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	<title>Caótico &#187; Vandeck Santiago</title>
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	<description>Espaço de leituras,  histórias &#38; especulações &#124; Por Inácio França</description>
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		<title>Josué de Castro, o Gênio Silenciado</title>
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		<pubDate>Thu, 17 Dec 2009 17:53:46 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Inácio França</dc:creator>
				<category><![CDATA[Leituras Caóticas]]></category>
		<category><![CDATA[Geografia da Fome]]></category>
		<category><![CDATA[Geopolítica da Fome]]></category>
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		<description><![CDATA[Duas atitudes são fundamentais para um jornalista ser aceito entre seus iguais nas redações do século XXI: freqüentar o bar da moda e cultivar uma auto-imagem de paladino da Justiça, de corajoso fiscal da ética acima do bem e do mal. Também é recomendável manter o nariz empinado. Vandeck Santiago não faz nada disso, mas [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignright size-medium wp-image-545" title="livro josué de castro" src="http://www.caotico.com.br/wp-content/uploads/2009/12/livro-josué-de-castro-233x350.jpg" alt="livro josué de castro" width="120" height="177" />Duas atitudes são fundamentais para um jornalista ser aceito entre seus iguais nas redações do século XXI: freqüentar o bar da moda e cultivar uma auto-imagem de paladino da Justiça, de corajoso fiscal da ética acima do bem e do mal. Também é recomendável manter o nariz empinado. Vandeck Santiago não faz nada disso, mas é um dos melhores seres humanos dessa raquítica atividade que é o Jornalismo.</p>
<p>Criatividade e talento para escrever já não são assim tão importantes, mas Vandeck sabe escrever, tem ótimas ideias e, apesar de já ter trabalhado na Veja, é um homem honrado. Pausa para esclarecimento: respeito muito esse sujeito, o conheço desde que eu era estudante e ele já trabalhava na sucursal da acima citada revista, mas não dá para dizer que somos amigos. Nem sei onde ele mora.</p>
<p>Com todo esse blá-blá-blá, o que estou querendo dizer é que seu livro <em>Josué de Castro, o Gênio Silenciado </em>é uma ótima sacada, resultado de sua criatividade, do seu rigor na apuração e da sua intimidade com a escrita. Ao mesmo tempo, é uma evidência incontestável que não existe mercado editorial em Pernambuco. Aliás, provavelmente essa última afirmativa é válida para o Nordeste inteiro, mas a ignorância impede que eu generalize.</p>
<p>Vandeck utilizou as ferramentas e técnicas do Jornalismo para escrever um livro que poderíamos chamar de básico sobre um dos brasileiros mais importantes do século XX. <em>O Gênio Silenciado </em>não é uma biografia de Josué de Castro, longe disso, mas uma espécie de lanterna a alumiar o caminho das pedras para estudantes ou para quem pretende pesquisar a obra e a vida do homem que escreveu o lendário <em>A Geografia da Fome</em>.</p>
<p>Escrito como uma reportagem, pode ser lido com facilidade pelos não-iniciados em Sociologia ou Geografia. Em compensação, os iniciados não ficarão com cabelos em pé, pois a apuração &#8211; a verificação cuidadosa de dados, nomes e datas -, garante que não há nenhum absurdo histórico ou conceitual em suas páginas.</p>
<p>O texto é bom, a ideia é ótima, Josué de Castro é um personagem que vale esse e outros mil livros. Até aí tudo bem. O problema é que os problemas de edição são numerosos, como a maioria absoluta dos livros lançados por aqui.</p>
<p>Conversei com Vandeck e ele me contou que foi a poetisa Lucila Nogueira quem mobilizou meio mundo de gente para que o texto fosse publicado. Essa movimentação levou o Instituto Maximiano Campos a bancar os custos da publicação, que saiu sob o selo da Bagaço, que garantiu o número do ISBN – aquele código de barras na contracapa que funciona como uma espécie de número de RG de uma obra.</p>
<p>Se existisse uma editora em Pernambuco, um profissional de edição teria se debruçado sobre os originais e solicitado que o autor incluísse alguns nomes, aprofundasse uma ou outra passagem, recomendado que o conteúdo das numerosas entrevistas ping-pong fosse diluído ao longo das 160 e tantas páginas. A capa não seria tão sem graça, com cor de cocô de menino pequeno.</p>
<p>Sou capaz de apostar que nenhuma editora aqui faz esse trabalho, quando muito faz o que a Bagaço fez com <em>O Gênio Silenciado</em>.</p>
<p>Aliás, a própria ideia de lançar livros que funcionam como ponto de partida para iniciantes seria transformada numa coleção com volumes sobre personagens com escassa bibliografia disponível.</p>
<p>Enfim, livro lançado pelas bandas de cá raramente é um bom produto, daqueles que o livreiro não fica com vergonha de botar na prateleira. Há exceções, mas essas são apenas isso: exceções.</p>
<p>Como esse negócio de fazer blog não rende um centavo, não posso montar minha própria editora e publicar logo de cara uma coletânea com as crônicas de <a href="http://www.espalitandodente.blogspot.com/">Paulo Bono</a>. Então, por enquanto o jeito é continuar reclamando.</p>
<p><a href="http://www.caotico.com.br/wp-content/uploads/2009/12/vandeck.jpg"><img class="alignnone size-medium wp-image-546" title="Vandeck Santiago" src="http://www.caotico.com.br/wp-content/uploads/2009/12/vandeck-350x284.jpg" alt="vandeck" width="184" height="149" /></a></p>
<p><strong>Sobre o escritor</strong></p>
<p>Vandeck Santiago tem uns 40 e tantos anos, já trabalhou na Folha de S. Paulo e na Veja, mas nem parece. É repórter especial do Diário de Pernambuco e já fez um monte de cadernos sobre Francisco Julião, Joaquim Nabuco, Josué de Castro e outros que não lembro agora. Quando fiz parte da comissão julgadora do Prêmio Cristina Tavares, em 2004, ele ganhou o prêmio principal e eu quase que apanho do pessoal do jornal concorrente.</p>
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