Pelo andar da carruagem, os produtores de TV ainda vão passar anos repetindo o mantra de que “o carnaval de Olinda é muito diferente, muito criativo, mas não rende imagens” e “não é bom para a TV”. Significa que não será embalado para produto. O mais curioso é que há uma contradição nisso: um evento de massa indigesto para um meio de comunicação de massa.</p><p>O motivo da minha satisfação é que, quando a TV transforma alguma coisa feita pelo povo em mercadoria, transforma tudo que está ao redor. Para servir com ilustração, vou contar uma historinha que escutei na terça-feira de carnaval da boca do meu amigo Edson, carioca de Marechal Hermes e portelense. Edson e sua mulher Ivete, passista da Salgueiro na juventude. O casal não suporta mais o desfile das escolas de samba e decidiram conhecer o carnaval de Olinda.</p><p>Edson contou o que sabe e o que já ouviu falar dos bastidores da escolha de um samba-enredo no Rio. É uma coisa grotesca, que nada tem a ver com arte ou folia e sim com corrupção. Para ter o direito de colocar seu samba para concorrer, só isso, um compositor precisa gastar quase R$ 100 mil, grana para comprar dezenas de mesas na quadra da escola nos dias do concurso, para molhar a mão dos músicos e evitar que a bateria atravesse seu samba, comprar jurados.</p><p>Quem não tem o dinheiro, arruma patrocinadores que exigem a inclusão do nome de um filho, sobrinho ou do próprio diretor da empresa como parceiro na autoria do samba. Em algumas escolas, o presidente exige que o vencedor pague metade dos direitos autorais que a gravadora Som Livre repassa para a Liga das Escolas de Samba.</p><p>Na opinião de Edson, o dinheiro da TV transformou tudo e todos em mercadoria. Em  Olinda e no Recife, ainda não conseguiram.</p><p>E acho é pouco.</p><div class="addthis_toolbox addthis_default_style " addthis:url='http://www.caotico.com.br/a-ingloria-peleja-do-demonio-da-telinha-contra-o-carnaval-de-rua/' addthis:title='A inglória peleja do demônio da telinha contra o carnaval de rua '  ><a class="addthis_button_facebook_like" fb:like:layout="button_count"></a><a class="addthis_button_tweet"></a><a class="addthis_button_google_plusone" g:plusone:size="medium"></a><a class="addthis_counter addthis_pill_style"></a></div>]]></content:encoded> <wfw:commentRss>http://www.caotico.com.br/a-ingloria-peleja-do-demonio-da-telinha-contra-o-carnaval-de-rua/feed/</wfw:commentRss> <slash:comments>16</slash:comments> </item> <item><title>Uma chance para a democracia (ou Todo Cuidado com Hélio Costa é Pouco)</title><link>http://www.caotico.com.br/todo-cuidado-com-helio-costa-e-pouco/</link> <comments>http://www.caotico.com.br/todo-cuidado-com-helio-costa-e-pouco/#comments</comments> <pubDate>Thu, 12 Nov 2009 09:48:45 +0000</pubDate> <dc:creator>Inácio França</dc:creator> <category><![CDATA[Leituras Caóticas]]></category> <category><![CDATA[banda larga]]></category> <category><![CDATA[Carta Capital]]></category> <category><![CDATA[democratização da comunicação]]></category> <category><![CDATA[democratização da informação]]></category> <category><![CDATA[Hélio Costa]]></category> <category><![CDATA[internet]]></category> <category><![CDATA[Ministério do Planejamento]]></category> <category><![CDATA[Rede Globo]]></category><guid isPermaLink="false">http://www.caotico.com.br/?p=499</guid> <description><![CDATA[Estou em casa repousando, depois de um ataque de cólicas renais, a pior dor que senti em minha vida. Corrijo: a segunda pior. A queda para a terceira divisão em 2007 me prejudicou mais. Quando algum médico me manda repousar, costumo seguir o conselho ao pé da letra. Nem passa pela minha cabeça desobedecer, já [...]<div class="addthis_toolbox addthis_default_style " addthis:url='http://www.caotico.com.br/todo-cuidado-com-helio-costa-e-pouco/' addthis:title='Uma chance para a democracia (ou Todo Cuidado com Hélio Costa é Pouco) '  ><a class="addthis_button_facebook_like" fb:like:layout="button_count"></a><a class="addthis_button_tweet"></a><a class="addthis_button_google_plusone" g:plusone:size="medium"></a><a class="addthis_counter addthis_pill_style"></a></div>]]></description> <content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignleft size-thumbnail wp-image-500" title="saybercafe" src="http://www.caotico.com.br/wp-content/uploads/2009/11/saybercafe-140x150.png" alt="saybercafe" width="140" height="150" />Estou em casa repousando, depois de um ataque de cólicas renais, a pior dor que senti em minha vida. Corrijo: a segunda pior. A queda para a terceira divisão em 2007 me prejudicou mais.</p><p>Quando algum médico me manda repousar, costumo seguir o conselho ao pé da letra. Nem passa pela minha cabeça desobedecer, já não gosto de trabalhar, quanto mais com recomendação médica. Saí do hospital escolhendo qual DVD da minha coleção pirata iria assistir hoje, na possibilidade de avançar no livro de Milton Hatoum e de atualizar a leitura da <a href="http://www.cartacapital.com.br">Carta Capital</a>. Só não fiz tudo isso porque o analgésico que me mandaram tomar dá um sono danado.</p><p>A Carta Capital é a única publicação que assino, por isso faço um esforço imenso para não desperdiçar dinheiro deixando a revista intacta em algum canto da casa, para me informar e tentar transformar informação em conhecimento, minha opção é sempre pelos blogs e sites disponíveis na web. E foi exatamente uma matéria a respeito das perspectivas do acesso à banda larga no interior do Brasil, publicada na edição da semana passada (vejam como estou atrasado), que me motivou a atualizar o Caótico com essa “elocubração”.</p><p>O texto assinado pelo repórter André Siqueira revela a intenção do presidente Lula de iniciar um grande programa para interiorizar e democratizar o acesso à Internet, mas informa que as coisas ainda não saíram do papel por causa de uma disputa interna na Esplanada dos Ministérios. De um lado, está o eterno funcionário da família Marinho, o ministro das Comunicações, o senhor Hélio Costa. Do outro, o secretário de Tecnologia de Informação do Ministério do Planejamento, o menos conhecido Rogério Santanna.</p><p>Cada um apresentou sua proposta ao presidente.</p><p>O plano de Hélio Costa é todo fundamentado nas grandes operadoras de telefonia do País: a Oi, Embratel, Telefônica, Vivo, Claro e a Tim. Essa turma investiria R$ 16 bi para criar 30 milhões de conexões Brasil afora. A matéria não diz, mas duvido que esse dinheiro saía dos bolsos das empresas. Aposto que para variar estão de olho no caixa do BNDES.</p><p>O ex-repórter da Rede Globo batizou sua proposta de Plano Nacional de Banda Larga, mas as empresas só garantem conexões de 250 k a 1 Mega, aquele serviço caro e ruim que conhecemos nas capitais. A proposta finge ignorar o fato de que as Nações Unidas só consideram Banda Larga as conexões com mais de 2 Mega. Queria ter a cara-de-pau desse ministro.</p><p>A proposta do Ministério do Planejamento é completamente diferente. A ideia é usar os 31 mil quilômetros das redes de fibra ótica das empresas estatais de energia (Eletrobrás e Chesf, por exemplo) para levar internet de altíssima velocidade às instituições públicas, telecentros não-governamentais, universidades federais e escolas da rede de pública de ensino. O custo dessa empreitada, segundo a Carta Capital, seria de 1,3 bi.</p><p>As conexões domésticas ou das empresas das cidades do interior ficariam sob responsabilidade de pequenas empresas, sim porque ainda existem no Brasil pequenas empresas de internet que resistem ao poder das gigantescas e ineficientes teles.</p><p>A disputa não é pessoal. Não há vaidades em jogo. As duas propostas refletem modos diferentes de encarar o mundo e a sociedade.</p><p>Hélio Costa defende, de uma só vez, os interesses das grandes empresas de telefonia e dos latifundiários da comunicação. Se o presidente Lula optar pela sua proposta, irá garantir os negócios e os privilégios de empresas como a monstruosa Oi, que fornece seu serviço Velox e o usuário que se lasque para pagar ou reclamar.</p><p>Ao mesmo tempo, com serviços pagos a peso de ouro de, no máximo, 1 Mega, o poder de influência das TV e das rádios ganharia uma sobrevida. O que uma coisa tem a ver com a outra? Esse conflito está diretamente relacionado à luta pelo poder de continuar ditando as regras da formação cultural e política da sociedade.</p><p>Com uma internet lenta como quer Hélio Costa, a revolução das redes sociais e das lan houses estaria sob contenção, ainda continuaria difícil assistir a filmes e vídeos no computador. Esse direito continuaria privatizado para poucos, ou seja, pelo menos durante mais algum tempo permaneceria exclusivo das famílias Marinho, Sirotski, Saad, de Silvio Santos, do bispo Macedo e dos seus cúmplices regionais, como Paes Mendonça aqui em Pernambuco, Maiorana lá no Pará ou os Magalhães na Bahia.</p><p>Se, com conexões lentas, rapazes e moças do interior do Brasil já lotam as lan houses em horário nobre, imaginem como ficaria a audiência da novela e do Jornal Nacional se essa moçada puder assistir coisa melhor ou disponibilizar para o mundo seus próprios vídeos produzidos na escola?</p><p>Para se ter ideia do potencial da internet com acesso rápido, vale citar uma pesquisa da Vox Populi, cujos resultados foram comentados por meu amigo Marco Bahé no <a href="http://acertodecontas.blog.br/atualidades/vox-populi-sites-e-blogues-superam-revistas-e-jornais/">Acerto de Contas</a>: 56% dos entrevistados afirmaram que sua principal fonte de informação ainda é a TV, porém a mídia que aparece em segundo lugar, com mais de 20% de citações como principal fonte de informação, são os sites e blogs. Os jornais, cada vez mais insignificantes, foram citados por apenas 10% das pessoas entrevistadas.</p><p>Percebo que o plano do Ministério do Planejamento pode causar uma ferida mortal e purulenta no latifúndio virtual, pois encara a comunicação como um direito público a ser garantido para todos e não como um negócio que só pode tocado por alguns poucos. O acesso rápido possibilitará que escolas e universidades públicas troquem informações com outras instituições do mundo todo fazendo ligações pela internet, economizando na conta telefônica (olha aí o ministro defendendo os interesses das teles).</p><p>Além disso, a proposta pode gerar renda e emprego com centenas de empresas locais investindo em tecnologia e serviços confiáveis em localidades no Semi-árido nordestino ou à margem dos grandes rios amazônicos.</p><p>Por tudo isso, temos que ficar de olho em qual será a decisão do presidente da República, precisamos usar o poder dos blogs e dos sites para que mais gente saiba do que está acontecendo e pode vir a acontecer. Sinceramente, creio que essa é uma informação que vale a pena passar adiante, pois dificilmente esse tema terá espaço na mídia corporativa, nós que povoamos a internet é que temos a obrigação de tocar essa discussão.</p><ul><li><a href="http://www.cartacapital.com.br/app/materia.jsp?a=2&amp;a2=7&amp;i=5401"><strong>Para ler a matéria da Carta Capital na íntegra, clique aqui</strong></a></li></ul><div class="addthis_toolbox addthis_default_style " addthis:url='http://www.caotico.com.br/todo-cuidado-com-helio-costa-e-pouco/' addthis:title='Uma chance para a democracia (ou Todo Cuidado com Hélio Costa é Pouco) '  ><a class="addthis_button_facebook_like" fb:like:layout="button_count"></a><a class="addthis_button_tweet"></a><a class="addthis_button_google_plusone" g:plusone:size="medium"></a><a class="addthis_counter addthis_pill_style"></a></div>]]></content:encoded> <wfw:commentRss>http://www.caotico.com.br/todo-cuidado-com-helio-costa-e-pouco/feed/</wfw:commentRss> <slash:comments>6</slash:comments> </item> <item><title>A crise do Senado sob a ótica de Emir Sader</title><link>http://www.caotico.com.br/a-crise-do-senado-sob-a-otica-de-emir-sader/</link> <comments>http://www.caotico.com.br/a-crise-do-senado-sob-a-otica-de-emir-sader/#comments</comments> <pubDate>Thu, 13 Aug 2009 03:14:29 +0000</pubDate> <dc:creator>Inácio França</dc:creator> <category><![CDATA[Elocubrações]]></category> <category><![CDATA[Carta Capital]]></category> <category><![CDATA[comunicação]]></category> <category><![CDATA[democracia]]></category> <category><![CDATA[Emir Sader]]></category> <category><![CDATA[Jornal Nacional]]></category> <category><![CDATA[Rede Globo]]></category> <category><![CDATA[Sarney]]></category> <category><![CDATA[Senado]]></category><guid isPermaLink="false">http://www.caotico.com.br/?p=277</guid> <description><![CDATA[A crise no Senado acabou hoje, com um cândido pedido de desculpas de Tasso Jereissati por ter batido boca com Renan Calheiros. 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Depois, na frente das câmaras de TV, todos afirmaram que nunca jamais deus-me-livre-e-guarde houve qualquer tipo de acordo para encerrar o tiroteio.</p><p>Se Tasso Jereissati foi cândido, a cobertura do principal telejornal da maior rede de TV do País foi cômica: vários senadores de oposição, situação e o presidente do conselho de ética afirmaram categoricamente que não houve acordo nenhum para salvar a pele de uns e de outros. Reparem bem na primeira linha desse parágrafo. Não estou dizendo que os senadores foram cômicos, cômico foi o Jornal Nacional.</p><p>De repente, desapareceu todo o furor investigativo dos repórteres da Globo. Nada de gravações clandestinas, nem suposições, nem documentos sigilosos. Coloca-se no ar as rápidas falas das partes em conflito e finge-se respeito às normas mais básicas do Jornalismo, aquela do ouvir todas as partes. Então, escapa-se do constrangimento de dizer que os heróis midiáticos da oposição fizeram um acordo com os demônios aliados do Governo. Ficam poupados assim aqueles senadores sempre prontos a dar as declarações bombásticas que o dono da TV está doido para colocar no ar. Evita-se também afirmar que os sujeitos que estavam jogando pedra tinham um telhado de vidro do tamanho do mundo.</p><p>Não foi para ler as entrelinhas do telejornal que sentei diante do computador, mas sim para compartilhar a coisa mais interessante que li na mídia sobre a crise do Senado. Foi na <em>Carta Capital</em>, no finalzinho da matéria intitulada “Destinos entrelaçados”, exatamente sobre a crise.</p><p>Da mesma forma que os blogueiros mais bem informados, a <em>Carta Capital</em> – a única revista que leio e assino – também tratou a tal crise como uma disputa política e não como uma luta pela ética e contra a corrupção, como querem nos fazer acreditar os veículos de comunicação do “clube” das famílias donas das maiores empresas de mídia. Porém, a <em>Carta</em>, em matéria assinada pela repórter Cynara Menezes foi além por um mísero, porém significativo detalhe: ela ouviu a opinião do sociólogo Emir Sader (foto).</p><p style="text-align: left;"><img class="alignnone size-medium wp-image-279" title="Emir_Sader" src="http://www.caotico.com.br/wp-content/uploads/2009/08/Emir_Sader-238x350.jpg" alt="Emir_Sader" width="119" height="176" /></p><p>E o que disse Sader?</p><p>Resumindo, falou que mudança de verdade no Legislativo só acontecerá de cima para baixo, ou de fora para dentro. Moralização, transparência, transformação no modo de fazer política, só vai acontecer quando o eleitor assim decidir. E o eleitor só irá votar melhor, com mais educação, mais consciência. Lula tem que apelar para Sarney e para o PMDB porque os eleitores garantiram o mandato dessa turma.</p><p>O irônico é que, com mais educação, os eleitores votarão em gente que irá dar dor-de-cabeça aos donos das empresas de mídia, que não têm e nunca tiveram qualquer compromisso com ética e moralidade. O que eles querem é garantir governantes e políticos que morram de medo de manchetes negativas e que nem sonhem em liberar novas concessões para novas emissoras controladas por atores sociais capazes de democratizar a comunicação, além de oferecer alternativas para o público e para o mercado publicitário.</p><p>Acredito que alguns jovens repórteres deslocados para coberturas de crise como essa do Senado até podem imaginar que estão defendendo a “ética e a moral”. Mas isso é só arrogância mesmo. Talvez nem passe pelas suas cabeças que jornalista não é agente de transformação social coisíssima nenhuma. Repito o que disse Emir Sader: mudanças de verdade, pra valer, em qualquer um dos três poderes, só de baixo para cima.</p><ul><li><a href="http://www.cartamaior.com.br/templates/blogMostrar.cfm?blog_id=1">Blog de Emir Sader</a></li><li><a href="http://www.cartacapital.com.br">Site da Carta Capital</a></li></ul><div class="addthis_toolbox addthis_default_style " addthis:url='http://www.caotico.com.br/a-crise-do-senado-sob-a-otica-de-emir-sader/' addthis:title='A crise do Senado sob a ótica de Emir Sader '  ><a class="addthis_button_facebook_like" fb:like:layout="button_count"></a><a class="addthis_button_tweet"></a><a class="addthis_button_google_plusone" g:plusone:size="medium"></a><a class="addthis_counter addthis_pill_style"></a></div>]]></content:encoded> <wfw:commentRss>http://www.caotico.com.br/a-crise-do-senado-sob-a-otica-de-emir-sader/feed/</wfw:commentRss> <slash:comments>0</slash:comments> </item> <item><title>Judiciário e Mídia: duas faces do Poder e da corrupção</title><link>http://www.caotico.com.br/judiciario-e-midia-as-duas-faces-do-poder-e-da-corrupcao/</link> <comments>http://www.caotico.com.br/judiciario-e-midia-as-duas-faces-do-poder-e-da-corrupcao/#comments</comments> <pubDate>Thu, 16 Jul 2009 03:20:39 +0000</pubDate> <dc:creator>Inácio França</dc:creator> <category><![CDATA[Leituras Caóticas]]></category> <category><![CDATA[Belém]]></category> <category><![CDATA[Idelber Avelar]]></category> <category><![CDATA[Lúcio Flávio Pinto]]></category> <category><![CDATA[Maiorana]]></category> <category><![CDATA[Mídia]]></category> <category><![CDATA[O Liberal]]></category> <category><![CDATA[Pará]]></category> <category><![CDATA[Rede Globo]]></category><guid isPermaLink="false">http://www.caotico.com.br/?p=191</guid> <description><![CDATA[O texto abaixo foi enviado por uma amiga que mora em Belém e que me pediu para repercutir por aqui. A estruturas do poder no Pará são dominadas por madeireiros, contrabandistas, traficantes de droga e pistoleiros de aluguel a serviço dos três primeiros. A mídia local e o Poder Judiciário desempenham papéis complementares para a [...]<div class="addthis_toolbox addthis_default_style " addthis:url='http://www.caotico.com.br/judiciario-e-midia-as-duas-faces-do-poder-e-da-corrupcao/' addthis:title='Judiciário e Mídia: duas faces do Poder e da corrupção '  ><a class="addthis_button_facebook_like" fb:like:layout="button_count"></a><a class="addthis_button_tweet"></a><a class="addthis_button_google_plusone" g:plusone:size="medium"></a><a class="addthis_counter addthis_pill_style"></a></div>]]></description> <content:encoded><![CDATA[<p><strong><img class="size-full wp-image-192 alignleft" title="antenanorte-para4" src="http://www.caotico.com.br/wp-content/uploads/2009/07/antenanorte-para4.JPG" alt="antenanorte-para4" width="243" height="164" />O texto abaixo foi  enviado por uma amiga que mora em Belém e que me pediu para repercutir por aqui. A estruturas do poder no Pará são dominadas por  madeireiros, contrabandistas, traficantes de droga e pistoleiros de aluguel a serviço dos três primeiros. A mídia local e o Poder Judiciário desempenham papéis complementares para a manutenção desse poder.</strong></p><p><strong>Em conversas com colegas razoavelmente bem informados, que trabalham na Imprensa pernambucana, fico surpreso quando escuto alguns deles se referindo a decisões judiciais como resultado da neutralidade e da interpretação objetiva das leis. Como podem acreditar que um Poder tão hermético, blindado e inacessível pode ser mais &#8220;limpo&#8221; que o Executivo e o Legislativo, nos quais seus representantes precisam, ao menos, ser submetidos ao voto de vez em quando?</strong></p><p><strong>Com vocês, o texto de Idelber Avelar, do blog <a href="http://www.idelberavelar.com">Biscoito Fino e a Massa</a> sobre o jornalista Lúcio Flávio Pinto, que investigou as origens da fortuna e do poder da família Maiorana, proprietária do grupo de comunicação O Liberal, parceiros da Rede Globo no Pará.</strong></p><p>Prepare-se, caro leitor, para outro mergulho no Brasil profundo. Lúcio Flávio Pinto talvez seja hoje o jornalista mais respeitado e destemido da Região Norte. Ele é o solitário redator do Jornal Pessoal, empreitada independente, que não aceita anúncios, tem tiragem quinzenal de 2 mil exemplares e mesmo assim provoca um fuzuê danado entre os poderosos, dada a coragem com que Lúcio investiga falcatruas e crimes.</p><p>Lúcio já ganhou quatro prêmios Esso. Recebeu também dois prêmios da Federação Nacional dos Jornalistas em 1988, por suas matérias dedicadas ao assassinato do ex-deputado Paulo Fonteles e à violenta manifestação de protesto dos garimpeiros de Serra Pelada. Em 1997, ele recebeu o Colombe d’Oro per la Pace, um dos mais importantes prêmios jornalísticos da Itália. Em 1987,foi o jornalista que investigou o rombo de 30 milhões de dólares no Banco</p><p>da Amazônia, por uma quadrilha chefiada pelo presidente interino do bancoe procurador jurídico do maior jornal local, O Liberal.</p><p>Há 17 anos, os representantes paraenses da corja comandada pela família Marinho perseguem-no de forma implacável. Ronaldo Maiorana, dono (junto com seu irmão, Romulo Maiorana Jr.) do Grupo Liberal, afiliado à Rede Globo de Televisão, emboscou Lúcio por trás, num restaurante, espancou-o com a ajuda de dois capangas da Polícia Militar, contratados nas suas horas vagas e depois promovidos na corporação. O espancamento,crime de covardia inominável, só rendeu a Maiorana a condenação a doar algumas cestas básicas.</p><p>Alguns meses depois da agressão, Lúcio foi convidado pelo jornalista Maurizio Chierici a escrever um artigo para um livro a ser publicado na Itália. O texto , eminentemente jornalístico, relatava as origens do grupo Liberal. Em determinado momento, dentro de um contexto bem mais amplo, ele fez referência às atividades de Maiorana pai no contrabando,prática bem comum, aliás, na Região Norte na época. Como se pode depreender da leitura do artigo, nada ali tinha cunho calunioso, posto que – uma vez processado &#8211;, Lúcio anexou aos autos toda a documentação que provava a veracidade do que afirmava.</p><p>O obra investigativa de Lúcio fala por si própria: veja a qualidade da prosa e da pesquisa que informa o trabalho de Lúcio e julgue você mesmo. O que ele oferece em seus textos,entre muitas outras coisas, é a documentação, história e raízes daquilo que é sabido até mesmo pelos mosquitos do mercado Ver-o-Peso: que n&#8217;O Liberal só se publica aquilo que é de interesse da corja dos Marinho.</p><p>Mas eis que chega do Pará a estranha notícia de que o juiz Raimundo das Chagas, titular da 4ª vara cível de Belém, condenou Lúcio a pagar a soma de 30 mil reais aos irmãos Maiorana – representantes paraenses, lembrem-se, da organização comandada pelos Marinho. Lúcio também foi</p><p>condenado a pagar as custas processuais e os honorários advocatícios. A pérola de justificativa do juiz fala do “bom lucro” de um jornal artesanal, de tiragem de 2 mil exemplares por quinzena. Ainda por cima, o juiz proíbe Lúcio de usar “qualquer expressão agressiva, injuriosa, difamatória e caluniosa contra a memória do extinto pai dos requerentes e contra a pessoa destes”, o que constitui, segundo entendo, extrapolação característica de censura prévia contrária à Constituição Federal.</p><p>O juiz fundamenta sua decisão dizendo que Lúcio havia “se envolvido em grave desentendimento” com eles. É a velha praga do eufemismo: um espancamento pelas costas se transforma em “desentendimento”. A reação de Lúcio à sentença pode ser lida nesse texto.</p><p>O Biscoito se solidariza com Lúcio, coloca o site à disposição para o que for necessário &#8211; inclusive para a publicação de qualquer material objeto de censura prévia – e suspira de cansaço ao fazer outro post que mais parece autoplágio, dada a tediosa repetição desses absurdos. Resta a pergunta: até quando os Frias, Marinho, Civita, Mesquita e seus comparsas vão manter esse poder criminoso Brasil afora?</p><div class="addthis_toolbox addthis_default_style " addthis:url='http://www.caotico.com.br/judiciario-e-midia-as-duas-faces-do-poder-e-da-corrupcao/' addthis:title='Judiciário e Mídia: duas faces do Poder e da corrupção '  ><a class="addthis_button_facebook_like" fb:like:layout="button_count"></a><a class="addthis_button_tweet"></a><a class="addthis_button_google_plusone" g:plusone:size="medium"></a><a class="addthis_counter addthis_pill_style"></a></div>]]></content:encoded> <wfw:commentRss>http://www.caotico.com.br/judiciario-e-midia-as-duas-faces-do-poder-e-da-corrupcao/feed/</wfw:commentRss> <slash:comments>2</slash:comments> </item> </channel> </rss>
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