<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?> <rss version="2.0" xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/" xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/" xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/" xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom" xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/" xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/" ><channel><title>Caótico &#187; romance noir</title> <atom:link href="http://www.caotico.com.br/tags/romance-noir/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" /><link>http://www.caotico.com.br</link> <description>Espaço de leituras,  histórias &#38; especulações &#124; Por Inácio França</description> <lastBuildDate>Wed, 08 Feb 2012 13:36:43 +0000</lastBuildDate> <language>en</language> <sy:updatePeriod>hourly</sy:updatePeriod> <sy:updateFrequency>1</sy:updateFrequency> <xhtml:meta xmlns:xhtml="http://www.w3.org/1999/xhtml" name="robots" content="noindex" /> <item><title>Raymond Chandler e as neblinas suspeitas</title><link>http://www.caotico.com.br/raymond-chandler-e-as-neblinas-suspeitas/</link> <comments>http://www.caotico.com.br/raymond-chandler-e-as-neblinas-suspeitas/#comments</comments> <pubDate>Wed, 17 Aug 2011 20:54:03 +0000</pubDate> <dc:creator>Inácio França</dc:creator> <category><![CDATA[Loucos por livros]]></category> <category><![CDATA[biografia de escritores]]></category> <category><![CDATA[ficção policial]]></category> <category><![CDATA[literatura norte-americana]]></category> <category><![CDATA[literatura policial]]></category> <category><![CDATA[romance noir]]></category><guid isPermaLink="false">http://www.caotico.com.br/?p=1531</guid> <description><![CDATA[por Arsênio Meira Júnior À beira do abismo noir alguns tópicos singulares merecem nossa atenção. 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Exemplos? Dashiell Hammett parou de escrever aos quarenta anos; Raymond Chandler, seu maior pupilo, começou aos 45. Hammett levou uma vida digna de um seriado; a de Chandler, durante muito tempo, foi tão emocionante quanto uma ata de reunião do condomínio. Hammett freqüentou o submundo sobre o qual escrevia; Chandler esmiuçou esse submundo sem o conhecer nem por cartão-postal.</p><p>Na verdade, Chandler não queria maiores intimidades com esse ambiente, que considerava sórdido demais até para os soldados do Exército da Salvação. Por isso, criou um personagem lendário, o detetive Philip Marlowe, com um caráter e um modus operandi igualmente impermeáveis, e o mandou em seu lugar.</p><p>Com todas essas diferenças entre si – como o gim e o vermute – Hammett e Chandler fizeram uma revolução no romance policial: Hammett, com o <em>Falcão Maltes </em>(1930); Chandler, com o <em>Sono Eterno </em>(1939) e os outros seis fabulosos romances estrelados por Philip Marlowe. Hammett fez primeiro, mas Chandler – defendo eu – fez melhor.</p><p>Tão melhor que, graças a ele, a literatura do século 20 começou a exonerar o ranço com o qual os intelectuais de polainas apontavam o romance policial como o primo inconveniente do subúrbio. Logo, começaram a convidá-lo a entrar para a sala de jantar.</p><p>No caso de Chandler, o soco-inglês nem precisou ser revestido de ouropel. Ao contrário de Hammett, que desistiu de tudo, Chandler cuidou pessoalmente para que seus livros fossem respeitados e, quando morreu, em 1959, aos 71 anos, tinha fãs nos altos escalões da inteligência.</p><p>Analogias que pegariam mal na literatura alheia, soam como música na “voz” do detetive Philip Marlowe, seu protagonista-narrador por excelência. “O álcool é como o amor”, diz ele. “O primeiro beijo é mágico, o segundo, sugestivo, o terceiro já é rotina. Depois disso, você tira a roupa da moça.” Se o estilo é assim, afiado, não há estereótipo que estrague a diversão do leitor.<em></em></p><p>O temível Edmundo Wilson, que estava se lixando para saber quem matou ou quem não matou Roger Ackroyd, escreveu que os livros de Chandler “pertenciam às prateleiras mais sérias” das <strong><em>e</em></strong>stantes; o (grande) poeta W.H Auden disse que eles deveriam ser lidos “não como literatura escapista, mas como obras de arte”; e os homens das cavernas universitárias até hoje não param de escavar o seu pensamento – sim, ele tinha um.</p><p>Os críticos não sabiam, e por ignorância e preconceito perderam (mais uma vez) o bonde da História.</p><p>Raymond Chandler foi uma das grandes personalidades da literatura americana do século XX.  Pontificou no gênero policial noir, uma vertente, digamos assim, mais intimista e realista do que aquele tipo de literatura de “crime e mistério” que surgiu com Poe, Conan Doyle e Chesterton e que teve seguidores célebres como Agatha Christie, Ruth Rendell, Rex Stout.</p><p>Chandler e seu mestre Dashiell Hammett desprezavam comparações com os seus colegas de ofício. Seus romances não tinham como elemento-chave o investigador super arguto e suas deduções geniais.</p><p>Em vez de um elegante Hercule Poirot, de um curioso Padre Brown, um impressionante Sherlock ou seu pai literário, o inspetor Dupin, de Edgar Alan Poe, o que se vê lá pela página sete são homens comuns (ou quase) tentando ganhar a vida trabalhando por “25 dólares por dia, mais despesas”.</p><p>Raymond Thornton Chandler nasceu a 23 de Julho de 1888 em Chicago, Illinois nos Estados Unidos. O pai bebia muito e sumiu de vista quando o menino tinha apenas seis anos, fazendo com que a família se mudasse para a Inglaterra. O que acabou não sendo mau negócio.</p><p>Chandler passava verões solitários na Irlanda, freqüentava a Igreja Anglicana e ia à escola. Aos doze anos, estudava matemática, latim, francês, música, teologia e história inglesa no Dulwich College. Jogava rúgbi e críquete e, algum tempo depois, dedicou-se também a aprender alemão e espanhol. Com quinze anos, passava horas lendo Virgílio, Cícero, Ovídio, Tucídides, Platão, Aristófanes e o Evangelho de São Marcos. Tudo no original. Até hoje não se sabe como Chandler conseguiu escapar do sacerdócio ou da clausura dos monges eremitas.</p><p>Adulto, passou a virar-se como podia: trabalhou como funcionário público na Marinha e depois como jornalista, escrevendo poemas e artigos aborrecidos sobre assuntos de política européia.  Voltou aos Estados Unidos para encarar o trabalho manual em um rancho de damascos, e conseguiu – sabe-se lá como &#8211; consertar raquetes de tênis.</p><p>Como bom filho, tão somente após o óbito de sua querida mãe, se envolveu dantescamente com Cissy Pascal, uma mulher mais velha – e, digamos, de vanguarda (ela posava nua e virava noites bebendo e dançando) – com quem acabaria se casando algum tempo depois.</p><p>O casamento trouxe-lhe responsabilidades. Começou a trabalhar como contador e foi logo promovido a um cargo importante de vice-presidência.</p><p>A partir daí, tudo apontava o futuro de uma vida tranqüila, mas a bebida, o assédio constante às mulheres do trabalho e as conseqüências econômicas devastadoras da Grande Depressão ( o pipoco da bolsa de valores dos EUA em 1929) fizeram com que ele acabasse sumariamente demitido.</p><p>Foi exatamente neste ponto do ano de 1933, com quarenta e cinco anos e sem um dólar furado no bolso, que Raymond Chandler decidiu escrever histórias de detetive para sobreviver. As “pulp magazines” da época pagavam razoavelmente bem, de maneira que ele passou a se dedicar febril e intensamente ao ofício de tecer a ficção.</p><p>O que não foi nada fácil, a princípio. Ninguém gosta de lidar com as próprias limitações e Chandler também teve de passar por esse processo nada prazeroso – mas essencial – de entender que a sua educação clássica e os anos cosmopolitas na Europa não o habilitavam automaticamente a produzir uma boa história.</p><p>Assim, humildemente (ou quase), mergulhou nos grandes autores ingleses e franceses, buscando também conhecer toda a parte técnica do escuso mundo dos crimes; mundo este que lhe era tão familiar quanto a peculiar biologia das moscas drosófilas. Não obstante, lia grossos tomos de medicina legal e direito criminal, pesquisava detalhes sobre armas e, em pouco tempo, familiarizou-se com os procedimentos policiais de rotina.</p><p>E o fato é que toda essa dedicação acabou lhe dando muito mais bagagem do que a média descartável dos escritores que contribuíam para as revistas pulp. Os editores da Black Mask ficaram espantados com a qualidade e o perfeccionismo do primeiro manuscrito encaminhado.</p><p>Até a sua datilografia era irretocável, sem uma rasura sequer. Foram imediatamente encomendados mais textos e o resto é história: Raymond Chandler emplacaria 10 contos na revista, tornando-se em pouco tempo o seu colaborador mais importante.</p><p>Em 1938, percebeu o óbvio ululante: urgia escrever um romance. E Chandler não fugiu da dividida, pois assinou, de prima, <em>O Sono Eterno</em>, o primeiro dos sete romances que imortalizariam o detetive Philip Marlowe. Seguiriam <em>Adeus, minha adorada</em>, publicado em 1940, J<em>anela para a morte</em>, 1942, <em>A dama do Lago</em>, 1943, <em>A irmãzinha</em>, 1949, <em>O longo adeus</em>, em 1953 e <em>Playback</em> sua obra crepuscular.</p><p>Com o sucesso dos contos publicados na Black Mask e o êxito nas vendas do seu primeiro romance, Raymond Chandler passou a ser bastante conhecido no meio dos escritores populares.</p><p><a href="http://www.caotico.com.br/wp-content/uploads/2011/08/PhilipMarlowe_S1.jpg"><img class="alignright size-medium wp-image-1533" title="PhilipMarlowe_S1" src="http://www.caotico.com.br/wp-content/uploads/2011/08/PhilipMarlowe_S1-243x350.jpg" alt="" width="184" height="264" /></a>Em 1941, vendeu para Hollywood os direitos de <em>Adeus, minha adorada</em>, e iniciou um tempestuoso relacionamento com os estúdios de cinema.</p><p>Foi contratado pela Paramount para colaborar em um roteiro com o mítico Diretor Billy Wilder e, de cara, as coisas acabaram não dando lá muito certo. Raymond era controlador e já chegou querendo dar palpites sobre tudo: da iluminação à cenografia e aos movimentos de câmera. Wilder, que era controlador e meio, o chamou de idiota, e por uns instantes os sismógrafos tremeram.</p><p>Wilder ficou furioso e a relação caminhou aos trancos a partir dali. Ele irritava-se com a fumaça do cachimbo de Chandler, que em contrapartida queria apenas partir em mil pedaços a varinha de bambu que Wilder girava entre os dedos enquanto caminhava, durante as longas reuniões de trabalho.</p><p>Mas o cinema pagava fábulas em dólares, e Chandler, com o nariz tapado, serviria ainda de consultor a Howard Hawks na adaptação de <em>O Sono Eterno</em>, que teve a atuação de Humphrey Bogart como Philip Marlowe, embora viesse a sustentar anos depois a opinião de que Cary Grant seria o ator perfeito para representar o seu detetive no cinema. (Em 1950, chegou também a ser contratado por Alfred Hitchcock, que em pouco tempo percebeu o problema em que havia se metido e, sem suspense algum, o fez substituir por alguém menos genioso.)</p><p>Habilidoso na construção de personagens plausíveis, misteriosos e enigmáticos, e em meio ao tonel de situações corrompidas que ele via escorrer mundo afora, não se curvou à vitória do mal: alguém precisava pagar pelos pecados alheios e trancafiar os pecadores nas masmorras da justiça, nem que fosse por vinte e cinco dólares ao dia, mais despesas para o café e o cigarro.</p><p>Em meio a um universo de escroques, chantagistas, pornógrafos, assassinos, cafténs, charlatões das mais variadas Escolas, ninfomaníacas, políticos e policiais cretinos, nasceu o herói que jamais se dobraria a esse profícuo cardápio humano. E foi assim que Chandler imortalizou a figura de Philip Marlowe, um cavaleiro andante moderno, tentando segurar a barra da humanidade em meio ao sangue derramado nas vielas obscuras.</p><p>Chandler era um mestre com as palavras, mas apenas isso não seria suficiente para torná-lo o grande escritor que ele efetivamente foi. Embora não desse muita importância à trama, os seus enredos eram muito bem-construídos, com suspense, ação e boas reviravoltas.</p><p>Philip Marlowe é mesmo um personagem imortal. Com os seus intocáveis 38 anos, Marlowe veste-se bem, fuma desbragadamente e bebe qualquer coisa que não seja doce (segundo Chandler, ele encararia “a oferta de crème de menthe como um insulto”).</p><p>Toma muito café – “amargo como o pecado”, e é dolorosamente íntegro, como Chandler o definiu em <em>O sono Eterno</em>; e, vale ressaltar, cobrava 25 dólares ao dia, mais despesas, mas não aceitava casos de divórcio nem sob a mira de uma escopeta. O homem acreditava piamente na instituição do casamento.</p><p>Marlowe não é um intelectual (nem teria tempo, com tanta neblina suspeita ao seu redor), mas tem cultura suficiente de uma boa formação humanista. E são deliciosas as passagens e diálogos em que cita Samuel Pepys, Proust, Shakespeare, Dante, Kafka, Scott Fitzgerald, Coleridge, Flaubert, Keats e Browning. Fala de Jung, Freud e faz pouco da psicanálise. E trata de música, de Chopin a Bach, discorrendo sobre a performance de Schnapel e Rubinstein em obras de Mozart.</p><p>Em <em>O longo adeus</em>, resume com uma facada a sua opinião da arte moderna: “Às três da manhã eu andava de um lado para o outro ouvindo Khachaturyan trabalhar em uma fábrica de tratores. Ele chamava aquilo de um concerto para violino. Eu chamava de uma correia solta e, em silêncio pensava: que o inferno acabe com ela.”</p><p>E tratava os clientes ricos a tapas e pontapés, o que levou boa parte da crítica marxista a lhe atribuir “uma certa consciência social proletária.” Chandler gargalhou em alto e bom tom, e sem maiores delongas, dizimou-os: “Agora existem pessoas me dizendo que eu tenho uma consciência social. P. Marlowe tem tanta consciência social quanto um cavalo. Ele tem consciência pessoal, o que é completamente diferente. Teve até um sujeito que me informou de que eu poderia escrever um bom romance proletário; no meu mundo limitado não existe esse animal, e se houvesse, eu seria a última pessoa no mundo a gostar dele, sendo por tradição e muito estudo um completo esnobe”.</p><p>Depois da morte da esposa Cissy, Raymond desabou definitivamente. Escrevia pouco ou quase nada e castigava seu corpo bebendo das 6 da manhã até apagar. Bebia conhaque, whisky, gim ou perfume. Vivendo entre Londres e os Estados Unidos, com a saúde em pandarecos, não resistiu a uma forte pneumonia e morreu no início da primavera de 1959.</p><p>Mas o tempo lhe foi fiel. Ao eternizar o seu grande amigo, e de certa forma, irmão gêmeo, Philip Marlowe, fez justiça ao escritor que, entre socos e pontapés, enxergou nas neblinas suspeitas o vulto de um clarão a que chamamos esperança.</p><div class="addthis_toolbox addthis_default_style " addthis:url='http://www.caotico.com.br/raymond-chandler-e-as-neblinas-suspeitas/' addthis:title='Raymond Chandler e as neblinas suspeitas '  ><a class="addthis_button_facebook_like" fb:like:layout="button_count"></a><a class="addthis_button_tweet"></a><a class="addthis_button_google_plusone" g:plusone:size="medium"></a><a class="addthis_counter addthis_pill_style"></a></div>]]></content:encoded> <wfw:commentRss>http://www.caotico.com.br/raymond-chandler-e-as-neblinas-suspeitas/feed/</wfw:commentRss> <slash:comments>6</slash:comments> </item> <item><title>Meus Lugares Escuros, na visão de Hugo Figueiredo</title><link>http://www.caotico.com.br/meus-lugares-escuros-na-visao-de-hugo-figueiredo/</link> <comments>http://www.caotico.com.br/meus-lugares-escuros-na-visao-de-hugo-figueiredo/#comments</comments> <pubDate>Fri, 26 Feb 2010 00:21:25 +0000</pubDate> <dc:creator>Inácio França</dc:creator> <category><![CDATA[Loucos por livros]]></category> <category><![CDATA[crimes misteriosos]]></category> <category><![CDATA[James Ellroy]]></category> <category><![CDATA[literatura americana]]></category> <category><![CDATA[literatura policial]]></category> <category><![CDATA[mistério]]></category> <category><![CDATA[romance noir]]></category><guid isPermaLink="false">http://www.caotico.com.br/?p=594</guid> <description><![CDATA[Depois que escrevi sobre Meus Lugares Escuros, o livro autobiográfico de James Ellroy (o mesmo sujeito que escreveu Los Angeles Cidade Proibida), o jornalista Hugo Figueiredo, diretor de comunicação da prefeitura de Olinda, ficou interessado e pediu o livro emprestado. 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Foi a deixa para eu criar uma regra do Caótico: o livro tem de ser devolvido acompanhado de um texto sobre o mesmo.</strong></p><p><strong>Essa semana, Hugo entregou seu texto de estreia no blog.</strong></p><p style="text-align: center;"><strong>*****<br /> </strong></p><p><strong><a href="http://www.caotico.com.br/wp-content/uploads/2010/02/lugares_escuros.jpg"><img class="alignright size-full wp-image-595" title="lugares_escuros" src="http://www.caotico.com.br/wp-content/uploads/2010/02/lugares_escuros.jpg" alt="" width="150" height="227" /></a>por Hugo Figueiredo</strong></p><p>Alheio a qualquer tipo de crítica profissional e sem conhecimento profundo das técnicas literárias, expresso aqui minha opinião, apenas, como mero leitor que sou.</p><p>Não posso deixar de confessar a frustração que senti em relação ao livro <em>Meus Lugares Escuros</em>, de James Ellroy.  A obra tinha tudo para ser um dos melhores romances policiais que já li na minha vida.  O escritor consegue, através de um relato autobiográfico de sua vida (perfeito, por sinal), voltar no tempo e investigar a morte de sua mãe.</p><p>Nunca tinha lido algo com tanta riqueza de detalhes como <em>Meus Lugares Escuros</em> , detalhes estes que chegavam a beirar a monotonia em alguns momentos, como nomes de bares, ruas, avenidas e pessoas, mas que terminavam se tornando imprescindíveis para dar maior veracidade a narrativa. As minúcias eram tantas que, ás vezes, me pegava dentro do livro como se estivesse vivenciado as cenas daquela história.</p><p>Neste livro, Ellroy conseguiu transmitir toda história de sua vida, seus medos, suas agonias, suas privações, suas necessidades, seus amores&#8230; E o mais importante de tudo: ter encontrado na escrita o verdadeiro sentido da vida.</p><p>Mas, voltemos ao lado do romance policial investigativo do livro. Tudo caminhava muito bem. A trama se desenrolava tudo dentro dos conformes. <em>Meus Lugares Escuros</em> conseguia fazer meus olhos arderem de tanto ler e me prendia diante das páginas, cada vez mais cheias de suspense.</p><p>Porém, já no final do livro, eis que chega minha frustração. Quando li a 448ª página pensei, por um momento, em virar a folha, mas vi que <em>Meus Lugares Escuros</em> tinha chegado ao final e que ele continuaria escuro, pelo menos até a próxima publicação. A sensação era de que tinham rasgado as últimas páginas. Coloquei as mãos sobre a cabeça e gritei: “Não acredito, quem matou a mãe desse porra?”.</p><div class="addthis_toolbox addthis_default_style " addthis:url='http://www.caotico.com.br/meus-lugares-escuros-na-visao-de-hugo-figueiredo/' addthis:title='Meus Lugares Escuros, na visão de Hugo Figueiredo '  ><a class="addthis_button_facebook_like" fb:like:layout="button_count"></a><a class="addthis_button_tweet"></a><a class="addthis_button_google_plusone" g:plusone:size="medium"></a><a class="addthis_counter addthis_pill_style"></a></div>]]></content:encoded> <wfw:commentRss>http://www.caotico.com.br/meus-lugares-escuros-na-visao-de-hugo-figueiredo/feed/</wfw:commentRss> <slash:comments>2</slash:comments> </item> <item><title>Um Sonho Americano</title><link>http://www.caotico.com.br/um-sonho-americano/</link> <comments>http://www.caotico.com.br/um-sonho-americano/#comments</comments> <pubDate>Sat, 12 Sep 2009 22:59:10 +0000</pubDate> <dc:creator>Inácio França</dc:creator> <category><![CDATA[Leituras Caóticas]]></category> <category><![CDATA[american dream]]></category> <category><![CDATA[Crime e Castigo]]></category> <category><![CDATA[New Journalism]]></category> <category><![CDATA[Norman Mailer]]></category> <category><![CDATA[Nova York]]></category> <category><![CDATA[Pulitzer]]></category> <category><![CDATA[romance noir]]></category> <category><![CDATA[Um Sonho Americano]]></category><guid isPermaLink="false">http://www.caotico.com.br/?p=358</guid> <description><![CDATA[Ainda no meio da leitura de Um Sonho Americano, já tinha duas certezas. A primeira é que eu preciso encarar os melhores livros de Norman Mailer, talvez Os Nus e os Mortos, Canção do Carrasco, Exércitos da Noite ou A Luta. A outra é que há algo de Dostoievski nesse livro. Eu xoxe se Mailer [...]<div class="addthis_toolbox addthis_default_style " addthis:url='http://www.caotico.com.br/um-sonho-americano/' addthis:title='Um Sonho Americano '  ><a class="addthis_button_facebook_like" fb:like:layout="button_count"></a><a class="addthis_button_tweet"></a><a class="addthis_button_google_plusone" g:plusone:size="medium"></a><a class="addthis_counter addthis_pill_style"></a></div>]]></description> <content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignright size-medium wp-image-359" title="NORMAN MAILER - UM SONHO AMERICANO - ROMANCE - BEST SELLER" src="http://www.caotico.com.br/wp-content/uploads/2009/09/NORMAN-MAILER-UM-SONHO-AMERICANO-ROMANCE-BEST-SELLER-210x350.jpg" alt="NORMAN MAILER - UM SONHO AMERICANO - ROMANCE - BEST SELLER" width="120" height="200" />Ainda no meio da leitura de <em>Um Sonho Americano, </em>já tinha duas certezas. A primeira é que eu preciso encarar os melhores livros de Norman Mailer, talvez <em>Os Nus e os Mortos, Canção do Carrasco, Exércitos da Noite </em>ou <em>A Luta</em>. A outra é que há algo de Dostoievski nesse livro. Eu xoxe se Mailer também não traçou<a href="http://www.caotico.com.br/crime-e-castigo-do-blog-de-milton-ribeiro/#more-249"> Crime e Castigo</a>!</p><p>Logo no comecinho da trama, o personagem Steve Rojack, mata a mulher e deixa tantas pistas do crime que até a Polícia de Pernambuco seria capaz de metê-lo na cadeia. A primeira metade do livro é marcada pela tensão da prisão iminente, o leitor e o personagem atravessam quase uma centena de páginas achando que a casa vai cair.</p><p>O policial então resolve fazer um jogo de gato-e-rato parecido com aquele que Petrovitch faz com Raskolnikov na obra-prima do meu russo preferido. Mas se a vida recomeça para o personagem de Dostoievski a partir do castigo e do arrependimento, é a impunidade que dá uma guinada na história e na vida do protagonista de <em>Um Sonho Americano. </em> Este, aliás, é melhor momento do livro, algo que revela um pouco do talento de Mailer.</p><p>Na época em que o livro foi publicado nos Estados Unidos, uma parte do puritano público americano ficou chocada com a narrativa de Mailer, que não perdoa a sujeira e os pecados sórdidos da classe alta – aquela sacanagem sem tamanho sob a plácida superfície familiar. A julgar apenas por essa leitura, nosso Nélson Rodrigues tratou dessa hipocrisia com mais talento e coragem.</p><p>A atmosfera fumaça de cigarro, bebida aos borbotões, violência e uma mulher fatal, tão comuns nos romances “noir” e da “pulp fiction” da primeira metade do século XX, também estão presentes no livro, cuja leitura, aliás, é bem irregular. Há momentos em que não consegui largá-lo, em outros deu vontade de pular algumas páginas, para ver se alguma coisa acontecia mais adiante.</p><p>O que há de mais chato é que o autor usa inúmeras vezes um recurso muito comum na literatura americana, umas comparações estapafúrdias, com as quais já tropecei em outros autores. Não sei se essas comparações têm algum nome técnico ou se é algo genial, eu é que sou burro demais.</p><p>Separei algumas dessas associações esquisitas para dar ideia do que estou falando:</p><p>“Cherry tinha os pés curtos e largos daquele tipo de mulher muito prática que dispunha de tempo para fazer compras na mercearia e tempo para transar com o vizinho de porta&#8230;” (pág. 106)</p><p>“&#8230;tinha no rosto  a expressão de um soldado que achou um pêssego em um árvore no outono e parou para comê-lo.” (pág. 117)</p><p>“Eu tinha o olhar objetivo de um promotor público que abriu mão de uma carreira em cirurgia” (pág. 131)</p><p>Pode ser que esse seja um recurso inteligentíssimo, não sei, não sou crítico literário, mas é repetido tantas vezes que enjoa, fica meio ridículo. Além disso, coisas assim são usadas por tantos autores americanos (não lembro de nenhum específico agora), que soa como clichê. Ou como saída fácil para descrever algo difícil.</p><p>Falei mal de alguns aspectos de <em>Um Sonho Americano</em>, mas não é um livro ruim. É verdade que não é essa coca-cola toda, mas foi uma leitura interessante. E há algo de irônico em tê-lo lido na semana do 11 de setembro,  aniversário do atentado em Nova York e do golpe militar de Pinochet.</p><p><strong>Sobre o escritor</strong></p><p><img class="alignnone size-medium wp-image-360" title="12_mailer_lg" src="http://www.caotico.com.br/wp-content/uploads/2009/09/12_mailer_lg-350x234.jpg" alt="12_mailer_lg" width="271" height="180" /></p><p>Norman Mailer foi um dos pais daquilo que chamam de <em>New Journalism</em>, a narrativa jornalística que não abria mão dos recursos, e liberdade literárias. Suas biografias disponíveis na web dão conta que ele ganhou dois prêmios Pulitzer e um National Book Awards, porém algo curioso me chamou a ateção: ele foi preso por condenar os crimes de guerra dos Estados Unidos no Vietnã e, dois anos depois, teve a macheza de se candidatar a prefeito de Nova York, mesmo descendo a lenha todos os dias na elite e na classe média do seu País. Norman Mailer morreu em 2007, aos 84 anos.</p><ul><li><strong><a href="http://www.revistapiaui.com.br/edicao_26/artigo_799/Aos_tapas_e_pontapes_with_love.aspx">Coletânea da correspondência política de Mailer no site da revista Piauí (é preciso fazer o cadastro)</a></strong></li><li><strong><a href="http://www.bbc.co.uk/portuguese/reporterbbc/story/2007/11/071110_mortenormanmailer.shtml">Pequena biografia de Norman Mailer no site da BBC Brasil</a></strong></li></ul><div class="addthis_toolbox addthis_default_style " addthis:url='http://www.caotico.com.br/um-sonho-americano/' addthis:title='Um Sonho Americano '  ><a class="addthis_button_facebook_like" fb:like:layout="button_count"></a><a class="addthis_button_tweet"></a><a class="addthis_button_google_plusone" g:plusone:size="medium"></a><a class="addthis_counter addthis_pill_style"></a></div>]]></content:encoded> <wfw:commentRss>http://www.caotico.com.br/um-sonho-americano/feed/</wfw:commentRss> <slash:comments>3</slash:comments> </item> </channel> </rss>
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