Não se deixe levar pelas minhas opiniões, apenas compartilho experiências de leitura. Estou longe de ser um crítico literário, sou apenas aquilo que chamam de “leitor comum e desinteressado”.
Há enormes espaços vazios na minha bagagem de leitura.
Jorge Luis Borges (na foto aí do lado), por exemplo, nunca li. Como um sujeito que nunca leu o maior dos argentinos pode se atrever a fazer um blog sobre literatura? Simples: o Caótico não é sobre literatura, é sobre livros. Pelo menos esse é o discurso que construí para justificar meu desejo de escrever esses textos.
Prometo ler alguma coisa de Borges nos próximos anos. O curioso é que, ao menos que me lembre, jamais um livro dele caiu nas minhas mãos, nem por acidente.
Ao norte do Rio do Prata, ainda não conheço a prosa de Juan Carlos Onetti, por mais que Samarone insista em falar dele. Já já chego nele. Só depende dos sebos.
Outra lacuna indesculpável: Gore Vidal. Pelo menos, para essa falha os reparos já estão sendo providenciados. Como já disse aqui, me abasteci de Vidal nos sebos virtuais. Daqui a pouco estarei afiadíssimo em matéria de formação do jeito ianque de ser. Para ficar nos Estados Unidos, de Norman Mailer só li um pequeno O Evangelho Segundo o Filho. O de Saramago é bem melhor, mas ainda há vagas para muita coisa dele.
Também nunca li Kafka. Esse também está em minha mira de curto alcance. Tenho um bocado de coisa dele ainda intocada nas minhas prateleiras. Será lido no meu esforço para dar conta dos frutos do meu impulso consumista.
Mesmo em português, sou completo ignorante em Camões, Eça de Queiroz. No português dos brasileiros, li textos curtos de Guimarães Rosa e quase nada de Lima Barreto. Além dos romances, tenho muita vontade de ler Raymundo Faoro, Os Donos do Poder, para ser mais exato.
O pior é que vivo me perdoando por tudo isso.
É bom os leitores ficarem sabendo dessas minhas ignorâncias para que, depois, ninguém diga que levou gato por lebre.
2 Comentários
Boas as confissões. Aguardo ainda uma boa mesa redonda para dizer que só margeio o Machado de Assis, sem culpa nem dor.
Um dia, um velho amigo perguntou se eu já tinha lido o grande Guimarães Rosa, disse que não.
“Você vai sentir um impacto quando ler”.
Um ano depois, numa festa, ele me perguntou novamente. Nada.
“Você vai ficar abaladeo quando ler”, insistiu.
Cisquei por ali, por acolá, até que um dia peguei pra valer. Atravessei a primeira página e “Grande Sertão: Veredas” e fiquei totalmente tomado. Um vendaval, um negócio absurdo, fiquei perplexo, louco, entre o riso e o choro.
Meses depois, o encontrei. Dei um abraço e agradeci muito.
Teria sido um pecado passar pela vida sem ler aquelas histórias tão profundas.
Me deu até a idéia de escrever para meu blog sobre isso. Acho que vou fazê-lo, já que o comentário está virando outro texto.
Samarone, que não leu ainda “Memórias Póstumas de Brás Cuba”, que Flávia Suassuna não saiba.
Samarone e Inácio
Tenho um ‘certo’ problema com Dom Casmurro. Adorei quando o li pela primeira vez, nos tempos de colégio. Ano passado comprei uma nova edição (a minha estava mofada) no Atacado da Construção, dez reais, adorei encontrar literatura nas gôndolas próximas das pilhas, das caixinhas e das canetas fuleiras.
À noite, orgulhosa, tirei o plástico do livrinho feinho e magrinho (isso não importa), olhei-o todo, folheei-o, cherei-o; suspirei e comecei a ler.
Nas primeiras páginas lembranças e curtição, as descrições das sensações adolescentes são bem familiares.
Lá pelas tantas acontecem passagens de tempo rápidas demais, todos envelhecem muito rapidamente e superficialmente. Eu espero (já um pouco incomodada) que volte o compasso do início do livro (penso: devo ser muito burra!). De repente o livro acaba. – Já?
Olho pra trás do livro (movimento sem nenhuma explicação, assim como meu filho de um ano faz com quadros) procurando não sei o quê.
Como eu sei que Machado é o MAIOR, aceito traquilamente meu despreparo literário mas…
Quem sabe Machado não encheu o saco de escrever e correu pra terminar logo? Ou de repente teve que pegar o bonde?
Lea
em tempo: Bentinho é um cara meio sem graça, coitada de Capitu.