Não criei esse blog para tratar dos assuntos do dia, aqueles que estão em todas as mídias, telejornais, esquinas. Tamanha onipresença parece exigir opiniões ou posicionamento urgentes, mas, como o mundo não precisa de minha opinião para continuar girando, sempre faço o possível para poupar meus leitores de palpites que podem ser encontrados em vários outros blogs.
Abro uma exceção, incentivado pelo noticiário protagonizado pela Igreja Católica e sua bizarra tropa de papa, cardeais, bispos e padres. Cada um mais doente do que o outro.
Deixo para terceiros a discussão sobre as razões, sobre os aspectos morais e jurídicos dos sucessivos casos de pedofilia dos quais são acusados os sacerdotes católicos. Sobre isso tem gente que escreve melhor do que eu, a exemplo do blogueiro gaúcho Milton Ribeiro, que acredita faltar experiência de vida e sexual as padres abusadores. Ou Pedro Almodóvar, em seu ótimo Má Educação, cuja cena usei para ilustrar esse texto.
Pretendo apenas compartilhar algumas reflexões sobre a ferrenha defesa que fazem os católicos da regra do celibato. Defesa que é realizada tanto pelos bispos quanto por leigos, a exemplo do senhor Andrea Tornielli, como fez em entrevista recente para a revista Carta Capital.
Por que tamanho apego ao antiquado impedimento dos sacerdotes casarem, terem mulher, filhos, cachorro, papagaio etc? Não sei se o fim do celibato significaria o fim dos abusos sexuais. A essa altura do campeonato, a questão é bem mais complicada.
A razões da criação e da manutenção do celibato não são doutrinárias ou morais, como querem nos fazer acreditar os católicos. O celibato foi uma estratégia inteligentíssima que a Igreja de Roma usou para fazer dinheiro, apropriar-se de riquezas alheias e expandir seu patrimônio. Por causa do celibato heranças e mais heranças caíram no colo de dioceses e ordens religiosas mundo afora.
Sem precisar voltar muito no tempo e no espaço, recorro ao Brasil do século XIX e início do século XX, por exemplo. Na sociedade agrária daqueles tempos, as famílias abasteciam a Igreja com, pelo menos, um dos seus filhos, que virava padre e, ao receber sua parte da herança familiar, não tinha filhos – ao menos não oficialmente – para herdar as terras, casas e grana que enriqueciam o tesouro de deus. Em troca, a família aproveitava um pouco do poder da Igreja.
No Brasil urbano das últimas décadas do século passado, a Igreja já não tinha como oferecer tanto poder. E o prestígio foi diminuindo aos poucos, até chegar ao ridículo atual.
Uma vez, um ex-seminarista, ligado à Pastoral da Terra e à Teologia da Libertação, hoje casado e pai de dois filhos, me contou, nas décadas de 80 e 90, a Igreja se tornou um porto seguro para rapazes gays de pequenas cidades do interior. Era um jeito de escapar do preconceito, da pressão da família e salvar as aparências. Era cômodo fazer vistas grossas, afinal, se a Igreja não fingisse desconhecer o troca-troca entre seus soldados de Cristo, quem iria querer ser padre?
A pedofilia não seria, portanto, conseqüência do homossexualismo, como deseja o cardeal Bertone, mas sim da falta de experiência, de vivência de homens que sempre viveram sob uma redoma autoritária, porém superprotetora.
Isso talvez ajude a explicar o fervor do preconceito cristão contra os homossexuais: quanto mais discriminação, mais razões para que o mesmo público discriminado procure o abrigo da Igreja. Hipocrisia pura. Algo bem cristão, aliás.
Agora, nem de fachada para jovens gays discriminados em seus cidades, a Igreja serve. Simplesmente, porque o preconceito praticamente já não existe, ao menos da forma violenta e discriminatória de décadas atrás. Quem conhece as pequenas cidades do sertão nordestino, como eu conheço, sabe que a população homossexual está integrada na vida dos municípios.
A proteção aos padres pedófilos nasceu da necessidade de manter seus poucos quadros. Mais uma vez a mesma questão: se não protegesse seus transgressores e criminosos, como a Igreja iria arrumar gente para pregar a palavra de Deus?
E a Igreja sempre soube proteger seus aliados fiéis, por pior que eles fossem. O modus operandi revelado esses dias pela imprensa internacional, de espalhar os abusadores pelas paróquias do mundo, revela, ao mesmo tempo, uma imensa falta de respeito com as crianças que tinham contato com essas pessoas e a uma ação deliberada, resultado de uma política de Estado do Vaticano. Uma ação que lembra a máfia agindo para proteger seus pistoleiros.
A Igreja não aceita discutir o celibato. Mesmo sem conhecimento sobre o assunto, arrisco uma explicação. Ou melhor, arrisco uma dedução.
A África é a única região do planeta onde a Igreja Católica de Roma continua a crescer. Na América Latina, os cristãos neopentecostais estão perto de virar o jogo. Na América do Norte, o islamismo está comendo pelas beiradas. Na Europa, o secularismo dá as cartas. Sobrou a África.
Mais uma vez, os católicos crescem em sociedades agrárias. Mais uma vez, o celibato deve estar sendo muito útil para garantir a apropriação de riquezas. Por isso, os cardeais fingem que celibato não explica os crimes cometidos nas sacristias. A Igreja de Roma não pode, agora, dizer que sempre esteve errada e abolir o celibato. Logo agora, quando dinheiro e terras poderão voltar cair no colo das dioceses, como caiu no passado?
7 Comentários
Inácio,
A religião é um dos maiores pecados da humanidade.
E Má Educação é muito de fuder.
grande abraço
Concordo com muitas das suas idéias sobre esse tema, só gostaria de lembrar que a pedofilia não é um problema específico das igrejas, sejam elas quais forem. O abuso de menores é muito frequente na nossa sociedade, independentemente da classe social onde as crianças estejam inseridas. Precisamos rediscutir o celibato? Concordo, mas a pedofilia é um “transtorno da preferência sexual” (CID 10 – F65.4), que precisa ser tratado e discutido de forma madura pela sociedade como um todo, juntamente com as autoridades ligadas às áreas da saúde, educação e afins.
Outra questão importante é que, diferentemente da violência sexual, geralmente a criança e/ou adolescente abusado pode sentir prazer nesse tipo de contato sexual, o que dificulta muitas vezes o pedido de ajuda. Sem contar os inúmeros casos em que as crianças dizem aos pais o que está acontecendo e os mesmos não acreditam.
Só para lembrar: 23 de Abril – Dia do livro, de São Jorge e da rosa
No dia de São Jorge, uma rosa e um livro.
Esta tradição, que combina o fato religioso, a rosa como símbolo do amor e o livro como símbolo da cultura, transformou o dia 23 de Abril na data mais comemorada, por todos os catalães.
Como todas as tradições bem enraizadas, muitas vezes é seguida e vivida pelo povo sem que se conheça a sua origem.
Por isso, fazemos aqui uma aproximação às origens desta tradição que todos os catalães, dentro e fora da Catalunha, compartilhamos e comemoramos todos os anos.
São Jorge: história e lenda
Apesar da grande devoção que São Jorge despertou na Europa durante a Idade Média, como figura histórica sabe-se muito pouca coisa.
Militar romano, cristão, que foi martirizado por volta do ano 303 por não abdicar das suas crenças.
O nome Georgius quer dizer camponês, e talvez por isso a comemoração litúrgica foi fixada em 23 de Abril, em plena primavera no continente europeu.
Isto também explicaria em parte que as tradições populares tenham feito dele o protetor das colheitas.
Esta ligação com a primavera e o seu patrocínio dos namorados também o relaciona diretamente com a Feira das Rosas que desde o século XV se celebra na praça de Sant Jaume, onde está localizada a sede do Governo da Catalunha (Generalitat de Catalunya).
Em contraste com o pouco que se sabe sobre a história, a lenda de São Jorge está ampla e fortemente enraizada.
Uma tradição muito estendida na Idade Média explicava que o martírio de São Jorge durou sete anos, diante de um tribunal formado por sete reis.
Esta tradição, que lhe atribui uma grande tenacidade por não abdicar de sua fé durante sete anos de tortura, foi condenada até por Roma mas justifica que o jovem cavaleiro fosse invocado como patrono pelos cavaleiros e pelo Império Bizantino.
Naquela época, a sua ajuda era invocada para combater os infiéis e foi escolhido como patrono pela Geórgia, pela Sérvia, pela Inglaterra, pela Grécia, por Aragão, pelos Países Catalães e também por Portugal.
Surgiram também lendas e tradições sobre a sua ajuda aos exércitos cristãos.
A lenda mais popular, escrita por Jaume de Voràgine na Llegenda Àurea, é a que explica a vitória de São Jorge sobre o dragão. Num país não determinado, chamado Silene, um dragão aterrorizava os habitantes que, para acalma-lo, ofereciam-lhe periodicamente um cordeiro e uma donzela escolhida por sorteio.
Mas um dia a sorteada foi à filha do rei; São Jorge venceu o dragão e libertou a donzela. Então o rei e todo o povo converteram-se à fé de Cristo.
Desde o século XIII, a imagem de São Jorge sobre um cavalo branco, libertando a donzela e vencendo o dragão, é a mais difundida de todas as lendas populares.
São Jorge na Catalunha
A presença documental da devoção a São Jorge em terras catalãs remonta ao século VIII: documentos da época falam de um sacerdote de Tarragona chamado Jorge que fugiu para a Itália.
Já no século X, um bispo de Vic tinha o nome de Jorge, e no século XI o abade Oliba consagrou um altar dedicado ao santo no mosteiro de Ripoll.
Encontram-se exemplos do culto a São Jorge, nesta época, na consagração de capelas, altares e igrejas em diversos pontos da nossa terra.
Os reis catalães mostraram a sua devoção a São Jorge: Jaime I explica na sua Crônica que viram o santo ajudando os catalães na conquista da cidade de Mallorca; Pedro o Cerimonioso fundou uma ordem de cavalaria sob a sua proteção; Afonso o Magnânimo dedicou-lhe capelas nos seus reinos da Sardenha e Nápoles.
Os reis e a Generalitat de Catalunya impulsionaram a celebração da festa de São Jorge em todos os Países catalães.
Em Valência, em 1343 já era uma festa popular; em 1407, Mallorca celebrava-a publicamente.
Em 1436 a Generalitat da Catalunha propôs, nas Cortes reunidas em Montsó, a celebração oficial e obrigatória de São Jorge; em 1456, as Cortes reunidas na Catedral de Barcelona ditaram uma constituição que ordenava a festa, incluída no código das Constituições da Catalunha.
As remodelações do Palau de la Generalitat ( sede do governo catalão) feitas durante o século XV são a prova mais clara da devoção impulsada pela Generalitat, ao colocar o medalhão do santo presidindo a fachada gótica e ao construir no interior a capela de São Jorge.
São Jorge: Dia do livro e da rosa
É muito difícil definir a data exata que marcou o início da tradição popular de oferecer rosas no dia de São Jorge. Deve ser muito antiga, já que, desde o século XV há constância da celebração da Feira das Rosas no dia de São Jorge.
Esta mesma antiguidade traz a tentação de buscar uma relação entre uma tradição popular e o simbolismo do amor cortês que a rosa representa.
Mais além das possíveis teorias que possam justificar a tradição, o mais importante é que se tenha mantido viva e seja um símbolo indiscutível da Catalunha.
Em 1926 a Espanha instaurou o dia 23 de Abril como Dia do Livro pois esta data coincide com a morte de Cervantes, imitando a Inglaterra que já o celebrava no mesmo dia porque também coincide com a morte de Shakespeare.
A celebração enraizou-se rapidamente em Barcelona e estendeu-se na Catalunha, mas o propósito oficial diluiu-se ao coincidir com o dia do Santo Padroeiro.
Enquanto em outros lugares se mantinha de maneira muito escassa ou desaparecia, na Catalunha tornou-se um dos dias populares mais celebrados e ao mesmo tempo ajudou muito a potenciar a difusão e a venda do livro catalão.
Assim, na Catalunha o 23 de Abril é o dia de São Jorge, da rosa e do livro: o dia do Santo Padroeiro, do amor e da cultura.
É, decididamente, um dia de civismo, de cultura e de respeito entre todas as pessoas que vivem na Catalunha e, por extensão, todas as pessoas e todas as culturas do mundo.
23 de Abril: Dia mundial do livro e dos direitos de autor
A Conferência geral da UNESCO, reunida em Paris, considerando que o livro foi historicamente o instrumento mais potente de difusão dos conhecimentos, que todas as iniciativas para promover a difusão do livro são um fator de enriquecimento cultural, que uma das formas mais eficazes de promoção do livro é organizar todos os anos “O dia do livro”, e constatando que esta fórmula ainda não fora adotada a nível internacional, em 15 de Novembro de 1995 proclamou o dia 23 de Abril “Dia mundial do livro e dos direitos de autor”.
Texto elaborado por Pep Camps, da Unidade de Comunidades Catalãs do Exterior, da Generalitat de Catalunya. Março de 2003. Fonte: dados históricos extraídos do postal de boas festas de 1978 editado pela Fundação Jaime I.
http://www.catalonia.com.br/catala/catalunha_cultura5.asp
http://www.amigosdolivro.com.br/lermais_materias.php?cd_materias=3713
Esse blog é legal:
http://7leitores.blogspot.com/ descobri hoje pesquisando Rosa Montero.
Pois é, por essas e outras é que a igreja consegue esculhambar a mensagem de Cristo. Mas vale lembrar que Deus continua falando através de gente como Reginaldo Veloso (pelas mãos de quem recebi o batismo) e de poetas como o autor destes versos:
“Todo santo é alegre: imerso
na alegria da santidade,
chega de ônibus, sorrindo,
a uma favela da cidade,
a uma terra úmida de pranto,
como quem dela está voltando;
todo santo é, mesmo, um artista
mambembe, do palco de Deus,
é um esforçado trapezista:
sabe cair, sabe voar,
fazer das alturas seu lar.”
(PADRE REGINALDO VELOSO, de Alberto da Cunha Melo
em O Cão de Olhos Amarelos, p. 106)
o vice-papa, um cardeal, afirmou que a pedofilia tem a ver com o homosexualismo, pronto, e so fazer o exame da goma e detectar quem sao os padres frescos, e tomar as providencias cabiveis, e melhor do que ficar pedindo desculpas. dizem que o drsagao gigante que descobriram na asia e que tem dois penis vai ser coroinha em arapirasca, onde miltam os dois monsenhores e o padre, cuhos codinomes sao vera fischer, simonr e monica, nao se contentam com o rolo de fumo de asrapiraca.
Para ser mais sincero, bem intencionado mesmo,humano de verdade e inteligente vamos caçar a letra “P” veja: Pedofilos : Pornografia, Pastores , Padres , Pais ,Professores ,Policiais , Parentes , Pediatras e Políticos entendeu? assim ninguém fica escondido nas entre linhas e realmente contribui para integridade das crianças.