
“- Não é grande vantagem ser amado: as moças foram criadas exatamente para amar pessoas como nós. Mas algum dos senhores já foi odiado, odiado com ardor, furiosamente? Algum dos senhores já observou os deleites do ódio? Hein?
Não houve resposta.
- Nenhum dos senhores? – perguntou a voz grave do oficial superior. – Pois eu fui odiado, fui odiado por uma moça bem bonitinha, e em mim mesmo pude estudar os sintomas do primeiro ódio. O primeiro, senhores, porque aquilo foi uma coisa exatamente oposta ao primeiro amor”.
Trecho do conto Zinotchka, publicado em agosto de 1887
*****
“Por que ela o amava daquela maneira? Ele sempre parecera às mulheres ser outra pessoa, diferente do que era na realidade, e elas amavam não a ele, mas alguém que sua imaginação havia criado, alguém que elas procuravam ansiosamente em suas vidas. E, mais tarde, quando percebiam seu engano, ainda continuavam a amá-lo. E nenhuma fora feliz com ele. O tempo passava, ele conhecia outra mulher, começava uma nova relação, depois se afastava, mas não amou nem uma vez; chame aquilo como se quiser, apenas não era amor. E somente agora, quando sua cabeça já estava ficando grisalha, ele começou a amar de verdade, como deveria – e pela primeira vez em sua vida.
Anna Sergueievna e Gurov amavam-se como duas pessoas muito íntimas, como marido e mulher, como ternos amigos; parecia-lhes que o próprio destino escolhera um para o outro, e não entendiam por que ele tinha uma esposa e ela um marido; era como se eles fossem duas aves migratórias, mcaho e fêmea, que foram capturadas e obrigadas a viver em gaiolas separadas”.
Trecho do conto A dama do cahorrinho, publicado em dezembro de 1899
Um Trackback
[...] Caótico Espaço de leituras, histórias & especulações | Por Inácio França Ir direto HomeO autor e suas intençõesRegras para comentáriosTrechos arretados « Trechos de contos de Anton Tchekhov [...]