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	<title>Caótico &#187; Tchekhov</title>
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	<description>Espaço de leituras,  histórias &#38; especulações &#124; Por Inácio França</description>
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		<title>Trechos de contos de Anton Tchekhov</title>
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		<pubDate>Sun, 20 Dec 2009 12:59:17 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Inácio França</dc:creator>
				<category><![CDATA[Trechos arretados]]></category>
		<category><![CDATA[Contos]]></category>
		<category><![CDATA[literatura russa]]></category>
		<category><![CDATA[Tchekhov]]></category>
		<category><![CDATA[trechos de Tchekhov]]></category>

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		<description><![CDATA[&#8220;- Não é grande vantagem ser amado: as moças foram criadas exatamente para amar pessoas como nós. Mas algum dos senhores já foi odiado, odiado com ardor, furiosamente? Algum dos senhores já observou os deleites do ódio? Hein? Não houve resposta. - Nenhum dos senhores? &#8211; perguntou a voz grave do oficial superior. &#8211; Pois [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignright size-full wp-image-560" title="damatchekhov" src="http://www.caotico.com.br/wp-content/uploads/2009/12/damatchekhov.jpg" alt="damatchekhov" width="72" height="119" /></p>
<p>&#8220;- Não é grande vantagem ser amado: as moças foram criadas exatamente para amar pessoas como nós. Mas algum dos senhores já foi odiado, odiado com ardor, furiosamente? Algum dos senhores já observou os deleites do ódio? Hein?</p>
<p>Não houve resposta.</p>
<p>- Nenhum dos senhores? &#8211; perguntou a voz grave do oficial superior. &#8211; Pois eu fui odiado, fui odiado por uma moça bem bonitinha, e em mim mesmo pude estudar os sintomas do primeiro ódio. O primeiro, senhores, porque aquilo foi uma coisa exatamente oposta ao primeiro amor&#8221;.</p>
<p><strong>Trecho do conto <em>Zinotchka</em>, publicado em agosto de 1887</strong></p>
<p style="text-align: center;">*****</p>
<p style="text-align: center;">
<p style="text-align: left;">&#8220;Por que ela o amava daquela maneira? Ele sempre parecera às mulheres ser outra pessoa, diferente do que era na realidade, e elas amavam não a ele, mas alguém que sua imaginação havia criado, alguém que elas procuravam ansiosamente em suas vidas. E, mais tarde, quando percebiam seu engano, ainda continuavam a amá-lo. E nenhuma fora feliz com ele. O tempo passava, ele conhecia outra mulher, começava uma nova relação, depois se afastava, mas não amou nem uma vez; chame aquilo como se quiser, apenas não era amor. E somente agora, quando sua cabeça já estava ficando grisalha, ele começou a amar de verdade, como deveria &#8211; e pela primeira vez em sua vida.</p>
<p style="text-align: left;">Anna Sergueievna e Gurov amavam-se como duas pessoas muito íntimas, como marido e mulher, como ternos amigos; parecia-lhes que o próprio destino escolhera um para o outro, e não entendiam por que ele tinha uma esposa e ela um marido; era como se eles fossem duas aves migratórias, mcaho e fêmea, que foram capturadas e obrigadas a viver em gaiolas separadas&#8221;.</p>
<p style="text-align: left;"><strong>Trecho do conto <em>A dama do cahorrinho</em>, publicado em dezembro de 1899</strong></p>
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		<title>Contos de Tchekhov</title>
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		<pubDate>Thu, 10 Dec 2009 20:10:01 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Inácio França</dc:creator>
				<category><![CDATA[Leituras Caóticas]]></category>
		<category><![CDATA[A dama do cachorrinho]]></category>
		<category><![CDATA[Contos]]></category>
		<category><![CDATA[czarismo]]></category>
		<category><![CDATA[literatura russa]]></category>
		<category><![CDATA[Rússia pré-revolucionária]]></category>
		<category><![CDATA[Tchekhov]]></category>

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		<description><![CDATA[Nos últimos dias, o tempo da leitura foi arrancado na marra. Duas páginas no banheiro, mais duas enquanto aguardava a milésima reunião do ano, dois parágrafos na cama antes de arriar no sono, outra página no carro da prefeitura, correndo o risco de descolar a retina. E assim foi, aos trancos e barrancos, da pior [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignright size-full wp-image-536" title="dama_do_cachorrinho" src="http://www.caotico.com.br/wp-content/uploads/2009/12/dama_do_cachorrinho.jpg" alt="dama_do_cachorrinho" width="101" height="167" />Nos últimos dias, o tempo da leitura foi arrancado na marra. Duas páginas no banheiro, mais duas enquanto aguardava a milésima reunião do ano, dois parágrafos na cama antes de arriar no sono, outra página no carro da prefeitura, correndo o risco de descolar a retina. E assim foi, aos trancos e barrancos, da pior maneira possível li 12 contos de um dos melhores escritores da história.</p>
<p>Há tempos que eu estava me devendo ler alguma coisa de Anton Tchekhov (se ainda lembro das aulas de russo com a professora Ewa, a pronúncia é mais ou menos assim: txerróf). Antes de chegar ao último conto, estava com uma inveja danada de quem leu 22 livros dele, como o blogueiro gaúcho <a href="http://miltonribeiro.opsblog.org/2008/08/21/anotacoes-pessoais-sobre-anton-tchekhov-e-e-mail-recebido/">Milton Ribeiro</a>.</p>
<p>Os contos do russo foram escritos no final do século XIX, poucos no início do século XX, mas poderiam ter sido publicados na semana passada aqui no Brasil, no Sri Lanka ou qualquer outra parte do mundo. A prosa de Tchekhov é atualíssima. Esses contos jamais vão caducar, pelo menos não enquanto os humanos se apaixonarem, sofrerem por do amor, sonharem, alimentarem esperanças de mudar a vida.</p>
<p>O pessoal que estuda história e crítica literária diz que ele mudou os rumos da literatura porque tratou com técnica e poesia o cotidiano do homem comum, gente como o médico de província, o órfão explorado, a mocinha do interior que não aceita o casamento arranjado.</p>
<p>É verdade isso que dizem os especialistas. Enquanto avançava na leitura, senti que já havia encontrado Tchekhov em algum lugar, já o conhecia de vista. Há muito de Tchekhov nas crônicas de Rubem Braga. Também há Tchekhov no romance de <a href="http://www.caotico.com.br/a-tregua/">Mário Benedetti</a>. Encontrei Tchekhov em <a href="http://www.caotico.com.br/dublinenses/">Joyce</a>, que começou a escrever suas coisinhas quando o russo já era popular que só a gota-serena.</p>
<p>Há várias coletâneas de histórias espalhadas por aí, de diferentes editoras. O que li foi <em>A dama do cachorrinho e outras histórias</em>, da L&amp;PM, presente de aniversário da minha filha Júlia. Nos contos desse livros, a rígida hierarquia do czarismo, a aristocracia decadente, a miséria no campo, a neve, tudo isso é apenas pano de fundo para uma narrativa delicada, sutil, espelho do respeito e do amor do autor por quem sofre, pelos fracos, pelos explorados. O que importa são os personagens, o ser humano.</p>
<p>Mas há sarcasmo também. No conto “A irrequieta”, a mocinha recém-casada com o jovem e tímido médico é totalmente deslumbrada com o mundo das artes, vive em torno de pintores, atores, escultores, escritores. Não pinta um borrão de caneta, não escreve uma vírgula, mas é uma artista. Ao seu modo, com sutileza e sem julgamentos morais, o autor é implacável com a moça.</p>
<p>Esse conto é um bom exemplo da atualidade do olhar de Tchekhov sobre a sociedade de sua época. Se trocarmos o Volga pelo Capibaribe, a neve pelo calor, os casacos de lã pela saias indianas compradas no shopping, identificamos a “irrequieta” em dúzias de babaquinhas que vivem em torno de bandas de música, de cineastas, de produtores. Gente que gosta de arte e de cultura, desde que essa cultura seja produzida por gente branca e que o povo fique bem longe, só aplaudindo. Ah, se eu tivesse o talento de Tchekhov&#8230;</p>
<p>O conto que dá título ao livro faz juz à fama. É a perfeição em forma de narrativa curta, uma beleza. Os personagens Gurov e Anna se tornam mais palpáveis, mais reais a cada parágrafo. Senti a ansiedade dos amantes, a necessidade de ver o outro, a dor da paixão clandestina, a incerteza. O final sem fechamento, sem conclusão, é de lascar de tão bom.</p>
<p>Alguém nos comentários sobre o livro <em><a href="http://www.caotico.com.br/dois-irmaos/">Dois Irmãos</a>, </em>acho que foi Renatinha Reynaldo, disse que acabou a leitura e se sentiu feliz. Talvez se eu tivesse lido esse livro de uma tacada só, sem tantas interrupções e aperreios, meu sentimento também fosse igual. Mesmo assim, a sensação no final de vários contos (principalmente “A corista”, “A irrequieta”, “A dama do cachorrinho” e a “A noiva”) é de que alguém tinha acabado de me falar algo importante, algo capaz de explicar ou mudar muita coisa na vida.</p>
<p><img class="alignnone size-medium wp-image-537" title="chekhov" src="http://www.caotico.com.br/wp-content/uploads/2009/12/chekhov-282x350.jpg" alt="chekhov" width="185" height="230" /> <img class="alignnone size-medium wp-image-538" title="6259 russia taganrog the house of chekhov thumbnails" src="http://www.caotico.com.br/wp-content/uploads/2009/12/6259-russia-taganrog-the-house-of-chekhov-thumbnails-350x262.jpg" alt="6259 russia taganrog the house of chekhov thumbnails" width="307" height="230" /></p>
<p><strong>Sobre o escritor</strong></p>
<p>Anton Tchekhov viveu apenas 44 anos, mas até hoje faz barulho na alma de quem lê seus escritos. Seus contos revelam sensibilidade e que ele tinha um lado bem definido na vida: o lado dos mais fracos. Gostei tanto do que li, que procurei imagens da sua cidade. Encontrei a foto da casa dele, na cidade que nasceu,  Taganrog, no sul da Rússia, à beira do mar de Azov.</p>
<ul>
<li><a href="http://panorama-direitoliteratura.blogspot.com/2007/12/anton-tchekhov-dama-do-cachorrinho.html"><strong>Clique aqui para ler uma ótima resenha sobre a <em>A dama do cachorrinho </em>no site Panorama</strong></a></li>
<li><strong><a href="http://miltonribeiro.opsblog.org/2008/08/21/anotacoes-pessoais-sobre-anton-tchekhov-e-e-mail-recebido/">Clique aqui para ler uma declaração de amor arretada à obra de Tchekhov, por Milton Ribeiro</a><br />
</strong></li>
</ul>
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